(Montevidéu, 9 de outubro de 1945 — São Paulo/SP, 14 de fevereiro de 1996)
Taiguara Chalar da Silva nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 9 de outubro de 1945.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e, em 1960, para São Paulo.
Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV. Fez bastante sucesso nas décadas de 60 e 70.
Autor de vários clássicos da MPB, como "Hoje", "Universo do Teu Corpo", "Piano e Viola", "Amanda", "Tributo a Jacob do Bandolim", "Viagem", "Berço de Marcela", "Teu Sonho Não Acabou", "Geração 70" e "Que as Crianças Cantem Livres"; entre outros.
Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na história da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas.
Os problemas com a censura levaram Taiguara a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973. Em Londres, estudou no Guildhall School of Music and Drama e gravou o "Let the Children Hear the Music", que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.
Em 1975, voltou ao Brasil e gravou o "Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara com Hermeto Paschoal" e uma orquestra sinfônica de 80 músicos. O espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar em poucos dias. Em seguida, Taiguara partiu para um segundo auto-exílio que o levaria a África e à Europa por vários anos.
Quando finalmente voltou a cantar no Brasil, em meados dos anos 80, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos.
Faleceu em 1996 devido a um persistente câncer na bexiga.
Fonte: Wikipédia
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
Taiguara
Tim Maia
(Rio de Janeiro/RJ, 28 de setembro de 1942 — Niterói/RJ, 15 de março de 1998)
Sebastião Rodrigues Maia, mais conhecido como Tim Maia, nasceu no Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942.
Começou a compor melodias ainda criança e já surpreendia a numerosa família de 19 irmãos. Destacou-se pelo pioneirismo em trazer para a MPB o estilo soul de cantar. Com a voz grave e carregada, tornou-se um dos grandes nomes da música brasileira, conquistando grande vendagem e consagrando sucessos, lembrados até hoje, e que influenciaram o sobrinho, o cantor Ed Motta.
Gravou o primeiro disco, "Tim Maia", em 1970, por indicação do grupo Mutantes. Nesse disco, obteve sucesso com as faixas "Primavera", "Azul da Cor do Mar" e "Eu e Você". Até Elis Regina, reconhecendo o talento de Tim, gravou um disco com suas composições, em inglês.
Durante os anos 70, tornava-se cada vez mais famoso com canções como a dançante "Não Quero Dinheiro" (só quero amar), na era Disco. Teve altos e baixos durante a carreira, como enfrentando o descaso de amigos, após a prisão em Nova York, além de problemas financeiros e drogas.
Foi regravado por vários artistas, como Kid Abelha, Lulu Santos e Paralamas do Sucesso e recebeu até homenagens por parte de artistas do porte de Caetano Veloso e Jorge Ben Jor (W/Brasil).
Na década de 70, entrou em contato com a ideologia Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, um "guru" da ufologia, quando lançou, (1975), os álbuns Tim Maia Racional, volumes 1 e 2 pelo selo Seroma (abreviação do próprio nome Sebastião Rodrigues Maia).
São considerados até hoje como os melhores de Tim Maia, com grandes influências de funk e soul e pelo fato de que nesta época, Tim Maia manter-se afastado dos vícios, o que se refletiu na qualidade da voz.
Desiludido com a ideologia, percebeu que o “mestre espiritual” Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.
Lançou, em 1983, o LP "O Descobridor dos Sete Mares", com destaque para a canção-titulo O Descobridor dos Sete Mares (Michel e Gilson Mendonça). Outro disco importante da década de 1980 foi Tim Maia (1986), que trazia o hit Do Leme ao Pontal. Artista com histórico de problemas com as gravadoras, na década de 1970 fundou seu próprio selo, primeiramente Seroma e depois Vitória Regia. Por ele, lançou em 1990 Tim Maia interpreta clássicos da bossa nova, e mais tarde Voltou a Clarear e Nova Era Glacial.
Em 1993, dois acontecimentos reimpulsionaram a carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção W/Brasil e uma regravação que fez de "Como uma Onda" (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD Tim Maia, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade naquela década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas,'funks e souls. Também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Skank.
Em 1996, lançou dois CDs ao mesmo tempo: "Amigo do Rei", juntamente com Os Cariocas, e "What a Wonderful World", com recriações de standards do soul e do pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970. Em 1997, lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 28 anos de carreira.
Teve graves problemas com vícios. Chegava a beber três garrafas de uísque por dia, além do uso de maconha e cocaína. Colecionou desafetos e processos trabalhistas -- de músicos contra ele e dele contra gravadoras --, além de renegar publicamente antigas amizades, ameaçar críticos e faltar a espetáculos. Passou anos sem se apresentar na Rede Globo e acusava o executivo da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, de ser o culpado pelo boicote. Outro conhecido inimigo ele denominava ETA, “Exploradores do Talento Alheio”, formado por empresários e donos de casas de espetáculos.
Viveu nos Estados Unidos entre 1959 e 1964, até ser preso por posse de drogas, sendo em seguida deportado.
Durante a gravação de um espetáculo para a TV sentiu-se mal, vindo a falecer em 15 de Março de 1998 em Niterói, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada.
Fonte: Wikipédia
Sebastião Rodrigues Maia, mais conhecido como Tim Maia, nasceu no Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942.
Começou a compor melodias ainda criança e já surpreendia a numerosa família de 19 irmãos. Destacou-se pelo pioneirismo em trazer para a MPB o estilo soul de cantar. Com a voz grave e carregada, tornou-se um dos grandes nomes da música brasileira, conquistando grande vendagem e consagrando sucessos, lembrados até hoje, e que influenciaram o sobrinho, o cantor Ed Motta.
Gravou o primeiro disco, "Tim Maia", em 1970, por indicação do grupo Mutantes. Nesse disco, obteve sucesso com as faixas "Primavera", "Azul da Cor do Mar" e "Eu e Você". Até Elis Regina, reconhecendo o talento de Tim, gravou um disco com suas composições, em inglês.
Durante os anos 70, tornava-se cada vez mais famoso com canções como a dançante "Não Quero Dinheiro" (só quero amar), na era Disco. Teve altos e baixos durante a carreira, como enfrentando o descaso de amigos, após a prisão em Nova York, além de problemas financeiros e drogas.
Foi regravado por vários artistas, como Kid Abelha, Lulu Santos e Paralamas do Sucesso e recebeu até homenagens por parte de artistas do porte de Caetano Veloso e Jorge Ben Jor (W/Brasil).
Na década de 70, entrou em contato com a ideologia Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, um "guru" da ufologia, quando lançou, (1975), os álbuns Tim Maia Racional, volumes 1 e 2 pelo selo Seroma (abreviação do próprio nome Sebastião Rodrigues Maia).
São considerados até hoje como os melhores de Tim Maia, com grandes influências de funk e soul e pelo fato de que nesta época, Tim Maia manter-se afastado dos vícios, o que se refletiu na qualidade da voz.
Desiludido com a ideologia, percebeu que o “mestre espiritual” Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.
Lançou, em 1983, o LP "O Descobridor dos Sete Mares", com destaque para a canção-titulo O Descobridor dos Sete Mares (Michel e Gilson Mendonça). Outro disco importante da década de 1980 foi Tim Maia (1986), que trazia o hit Do Leme ao Pontal. Artista com histórico de problemas com as gravadoras, na década de 1970 fundou seu próprio selo, primeiramente Seroma e depois Vitória Regia. Por ele, lançou em 1990 Tim Maia interpreta clássicos da bossa nova, e mais tarde Voltou a Clarear e Nova Era Glacial.
Em 1993, dois acontecimentos reimpulsionaram a carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção W/Brasil e uma regravação que fez de "Como uma Onda" (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD Tim Maia, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade naquela década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas,'funks e souls. Também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Skank.
Em 1996, lançou dois CDs ao mesmo tempo: "Amigo do Rei", juntamente com Os Cariocas, e "What a Wonderful World", com recriações de standards do soul e do pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970. Em 1997, lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 28 anos de carreira.
Teve graves problemas com vícios. Chegava a beber três garrafas de uísque por dia, além do uso de maconha e cocaína. Colecionou desafetos e processos trabalhistas -- de músicos contra ele e dele contra gravadoras --, além de renegar publicamente antigas amizades, ameaçar críticos e faltar a espetáculos. Passou anos sem se apresentar na Rede Globo e acusava o executivo da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, de ser o culpado pelo boicote. Outro conhecido inimigo ele denominava ETA, “Exploradores do Talento Alheio”, formado por empresários e donos de casas de espetáculos.
Viveu nos Estados Unidos entre 1959 e 1964, até ser preso por posse de drogas, sendo em seguida deportado.
Durante a gravação de um espetáculo para a TV sentiu-se mal, vindo a falecer em 15 de Março de 1998 em Niterói, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada.
Fonte: Wikipédia
Tonico
(São Manuel/SP, 2 de março de 1917 ****** São Paulo/SP, 13 de agosto de 1994)
Nascido João Salvador Perez, Tonico era filho do casal Salvador Perez e Maria do Carmo Perez.. Junto com seu irmão Tinoco (José Perez) formou a dupla de maior longevidade na canção sertaneja do Brasil.
A inclinação para a música veio a partir dos avós maternos, Olegário e Izabel, que costumavam alegrar a colônia com suas canções, tocadas em uma sanfona. Em 1925 aprendeu a primeira música, “Tristeza do Jeca” e, dez anos depois fez ao lado do irmão Tinoco, a primeira apresentação profissional. A apresentação foi em uma quermesse, na festa da Aparecidinha em São Manuel. Tonico e Tinoco juntaram-se ao primo Miguel e formaram o “Trio da Roça”.
Em 1930, quando a família Perez trabalhava na fazenda Tavares, em Botucatu, os dois irmãos ouviram discos da série caipira de Cornélio Pires. João frequentava a escola rural e dava lições para os colonos mais velhos.Dos amigos cobrava um litro de querosene por mês (para manter os lampiões da sala de aula), mas dificilmente recebia alguma ajuda.
Em 1931, Tonico e Tinoco moravam em Botucatu (SP), na fazenda Vargem Grande, de Petraca Bacci, com os pais, Salvador Perez - um espanhol de Léon, na Astúrias espanhola, chegado ao Brasil criança, em 1892 e Maria do Carmo, uma brasileira descendente de negros com bugres. A exemplo de outras crianças da época, os dois garotos, mal aprenderam a falar, já eram cantadores das modas de viola. Aprendiam as letras com Virgílio de Souza, violeiro das redondezas.
Era muito comum à época os bailes de São João nos quais as moças vestiam seus melhores vestidos de chita e os rapazes suas camisas quadriculadas. A esperança dos moços e das moças era arrumar um namoro. Foi num desses bailes que Tonico conheceu e apaixonou-se por Zula, filha do administrador da fazenda, Antônio Vani. O pai proibiu o namoro e magoado, Tonico compôs Cabocla.
Ao lado do irmão Tonico cantava nas horas livres e folgas do trabalho as modas de viola de Jorginho do Sertão, um autor imaginário, que utilizavam para assinar suas canções, que falava da crise no país com as revoluções de 1930 e 1932.
No fim do ano agrícola de 1937, os Pérez decidiram, com outras famílias, tentar a vida na cidade de Sorocaba (SP). As irmãs Antonia, Rosalina e Aparecida foram trabalhar na fábrica de tecidos Santa Maria. Tonico foi ser servente na Pedreira Santa Helena, fábrica do cimento Votorantim. Tinoco virou engraxate na Estação Sorocabana e Chiquinho engajou-se na construção da Rodovia Raposo Tavares, que liga o sul de São Paulo ao Mato Grosso do Sul. A crise econômica do país chega ao auge. Getúlio Vargas implanta a ditadura do Estado Novo. Adolf Hitler invade e ocupa a Tchecoslováquia e depois a Polônia. Começa a Segunda Guerra Mundial.
A vida em Sorocaba ficou insuportável, nada dá certo para os Pérez e eles decidiram retornar ao campo, agora para a fazenda São João Sintra, em São Manoel (SP). A volta, contudo, possibilitou aos irmãos Perez a primeira chance de cantar numa Rádio. O administrador da fazenda, José Augusto Barros, levou-os para cantar na Rádio Clube de São Manoel - ainda hoje lá, na rua Coronel Rodrigues Alves, no centro da cidade. Assim, até o final de 1940, eles ficaram trabalhando na roça durante a semana e aos domingos cantavam na emissora da cidade. Só por amor à arte, sem ganhar. As dificuldades levaram os Pérez a uma derradeira migração.
Em janeiro de 1941 chegaram, de mala e cuia - quatro sacos com os trens de cozinha e duas trouxas de roupa - a São Paulo. Por falta de profissão, as meninas foram trabalhar em casa de família, Tinoco num depósito de ferro-velho, o irmão Chiquinho na metalúrgica São Nicolau e Tonico, sem outra alternativa, comprou uma enxada e foi ser diarista nas chácaras do bairro de Santo Amaro. Os tempos duros da cidade grande tinham lá sua compensação, principalmente nos domingos, quando a família ia ao circo, na rua Lins de Vasconcelos no então pacato bairro do Cambuci. Num desses espetáculos, os manos conheceram pessoalmente Raul Torres e Florêncio, a dupla de violeiros mais famosa de São Paulo e que depois,com Rielli na sanfona, formaram na Rádio Record o famoso trio "Os Três Batutas do Sertão". A Rádio Record era do doutor Paulo Machado de Carvalho, que seria chamado "Marechal da Vitória" quando chefiou as seleções brasileiras de futebol campeãs do mundo em 1958 e 19ó2. Depois conheceram Teddy Vieira - um paulista de Itapetininga que produziu um formidável acervo de 500 músicas sertanejas da melhor qualidade - Palmeira e Piraci, artistas exclusivos da Rádio Difusora, no programa "Arraial da Curva Torta", Zé Carreiro e Carreirinho,os quais surgiram em 1950, por intermédio de Tonico e Tinoco que queriam gravar a moda "Canoeiro" deles e os quatro fizeram um acordo: deixariam Tonico e Tinoco gravar a moda se os mesmos arrumassem um contrato na gravadora para eles gravarem também.
Em São Paulo, inscreveram-se no programa de calouros comandado por Chico Carretel (Durvalino Peluzo), na Rádio Emissora de Piratininga. O capitão Furtado, que estava sem violeiro em seu programa Arraial da Curva Torta, na Rádio Difusora, promoveu então concurso para preencher a vaga: os dois irmãos, formando a dupla "Irmãos Perez", cantaram o cateretê "Tudo tem no sertão" (Tonico). Classificados para a final, interpretaram de Raul Torres e Cornélio Pires, (esse último um radialista e pesquisador que foi pioneiro no estudo da vida sertaneja, especialmente a paulista, e que deixou uma extensa obra a respeito.) "Adeus Campina da Serra". Quando terminaram, o auditório aplaudiu de pé, em meio a lágrimas. Todos pediam bis àquela dupla que cantava diferente, com afinação, fino e alto. Todos os outros violeiros foram abraçá-los. O cronômetro marcava 190 segundos de aplausos, contra apenas 90 segundos da dupla segundo colocada. Outra citação importante é que tomaram parte desse concurso junto com os Irmãos Perez, duplas profissionais, conhecidas do Rádio como Nhô Nardo e Cunha Junior, Serra Morena e Cafezal, mas o primeiro lugar estava reservado para nossa querida dupla.
No dia seguinte o Trio da Roça estava contratado pela Rádio Difusora, que naquele período havia sido comprada pela Tupi, parte de ofensiva do jornalista Assis Chateaubriand para formar uma poderosa rede de veículos de comunicação - os Diários e Emissoras Associados. Três meses depois o contrato foi renovado por dois anos e o salário foi acertado em cruzeiros, a nova moeda que aposentara os réis. Eram 1.200,00 uma fortuna, comparado ao salário mínimo, da época, de 280,00. Já sem o primo Miguel, eles eram apenas os irmãos Pérez. Um dia, durante um ensaio do programa Arraial da Curva Torta, o Capitão Furtado - de batismo Arioswaldo Pires, sobrinho de Cornélio Pires , apresentador do programa e também lendário divulgador da música sertaneja - disse que uma dupla tão original, com vozes gêmeas, não poderia ter nome espanhol. Batizou-os, na hora, de Tonico e Tinoco.
A divulgação nos programas da rádio transformava a dupla em sucesso imediato, fazendo surgir dezenas de convites para shows. A primeira apresentação dessas foi no cine Catumbi, em São Paulo, hoje transformado em uma casa de forró sertanejo. Depois rumaram para o interior, em excursões que demoravam uma, duas, às vezes, três semanas.
A dupla estreou em disco, na Continental, em 1944, com o cateretê "Em vez de me agradecê" (Capitão Furtado, Jaime Martins e Aimoré)e que foi lançada em 07/45). Na gravação de "Invés de me Agardecê" ocorreu um fato inusitado, pois eles a gravaram e em seguida, quando foram gravar o lado B do disco soltaram a voz tão alto, da forma como cantavam lá na roça e estouraram o microfone . Como o processo de gravação era algo muito caro, o disco saiu apenas com um lado, mas como punição a dupla precisou ficar seis meses fazendo aula de canto para educar a voz e voltar a gravar.
Apesar da popularidade o trabalho para dupla sertaneja era garantido, porém limitado aos circos somente. Felizmente nessa época apenas em São Paulo estavam baseados cerca de 200 circos que iam ao interior para apresentação dos ídolos sertanejos do rádio.
Em 1961 estréiam no Cinema com o filme “Lá no Meu Sertão” de Eduardo Llorente, filme baseado na vida e obra de Tonico e Tinoco. No final de 1960 a dupla recebera um golpe quase mortal, quando Tonico, tuberculoso desde 1940, precisou ser internado num hospital em Campos do Jordão/SP, cedendo lugar para o irmão Chiquinho tanto nos shows, quanto nos programas de rádio e gravações de discos. Tonico fez uma cirurgia e um tempo depois deixou o hospital com a certeza que não voltaria mais a cantar. Tinoco, através da Rádio Nacional onde faziam o programa, pediu para os fãs rezarem pela saúde de Tonico, o qual ficou curado, e voltou a cantar com mais força e beleza. Em devoção a Nossa Senhora Aparecida, a quem a dupla atribuiu sua cura, construíram na Vila Diva em São Paulo/SP uma capelinha que recebe romeiros e devotos até hoje.
Em 1972, já com um enorme prejuízo, filmam “Luar do Sertão” de Osvaldo de Oliveira e desistem da carreira de atores, após vários filmes. Quase faliram nessa incursão pelo cinema. Mazzaropi fazia sucesso e fortuna pois produzia, distribuía e fiscalizava seus filmes, já Tonico e Tinoco sem condições de ter um fiscal na porta de cada cinema onde seus filmes eram exibidos, foram passados para trás, arcando com um prejuízo imenso.
Em 1979, precisamente no dia 6 de junho, Tonico e Tinoco fazem o que nenhum caipira havia sonhado: apresentam-se no Teatro Municipal, em São Paulo, num show de três horas que reúne um público recorde de 2.500 pessoas. Da beira da tuia, celeiros centenários onde cantavam no passado, os irmãos Perez chegavam a um dos mais famosos teatros do mundo, que até então só abria suas portas para óperas, balés e concertos eruditos.
Em 1984 participam do filme“A Marvada Carne” de André Klotzel, como convidados especiais.
Em 1989 gravam “Mãe Natureza” (Tinoco/José Carlos). Nesse disco Tonico já se encontrava bastante debilitado mas continuava sua carreira maravilhosa.
Em 13 de agosto de 1994 Tonico (faleceu aos 77 anos) devido à uma queda na escada do prédio onde morava e a partir de então, sem arrefecer, Tinoco e passa a fazer dupla com seu filho Tinoquinho. A dupla Tonico e Tinoco completaria 59 anos de parceria no dia seguinte ao da morte de Tonico.
Resumo da vida artística da dupla Tonico e Tinoco:
* Quase 1000 gravações divididas em 83 discos de 78 rpm, 14 compactos Duplos, 09 Compactos Simples e 84 LP´s de 33 rpm. A era dos CD´s a dupla não acompanhou devido ao falecimento do Tonico em 1994, mas mesmo assim as gravadoras a que eles pertenceram já lançaram no mercado um total de 60 CD´s. Tonico e Tinoco venderam mais de cento e cinqüenta milhões de cópias, realizando cerca de 40.000 apresentações em toda a carreira.
* Participaram de sete filmes de longa metragem:
-"Lá no Meu Sertão", com direção de Eduardo Llorente, 1961.
- "Obrigado a Matar", com direção de Eduardo Llorente, 1965.
- "A Marca da Ferradura",com direção de Nelson Teixeira Mendes, 1969.
- "Os Três Justiceiros", com direção de Eduardo Llorente, 1971.
- "Luar do Sertão", com direção de Osvaldo de Oliveira, 1972.
- "O Menino Jornaleiro", com produção de Tonico e Tinoco, 1983, e
- "A Marvada Carne", com direção de André Klotzel, tendo Tonico e Tinoco
como convidados especiais, 1984.
* Durante 40 anos apresentaram-se em Circos e Teatros. Criaram uma Companhia Circense, com a qual percorreram todo o País. Em cada Circo realizavam três sessões por noite. São autores de muitas peças teatrais circenses, entre elas:
- Chico Mineiro, Tristeza do Jeca, Mão Criminosa, A Marca da Ferradura, Nós e o Destino, É Crime Não Saber Ler,Justiça Divina, Lar Infeliz, Mágoas de Palhaço, Tentação do Vício, Papai Noel Chorou, Último São João, As Madrastas Também Choram, Curitibanas, Morro do Girau, Cabocla, Velho Pai, Deus Tarda Mas Não Falha, Inocente Condenado, Nossa Mãe Honrarás, Última Confissão, Bolo de Amor, Vestido de Noiva.
* Trabalharam 50 anos em Rádio na seguinte ordem: Rádio Difusora, Rádio Tupi, Rádio Nacional (hoje Globo)e Rádio Bandeirantes. Realizaram um trabalho de utilidade pública durante muitos anos, pois o Rádio era o único meio de comunicação que atingia todo o País. Através de seus programas os ouvintes se comunicavam com parentes distantes.
* Participaram da primeira transmissão da Televisão Brasileira,no ano de 1950. Apresentaram o Programa Na Beira da Tuia nas seguintes emissoras - Bandeirantes(1983),e SBT(1988), Cultura (Viola, Minha Viola).
* Realizaram grandes eventos, como: A Grande Noite da Viola, no Maracanãzinho/Rio de Janeiro(1981), Teatro Municipal de São Paulo(1979), Semana Cultural Tonico e Tinoco no Centro Cultural de São Paulo(1988) e o Troféu Tonico e Tinoco (1992). No mesmo ano, realizaram um show em conjunto com Chitãozinho e Xororó na cidade de São Bernardo do Campo/SP, onde reuniram um público estimado pela Polícia Militar em 100.000 pessoas.
* Entre as inúmeras premiações destacamos: 04 Roquetes Pinto, Medalha Anchieta(Comenda da Cidade de São Paulo), Ordem do Trabalho (Ministro do Trabalho Almir Pazzianoto), Ordem do Mato Grosso (Comendador), Troféu Imprensa, 02 Prêmios Sharp de Música e o Prêmio Di Giorgio.
* O slogan "A Dupla Coração do Brasil", surgiu em 1951, quando o humorista Saracura resolveu batizá-los assim, pela interpretação de todos os ritmos regionais.
Nascido João Salvador Perez, Tonico era filho do casal Salvador Perez e Maria do Carmo Perez.. Junto com seu irmão Tinoco (José Perez) formou a dupla de maior longevidade na canção sertaneja do Brasil.
A inclinação para a música veio a partir dos avós maternos, Olegário e Izabel, que costumavam alegrar a colônia com suas canções, tocadas em uma sanfona. Em 1925 aprendeu a primeira música, “Tristeza do Jeca” e, dez anos depois fez ao lado do irmão Tinoco, a primeira apresentação profissional. A apresentação foi em uma quermesse, na festa da Aparecidinha em São Manuel. Tonico e Tinoco juntaram-se ao primo Miguel e formaram o “Trio da Roça”.
Em 1930, quando a família Perez trabalhava na fazenda Tavares, em Botucatu, os dois irmãos ouviram discos da série caipira de Cornélio Pires. João frequentava a escola rural e dava lições para os colonos mais velhos.Dos amigos cobrava um litro de querosene por mês (para manter os lampiões da sala de aula), mas dificilmente recebia alguma ajuda.
Em 1931, Tonico e Tinoco moravam em Botucatu (SP), na fazenda Vargem Grande, de Petraca Bacci, com os pais, Salvador Perez - um espanhol de Léon, na Astúrias espanhola, chegado ao Brasil criança, em 1892 e Maria do Carmo, uma brasileira descendente de negros com bugres. A exemplo de outras crianças da época, os dois garotos, mal aprenderam a falar, já eram cantadores das modas de viola. Aprendiam as letras com Virgílio de Souza, violeiro das redondezas.
Era muito comum à época os bailes de São João nos quais as moças vestiam seus melhores vestidos de chita e os rapazes suas camisas quadriculadas. A esperança dos moços e das moças era arrumar um namoro. Foi num desses bailes que Tonico conheceu e apaixonou-se por Zula, filha do administrador da fazenda, Antônio Vani. O pai proibiu o namoro e magoado, Tonico compôs Cabocla.
Ao lado do irmão Tonico cantava nas horas livres e folgas do trabalho as modas de viola de Jorginho do Sertão, um autor imaginário, que utilizavam para assinar suas canções, que falava da crise no país com as revoluções de 1930 e 1932.
No fim do ano agrícola de 1937, os Pérez decidiram, com outras famílias, tentar a vida na cidade de Sorocaba (SP). As irmãs Antonia, Rosalina e Aparecida foram trabalhar na fábrica de tecidos Santa Maria. Tonico foi ser servente na Pedreira Santa Helena, fábrica do cimento Votorantim. Tinoco virou engraxate na Estação Sorocabana e Chiquinho engajou-se na construção da Rodovia Raposo Tavares, que liga o sul de São Paulo ao Mato Grosso do Sul. A crise econômica do país chega ao auge. Getúlio Vargas implanta a ditadura do Estado Novo. Adolf Hitler invade e ocupa a Tchecoslováquia e depois a Polônia. Começa a Segunda Guerra Mundial.
A vida em Sorocaba ficou insuportável, nada dá certo para os Pérez e eles decidiram retornar ao campo, agora para a fazenda São João Sintra, em São Manoel (SP). A volta, contudo, possibilitou aos irmãos Perez a primeira chance de cantar numa Rádio. O administrador da fazenda, José Augusto Barros, levou-os para cantar na Rádio Clube de São Manoel - ainda hoje lá, na rua Coronel Rodrigues Alves, no centro da cidade. Assim, até o final de 1940, eles ficaram trabalhando na roça durante a semana e aos domingos cantavam na emissora da cidade. Só por amor à arte, sem ganhar. As dificuldades levaram os Pérez a uma derradeira migração.
Em janeiro de 1941 chegaram, de mala e cuia - quatro sacos com os trens de cozinha e duas trouxas de roupa - a São Paulo. Por falta de profissão, as meninas foram trabalhar em casa de família, Tinoco num depósito de ferro-velho, o irmão Chiquinho na metalúrgica São Nicolau e Tonico, sem outra alternativa, comprou uma enxada e foi ser diarista nas chácaras do bairro de Santo Amaro. Os tempos duros da cidade grande tinham lá sua compensação, principalmente nos domingos, quando a família ia ao circo, na rua Lins de Vasconcelos no então pacato bairro do Cambuci. Num desses espetáculos, os manos conheceram pessoalmente Raul Torres e Florêncio, a dupla de violeiros mais famosa de São Paulo e que depois,com Rielli na sanfona, formaram na Rádio Record o famoso trio "Os Três Batutas do Sertão". A Rádio Record era do doutor Paulo Machado de Carvalho, que seria chamado "Marechal da Vitória" quando chefiou as seleções brasileiras de futebol campeãs do mundo em 1958 e 19ó2. Depois conheceram Teddy Vieira - um paulista de Itapetininga que produziu um formidável acervo de 500 músicas sertanejas da melhor qualidade - Palmeira e Piraci, artistas exclusivos da Rádio Difusora, no programa "Arraial da Curva Torta", Zé Carreiro e Carreirinho,os quais surgiram em 1950, por intermédio de Tonico e Tinoco que queriam gravar a moda "Canoeiro" deles e os quatro fizeram um acordo: deixariam Tonico e Tinoco gravar a moda se os mesmos arrumassem um contrato na gravadora para eles gravarem também.
Em São Paulo, inscreveram-se no programa de calouros comandado por Chico Carretel (Durvalino Peluzo), na Rádio Emissora de Piratininga. O capitão Furtado, que estava sem violeiro em seu programa Arraial da Curva Torta, na Rádio Difusora, promoveu então concurso para preencher a vaga: os dois irmãos, formando a dupla "Irmãos Perez", cantaram o cateretê "Tudo tem no sertão" (Tonico). Classificados para a final, interpretaram de Raul Torres e Cornélio Pires, (esse último um radialista e pesquisador que foi pioneiro no estudo da vida sertaneja, especialmente a paulista, e que deixou uma extensa obra a respeito.) "Adeus Campina da Serra". Quando terminaram, o auditório aplaudiu de pé, em meio a lágrimas. Todos pediam bis àquela dupla que cantava diferente, com afinação, fino e alto. Todos os outros violeiros foram abraçá-los. O cronômetro marcava 190 segundos de aplausos, contra apenas 90 segundos da dupla segundo colocada. Outra citação importante é que tomaram parte desse concurso junto com os Irmãos Perez, duplas profissionais, conhecidas do Rádio como Nhô Nardo e Cunha Junior, Serra Morena e Cafezal, mas o primeiro lugar estava reservado para nossa querida dupla.
No dia seguinte o Trio da Roça estava contratado pela Rádio Difusora, que naquele período havia sido comprada pela Tupi, parte de ofensiva do jornalista Assis Chateaubriand para formar uma poderosa rede de veículos de comunicação - os Diários e Emissoras Associados. Três meses depois o contrato foi renovado por dois anos e o salário foi acertado em cruzeiros, a nova moeda que aposentara os réis. Eram 1.200,00 uma fortuna, comparado ao salário mínimo, da época, de 280,00. Já sem o primo Miguel, eles eram apenas os irmãos Pérez. Um dia, durante um ensaio do programa Arraial da Curva Torta, o Capitão Furtado - de batismo Arioswaldo Pires, sobrinho de Cornélio Pires , apresentador do programa e também lendário divulgador da música sertaneja - disse que uma dupla tão original, com vozes gêmeas, não poderia ter nome espanhol. Batizou-os, na hora, de Tonico e Tinoco.
A divulgação nos programas da rádio transformava a dupla em sucesso imediato, fazendo surgir dezenas de convites para shows. A primeira apresentação dessas foi no cine Catumbi, em São Paulo, hoje transformado em uma casa de forró sertanejo. Depois rumaram para o interior, em excursões que demoravam uma, duas, às vezes, três semanas.
A dupla estreou em disco, na Continental, em 1944, com o cateretê "Em vez de me agradecê" (Capitão Furtado, Jaime Martins e Aimoré)e que foi lançada em 07/45). Na gravação de "Invés de me Agardecê" ocorreu um fato inusitado, pois eles a gravaram e em seguida, quando foram gravar o lado B do disco soltaram a voz tão alto, da forma como cantavam lá na roça e estouraram o microfone . Como o processo de gravação era algo muito caro, o disco saiu apenas com um lado, mas como punição a dupla precisou ficar seis meses fazendo aula de canto para educar a voz e voltar a gravar.
Apesar da popularidade o trabalho para dupla sertaneja era garantido, porém limitado aos circos somente. Felizmente nessa época apenas em São Paulo estavam baseados cerca de 200 circos que iam ao interior para apresentação dos ídolos sertanejos do rádio.
Em 1961 estréiam no Cinema com o filme “Lá no Meu Sertão” de Eduardo Llorente, filme baseado na vida e obra de Tonico e Tinoco. No final de 1960 a dupla recebera um golpe quase mortal, quando Tonico, tuberculoso desde 1940, precisou ser internado num hospital em Campos do Jordão/SP, cedendo lugar para o irmão Chiquinho tanto nos shows, quanto nos programas de rádio e gravações de discos. Tonico fez uma cirurgia e um tempo depois deixou o hospital com a certeza que não voltaria mais a cantar. Tinoco, através da Rádio Nacional onde faziam o programa, pediu para os fãs rezarem pela saúde de Tonico, o qual ficou curado, e voltou a cantar com mais força e beleza. Em devoção a Nossa Senhora Aparecida, a quem a dupla atribuiu sua cura, construíram na Vila Diva em São Paulo/SP uma capelinha que recebe romeiros e devotos até hoje.
Em 1972, já com um enorme prejuízo, filmam “Luar do Sertão” de Osvaldo de Oliveira e desistem da carreira de atores, após vários filmes. Quase faliram nessa incursão pelo cinema. Mazzaropi fazia sucesso e fortuna pois produzia, distribuía e fiscalizava seus filmes, já Tonico e Tinoco sem condições de ter um fiscal na porta de cada cinema onde seus filmes eram exibidos, foram passados para trás, arcando com um prejuízo imenso.
Em 1979, precisamente no dia 6 de junho, Tonico e Tinoco fazem o que nenhum caipira havia sonhado: apresentam-se no Teatro Municipal, em São Paulo, num show de três horas que reúne um público recorde de 2.500 pessoas. Da beira da tuia, celeiros centenários onde cantavam no passado, os irmãos Perez chegavam a um dos mais famosos teatros do mundo, que até então só abria suas portas para óperas, balés e concertos eruditos.
Em 1984 participam do filme“A Marvada Carne” de André Klotzel, como convidados especiais.
Em 1989 gravam “Mãe Natureza” (Tinoco/José Carlos). Nesse disco Tonico já se encontrava bastante debilitado mas continuava sua carreira maravilhosa.
Em 13 de agosto de 1994 Tonico (faleceu aos 77 anos) devido à uma queda na escada do prédio onde morava e a partir de então, sem arrefecer, Tinoco e passa a fazer dupla com seu filho Tinoquinho. A dupla Tonico e Tinoco completaria 59 anos de parceria no dia seguinte ao da morte de Tonico.
Resumo da vida artística da dupla Tonico e Tinoco:
* Quase 1000 gravações divididas em 83 discos de 78 rpm, 14 compactos Duplos, 09 Compactos Simples e 84 LP´s de 33 rpm. A era dos CD´s a dupla não acompanhou devido ao falecimento do Tonico em 1994, mas mesmo assim as gravadoras a que eles pertenceram já lançaram no mercado um total de 60 CD´s. Tonico e Tinoco venderam mais de cento e cinqüenta milhões de cópias, realizando cerca de 40.000 apresentações em toda a carreira.
* Participaram de sete filmes de longa metragem:
-"Lá no Meu Sertão", com direção de Eduardo Llorente, 1961.
- "Obrigado a Matar", com direção de Eduardo Llorente, 1965.
- "A Marca da Ferradura",com direção de Nelson Teixeira Mendes, 1969.
- "Os Três Justiceiros", com direção de Eduardo Llorente, 1971.
- "Luar do Sertão", com direção de Osvaldo de Oliveira, 1972.
- "O Menino Jornaleiro", com produção de Tonico e Tinoco, 1983, e
- "A Marvada Carne", com direção de André Klotzel, tendo Tonico e Tinoco
como convidados especiais, 1984.
* Durante 40 anos apresentaram-se em Circos e Teatros. Criaram uma Companhia Circense, com a qual percorreram todo o País. Em cada Circo realizavam três sessões por noite. São autores de muitas peças teatrais circenses, entre elas:
- Chico Mineiro, Tristeza do Jeca, Mão Criminosa, A Marca da Ferradura, Nós e o Destino, É Crime Não Saber Ler,Justiça Divina, Lar Infeliz, Mágoas de Palhaço, Tentação do Vício, Papai Noel Chorou, Último São João, As Madrastas Também Choram, Curitibanas, Morro do Girau, Cabocla, Velho Pai, Deus Tarda Mas Não Falha, Inocente Condenado, Nossa Mãe Honrarás, Última Confissão, Bolo de Amor, Vestido de Noiva.
* Trabalharam 50 anos em Rádio na seguinte ordem: Rádio Difusora, Rádio Tupi, Rádio Nacional (hoje Globo)e Rádio Bandeirantes. Realizaram um trabalho de utilidade pública durante muitos anos, pois o Rádio era o único meio de comunicação que atingia todo o País. Através de seus programas os ouvintes se comunicavam com parentes distantes.
* Participaram da primeira transmissão da Televisão Brasileira,no ano de 1950. Apresentaram o Programa Na Beira da Tuia nas seguintes emissoras - Bandeirantes(1983),e SBT(1988), Cultura (Viola, Minha Viola).
* Realizaram grandes eventos, como: A Grande Noite da Viola, no Maracanãzinho/Rio de Janeiro(1981), Teatro Municipal de São Paulo(1979), Semana Cultural Tonico e Tinoco no Centro Cultural de São Paulo(1988) e o Troféu Tonico e Tinoco (1992). No mesmo ano, realizaram um show em conjunto com Chitãozinho e Xororó na cidade de São Bernardo do Campo/SP, onde reuniram um público estimado pela Polícia Militar em 100.000 pessoas.
* Entre as inúmeras premiações destacamos: 04 Roquetes Pinto, Medalha Anchieta(Comenda da Cidade de São Paulo), Ordem do Trabalho (Ministro do Trabalho Almir Pazzianoto), Ordem do Mato Grosso (Comendador), Troféu Imprensa, 02 Prêmios Sharp de Música e o Prêmio Di Giorgio.
* O slogan "A Dupla Coração do Brasil", surgiu em 1951, quando o humorista Saracura resolveu batizá-los assim, pela interpretação de todos os ritmos regionais.
Teixeirinha
(Rolante/RS, 03/03/1927 ******* Porto Alegre/RS, 04/12/1985)
Vítor Mateus Teixeira, conhecido como Teixeirinha, nasceu na cidade de Rolante, distrito de Mascaradas, Rio Grande do Sul, em 03 de março de 1927.
Filho de Saturno Teixeira e Ledurina Mateus Teixeira, teve um irmão e duas irmãs.
Aos seis anos de idade perdeu o pai e aos nove anos a mãe. Órfão, Teixeirinha foi morar com parentes que não tiveram condições de sustentá-lo. Por isso, saiu pelo mundo fazendo de tudo um pouco. Trabalhou em granjas do interior e quando foi para Porto Alegre carregou malas em portas de pensões, vendeu doces como ambulante, vendeu jornais, dentre outros serviços.
Aos dezoito anos, Teixeirinha se alistou no Exército, mas não chegou a servir. Nessa época, foi trabalhar no DAER (Departamento de Estradas de Rodagem), como operador de máquinas durante seis anos. Dali saiu para tentar a carreira artística cantando nas rádios das cidades do interior, dentre as quais Lajeado, Estrela, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul. Nessa última, conheceu sua esposa Zoraida Lima Teixeira. Casaram-se em 1957 e foram morar em Soledade. Em seguida, mudaram-se para Passo Fundo, onde compraram um “Tiro ao Alvo” que era cuidado por ele e sua esposa e, à noite, Teixeirinha se apresentava na Rádio Municipal de Passo Fundo.
Em 1959, Teixeirinha foi convidado para gravar em São Paulo. Viajou na segunda classe de um trem. Gravou seu primeiro 78RPM, de um lado a música “Xote Soledade” e do outro lado “Briga no Batizado”.
Segundo depoimento de um dos membros da Gravadora Chantecler, Dr. Biaggio Baccarin, o sucesso assim aconteceu:
“A sigla PTJ, no 78 RPM, abrigava três nomes: Palmeira, Teddy e Jairo, então diretores da Chantecler e fundadores do selo sertanejo. Como se constata, “Coração de Luto” ocupou o lado “B” do quarto disco gravado por Teixeirinha, o qual foi lançado sem qualquer preocupação de sucesso, no entanto aconteceu espontaneamente após seis meses de seu lançamento. As primeiras reações vieram de Sorocaba/SP e em pouco tempo já era sucesso nas demais cidades da região. Foi nessa ocasião que a gravadora Chantecler resolveu trazer o cantor para São Paulo a fim de trabalhar o disco, cujo trabalho teve início com um show na cidade de Sorocaba/SP e, posteriormente, nas demais cidades do Estado de São Paulo, até o triângulo mineiro.
O sucesso aconteceu em todo o Brasil, com venda superior a um milhão de cópias no ano de 1961, um acontecimento inédito na história da música popular brasileira. O disco "Coração de Luto" chegou a ser vendido no câmbio negro em Belém do Pará. Formavam-se filas para comprar o disco. A gravadora não tinha condições de atender os pedidos e era obrigada a distribuir cotas para cada loja.
Teixeirinha voltou a Passo Fundo, vendeu o “Tiro ao Alvo” e se mudou para Porto Alegre, apresentando-se constantemente em São Paulo.
Com o que ganhou na excursão em São Paulo, Teixeirinha comprou uma casa, no bairro da Glória em Porto Alegre, onde viveu toda sua vida e uma Kombi para viajar por todo o Brasil. Então, definitivamente Teixeirinha assumiu a carreira artística, passando a trabalhar em circos, parques, teatros, cinemas e demais casas de espetáculos.
Teixeirinha começou a viajar por todo o Brasil como o “Gaúcho Coração do Rio Grande”. Em 1963, ganhou o troféu “Chico Viola” outorgado pela TV Record de São Paulo, no programa “Astros do Disco”, um programa de gala da televisão brasileira e tinha por objetivo premiar os melhores dos disco de cada ano e Teixeirinha ganhou por ter sido o cantor campeão de vendagem por dois anos consecutivos, 1962/1963.
Internacionalmente ganhou o troféu “Elefante de Ouro” como maior vendagem de discos em Portugal.
A música Coração de Luto, até hoje, vendeu mais de vinte e cinco milhões de cópias, a única no mundo mais vendida, superando cantores como Michael Jackson, Julio Iglesias, cantores contemporâneos de grande vendagem de discos, mas não de uma única música, como o caso de Coração de Luto, que continua na cotação de uma das músicas mais vendidas.
Em 1964, Teixeirinha escreveu a história do filme “Coração de Luto”, que foi produzido pela Leopoldis Som, em 1966, outro recorde de bilheteria. Em 1969, encenou no filme “Motorista sem Limites” juntamente com Valter D’Avila, produzido por Itacir Rossi.
Em 1970 criou sua própria produtora “Teixeirinha Produções Artísticas Ltda, pela qual escreveu, produziu e distribuiu dez filmes, quais sejam: “Ela Tornou-se Freira” (1972); “Teixeirinha 7 Provas”(1973); “Pobre João” (1974); “A Quadrilha do Perna Dura” (1975); “Carmem a Cigana (1976); “O Gaúcho de Passo Fundo”(1978) ; “Meu Pobre Coração de Luto”(1978); Na trilha da Justiça (1978); “Tropeiro Velho” (1980); “A Filha de Iemanjá” (1981).
Durante vinte anos, apresentou programas de rádio diariamente com duas edições: “Teixeirinha Amanhece Cantando” (de manhã) e “Teixeirinha Comanda o Espetáculo” (a noite) e “Teixeirinha Canta para o Brasil”(domingos, pela manhã) em diversas rádios da capital, com transmissão para o interior e outros estados brasileiros.
Recebeu nove discos de ouro, foi cidadão emérito de vários municípios como: Passo Fundo, Santo Antônio da Patrulha, Rolante e etc.
Em 1973 foi contratado para fazer quinze apresentações nos Estados Unidos da América. Em 1975 foi para o Canadá, onde realizou dezoito espetáculos. Fez shows na maioria dos países da América do Sul.
Teve nove filhos: Sirley Marisa; Líria Luisa; Victor Filho; Margareth; Elizabeth; Fátima Lisete; Márcia Bernadeth; Alexandre e Liane Ledurina.
Durante vinte e dois anos Mary Terezinha lhe acompanhou com acordeon em shows, rádio e cinema.
Gravou 49 Lps inéditos, com mais de 70 Lps, incluindo regravações, atualmente sendo todos reeditados em disco laser, gravando mais de 700 músicas de sua autoria, deixando um acervo superior a 1200 composições de sua lavra.
Teixeirinha faleceu dia 04 de dezembro de 1985 e está sepultado no Cemitério da Santa Casa, quadra n.4, túmulo n.4, na capital .
Vítor Mateus Teixeira, conhecido como Teixeirinha, nasceu na cidade de Rolante, distrito de Mascaradas, Rio Grande do Sul, em 03 de março de 1927.
Filho de Saturno Teixeira e Ledurina Mateus Teixeira, teve um irmão e duas irmãs.
Aos seis anos de idade perdeu o pai e aos nove anos a mãe. Órfão, Teixeirinha foi morar com parentes que não tiveram condições de sustentá-lo. Por isso, saiu pelo mundo fazendo de tudo um pouco. Trabalhou em granjas do interior e quando foi para Porto Alegre carregou malas em portas de pensões, vendeu doces como ambulante, vendeu jornais, dentre outros serviços.
Aos dezoito anos, Teixeirinha se alistou no Exército, mas não chegou a servir. Nessa época, foi trabalhar no DAER (Departamento de Estradas de Rodagem), como operador de máquinas durante seis anos. Dali saiu para tentar a carreira artística cantando nas rádios das cidades do interior, dentre as quais Lajeado, Estrela, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul. Nessa última, conheceu sua esposa Zoraida Lima Teixeira. Casaram-se em 1957 e foram morar em Soledade. Em seguida, mudaram-se para Passo Fundo, onde compraram um “Tiro ao Alvo” que era cuidado por ele e sua esposa e, à noite, Teixeirinha se apresentava na Rádio Municipal de Passo Fundo.
Em 1959, Teixeirinha foi convidado para gravar em São Paulo. Viajou na segunda classe de um trem. Gravou seu primeiro 78RPM, de um lado a música “Xote Soledade” e do outro lado “Briga no Batizado”.
Segundo depoimento de um dos membros da Gravadora Chantecler, Dr. Biaggio Baccarin, o sucesso assim aconteceu:
“A sigla PTJ, no 78 RPM, abrigava três nomes: Palmeira, Teddy e Jairo, então diretores da Chantecler e fundadores do selo sertanejo. Como se constata, “Coração de Luto” ocupou o lado “B” do quarto disco gravado por Teixeirinha, o qual foi lançado sem qualquer preocupação de sucesso, no entanto aconteceu espontaneamente após seis meses de seu lançamento. As primeiras reações vieram de Sorocaba/SP e em pouco tempo já era sucesso nas demais cidades da região. Foi nessa ocasião que a gravadora Chantecler resolveu trazer o cantor para São Paulo a fim de trabalhar o disco, cujo trabalho teve início com um show na cidade de Sorocaba/SP e, posteriormente, nas demais cidades do Estado de São Paulo, até o triângulo mineiro.
O sucesso aconteceu em todo o Brasil, com venda superior a um milhão de cópias no ano de 1961, um acontecimento inédito na história da música popular brasileira. O disco "Coração de Luto" chegou a ser vendido no câmbio negro em Belém do Pará. Formavam-se filas para comprar o disco. A gravadora não tinha condições de atender os pedidos e era obrigada a distribuir cotas para cada loja.
Teixeirinha voltou a Passo Fundo, vendeu o “Tiro ao Alvo” e se mudou para Porto Alegre, apresentando-se constantemente em São Paulo.
Com o que ganhou na excursão em São Paulo, Teixeirinha comprou uma casa, no bairro da Glória em Porto Alegre, onde viveu toda sua vida e uma Kombi para viajar por todo o Brasil. Então, definitivamente Teixeirinha assumiu a carreira artística, passando a trabalhar em circos, parques, teatros, cinemas e demais casas de espetáculos.
Teixeirinha começou a viajar por todo o Brasil como o “Gaúcho Coração do Rio Grande”. Em 1963, ganhou o troféu “Chico Viola” outorgado pela TV Record de São Paulo, no programa “Astros do Disco”, um programa de gala da televisão brasileira e tinha por objetivo premiar os melhores dos disco de cada ano e Teixeirinha ganhou por ter sido o cantor campeão de vendagem por dois anos consecutivos, 1962/1963.
Internacionalmente ganhou o troféu “Elefante de Ouro” como maior vendagem de discos em Portugal.
A música Coração de Luto, até hoje, vendeu mais de vinte e cinco milhões de cópias, a única no mundo mais vendida, superando cantores como Michael Jackson, Julio Iglesias, cantores contemporâneos de grande vendagem de discos, mas não de uma única música, como o caso de Coração de Luto, que continua na cotação de uma das músicas mais vendidas.
Em 1964, Teixeirinha escreveu a história do filme “Coração de Luto”, que foi produzido pela Leopoldis Som, em 1966, outro recorde de bilheteria. Em 1969, encenou no filme “Motorista sem Limites” juntamente com Valter D’Avila, produzido por Itacir Rossi.
Em 1970 criou sua própria produtora “Teixeirinha Produções Artísticas Ltda, pela qual escreveu, produziu e distribuiu dez filmes, quais sejam: “Ela Tornou-se Freira” (1972); “Teixeirinha 7 Provas”(1973); “Pobre João” (1974); “A Quadrilha do Perna Dura” (1975); “Carmem a Cigana (1976); “O Gaúcho de Passo Fundo”(1978) ; “Meu Pobre Coração de Luto”(1978); Na trilha da Justiça (1978); “Tropeiro Velho” (1980); “A Filha de Iemanjá” (1981).
Durante vinte anos, apresentou programas de rádio diariamente com duas edições: “Teixeirinha Amanhece Cantando” (de manhã) e “Teixeirinha Comanda o Espetáculo” (a noite) e “Teixeirinha Canta para o Brasil”(domingos, pela manhã) em diversas rádios da capital, com transmissão para o interior e outros estados brasileiros.
Recebeu nove discos de ouro, foi cidadão emérito de vários municípios como: Passo Fundo, Santo Antônio da Patrulha, Rolante e etc.
Em 1973 foi contratado para fazer quinze apresentações nos Estados Unidos da América. Em 1975 foi para o Canadá, onde realizou dezoito espetáculos. Fez shows na maioria dos países da América do Sul.
Teve nove filhos: Sirley Marisa; Líria Luisa; Victor Filho; Margareth; Elizabeth; Fátima Lisete; Márcia Bernadeth; Alexandre e Liane Ledurina.
Durante vinte e dois anos Mary Terezinha lhe acompanhou com acordeon em shows, rádio e cinema.
Gravou 49 Lps inéditos, com mais de 70 Lps, incluindo regravações, atualmente sendo todos reeditados em disco laser, gravando mais de 700 músicas de sua autoria, deixando um acervo superior a 1200 composições de sua lavra.
Teixeirinha faleceu dia 04 de dezembro de 1985 e está sepultado no Cemitério da Santa Casa, quadra n.4, túmulo n.4, na capital .
Tuca
(São Paulo/SP, 17/10/1944 **** São Paulo/SP, 8/5/1978)
Valenza Zagni da Silva, a Tuca, foi uma cantora e compositora brasileira.
Formou-se em música erudita, em 1957, pelo Conservatório Paulista, começando a compor nesse mesmo ano. Fez parte do Grupo de Música Popular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Em 1962 teve, pela primeira vez, uma canção de sua autoria registrada em disco, com a gravação de sua música "Homem de verdade", pela cantora Ana Lúcia.
Sua primeira apresentação profissional foi no programa "Primeira audição", produzido por João Leão e Horácio Berlinck para a TV Record (SP).
Participou, ainda na década de 1960, dos seguintes festivais: Festival Nacional de Música Popular da TV Excelsior (SP), interpretando com Aírto Moreira a música "Porta estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona, classificada em 1º lugar e premiada com o Berimbau de Ouro (1966); I Festival Internacional da Canção da TV Rio (RJ), apresentando "Cavaleiro", de sua autoria e Geraldo Vandré, classificada em 2º lugar na fase nacional do festival (1966); O Brasil canta no Rio", interpretando, com a soprano Stella Maris, a canção de sua autoria "Paixão segundo o amor", classificada em 3º lugar; e III Festival Internacional da Canção da TV Globo, apresentando a canção "Mestre sala", de Reginaldo Bessa e Ester Bessa (1968).
Seu primeiro disco, "Eu, Tuca", lançado pela Chantecler, com composições de sua autoria, introduziu a viola caipira nas orquestrações.
Convidada pelo Itamaraty, participou, ao lado de Gilberto Gil e do Jongo Trio, da Semana de Arte Brasileira, realizada na África.
De volta ao Brasil, apresentou-se com Miéle e Ronaldo Bôscoli no Rui Bar Bossa (RJ), com o show "Uma noite perdida". Ainda com Miéle, inaugurou a boate Blow Up (SP) e apresentou-se na casa noturna Sucata (RJ).
Em 1969, viajou para a Europa, fixando residência em Paris durante seis anos. Fez turnês por vários países como Espanha, Itália e Holanda.
Voltou para o Brasil em 1975, para o lançamento de seu LP "Drácula, I love you", gravado na França.
Em 1977, produziu um quadro com Fafá de Belém para o especial de Milton Nascimento realizado na TV Bandeirantes (SP) por Roberto de Oliveira.
Morreu no ano seguinte, aos 34 anos, em função de uma parada cardíaca provocada por sucessivos regimes de emagrecimento.
(Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira)
Valenza Zagni da Silva, a Tuca, foi uma cantora e compositora brasileira.
Formou-se em música erudita, em 1957, pelo Conservatório Paulista, começando a compor nesse mesmo ano. Fez parte do Grupo de Música Popular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Em 1962 teve, pela primeira vez, uma canção de sua autoria registrada em disco, com a gravação de sua música "Homem de verdade", pela cantora Ana Lúcia.
Sua primeira apresentação profissional foi no programa "Primeira audição", produzido por João Leão e Horácio Berlinck para a TV Record (SP).
Participou, ainda na década de 1960, dos seguintes festivais: Festival Nacional de Música Popular da TV Excelsior (SP), interpretando com Aírto Moreira a música "Porta estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona, classificada em 1º lugar e premiada com o Berimbau de Ouro (1966); I Festival Internacional da Canção da TV Rio (RJ), apresentando "Cavaleiro", de sua autoria e Geraldo Vandré, classificada em 2º lugar na fase nacional do festival (1966); O Brasil canta no Rio", interpretando, com a soprano Stella Maris, a canção de sua autoria "Paixão segundo o amor", classificada em 3º lugar; e III Festival Internacional da Canção da TV Globo, apresentando a canção "Mestre sala", de Reginaldo Bessa e Ester Bessa (1968).
Seu primeiro disco, "Eu, Tuca", lançado pela Chantecler, com composições de sua autoria, introduziu a viola caipira nas orquestrações.
Convidada pelo Itamaraty, participou, ao lado de Gilberto Gil e do Jongo Trio, da Semana de Arte Brasileira, realizada na África.
De volta ao Brasil, apresentou-se com Miéle e Ronaldo Bôscoli no Rui Bar Bossa (RJ), com o show "Uma noite perdida". Ainda com Miéle, inaugurou a boate Blow Up (SP) e apresentou-se na casa noturna Sucata (RJ).
Em 1969, viajou para a Europa, fixando residência em Paris durante seis anos. Fez turnês por vários países como Espanha, Itália e Holanda.
Voltou para o Brasil em 1975, para o lançamento de seu LP "Drácula, I love you", gravado na França.
Em 1977, produziu um quadro com Fafá de Belém para o especial de Milton Nascimento realizado na TV Bandeirantes (SP) por Roberto de Oliveira.
Morreu no ano seguinte, aos 34 anos, em função de uma parada cardíaca provocada por sucessivos regimes de emagrecimento.
(Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira)
Terry Winter
(São Paulo, 8 de maio de 1947 - 23 de setembro de 1998)
Thomas William Standen, nome verdadeiro de Terry Winter, nasceu em 8 de maio de 1947, em São Paulo, SP.
Filho de pais ingleses, Charlie Standen e Sra.Tessie Standen, começou sua carreira artística participando de comédias na sua adolescência. Antes de se tornar profissional, foi professor de inglês. Um de seus alunos trabalhava na gravadora RCA Victor, o que facilitou a gravação do seu primeiro disco, um compacto simples, que continha as músicas: “Véspera do Fim do Mundo” e “Não Brinque com Fogo”, usando o seu verdadeiro nome Thomas Standen. Gravou, com o mesmo nome, vários compactos, inclusive uma das músicas que obteve bastante sucesso “O Quente”.
Começou a ser reconhecido quando mudou de nome para Terry Winter. Antes, tinha usado o nome artístico Tony Temple e não deu certo. Foi primeiro artista brasileiro a gravar em inglês. Depois, surgiram outros, como por exemplo: Dave MacLean (José Carlos Gonzales), os irmãos Ralff (Richardson da Silva) e Christian (José Pereira Silva Neto), Morris Albert (Maurício Alberto Kaiserman), Uncle Jack depois Mark Davis (Fábio Jr), Tony Stevens (o falecido cantor Jessé),Edward Cliff (Jean Carlo), dentre muitos outros. Também brasileiros gravando em inglês foram os grupos Trepidants, Pholhas, Lee Jackson e Light Reflections.
Em 1965, quando se lançou com “Running for Love” e recebeu a primeira enxurrada de críticas, defendeu-se: “Esse pessoal não está com nada. Dizem que a gente tem que fazer música em português pra ser respeitado, mas Ary Barroso compunha tango com o pseudônimo de Juan Robledo e nunca ninguém disse nada.”.
Terry Winter também foi o primeiro a revelar ao público que era brasileiro. Isso aconteceu no programa Sílvio Santos.
O cantor usou outros pseudônimos. Dizia que, em razão de não obter sucesso, o público nem notava a troca constante de nomes.
Foi lançado no Rádio e Televisão Record através do cantor Nick Savoia, no programa que ele comandava, chamado “Entrevista Orniex com Nick Savoia”. Terry Winter casou-se com Vicky, irmã adotiva de Nick Savoia. Anos depois, porém, divorciaram.
Com o nome verdadeiro, Tommy Standen fez várias composições para os cantores na década de 60, dentre os quais Nilton César (Chamado Interurbano, Ao Mundo Vou Contar, Garota Caprichosa, Turbilhão), Wilson Miranda (Eu Vou Chorar por Você), Vanusa (Eu Vou Ser Eu), Agnaldo Rayol (Nosso Caminho No Mundo) e outros. Teve afinidade maior com Ronnie Von, quem lhe ajudou muito no período crítico de sua vida, que gravou, dentre outras, “Igual a Peter Pan”, “Minha História”, em parceria com o próprio Ronnie. Em parceria com Fred Jorge fez, “Pequeno Príncipe”, “Soldadinho de Chumbo”, “Paraíso”.
Gravou 6 álbuns e vários compactos, destacando-se os sucessos “Summer Holliday” – seu maior hit, “You´ll Notice Me”, “Mission To Carry”, “Our Love Dream"(1971), "Lovely Love” (1985) – em dueto com Sylvia Massari, "Our Love" (1975) - em dueto com Heleninha, do grupo Harmony Cats, dentre outros.
Winter/Standen deixou de fazer sucesso como intérprete, mas ainda freqüentou as paradas graças a mais uma metamorfose: como Chico Valente, assinou vários sucessos de música sertaneja moderna como "Sonho De Um Caminhoneiro", "Mãe De Leite" (ambas gravadas por Milionário e José Rico), "Convite De Casamento" (gravadas por Athayde e Alexandre), "Meu Velho Amigo" (Tonico e Tinoco) e "Rei do Gado" (tema de abertura da telenovela homônima da Rede Globo) compostas em parceria com Nil Bernardes, o mesmo Neil Bernard co-autor de "Summer Holiday" e outras.
Terry Winter morreu no dia 23 de setembro de 1998, de ataque cardíaco, em conseqüência de cirrose adquirida em razão de sua dependência alcoólica.
Fontes: Sites Wikipedia; Túnel do Tempo.
Thomas William Standen, nome verdadeiro de Terry Winter, nasceu em 8 de maio de 1947, em São Paulo, SP.
Filho de pais ingleses, Charlie Standen e Sra.Tessie Standen, começou sua carreira artística participando de comédias na sua adolescência. Antes de se tornar profissional, foi professor de inglês. Um de seus alunos trabalhava na gravadora RCA Victor, o que facilitou a gravação do seu primeiro disco, um compacto simples, que continha as músicas: “Véspera do Fim do Mundo” e “Não Brinque com Fogo”, usando o seu verdadeiro nome Thomas Standen. Gravou, com o mesmo nome, vários compactos, inclusive uma das músicas que obteve bastante sucesso “O Quente”.
Começou a ser reconhecido quando mudou de nome para Terry Winter. Antes, tinha usado o nome artístico Tony Temple e não deu certo. Foi primeiro artista brasileiro a gravar em inglês. Depois, surgiram outros, como por exemplo: Dave MacLean (José Carlos Gonzales), os irmãos Ralff (Richardson da Silva) e Christian (José Pereira Silva Neto), Morris Albert (Maurício Alberto Kaiserman), Uncle Jack depois Mark Davis (Fábio Jr), Tony Stevens (o falecido cantor Jessé),Edward Cliff (Jean Carlo), dentre muitos outros. Também brasileiros gravando em inglês foram os grupos Trepidants, Pholhas, Lee Jackson e Light Reflections.
Em 1965, quando se lançou com “Running for Love” e recebeu a primeira enxurrada de críticas, defendeu-se: “Esse pessoal não está com nada. Dizem que a gente tem que fazer música em português pra ser respeitado, mas Ary Barroso compunha tango com o pseudônimo de Juan Robledo e nunca ninguém disse nada.”.
Terry Winter também foi o primeiro a revelar ao público que era brasileiro. Isso aconteceu no programa Sílvio Santos.
O cantor usou outros pseudônimos. Dizia que, em razão de não obter sucesso, o público nem notava a troca constante de nomes.
Foi lançado no Rádio e Televisão Record através do cantor Nick Savoia, no programa que ele comandava, chamado “Entrevista Orniex com Nick Savoia”. Terry Winter casou-se com Vicky, irmã adotiva de Nick Savoia. Anos depois, porém, divorciaram.
Com o nome verdadeiro, Tommy Standen fez várias composições para os cantores na década de 60, dentre os quais Nilton César (Chamado Interurbano, Ao Mundo Vou Contar, Garota Caprichosa, Turbilhão), Wilson Miranda (Eu Vou Chorar por Você), Vanusa (Eu Vou Ser Eu), Agnaldo Rayol (Nosso Caminho No Mundo) e outros. Teve afinidade maior com Ronnie Von, quem lhe ajudou muito no período crítico de sua vida, que gravou, dentre outras, “Igual a Peter Pan”, “Minha História”, em parceria com o próprio Ronnie. Em parceria com Fred Jorge fez, “Pequeno Príncipe”, “Soldadinho de Chumbo”, “Paraíso”.
Gravou 6 álbuns e vários compactos, destacando-se os sucessos “Summer Holliday” – seu maior hit, “You´ll Notice Me”, “Mission To Carry”, “Our Love Dream"(1971), "Lovely Love” (1985) – em dueto com Sylvia Massari, "Our Love" (1975) - em dueto com Heleninha, do grupo Harmony Cats, dentre outros.
Winter/Standen deixou de fazer sucesso como intérprete, mas ainda freqüentou as paradas graças a mais uma metamorfose: como Chico Valente, assinou vários sucessos de música sertaneja moderna como "Sonho De Um Caminhoneiro", "Mãe De Leite" (ambas gravadas por Milionário e José Rico), "Convite De Casamento" (gravadas por Athayde e Alexandre), "Meu Velho Amigo" (Tonico e Tinoco) e "Rei do Gado" (tema de abertura da telenovela homônima da Rede Globo) compostas em parceria com Nil Bernardes, o mesmo Neil Bernard co-autor de "Summer Holiday" e outras.
Terry Winter morreu no dia 23 de setembro de 1998, de ataque cardíaco, em conseqüência de cirrose adquirida em razão de sua dependência alcoólica.
Fontes: Sites Wikipedia; Túnel do Tempo.
Tom Jobim
(Rio de Janeiro/RJ, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque/EUA, 8 de dezembro de 1994)
Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, conhecido por Tom Jobim, nasceu no dia 25 de janeiro de 1927, onze e quinze da noite de uma terça-feira. Muita água caindo do céu, nenhuma saindo das bicas da rua Conde de Bonfim, no bairro carioca da Tijuca. O conserto de um cano viera perturbar o nascimento do primeiro filho de Jorge Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida, na casa de nº 634. Com a ajuda do irmão de Nilza, Marcelo, a quem coube a tarefa de providenciar água para o parto, e de sua irmã Yolanda, que se desdobrou na cozinha para que não faltasse café para o dr. Graça Mello, que o bebia em doses quase industriais, finalmente veio ao mundo Tom Jobim com quase 60cm de comprimento e pesando quatro quilos.Aquariano com ascendente em Libra, dois signos ligados ao ar como os seres alados que tanto admirava, no horóscopo chinês, Tom era gato, o que talvez explique sua implicância com deslocamentos e mudanças. E, no entanto, trocar de endereço foi uma das coisas que ele mais fez na vida.A primeira mudança foi em 1931, quando os Jobim trocaram a Tijuca por um bairro da zona sul da cidade, que então não passava de um enorme areal distante de tudo e pouco habitado: Ipanema. A casa ficava na rua Barão da Torre, perto do Bar Vinte. Nela, Tom morou pouco tempo, mudando-se para a rua Constante Ramos, 68, em Copacabana, onde ficou até 1935, quando Jorge Jobim morreu e d. Nilza foi morar na arborizada pensão de d. Adelaide e d. Josefina, na mesma rua. O pouso seguinte—a última casa de uma vila—ficava na travessa Trianon, transversal à rua Siqueira Campos, no mesmo bairro.Criado pela mãe, o avô e os tios maternos, Tom tinha apenas um ano quando seus pais separaram-se pela primeira vez. Após uma curta reaproximação, durante a qual Tom ganhou uma irmã, Helena Isaura, nascida em 1931, o casamento de Nilza e Jorge se desfez para sempre. Dois anos após a morte de Jorge, d. Nilza casou-se com Celso Frota Pessoa, que acabaria transformando-se no verdadeiro pai de Tom e Helena.E foram todos morar novamente em Ipanema, numa casa de pedra da rua Sadock de Sá (nº 276), com fundos para um terreno baldio frontal à Lagoa Rodrigo de Freitas. No andar de cima, os tios (Yolanda e João Lira Madeira) e dois primos; no térreo, Tom, Helena, os pais, os avós maternos e tio Marcelo. Foi naquele ambiente, musical dentro de casa e ecologicamente exuberante do lado de fora, que Tom, assim apelidado pela irmã, desenvolveria seu pendor para a música e sua paixão pela natureza.
Embora tenha manifestado seu gosto pela música precocemente (só dormia embalado pela voz da mãe ou da avó Emília e gostava de escolher o repertório), sua relação mais intensa, a princípio, foi com a praia, as praças e as grimpas de Ipanema, onde nadava, pescava, soltava pipa, andava de bicicleta, subia em árvores, escalava morros e telhados — e quando se cansava tirava uma sesta nos bancos da praça N.S. da Paz. Era capaz de atravessar a Lagoa a nado e volta e meia arriscava um audacioso mergulho das pedras do Arpoador.
A despeito de toda essa esportividade, fazia o gênero contemplativo. Sobretudo na escola. Passou por tantos colégios quanto mudou de casa. Estudou no Mallet Soares, em Copacabana, depois no Mello e Souza, no Paula Freitas, no Rio de Janeiro, dividindo o que então chamavam de curso científico entre o Juruena e o Andrews. Um dia, quando tinha 14 anos, deparou-se, ao voltar da praia, com um piano na garagem de casa. Esse piano mudaria sua vida.
Era um Bechstein alugado para que Helena aprendesse a tocar e o professor Hans Joachim Koellreutter desse aulas no Colégio Brasileiro de Almeida, fundado por d. Nilza. Por achar que piano era “coisa de mocinha”, Tom aproximou-se do teclado com uma certa cautela, combinando notas de brincadeira. Quando se deu conta, já estava fisgado. E tomando aulas com o professor, às vezes durante dez horas seguidas. Com ele aprendeu as coisas básicas, praticou escalas e adquiriu as primeiras noções de composição e harmonia.
Em seguida, passou pelas mãos de Lúcia Branco, que o exercitaria nos clássicos de Bach, Beethoven, Chopin, Ravel, Debussy, Villa-Lobos, e o convenceria a desistir de ser concertista e o estimularia a compor. Com o professor, regente e compositor negro Paulo Silva, “muito sistemático e rigoroso”, segundo Tom, aprofundaria seus conhecimentos de harmonia. Além de piano, aprendeu flauta, harmônica de boca e violão, chegando a formar um conjunto de gaitistas cuja ribalta era a Praça General Osório, em Ipanema. Um dos integrantes do conjunto, Newton Mendonça, seria o primeiro grande parceiro de Tom.
Música, dizia-se, não dava camisa a ninguém e Tom, louco para se casar com Thereza Otero Hermanny, partiu em busca de uma profissão mais segura. Bom de desenho, fez vestibular para arquitetura. Com ajuda do padrasto, que reformou um quarto de empregada para que Tom e Thereza pudessem morar com a família na casa de dois andares da rua Redentor, 307, os dois se casaram, em 15 de outubro de 1949, e foram passar a lua-de-mel em Petrópolis.
Tom não conseguiu ir além do primeiro ano de arquitetura. Teso, resolveu ganhar dinheiro com aquilo em que já era quase doutor. Por intermédio do maestro Alceu Bocchino, diretor da Rádio Clube do Brasil e amigo de tio Marcelo, arrumou emprego como pianista daquela emissora, que logo acumulou com outro, de seis às dez da noite, no Bar Michel. Mas não por muito tempo. Antes que o estresse o destruísse, optou, temporariamente, pela noite.
Passou pelas principais casas noturnas do Rio, alternando ao piano um eclético repertório de ritmos: sambas, boleros, foxes, rumbas, canções francesas, tangos. Até se dar conta de que não iria muito longe embalando noctívagos, bêbados, boêmios e grã-finos. Para ser um músico de verdade, precisaria aprofundar seus conhecimentos de harmonia e orquestração.
Uma vez mais, Celso estendeu-lhe a mão, oferecendo-se para arcar com o aluguel e as contas do mês, enquanto o ex-futuro arquiteto aperfeiçoava seus estudos lendo os “Princípios de Orquestração”, do compositor russo Rimsky-Korsakov, e decorando os arranjos de Glenn Miller nos 78 rotações de sua coleção. Mais tarde, Tom tomaria aulas de orquestração com Leo Peracchi e Tomás de Terán.
Por intermédio do músico Alcides Fernandes, marido da faxineira dos Jobim e morador da favela do Pavãozinho, Tom foi trabalhar na Editora Euterpe, escrevendo arranjos para pequenos conjuntos. Não demorou muito e Sávio Carvalho da Silveira levou-o para a gravadora Continental, onde se ocuparia de colocar em pentagramas as músicas de autores que compunham apenas de ouvido e fazer arranjos e orquestrações para Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Elizete Cardoso e Dick Farney. O arranjador oficial da gravadora era Radamés Gnatalli, grande pianista, regente e compositor, que adotou Tom como seu mais ilustre afilhado musical.
Com o que passou a ganhar na gravadora voltou para Copacabana, pagando do próprio bolso o aluguel de um conjugado no edifício Einstein, na rua Francisco Otaviano, no Posto 6. Àquela altura, o casal já tinha um filho, Paulo, nascido em 4 de agosto de 1950. Em abril de 1953, Tom estreava em disco como compositor, com o samba-canção “Incerteza”, feito em parceria com Newton Mendonça e gravado por Mauricy Moura, cantor santista, discípulo de Silvio Caldas. Dois meses depois, emplacaria mais duas composições num 78 rotações de Ernani Filho: “Pensando em Você” e “Faz uma Semana”, esta em parceria com outro amigo de bairro, João Batista Stockler. Dali em diante, sua carreira só subiria de tom.
Tom ainda teria de esperar mais um ano e três gravações para saborear seu primeiro sucesso:“Tereza da Praia”, samba-canção composto de parceria com Billy Blanco na medida para desfazer os boatos de que Lúcio Alves e Dick Farney se detestavam mutuamente. Ao contrário do que muitos acreditavam, não se tratava de uma homenagem à Thereza Jobim, embora as duas Terezas tivessem “uma pinta do lado”.
1954 foi um ano venturoso para Tom. Só o fato de a Continental passar a produzir LPs de dez polegadas abriu-lhe novas perspectivas, tornando possível registrar em disco os onze movimentos de uma sinfonia, burilada a quatro mãos com Billy Blanco. Era uma exaltação ao Rio, falando do mar, das montanhas, do sol e do cotidiano da cidade, com arranjos de Gnatalli e canções interpretadas pela fina flor do rádio e do disco, como Farney, Lúcio, Elizete Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Jorge Goulart, Nora Ney e Emilinha Borba. “Sinfonia do Rio de Janeiro” não entrou nas paradas de sucesso mas consolidou a reputação de Tom como o mais promissor talento de sua geração.
No dia em que seu pupilo completou 28 anos, Gnatalli o presenteou com um convite tentador: participar do prestigioso programa da Rádio Nacional, “Quando os Maestros se Encontram”. Tom apresentou-se regendo uma peça sinfônica de sua autoria, “Lenda”, dedicada à memória do pai e que nunca seria gravada. Em maio, a primeira parceria com Dolores Duran, “Se É Por Falta de Adeus”, entrou para o repertório de Dóris Monteiro. Apesar de assoberbado por encomendas (fez arranjos para Dora Lopes, Juanita Cavalcante, Edu da Gaita, Elizete Cardoso, Orlando Silva, Dalva de Oliveira e participou como pianista de um LP de Luiz Bonfá), ainda encontrou tempo para nova mudança de endereço (agora para o apartamento 201 do mítico prédio da rua Nascimento Silva, 107, em Ipanema). No fim do ano, a recompensa: na lista dos melhores arranjadores da temporada, escolhidos pelo crítico Ary Vasconcellos, Tom dividiu a segunda colocação com Pixinguinha e Renato de Oliveira.
De tanto insistir, Harold Morris, o inglês que dirigia a Odeon, acabou convencendo Tom a aceitar o cargo de diretor artístico da gravadora, a maior do país naquela época. Não demorou a confirmar a desconfiança de que as novas funções prejudicariam suas atividades musicais. Morris implorou para que ele ficasse, Tom, contudo, preferiu no momento certo passar o bastão a um brasileiro recém-chegado dos EUA, Aloysio de Oliveira. Tamanho foi seu alívio ao deixar a Odeon que, ao ser apresentado ao substituto, não conteve o desabafo: “Ainda bem que você chegou”. Mais tarde, em casa, extravasou seu desafogo num poema.
Tom já estaria no lucro se só tivesse feito amizade com Aloysio de Oliveira naquele ano, mas a generosidade dos deuses lhe reservara outra preciosa aproximação para 1956. Ele e Vinícius de Moraes já se conheciam de vista há algum tempo, pois ambos freqüentavam o Clube da Chave, onde Tom vez por outra apresentava-se ao piano. Vinícius também já o vira tocar na boate Tudo Azul. O encontro definitivo, no bar Villariño, no centro do Rio, foi um presente de Lúcio Rangel, velho amigo do poeta. Vinícius procurava alguém para compor a música de uma ópera negra carioca, intitulada “Orfeu da Conceição”, transposição do mito de Orfeu para uma favela, e foi pedir sugestões a Rangel, pois o parceiro em vista, Vadico, desistira da empreitada por não se julgar “à altura” do projeto. Tom topou na hora criar as músicas da tragédia, não sem antes cometer uma pequena gafe. Nascia ali uma das amizades mais instantâneas, fraternais, prolíficas e duradouras da história da música popular brasileira.
No apartamento da Nascimento Silva, mais tarde celebrizado por Toquinho e Vinícius no samba “Carta a Tom 74”, Tom e Vinícius iniciaram logo a faina de “Orfeu da Conceição”. Os dois ou três primeiros sambas foram descartados; eram ruins. Tão logo se entrosaram, saiu uma obra-prima, “Se Todos Fossem Iguais a Você”. E, em seguida, “Mulher Sempre Mulher”, “Um Nome de Mulher”, “Eu e Meu Amor” e “Lamento do Morro”. Após três meses de ensaios, a peça, com Haroldo Costa no papel de Orfeu, estreou no Teatro Municipal do Rio em 25 de setembro de 1956, com lotação esgotada, permanecendo em cartaz até o dia 30. Raras vezes uma encenação brasileira contara com uma equipe tão eclética e talentosa. A imprensa reagiu com entusiasmo. Em 1º de outubro, por iniciativa de Aloysio de Oliveira, a Odeon lançou um LP de dez polegadas com a trilha musical do espetáculo, com Roberto Paiva emprestando sua voz a Orfeu. Em novembro, “Orfeu da Conceição” voltaria à cena no teatro República, durante um mês, a preços populares.
No ano seguinte, numa produção do francês Sacha Gordine, dirigida por Marcel Camus, a partir de um roteiro assinado por Jacques Viot e repudiado por Vinícius, a peça começaria ser filmada no Rio, com o título de “Orphée Noir” (Orfeu Negro) e novo elenco. Com temas adicionais de Bonfá e Antonio Maria, arrebataria o júri do Festival de Cannes de 1959, que lhe daria a Palma de Ouro, e os membros da Academia de Hollywood, que o elegeram o “melhor filme estrangeiro” daquele ano. Vinícius detestou não apenas o filme, mas sobretudo a maneira como os franceses se apossaram das músicas da peça.
Antes de decepcionar-se com “Orfeu Negro”, Tom foi convidado pelo selo Festa para musicar a versão em disco de “O Pequeno Príncipe”, de Antoine du Saint-Exupéry, estrelado por Paulo Autran, estreou na televisão, dividindo a batuta do programa semanal “Noite de Gala”, da TV Rio, com o maestro Osvaldo Borba, ganhou o prêmio de melhor compositor, da Prefeitura do então Distrito Federal, e viu nascer sua filha Elizabeth, no dia 26 de agosto.
Corria ainda o ano de 1957 quando reencontrou um conhecido baiano que há muito não via, pois ele trocara o Rio por Porto Alegre, retornando a Salvador. Agora estava de volta ao Rio. O baiano era João Gilberto. Chegou mostrando duas composições inéditas: “Bim-Bom” e “Oba-lá-lá”. Tom nem prestou atenção nas letras. Impressionado com a batida diferente do violão do João, quis saber onde ele aprendera a tocar daquele jeito. “Tirei dos requebros das lavadeiras de Juazeiro”, respondeu o baiano. Era por aquela batida que a Bossa Nova estava esperando para poder nascer.
O mesmo Villariño onde se formara a dupla Tom & Vinícius abrigaria, em 1958, outro encontro histórico, envolvendo a dupla e Elizeth Cardoso. Daquela vez o padrinho foi Irineu Garcia, idealizador do selo Festa. Num complicado arranjo, que envolveu os irmãos Vitale, donos de uma das maiores editoras de música do país, e a gravadora Copacabana, que tinha Elizete Cardoso sob contrato, Garcia conseguiu que a cantora, a princípio arredia à idéia, aceitasse gravar um LP só com temas de Tom & Vinícius e uma roupagem orquestral altamente sofisticada. Tom escalou um escrete de instrumentistas, usou trompa, oboé, até clarone, e fez questão de incluir João Gilberto e sua batida nas faixas “Chega de Saudade” e “Outra Vez”. Gravado no estúdio da Columbia, “Canção do Amor Demais” foi lançado na primeira semana de julho e teria uma de suas faixas (“Eu Não Existo Sem Você”) aproveitada numa cena de festa do filme “Pista de Grama”.
Meses depois, mais duas cantoras gravam LPs só com músicas de Tom: Lenita Bruno (“Por Toda Minha Vida”, espécie de versão erudita de “Canção do Amor Demais”, com arranjos de Leo Peracchi) e Silvinha Telles (“Amor de Gente Moça”, com arranjos de Tom e Lindolfo Gaya). Nenhuma delas, porém, causou o mesmo impacto do disco “Chega de Saudade”, com João Gilberto, que Tom convencera Aloysio a gravar na Odeon. Distribuído às lojas em março, marcou o lançamento oficial da Bossa Nova, até porque dele fazia parte o samba-manifesto “Desafinado”. Meses depois, num programa de televisão, o exigente Ary Barroso, que no início torcia o nariz para a Bossa Nova, não se conteve e sentenciou: “Tom Jobim é, disparado, o melhor de todos os novos compositores brasileiros”.
O mais ocupado, sem dúvida, ele era. Ao longo de 1959, Tom começa a pensar numa nova sinfonia, participa de outro filme, “Pluft, o Fantasminha”, adaptado da peça infantil de Maria Clara Machado, para o qual compôs a trilha musical, e durante meses faria as honras de um programa semanal de entrevistas, “O Bom Tom”, na TV Paulista, que, dirigido por Carlos Thiré, alcançaria o segundo lugar em audiência na capital paulista.
A nova sinfonia entrara em sua vida em 1958. Como a primeira, dedicada ao Rio de Janeiro, também foi encomendada—no caso, pelo pianista Bené Nunes, a pedido do presidente Juscelino Kubitschek, que sonhava com um poema sinfônico em homenagem a Brasília, a nova capital do país, inaugurada em 21 de abril de 1961. Acompanhado de Vinícius, que se incumbiria de escrever o recitativo da sinfonia, Tom viajou até o Planalto Central para sentir de perto o clima da região onde a Novacap estava sendo erguida. De lá voltou com os cinco movimentos de “Brasília, Sinfonia da Alvorada” na cabeça. Planejada para um espetáculo de luz e som, acabou tendo sua festiva execução pública cancelada, por falta de verba. Só em disco pôde ser ouvida durante algum tempo. Apenas duas vezes ela seria apresentada diante de uma platéia: em 1966, pela TV Excelsior de São Paulo, e em 1986, na Praça dos Três Poderes, regida por Alceu Bocchino, com Radamés Gnatalli ao piano e Tom e Susana de Moraes lendo o recitativo de Vinícius.
Enquanto a capital se mudava para Brasília, João Gilberto lançou seu segundo LP, “O Amor, o Sorriso e a Flor”, com seis composições de Tom, três das quais em parceria com Newton Mendonça: “Meditação”, “Discussão” e o paradigmático “Samba de uma Nota Só”, que se transformaria numa espécie de hino da Bossa Nova. Após o terceiro LP, simplesmente intitulado “João Gilberto”, com três músicas de Tom, entre as quais a inédita “Insensatez”, o cinema volta a seduzir o compositor, que compõe a trilha musical de “Porto das Caixas”, de Paulo César Saraceni, e participa como ator, ao lado de João Gilberto, do filme italiano rodado no Rio, “Copacabana Palace”, com Mylène Demongeot, para o qual também fez a trilha musical.
Ao palco Tom só retornaria em meados de 1962, quando o empresário Flávio Ramos convidou Aloysio de Oliveira para montar um pocket show na boate Au Bon Gourmet, que acabara de comprar em Copacabana. No memorável show, intitulado “Encontro” e estrelado por Tom, Vinícius (que pela primeira vez cantou em público), João Gilberto e o conjunto vocal Os Cariocas, foram lançados cinco dos maiores clássicos da Bossa Nova: “Só Danço Samba”, de Tom e Vinícius; “Samba do Avião”, de Tom; “Samba da Benção” e “O Astronauta”, de Baden e Vinícius; e, por fim, o maior sucesso da dupla Tom-Vinícius, “Garota de Ipanema”, que só sairia em disco no ano seguinte, conquistando de roldão duas dezenas de intérpretes, entre os quais o cantor Pery Ribeiro, o Tamba Trio, a cantora Claudette Soares e diversos grupos instrumentais, daqui e do exterior.
No mesmo mês em que estreou o show do Au Bon Gourmet, o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd gravaram o LP “Jazz Samba”, que permaneceria diversas semanas no Hit Parade. Numa das faixas, uma versão instrumental de “Desafinado”, que só naquele ano ganharia nos EUA uma dezena de intérpretes, vários deles jazzísticos, como Lalo Schifrin, Quincy Jones, Coleman Hawkins e Dizzy Gillespie. Não dava mais para evitar o inevitável: dali em diante, a Bossa Nova faria da América a sua segunda pátria. E o melhor que os bossanovistas tinham a fazer era mostrar ao vivo para os gringos como era mesmo que se tocava aquele sambinha feito de uma nota só.
A apresentação oficial da Bossa Nova aos americanos teve como palco o Carnegie Hall de Nova York, num concerto promovido em 21 de novembro de 1962 pelo consulado brasileiro e Sidney Frey, dono da gravadora Audio Fidelity. A representação do Instituto Brasileiro do Café em Nova York assumiu as despesas de hospedagem dos artistas e a Varig dividiu com o Itamarati o custeio das passagens aéreas. Tom não queria ir e só aterrissou em Nova York no dia do show, cuja repercussão, em Nova York e no Brasil, ficou muito aquém das expectativas mais otimistas. O próprio Tom achou o espetáculo um primor de desorganização. Aloysio de Oliveira pensara num show pequeno, bonito e bem montado, apenas com Tom, João Gilberto, Luiz Bonfá, Agostinho dos Santos, Sérgio Mendes e Oscar Castro Neves. Mas Frey fez corpo mole e aceitou convidados e bicões em demasia.
Tom não foi o único a permanecer em Nova York depois do concerto. João Gilberto e Sérgio Ricardo também ficaram. Tom mandou buscar Thereza e com ela hospedou-se no hotel Diplomat até julho, quando voltaram para o Brasil de navio cargueiro. Doze dias após o show do Carnegie Hall Tom apresentou-se no templo jazzístico nova-iorquino The Village Gate e, 48 horas mais tarde, no Listener’s Auditorium, em Washington, diante de duas mil pessoas, entre as quais o crítico de música do jornal “Washington Post”, que o cobriu de elogios. Apareceu em seguida num programa de TV com o saxofonista Gerry Mulligan.
Os convites eram muitos, mas dinheiro, que é bom, nada. Para defender melhor seus direitos, Tom criou, por insistência de Thereza, a editora Corcovado Music. E foi à luta. Para a Verve gravou seu primeiro disco americano, o instrumental “Antonio Carlos Jobim—The Composer of Desafinado Plays”, acompanhado de grande orquestra, e solou ao piano nos LPs “Jazz Samba Encore!” (com Stan Getz, Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo) e “Getz/Gilberto” (com Getz, Joâo Gilberto e Astrud Gilberto). Por intermédio de Aloysio de Oliveira, aproximou-se de Ray Gilbert, que, sabedor das restrições que Tom fazia às versões para o inglês que Norman Gimble, Gene Lees e a dupla Jon Hendricks/Jeff Cavanaugh haviam feito de algumas de suas músicas, ofereceu seus serviços como letrista — e editor. Nem as letras em inglês das músicas de Tom melhoraram de qualidade, escritas por Gilbert, nem ele ficou rico.
Quando o casal Jobim chegou de volta ao Rio, em meados de 1963, Aloysio já havia criado a Elenco, que Tom procurou ajudar de tudo quanto foi jeito. Depois de participar do LP “Bossa Nova York”, com Sérgio Mendes, Art Farmer, Phil Woods e Hubert Laws, gravado pela Elenco em Manhattan, aceitou de bom grado uma sugestão de Aloysio: um encontro com Dorival Caymmi e os filhos do compositor baiano, Danilo, Nana e Dori. “Caymmi Visita Tom” marcaria a estréia de Tom como cantor, em disco. Quando 1964 chegou ao fim, Tom recebeu três prêmios Grammy: pela autoria de “Desafinado” e “Garota de Ipanema” e pelos arranjos de “Brazil’s Brilliant João Gilberto”.
Uma longa temporada na Costa Oeste dos EUA o esperava em 1965. Até shows em Lake Tahoe ele fez. Por três vezes deu o ar de sua graça no programa de TV do cantor Andy Williams, uma delas na companhia de Caymmi, cuja valsa “Das Rosas” Williams alçara recentemente às paradas de sucesso. Aproveitou a temporada para realizar um sonho de todo músico de sua geração, gravar um disco com Nelson Riddle, o arranjador favorito de Frank Sinatra. Apesar das qualidades de “The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim”—no qual “Surfboard” e “Bonita” (dedicada à atriz Candice Bergen) foram lançadas—, Tom continuou preferindo (ou sentindo muito mais afinidade com) Claus Ogerman, à cuja sombra faria outro disco, desta vez para a Warner, “A Certain Mr. Jobim”, que demoraria dez anos para ser lançado no Brasil.
Meses depois, enquanto tomava chope com amigos no mesmo bar celebrizado por “Garota de Ipanema”, Tom recebeu o mais surpreendente telefonema de sua vida. Do outro lado da linha, ninguém menos que Frank Sinatra. “The Voice” queria gravar um disco só com músicas de Tom, que topou na hora. Foi uma conversa curta. Quando se recuperou da surpresa, Tom lembrou-se da esnobada que um editor nova-iorquino lhe dera três anos antes, envolvendo indiretamente a figura de Sinatra.
Em janeiro de 1967 hospedou-se no Sunset Marquis de Los Angeles para dar início ao trabalho, afinal adiado porque Sinatra refugiara-se em Barbados para esquecer mais uma desavença conjugal com Mia Farrow. Enquanto esperava, repassou todos os arranjos com Ogerman, compôs mais duas músicas (“Wave” e “Triste”) e quase morreu de tédio.
As gravações de “Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim” começaram às 20h do dia 30, no Studio One da Warner Western Sound, em Sunset Strip. Por precaução, Sinatra gravou primeiro duas das três canções americanas incluídas no repertório, “Baubles, Bangles and Beads” e “I Concentrate on You”, com as quais só não tinha intimidade em ritmo de Bossa Nova. A primeira de Tom que ele encarou foi “Dindi”, seguida de “Change Partners”. A última faixa da noite foi “Inútil Paisagem”. Apesar do natural nervosismo do brasileiro, a sessão transcorreu num clima de extrema afabilidade. Nas duas noites seguintes não seria diferente.
A crítica americana elegeu o encontro de Sinatra e Jobim o álbum do ano. Nas vendas perdeu apenas para “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Um segundo disco com os dois seria gravado dois anos depois, com o título de “Sinatra & Company”, com arranjos de Eumir Deodato. Àquela altura, Tom e o cantor já haviam se tornado amigos. Quando dos preparativos de um especial sobre Sinatra, A Man and His Music, co-estrelado por Ella Fitzgerald, para a rede de televisão NBC, em setembro de 1967, Francis Albert não se esqueceu de convidar Antonio Carlos. Sinatra, aliás, abriu o programa cantando “Corcovado”.
Quando o especial com Sinatra foi ao ar, em novembro, Tom já havia computado outro feito histórico: sua primeira parceria com Chico Buarque, “Retrato em Branco e Preto”, que lá fora, em versão instrumental, já era conhecida com o título de “Zingaro”. Outra façanha teria acrescentado ao seu currículo naquele ano se tivesse cedido aos insistentes apelos do cineasta Glauber Rocha para protagonizar o filme “Terra em Transe”.
Por uns tempos Chico Buarque seria o novo Vinícius de Tom. Juntos apareceram num show (“Discomunal”), ao lado de Deodato, Baden Powell e outros, inaugurando uma temporada cujo ponto alto seria a inesperada vitória de “Sabiá” no III Festival Internacional da Canção. Tom e Chico nem pretendiam participar do festival. Inscrever “Sabiá” foi a saída que Tom encontrou para livrar-se de um fardo, para ele, ainda mais pesado: ser membro do júri que apontaria as canções vencedoras. O triunfo da nova parceria de Tom e Chico teve o efeito de uma bomba e as feridas que abriu não cicatrizaram de um dia pro outro.
No festival seguinte, outra bomba. Irritados com os desmandos da censura, Vinícius, Chico, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcos Valle, Sérgio Ricardo, Paulinho da Viola, Rui Guerra, José Carlos Capinam, Baden Powell, Milton Nascimento, Egberto Gismonti e outros decidiram boicotar o evento. Tom adere ao boicote e entra para a lista negra da ditadura militar, que desde 1964 se perpetuava no poder e em 1970 mandou prendê-lo “para prestar depoimentos”. A situação política do país se agravava e Tom encontrou sua válvula de escape na tela, compondo trilhas musicais para filmes brasileiros (“A Casa Assassinada”, pela qual seria premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Brasília em 1971) e estrangeiros (“Os Aventureiros”, cujos temas escreveu numa luxuosa casa de três andares em Londres, alugada pela Paramount).
Uma das faixas da trilha de “Os Aventureiros”, uma valsa intitulada “Children’s Game”, seria incorporada ao LP “Stone Flower”, com letra em português e outro nome, “Chovendo na Roseira” (“Double Rainbow” para os americanos). De certo modo, estava oficialmente inaugurada a fase ecológica de Tom Jobim, que duraria mais do que os quatro anos (1972-1976) em que lançou “Águas de Março” e dois LPs com nomes de pássaros, “Matita Perê” e “Urubu”, recheados de canções inspiradas ou voltadas para a natureza, como “Sabiá”, “Tempo do Mar”, “Rancho nas Nuvens”, “Nuvens Douradas”, “Boto” e “Correnteza”.
Escrita no retiro de Poço Fundo e lançada de forma singular — num compacto encartado na primeira edição do “Disco de Bolso do Pasquim”— “Águas de Março” se transformaria num dos mais instantâneos e retumbantes sucessos do compositor. Na gravação original, feita na Semana Santa de 1972, seu autor apenas cantou, acompanhado de quatro flautistas (Bebeto, seu filho, Paulinho Jobim, Franklin e Paulo Guimarães), João Palma na percussão, Novelli no contrabaixo e Eduardo Ataíde no violão. Só naquele ano, a nova obra-prima de Tom ganharia quase dez intérpretes, no Brasil e na América, nenhuma tão elogiada quanto a de Elis Regina em dueto com o autor, no LP “Elis & Tom”. Chico Buarque chegou a dizer que às vezes achava “Águas de Março” o samba mais bonito do mundo. Ao ouvir sua versão em inglês, feita pelo próprio Tom, o crítico Leonard Feather não se conteve: “É uma das dez músicas mais bonitas do século”.
No mesmo ano em que gravou o fundamental “Urubu”, com músicos da Sinfônica de Nova York e arranjos de Claus Ogerman, Tom conheceu Ana Beatriz Lontra, fotógrafa de 19 anos. Empolgou-se como um adolescente, cobriu-a de versos galantes, mas só começaram a namorar depois que Tom afinal separou-se de Thereza, em 1977. Em pouco tempo, Ana se ligaria ao namorado também profissionalmente, integrando um coral familiar por ele montado para um show no Canecão, que Aloysio de Oliveira produziu com mais três estrelas: Vinícius de Moraes (fazendo sua rentrée nos palcos cariocas após 15 anos de ausência), Toquinho e Miúcha (que acabara de gravar o LP “Miúcha & Antonio Carlos Jobim”). Ao lado de Ana, a filha de Tom, Beth, e três irmãs de Chico, Pii, Cristina e Bahia.
Tamanha foi a acolhida do público que o espetáculo, programado para ficar quatro semanas em cartaz, só saiu do Canecão oito meses depois, rumando para São Paulo, onde lotou o Anhembi durante um mês, e para o Uruguai, onde por várias noites agitou um cassino de Mar del Plata. Sua carreira, contudo, se estenderia até Paris (dez apresentações no Olympia) e várias cidades da Itália e Suiça. Mas antes de abafar na Europa com o show de Aloysio, Tom e Ana passaram três meses de lua-de-mel no hotel Adams de Nova York, onde Tom encontrou tempo para acrescentar mais duas pérolas ao seu patrimônio musical, “Você Vai Ver” e “Falando de Amor”. Também foi naquele hotel que ele escreveu a letra em inglês de “Águas de Março”.
De volta ao Brasil, Tom e Ana se acomodam, temporariamente, num hotel de Ipanema. Uma excursão à Europa, com o show do Canecão, interrompe, em dezembro, as gravações do Lp “Miúcha & Tom Jobim”, levando a turma ao Olympia de Paris e a várias cidades da Itália e Suiça. Antes de 1978 chegar ao fim, Tom e Ana alugam uma casa na rua Peri, no Jardim Botânico, onde irão morar os próximos seis anos. Nos quatro anos seguintes, Tom lançou o álbum duplo “Terra Brasilis”, reatou sua parceria com Chico Buarque, teve seu primeiro filho com Ana, João Francisco, dividiu um disco com Edu Lobo (“Tom & Edu, Edu & Tom”), ganhou o prêmio Shell de melhor compositor de 1982, começou a construir uma casa no alto do Jardim Botânico.
O começo da década de 80 foi marcado por homenagens à sua obra e à sua personalidade: além de um especial em quatro programas na TV Manchete, “A Música Segundo Tom Jobim”, dirigido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos, em 1984, foi nomeado conselheiro cultural do Estado do Rio de Janeiro pelo antropólogo e vice-governador Darcy Ribeiro. E também por uma intensa atividade no cinema e na televisão.A valsa “Luíza” foi tema da telenovela “Brilhante” e “Passarim”, uma das músicas que compôs para a minissérie “O Tempo e o Vento”. Para o filme de Arnaldo Jabor, “Eu Te Amo”, Tom fez uma valsa homônima, de parceria com Chico Buarque. Mas em “Gabriela” (1982), “Para Viver um Grande Amor” (1983) e “Fonte da Saudade” (1985) sua participação foi muito além do tema principal.
Outras trilhas sonoras para o cinema, contudo, tiveram de ser recusadas ou adiadas para que o maestro pudesse atender a um convite irrecusável: tocar acompanhado da ORF Sinfonietta de Viena, na Wienner Konzerthausgeselschaft. Receoso de um descompasso, pediu para levar o cantor e flautista Danilo Caymmi, o filho Paulo Jobim, o baixista Tião Neto e o baterista Paulo Braga. Dispensou os metais, substituindo-os por vozes femininas, as de Ana e Beth Jobim e Simone, mulher de Danilo. Estava formada a Banda Nova, que, logo acrescida do violoncelista Jaques Morelenbaum, sua mulher, Paula, e Maúcha Adnet, faria sucesso durante dez anos, inclusive fora do Brasil, sempre acompanhando o seu criador.
Em 1985, Tom voltou ao Carnegie Hall, onde cantou diante de 3 mil pessoas, abrindo uma longa temporada de shows, alguns no Brasil (Rio, São Paulo e Salvador), outros na Europa (nos festivais de Gasteiz e Montreux, em Madri), que se prolongaria, no ano seguinte, com uma apresentação no Avery Fisher Hall, de Nova York, com a Banda Nova e os violonistas Carlos Barbosa Lima e Sharon Isbin, outra no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, seguidas de um turnê pela costa oeste dos Estados Unidos, Canadá e Japão. Entre uma viagem e outra, ainda encontrou tempo para participar, ao lado de Astor Piazzola, de um especial de Caetano Veloso e Chico Buarque para a TV Globo, receber a comenda de Grand Commandeur des Arts et des Lettres do governo francês, entregue, pessoalmente, em Brasília, pelo ministro da Cultura da França, Jack Lang, pôr música em dois poemas de Fernando Pessoa, compor "Pato Preto" para um documentário norueguês ("Man at Play”) sobre brincadeiras de crianças em todo o mundo, terminar a música da minissérie da TV Globo, "Anos Dourados", e iniciar as gravações do LP "Passarim", pelo qual ganharia o seu primeiro disco de ouro.
1987 foi o ano em que Tom começou sexagenário e, como ele próprio gostava de dizer, pai-avô, pois em março nasceu Maria Luiza Helena, sua filha com Ana Jobim. Em homenagem aos seus 60 anos, a TV Globo dedicou-lhe um especial, "Antônio, o Brasileiro", gravado no Brasil e nos Estados Unidos, e a Companhia Brasileira de Projetos e Obras, do grupo Odebrecht, ofereceu de brinde natalino um álbum biográfico, escrito por Sérgio Cabral, acompanhado de um disco duplo, produzido pelo pesquisador Jairo Severiano, no qual Tom passava em revista alguns de seus clássicos, com novos arranjos. O livro seguinte seria uma produção doméstica: "Ensaio Poético", com fotos de Ana Jobim, patrocinado pela IBM e lançado pela Record em 1988, pouco antes de chegar às livrarias uma coletânea de textos e poemas de Tom, editada pela Expressão e Cultura, "Jardim Botânico do Rio de Janeiro” e ilustrada com fotos de Zeca Araújo.
Para celebrar o jubileu de prata da gravação de Astrud de “Garota de Ipanema”, montou-se no Carnegie Hall uma grande festa na noite de 15 de março de 1989, com a presença de seu autor. Em 25 anos, “Garota de Ipanema” ultrapassara as 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos. Apesar de três grandes perdas afetivas naquele período (Vinicius, em julho de 1980, D. Nilza, em novembro de 1989, e tio Marcelo algumas semanas depois), a década de 80 fechou de forma auspiciosa para Tom Jobim. A de 90 seria dedicada, em grande parte, a apresentações em público no Brasil e turnês pelo mundo. Todos queriam ouvir e ver de perto o Michelangelo da bossa nova.
Janeiro de 1990 começou, para ele, com um show em homenagem a Vinicius, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, seguido de outro, com Milton Nascimento e Chico Buarque, marcando a inauguração da Universidade Livre da Música, em São Paulo, para a qual Tom foi nomeado reitor e, depois, presidente de seu Conselho Diretor. Quando, nos primeiros dias de fevereiro, lançaram no Brasil o disco “Família Jobim”, ele já estava de volta a Nova York, onde ficaria quatro meses, só retornando para participar do Festival de Inverno de Campos de Jordão, no interior de São Paulo, e num espetáculo montado por Roberto de Oliveira, no Memorial da América Latina, na capital paulista. Em novembro, dividiu com Caetano Veloso o palco, os aplausos e o prêmio Tenco do Festival de San Remo, na Itália. Convidado pelo compositor Sammy Cahn, ingressou no fechadíssimo Hall of Fame da música popular americana, ao lado de Cole Porter, Irving Berlin, os irmãos George e Ira Gershwin e o francês Michel Legrand. De volta ao Rio, em dezembro, apresentou-se no Scala, do Rio, onde oficialmente foram lançados os três volumes do Songbook editado pela Lumiar, de Almir Chediak.
Nascido no dia em que São Paulo também faz anos, Tom aceitou de bom grado o convite de Roberto de Oliveira para estrelar um show no ginásio Ibirapuera, em 25 de janeiro de 1991, afinal assistido por 28 mil pessoas. Para que os cariocas não ficassem com ciúmes, acertou com a prefeitura do Rio um espetáculo pelos 426 anos da cidade, em 1º de março, na ponta do Arpoador, praia de sua infância. Algumas semanas mais tarde, subiria outra vez ao palco do Carnegie Hall para participar de um encontro musical em prol da Fundação Mata Virgem, organização não-governamental criada por Sting. No segundo semestre, ao longo do qual compôs o fox “Querida” para a telenovela de Gilberto Braga, “O Dono do Mundo”, Tom só faria shows no Brasil: no Canecão (em junho), no teatro Guararapes, de Recife (em julho), no Rio Centro (com a família Caymmi) e na quadra da Mangueira, para arrecadar fundos para o próximo desfile carnavalesco da escola.
Tom tinha um interesse especial no próximo desfile da Mangueira. Afinal de contas, ele era o tema de seu samba-enredo, “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Entusiasmado com a homenagem (“Foi como se tivesse conquistado o Prêmio Nobel da Paz”), retribuiu com um samba, “Piano na Mangueira”, composto de parceria com Chico Buarque. Novas emoções em público o esperavam nos meses que se seguiram ao desfile no Sambódromo: o show de abertura da Exposição Internacional de Sevilha, na Espanha, outro, para 5 mil pessoas, no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, o grand finale da Rio Eco-92, no estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, e um espetáculo em torno do músico belga Toots Thielemans em Los Angeles. Culminando, em dezembro, com um reencontro de Tom e João Gilberto, no palco do Teatro Municipal do Rio e do Palace, em São Paulo, para comemorar os 30 anos do primeiro concerto de bossa nova no Carnegie Hall, que se transformou no especial de fim de ano da TV Globo, dirigido por Walter Salles Jr. e Boninho.
Outro especial para a televisão o esperava no início do ano seguinte: “Tom & Milton”, produzido para a Bandeirantes, com Milton Nascimento. As câmeras não o deixavam em paz. Nos últimos dias de janeiro, participara de um documentário de Rodolfo (Dodô) Brandão com mais três ilustres Antonios: o crítico literário Antonio Candido, o escritor Antônio Callado e o lexicógrafo e acadêmico Antônio Houaiss — justamente intitulado “Três Antônios e Um Jobim”. Em favor de Callado, a quem muito admirava, desistiria de concorrer, oito meses depois, à cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Letras, que pertencera a Austregésilo de Athayde. E a ABL passou a ter, pelo menos, dois Antônios (Houaiss e Callado) e nenhum Jobim. Seu único silogeu continuou sendo a Academia Nacional de Música Popular Americana, a que pertencia desde 1990.
Com um tributo à sua obra, no Free Jazz Festival, de que participaram Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks, Gal Costa e Oscar Castro Neves, e um novo disco, Tom encerrou a temporada de 1993. O novo disco, “Antonio Brasileiro”, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting, também seria o último de sua carreira. Parecia mesmo uma despedida, com a presença recorde de familiares: além dos habituais (Ana, Paulo e Beth), o neto Daniel e a filha Maria Luíza, de sete anos, cantando com o pai “Samba Para Maria Luiza”. O disco só seria lançado em novembro de 1994. Até lá, Tom faria mais três shows e entraria apenas uma vez num estúdio de gravação.
Em duas noites seguidas de abril, reapareceu no Carnegie Hall: na primeira, para comemorar os 50 anos da Verve, na companhia de Pat Metheny, Joe Henderson, Charles Haden e Al Foster; na segunda, para promover a Rainforest Foundation, ao lado de Sting, Elton John e Luciano Pavarotti. Em maio, daria, em Jerusalém, seu último espetáculo, passando os quatro meses seguintes no Rio, onde preferiu gravar a faixa (“Fly Me To the Moon”) que lhe coube no segundo disco de duetos de Frank Sinatra, “Duets II”. Em 15 de setembro, três dias após gravar sua parte no dueto com Sinatra, viajou até Nova York para submeter-se a uma angioplastia e avaliar o grau de comprometimento de seu sistema circulatório. Por motivos de saúde, cancelou uma gravação que agendara com Joe Henderson. Receosa de não conseguir sua presença no lançamento de um projeto que reunia um livro sobre a Mata Atlântica, com texto de Tom e 50 fotos de Ana Jobim, e um vídeo, “Mata Atlântica—Visão do Paraíso”, produzido por Walter Salles Jr. e dirigido por Flávio Tambellini, a editora Index adiou tudo para junho do ano seguinte. Num dos vários exames a que Tom se submeteu, detectaram um tumor maligno em sua bexiga—e uma cirurgia foi marcada para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center. No dia 8, enquanto convalescia da cirurgia, teve uma parada cardíaca, às 8h. A segunda, duas horas depois, provocada por uma embolia pulmonar, lhe seria fatal.
Seu corpo desembarcou no Rio no dia 9 e foi velado no Jardim Botânico, dali seguindo para o cemitério de São João Batista, após desfilar em cortejo pela cidade que ele tanto amou e cantou em suas canções.
“A morte de Tom Jobim não foi apenas a queda de uma árvore, foi a derrubada de uma floresta”, escreveu Arnaldo Jabor, resumindo à perfeição um sentimento universal.
Fontes: Site Oficial Tom Jobim - Uol, Site Oficial Vinicius de Moraes.
Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, conhecido por Tom Jobim, nasceu no dia 25 de janeiro de 1927, onze e quinze da noite de uma terça-feira. Muita água caindo do céu, nenhuma saindo das bicas da rua Conde de Bonfim, no bairro carioca da Tijuca. O conserto de um cano viera perturbar o nascimento do primeiro filho de Jorge Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida, na casa de nº 634. Com a ajuda do irmão de Nilza, Marcelo, a quem coube a tarefa de providenciar água para o parto, e de sua irmã Yolanda, que se desdobrou na cozinha para que não faltasse café para o dr. Graça Mello, que o bebia em doses quase industriais, finalmente veio ao mundo Tom Jobim com quase 60cm de comprimento e pesando quatro quilos.Aquariano com ascendente em Libra, dois signos ligados ao ar como os seres alados que tanto admirava, no horóscopo chinês, Tom era gato, o que talvez explique sua implicância com deslocamentos e mudanças. E, no entanto, trocar de endereço foi uma das coisas que ele mais fez na vida.A primeira mudança foi em 1931, quando os Jobim trocaram a Tijuca por um bairro da zona sul da cidade, que então não passava de um enorme areal distante de tudo e pouco habitado: Ipanema. A casa ficava na rua Barão da Torre, perto do Bar Vinte. Nela, Tom morou pouco tempo, mudando-se para a rua Constante Ramos, 68, em Copacabana, onde ficou até 1935, quando Jorge Jobim morreu e d. Nilza foi morar na arborizada pensão de d. Adelaide e d. Josefina, na mesma rua. O pouso seguinte—a última casa de uma vila—ficava na travessa Trianon, transversal à rua Siqueira Campos, no mesmo bairro.Criado pela mãe, o avô e os tios maternos, Tom tinha apenas um ano quando seus pais separaram-se pela primeira vez. Após uma curta reaproximação, durante a qual Tom ganhou uma irmã, Helena Isaura, nascida em 1931, o casamento de Nilza e Jorge se desfez para sempre. Dois anos após a morte de Jorge, d. Nilza casou-se com Celso Frota Pessoa, que acabaria transformando-se no verdadeiro pai de Tom e Helena.E foram todos morar novamente em Ipanema, numa casa de pedra da rua Sadock de Sá (nº 276), com fundos para um terreno baldio frontal à Lagoa Rodrigo de Freitas. No andar de cima, os tios (Yolanda e João Lira Madeira) e dois primos; no térreo, Tom, Helena, os pais, os avós maternos e tio Marcelo. Foi naquele ambiente, musical dentro de casa e ecologicamente exuberante do lado de fora, que Tom, assim apelidado pela irmã, desenvolveria seu pendor para a música e sua paixão pela natureza.
Embora tenha manifestado seu gosto pela música precocemente (só dormia embalado pela voz da mãe ou da avó Emília e gostava de escolher o repertório), sua relação mais intensa, a princípio, foi com a praia, as praças e as grimpas de Ipanema, onde nadava, pescava, soltava pipa, andava de bicicleta, subia em árvores, escalava morros e telhados — e quando se cansava tirava uma sesta nos bancos da praça N.S. da Paz. Era capaz de atravessar a Lagoa a nado e volta e meia arriscava um audacioso mergulho das pedras do Arpoador.
A despeito de toda essa esportividade, fazia o gênero contemplativo. Sobretudo na escola. Passou por tantos colégios quanto mudou de casa. Estudou no Mallet Soares, em Copacabana, depois no Mello e Souza, no Paula Freitas, no Rio de Janeiro, dividindo o que então chamavam de curso científico entre o Juruena e o Andrews. Um dia, quando tinha 14 anos, deparou-se, ao voltar da praia, com um piano na garagem de casa. Esse piano mudaria sua vida.
Era um Bechstein alugado para que Helena aprendesse a tocar e o professor Hans Joachim Koellreutter desse aulas no Colégio Brasileiro de Almeida, fundado por d. Nilza. Por achar que piano era “coisa de mocinha”, Tom aproximou-se do teclado com uma certa cautela, combinando notas de brincadeira. Quando se deu conta, já estava fisgado. E tomando aulas com o professor, às vezes durante dez horas seguidas. Com ele aprendeu as coisas básicas, praticou escalas e adquiriu as primeiras noções de composição e harmonia.
Em seguida, passou pelas mãos de Lúcia Branco, que o exercitaria nos clássicos de Bach, Beethoven, Chopin, Ravel, Debussy, Villa-Lobos, e o convenceria a desistir de ser concertista e o estimularia a compor. Com o professor, regente e compositor negro Paulo Silva, “muito sistemático e rigoroso”, segundo Tom, aprofundaria seus conhecimentos de harmonia. Além de piano, aprendeu flauta, harmônica de boca e violão, chegando a formar um conjunto de gaitistas cuja ribalta era a Praça General Osório, em Ipanema. Um dos integrantes do conjunto, Newton Mendonça, seria o primeiro grande parceiro de Tom.
Música, dizia-se, não dava camisa a ninguém e Tom, louco para se casar com Thereza Otero Hermanny, partiu em busca de uma profissão mais segura. Bom de desenho, fez vestibular para arquitetura. Com ajuda do padrasto, que reformou um quarto de empregada para que Tom e Thereza pudessem morar com a família na casa de dois andares da rua Redentor, 307, os dois se casaram, em 15 de outubro de 1949, e foram passar a lua-de-mel em Petrópolis.
Tom não conseguiu ir além do primeiro ano de arquitetura. Teso, resolveu ganhar dinheiro com aquilo em que já era quase doutor. Por intermédio do maestro Alceu Bocchino, diretor da Rádio Clube do Brasil e amigo de tio Marcelo, arrumou emprego como pianista daquela emissora, que logo acumulou com outro, de seis às dez da noite, no Bar Michel. Mas não por muito tempo. Antes que o estresse o destruísse, optou, temporariamente, pela noite.
Passou pelas principais casas noturnas do Rio, alternando ao piano um eclético repertório de ritmos: sambas, boleros, foxes, rumbas, canções francesas, tangos. Até se dar conta de que não iria muito longe embalando noctívagos, bêbados, boêmios e grã-finos. Para ser um músico de verdade, precisaria aprofundar seus conhecimentos de harmonia e orquestração.
Uma vez mais, Celso estendeu-lhe a mão, oferecendo-se para arcar com o aluguel e as contas do mês, enquanto o ex-futuro arquiteto aperfeiçoava seus estudos lendo os “Princípios de Orquestração”, do compositor russo Rimsky-Korsakov, e decorando os arranjos de Glenn Miller nos 78 rotações de sua coleção. Mais tarde, Tom tomaria aulas de orquestração com Leo Peracchi e Tomás de Terán.
Por intermédio do músico Alcides Fernandes, marido da faxineira dos Jobim e morador da favela do Pavãozinho, Tom foi trabalhar na Editora Euterpe, escrevendo arranjos para pequenos conjuntos. Não demorou muito e Sávio Carvalho da Silveira levou-o para a gravadora Continental, onde se ocuparia de colocar em pentagramas as músicas de autores que compunham apenas de ouvido e fazer arranjos e orquestrações para Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Elizete Cardoso e Dick Farney. O arranjador oficial da gravadora era Radamés Gnatalli, grande pianista, regente e compositor, que adotou Tom como seu mais ilustre afilhado musical.
Com o que passou a ganhar na gravadora voltou para Copacabana, pagando do próprio bolso o aluguel de um conjugado no edifício Einstein, na rua Francisco Otaviano, no Posto 6. Àquela altura, o casal já tinha um filho, Paulo, nascido em 4 de agosto de 1950. Em abril de 1953, Tom estreava em disco como compositor, com o samba-canção “Incerteza”, feito em parceria com Newton Mendonça e gravado por Mauricy Moura, cantor santista, discípulo de Silvio Caldas. Dois meses depois, emplacaria mais duas composições num 78 rotações de Ernani Filho: “Pensando em Você” e “Faz uma Semana”, esta em parceria com outro amigo de bairro, João Batista Stockler. Dali em diante, sua carreira só subiria de tom.
Tom ainda teria de esperar mais um ano e três gravações para saborear seu primeiro sucesso:“Tereza da Praia”, samba-canção composto de parceria com Billy Blanco na medida para desfazer os boatos de que Lúcio Alves e Dick Farney se detestavam mutuamente. Ao contrário do que muitos acreditavam, não se tratava de uma homenagem à Thereza Jobim, embora as duas Terezas tivessem “uma pinta do lado”.
1954 foi um ano venturoso para Tom. Só o fato de a Continental passar a produzir LPs de dez polegadas abriu-lhe novas perspectivas, tornando possível registrar em disco os onze movimentos de uma sinfonia, burilada a quatro mãos com Billy Blanco. Era uma exaltação ao Rio, falando do mar, das montanhas, do sol e do cotidiano da cidade, com arranjos de Gnatalli e canções interpretadas pela fina flor do rádio e do disco, como Farney, Lúcio, Elizete Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Jorge Goulart, Nora Ney e Emilinha Borba. “Sinfonia do Rio de Janeiro” não entrou nas paradas de sucesso mas consolidou a reputação de Tom como o mais promissor talento de sua geração.
No dia em que seu pupilo completou 28 anos, Gnatalli o presenteou com um convite tentador: participar do prestigioso programa da Rádio Nacional, “Quando os Maestros se Encontram”. Tom apresentou-se regendo uma peça sinfônica de sua autoria, “Lenda”, dedicada à memória do pai e que nunca seria gravada. Em maio, a primeira parceria com Dolores Duran, “Se É Por Falta de Adeus”, entrou para o repertório de Dóris Monteiro. Apesar de assoberbado por encomendas (fez arranjos para Dora Lopes, Juanita Cavalcante, Edu da Gaita, Elizete Cardoso, Orlando Silva, Dalva de Oliveira e participou como pianista de um LP de Luiz Bonfá), ainda encontrou tempo para nova mudança de endereço (agora para o apartamento 201 do mítico prédio da rua Nascimento Silva, 107, em Ipanema). No fim do ano, a recompensa: na lista dos melhores arranjadores da temporada, escolhidos pelo crítico Ary Vasconcellos, Tom dividiu a segunda colocação com Pixinguinha e Renato de Oliveira.
De tanto insistir, Harold Morris, o inglês que dirigia a Odeon, acabou convencendo Tom a aceitar o cargo de diretor artístico da gravadora, a maior do país naquela época. Não demorou a confirmar a desconfiança de que as novas funções prejudicariam suas atividades musicais. Morris implorou para que ele ficasse, Tom, contudo, preferiu no momento certo passar o bastão a um brasileiro recém-chegado dos EUA, Aloysio de Oliveira. Tamanho foi seu alívio ao deixar a Odeon que, ao ser apresentado ao substituto, não conteve o desabafo: “Ainda bem que você chegou”. Mais tarde, em casa, extravasou seu desafogo num poema.
Tom já estaria no lucro se só tivesse feito amizade com Aloysio de Oliveira naquele ano, mas a generosidade dos deuses lhe reservara outra preciosa aproximação para 1956. Ele e Vinícius de Moraes já se conheciam de vista há algum tempo, pois ambos freqüentavam o Clube da Chave, onde Tom vez por outra apresentava-se ao piano. Vinícius também já o vira tocar na boate Tudo Azul. O encontro definitivo, no bar Villariño, no centro do Rio, foi um presente de Lúcio Rangel, velho amigo do poeta. Vinícius procurava alguém para compor a música de uma ópera negra carioca, intitulada “Orfeu da Conceição”, transposição do mito de Orfeu para uma favela, e foi pedir sugestões a Rangel, pois o parceiro em vista, Vadico, desistira da empreitada por não se julgar “à altura” do projeto. Tom topou na hora criar as músicas da tragédia, não sem antes cometer uma pequena gafe. Nascia ali uma das amizades mais instantâneas, fraternais, prolíficas e duradouras da história da música popular brasileira.
No apartamento da Nascimento Silva, mais tarde celebrizado por Toquinho e Vinícius no samba “Carta a Tom 74”, Tom e Vinícius iniciaram logo a faina de “Orfeu da Conceição”. Os dois ou três primeiros sambas foram descartados; eram ruins. Tão logo se entrosaram, saiu uma obra-prima, “Se Todos Fossem Iguais a Você”. E, em seguida, “Mulher Sempre Mulher”, “Um Nome de Mulher”, “Eu e Meu Amor” e “Lamento do Morro”. Após três meses de ensaios, a peça, com Haroldo Costa no papel de Orfeu, estreou no Teatro Municipal do Rio em 25 de setembro de 1956, com lotação esgotada, permanecendo em cartaz até o dia 30. Raras vezes uma encenação brasileira contara com uma equipe tão eclética e talentosa. A imprensa reagiu com entusiasmo. Em 1º de outubro, por iniciativa de Aloysio de Oliveira, a Odeon lançou um LP de dez polegadas com a trilha musical do espetáculo, com Roberto Paiva emprestando sua voz a Orfeu. Em novembro, “Orfeu da Conceição” voltaria à cena no teatro República, durante um mês, a preços populares.
No ano seguinte, numa produção do francês Sacha Gordine, dirigida por Marcel Camus, a partir de um roteiro assinado por Jacques Viot e repudiado por Vinícius, a peça começaria ser filmada no Rio, com o título de “Orphée Noir” (Orfeu Negro) e novo elenco. Com temas adicionais de Bonfá e Antonio Maria, arrebataria o júri do Festival de Cannes de 1959, que lhe daria a Palma de Ouro, e os membros da Academia de Hollywood, que o elegeram o “melhor filme estrangeiro” daquele ano. Vinícius detestou não apenas o filme, mas sobretudo a maneira como os franceses se apossaram das músicas da peça.
Antes de decepcionar-se com “Orfeu Negro”, Tom foi convidado pelo selo Festa para musicar a versão em disco de “O Pequeno Príncipe”, de Antoine du Saint-Exupéry, estrelado por Paulo Autran, estreou na televisão, dividindo a batuta do programa semanal “Noite de Gala”, da TV Rio, com o maestro Osvaldo Borba, ganhou o prêmio de melhor compositor, da Prefeitura do então Distrito Federal, e viu nascer sua filha Elizabeth, no dia 26 de agosto.
Corria ainda o ano de 1957 quando reencontrou um conhecido baiano que há muito não via, pois ele trocara o Rio por Porto Alegre, retornando a Salvador. Agora estava de volta ao Rio. O baiano era João Gilberto. Chegou mostrando duas composições inéditas: “Bim-Bom” e “Oba-lá-lá”. Tom nem prestou atenção nas letras. Impressionado com a batida diferente do violão do João, quis saber onde ele aprendera a tocar daquele jeito. “Tirei dos requebros das lavadeiras de Juazeiro”, respondeu o baiano. Era por aquela batida que a Bossa Nova estava esperando para poder nascer.
O mesmo Villariño onde se formara a dupla Tom & Vinícius abrigaria, em 1958, outro encontro histórico, envolvendo a dupla e Elizeth Cardoso. Daquela vez o padrinho foi Irineu Garcia, idealizador do selo Festa. Num complicado arranjo, que envolveu os irmãos Vitale, donos de uma das maiores editoras de música do país, e a gravadora Copacabana, que tinha Elizete Cardoso sob contrato, Garcia conseguiu que a cantora, a princípio arredia à idéia, aceitasse gravar um LP só com temas de Tom & Vinícius e uma roupagem orquestral altamente sofisticada. Tom escalou um escrete de instrumentistas, usou trompa, oboé, até clarone, e fez questão de incluir João Gilberto e sua batida nas faixas “Chega de Saudade” e “Outra Vez”. Gravado no estúdio da Columbia, “Canção do Amor Demais” foi lançado na primeira semana de julho e teria uma de suas faixas (“Eu Não Existo Sem Você”) aproveitada numa cena de festa do filme “Pista de Grama”.
Meses depois, mais duas cantoras gravam LPs só com músicas de Tom: Lenita Bruno (“Por Toda Minha Vida”, espécie de versão erudita de “Canção do Amor Demais”, com arranjos de Leo Peracchi) e Silvinha Telles (“Amor de Gente Moça”, com arranjos de Tom e Lindolfo Gaya). Nenhuma delas, porém, causou o mesmo impacto do disco “Chega de Saudade”, com João Gilberto, que Tom convencera Aloysio a gravar na Odeon. Distribuído às lojas em março, marcou o lançamento oficial da Bossa Nova, até porque dele fazia parte o samba-manifesto “Desafinado”. Meses depois, num programa de televisão, o exigente Ary Barroso, que no início torcia o nariz para a Bossa Nova, não se conteve e sentenciou: “Tom Jobim é, disparado, o melhor de todos os novos compositores brasileiros”.
O mais ocupado, sem dúvida, ele era. Ao longo de 1959, Tom começa a pensar numa nova sinfonia, participa de outro filme, “Pluft, o Fantasminha”, adaptado da peça infantil de Maria Clara Machado, para o qual compôs a trilha musical, e durante meses faria as honras de um programa semanal de entrevistas, “O Bom Tom”, na TV Paulista, que, dirigido por Carlos Thiré, alcançaria o segundo lugar em audiência na capital paulista.
A nova sinfonia entrara em sua vida em 1958. Como a primeira, dedicada ao Rio de Janeiro, também foi encomendada—no caso, pelo pianista Bené Nunes, a pedido do presidente Juscelino Kubitschek, que sonhava com um poema sinfônico em homenagem a Brasília, a nova capital do país, inaugurada em 21 de abril de 1961. Acompanhado de Vinícius, que se incumbiria de escrever o recitativo da sinfonia, Tom viajou até o Planalto Central para sentir de perto o clima da região onde a Novacap estava sendo erguida. De lá voltou com os cinco movimentos de “Brasília, Sinfonia da Alvorada” na cabeça. Planejada para um espetáculo de luz e som, acabou tendo sua festiva execução pública cancelada, por falta de verba. Só em disco pôde ser ouvida durante algum tempo. Apenas duas vezes ela seria apresentada diante de uma platéia: em 1966, pela TV Excelsior de São Paulo, e em 1986, na Praça dos Três Poderes, regida por Alceu Bocchino, com Radamés Gnatalli ao piano e Tom e Susana de Moraes lendo o recitativo de Vinícius.
Enquanto a capital se mudava para Brasília, João Gilberto lançou seu segundo LP, “O Amor, o Sorriso e a Flor”, com seis composições de Tom, três das quais em parceria com Newton Mendonça: “Meditação”, “Discussão” e o paradigmático “Samba de uma Nota Só”, que se transformaria numa espécie de hino da Bossa Nova. Após o terceiro LP, simplesmente intitulado “João Gilberto”, com três músicas de Tom, entre as quais a inédita “Insensatez”, o cinema volta a seduzir o compositor, que compõe a trilha musical de “Porto das Caixas”, de Paulo César Saraceni, e participa como ator, ao lado de João Gilberto, do filme italiano rodado no Rio, “Copacabana Palace”, com Mylène Demongeot, para o qual também fez a trilha musical.
Ao palco Tom só retornaria em meados de 1962, quando o empresário Flávio Ramos convidou Aloysio de Oliveira para montar um pocket show na boate Au Bon Gourmet, que acabara de comprar em Copacabana. No memorável show, intitulado “Encontro” e estrelado por Tom, Vinícius (que pela primeira vez cantou em público), João Gilberto e o conjunto vocal Os Cariocas, foram lançados cinco dos maiores clássicos da Bossa Nova: “Só Danço Samba”, de Tom e Vinícius; “Samba do Avião”, de Tom; “Samba da Benção” e “O Astronauta”, de Baden e Vinícius; e, por fim, o maior sucesso da dupla Tom-Vinícius, “Garota de Ipanema”, que só sairia em disco no ano seguinte, conquistando de roldão duas dezenas de intérpretes, entre os quais o cantor Pery Ribeiro, o Tamba Trio, a cantora Claudette Soares e diversos grupos instrumentais, daqui e do exterior.
No mesmo mês em que estreou o show do Au Bon Gourmet, o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd gravaram o LP “Jazz Samba”, que permaneceria diversas semanas no Hit Parade. Numa das faixas, uma versão instrumental de “Desafinado”, que só naquele ano ganharia nos EUA uma dezena de intérpretes, vários deles jazzísticos, como Lalo Schifrin, Quincy Jones, Coleman Hawkins e Dizzy Gillespie. Não dava mais para evitar o inevitável: dali em diante, a Bossa Nova faria da América a sua segunda pátria. E o melhor que os bossanovistas tinham a fazer era mostrar ao vivo para os gringos como era mesmo que se tocava aquele sambinha feito de uma nota só.
A apresentação oficial da Bossa Nova aos americanos teve como palco o Carnegie Hall de Nova York, num concerto promovido em 21 de novembro de 1962 pelo consulado brasileiro e Sidney Frey, dono da gravadora Audio Fidelity. A representação do Instituto Brasileiro do Café em Nova York assumiu as despesas de hospedagem dos artistas e a Varig dividiu com o Itamarati o custeio das passagens aéreas. Tom não queria ir e só aterrissou em Nova York no dia do show, cuja repercussão, em Nova York e no Brasil, ficou muito aquém das expectativas mais otimistas. O próprio Tom achou o espetáculo um primor de desorganização. Aloysio de Oliveira pensara num show pequeno, bonito e bem montado, apenas com Tom, João Gilberto, Luiz Bonfá, Agostinho dos Santos, Sérgio Mendes e Oscar Castro Neves. Mas Frey fez corpo mole e aceitou convidados e bicões em demasia.
Tom não foi o único a permanecer em Nova York depois do concerto. João Gilberto e Sérgio Ricardo também ficaram. Tom mandou buscar Thereza e com ela hospedou-se no hotel Diplomat até julho, quando voltaram para o Brasil de navio cargueiro. Doze dias após o show do Carnegie Hall Tom apresentou-se no templo jazzístico nova-iorquino The Village Gate e, 48 horas mais tarde, no Listener’s Auditorium, em Washington, diante de duas mil pessoas, entre as quais o crítico de música do jornal “Washington Post”, que o cobriu de elogios. Apareceu em seguida num programa de TV com o saxofonista Gerry Mulligan.
Os convites eram muitos, mas dinheiro, que é bom, nada. Para defender melhor seus direitos, Tom criou, por insistência de Thereza, a editora Corcovado Music. E foi à luta. Para a Verve gravou seu primeiro disco americano, o instrumental “Antonio Carlos Jobim—The Composer of Desafinado Plays”, acompanhado de grande orquestra, e solou ao piano nos LPs “Jazz Samba Encore!” (com Stan Getz, Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo) e “Getz/Gilberto” (com Getz, Joâo Gilberto e Astrud Gilberto). Por intermédio de Aloysio de Oliveira, aproximou-se de Ray Gilbert, que, sabedor das restrições que Tom fazia às versões para o inglês que Norman Gimble, Gene Lees e a dupla Jon Hendricks/Jeff Cavanaugh haviam feito de algumas de suas músicas, ofereceu seus serviços como letrista — e editor. Nem as letras em inglês das músicas de Tom melhoraram de qualidade, escritas por Gilbert, nem ele ficou rico.
Quando o casal Jobim chegou de volta ao Rio, em meados de 1963, Aloysio já havia criado a Elenco, que Tom procurou ajudar de tudo quanto foi jeito. Depois de participar do LP “Bossa Nova York”, com Sérgio Mendes, Art Farmer, Phil Woods e Hubert Laws, gravado pela Elenco em Manhattan, aceitou de bom grado uma sugestão de Aloysio: um encontro com Dorival Caymmi e os filhos do compositor baiano, Danilo, Nana e Dori. “Caymmi Visita Tom” marcaria a estréia de Tom como cantor, em disco. Quando 1964 chegou ao fim, Tom recebeu três prêmios Grammy: pela autoria de “Desafinado” e “Garota de Ipanema” e pelos arranjos de “Brazil’s Brilliant João Gilberto”.
Uma longa temporada na Costa Oeste dos EUA o esperava em 1965. Até shows em Lake Tahoe ele fez. Por três vezes deu o ar de sua graça no programa de TV do cantor Andy Williams, uma delas na companhia de Caymmi, cuja valsa “Das Rosas” Williams alçara recentemente às paradas de sucesso. Aproveitou a temporada para realizar um sonho de todo músico de sua geração, gravar um disco com Nelson Riddle, o arranjador favorito de Frank Sinatra. Apesar das qualidades de “The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim”—no qual “Surfboard” e “Bonita” (dedicada à atriz Candice Bergen) foram lançadas—, Tom continuou preferindo (ou sentindo muito mais afinidade com) Claus Ogerman, à cuja sombra faria outro disco, desta vez para a Warner, “A Certain Mr. Jobim”, que demoraria dez anos para ser lançado no Brasil.
Meses depois, enquanto tomava chope com amigos no mesmo bar celebrizado por “Garota de Ipanema”, Tom recebeu o mais surpreendente telefonema de sua vida. Do outro lado da linha, ninguém menos que Frank Sinatra. “The Voice” queria gravar um disco só com músicas de Tom, que topou na hora. Foi uma conversa curta. Quando se recuperou da surpresa, Tom lembrou-se da esnobada que um editor nova-iorquino lhe dera três anos antes, envolvendo indiretamente a figura de Sinatra.
Em janeiro de 1967 hospedou-se no Sunset Marquis de Los Angeles para dar início ao trabalho, afinal adiado porque Sinatra refugiara-se em Barbados para esquecer mais uma desavença conjugal com Mia Farrow. Enquanto esperava, repassou todos os arranjos com Ogerman, compôs mais duas músicas (“Wave” e “Triste”) e quase morreu de tédio.
As gravações de “Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim” começaram às 20h do dia 30, no Studio One da Warner Western Sound, em Sunset Strip. Por precaução, Sinatra gravou primeiro duas das três canções americanas incluídas no repertório, “Baubles, Bangles and Beads” e “I Concentrate on You”, com as quais só não tinha intimidade em ritmo de Bossa Nova. A primeira de Tom que ele encarou foi “Dindi”, seguida de “Change Partners”. A última faixa da noite foi “Inútil Paisagem”. Apesar do natural nervosismo do brasileiro, a sessão transcorreu num clima de extrema afabilidade. Nas duas noites seguintes não seria diferente.
A crítica americana elegeu o encontro de Sinatra e Jobim o álbum do ano. Nas vendas perdeu apenas para “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Um segundo disco com os dois seria gravado dois anos depois, com o título de “Sinatra & Company”, com arranjos de Eumir Deodato. Àquela altura, Tom e o cantor já haviam se tornado amigos. Quando dos preparativos de um especial sobre Sinatra, A Man and His Music, co-estrelado por Ella Fitzgerald, para a rede de televisão NBC, em setembro de 1967, Francis Albert não se esqueceu de convidar Antonio Carlos. Sinatra, aliás, abriu o programa cantando “Corcovado”.
Quando o especial com Sinatra foi ao ar, em novembro, Tom já havia computado outro feito histórico: sua primeira parceria com Chico Buarque, “Retrato em Branco e Preto”, que lá fora, em versão instrumental, já era conhecida com o título de “Zingaro”. Outra façanha teria acrescentado ao seu currículo naquele ano se tivesse cedido aos insistentes apelos do cineasta Glauber Rocha para protagonizar o filme “Terra em Transe”.
Por uns tempos Chico Buarque seria o novo Vinícius de Tom. Juntos apareceram num show (“Discomunal”), ao lado de Deodato, Baden Powell e outros, inaugurando uma temporada cujo ponto alto seria a inesperada vitória de “Sabiá” no III Festival Internacional da Canção. Tom e Chico nem pretendiam participar do festival. Inscrever “Sabiá” foi a saída que Tom encontrou para livrar-se de um fardo, para ele, ainda mais pesado: ser membro do júri que apontaria as canções vencedoras. O triunfo da nova parceria de Tom e Chico teve o efeito de uma bomba e as feridas que abriu não cicatrizaram de um dia pro outro.
No festival seguinte, outra bomba. Irritados com os desmandos da censura, Vinícius, Chico, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcos Valle, Sérgio Ricardo, Paulinho da Viola, Rui Guerra, José Carlos Capinam, Baden Powell, Milton Nascimento, Egberto Gismonti e outros decidiram boicotar o evento. Tom adere ao boicote e entra para a lista negra da ditadura militar, que desde 1964 se perpetuava no poder e em 1970 mandou prendê-lo “para prestar depoimentos”. A situação política do país se agravava e Tom encontrou sua válvula de escape na tela, compondo trilhas musicais para filmes brasileiros (“A Casa Assassinada”, pela qual seria premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Brasília em 1971) e estrangeiros (“Os Aventureiros”, cujos temas escreveu numa luxuosa casa de três andares em Londres, alugada pela Paramount).
Uma das faixas da trilha de “Os Aventureiros”, uma valsa intitulada “Children’s Game”, seria incorporada ao LP “Stone Flower”, com letra em português e outro nome, “Chovendo na Roseira” (“Double Rainbow” para os americanos). De certo modo, estava oficialmente inaugurada a fase ecológica de Tom Jobim, que duraria mais do que os quatro anos (1972-1976) em que lançou “Águas de Março” e dois LPs com nomes de pássaros, “Matita Perê” e “Urubu”, recheados de canções inspiradas ou voltadas para a natureza, como “Sabiá”, “Tempo do Mar”, “Rancho nas Nuvens”, “Nuvens Douradas”, “Boto” e “Correnteza”.
Escrita no retiro de Poço Fundo e lançada de forma singular — num compacto encartado na primeira edição do “Disco de Bolso do Pasquim”— “Águas de Março” se transformaria num dos mais instantâneos e retumbantes sucessos do compositor. Na gravação original, feita na Semana Santa de 1972, seu autor apenas cantou, acompanhado de quatro flautistas (Bebeto, seu filho, Paulinho Jobim, Franklin e Paulo Guimarães), João Palma na percussão, Novelli no contrabaixo e Eduardo Ataíde no violão. Só naquele ano, a nova obra-prima de Tom ganharia quase dez intérpretes, no Brasil e na América, nenhuma tão elogiada quanto a de Elis Regina em dueto com o autor, no LP “Elis & Tom”. Chico Buarque chegou a dizer que às vezes achava “Águas de Março” o samba mais bonito do mundo. Ao ouvir sua versão em inglês, feita pelo próprio Tom, o crítico Leonard Feather não se conteve: “É uma das dez músicas mais bonitas do século”.
No mesmo ano em que gravou o fundamental “Urubu”, com músicos da Sinfônica de Nova York e arranjos de Claus Ogerman, Tom conheceu Ana Beatriz Lontra, fotógrafa de 19 anos. Empolgou-se como um adolescente, cobriu-a de versos galantes, mas só começaram a namorar depois que Tom afinal separou-se de Thereza, em 1977. Em pouco tempo, Ana se ligaria ao namorado também profissionalmente, integrando um coral familiar por ele montado para um show no Canecão, que Aloysio de Oliveira produziu com mais três estrelas: Vinícius de Moraes (fazendo sua rentrée nos palcos cariocas após 15 anos de ausência), Toquinho e Miúcha (que acabara de gravar o LP “Miúcha & Antonio Carlos Jobim”). Ao lado de Ana, a filha de Tom, Beth, e três irmãs de Chico, Pii, Cristina e Bahia.
Tamanha foi a acolhida do público que o espetáculo, programado para ficar quatro semanas em cartaz, só saiu do Canecão oito meses depois, rumando para São Paulo, onde lotou o Anhembi durante um mês, e para o Uruguai, onde por várias noites agitou um cassino de Mar del Plata. Sua carreira, contudo, se estenderia até Paris (dez apresentações no Olympia) e várias cidades da Itália e Suiça. Mas antes de abafar na Europa com o show de Aloysio, Tom e Ana passaram três meses de lua-de-mel no hotel Adams de Nova York, onde Tom encontrou tempo para acrescentar mais duas pérolas ao seu patrimônio musical, “Você Vai Ver” e “Falando de Amor”. Também foi naquele hotel que ele escreveu a letra em inglês de “Águas de Março”.
De volta ao Brasil, Tom e Ana se acomodam, temporariamente, num hotel de Ipanema. Uma excursão à Europa, com o show do Canecão, interrompe, em dezembro, as gravações do Lp “Miúcha & Tom Jobim”, levando a turma ao Olympia de Paris e a várias cidades da Itália e Suiça. Antes de 1978 chegar ao fim, Tom e Ana alugam uma casa na rua Peri, no Jardim Botânico, onde irão morar os próximos seis anos. Nos quatro anos seguintes, Tom lançou o álbum duplo “Terra Brasilis”, reatou sua parceria com Chico Buarque, teve seu primeiro filho com Ana, João Francisco, dividiu um disco com Edu Lobo (“Tom & Edu, Edu & Tom”), ganhou o prêmio Shell de melhor compositor de 1982, começou a construir uma casa no alto do Jardim Botânico.
O começo da década de 80 foi marcado por homenagens à sua obra e à sua personalidade: além de um especial em quatro programas na TV Manchete, “A Música Segundo Tom Jobim”, dirigido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos, em 1984, foi nomeado conselheiro cultural do Estado do Rio de Janeiro pelo antropólogo e vice-governador Darcy Ribeiro. E também por uma intensa atividade no cinema e na televisão.A valsa “Luíza” foi tema da telenovela “Brilhante” e “Passarim”, uma das músicas que compôs para a minissérie “O Tempo e o Vento”. Para o filme de Arnaldo Jabor, “Eu Te Amo”, Tom fez uma valsa homônima, de parceria com Chico Buarque. Mas em “Gabriela” (1982), “Para Viver um Grande Amor” (1983) e “Fonte da Saudade” (1985) sua participação foi muito além do tema principal.
Outras trilhas sonoras para o cinema, contudo, tiveram de ser recusadas ou adiadas para que o maestro pudesse atender a um convite irrecusável: tocar acompanhado da ORF Sinfonietta de Viena, na Wienner Konzerthausgeselschaft. Receoso de um descompasso, pediu para levar o cantor e flautista Danilo Caymmi, o filho Paulo Jobim, o baixista Tião Neto e o baterista Paulo Braga. Dispensou os metais, substituindo-os por vozes femininas, as de Ana e Beth Jobim e Simone, mulher de Danilo. Estava formada a Banda Nova, que, logo acrescida do violoncelista Jaques Morelenbaum, sua mulher, Paula, e Maúcha Adnet, faria sucesso durante dez anos, inclusive fora do Brasil, sempre acompanhando o seu criador.
Em 1985, Tom voltou ao Carnegie Hall, onde cantou diante de 3 mil pessoas, abrindo uma longa temporada de shows, alguns no Brasil (Rio, São Paulo e Salvador), outros na Europa (nos festivais de Gasteiz e Montreux, em Madri), que se prolongaria, no ano seguinte, com uma apresentação no Avery Fisher Hall, de Nova York, com a Banda Nova e os violonistas Carlos Barbosa Lima e Sharon Isbin, outra no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, seguidas de um turnê pela costa oeste dos Estados Unidos, Canadá e Japão. Entre uma viagem e outra, ainda encontrou tempo para participar, ao lado de Astor Piazzola, de um especial de Caetano Veloso e Chico Buarque para a TV Globo, receber a comenda de Grand Commandeur des Arts et des Lettres do governo francês, entregue, pessoalmente, em Brasília, pelo ministro da Cultura da França, Jack Lang, pôr música em dois poemas de Fernando Pessoa, compor "Pato Preto" para um documentário norueguês ("Man at Play”) sobre brincadeiras de crianças em todo o mundo, terminar a música da minissérie da TV Globo, "Anos Dourados", e iniciar as gravações do LP "Passarim", pelo qual ganharia o seu primeiro disco de ouro.
1987 foi o ano em que Tom começou sexagenário e, como ele próprio gostava de dizer, pai-avô, pois em março nasceu Maria Luiza Helena, sua filha com Ana Jobim. Em homenagem aos seus 60 anos, a TV Globo dedicou-lhe um especial, "Antônio, o Brasileiro", gravado no Brasil e nos Estados Unidos, e a Companhia Brasileira de Projetos e Obras, do grupo Odebrecht, ofereceu de brinde natalino um álbum biográfico, escrito por Sérgio Cabral, acompanhado de um disco duplo, produzido pelo pesquisador Jairo Severiano, no qual Tom passava em revista alguns de seus clássicos, com novos arranjos. O livro seguinte seria uma produção doméstica: "Ensaio Poético", com fotos de Ana Jobim, patrocinado pela IBM e lançado pela Record em 1988, pouco antes de chegar às livrarias uma coletânea de textos e poemas de Tom, editada pela Expressão e Cultura, "Jardim Botânico do Rio de Janeiro” e ilustrada com fotos de Zeca Araújo.
Para celebrar o jubileu de prata da gravação de Astrud de “Garota de Ipanema”, montou-se no Carnegie Hall uma grande festa na noite de 15 de março de 1989, com a presença de seu autor. Em 25 anos, “Garota de Ipanema” ultrapassara as 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos. Apesar de três grandes perdas afetivas naquele período (Vinicius, em julho de 1980, D. Nilza, em novembro de 1989, e tio Marcelo algumas semanas depois), a década de 80 fechou de forma auspiciosa para Tom Jobim. A de 90 seria dedicada, em grande parte, a apresentações em público no Brasil e turnês pelo mundo. Todos queriam ouvir e ver de perto o Michelangelo da bossa nova.
Janeiro de 1990 começou, para ele, com um show em homenagem a Vinicius, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, seguido de outro, com Milton Nascimento e Chico Buarque, marcando a inauguração da Universidade Livre da Música, em São Paulo, para a qual Tom foi nomeado reitor e, depois, presidente de seu Conselho Diretor. Quando, nos primeiros dias de fevereiro, lançaram no Brasil o disco “Família Jobim”, ele já estava de volta a Nova York, onde ficaria quatro meses, só retornando para participar do Festival de Inverno de Campos de Jordão, no interior de São Paulo, e num espetáculo montado por Roberto de Oliveira, no Memorial da América Latina, na capital paulista. Em novembro, dividiu com Caetano Veloso o palco, os aplausos e o prêmio Tenco do Festival de San Remo, na Itália. Convidado pelo compositor Sammy Cahn, ingressou no fechadíssimo Hall of Fame da música popular americana, ao lado de Cole Porter, Irving Berlin, os irmãos George e Ira Gershwin e o francês Michel Legrand. De volta ao Rio, em dezembro, apresentou-se no Scala, do Rio, onde oficialmente foram lançados os três volumes do Songbook editado pela Lumiar, de Almir Chediak.
Nascido no dia em que São Paulo também faz anos, Tom aceitou de bom grado o convite de Roberto de Oliveira para estrelar um show no ginásio Ibirapuera, em 25 de janeiro de 1991, afinal assistido por 28 mil pessoas. Para que os cariocas não ficassem com ciúmes, acertou com a prefeitura do Rio um espetáculo pelos 426 anos da cidade, em 1º de março, na ponta do Arpoador, praia de sua infância. Algumas semanas mais tarde, subiria outra vez ao palco do Carnegie Hall para participar de um encontro musical em prol da Fundação Mata Virgem, organização não-governamental criada por Sting. No segundo semestre, ao longo do qual compôs o fox “Querida” para a telenovela de Gilberto Braga, “O Dono do Mundo”, Tom só faria shows no Brasil: no Canecão (em junho), no teatro Guararapes, de Recife (em julho), no Rio Centro (com a família Caymmi) e na quadra da Mangueira, para arrecadar fundos para o próximo desfile carnavalesco da escola.
Tom tinha um interesse especial no próximo desfile da Mangueira. Afinal de contas, ele era o tema de seu samba-enredo, “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Entusiasmado com a homenagem (“Foi como se tivesse conquistado o Prêmio Nobel da Paz”), retribuiu com um samba, “Piano na Mangueira”, composto de parceria com Chico Buarque. Novas emoções em público o esperavam nos meses que se seguiram ao desfile no Sambódromo: o show de abertura da Exposição Internacional de Sevilha, na Espanha, outro, para 5 mil pessoas, no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, o grand finale da Rio Eco-92, no estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, e um espetáculo em torno do músico belga Toots Thielemans em Los Angeles. Culminando, em dezembro, com um reencontro de Tom e João Gilberto, no palco do Teatro Municipal do Rio e do Palace, em São Paulo, para comemorar os 30 anos do primeiro concerto de bossa nova no Carnegie Hall, que se transformou no especial de fim de ano da TV Globo, dirigido por Walter Salles Jr. e Boninho.
Outro especial para a televisão o esperava no início do ano seguinte: “Tom & Milton”, produzido para a Bandeirantes, com Milton Nascimento. As câmeras não o deixavam em paz. Nos últimos dias de janeiro, participara de um documentário de Rodolfo (Dodô) Brandão com mais três ilustres Antonios: o crítico literário Antonio Candido, o escritor Antônio Callado e o lexicógrafo e acadêmico Antônio Houaiss — justamente intitulado “Três Antônios e Um Jobim”. Em favor de Callado, a quem muito admirava, desistiria de concorrer, oito meses depois, à cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Letras, que pertencera a Austregésilo de Athayde. E a ABL passou a ter, pelo menos, dois Antônios (Houaiss e Callado) e nenhum Jobim. Seu único silogeu continuou sendo a Academia Nacional de Música Popular Americana, a que pertencia desde 1990.
Com um tributo à sua obra, no Free Jazz Festival, de que participaram Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks, Gal Costa e Oscar Castro Neves, e um novo disco, Tom encerrou a temporada de 1993. O novo disco, “Antonio Brasileiro”, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting, também seria o último de sua carreira. Parecia mesmo uma despedida, com a presença recorde de familiares: além dos habituais (Ana, Paulo e Beth), o neto Daniel e a filha Maria Luíza, de sete anos, cantando com o pai “Samba Para Maria Luiza”. O disco só seria lançado em novembro de 1994. Até lá, Tom faria mais três shows e entraria apenas uma vez num estúdio de gravação.
Em duas noites seguidas de abril, reapareceu no Carnegie Hall: na primeira, para comemorar os 50 anos da Verve, na companhia de Pat Metheny, Joe Henderson, Charles Haden e Al Foster; na segunda, para promover a Rainforest Foundation, ao lado de Sting, Elton John e Luciano Pavarotti. Em maio, daria, em Jerusalém, seu último espetáculo, passando os quatro meses seguintes no Rio, onde preferiu gravar a faixa (“Fly Me To the Moon”) que lhe coube no segundo disco de duetos de Frank Sinatra, “Duets II”. Em 15 de setembro, três dias após gravar sua parte no dueto com Sinatra, viajou até Nova York para submeter-se a uma angioplastia e avaliar o grau de comprometimento de seu sistema circulatório. Por motivos de saúde, cancelou uma gravação que agendara com Joe Henderson. Receosa de não conseguir sua presença no lançamento de um projeto que reunia um livro sobre a Mata Atlântica, com texto de Tom e 50 fotos de Ana Jobim, e um vídeo, “Mata Atlântica—Visão do Paraíso”, produzido por Walter Salles Jr. e dirigido por Flávio Tambellini, a editora Index adiou tudo para junho do ano seguinte. Num dos vários exames a que Tom se submeteu, detectaram um tumor maligno em sua bexiga—e uma cirurgia foi marcada para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center. No dia 8, enquanto convalescia da cirurgia, teve uma parada cardíaca, às 8h. A segunda, duas horas depois, provocada por uma embolia pulmonar, lhe seria fatal.
Seu corpo desembarcou no Rio no dia 9 e foi velado no Jardim Botânico, dali seguindo para o cemitério de São João Batista, após desfilar em cortejo pela cidade que ele tanto amou e cantou em suas canções.
“A morte de Tom Jobim não foi apenas a queda de uma árvore, foi a derrubada de uma floresta”, escreveu Arnaldo Jabor, resumindo à perfeição um sentimento universal.
Fontes: Site Oficial Tom Jobim - Uol, Site Oficial Vinicius de Moraes.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Telma Costa
(Juiz de Fora/MG, 17 de novembro de 1953 ----------- Rio de Janeiro/RJ, 7 de novembro de 1989)
Telma Correa Costa da Cunha era filha caçula de Maria Aparecida Correa Costa, pianista e professora de piano e canto coral do Conservatório de Juiz de Fora e irmã das compositoras Sueli Costa e Lisieux Costa. Era também mãe da cantora Fernanda Cunha.
Iniciou sua carreira artística em sua cidade natal, integrando, com suas irmãs, Sueli e Lisieux, o grupo vocal Trieto. Aos 15 anos de idade, foi convidada por Chico Buarque para dividir com o compositor a interpretação da música "Sem fantasia", em show realizado no Clube de Juiz de Fora.
Em 1971, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira profissional. Integrou, ao lado de Miucha, Olívia Hime e Elizabeth Jobim, o grupo vocal que participou de shows de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Atuou em casas cariocas, como Special e People, entre outras, e na Sala Funarte, ao lado do compositor Tite de Lemos. Em 1978, gravou no LP "Vida de artista", da compositora Sueli Costa, a faixa "Quatro de dezembro", que contou com arranjo de Dori Caymmi.
Em 1980, gravou em dueto com Chico Buarque a canção "Eu te amo", parceria do compositor com Tom Jobim, faixa incluída no LP "Vida", posteriormente lançado no exterior com o título "En español". Em 1983, lançou seu primeiro LP, "Telma Costa", contendo as músicas "Coisa feita" (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio), "Lembra" (Ivan Lins e Vitor Martins), "Ilusão" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), "Fruta boa" (Milton Nascimento e Fernando Brant), "Não vale mais chorar" (Toninho Horta e Ronaldo Bastos), "Certeza da beleza" (Caetano Veloso), faixa que contou com a participação do compositor, "Adoração" (Lisieux Costa e Tite de Lemos), "Espelho das águas" (Tom Jobim), "Sem dor" (Danilo Caymmi e Helena Jobim) e "Chuá chuá" (Pedro Sá Pereira e Ary Pavão). Os arranjos foram assinados por César Camargo Mariano.
Ainda na década de 1980, gravou o "Bar Academia", programa solo especial, realizado pela TV Manchete. Nessa mesma emissora, participou de um especial sobre o compositor Tom Jobim, no qual cantou, em dueto com Chico Buarque, a música "Eu te amo". Os dois foram acompanhados pelo próprio Tom ao piano.
Atuou em trilhas sonoras de novelas, registrando as canções "Fruta boa", de Milton Nascimento e Fernando Brant, para a novela "Paraíso" (Rede Globo/1982), de Benedito Ruy Barbosa, e "Adoração" (Lisieux Costa e Tite de Lemos), para a novela "Eu prometo" (Rede Globo/1983), de Janete Clair, e do filme "Inocência" (1983), de Walter Lima Júnior, registrando a canção "Azulão" (Jayme Ovalle e Manoel Bandeira).
Faleceu prematuramente em 1989.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
Telma Correa Costa da Cunha era filha caçula de Maria Aparecida Correa Costa, pianista e professora de piano e canto coral do Conservatório de Juiz de Fora e irmã das compositoras Sueli Costa e Lisieux Costa. Era também mãe da cantora Fernanda Cunha.
Iniciou sua carreira artística em sua cidade natal, integrando, com suas irmãs, Sueli e Lisieux, o grupo vocal Trieto. Aos 15 anos de idade, foi convidada por Chico Buarque para dividir com o compositor a interpretação da música "Sem fantasia", em show realizado no Clube de Juiz de Fora.
Em 1971, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira profissional. Integrou, ao lado de Miucha, Olívia Hime e Elizabeth Jobim, o grupo vocal que participou de shows de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Atuou em casas cariocas, como Special e People, entre outras, e na Sala Funarte, ao lado do compositor Tite de Lemos. Em 1978, gravou no LP "Vida de artista", da compositora Sueli Costa, a faixa "Quatro de dezembro", que contou com arranjo de Dori Caymmi.
Em 1980, gravou em dueto com Chico Buarque a canção "Eu te amo", parceria do compositor com Tom Jobim, faixa incluída no LP "Vida", posteriormente lançado no exterior com o título "En español". Em 1983, lançou seu primeiro LP, "Telma Costa", contendo as músicas "Coisa feita" (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio), "Lembra" (Ivan Lins e Vitor Martins), "Ilusão" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), "Fruta boa" (Milton Nascimento e Fernando Brant), "Não vale mais chorar" (Toninho Horta e Ronaldo Bastos), "Certeza da beleza" (Caetano Veloso), faixa que contou com a participação do compositor, "Adoração" (Lisieux Costa e Tite de Lemos), "Espelho das águas" (Tom Jobim), "Sem dor" (Danilo Caymmi e Helena Jobim) e "Chuá chuá" (Pedro Sá Pereira e Ary Pavão). Os arranjos foram assinados por César Camargo Mariano.
Ainda na década de 1980, gravou o "Bar Academia", programa solo especial, realizado pela TV Manchete. Nessa mesma emissora, participou de um especial sobre o compositor Tom Jobim, no qual cantou, em dueto com Chico Buarque, a música "Eu te amo". Os dois foram acompanhados pelo próprio Tom ao piano.
Atuou em trilhas sonoras de novelas, registrando as canções "Fruta boa", de Milton Nascimento e Fernando Brant, para a novela "Paraíso" (Rede Globo/1982), de Benedito Ruy Barbosa, e "Adoração" (Lisieux Costa e Tite de Lemos), para a novela "Eu prometo" (Rede Globo/1983), de Janete Clair, e do filme "Inocência" (1983), de Walter Lima Júnior, registrando a canção "Azulão" (Jayme Ovalle e Manoel Bandeira).
Faleceu prematuramente em 1989.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
Trigêmeos Vocalistas
(Armando Carezzato - São Paulo, 1917) - (Raul Carezzato - São Paulo, 25-3-1921 ------- São Gonçalo/RJ, 27-6-2009) - (Umberto Carezzato, 25-3-1921 ------- Rio de Janeiro/RJ, 6-12-2007)
Depois de se apresentarem individualmente desde crianças, apareceram como o Trio Carezzato, no programa de calouros dirigido por Nilo Melo, no Teatro Colombo, de São Paulo. Foram então contratados para se apresentar na boate Tabu e na Rádio Difusora, de São Paulo, mudando o nome para Os Trigêmeos Vocalistas.
O conjunto foi criado em 1937 pelos irmãos Armando Carezzato e os gêmeos Raul e Umberto, de uma enorme família italiana que morava no Brás, entre a rua Oriente e o alto do Pari. Umberto era o crooner e o cavaquinho, Raul o baixo, e tocava ritmo e flauta, Armando a terceira voz e violão tenor. O sapateado era feito por Umberto e Raul.
Em 1939 foram contratados por Raul Roulien -- cantor brasileiro que fizera sucesso em Hollywood -- para uma temporada no Cassino Atlântico, do Rio. Seu primeiro grande sucesso foi "Linda Baiana", de autoria do trio e de Álfio Miranda. Seu maior sucesso foi o "Sarita" - "adeus Sarita / vou partir para a fronteira / vou levar minha boiada / pra vender lá na feira / Com o dinheiro dessa venda / eu vou comprar / mais uma linha fazenda / e contigo namorar".
O conjunto apresentou-se em Punta del Este e La Ascensión, Uruguai, atuando ainda com Geysa Bôscoli em Buenos Aires, Argentina, fazendo parte do elenco da Rádio Nacional.
Estrearam no Cassino da Urca em 1942, ao mesmo tempo em que Pedro Vargas fazia uma temporada cantando o clássico "Besame Mucho". No Rio, trabalharam durante 22 anos na rádio Nacional, gravando autores dos mais clássicos aos mais extravagantes. "Cachimbão" era de B. Toledo. "Piano Alemão" era música de um certo Nagib. Em 1940, pela Odeon, gravaram "Sacrifício Demais" (Assis Valente e Leandro Medeiros) e "Vieni, Vieni" de Vicente Scotto.
Gravaram para o Carnaval de 1949, na Odeon, a marcha "Os boca negra" (Jaú e Dovasal Monteiro Pires). Nesse mesmo ano, fizeram sucesso com a gravação da rumba "El cumbanchero" (Rafael Hernández) e o corrido mexicano "Don Pedrito" (Djalma Esteves e Célio Monteiro), em discos Columbia.
No ano seguinte o sucesso veio com os foxes "Eu vou sapatear" (Nicola Bruni) e "Vaqueiros de Marajó" (Stan Jones, versão de Santos Rodrigues), na mesma gravadora. Em 1951, gravaram, ainda na Columbia, o fox "Tictoc-bum" (Charles Trenet, versão de Santos Rodrigues).
Adoravam músicas que falavam em Zorro, Tigre, Tonto. Mas gravaram sambistas clássicos como "Quem Pode Pode, Quem Não Pode se Sacode" do histórico Bucy Moreira. De Nelson Cavaquinho gravaram "Agora é tarde" ("quem é você / pra dizer que manda no meu lar / agora é tarde / outro amor está no meu lugar"). Compuseram com Grande Otelo, Blackout, Jararaca.
Aposentaram-se em 1971. Armando, o mais velho, violão tenor e dono da voz mais aguda, faleceu em 1995.
Ao todo, gravaram quase 400 discos de 78 rotações.
Em 2006 os irmãos Raul e Umberto, já com mais de 80 anos, participaram do projeto do Banco Real, "Talentos da Maturidade".
Fonte: La Insignia.
Depois de se apresentarem individualmente desde crianças, apareceram como o Trio Carezzato, no programa de calouros dirigido por Nilo Melo, no Teatro Colombo, de São Paulo. Foram então contratados para se apresentar na boate Tabu e na Rádio Difusora, de São Paulo, mudando o nome para Os Trigêmeos Vocalistas.
O conjunto foi criado em 1937 pelos irmãos Armando Carezzato e os gêmeos Raul e Umberto, de uma enorme família italiana que morava no Brás, entre a rua Oriente e o alto do Pari. Umberto era o crooner e o cavaquinho, Raul o baixo, e tocava ritmo e flauta, Armando a terceira voz e violão tenor. O sapateado era feito por Umberto e Raul.
Em 1939 foram contratados por Raul Roulien -- cantor brasileiro que fizera sucesso em Hollywood -- para uma temporada no Cassino Atlântico, do Rio. Seu primeiro grande sucesso foi "Linda Baiana", de autoria do trio e de Álfio Miranda. Seu maior sucesso foi o "Sarita" - "adeus Sarita / vou partir para a fronteira / vou levar minha boiada / pra vender lá na feira / Com o dinheiro dessa venda / eu vou comprar / mais uma linha fazenda / e contigo namorar".
O conjunto apresentou-se em Punta del Este e La Ascensión, Uruguai, atuando ainda com Geysa Bôscoli em Buenos Aires, Argentina, fazendo parte do elenco da Rádio Nacional.
Estrearam no Cassino da Urca em 1942, ao mesmo tempo em que Pedro Vargas fazia uma temporada cantando o clássico "Besame Mucho". No Rio, trabalharam durante 22 anos na rádio Nacional, gravando autores dos mais clássicos aos mais extravagantes. "Cachimbão" era de B. Toledo. "Piano Alemão" era música de um certo Nagib. Em 1940, pela Odeon, gravaram "Sacrifício Demais" (Assis Valente e Leandro Medeiros) e "Vieni, Vieni" de Vicente Scotto.
Gravaram para o Carnaval de 1949, na Odeon, a marcha "Os boca negra" (Jaú e Dovasal Monteiro Pires). Nesse mesmo ano, fizeram sucesso com a gravação da rumba "El cumbanchero" (Rafael Hernández) e o corrido mexicano "Don Pedrito" (Djalma Esteves e Célio Monteiro), em discos Columbia.
No ano seguinte o sucesso veio com os foxes "Eu vou sapatear" (Nicola Bruni) e "Vaqueiros de Marajó" (Stan Jones, versão de Santos Rodrigues), na mesma gravadora. Em 1951, gravaram, ainda na Columbia, o fox "Tictoc-bum" (Charles Trenet, versão de Santos Rodrigues).
Adoravam músicas que falavam em Zorro, Tigre, Tonto. Mas gravaram sambistas clássicos como "Quem Pode Pode, Quem Não Pode se Sacode" do histórico Bucy Moreira. De Nelson Cavaquinho gravaram "Agora é tarde" ("quem é você / pra dizer que manda no meu lar / agora é tarde / outro amor está no meu lugar"). Compuseram com Grande Otelo, Blackout, Jararaca.
Aposentaram-se em 1971. Armando, o mais velho, violão tenor e dono da voz mais aguda, faleceu em 1995.
Ao todo, gravaram quase 400 discos de 78 rotações.
Em 2006 os irmãos Raul e Umberto, já com mais de 80 anos, participaram do projeto do Banco Real, "Talentos da Maturidade".
Fonte: La Insignia.
Tomy Damito
( ? ***** Camboriu/SC, abril de 2004)
Cantor e compositor com mais de 500 músicas gravadas por quase todos os colegas da nossa música popular como Chitaozinho e Xororó, Sérgio Reis, Joana, Tião carreiro e Pardinho, Altemar Dutra, Paulo Sérgio, Lourenço e Lourival, Waldick Soriano, Lindomar Castilho, Nalva Aguiar, Jacó e Jacozinho, Chico Rey e Paraná, Cascatinha e Inhana, Ângelo Máximo, Carmem Silva, As marcianas e outros, Tony Damito também fez sucesso com várias canções, como "Atenda o telefone", "Casaco de Pele", "Capela", "Toma juizo menina", "Onde anda Juliana", "Beleza não se põe na mesa" etc. Entretanto, seu maior sucesso foi, indubitavelmente, musica "Não vá embora" que, no ano de 1977, entrou nas paradas de sucesso e até hoje é conhecida do grande público. O disco que trazia essa canção chegou a alcançar a marca de 2 milhões de cópias vendidas.
Ídolo dos anos 80, com visita permanente na TV, Damito passou pelos programas do Chacrinha, Silvio Santos, Bolinha, Clube dos Artistas, Faustão, Gugu, Raul Gil, Carlos Aguiar, Ratinho, Globo de Ouro e outros. Gravou pela Caravelle, CBS e Copacabana.
Porém, discos de ouro, platina e diamantes, shows e badalações e de repente tudo parou. Tony justifica: "Deus tinha um propósito para minha vida. Permitiu que eu levasse um grande tropeço, cujo testemunho está sendo contado em livro, livreto e discos explicando o motico da minha conversão". Tony Damito tornou-se evangélico, com sua vida inteiramente voltada à religião, atuando em igrejas e eventos evangélicos. Chegou a gravar músicas gospel em um cd de 2004.
Tony Damito, faleceu de causas naturais em abril de 2004 na cidade de Camboriu no "Encontro dos Gideões Missionários da Ultima Hora". Residia na Cidade de Salto-SP, e deixou 3 filhos de então 9, 19 e 20 anos.
Fonte: Informações concedidas pelo filho do artista.
Cantor e compositor com mais de 500 músicas gravadas por quase todos os colegas da nossa música popular como Chitaozinho e Xororó, Sérgio Reis, Joana, Tião carreiro e Pardinho, Altemar Dutra, Paulo Sérgio, Lourenço e Lourival, Waldick Soriano, Lindomar Castilho, Nalva Aguiar, Jacó e Jacozinho, Chico Rey e Paraná, Cascatinha e Inhana, Ângelo Máximo, Carmem Silva, As marcianas e outros, Tony Damito também fez sucesso com várias canções, como "Atenda o telefone", "Casaco de Pele", "Capela", "Toma juizo menina", "Onde anda Juliana", "Beleza não se põe na mesa" etc. Entretanto, seu maior sucesso foi, indubitavelmente, musica "Não vá embora" que, no ano de 1977, entrou nas paradas de sucesso e até hoje é conhecida do grande público. O disco que trazia essa canção chegou a alcançar a marca de 2 milhões de cópias vendidas.
Ídolo dos anos 80, com visita permanente na TV, Damito passou pelos programas do Chacrinha, Silvio Santos, Bolinha, Clube dos Artistas, Faustão, Gugu, Raul Gil, Carlos Aguiar, Ratinho, Globo de Ouro e outros. Gravou pela Caravelle, CBS e Copacabana.
Porém, discos de ouro, platina e diamantes, shows e badalações e de repente tudo parou. Tony justifica: "Deus tinha um propósito para minha vida. Permitiu que eu levasse um grande tropeço, cujo testemunho está sendo contado em livro, livreto e discos explicando o motico da minha conversão". Tony Damito tornou-se evangélico, com sua vida inteiramente voltada à religião, atuando em igrejas e eventos evangélicos. Chegou a gravar músicas gospel em um cd de 2004.
Tony Damito, faleceu de causas naturais em abril de 2004 na cidade de Camboriu no "Encontro dos Gideões Missionários da Ultima Hora". Residia na Cidade de Salto-SP, e deixou 3 filhos de então 9, 19 e 20 anos.
Fonte: Informações concedidas pelo filho do artista.
domingo, 25 de novembro de 2012
Teddy Milton
(Jundiaí/SP, 04/2/1943 ****** Jundiaí/SP, 25/1/2005)
Teddy Milton (Milton da Cunha), iniciou sua carreira por volta dos 16 anos quando tocou pela primeira vez na Dragoes Mecanica, situada na Vila Arens. Cantou no programa Grêmio do Zezinho, na rádio Jundiaí. Entrou para a orquestra Universal, como crooner, pertencente ao maestro Aylton de Souza, onde um dia tocando em São Paulo, chamou a atenção de um produtor da RGE que o convidou para gravar.
O nome artístico lhe foi dado por Tonny Campelo, encarregado também de selecionar seu repertório.
No ano de 1964, Teddy Milton lançou o compacto “A Casa do Sol Nascente”, versão de Fred Jorge para a música “The House of Rising Sun”, composta por Alan Price e interpretada pelo conjunto The Animals. Esse disco de Teddy Milton lhe rendeu disco de ouro. Devido a problemas com a gravadora, depois de gravar mais dois discos, Teddy mudou para a Epic onde gravou mais dois discos; Um deles trazia a música “Anjo do Amor”. Teddy Milton, segundo seu filho Cristian Cesar, viajou para vários países da America do Sul, cantando até “La Violetera” com Sara Montiel.
Participou de diversões programas de TV, entre eles, Programa Sílvio Santos, Programa do Chacrinha, Astros do Disco e Jovem Guarda.
Em 1966 participou de shows no Teatro Glória, ao lado de Rossini Pinto e Erasmo Carlos. Cantou também com Roberto Carlos, em Jundiaí, no Teatro Pollyteama.
Em 1972 gravou pela Epic a canção “Gloria, gloria, aleluia”, em um compacto.
Em janeiro de 2005, faleceu em decorrência das complicações de um acidente vascular cerebral no dia 4 de janeiro, vindo a falecer 21 dias depois. Foi sepultado no Cemitério Municipal Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí. Foi casado por 35 anos com Clarisse Aparecida da Cunha, com quem teve um casal de filhos que tem a mesma verve do pai, são cantores também, Cristian Cesar e sua irmã Katia.
Fonte: Wikipédia.
Teddy Milton (Milton da Cunha), iniciou sua carreira por volta dos 16 anos quando tocou pela primeira vez na Dragoes Mecanica, situada na Vila Arens. Cantou no programa Grêmio do Zezinho, na rádio Jundiaí. Entrou para a orquestra Universal, como crooner, pertencente ao maestro Aylton de Souza, onde um dia tocando em São Paulo, chamou a atenção de um produtor da RGE que o convidou para gravar.
O nome artístico lhe foi dado por Tonny Campelo, encarregado também de selecionar seu repertório.
No ano de 1964, Teddy Milton lançou o compacto “A Casa do Sol Nascente”, versão de Fred Jorge para a música “The House of Rising Sun”, composta por Alan Price e interpretada pelo conjunto The Animals. Esse disco de Teddy Milton lhe rendeu disco de ouro. Devido a problemas com a gravadora, depois de gravar mais dois discos, Teddy mudou para a Epic onde gravou mais dois discos; Um deles trazia a música “Anjo do Amor”. Teddy Milton, segundo seu filho Cristian Cesar, viajou para vários países da America do Sul, cantando até “La Violetera” com Sara Montiel.
Participou de diversões programas de TV, entre eles, Programa Sílvio Santos, Programa do Chacrinha, Astros do Disco e Jovem Guarda.
Em 1966 participou de shows no Teatro Glória, ao lado de Rossini Pinto e Erasmo Carlos. Cantou também com Roberto Carlos, em Jundiaí, no Teatro Pollyteama.
Em 1972 gravou pela Epic a canção “Gloria, gloria, aleluia”, em um compacto.
Em janeiro de 2005, faleceu em decorrência das complicações de um acidente vascular cerebral no dia 4 de janeiro, vindo a falecer 21 dias depois. Foi sepultado no Cemitério Municipal Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí. Foi casado por 35 anos com Clarisse Aparecida da Cunha, com quem teve um casal de filhos que tem a mesma verve do pai, são cantores também, Cristian Cesar e sua irmã Katia.
Fonte: Wikipédia.
Teddy Max
(Santarém/PA, 6/10/1953 ******* Macapá/AP, 30/3/2008)
Natural de Santarém, Teddy Max, cujo nome de bastismo era Benedito Costa Filho, começou a cantar muito jovem em bares de cidade. Estudou no seminário São Pio X, mudou-se para Belém/PA, onde estudava e cantava ao mesmo tempo. Tirou a carteira da ordem dos músicos, mas não exercia a profissão. Optou por estudar.
Participou e venceu um dos shows de calouros do programa EB é o show, apresentado por Ércio Bemerguy na Rádio Rural.
Em 1982, ele ganhou a escolha da Mais Bela Voz do Pará, no programa 'Jota Silvestre', do SBT, junto com Regina Brandão, eleita a Mais Bela Voz (feminina) do Pará'.
Max ficou conhecido no cenário da música paraense nos anos 80, com a música 'Ao pôr-do-sol', considerada até hoje um 'clássico' do brega paraense.
Depois de fazer sucesso no Pará e no Brasil com quatro discos gravados, o cantor chegou a morar no Japão por 14 anos, tempo em que fez shows na cidade de Tokyo, Nagoya, Osaka, Kanagawa, e outras. Voltou para o Brasil em 2004 e lançou CD 'Teddy Max', só com músicas sertanejas em ritmo de calypso, pelo selo RE Music.
Em 2007 ele gravou o CD 'Teddy Max de volta com o calypso', pelo selo próprio do artista, o Maxmusic. O CD foi gravado em Belém, Recife e São Paulo, com um repertório sertanejo e músicas de Bruno e Marrone, Xitãozinho e Xororó e da dupla Leandro e Leonardo, entre outros. Nos shows de Teddy Max, porém, não faltavam os sucessos românticos do passado, que o consagraram no cenário do chamado 'bregapop' paraense.
Teddy Max morreu aos 54 anos durante um show em Macapá, sendo velado na Capela São José, no centro da capital amapaense. Depois do velório, o corpo seguiu de avião para a cidade de São Paulo, onde foi feito o sepultamento.
Teddy Max se apresentava junto com os cantores Mauro Cota e Luiz Guilherme, na casa de show Beat Country. Ele estava no palco por volta de 21h30, quando caiu e foi socorrido pelo público e músicos da banda que acompanhava os cantores. Tudo indica que ele sofreu um infarto fulminante. Teddy Max chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu antes de chegar ao hospital.
O infarto surpreendeu o público presente ao show e os próprios amigos do artista. O cantor Gérson Thiré, amigo de Teddy, contou que ele estava bem antes do show. Chegou a sentar em uma mesa de amigos, junto com Mauro Cota e Luiz Guilherme, com quem dividiria o palco, e ainda com a cantora Regina Brandão, irmã de Gérson, que reside em Macapá. 'Foi tudo muito rápido, e infelizmente não houve tempo para se fazer muita coisa. Quando ele foi levado para o hospital, o óbito já estava confirmado', informou Gérson.
Teddy morava em São Paulo, no bairo da Liberdade, com a família formada pela mulher, a paraense Beth Max, 27, e três filhos (duas meninas e um rapaz).
Ao longo de sua carreira, Teddy gravou três LPs, dois CDs e dois clips: um na TV Cultura, no final da década de 80, e outro em Santos, em 2003.
Fonte: O Estado do Tapajós on Line / Amazônia Jornal.
Natural de Santarém, Teddy Max, cujo nome de bastismo era Benedito Costa Filho, começou a cantar muito jovem em bares de cidade. Estudou no seminário São Pio X, mudou-se para Belém/PA, onde estudava e cantava ao mesmo tempo. Tirou a carteira da ordem dos músicos, mas não exercia a profissão. Optou por estudar.
Participou e venceu um dos shows de calouros do programa EB é o show, apresentado por Ércio Bemerguy na Rádio Rural.
Em 1982, ele ganhou a escolha da Mais Bela Voz do Pará, no programa 'Jota Silvestre', do SBT, junto com Regina Brandão, eleita a Mais Bela Voz (feminina) do Pará'.
Max ficou conhecido no cenário da música paraense nos anos 80, com a música 'Ao pôr-do-sol', considerada até hoje um 'clássico' do brega paraense.
Depois de fazer sucesso no Pará e no Brasil com quatro discos gravados, o cantor chegou a morar no Japão por 14 anos, tempo em que fez shows na cidade de Tokyo, Nagoya, Osaka, Kanagawa, e outras. Voltou para o Brasil em 2004 e lançou CD 'Teddy Max', só com músicas sertanejas em ritmo de calypso, pelo selo RE Music.
Em 2007 ele gravou o CD 'Teddy Max de volta com o calypso', pelo selo próprio do artista, o Maxmusic. O CD foi gravado em Belém, Recife e São Paulo, com um repertório sertanejo e músicas de Bruno e Marrone, Xitãozinho e Xororó e da dupla Leandro e Leonardo, entre outros. Nos shows de Teddy Max, porém, não faltavam os sucessos românticos do passado, que o consagraram no cenário do chamado 'bregapop' paraense.
Teddy Max morreu aos 54 anos durante um show em Macapá, sendo velado na Capela São José, no centro da capital amapaense. Depois do velório, o corpo seguiu de avião para a cidade de São Paulo, onde foi feito o sepultamento.
Teddy Max se apresentava junto com os cantores Mauro Cota e Luiz Guilherme, na casa de show Beat Country. Ele estava no palco por volta de 21h30, quando caiu e foi socorrido pelo público e músicos da banda que acompanhava os cantores. Tudo indica que ele sofreu um infarto fulminante. Teddy Max chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu antes de chegar ao hospital.
O infarto surpreendeu o público presente ao show e os próprios amigos do artista. O cantor Gérson Thiré, amigo de Teddy, contou que ele estava bem antes do show. Chegou a sentar em uma mesa de amigos, junto com Mauro Cota e Luiz Guilherme, com quem dividiria o palco, e ainda com a cantora Regina Brandão, irmã de Gérson, que reside em Macapá. 'Foi tudo muito rápido, e infelizmente não houve tempo para se fazer muita coisa. Quando ele foi levado para o hospital, o óbito já estava confirmado', informou Gérson.
Teddy morava em São Paulo, no bairo da Liberdade, com a família formada pela mulher, a paraense Beth Max, 27, e três filhos (duas meninas e um rapaz).
Ao longo de sua carreira, Teddy gravou três LPs, dois CDs e dois clips: um na TV Cultura, no final da década de 80, e outro em Santos, em 2003.
Fonte: O Estado do Tapajós on Line / Amazônia Jornal.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Tião Motorista
(Salvador/BA, 26/4/1927 ******** Salvador/BA, 24/9/1996)
Raimundo Cleto do Espírito Santo, o Tião Motorista, cantor e compositor, estudou no Liceu de Artes e Ofícios em Salvador, onde participou do coral. Aos nove anos compôs a sua primeira música, "Papai Noel passou, fez que não viu".
Aos 16 anos, recebeu o pseudônimo de Tião; mais tarde, ficou conhecido como Tião do Pandeiro. Anos depois, Jamelão (José Bispo) o apelidou de Tião Motorista, devido a ter atuado como taxista em Salvador.
Em 1943, integrou o conjunto Ases do Ritmo. No ano seguinte, passou a integrar o conjunto Britinho e Seus Estucas, no qual cantava e tocava pandeiro, viajando em turnê pela Argentina e Uruguai.
No ano de 1957, apresentou-se sozinho no Hotel Glória no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, voltou a Salvador passando a integrar a Orquestra do Maestro Vivaldo Figueiredo.
Jamelão em 1964 gravou de sua autoria "Quem samba fica" parceria com José Bispo (nome civil de Jamelão).
No ano de 1966, Elizeth Cardoso, no disco "Muito Elizeth" regravou "Quem samba fica" (c/ José Bispo).
Em 1967, ganhou o primeiro lugar com o samba "Cheguei tarde", no "1º Festival de Samba da Bahia", presidido por Jorge Amado e Dorival Caymmi, cujo júri foi integrado por personalidades convidadas do Rio de Janeiro, como Sérgio Porto, Oscar Castro Neves e Ricardo Cravo Albin. No ano seguinte, levado por Luis Vieira, gravou pela Copacabana Discos o LP "Samba e talento". Dois anos depois, transferiu-se para São Paulo, onde apresentou-se em várias boates.
Obteve, em 1972 grande sucesso com a gravação de "Jóia do maior" e "Pano da costa" em compacto simples pela gravadora Philips.
No ano de 1973, pela gravadora CID, lançou um compacto simples com a música "Praia do Bugari", que obteve relativo sucesso na época. Ainda neste ano, retornou a Salvador, onde montou um restaurante.
No ano de 1977, pela gravadora CBS, lançou o disco "Meu interior", no qual interpretou vários clássicos de nossa música popular, entre eles, "Dizem" (Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá e Antônio Maria) e "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. No disco também foram incluídas composições suas, como "Lavagem do Bonfim", "Aonde eu ía, não vou mais", "Palmas pra Santa Rita" e "Beira rio", de sua autoria em parceria com Chico Anísio. No ano seguinte, em 1978, no Teatro Opinião do Rio de Janeiro pelo "Projeto Seis e Meia", dividiu o show "Opinião, deixo com você" com o cantor e compositor Sérgio Sampaio.
Em 1980, no LP "E vamos à luta", Alcione interpretou de sua autoria "Cheguei tarde".
Entre seus vários intérpretes estão Elizeth Cardoso ('Quem samba fica'), Maria Bethânia ('Dia quatro de dezembro') e Jair Rodrigues ('Minha roupa' e 'Cheguei tarde').
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
Raimundo Cleto do Espírito Santo, o Tião Motorista, cantor e compositor, estudou no Liceu de Artes e Ofícios em Salvador, onde participou do coral. Aos nove anos compôs a sua primeira música, "Papai Noel passou, fez que não viu".
Aos 16 anos, recebeu o pseudônimo de Tião; mais tarde, ficou conhecido como Tião do Pandeiro. Anos depois, Jamelão (José Bispo) o apelidou de Tião Motorista, devido a ter atuado como taxista em Salvador.
Em 1943, integrou o conjunto Ases do Ritmo. No ano seguinte, passou a integrar o conjunto Britinho e Seus Estucas, no qual cantava e tocava pandeiro, viajando em turnê pela Argentina e Uruguai.
No ano de 1957, apresentou-se sozinho no Hotel Glória no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, voltou a Salvador passando a integrar a Orquestra do Maestro Vivaldo Figueiredo.
Jamelão em 1964 gravou de sua autoria "Quem samba fica" parceria com José Bispo (nome civil de Jamelão).
No ano de 1966, Elizeth Cardoso, no disco "Muito Elizeth" regravou "Quem samba fica" (c/ José Bispo).
Em 1967, ganhou o primeiro lugar com o samba "Cheguei tarde", no "1º Festival de Samba da Bahia", presidido por Jorge Amado e Dorival Caymmi, cujo júri foi integrado por personalidades convidadas do Rio de Janeiro, como Sérgio Porto, Oscar Castro Neves e Ricardo Cravo Albin. No ano seguinte, levado por Luis Vieira, gravou pela Copacabana Discos o LP "Samba e talento". Dois anos depois, transferiu-se para São Paulo, onde apresentou-se em várias boates.
Obteve, em 1972 grande sucesso com a gravação de "Jóia do maior" e "Pano da costa" em compacto simples pela gravadora Philips.
No ano de 1973, pela gravadora CID, lançou um compacto simples com a música "Praia do Bugari", que obteve relativo sucesso na época. Ainda neste ano, retornou a Salvador, onde montou um restaurante.
No ano de 1977, pela gravadora CBS, lançou o disco "Meu interior", no qual interpretou vários clássicos de nossa música popular, entre eles, "Dizem" (Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá e Antônio Maria) e "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. No disco também foram incluídas composições suas, como "Lavagem do Bonfim", "Aonde eu ía, não vou mais", "Palmas pra Santa Rita" e "Beira rio", de sua autoria em parceria com Chico Anísio. No ano seguinte, em 1978, no Teatro Opinião do Rio de Janeiro pelo "Projeto Seis e Meia", dividiu o show "Opinião, deixo com você" com o cantor e compositor Sérgio Sampaio.
Em 1980, no LP "E vamos à luta", Alcione interpretou de sua autoria "Cheguei tarde".
Entre seus vários intérpretes estão Elizeth Cardoso ('Quem samba fica'), Maria Bethânia ('Dia quatro de dezembro') e Jair Rodrigues ('Minha roupa' e 'Cheguei tarde').
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Tinoco
(Pratânia/SP - até 1993 distrito de Botucatu, 19/11/1920 ****** São Paulo/SP, 4/5/2012)
José Perez, o Tinoco, era filho do imigrante espanhol Salvador Perez, chegado ao Brasil em 1892, com cinco anos de idade. Instalou-se na região de Botucatu. Dedicou-se ao trabalho agrícola, ao desbravamento do sertão e criação de novas fazendas. Entre muitas fazendas trabalhou numa propriedade da família de Ademar de Barros. Lá se casou com a filha de outro peão que era sanfoneiro. Os irmãos João e José cresceram sob a influência musical dos avós maternos que tocavam em bailes de aniversário e casamento. O avô Olegário era o mais famoso e solicitado tocador de sanfona de oito baixos da região. Na família da mãe todos eram músicos. Havia também o tio materno, José, renomado sanfoneiro com quem João (Tonico) conviveu até sete anos. Ainda meninos na fazenda Vargem Grande começaram a cantar com o violeiro Virgílio de Souza, que lhes apresentou a primeira viola. A família mudava-se constantemente de fazenda em fazenda. Na fazenda Tavares, em Botucatu conheceram o violeiro Bonifácio Bonetti, que os ensinou os primeiros acordes de violão. Lá começam a animar as primeiras festinhas cantando serenatas. Em 1937 mudam-se para Sorocaba onde continuam apresentando-se em festas de bairro, ao mesmo tempo em que José trabalhava como engraxate e João na pedreira Santa Helena.
Tinoco formou uma das duplas sertanejas mais famosas e respeitadas do País ao lado do irmão mais novo João Salvador Perez, o Tonico, ainda nos anos 30.
Com a paixão pela música herdada dos avós maternos, Olegário e Izabel, Tonico e Tinoco começaram a carreira em 1930, quando moravam em Botucatu, no interior de São Paulo. A primeira apresentação profissional aconteceu cinco anos mais tarde, junto com um primo, em show em uma quermesse local.
Em 1941 a família se mudou para a capital paulista e, devido às dificuldades financeiras, começaram a fazer apresentações aos finais de semana, ao lado de Raul Torres Florêncio, como o trio Os Três Batutas do Sertão.
Increveram-se em um programa de calouros na Rádio Emissora de Piratininga, chegando à final do concurso, quando foram aplaudidos de pé pelo público. Outros violeiros da competição também se emocionaram e cumprimentaram a dupla que já dava sinais de sucesso. A partir daí começaram a colher os frutos e, no início da década de 50, já eram considerados um dos maiores nomes da música sertaneja no País.
Nos anos 60, realizaram quase mil gravações, dividas em 83 álbuns. A dupla teve fim com a morte de Tonico, em 1994.
Em 2010, Tinoco foi homenageado por Roberto Carlos durante a gravação do especial "Emoções sertanejas". Na ocasião, Tinoco completava 90 anos e 75 de carreira e, no palco, ao receber uma placa das mãos de Roberto Carlos e Chitãozinho e Xororó, afirmou que aquela era a saudação mais importante que havia ganhado por sua trajetória até então. "É a maior pelo valor humano. Sabe o que é o valor humano? É a coisa mais linda que nós temos", disse.
Tinoco morreu no Hospital Municipal Ignácio de Proença de Gouvêa, na Mooca. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele deu entrada no hospital na noite do dia 3 com insuficiência respiratória e morreu à 1h42. Tinoco tinha 91 anos e seis filhos.
O corpo de Tinco foi velado no Cemitério da Quarta Parada, no Belém, Zona Leste de São Paulo. O enterro ocorreu no Cemitério da Vila Alpina, também na Zona Leste.
Fonte: G1
José Perez, o Tinoco, era filho do imigrante espanhol Salvador Perez, chegado ao Brasil em 1892, com cinco anos de idade. Instalou-se na região de Botucatu. Dedicou-se ao trabalho agrícola, ao desbravamento do sertão e criação de novas fazendas. Entre muitas fazendas trabalhou numa propriedade da família de Ademar de Barros. Lá se casou com a filha de outro peão que era sanfoneiro. Os irmãos João e José cresceram sob a influência musical dos avós maternos que tocavam em bailes de aniversário e casamento. O avô Olegário era o mais famoso e solicitado tocador de sanfona de oito baixos da região. Na família da mãe todos eram músicos. Havia também o tio materno, José, renomado sanfoneiro com quem João (Tonico) conviveu até sete anos. Ainda meninos na fazenda Vargem Grande começaram a cantar com o violeiro Virgílio de Souza, que lhes apresentou a primeira viola. A família mudava-se constantemente de fazenda em fazenda. Na fazenda Tavares, em Botucatu conheceram o violeiro Bonifácio Bonetti, que os ensinou os primeiros acordes de violão. Lá começam a animar as primeiras festinhas cantando serenatas. Em 1937 mudam-se para Sorocaba onde continuam apresentando-se em festas de bairro, ao mesmo tempo em que José trabalhava como engraxate e João na pedreira Santa Helena.
Tinoco formou uma das duplas sertanejas mais famosas e respeitadas do País ao lado do irmão mais novo João Salvador Perez, o Tonico, ainda nos anos 30.
Com a paixão pela música herdada dos avós maternos, Olegário e Izabel, Tonico e Tinoco começaram a carreira em 1930, quando moravam em Botucatu, no interior de São Paulo. A primeira apresentação profissional aconteceu cinco anos mais tarde, junto com um primo, em show em uma quermesse local.
Em 1941 a família se mudou para a capital paulista e, devido às dificuldades financeiras, começaram a fazer apresentações aos finais de semana, ao lado de Raul Torres Florêncio, como o trio Os Três Batutas do Sertão.
Increveram-se em um programa de calouros na Rádio Emissora de Piratininga, chegando à final do concurso, quando foram aplaudidos de pé pelo público. Outros violeiros da competição também se emocionaram e cumprimentaram a dupla que já dava sinais de sucesso. A partir daí começaram a colher os frutos e, no início da década de 50, já eram considerados um dos maiores nomes da música sertaneja no País.
Nos anos 60, realizaram quase mil gravações, dividas em 83 álbuns. A dupla teve fim com a morte de Tonico, em 1994.
Em 2010, Tinoco foi homenageado por Roberto Carlos durante a gravação do especial "Emoções sertanejas". Na ocasião, Tinoco completava 90 anos e 75 de carreira e, no palco, ao receber uma placa das mãos de Roberto Carlos e Chitãozinho e Xororó, afirmou que aquela era a saudação mais importante que havia ganhado por sua trajetória até então. "É a maior pelo valor humano. Sabe o que é o valor humano? É a coisa mais linda que nós temos", disse.
Tinoco morreu no Hospital Municipal Ignácio de Proença de Gouvêa, na Mooca. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele deu entrada no hospital na noite do dia 3 com insuficiência respiratória e morreu à 1h42. Tinoco tinha 91 anos e seis filhos.
O corpo de Tinco foi velado no Cemitério da Quarta Parada, no Belém, Zona Leste de São Paulo. O enterro ocorreu no Cemitério da Vila Alpina, também na Zona Leste.
Fonte: G1
Tião Carreiro
(Monte Azul, 13/12/1934 ******* São Paulo/SP, 15/12/1993)
José Dias Nunes, conhecido como Tião Carreiro, foi um cantor brasileiro de música sertaneja de raiz e muitas duplas são influenciadas por sua música.
Natural de Monte Azul, pequena cidade no norte de Minas Gerais, foi criado até os 10 anos de idade nos distritos de Catuti, Rebentão e Pajeú.
Tião era filho de lavradores, Orcissio Dias Nunes e Júlia Alves da Neves. Ele teve 6 irmãos, três homens, Cumercindo, Guilhermino e Valdomiro e três mulheres, Ilda, Maria e Santina.
Levava uma vida humilde. A falta de emprego, ocasionada pela seca que assolava a região norte mineira e com a esperança de um futuro melhor, a família de Tião resolveu tentar a vida em São Paulo. Saíram da região de origem num caminhão tipo pau-de-arara e seguiram rumo a Montes Claros onde embarcariam no trem com destino ao interior do Estado de São Paulo. As crianças não possuíam registro de nascimento e por este motivo a família teve que aguardar 3 dias para obter do juizado de menores uma autorização para prosseguirem. Este é um motivo pelo qual muitos consideram que ele é natural de Montes Claros e não de Monte Azul.
Criado numa fazenda nos arredores de Araçatuba, mais precisamente em Flórida Paulista (região de Adamantina) e Valparaíso, interior do estado de São Paulo, começou a tocar violão ainda pequeno, com 8 anos de idade, quando também já cuidava do arado e dos afazeres na roça.
Aprendeu a tocar viola caipira na adolescência, praticamente sozinho, sem nunca ter tido um professor. Isto porque em 1950, com apenas 13 anos, Tião Carreiro trabalhava no Circo Giglio, onde já cantava em dupla com seu primo Waldomiro da dupla Palmeira & Coqueirinho.
Neste ano o mesmo circo apresentava em Araçatuba a dupla Tonico & Tinoco. Enquanto os irmãos estavam no hotel, Tinoco havia deixado sua viola no circo e Tião aproveitou para "decorar a afinação escondido".
Tião Carreiro cantou em diversas duplas, tendo adotado diferentes nomes artísticos, tais como Zezinho (com Lenço Verde), Palmeirinha (com Coqueirinho) e Zé Mineiro (com Tietezinho). Lenço Verde e Coqueirinho eram pseudônimos do mesmo parceiro, o Waldomiro, que era primo de Tião Carreiro. Suas parcerias mais famosas foram com Antônio Henrique de Lima (o Pardinho) e Adauto Ezequiel (o Carreirinho)
Alcançou sucesso ao formar dupla com Pardinho, e foi o inventor do pagode de viola — não se confunda com o pagode do samba — mas hoje em dia, esse termo é muito conhecido entre os violeiros.
Dentre os maiores sucessos de Tião Carreiro temos: "Pagode em Brasília", que foi o primeiro pagode, criado juntamente com Teddy Vieira e Lourival dos Santos, em 1959, "Boi Soberano", Filhinho de Papai", "Cochilou Cachimbo Cai", dentre outros.
A discografia de Tião Carreiro soma mais de 45 discos. Hoje em dia é considerada "Cult" pelo admiradores de Música Sertaneja. É encontrada facilmente em qualquer loja de discos do Brasil.
Ao contrário do que se ouve falar, Tião não bebia muito. As bebidas que ele ganhava ele colecionava e mostrava sua coleção aos amigos.
Tião ficou doente ainda no auge de sua carreira, com diabetes. Veio a falecer no dia 15 de outubro de 1993 em São Paulo.
Fonte: Wikipédia.
José Dias Nunes, conhecido como Tião Carreiro, foi um cantor brasileiro de música sertaneja de raiz e muitas duplas são influenciadas por sua música.
Natural de Monte Azul, pequena cidade no norte de Minas Gerais, foi criado até os 10 anos de idade nos distritos de Catuti, Rebentão e Pajeú.
Tião era filho de lavradores, Orcissio Dias Nunes e Júlia Alves da Neves. Ele teve 6 irmãos, três homens, Cumercindo, Guilhermino e Valdomiro e três mulheres, Ilda, Maria e Santina.
Levava uma vida humilde. A falta de emprego, ocasionada pela seca que assolava a região norte mineira e com a esperança de um futuro melhor, a família de Tião resolveu tentar a vida em São Paulo. Saíram da região de origem num caminhão tipo pau-de-arara e seguiram rumo a Montes Claros onde embarcariam no trem com destino ao interior do Estado de São Paulo. As crianças não possuíam registro de nascimento e por este motivo a família teve que aguardar 3 dias para obter do juizado de menores uma autorização para prosseguirem. Este é um motivo pelo qual muitos consideram que ele é natural de Montes Claros e não de Monte Azul.
Criado numa fazenda nos arredores de Araçatuba, mais precisamente em Flórida Paulista (região de Adamantina) e Valparaíso, interior do estado de São Paulo, começou a tocar violão ainda pequeno, com 8 anos de idade, quando também já cuidava do arado e dos afazeres na roça.
Aprendeu a tocar viola caipira na adolescência, praticamente sozinho, sem nunca ter tido um professor. Isto porque em 1950, com apenas 13 anos, Tião Carreiro trabalhava no Circo Giglio, onde já cantava em dupla com seu primo Waldomiro da dupla Palmeira & Coqueirinho.
Neste ano o mesmo circo apresentava em Araçatuba a dupla Tonico & Tinoco. Enquanto os irmãos estavam no hotel, Tinoco havia deixado sua viola no circo e Tião aproveitou para "decorar a afinação escondido".
Tião Carreiro cantou em diversas duplas, tendo adotado diferentes nomes artísticos, tais como Zezinho (com Lenço Verde), Palmeirinha (com Coqueirinho) e Zé Mineiro (com Tietezinho). Lenço Verde e Coqueirinho eram pseudônimos do mesmo parceiro, o Waldomiro, que era primo de Tião Carreiro. Suas parcerias mais famosas foram com Antônio Henrique de Lima (o Pardinho) e Adauto Ezequiel (o Carreirinho)
Alcançou sucesso ao formar dupla com Pardinho, e foi o inventor do pagode de viola — não se confunda com o pagode do samba — mas hoje em dia, esse termo é muito conhecido entre os violeiros.
Dentre os maiores sucessos de Tião Carreiro temos: "Pagode em Brasília", que foi o primeiro pagode, criado juntamente com Teddy Vieira e Lourival dos Santos, em 1959, "Boi Soberano", Filhinho de Papai", "Cochilou Cachimbo Cai", dentre outros.
A discografia de Tião Carreiro soma mais de 45 discos. Hoje em dia é considerada "Cult" pelo admiradores de Música Sertaneja. É encontrada facilmente em qualquer loja de discos do Brasil.
Ao contrário do que se ouve falar, Tião não bebia muito. As bebidas que ele ganhava ele colecionava e mostrava sua coleção aos amigos.
Tião ficou doente ainda no auge de sua carreira, com diabetes. Veio a falecer no dia 15 de outubro de 1993 em São Paulo.
Fonte: Wikipédia.
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