domingo, 28 de junho de 2020

Eliane de Grammont

(São Paulo/SP, 10 de agosto de 1955 ******* São Paulo/SP, 30 de março de 1981)

Eliane Aparecida de Grammont  foi uma cantora e compositora brasileira, tornada célebre por ter sido vítima de feminicíio por parte de seu ex-marido Lindomar Castilho, crime este que marcou a história do país como parte da campanha de combate à violência contra a mulher.
Era filha da compositora Elena de Grammont e seus irmãos, na maioria, seguiram a carreira jornalística e no rádio - caso de sua irmã Helena de Grammont, jornalista da rede Globo. Seu pai morrera de miocardiopatia, doença que também vitimou dois de seus irmãos.

Eliane de Grammont

Em 1977 Eliane conhecera na gravador RCA o cantor de boleros Lindomar Castilho, que então experimentava um grande sucesso popular, havendo vendido em um de seus LPs mais de 800 mil cópias - número bastante expressivo para a época. Após dois anos de namoro se casaram em 1979.
Sua família foi contra a união, mas ela contrariou os parentes para unir-se ao cantor. Também insistiu em que o casamento se desse pela separação de bens, para deixar claro que não estava com ele em razão de seu sucesso e fortuna. O cantor exigiu que ela parasse de cantar.
Durante o breve relacionamento o casal teve uma filha e, diante do abuso de álcool pelo cantor, dado a crises violentas de ciúme, episódios de agressão, separações e reconciliações, culminou com o desquite, após pouco mais de um ano de casamento, em 1980.

Eliane e Lindomar Castilho

Seis meses depois do casamento ela ainda tentou uma reconciliação, mas Lindomar exigira que ela assinasse um documento contendo dez compromissos, entre os quais pedir perdão à empregada que há anos trabalhava para ele e que fora motivo de brigas do casal.
Eliane havia descoberto que também era portadora a miocardiopatia que matara seus familiares, e ainda assim, tentou retomar a carreira como cantora. Foi então que recebeu o convite de Carlos Randall para se apresentar no café "Belle Époque", e com ele passou a ter um romance.
Eliane, que interrompera a carreira com o nascimento da filha, estava há cerca de um ano separada de Castilho e se apresentava num bar da capital paulista quando o cantor a alvejou com vários tiros, atingindo ainda o músico que a acompanhava, o violonista Carlos Roberto da Silva, ferido no abdome. Conhecido com o nome artístico de  Carlos Randall, o músico era primo do próprio Lindomar, que o levara para São Paulo em 1974. Lindomar desconfiava do envolvimento amoroso dele com sua ex-mulher, situação que foi agravada quando este também se separou da esposa. Após o crime, Lindomar tentou fugir mas foi detido e espancado por populares, que o amarraram até a chegada da polícia. Ferida mortalmente, Eliane chegou a ser levada a um pronto-socorro, mas ali chegou já sem vida.

Eliane de Grammont

Durante o julgamento a defesa de Lindomar explorou alegações de que a vítima era uma mãe que não cumpria com as suas obrigações, além de ser uma mulher infiel e de conduta reprovável. Durante o tempo em que durou o julgamento, mulheres protestavam diante do tribunal pelo direito à vida, e aos poucos homens foram se juntando para provocá-las, sob o argumento de um "direito" de matar em casos de "defesa da honra" masculina. Através de eufemismos então em voga, seu advogado Waldir Troncoso Perez arguiu que o réu agira tomado por "violenta emoção". Cinco dos sete jurados votaram pela condenação.









sexta-feira, 26 de junho de 2020

Paulinho Tapajós

(Rio de Janeiro/RJ, 17/08/1945 ******* Rio de Janeiro/RJ, 25/10/2013)

Filho de Norma e Paulo Tapajós. O pai, na época diretor artístico da Rádio Nacional, foi o responsável pelos primeiros contatos do filho com a música.
No entanto, a carreira artística de Paulinho começou enquanto ainda cursava Arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1968 participou do projeto "Música Nova", que promovia encontros entre compositores e cantores para apresentações no Rio.
No mesmo ano registrou, em parceria com Arthur Verocai, a primeira música de sua autoria: "Madrugada", cantada por Magda.

Paulinho Tapajós

Nos anos seguintes, participou de diversos festivais de música, com destaque para sua terceira colocação no Festival Internacional da Canção, quando se apresentou com “Andança”. A composição, realizada em parceria com Edmundo Souto e Danilo Caymmi, se tornou um clássico da música brasileira.

Paulinho Tapajós

No começo dos anos 1970, Paulinho foi responsável por outros grandes hits que integraram trilhas sonoras de diversas novelas. "Irmãos Coragem", música de abertura de novela homônima, foi o maior sucesso, acompanhado de canções como "Assim na terra como no céu" e “Mon ami (Fatos e Fotos)".
Foi somente em 1972 que Tapajós deu inicío a carreira de intérprete. Gravou, ao lado da irmã, Dorinha, um compacto com músicas como "É natural", "O profeta" e "O triste". Seu último disco, "Preparando a Canção", foi lançado em 2008, contando com regravações de músicas próprias e algumas inéditas.

Paulinho Tapajós

Paulinho também usou seus talentos musicais na área da publicidade, criando jingles para campanhas, além de ser autor de diversos livros infantis.
Paulinho morreu aos 68 anos após lutar por seis contra um câncer. Foi enterrado no cemitério São João Batista, na sua cidade natal.

Fonte:: Ultimo segundo.





domingo, 22 de março de 2015

Inezita Barroso


(São Paulo/SP, 4/3/1925 ******** São Paulo/SP, 8/3/2015)

Inezita Barroso, pseudônimo de Ignez Magdalena Aranha de Lima foi, além de cantora e compositora, atriz, instrumentista, folclorista, professora e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em shows, discos, cinema e teatro.
Nascida numa família aristocrática foi apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano. Formou-se em biblioteconomia pela USP, antes de se tornar cantora profissional, na década de 50.

Inezita Barroso

Estreou como cantora em 1950, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, a convite de Evaldo Rui. Participou em seguida da transmissão inaugural da TV Tupi, canal 3, e trabalhou como cantora exclusiva da Rádio Nacional, de São Paulo, transferindo-se mais tarde para a Record. Ainda em 1950 participou do filme “Ângela”, dirigido por Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, e realizou recitais no T.B.C., no Teatro de Cultura Artística e no Teatro Colombo. Voltou a atuar em cinema em 1953, nos filmes “Destino em apuros” (direção de Ernesto Remani) e “Mulher de verdade” (direção de Alberto Cavalcanti). No ano seguinte, apareceu em “É proibido beijar”, de Ugo Lombardi, e “O craque”, de José Carlos Burle,

Inezita Barroso - 1926

Em 1953 gravou na Victor “Canto do mar” (Guerra-Peixe), “Marvada pinga” (Laureano), “Benedito pretinho” e “Dança do caboclo” (ambas de Heckel Tavares) e os sambas “Os estatutos da gafieira” (Billy Blanco) e “Isso e papel, João?” (Davi Raw e Cícero Galindo Machado). A partir de 1954 passou a apresentar-se semanalmente em programas folclóricos na TV Record, de São Paulo. Em 1955 atuou no filme Carnaval em lá maior (direção de Ademar Gonzaga) e, como atriz e cantora, representou o Brasil no Festival de Cinema de Punta del Este, Uruguai, viajando em seguida ao Paraguai.

Inezita Barroso - infância

Seu primeiro LP, “Inezita Barroso”, foi lançado pela Copacabana, também em 1955, com um repertório folclórico que incluía, entre outras, “Banzo” (Heckel Tavares e Murilo Araújo), “Funeral dum rei nagô” (Heckel Tavares e Murilo Araújo), “Viola quebrada” (Mário de Andrade) e “Mineiro tá me chamano” (Zé do Norte). Em seguida lançou os LPs “Canta Inezita”, “Coisas do meu Brasil” e “Lá vem o Brasil”. Nessa época, Jean Louis Barrault, Marian Anderson, Vittorio Gassmann e Roberto Ingles, em visita ao Brasil, levaram seus discos para a Europa, onde foram divulgados nas principais emissoras.
Em 1956 publicou seu livro Roteiro de um violão.
No ano de1969 ganhou troféu do I Festival de Folclore Sul-Americano, em Salinas, Uruguai.

Inezita Barroso - jovem

Em 1970 produziu um documentário que representou o Brasil na Expo70, no Japão.
Realizou programas especiais para o Uruguai, Paraguai, EUA, Israel, antiga URSS, França e Itália.
Ultrapassou a marca de cinqüenta anos de carreira e de oitenta discos gravados, entre 78 rpm, vinil e CDs.
Por vinte e seis anos comandou o programa de música caipira “Viola, Minha Viola”, pela TV Cultura de São Paulo.
Apresentou no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome.
A partir de 1990 passou a apresentar e a fazer a direção musical e folclórica do programa Estrela da Manhã, da Rádio Cultura AM, de São Paulo.

Inezita Barroso

Inezita Barroso foi reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora' de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.
Desde a década de 80, Inezita Barroso ainda arranjava um espaço na agenda para dar aulas de folclore.
Lecionou nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro.
Gravou CDs com o violeiro Roberto Corrêa e a Orquestra de Violas de São José dos Campos.

Inezita Barroso

Inezita esteve internada no hospital Sirio-Libanês desde o dia 19 de fevereiro, Completou 90 anos no hospital. A cantora deixou uma filha, Marta Barroso, três netos e cinco bisnetos.
Segundo a família, Inezita morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória aguda e seu velóri foi realizado no Assembléia Legislativa de São Paulo. O enterro ocorreu no cemitério Gethsemani, no Morumbi. zona sul da cidade de São Paulo.

Fonte: site Mpbnet.com.br
















Gilda Lopes

(Porto Alegre/RS, 17/06/1937 ******* São Paulo/SP, 2009)

Em 1950, Gilda Lopes foi eleita a Rainha dos Estudantes Gaúchos. Os estudantes ficaram tão entusiasmados que quiseram, por sua vez, que ela fosse Miss Porto Alegre naquele mesmo ano. Gilda tinha, porém, 15 anos e, pelo regulamento, não poderia tirar o primeiro lugar. Conquistou, então, o segundo lugar.


Gilda Lopes


Alguns anos mais tarde, Gilda Lopes foi para a Itália, onde encantou vários rapazes, ganhando, em média, três serenatas por cidade que visitou.
Desde menina, Gilda Lopes adorava música, tanto de cantar como de compor.
Convidada, um dia, para participar de um programa da Rádio Roma, em homenagem ao Brasil, cantou “Lamento de Escravo”, de sua autoria. No dia seguinte recebeu, pelo telefone, duas propostas para gravar, uma da gravadora RCA, outra da gravadora Fonit.

Gilda Lopes

Cantou, depois, na TV (Musichieri, Noi Loro), no rádio (24.ª hora, Musicale), em boates famosas como a Open Gate e Kit Kat. Também foi convidade para fazer cinema, em uma co-produção ítalo-americana com Mamie Van Doren.
Em pouco tempo, Gilda Lopes era notícia na Itália, sendo tema de diversas reportagens nas revistas “Settimana”, “Il Tempo”, dentre outras. Mas ela queria fazer sucesso no Brasil. Por isso, em maio de 1959 desembarcou no Rio de Janeiro.



Gilda Lopes


Gravou, então, um disco lançado em 1960, “Lola” (versão) & “Delírio” (de sua autoria e Roberto Kelly).
Gilda Lopes estudou piano e ballet dos 5 aos 14 anos, além de sapateado e castanholas. Também sempre gostou de literatura, principalmente os dos escritores inglsesJames Hilton, Somerset Maugham, Aldous Huxley e Bernard Shaw. Adora Beethoven, Bach e Chopin.
Dotada de uma voz excepcional, Gilda Lopes dedicou ao gênero da ópera com a mesma soltura com que sempre interpretou qualquer tipo de música.

Gilda Lopes

Em 1962, Gilda Lopes gravou um LP que incluiu o seu maior sucesso, "O Trovador de Toledo", versão de "El Arlequín de Toledo", junto a outros grandes sucessos: A Hora do amor, Padre Don José, Tormento de amor, Ba-ba-la-ô, Não, Eu Não Vou Ter Saudade (o sucesso de Edith Piaf Non je ne regrette Rien), De degrau em degrau, Nasci para ti, Balada do adeus, Apaixonada, Agonia, Quero paz.

Gilda Lopes

Em fins de 1962 seu filho perdeu um braço em um acidente rodoviário. Sentindo-se culpada por haver sugerido a viagem de ônibus no lugar do avião, por temer um acidente aéreo, foi morar nos Estados Unidos, para acompanhar o tratamento. Acabou abandonando a carreira artística.


Fontes: Blog Cifra Antiga; Site Rockolafree; Memória Viva.











sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ana Lúcia

(Blumenau/SC,   ******  Florianópolis/SC, 24/06/2011)

Ana Lúcia (Anna Lúcia Buchele da Silva e Souza) nasceu em Santa Catarina.

Ana Lúcia
Cantora Catarinense revelada em São Paulo na era da bossa nova, Ana Lúcia gravou de 1959 a 1964 três LPs. Dois deles foram recentemente relançados na forma de CD sendo que o "Ana Lúcia Canta Triste" foi considerado pela conceituada revista "Rolling Stones"um dos melhores lançamentos dos últimos anos.

Em 1959 gravou o LP "Ana Lúcia", pela gravadora Chantecler, destacando-se de imediato como uma das boas cantoras surgidas com a Bossa Nova. Nesse disco ela gravou, entre outros, clássicos como "Porque Tinha de Ser" (Tom Jobim / Vinícius de Moraes), "Esquecendo Você" (Tom Jobim) e "Da Cor do Pecado" (Bororó). 

Em 1961 gravou o segundo LP, pela gravadora Philips, "O Encanto de Anna Lúcia" , com "Água de Beber", "Ilusão à Toa" e "Tema do Boneco de Palha", uma de suas gravações mais conhecidas. 

Ana Lúcia
Em 1962 apresentou-se ao lado de Oscar Catro Neves, no célebre concerto de bossa nova no Carneggie Hall, cantando a música "Ah, Se Eu Pudesse", sendo que essa apresentação foi gravada e lançada no LP "Bossa Nova At Carneggie Hall", lançado em 1963.

Em 1964 fez uma participação especial no LP de Geraldo Vandré desse ano, cantando em dupla com ele a música "Samba em Prelúdio", gravação que fez grande sucesso na ocasião, antes da famosa gravação realizada pouco depois por Vinícius de Moraes e Odete Lara.

Ana Lúcia participou ativamente na música brasileira na época da bossa nova tendo, dentre outras coisas, sido convidada especial no antológico show do " Carnegie Hall" em 1962.

Ana Lúcia
Em 1968 cantou no festival internacional da canção no Maracanazinho (Rio de Janeiro). Dentre suas gravações de sucesso destacam-se “Carinhoso” e “O Que Tinha Que Ser”.

Após o lançamento de seu último LP afastou-se da vida artística para dedicar-se ao casamento. Nos anos seguintes foi proprietária de um restaurante.

Ana Lúcia faleceu em 2011.

Fonte: Site Cantoras do Brasil.

                                 Ana Lúcia Canta Triste (completo)


domingo, 4 de maio de 2014

Márcio José

(Belo Horizonte/MG, 18/11/1942  ******  Rio de Janeiro/RJ, 31/8/2002)

Márcio José
José Marcio Loreno de Assumpção, ou Márcio José, ainda menino de oito anos de idade, já cantava em todas as festas de seu colégio. Estudou piano e fez parte do Bando dos Cariúnas, juntamente com Helvius Vilela. No início dos anos de 1960, participou dos movimentos da música popular brasileira, ainda em Belo Horizonte (MG), onde conheceu Milton Nascimento, Paulinho Paiva, Nivaldo Ornelas, Paschoal Meirelles e Marcio Borges, entre outros.

Iniciou sua carreira profissional apresentando-se em casas noturnas, na Rádio Guarani, na Rádio Inconfidência e na TV Itacolomi, onde conheceu Clara Nunes e Rosana Toledo. Integrou a Banda Bacana, com Aécio Flávio, Chiquinho Braga e Waltinho, e o grupo Gemini 7, com o qual gravou um LP com Eduardo Prates e Paulinho Horta. Em 1969, participou do Festival Internacional da Canção, interpretando uma composição de Toninho Horta e Marcio Borges. No ano seguinte, transferiu residência para o Rio de Janeiro, como convidado da Orquestra de Ed Maciel. 

Márcio José
Entre 1975 e 1977, atuou em várias casas noturnas cariocas como 706 (com Djavan, Emílio Santiago, Áurea Martins e Leila Rocha), Vivará, Monsieur Pujol (com Miéle e Bôscoli) e Number One (com Alcione, Djavan, Áurea Martins e Osmar Milito). Em 1980, trabalhou no Teclado Piano Bar, com Luiz Eça, e mais tarde no Biblo's Bar, onde atuou durante quatro anos. Em 1985, viajou para os Estados Unidos, divulgando a música popular brasileira nas universidades norte-americanas, ao lado de Eduardo Prates, Romero Lubambo, Raul de Souza, Lúcio Nascimento e Pery Ribeiro. Apresentou-se, ainda, em casas noturnas de Washington e Nova York. 

Márcio José
Seu grande sucesso nas paradas musicais ocorreu na década de 70, com a música "O Telefone Chora". Na canção aparecia a voz de uma menina, sem citação nenhuma no encarte do disco. Tempos depois corrijimos essa omissão. A voz da menina é da atriz e dubladora Aliomar de Matos, dubladora da atriz Sally Field, no seriado "Noviça Voadora".

Márcio José
De volta ao Brasil, passou a atuar em orquestras como Cuba Libre, Ed Maciel e Estudantina, e como vocalista de vários discos gravados no Studio Level da Globo. Interrompeu sua carreira artística em 1996, devido a problemas de saúde.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

                                                Márcio José - "O Telefone Chora"


                                            Márcio José - "Pra Que Não Me Esqueças"




domingo, 27 de abril de 2014

Nelson Ned

( Ubá/MG, 2 de março de 1947  ******  Cotia/SP, 5 de janeiro de 2014)

O cantor e compositor Nelson Ned d'Ávila Pinto, mais conhecido como Nelson Ned, nasceu em Ubá, estado de Minas Gerais.


Nelson Ned
Nos anos 60, Nelson Ned começou a se apresentar e gravar discos, inclusive nos países da América Latina, onde é extremamente popular.

Com repertório voltado para a música romântica, seus shows atraem multidões em estádios e teatros.

Como compositor, já teve músicas gravadas por Moacyr Franco, Antônio Marcos, Agnaldo Timóteo e outros.


Nelson Ned
Ganhou Discos de Ouro no Brasil e já se apresentou algumas vezes no Carnegie Hall, em Nova York.

A partir de 1993, Nelson Ned passou a cantar músicas evangélicas, após ter-se convertido.
Lançou em 1996 a biografia "O Pequeno Gigante da Canção", uma referência à sua condição de anão.


Nelson Ned
Internacionalmente, foi o primeiro artista da América Latina a vender um milhão de discos nos Estados Unidos com o sucesso "Happy Birthday My Darling" (Feliz aniversário meu amor) em 1974.

Em 2008, apresentou sérios problemas de saúde e financeiros.
Com apenas 1,12 de altura e 92 quilos, o cantor lutou para emagrecer e controlar o diabetes e o colesterol. Porém, o que agravou sua saúde foram a obesidade e o inchaço, difíceis de serem tratados por falta de recursos financeiros.


Nelson Ned
Conhecido como O Pequeno Gigante da Canção, Nelson Ned foi o único artista da América Latina a lotar quatro vezes o Carnegie Hall. 

Com sucessos um atrás do outro, entre eles a música "Tudo Passará", veio também a dependência pelas drogas e o fundo do poço, com a conseqüente perda de toda a sua fortuna. Na década de 90, ele tentou dar a volta por cima, tornando-se evangélico e gravando músicas Gospel, mas as dificuldades de locomoção (freqüentemente precisava da ajuda de uma cadeira de rodas) e as fortes dores o impediram de permanecer no palcos.


Nelson Ned
Apesar de Nelson Ned não gostar de falar de seu drama, o amigo cantor e vereador Agnaldo Timóteo, que ele conhecia desde a década de 60, fez uma campanha com o objetivo de angariar pelo menos R$ 50 mil para ajudar no seu tratamento médico.
“Toda sua fortuna foi perdida com as drogas. Mesmo recuperado desse vício, hoje ele não consegue voltar a fazer shows, porque a falta de saúde o impede. O Nelson precisa ser internado em uma clínica para emagrecer, fazer as cirurgias necessárias, controlar o colesterol e voltar a cantar. E sua permanência lá deve ser de pelo menos seis meses”, explicou Timóteo ao site OFuxico.


Nelson Ned - 2008
Agnaldo Timóteo contou ainda que pediu ajuda a diversos artistas, entre eles Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, Gugu, Hebe, Faustão, Tom Cavalcante e Xuxa. Nenhum deles, porém, respondeu.

“Acredito que eles nem chegaram a saber do assunto, pois são pessoas generosas. Provavelmente, seus assessores barraram minha mensagem”, desabafou Timóteo.
De acordo com Timóteo, Silvio Santos e Sônia Abrão prometeram ajudar. O cantor Daniel, disse ele, também foi procurado e até ofereceu ajuda. Só que o dinheiro oferecido pelo artista gerou polêmica. Agnaldo considerou pífia a importância oferecida.

“Ele deu R$ 2 mil, e eu devolvi. Não aceito só isso, pois ele ganha milhões”, disse Timóteo.

O incidente acabou gerando uma saia justa entre os dois.


Nelson Ned - 2008
“O Daniel respondeu que R$ 2 mil é um valor muito acima do salário mínimo, que sustenta milhões de famílias. Mas cada um vive como pode”, insiste Timóteo.
Até Jô Soares entrou na história. Segundo Timóteo, uma secretária o procurou, para dizer que o apresentador da Globo se solidarizou com o que soube e prometeu colaborar.

O empenho de Timóteo tem uma razão de ser: os dois são conterrâneos (nasceram em Minas Gerais) e começaram a carreira juntos, em Belo Horizonte. “Fomos calouros juntos. Ele cantava músicas do Nelson Gonçalves, e eu do Caubi Peixoto”.

Timóteo disse também que, abandonado pelos filhos, Nelson Ned foi ajudado por ele.

“Não quero revelar valores, mas faço o que posso. De mim, o que ele já recebeu, daria para comprar um carro novo”, finalizou.


Nelson Ned - 2012
No final de 2008, Nelson Ned esteve no programa "Nada Mais do que a Verdade", apresentado por Sílvio Santos.

Após uma discussão com a mulher Maria Aparecida (Cida), Nelson Ned, já doente, foi levado pela irmã.  Passou a morar em uma clínica em São Roque, interior de São Paulo, amparado pela irmã, que cuidou de todos os seus negócios, Nelson Ned sofreu com a idade e as consequências do derrame, sofrido há alguns anos atrás.

Nelson morreu aos 66 anos, em decorrência de complicações derivadas de uma pneumonia, no Hospital regional de Cotia, em São Paulo.

Fontes: Sites Wikipedia; OFuxico.

                                          Nelson Ned - "Tudo Passará"



                                        Nelson Ned - "Domingo à Tarde"



                                  Nelson Ned - "Happy Birthday To You, My Love"



                          Nelson Ned e Moacyr Franco - Esse Meu Coração Sem Juizo" - 1976



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Carmélia Alves









                                                                                                           (Rio de Janeiro/RJ,  14 de fevereiro de 1923  *******  Rio de Janeiro/RJ, 3 de novembro de 2012)

Carmélia Alves Curvello era a terceira filha do casal Raimundo, nascido no Ceará e Adelina, nascida na Bahia. Carmélia nasceu no bairro carioca de Bangu numa quarta-feira de cinzas. Ainda bem pequena, seus pais mudaram-se para a localidade de Areal, em Petrópolis, onde foi criada. Seu pai, funcionário do escritório do Departamento de Estradas de Rodagem era muito festeiro, tendo formado conjuntos de baile e organizado blocos carnavalescos e festas juninas. Costumava adormecer embalada pelas cantigas nordestinas cantadas pelo pai.

Com 17 anos voltou ao Rio para estudar , indo morar na casa de parentes. Por essa época, começou a interessar-se por música, encantando-se ao ouvir no rádio as músicas cantadas por Carmen Miranda, da qual tornou-se fã, acompanhando seus programas na Rádio Tupi e recortando suas fotografias de revistas. Recebeu muito incentivo do irmão mais velho, Manoel, que também gostava de cantar e achava que a irmã cantava bem.

Durante o período do ginásio, tomou parte em diversos programas de calouros, tendo sido aprovada em todos eles, inclusive, no mais temido de todos, o de Ary Barroso, onde o assistente Macalé fazia soar o gongo eliminando seguidamente os concorrentes. Convidada por Manoel da Nóbrega, outro grande incentivador, participou de seu programa de calouros na Rádio Ipanema. Fez parte do programa "Estrada do Jacó", comandado por Ary Barroso, onde ele apresentava seus melhores calouros.

Terminado o curso ginasial, optou por seguir a carreira artística. Foi casada por 54 anos com o cantor Jimmy Lester, casamento pautado pela harmonia e compreensão.

Sua carreira artística teve início nos anos 1940, quando foi contratada por Barbosa Júnior para apresentar-se com cachê fixo no programa "Picolino", cantando músicas do repertório de Carmen Miranda. Em meados dos anos 1940, obteve chance no conhecido programa "Casé", substituindo uma cantora que havia faltado. Cantou músicas de Carmen Miranda, que nesta época havia viajado definitivamente para os Estados Unidos. Ouvida por César Ladeira, diretor da Rádio Mayrink Veiga, é contratada por essa rádio, que buscava uma substituta para a estrela Carmen Miranda. Ganhou um programa semanal, recebendo 800 mil-réis por mês, uma verdadeira fortuna para a época.

Em 1941, foi contratada como crooner pelo Copacabana Palace, recebendo 100 mil-réis por dia, apresentando-se no programa "Ritmos da Panair", apresentado ao vivo por Murilo Neri, sendo transmitido para todo o Brasil pela Rádio Nacional. Nesse mesmo ano, foi considerada pela crítica especializada do Rio de Janeiro a melhor crooner. Por essa época, conheceu no Copacabana Palace, o paulista de Franca, José Andrade Nascimento Ramos, que apresentava-se cantando músicas americanas, com o nome artístico de Jimmy Lester, e com quem se casou em apenas três meses. Sua carreira ganhou espaço nesse momento, sendo freqüentemente convidada para apresentar-se em outros locais, entre os quais, o programa do "Chacrinha", na Rádio Fluminense.

Participou no coral de várias gravações de outros artistas, entre os quais na gravação de "Aurora", feita por Joel de Almeida e Gaúcho. Participou, também, de inúmeras gravações de Benedito Lacerda na RCA Victor, sempre participando do coro.

Em 1943, gravou seu primeiro disco, financiado com 400 mil-réis de suas economias. Contou com a ajuda do amigo Benedito Lacerda, que acompanhou a gravação com os músicos de seu regional, que nada cobraram pelo trabalho. Participaram do coro inúmeros artistas, que depois se tornariam famosos, Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro e Nélson Gonçalves. Nesse disco pioneiro foram registrados, de Assis Valente, a batucada "Quem dorme no ponto é chofer" e de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro, o samba "Deixei de sofrer". Apesar do sucesso obtido com a gravação, teve que afastar-se um tempo dos discos, pois sendo novata, criara involuntariamente uma situação constrangedora, já que naquele momento de guerra, muitos artistas consagrados não conseguiram gravar. Preferiu, então, excursionar pelo Brasil com o marido. Durante quatro anos apresentou-se em diversas cidades brasileiras. Retornou ao Rio de Janeiro em 1948, retomando seu lugar na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1949, gravou com Ivon Curi a toada "Me leva", de Hervé Cordovil e Rochinha, com orquestração e regência do maestro Radamés Gnattali, que tornou-se seu primeiro grande sucesso e a rancheira "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. No mesmo ano, gravou com o Quarteto de Bronze, o samba "Diga que sim", de Roberto Martins e Ari Monteiro e o choro "Tic-tac do meu relógio", de Dunga. Ainda em 1949, gravou de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, a marcha "Mimoso jacaré" e de Roberto Martins, o samba "Coração magoado". No mesmo ano, gravou de Lauro Maia e Humberto Teixeira o baião "Trem o lá lá" e de Ari Kerner, o balanceio "Trepa no coqueiro", com a orquestra de Severino Araújo, um de seus grandes sucessos.

No ano de 1950, gravou de Hervé Cordovil e Mário Vieira, o baião "Sabiá na gaiola", que estourou como outro grande sucesso, de Luís Bandeira, o cateretê "Dança do pinote" e o samba "Coração magoado", com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo. No mesmo ano, passou a atuar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1951, gravou, de Capiba o frevo-canção "É frevo meu bem", que teve grande êxito em Recife, começando, a partir de então, a ter nos anos seguintes grandes sucessos com frevos. No mesmo ano, gravou de Salvador Miceli e Luiz Antônio, a batucada "Maria pouca roupa", de Humberto Teixeira, o baião "O baião em Paris" e de Luiz Bandeira e Ernâni Seve, o samba "Samba de emergência", entre outras. Ainda neste ano, ela e o marido Jimmy Lester, em viagem ao Nordeste, descobriram o acordeonista Sivuca, atuando na Rádio Comércio do Recife e o levaram para o Rio de Janeiro. Gravou na mesma época, com Jimmy Lester, os baiões "Adeus Maria Fulô", de Humberto Teixeira e Sivuca e "Saudade é de matar", de Hervé Cordovil e Manezinho Araújo. Com Sivuca gravou o pot-pourri "No mundo do baião", com baiões de diferentes autores.

Em 1952, gravou a marcha baião "Dança da mulesta", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. No mesmo ano, gravou de Humberto Teixeira, o baião "Eu sou o baião". Ainda em 1952, gravou com o Trio Melodia, dois pout-pourris, um de sambas e outro de baiões. Gravou com Sivuca ao acordeon os baiões "Maria Joana", de Luís Bandeira e "O vôo do mangangá", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. Na mesma época, reforçou o direcionamento de sua carreira em direção aos ritmos regionais, embora continuasse a gravar sambas. Ingressou no cinema cantando números avulsos e ganhou o título de Rainha do baião, integrando uma verdadeira corte, sendo Luiz Gonzaga, o Rei, Luiz Vieira, o príncipe e Claudette Soares, a princesa, cantando repertório de Carmélia, já conhecida como a Rainha do Baião. Recebeu inúmeros convites para apresentar-se em diversos lugares, inclusive na Argentina, onde viu lançado seu grande sucesso "Sabiá na gaiola". Gravou de Humberto Teixeira e Lauro Maia, o balanceio "O balanceio tem açúcar" e o baião "Baião vai, baião vem", de Hervé Cordovil.

Em 1953, gravou de Humberto Teixeira e Felícia Godoy o samba "Um verdadeiro amor" e de Hervé Cordovil, a marcha-rancho "Que bela rosa". No mesmo ano, gravou as polcas "A viola do Zé", de José Meneses e Luiz Bittencourt. Ainda em 1953, gravou com o Trio Melodia a chula "Pau de arara" de Luiz Bittencourt e José Meneses e a clássica toada "Tristeza do Jeca", de Angelino de Oliveira. Em 1954, gravou de Capiba, o frevo-canção "Vamos pra casa de Noca?", em disco que trazia na outra face, a Orquestra Tabajara de Severino Araújo com o frevo "Camisa velha", de Herman Barbosa. No mesmo ano, gravou as marchas "Carnaval em Caxias", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy e "Marcha dos barbadinhos", de Roberto Martins. Também gravou com Sivuca os pout-pourris "No mundo do baião" III e IV, com diversos compositores.

De 1950 a 1954, manteve-se na gravadora Continental, na Rádio Nacional e no topo das paradas como a Rainha do Baião. Depois de apresentar-se com enorme sucesso na Argentina, viajou com a caravana de Humberto Teixeira indo apresentar-se na Alemanha, onde fez sucesso, sendo convidada a gravar um LP pela Telefunken. O mesmo aconteceu em outros países onde se apresentou. Em Portugal, seu repertório passou a ser utilizado por ranchos regionais. Na então União Soviética, fez um show para 150 mil pessoas. Em 1955, gravou o samba "Falando de amor", de Edu Rocha, João de Oliveira e Pernambuco, a marcha "Disco voador" de Hervé Cordovil e os baiões "Voando prá Paris", de Humberto Teixeira e "Pau-de-arara", de Guio de Morais . Em 1956, gravou os baiões "Baião de Santa Luzia", de Luiz Bandeira e "Vapô de Carangola", de Manezinho Araújo e Fernando Lobo. No mesmo ano, já de viagem marcada para a Europa gravou de Luiz Bandeira o frevo "Quarta-feira ingrata" que se tornou o hino do carnaval pernambucano.

Em 1957, gravou os frevos-canção "É de fazer chorar", de Luiz Bandeira e "Nem que chova canivete", de Capiba. Em 1959, gravou os sambas "Maldade", de Valdemar Gomes e "Recado", de Djalma Ferreira e Luiz Antônio e os baiões "Serenata dos gatos" e "Carreteiro", ambos de Antônio Almeida. Gravou, também, o clássico samba "Gente da noite", do compositor gaúcho Túlio Piva. Por essa época, o casal Carmélia Alves e Jimmy Lester pouco tempo ficou no Brasil, fazendo tournês internacionais nas três Améicas e na Europa. Em 1962, gravou pela Mocambo os sambas "Tem que ter", de Túlio Piva e o clássico "Chiclete com banana", de Almira e Gordurinha. No mesmo ano realizou com enorme sucesso uma série de shows em boates chilenas durante a Copa do Mundo. Em 1963, gravou o frevo-canção "É de Maroca", de Capiba e o samba "O malhador", de Donga, Pixinguinha e Valfrido Silva. Durante a Jovem Guarda, chegou a apresentar-se com o grupo vocal Golden Boys, no programa Silvio Santos na televisão.

Em 1974, gravou pela RGE o LP "Ritmos do Brasil", onde interpretou uma variedade de ritmos musicais brasileiros, entre os quais, o baião "Paraíba feminina", de Hervé Cordovil, o carimbó "Eu vou girar", de B. Lobo e Agnaldo Alencar, o arrasta-pé "Chora viola, chora", de Venâncio e Corumba e o maxixe "Feitiço da Bahia", de Nelson Sampaio. Em 1976, a Continental lançou pela série "Ídolos MPB", o LP "Carmélia Alves", fazendo um histórico da carreira da cantora, com a apresentação de 12 composições, que foram sucesso em sua voz, entre as quais, o balanceio "Trepa no coqueiro", de Ari Kerner, o samba "Coração magoado", de Roberto Martins, os baiões "Sabiá na gaiola", de Hervé Cordovil e Mário Vieira e "Adeus, morena, adeus", de Manezinho Araújo e Hervé Cordovil e a toada baião "Essa noite serenô", de Hervé Cordovil, do filme "Meu destino é pecar".

Em 1977, após 15 anos sem se apresentar para o público carioca, fez antológico show ao lado de Luiz Gonzaga no Teatro João Caetano reabrindo a série "Seis e Meia". Na ocasião interpretou interpretou "Qui nem jiló", "Trepa no coqueiro", "Sabiá lá na gaiola" e "Cabeça inchada", além dos duetos com Gonzaga em "Reis do baião", "Lorota boa" e "Forró do Mané Vito". Na década de 1990, integrou o conjunto "Cantoras do rádio" ao lado de Nora Ney, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales, Ellen de Lima e Violeta Cavalcanti. Em 1993 teve relançado em CD o seu show realizado no teatro João Caetano ao lado de Luiz Gonzaga.

Em 1998, com a morte de Jimmy Lester, entrou em depressão, permanecendo isolada em sua residência de Teresópolis, mas em dois anos já estava de volta às lides, participando de vários shows em São Paulo, inclusive, no Projeto "O Botequim do Cabral" ao lado do crítico Sérgio Cabral.

Em 1999, lançou pelo selo CPC-UMES o CD "Carmélia Alves abraça Jackson do Pandeiro e Gordurinha" no qual interpretou clássicos como "Chiclete com banana", de Gordurinha e José Gomes, "Um a um", de Edgard Ferreira e "Sebastiana", de Rosil Cavalcanti. Em 2000, lançou pelo selo paulista CPC da Umes, com produção de Marcus Vinícius, um CD dedicado a Jackson do Pandeiro e Gordurinha, contando com a participação de Inezita Barroso, Luiz Vieira e Elymar Santos. O lançamento do CD aconteceu através de uma série de shows por todo o Brasil.

Em 2001, apresentou-se no Teatro de Arena ao lado das cantoras Ellen de Lima, Violeta Cavalcanti e Carminha Mascarenhas, no show "Cantoras do rádio -Estão voltando as flores", com apresentação, roteiro e direção de R. C. Albin e que foi gravado em CD pela Som Livre. O espetáculo que teve excelente aceitação, atingindo um público de mais de dez mil pessoas, que aplaudiam de pé, tornou presente diversas memórias da era do rádio, revivendo, por exemplo, logo no início, o prefixo do programa de César de Alencar, apresentado, nos anos 50 na Rádio Nacional.

Em 2002 foi lançado o CD "Estão voltando as flores", com Violeta Cavalcanti, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima, onde ela canta, entre outras, as músicas "Ninguém me ama", "Feitiço da Vila" e "Kalu". Como programação do lançamento do CD, o mesmo espetáculo voltou à cena no Teatro Rival BR em agosto de 2002, com grande sucesso de crítica e público.

Em 2004, apresentou, em temporada no Teatro Ipanema, (RJ), o espetáculo "Tra-lá-lá- Lalá é cem",com direção, roteiro e apresentação de R. C. Albin. O espetáculo fez parte das comemorações do centenário do nascimento do compositor Lamartine Babo. Neste show, Carmélia dividiu o palco com Ellen de Lima, Carminha Mascarenhas e O jovem cantor Márcio Gomes, interpretando canções consagradas, em coro e em solo, do renomado compositor . Ainda no mesmo ano, o mesmo espetáculo ganhou temporada no palco do Teatro João Caetano, no projeto 6 e meia, entusiasmando a platéia.


Nos últimos anos de vida Carmélia sofria com o Mal de Alzheimer. Foi internada e ficou 20 dias no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá. Carmélia faleceu aos 89 anos vitima de complicações cardíacas e teve falência múltipla dos órgãos. O velório da cantora foi realizado no Retiro dos Artistas, zona oeste do Rio de Janeiro. O sepultamento ocorreu no cemitério do Pechincha, próximo ao Retiro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB / IG 




                                          Carmélia Alves interpretando "Isto é Baião" no filme "Tudo Azul" / 1952




                          Luiz Gonzaga e Carmélia Alves em pout-pourri de baiões - Projeto Seis e Meia / 1977



                                                                       Carmélia Alves no Retiro dos Artistas 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Vicente Celestino




(Rio de Janeiro/RJ, 12 de setembro de 1894 — São Paulo/SP, 23 de agosto de 1968)

Vicente Celestino representa, em toda a história de nossa música, a mais longa e ininterrupta carreira de intérprete sem jamais ver diminuída a popularidade.

Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, que seria gravado para um programa de televisão.

Foram 54 anos de vida artística, se contados a partir de 1914, ano de sua estréia na Companhia do Teatro São José. A valsa "Flor do Mal" foi nessa ocasião seu primeiro grande sucesso e também entrou no seu primeiro disco, em 1916, na Odeon (Casa Edison).

Antônio Vicente Filipe Celestino nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Tereza, filho de italianos da Calábria. Dos 6 homens (eram 11 irmãos), 5 dedicaram-se ao canto e 1 ao teatro. Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.

Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção.

Na fase mecânica de gravação, fez cerca de 28 discos com 52 músicas. Com a gravação elétrica, em 1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento técnico, logo superada. Aí recomeçaria os sucessos cantados em todo o Brasil. Em 1935 foi contratado pela RCA VICTOR, praticamente daí sua única gravadora até falecer. No total, gravou em 78 rpm cerca de 137 discos com 265 músicas, mais 10 compactos e 31 Lp's, nestes também incluídas reedições dos 78 rpm.

Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: "O Ébrio" (1946) e "Coração Materno" (1951). Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904 - 1979), cantora, escritora, atriz e cineasta.

O incrível Vicente Celestino passaria incólume e imperturbável por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou "Conceição", "Creio em Ti" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como "A Voz Orgulho do Brasil".

Alguns de seus maiores sucessos foram:

MEU BRASIL
CORAÇÃO MATERNO
PORTA ABERTA
NOITE CHEIA DE ESTRELAS
SANTA
O ÉBRIO
O CIGANO
RASGUEI O TEU RETRATO
PATATIVA
SANGUE E AREIA
GILKA
BOCA DE ROSA
FALANDO AO CORAÇÃO
ABISMO DE AMOR
ILUSÃO DE GAROTO
NOSSO AMOR
LÁGRIMAS DE AMOR
MALANDRAGEM
AS MANHÃS DO GALEÃO
HISTÓRIA COMPLICADA
...E HÁ MUITA GENTE QUE SABE
ESQUECE
À LUZ DO LUAR
EM DELÍRIO
CABOCLA SERRANA
VOLTASTE
...E NADA MAIS!...
FIDELIDADE
MARTÍRIOS
ADEUS, Ó TERRA ONDE NASCI

Fonte: Site www.swi.com.br