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domingo, 27 de abril de 2014

Nelson Ned

( Ubá/MG, 2 de março de 1947  ******  Cotia/SP, 5 de janeiro de 2014)

O cantor e compositor Nelson Ned d'Ávila Pinto, mais conhecido como Nelson Ned, nasceu em Ubá, estado de Minas Gerais.


Nelson Ned
Nos anos 60, Nelson Ned começou a se apresentar e gravar discos, inclusive nos países da América Latina, onde é extremamente popular.

Com repertório voltado para a música romântica, seus shows atraem multidões em estádios e teatros.

Como compositor, já teve músicas gravadas por Moacyr Franco, Antônio Marcos, Agnaldo Timóteo e outros.


Nelson Ned
Ganhou Discos de Ouro no Brasil e já se apresentou algumas vezes no Carnegie Hall, em Nova York.

A partir de 1993, Nelson Ned passou a cantar músicas evangélicas, após ter-se convertido.
Lançou em 1996 a biografia "O Pequeno Gigante da Canção", uma referência à sua condição de anão.


Nelson Ned
Internacionalmente, foi o primeiro artista da América Latina a vender um milhão de discos nos Estados Unidos com o sucesso "Happy Birthday My Darling" (Feliz aniversário meu amor) em 1974.

Em 2008, apresentou sérios problemas de saúde e financeiros.
Com apenas 1,12 de altura e 92 quilos, o cantor lutou para emagrecer e controlar o diabetes e o colesterol. Porém, o que agravou sua saúde foram a obesidade e o inchaço, difíceis de serem tratados por falta de recursos financeiros.


Nelson Ned
Conhecido como O Pequeno Gigante da Canção, Nelson Ned foi o único artista da América Latina a lotar quatro vezes o Carnegie Hall. 

Com sucessos um atrás do outro, entre eles a música "Tudo Passará", veio também a dependência pelas drogas e o fundo do poço, com a conseqüente perda de toda a sua fortuna. Na década de 90, ele tentou dar a volta por cima, tornando-se evangélico e gravando músicas Gospel, mas as dificuldades de locomoção (freqüentemente precisava da ajuda de uma cadeira de rodas) e as fortes dores o impediram de permanecer no palcos.


Nelson Ned
Apesar de Nelson Ned não gostar de falar de seu drama, o amigo cantor e vereador Agnaldo Timóteo, que ele conhecia desde a década de 60, fez uma campanha com o objetivo de angariar pelo menos R$ 50 mil para ajudar no seu tratamento médico.
“Toda sua fortuna foi perdida com as drogas. Mesmo recuperado desse vício, hoje ele não consegue voltar a fazer shows, porque a falta de saúde o impede. O Nelson precisa ser internado em uma clínica para emagrecer, fazer as cirurgias necessárias, controlar o colesterol e voltar a cantar. E sua permanência lá deve ser de pelo menos seis meses”, explicou Timóteo ao site OFuxico.


Nelson Ned - 2008
Agnaldo Timóteo contou ainda que pediu ajuda a diversos artistas, entre eles Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, Gugu, Hebe, Faustão, Tom Cavalcante e Xuxa. Nenhum deles, porém, respondeu.

“Acredito que eles nem chegaram a saber do assunto, pois são pessoas generosas. Provavelmente, seus assessores barraram minha mensagem”, desabafou Timóteo.
De acordo com Timóteo, Silvio Santos e Sônia Abrão prometeram ajudar. O cantor Daniel, disse ele, também foi procurado e até ofereceu ajuda. Só que o dinheiro oferecido pelo artista gerou polêmica. Agnaldo considerou pífia a importância oferecida.

“Ele deu R$ 2 mil, e eu devolvi. Não aceito só isso, pois ele ganha milhões”, disse Timóteo.

O incidente acabou gerando uma saia justa entre os dois.


Nelson Ned - 2008
“O Daniel respondeu que R$ 2 mil é um valor muito acima do salário mínimo, que sustenta milhões de famílias. Mas cada um vive como pode”, insiste Timóteo.
Até Jô Soares entrou na história. Segundo Timóteo, uma secretária o procurou, para dizer que o apresentador da Globo se solidarizou com o que soube e prometeu colaborar.

O empenho de Timóteo tem uma razão de ser: os dois são conterrâneos (nasceram em Minas Gerais) e começaram a carreira juntos, em Belo Horizonte. “Fomos calouros juntos. Ele cantava músicas do Nelson Gonçalves, e eu do Caubi Peixoto”.

Timóteo disse também que, abandonado pelos filhos, Nelson Ned foi ajudado por ele.

“Não quero revelar valores, mas faço o que posso. De mim, o que ele já recebeu, daria para comprar um carro novo”, finalizou.


Nelson Ned - 2012
No final de 2008, Nelson Ned esteve no programa "Nada Mais do que a Verdade", apresentado por Sílvio Santos.

Após uma discussão com a mulher Maria Aparecida (Cida), Nelson Ned, já doente, foi levado pela irmã.  Passou a morar em uma clínica em São Roque, interior de São Paulo, amparado pela irmã, que cuidou de todos os seus negócios, Nelson Ned sofreu com a idade e as consequências do derrame, sofrido há alguns anos atrás.

Nelson morreu aos 66 anos, em decorrência de complicações derivadas de uma pneumonia, no Hospital regional de Cotia, em São Paulo.

Fontes: Sites Wikipedia; OFuxico.

                                          Nelson Ned - "Tudo Passará"



                                        Nelson Ned - "Domingo à Tarde"



                                  Nelson Ned - "Happy Birthday To You, My Love"



                          Nelson Ned e Moacyr Franco - Esse Meu Coração Sem Juizo" - 1976



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Orlando Silva

(Rio de Janeiro/RJ, 3 de outubro de 1915 — Rio de Janeiro/RJ, 7 de agosto de 1978)

Orlando Garcia da Silva, conhecido por Orlando da Silva, nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1915. Foi um dos mais importantes cantores brasileiros da primeira metade do século XX.

Orlando Silva nasceu na rua General Clarindo, hoje rua Augusta, no bairro do Engenho de Dentro. Seu pai, José Celestino da Silva, era violonista e participou com Pixinguinha de serenatas, peixadas e feijoadas. Orlando viveu por três anos neste ambiente, quando, então, seu pai faleceu vítima da gripe espanhola.

Orlando Silva teve uma infância normal, sempre gostando muito de violão. Na adolescência já era fã de Carlos Galhardo e Francisco Alves, esse último um dos responsáveis por seu sucesso. Seu primeiro emprego foi de estafeta da Western, com o salário de 3,50 cruzeiros por dia. Foi então para o comércio e trabalhou como sapateiro, vendedor de tecidos e roupas e trocador de ônibus. Quando desempenhava as funções de office boy, ao saltar de um bonde para entregar uma encomenda, sofreu um acidente, tendo um de seus pés parcialmente amputado, ficando um ano inativo, problema sério, já que sustentava a família.

Foi Bororó, conforme o próprio relata no filme "O Cantor das Multidões" que apresentou Orlando Silva a Francisco Alves, que o ouviu cantar no interior de seu carro, decidindo imediatamente lançá-lo em seu programa na rádio Cajuti. Nos seis ou sete anos seguintes, Orlando Silva tornou-se um grande sucesso, considerado por muitos a mais bela voz do Brasil. Atraía os fãs de tal forma que o locutor Oduvaldo Cozzi passou a apresentá-lo como "o cantor das multidões", conforme relata no filme com o mesmo nome.

Nesse ano gravou seu primeiro disco, na Columbia, com o samba Olha a baiana (Kid Pepe e Germano Augusto) e a marcha Ondas curtas (Kid Pepe e Zeca Ivo), músicas lançadas no Carnaval de 1935. Em março de 1935, passou a atuar na Rádio Transmissora. No mesmo ano, por intermedio de Francisco Alves, assinou contrato com a Victor, onde seu primeiro disco trazia No quilometro 2 (J. Aimbere) e o samba Para Deus somos iguais (J. Cascata e Jaime Barcelos). Nesse mesmo ano, já havia gravado as músicas Lagrimas e Última estrofe (ambas do compositor Índio), que foram lançadas num disco de numeração posterior. Nessas gravações, foi acompanhado por um conjunto regional integrado por Pereira Filho (violão), Luís Bittencourt (violão) e Luperce Miranda (bandolim).

Em 1936 participou do filme Cidade-mulher, da Brasil-Vita, interpretando a marchinha de Noel Rosa que deu titulo ao filme. Também em 1936, participou da inauguração da Rádio Nacional, interpretando, com sucesso, Caprichos do destino (Pedro Caetano e Claudionor Cruz). Foi o primeiro cantor a ter um programa exclusivo nessa emissora, com o qual obteve enorme popularidade. De 1936 são suas gravações de Chora, cavaquinho (Dunga), Orgia (Valdemar Costa e Valdomiro Braga), Dama do cabaré (Noel Rosa), entre outras. Em 1937 foi a São Paulo SP pela primeira vez e apresentou-se na sacada do Teatro Colombo, no bairro paulista do Brás, onde se reuniram 10 mil pessoas para ouvi-lo. Foi nessa ocasião que o locutor Oduvaldo Cozzi lhe atribuiu o cognome de 0 Cantor das Multidões. Nesse mesmo ano, gravou na Victor um de seus grandes sucessos, Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo). Foi o primeiro cantor a interpretar Carinhoso (Pixinguinha, com letra que João de Barro colocou para ele gravar). Também em 1937 lançou a valsa Rosa (Pixinguinha), Boêmio (Ataulfo Alves e J. Pereira), Juramento falso (J. Cascata e Leonel Aze- vedo), o samba Rainha da beleza (Ataulfo Alves e Jorge Faraj), o fox A ultima canção (Guilherme A. Pereira), Alegria (Assis Valente e Durval Maia). Em 1938 participou do filme Banana da terra, dirigido por J. Rui, interpretando a marchinha A jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto), que foi grande sucesso no Carnaval de 1939.

Para o Carnaval de 1938 lançou Abre a janela (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti). Entre outras, ainda em 1938, gravou Não beba mais (Roberto Martins e Bide), o samba Meu romance (J. Cascata), a valsa Musa (Antônio Caldas e Celso de Figueiredo), o samba Eu sinto uma vontade de chorar (Dunga), Pagina de dor (Índio e Pixinguinha), o samba Agora é tarde (Sinval Silva) e o fox-canção Nada além (Custodio Mesquita e Mário Lago), que obteve grande êxito. Quatro lançamentos seus receberam prêmios em 1939: A jardineira, Meu consolo é você (Nássara e Roberto Martins), História antiga (Nássara e J. Cascata) e o samba O homem sem mulher não vale nada (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti). Do mesmo ano são a valsa Número um (Benedito Lacerda e Mário Lago) e o tango Por ti eu me rasgo todo (versão de Osvaldo Santiago). No Carnaval de 1940, lançou a marcha-rancho Mal-me-quer (Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar), e gravou, na Victor, inúmeras canções, entre as quais Perdoar é para Deus (Ari Frazão e Sebastião de Figueiredo), Coqueiro velho (Fernandinho e José Marcílio), a marcha Carioca (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti), o samba A primeira vez (Bide e Marçal), Desilusão (J. Cascata e Leonel Azevedo) e o fox Nana (Custódio Mesquita e Geysa Bôscoli).

Em 1941 gravou Sinhá Maria (Rene Bittencourt), Lagrimas de homem (J. Cascata), A voz do povo (Francisco Malfitano e Frazão), e, em 1942, Rosinha (Heber de Bôscoli e Mário Martins), e também gravou, para ser lançado no Carnaval, Lero-lero (Benedito Lacerda e Roberto Roberti). Nesse ano gravou ainda Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda), Mágoas de caboclo (J. Cascata e Leonel Azevedo) e Quero dizer-te adeus (Ary Barroso), e foi a Fortaleza CE, onde participou da inauguração das ondas curtas da Ceará Rádio-Clube. Em 1943 transferiu-se para a Odeon, onde lançou Podes mentir (Georges Moran e Aldo Cabral), a valsa Olhos magos (Dante Santoro) e o samba Noutros tempos... era eu (Ataulfo Alves). Em 1944, afastou-se dos palcos, continuando a fazer programas de rádio no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Belo Horizonte MG. Nesse ano, entre outras, gravou o samba Louco (Wilson Batista e Henrique de Almeida), Há sempre alguém (Custódio Mesquita) e o samba Atire a primeira pedra (Mário Lago e Ataulfo Alves), que fez sucesso estrondoso no Carnaval. Em 1945, ainda na Odeon, gravou o hino Canção do trabalhador brasileiro (Abdon Lira e Léia Lira). No ano seguinte, participou do filme da Atlântida Segura essa mulher, dirigido por Watson Macedo, interpretando a marcha Seja lá o que Deus quiser (J. Cascata e Leonel Azevedo). Também nesse ano, realizou varias gravações na Odeon, entre as quais as das músicas Um pracinha na Itália (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) e Só uma louca não vê (Lauro Maia e Humberto Teixeira). Ainda em 1946 deixou a Rádio Nacional.

Em 1947, ano de seu casamento, lançou pela Odeon, entre outras gravações, a marcha Argentina (Newton Teixeira e Wilson Batista), a marcha Mulher-sensação (José Batista e Irani Ribeiro), Abigail (Wilson Batista e Orestes Barbosa) e Saudade (Dorival Caymmi). Em 1948 e 1949, gravou, na Odeon, a valsa Maldito amor(Georges Moran e Cristóvão de Alencar), Flor-mulher (Alfredo Ribeiro e Paulo Barbosa), Recordação... saudade (Dorival Caymmi), o bolero Pecadora (versão de Geber Moreira), o samba A que ponto chegaste (J. Cascata e Leonel Azevedo).

Em 1951 transferiu-se para a Copacabana, gravadora em que permaneceu ate 1955. Em 1951 gravou, entre outras, a marcha Não me importa que a tábua rache (Lis Monteiro e J. Piedade), o fox Sempre te amei (Maugeri Sobrinho e Maugeri Neto) e Tenho ciúme (Rene Bittencourt). Em 1953, um concurso da Revista do Rádio o elegeu Príncipe do Disco. Nesse mesmo ano, lançou Aquela mascarada (Ciro Monteiro e Dias Cruz), Exaltação à cor (Ataulfo Alves), Risque (Ary Barroso) e Escravo do amor (J. Cascata, Leonel Azevedo e Lilian Fernandes).

Em 1954, Orlando Silva conquistou o titulo de "Rei do Rádio". Nessa época, fazia o programa "Doze Badaladas", levado ao ar ao meio-dia, com grande audiência. Em 1955, retornou a Odeon, na qual permaneceu ate 1959. Obteve sucesso no Carnaval de 1958 com "Eu Chorarei Amanhã" (Raul Sampaio e Ivo Santos). Reconquistou definitivamente a popularidade com o lançamento pela Victor do LP "Carinhoso", revivendo todos os antigos sucessos. Gravou, ainda em 1959, o LP "Última Estrofe". Em 1960, novamente na RCA Victor, lançou o LP "Por Ti" e, no ano seguinte, o LP "Quando a Saudade Apertar". Em 1962 gravou o LP "Sempre Sucesso". Incluindo músicas de Taiguara, Antônio Carlos e Jocafi, Edu Lobo, Torquato Neto e Gilberto Gil, em 1975 lançou pela RCA Victor o LP "Hoje", completando 40 anos de carreira artística.

Em 1995, a BMG lançou caixa com três CDs, "Orlando Silva, O Cantor das Multidões", com gravações originais de 1935 a 1942.

Faleceu no Rio de Janeiro em 07 de Agosto de 1978.



Principais sucessos

A Jardineira, Benedito Lacerda e Humberto Porto (1938)
A Última Estrofe, Cândido das Neves (1935)
Abre a Janela, Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti (1937)
Alegria, Assis Valente e Durval Maia (1937)
Amigo Leal, Aldo Cabral e Benedito Lacerda (1937)
Aos Pés da Cruz, Marino Pinto e Zé da Zilda (1942)
Atire a Primeira Pedra, Ataulfo Alves e Mário Lago (1944)
Brasa, Felisberto Martins e Lupicínio Rodrigues (1945)
Caprichos do Destino, Claudionor Cruz e Pedro Caetano (1938)
Carinhoso, João de Barro e Pixinguinha (1937)
Cidade-Mulher, Noel Rosa (1936)
Curare, Bororó (1940)
Errei, Erramos, Ataulfo Alves (1938)
Eu Chorarei Amanhã, Ivo Santos e Raul Sampaio (1957)
Juramento Falso, J. Cascata e Leonel Azevedo (1937)
Lábios que Beijei, J. Cascata e Leonel Azevedo (1937)
Lero-Lero, Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão (1942)
Mágoas de Caboclo, J. Cascata e Leonel Azevedo (1936)
Mal-me-quer, Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira (1939)
Meu Consolo é Você, Nássara e Roberto Martins (1938)
Meu Romance, J. Cascata (1937)
Nada Além, Custódio Mesquita e Mário Lago (1938)
Número Um, Benedito Lacerda e Mário Lago (1939)
Pecadora, Agustín Lara, versão de Geber Moreira (1947)
Quero beijar-te Ainda, Paulo Tapajós (1955)
Quero Dizer-te Adeus, Ary Barroso (1942)
Rosa, Otávio de Sousa e Pixinguinha (1937)
Sertaneja, René Bittencourt (1939)
Súplica, Déo, José Marcílio e Otávio Gabus Mendes (1940)

Fontes: Sites Wikipédia, MPBNet; Enciclopédia da Música Brasileira.

Nelson Gonçalves

(Santana do Livramento, RS, 21 de junho de 1919 — Rio de Janeiro, RJ, 18 de abril de 1998)

O cantor Antônio Gonçalves Sobral, mais conhecido como Nélson Gonçalves, nasceu em Santana do Livramento, RS, em 21 de junho de 1919.

Segundo maior vendedor de discos da história do Brasil, com 65 milhões de unidades, fica atrás apenas de Roberto Carlos, com oitenta milhões. Seu maior sucesso foi a canção "A Volta do Boêmio".

Nascido no Rio Grande do Sul, mudou-se com os seus pais portugueses para São Paulo, no bairro do Brás, quando ainda com apenas 6 dias de vida.

Quando criança, era levado para praças e feiras pelo seu pai que, se fazendo de cego, tocava violino, enquanto Nelson Gonçalves cantava.

Gago, o garoto ganhou logo o apelido de Metralha, pois falava cuspindo as palavras como uma metralhadora. Durante esse tempo foi jornaleiro, engraxate, mecânico, polidor e tamanqueiro. E é com o apelido de Metralha que muda-se para Taubaté e se torna boxeur. Com 17 anos recebe a faixa de Campeão Paulista dos Meio-Médios, após vencer 24 lutadores por nocaute e ter perdido apenas duas vezes, por pontos. Foi então estudar canto acadêmico por seis anos com o maestro Bellardi que lhe explicou que não era gago, era taquilárico (do grego takimós: respiração curta, acelerada). E foi o maestro que lhe aconselhou a ser cantor popular.

Como Antonio não era um nome sonoro, os amigos do Brás lhe sugeriram Nelson, mais melodioso. Fez um teste e foi reprovado - na hora de cantar a voz não saia, e Nelson emudeceu. Na semana seguinte nova tentativa, dessa vez um sucesso, cantando a mesma música que tentara na semana anterior, Chora Cavaquinho, de Dunga. Contratado pela PRA-5, Nelson Gonçalves casou-se com Dona Elvira Molla, com quem tem dois filhos. Com a guerra, a rádio promoveu cortes em massa, e Nelson perdeu o emprego, indo trabalhar como garçom.

Foi jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor e tamanqueiro. Foi também lutador de boxe na categoria peso-médio, recebendo, aos dezesseis anos de idade, o título de Campeão Paulista.

Em uma de suas primeiras bandas teve como baterista Joaquim Silva Torres. Foi reprovado duas vezes no programa de calouros de Aurélio Campos. Finalmente, foi admitido na rádio PRA-5, mas dispensado logo depois.

Naquela época, casou-se com Elvira Molla e com ela teve dois filhos. Sem emprego, trabalhou como garçom, no bar do seu irmão, na avenida São João.

Seguiu para o Rio de Janeiro, em 1939, onde trilhou mais uma vez o caminho dos programas de calouros. Foi reprovado novamente na maioria deles, inclusive no de Ary Barroso que o aconselhou a desistir. Finalmente, em 1941, conseguiu gravar um disco de 78 rotações que foi bem recebido pelo público. Passou a crooner do Cassino Copacabana, do Hotel Copacabana Palace, e assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga, iniciando uma carreira de ídolo do rádio nas décadas de 40 e 50, da escola dos grandes, discípulo de Orlando Silva e Francisco Alves.

Alguns de seus grandes sucessos dos anos 40 foram "Maria Bethânia" (Capiba), "Normalista" (Benedito Lacerda / Davi Nasser), "Caminhemos" (Herivelto Martins), "Renúncia" (Roberto Martins / Mário Rossi) e muitos outros. Maiores ainda foram os êxitos na década de 50, que incluem "Última Seresta" (Adelino Moreira / Sebastião Santana), "Meu Vício É Você" e a emblemática "A Volta do Boêmio" (ambas de Adelino Moreira).

Na década de 50, além de shows em todo o Brasil, chegou a se apresentar no Uruguai, Argentina e Estados Unidos, no Radio City Music Hall.

Em 1952, casou-se com Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no Trio de Ouro. O casamento durou até 1959.

Em 1965, Nelson Gonçalves casou-se pela segunda vez com Maria Luiza da Silva Ramos, com quem teve dois filhos, Ricardo da Silva Ramos Gonçalves e Maria das Graças da Silva Ramos Gonçalves. A caçula tem seu apelido no refrão da música "Até 2001". ("É no Gogo Gugu).

No entanto, o seu envolvimento com a cocaína, em 1958, provocou sua prisão em flagrante em 1965. Nelson Gonçalves passou um mês na Casa de Detenção, o que lhe trouxe problemas pessoais e profissionais. Superada a crise, lançou o disco "A Volta do Boêmio nº1", um grande sucesso.

Após abandonar o vício com o apoio de sua mulher, retomou uma carreira bem sucedida.

Continuou gravando regularmente nos anos 70, 80 e 90, reafirmado a posição entre os recordistas nacionais de vendas de discos. Além dos eternos antigos sucessos, Nelson Gonçalves sempre se manteve atento a novos compositores, e chegou a gravar canções de Ângela Rô Rô (Simples Carinho), Kid Abelha (Nada por Mim), Legião Urbana (Ainda É Cedo) e Lulu Santos (Como uma Onda).

Nelso Gonçalves ganhou o prêmio Nipper da RCA, dado aos que permanecem muito tempo na gravadora, sendo somente Elvis Presley outro agraciado.

Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 78 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.

Morreu de parada cardíaca no apartamento de sua filha Margareth, no Rio de Janeiro, em 18 de abril de 1998.

Na década de 90, foi encenado nas principais capitais do país o musical "Metralha".

Em 2001, foi lançado o documentário Nélson Gonçalves, contando a sua trajetória, com direção de Elizeu Ewald e protagonizado por Alexandre Borges e Júlia Lemmertz, tendo a sua filha Margareth Gonçalves como produtora executiva.

Fonte: Sites Wikipédia; MPB Net.

Nora Ney

(Rio de Janeiro/RJ, 20 de março de 1922 — Rio de Janeiro/RJ, 28 de outubro de 2003)

A cantora Nora Ney, nome artístico de Iracema de Sousa Ferreira, nasceu no Rio de Janeiro, em 20 de março de 1922.

Nasceu no bairro carioca de Olaria, na Rua Angélica Mota, nº 34, filha de Dárcio Custódio Fereira, funcionário da Câmara dos Deputados. Aos oito anos foi matriculada num grupo escolar em Olaria e mais tarde formou-se em Contabilidade pelo Instituto Rui Barbosa.

Aprendeu a tocar violão sozinha e, para incentivá-la, seu pai a presenteou com o instrumento. Familiarizava-se com o mundo da música frequentando assiduamente programas de rádio e de auditório.

Ao lado de Maysa Matarazzo, Ângela Maria e Dolores Duran, consagrou-se como uma das maiores intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 30). O gênero, comparado ao bolero, pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado de dor-de-cotovelo ou fossa. O samba-canção antecedeu o movimento da bossa nova, surgido ao final da década de 50, em 1957.

Casou-se em fins da década de 1940 e desta união teve dois filhos, Vera Lúcia e Hélio. O casamento não a fez feliz, pois o marido, Cleido, passou a agredi-la em brigas constantes. Depois de alugar e mobiliar um apartamento em Copacabana, com suas próprias posses, acumuladas com seu trabalho como cantora, deixou o marido, que passou a ameaçá-la de morte. Logo depois entrou com uma ação de desquite litigioso, da qual saiu vitoriosa. Um dia, declararia: "Nunca tive ódio dele, apesar das surras que me deu e de tudo quanto me fez passar". Depois de separada, passou a viver com o cantor Jorge Goulart, uma longa e definitiva união, que, segundo ela, foi seu "grande amigo nos dias difíceis e o companheiro fiel dos dias de glória".

Com um timbre grave, começou a carreira em 1950 e, em 1953, já era uma das grandes divas do rádio, interpretando Dorival Caymmi, Noel Rosa, Ary Barroso, entre outros. Em 1952 gravou pela Continental seu primeiro LP, Menino Grande.

Em 1961 submeteu-se a uma plástica de nariz. Costumava dizer: "Meu nariz nasceu errado". Em 1963, sua filha, Vera Lúcia, foi eleita Miss Brasil. O filho, Hélio, estudou na França e, segundo Nora, "é um bom baterista". Por conta de sua atuação política juntamente com Jorge Goulart no Partido Comunista, teve que se auto exilar após o golpe militar de 1964.

Em 1979, passou por sérios problemas de saúde por conta de um câncer na bexiga, do qual se recuperou.

Em 1989, faz parte do grupo "As Eternas Cantoras do Rádio", dividindo o palco com as companheiras de microfones da fase áurea da radiofonia, Carmélia Alves, Violeta Cavalcanti, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales e Ellen de Lima.

Em 1992, depois de 39 anos de vida em comum, casou-se com o cantor Jorge Goulart. Meses depois, quando se apresentava em um show no Fluminense (clube carioca), sofreu um acidente vascular cerebral, que lhe deixou seqüelas, impedindo-a de voltar aos palcos. Continuou residindo no Rio de Janeiro com seu companheiro, Jorge Goulart.

Faleceu em hospital do bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, em 20 de outubro de 2003, vítima de falência múltipla dos órgãos devido a câncer generalizado provocado por efizema pulmonar. Seu viúvo, Jorge Goulart, programou um espetáculo em sua homenagem para o fim de 2003 no Teatro João caetano.


Fontes: Site Dicionário Cravo Albin de MPB; Wikipédia; MPB Net.

Núbia Lafayette

(Açu/RN - 21/01/1937 - Niterói/RJ - 18/06/2007)

Nubia Lafayette, nascida Idemilde da Costa Araújo, na cidade de Açu(RN), veio ao mundo em 21 de janeiro de 1937. Desde criança já sonhava com a carreira de cantora e brincava, com um cabo de vassoura, cantando as músicas de seus ídolos, Dalva de Oliveira e Vicente Celestino.

Veio para o Rio de Janeiro no final dos Anos 50, onde iniciou carreira com o nome de Nilde Araújo. Participou de programas de calouros e foi crooner da boate Cave.

Chegou a gravar um disco com o nome de Nilde Araújo, mas em 1960 assumiu o nome artístico de Núbia Lafayette, por sugestão do compositor Adelino Moreira. Adelino e Nelson Gonçalves apresentam a cantora à gravadora RCA e, no mesmo ano de 1960, ela grava seu primeiro disco de carreira. Este disco continha "Devolvi", de Adelino Moreira. A música tocou em todas as rádios e tronou-se um grande sucesso, projetando-a como uma cantora romântica e popular.

Grande foi a importância de Nelson Gonçalves na carreira da cantora, não só por tê-la apresentado à gravadora RCA, bem como por tê-la ensinado diversas técnicas, inclusive como a de se portar no palco. Por essa grande afinidade com o cantor, seus fãs chegaram a apelidá-la de "Nelson Gonçalves de saias".

Depois de "Devolvi", seu primeiro sucesso, vários outros vieram: o bolero "Seria tão Diferente", "Prece à lua", "Solidão", "Preciso chorar", "Primazia", "Ouvi dizer"(todas de Adelino Moreira) e "Mais uma lição"( Nonô Basílio).

Na década de 70 ela troca de gravadora, indo para a CBS. Retorna às paradas de sucesso em 1972 com a música "Casa e Comida" (Rossini Pinto). As mulheres, particularmente, passam a amar a música, principalmente as desprezadas e humilhadas por maridos infiéis. Com certeza a explicação estava nos versos que diziam: "Não é só casa e comida que faz a mulher feliz".
Muitas músicas ficaram marcadas na voz da cantora, como: "Aliança com filete de prata" (Gloria Silva), "Mata-me" "Depressa"(Rossini Pinto), "Quem eu quero não me quer"(Raul Sampaio/ Benil Santos), "Esta noite eu queria que o mundo acabasse" (Silvio Lima), "Fracasso"(Mario Lago). Contudo, a música que marcou a carreira da cantora, presença obrigatória em todos os seus shows, motivada pelos apelos incessantes de seu público fiel foi "Lama"(Aylce Chaves /Paulo Marques).

Mesmo com a desvalorização futura da "música dor de cotovelo", Núbia não abandonou o estilo que a popularizou. Gravou várias músicas de Adelino Moreira, além de outras de Lupcínio Rodrigues, Herivelto Martins, Raul Sampaio, Jair Amorim, Evaldo Goveia, Othon russo entre outros.

A cantora chegou a dividir o microfone e faixas em discos com grandes nomes da MPB. Alcione, Gonzaguinha, Nelson Gonçalves, Elymar Santos, Waldick Soriano, Noite Ilustrada Gilberto Milfont e Trio Irakitam estiveram dentre esses privilegiados.

Na década de 90, já morando em Maricá(RJ) a cantora lançou um disco em homenagem a seu grande ídolo: Dalva de Oliveira. O disco foi gravado em Recife e lançado pela Polydisc na série 20 Supersucessos. Nesse disco encontramos grandes sucessos de Dalva de Oliveira na voz romântica de Nubia Lafayette, tais como Que será, Ave Maria no Morro, Segredo e Tudo Acabado.

Em Maricá a cantora gerenciava o Centro Gastronômico Núbia Lafayette e continuava a fazer shows por todo o país.

A cantora sofreu a AVC no dia 10 de março de 2007, ficou internada dez dias e depois teve de retornar à internação. Antes, porém, prestigiou, como em anos anteriores, o tradicional Festival da Seresta, no Recife Antigo, no mês de maio.
No dia 25 de maio de 2007 Núbia retorna ao Hospital das Clínicas em Niterói(RJ), onde vem a falecer aos 70 anos, às 13h15 do dia 18 de junho de 2007, devido a complicações decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (derrame cerebral) hemorrágico. 


Fonte: MofoTv .

Noite Ilustrada

(Pirapetinga/MG, 10/04/1928 ******* Atibaia/SP, 28/07/2003)

O cantor Mário de Souza Marques Filho, conhecido como Noite Ilustrada, nasceu na cidade de Pirapetinga, Minas Gerais, em 10 de abril de 1928.

Ainda criança, na cidade de Porto Novo do Cunha (atualmente Além Paraíba), engraxava sapatos e carregava leite para ajudar a mãe, separada há poucos anos. O pai, que estava morando no Rio de Janeiro, mandou buscá-lo e, na impossibilidade de oferecer uma melhor assistência ao pequeno Mario, matriculou-o em um internato do Serviço de Assistência aos Menores e posteriormente no Instituto Profissional Getúlio Vargas.

Assim, Mário Filho viveu a infância e adolescência em colégios internos. Aprendeu a enfrentar os percalços da vida sozinho - já que a presença familiar era um luxo que ele tivera poucas vezes, quando o pai ou a mãe iam visitá-lo em algum domingo. Dentro do ambiente escolar, cresceu cercado pela música e pelo futebol. Era lateral esquerdo. A decisão entre a prática esportiva e a musical deu-se após um problema que vitimou seu joelho. O futebol acabou ficando em segundo plano no coração botafoguense e a música passou a ocupar as horas vagas do garoto junto com os colegas do internato.

Saindo do Instituto Getúlio Vargas, além da formação escolar, o rapaz aprendeu a trabalhar com móveis. Nesse ofício, no bairro de Vila Isabel, conheceu outros músicos que residiam na Mangueira e costumavam realizar rodas de samba. Ele começou a freqüentar esses encontros ocasionalmente, apenas pela diversão. Porém, anos depois se viu integrado ao grupo de sambistas da Portela. Nele, começou a fazer apresentações em outros estados. Numa dessas oportunidades, em meados da década de 50, em São Paulo, Mario Filho decidiu dar um rumo à sua carreira e estabeleceu-se na capital paulista, onde ficou conhecido nacionalmente.

Embora São Paulo tenha o papel de cidade que acolheu e revelou Noite Ilustrada, sua carreira deu seus frutos iniciais ainda no Rio de Janeiro. O primeiro deles veio com o nome carregado pelo artista até o fim de seus dias. Durante um período de férias, ele foi convidado a participar da caravana do comediante Zé Trindade como violonista. Em um dos shows realizados no estado de Minas Gerais, o organizador resolveu colocar Mário Filho para cantar. No momento de anunciá-lo, Zé Trindade esqueceu como deveria apresentar sua nova atração e, lembrando-se do nome de uma revista que o rapaz sempre carregava no bolso, chamou-o de "Noite Ilustrada".

A princípio ele não gostou do apelido, mas de tanto ser chamado assim, acabou incorporando o nome artístico. Intérprete singular, gravou o primeiro trabalho, como profissional, ainda nos anos 50. O compacto, em 78 rotações, lançado pela Discos Mocambo (selo da gravadora pernambucana Rosemblit, que mais tarde se transformaria na Top Tape), tinha uma música de cada lado: “Cara de Boboca”, de Jaime Silva e Edmundo Andrade, e “Castiguei”, de Jorge Costa e Venâncio. O ano era 1958 e junto com o contrato para integrar a Mocambo, Noite Ilustrada recebeu um convite para fazer parte do elenco da Rádio Nacional, uma das mais importantes emissoras do país.

Posteriormente, foi contratado pela Philips. Nela gravou, em 1962, o segundo compacto com duas músicas. Uma de sua autoria, “Lua Triste”, e outra do zoólogo Paulo Vanzolini, “Volta Por Cima”, que se transformou em sucesso nacional, marcando profundamente a vida artística de Noite Ilustrada. Esta contradição acabou tornando-se constante em sua carreira. Ele é mais conhecido como intérprete do que como compositor. Na sua voz, canções de Ataulfo Alves (“Leva Meu Samba”, “Laranja Madura”, “Sei Que É Covardia”, “Pois É”), Dorival Caymmi (“Maracangalha”, “Saudade da Bahia”), Cartola (“As Rosas Não Falam”, “Sim”, “Amor Proibido”), Nelson do Cavaquinho (“Palhaço”, “Degraus da Vida”), Noel Rosa (“O Neguinho e a Senhorita”) e outros grandes nomes da música popular brasileira ganharam interpretações tão marcantes que acabaram vinculadas ao nome do cantor.

Um aspecto interessante da relação de Mário de Souza Marques Filho com sua trajetória artística é que ele separava o cantor do compositor, como se fossem duas personas. Noite Ilustrada era o intérprete e Marques Filho (adotando o sobrenome paterno), o compositor. Nos discos em que aparecem músicas de sua autoria, estas vêm assinadas como Marques Filho, mesmo que na capa esteja estampado Noite Ilustrada.

Entre os anos 70 e 80, o samba perdeu espaço no mercado fonográfico brasileiro. Noite Ilustrada começou a enfrentar dificuldades para gravar discos e fazer shows, e as apresentações noturnas, que garantiam boa parte da sua sustentabilidade financeira, começaram a rarear. Ele, então, fez um concurso para motorista de caminhão de lixo. Passou, mas não assumiu o cargo. Preferiu juntar as economias e investir em apresentações, na tentativa de conseguir algum retorno.

Em uma entrevista ao programa Top Set, da TV Tupi, Noite Ilustrada conta que por volta de 1984, com o falecimento de Altemar Dutra, o empresário do cantor começou a procurar outro artista para trabalhar. Ele, então, foi convidado para uma temporada de três meses em Recife. O começo foi sofrido, ele passou sérias dificuldades, porém conseguiu firmar-se e a cidade serviu como uma espécie de catapulta para uma carreira que já mostrava sinais de estagnação. A empatia com a capital pernambucana foi tão grande que o artista acabou permanecendo até 1996.

No Nordeste, ele integrou o cast da gravadora Polydisc e lançou as coletâneas Cada Vez Melhor e Aplauso do Povo. A primeira serviu para alavancar a carreira de Noite Ilustrada no Norte e Nordeste. Ele vendeu mais de trezentas mil cópias deste disco fora dos mercados das grandes capitais. A segunda é quase desconhecida. Nunca é citada na discografia oficial, mas possui pérolas como “Ai, que Saudade de Amélia”, parceria de Ataulfo Alves com o falecido ator-compositor Mario Lago; “Ainda É Tempo”, de Flavinho da Portela (considerado por Noite Ilustrada um compositor excelente) e Fernando Paes; uma composição própria em parceria com Antonio Mota, chamada “Andorinha”, que abre o pout-porri do disco; além de uma canção de Getúlio Cavalcanti intitulada “Por Amor a Recife”.

Noite Ilustrada esteve em Recife em 2003, durante o Festival Nacional da Seresta, realizado no Marco Zero. Para o espectador, a apresentação foi um misto de êxtase e dor. Êxtase por estar novamente diante de um artista que valorizou, em suas interpretações, os maiores nomes da música popular nacional. Dor, por ver suas feições debilitadas e perceber que aquela era uma das últimas, senão a última, oportunidade de apreciar a voz do mestre mineiro ao vivo. A apresentação, naquela noite estrelada com o Atlântico ao fundo, acabou sendo o derradeiro encontro do sambista com a Veneza Brasileira.

A última obra do cantor saiu pela Trama, em 2001, sob o título de Perfil de Um Sambista. A música-título composta por Adauto Santos, especialmente para homenageá-lo, caiu como uma luva em sua trajetória. É um bom resumo do que foi o meio século de carreira de Noite Ilustrada. O restante do disco é composto por sucessos antigos que ganharam novos arranjos, a exemplo de “Volta Por Cima”, e por mais três canções inéditas: “Beco Sem Saída”, de Silvio Caldas, “Meus Vinte Anos”, de Wilson Batista e Silvio Caldas, e “A Primeira Escola”, de Pereira Matos e Joel de Almeida.

Noite Ilustrada tinha planos de lançar um disco inteiro com novas canções. Pouco antes de falecer, fez parceria com Cássia Eller na faixa “Você Passa, Eu Acho Graça”, que foi lançada ano passado, em um álbum póstumo da cantora chamado Participação Especial. Ele também soltou a voz em projetos que faziam uma releitura da obra de dois compositores que admirava em demasia: Ataulfo Alves e Lupicínio Rodrigues.

"Ao Mestre Com Carinho", lançado em 2003 pela gravadora independente Atração, traz sete composições de Ataulfo Alves, que considerava Noite Ilustrada seu sucessor. O álbum "Noite Ilustrada Canta Lupicínio Rodrigues" era um sonho que o sambista cultivava de lançar um disco exclusivo com músicas do gaúcho que compôs “Nervos de Aço”, já interpretada por Noite na série Popularidade, lançada pela Warner.

A discografia completa de Noite Ilustrada possui mais de quarenta álbuns, entre composições inéditas e muitas coletâneas. Uma boa referência para o trabalho dele são estas obras que figuram na maioria dos inventários da trajetória musical do artista.

Perfil de um Sambista (Trama - 2001)
Volta à Gafieira (Coletânea – Atração - 2000)
Eu Sou o Samba (Camerati - 1998)
Aplauso do Povo (Polydisc -1987)
Cada Vez Melhor (Polydisc -1986)
A Profecia (Fermata - 1982)
O Fino do Samba – Vol. 2 (Cristal/WEA - 1981)
À Vontade (Continental - 1979)
Não Me Deixe Só (Continental - 1978)
Noite Ilustrada (Tapecar -1976)
Noite Ilustrada (Tapecar -1975)
Samba Sem Hora Marcada (Continental - 1974)
Noite Ilustrada Interpreta Marques Filho (Continental - 1972)
Samba É Comigo Mesmo (Continental - 1972)
Noite Ilustrada (Continental - 1971)
Samba Sem Problemas (Continental - 1970)
Papo Furado – Isaura Garcia e Noite Ilustrada (Continental - 1970)
Noite Ilustrada (Continental - 1969)
Revivendo o Mestre Ataulfo (Continental - 1969)
Depois do Carnaval (Odeon - 1966)
Caminhando (Philips - 1965)
Noite no Rio (Philips - 1964)
Noite Ilustrada (Philips - 1963)
O Ilustre (Philips - 1962).


Noite Ilustrada morreu no dia 28 de julho de 2003, em Atibaia, no interior do Estado de São Paulo, aos 75 anos. Ele estava internado desde o dia 27 de junho, no Hospital Novo Atibaia, fazendo tratamento contra um câncer no pulmão. O corpo do cantor foi velado na Câmara Municipal de Atibaia. O enterro aconteceu no cemitério Parque das Flores.

Fontes: Sites Rabisco, Folha Online, Portal Afro, Imusica, Terra

Noel Rosa

(Rio de Janeiro, RJ,  11/12/1910  ******* Rio de Janeiro, RJ, 4/5/1937)

Noel de Medeiros Rosa, conhecido como Noel Rosa, nasceu em 11 de dezembro de 1910, num humilde chalé no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

Nasceu sofrendo muito: o parto, difícil, a fórceps, causou a fratura de um osso da mandíbula. Em consequência, adquiriu um defeito físico no queixo, no lado direito do rosto, e muita dificuldade para mastigar. Quatro anos depois nasceu o seu único irmão, Hélio.

Noel Rosa aprendeu bandolim com a mãe, Martha, e foi introduzido ao violão pelo pai, Manuel de Medeiros Rosa. Mas se tornou mesmo autodidata. Suas primeiras experiências criativas foram paródias pornográficas, feitas no tempo do Colégio São Bento, sobre melodias de canções conhecidas na época. Adolescente, não tardou a começar a frequentar bordéis e pensões de mulheres. e viver na boemia. Usava o violão do pai, até que ganhou um, de um tio.

Tinha amor pelas madrugadas e trocava sempre o dia pela noite. Sol, ele detestava mesmo. Não foi à toa que escreveu os versos de "Feitiço da Vila".

Noel Rosa era tímido e recatado, tinha vergonha da marca que trazia no rosto, evitava comer em público por causa do defeito e só relaxava bebendo ou compondo. Sem dinheiro, vivia às custas de poucos trocados que recebia de suas composições e do auxílio de sua mãe. Mas tudo que ganhava era gasto com a boemia, com as mulheres e com a bebida.

Em 1927, voltava de uma noitada, quando encontrou sua avó paterna enforcada no quintal de sua casa; tinha se matado, repetindo o gesto de um bisavô de Noel. Foi naquele ano que ele iniciou namoro com uma vizinha, Clara, relação que veio a durar sete anos.

Mais ligado na música que nos estudos, Noel Rosa era na escola um aluno irreverente com os professores. Em Vila Isabel - celeiro de músicos - participava de serenatas e logo ficou conhecido como bom acompanhante ao violão. Em 1929, um grupo amador de jovens músicos, a maioria da Tijuca, o procurou: Almirante, Braguinha (que adotará o pseudônimo João de Barro), Henrique Brito e Alvinho. Com eles, formou o Bando de Tangarás.

O repertório do conjunto se compôs de cantigas de inspiração nordestina, de acordo com a moda do momento. Noel seguiu por essa trilha em suas primeiras composições, a toada "Festa no Céu" e a embolada "Minha Viola". Em 1929, ele as gravou, estreando em disco como solista. No Bando, não tinha destaque como cantor e compositor. Mas suas primeiras apresentações em público - em festas em casas, teatros e clubes - aconteceram com os Tangarás.

Contam alguns que os colegas de Noel Rosa no Bando de Tangarás gostavam dos ambientes grã-finos e bem-comportados. Ele, ao contrário, preferia os mais simples e se sentia especialmente bem na companhia de desocupados, quando não marginalizados. A turma de Noel não eram apenas os compositores de classe média, brancos como ele, mas também o pessoal do morro. E ele tinha seus casos amorosos com mulheres dos subúrbios, que preferia aos bairros de classe média.

Magro e debilitado desde muito cedo, dona Marta vivia preocupada com o filho, pedindo-lhe que não se demorasse na rua e que voltasse cedo para casa. Sabendo, certa vez, que Noel iria à uma festa em um sábado, escondeu todas as suas roupas. Quando seus amigos chegaram para apanhá-lo, Noel grita, de seu quarto: "Com que roupa?" - no mesmo instante a inspiração para seu primeiro grande sucesso, gravado para o carnaval de 1931, onde vendeu 15000 discos!. Essa música inaugura um estilo novo e singular, elaborado e comunicativo, de fazer samba. Ao mesmo tempo, é recebida entre intelectuais como uma expressão da condição do povo carioca e brasileiro. E estoura no carnaval de 1931, para o qual Noel teve mais sete composições gravadas. Data dessa fase a gravação também da sua primeira parceria com Lamartine Babo, a marcha nonsense "A.B.Surdo".

Aquele foi o único ano em que o compositor teve músicas aproveitadas no teatro de revista. Uma das peças, "Café com Música", destacando a cantora Aracy Cortes, incluiu oito criações suas, entre as quais duas obras-primas que ele próprio gravaria: "Gago Apaixonado" e "Quem Dá Mais". A primeira se transformou em número obrigatório nas suas apresentações. Foi lançada em 31, ano em que saíram ainda "Eu Vou pra Vila" e "Cordiais Saudações", ambas com o Bando de Tangarás - a primeira na voz de Almirante, a segunda na de Noel.

Aprovado no vestibular, Noel se matriculou na faculdade de Medicina em abril daquele ano. Não chegou, porém, a terminar nem o primeiro semestre do curso. Este pelo menos lhe rendeu a inspiração de um grande samba, "Coração".

Por esse período, ele intensificou suas relações com os morros, aonde passou a ir com frequência, aprendendo, ficando amigo e parceiro dos sambistas locais. Como Cartola, de Mangueira, por exemplo. Na cidade, a amizade que se estreitou foi com Lamartine Babo. Os dois viraram companheiros de farras. Além disso, compuseram mais uma marcha juntos: "A.E.I.O.U.", para o carnaval do ano seguinte.

Em 1932, Noel Rosa comprou um Chevrolet de Francisco Alves, então o maior nome da música popular do país, e lhe deu o nome de Pavão. O cantor era um conhecido comprador (um "comprositor") de canções alheias, daí ele e o compositor terem combinado um pagamento em sambas.

Noel já iniciara seu trabalho com Ismael Silva, sambista do Estácio que se tornaria o seu parceiro mais constante. Ismael tinha um trato com Chico Alves, pelo qual este levava crédito em tudo que compunha. A combinação se estendeu à dupla Noel-Ismael, cujos sambas também receberam a assinatura de Chico, a começar por "Adeus", de 1931, e "Para Me Livrar do Mal" e "A Razão Dá-se a Quem Tem", de 1932. Chico lançou os três, o terceiro em duo com Mário Reis.

O ano de 1932 foi o de maior produção na carreira de Noel: mais de quarenta composições. Ficou marcado também por importantes gravações. Ele próprio registrou, sozinho, "São Coisas Nossas", "Quem Dá Mais" e "Coração". E, com Ismael, "Seu Jacinto" e "Quem Não Dança". Chico e Mário voltaram a gravar em dupla: "Fita Amarela". E João Petra de Barros lançou outro clássico: "Até Amanhã".

Em abril, Noel fez com Chico e Mário uma bem-sucedida turnê pelo Rio Grande do Sul. E em agosto, uma temporada num cine-teatro da Cinelândia, no Rio, com Chico, Almirante e Carmen Miranda; mais da metade do repertório do show era de sua autoria.

Em 1933, ele gravou os sambas "Onde Está a Honestidade?" e, composto com Orestes Barbosa, "Positivismo", que solidificou uma amizade nutrida em encontros no Café Nice, no centro do Rio, um point da boemia da época.

Foi também nessa fase que ele conheceu o pianista paulista Vadico, no estúdio da Odeon. Os dois iniciaram de imediato uma parceria que veio a ser tão produtiva (onze músicas) quanto inventiva (várias delas antológicas). Naquele ano, por exemplo, rendeu "Feitio de Oração" e "Não Tem Tradução", ambas gravadas por Francisco Alves - a primeira, com Castro Barbosa.

Ainda em 1933, foram lançados, por Mário Reis, "Quando o Samba Acabou" e "Filosofia" (parceria com André Filho), e por Almirante, "O Orvalho Vem Caindo". Todos clássicos.

No início de 1934, Noel Rosa compôs "Rapaz Folgado", uma resposta a "Lenço no Pescoço", do então jovem sambista Wilson Batista. Começou assim uma polêmica que se tornaria célebre e que renderia uma série de sambas. Em sua música, Noel, estranhamente, criticava o malandro cantado por Wilson - logo ele, um apologista da malandragem. No fundo, o que havia, porém, era uma rixa por causa mulher: Wilson tinha roubado uma namorada dele.

Noel levava uma complicada vida amorosa, com vários casos sucessivos ou mesmo simultâneos. Mantinha um namoro bem-comportado com Clara. E outro, mais quente, com Fina, a quem levava para passeios noturnos, em locais distantes e desertos, de carro. A mesma coisa passou a fazer com Lindaura.

Em março e abril de 1934, ele participou de uma turnê com o grupo Gente do Morro, liderado pelo flautista Benedito Lacerda, pelo norte do estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A excursão não deu lucro. No final, a maioria dos músicos voltou fugida de uma pensão em Vitória, sem pagar a conta. Noel, vivendo um romance com uma moça, ficou por lá. Sua mãe teve de ir buscá-lo, para que voltasse.

Já no Rio, em 23 de junho, numa festa de São João em sua homenagem no Cabaré Apollo, ele conheceu Ceci, que em breve se tornará bailarina e namorada dele. Mais que isso: sua maior paixão e musa.

Em 1934, João Petra de Barros gravou duas pérolas noelinas: "Feitiço da Vila", composta com Vadico, e "Linda Pequena", em parceria com João de Barro. A primeira não demorou para virar um clássico. A segunda só seria lançada um ano depois, sem obter maior repercussão. Apenas em 1937, reintitulada "Pastorinhas" e cantada por Silvio Caldas, ela iria estourar, transformando-se numa das peças mais populares de todos os tempos da música brasileira.

No campo artístico, Noel aprofundava então relações com Marília Baptista (bem-comportada, de classe média) e Aracy de Almeida (boêmia, pobre, do subúrbio). As duas viriam a ser as suas maiores intérpretes.

Em 1934, Noel Rosa faz constantes apresentações em emissoras de rádio e em cinemas. Numa delas, no Cine Grajaú, muito magro, ele desmaia em palco. É hospitalizado. Diagnóstico: tuberculose, na época uma doença difícil de se curar. A família decide que ele vá para uma cidade de clima bom. Noel quer levar Lindaura para cuidar dele. Sua mãe o obriga então a se casar com ela - o que acontece em dezembro. O casal vai para Belo Horizonte. Lá ele não abandona a noite de todo; acaba conhecendo a boemia local.

Tuberculose contida, mas não curada, mais gordo, ele volta em abril de 1935 para o Rio - e para Ceci. Aluga um quarto mobiliado para os dois. É por essa época que o pai de Noel se enforca num quarto da Casa de Saúde da Gávea. Tinha 54 anos e estava internado no hospício havia meses.


Noel vivia deixando a sua mulher, Lindaura, em casa. Saía sem ter hora certa de voltar. Às vezes, reaparecia apenas dias depois. Os dois começaram morando juntos e viveram em muitos lugares - quartos de hotéis e pensões, casas de conhecidos. Em 1934, ainda dividiam um quarto (dividido para dois casais) num sobrado. Depois que se casaram, foram morar num quarto de fundos do humilde chalé dos pais dele. Isso dá uma idéia da pobreza em que viveu Noel.

Uma maratona de recitais ocupava grande parte do tempo do artista. Além disso, Noel trabalhava em quatro estações de rádio. Cantava, contava piadas, participava de desafios - que sempre vencia -, escrevia textos publicitários, atuava até como contra-regra. E criava paródias engraçadíssimas.

À base de paródias de canções populares do período, ele fez, à época, duas "revistas radiofônicas" (ou "óperas bufas cariocas", na expressão de Almirante): "O Barbeiro de Niterói" e "Ladrão de Galinha". Além disso, com o pianista e regente húngaro Arnold Gluckmann, escreveu a opereta "A Noiva do Condutor". Nenhum desses trabalhos foi ao ar. O último teve de esperar meio século para ser conhecido.

Em 1935, Noel acrescentou uma nova série de "standards" à sua obra. Dois foram gravados por ele mesmo, "João Ninguém" e "Conversa de Botequim". Outros três saíram no registro de Aracy de Almeida, que se firmava como intérprete representativa do compositor: "Triste Cuíca", "O X do Problema" e "Palpite Infeliz". Este se constituiu no contra-ataque mortal, definitivo, desferido por Noel em Wilson Batista, na polêmica poético-musical que travaram.

Janeiro de 1936 assistiu à estréia do filme "Alô, Alô, Carnaval", o primeiro musical a utilizar canções de Noel Rosa. Eram duas marchas: uma composta com Hervê Cordovil, "Não Resta a Menor Dúvida", interpretada pelo Bando da Lua; outra, "Pierrot Apaixonado", com Heitor dos Prazeres, cantada pela dupla Joel e Gaúcho. Esta e "Palpite Infeliz" já eram sucesso e seriam destaques no Carnaval seguinte, que teve em Noel o compositor campeão, com mais sete músicas pontuando.

Apesar do sucesso, porém, pouco a pouco o sambista foi mostrando sintomas de desinteresse pela vida, como um crescente descuido com a aparência e com a saúde. Como não abandonava a boemia, as gripes se tornaram frequentes, acompanhadas de febre alta. Também foi se tornando cada vez menos profissional, atrasando-se para os compromissos.

Aquele ano - 1936 - acabou sendo a sua fase de menor produção: não chegaram a vinte as músicas que fez. Parte delas teve novo endereço cinematográfico: o bem-sucedido "Cidade Mulher", filme de Humberto Mauro. De Noel, na trilha ressaltavam "Dama do Cabaré" e a canção-título, ambas na voz de Orlando Silva, mais "Tarzan, o Filho do Alfaiate" (outra parceria com Vadico), com José Vieira.

Por essa época, Lindaura engravidou. Mas acabou perdendo o filho, após cair da goiabeira do quintal da casa da mãe de Noel. Ceci - que já tinha tido um caso com Wilson Batista - estava namorando com Mário Lago.

No Carnaval de 1937, Noel faz sucesso com "Quem Ri Melhor", gravado por ele e Marília Batista. Cada vez mais doente, chega a sair, mas já não brinca. Em abril, passa com a mulher três semanas em Friburgo. Em seguida, alguns dias em Piraí. Volta muito mal; é o fim. No mesmo quarto em que viera ao mundo, 26 anos antes, morre a 4 de maio. Um enterro concorrido acontece em Vila Isabel, ao qual comparece parte significativa do mundo do samba carioca. É grande a repercussão na imprensa: Noel era uma figura popular.

Pouco depois Aracy de Almeida lançava "Último Desejo", e Silvio Caldas, "Pastorinhas". Dois estouros.

De 1937 a 1950, Noel seria pouco gravado. No começo dos anos 50, iniciou-se um revival de sua obra, puxado por Aracy, que fez então muitos shows e três discos cantando-o (o primeiro, com capa de Di Cavalcanti, e todos com arranjos de Radamés Gnatalli). Marília Batista também o regravou (mais tarde faria um álbum duplo com músicas dele). E Almirante criou um programa de rádio de muito sucesso, "No Tempo de Noel Rosa", que durou cinco meses em 1952.

Fontes: Uol Noel Rosa - Personalidades da MPB; MPBNet

Nelson Cavaquinho

(Rio de Janeiro/RJ, 28 de outubro de 1910 — Rio de Janeiro/RJ, 17 de fevereiro de 1986)

Nelson Cavaquinho era o nome artístico de Nelson Antônio da Silva. Quando criança estava sempre acompanhado de seu cavaquinho (daí seu nome artístico) porém mais tarde fez do violão – considerava o cavaquinho muito pequeno - o companheiro inseparável. Criou um estilo único de tocar o instrumento, já que tocava violão usando apenas dois dedos da mão direita.

O envolvimento com a música iniciou-se ainda no seio familiar, visto que o pai, Brás Antônio da Silva, era músico da banda da Polícia Militar e seu tio Etelvino tocava violino.

Mais tarde tornou-se freqüentador assíduo das rodas de choro da Gávea onde, inclusive, ganhou o apelido que o acompanhou por toda a vida.

Aos 20 anos de idade casou-se com Alice Ferreira Neves. Desse enlace resultaram quatro filhos. Por intermédio do pai, conseguiu nessa época um emprego na polícia, fazendo ronda noturnas a cavalo. Graças à essas rondas noturnas conheceu e passou a freqüentar o morro da Mangueira. Este fato possibilitou que fizesse amizade com sambistas como Carlos Cachaça, Cartola e Zé da Zilda.

Sua lista de composições ultrapassa a marca de 400 canções. Dentre elas grandes destaques, como “A Flor e o Espinho” e “Folhas Secas”, parcerias com Guilherme de Brito (seu parceiro mais freqüente). O primeiro contato entre Nelson e Guilherme de Brito ocorreu ao serem apresentados em um botequim da Praça Tiradentes.

Após deixar a polícia, a situação financeira de Nelson estava muito ruim. Para tentar minimizar os problemas financeiros Nelson passou a “vender” parcerias de sambas que compunha sozinho. Diante desse fato, o mestre Cartola resolveu abandonar a parceria e manter apenas a amizade.

Sua primeira canção gravada foi "Não Faça Vontade a Ela", em 1939, por Alcides Gerardi, mas não teve muita repercussão. Anos mais tarde foi descoberto por Cyro Monteiro que fez várias gravações de suas músicas. Começou a se apresentar em público apenas em 1960, no Zicartola, bar de Cartola e Dona Zica no centro do Rio. Nesse período teve músicas gravadas por Elizeth Cardoso, e em 1966 a CBS lançou um disco só com composições suas, com a cantora Telma Costa, produzido por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, em que aparece também como intérprete em algumas faixas.

Em 1970 lançou seu primeiro LP, "Depoimento de Poeta", pela gravadora Castelinho.

Consagrado como um dos maiores sambistas do Brasil, foi gravado por diversos cantores, desde Chico Buarque e Paulinho da Viola até Arnaldo Antunes, que fez uma recriação para "Juízo Final" em seus disco "O Silêncio".

Com mais de 50 anos de idade, conheceria Durvalina, trinta anos mais moça do que ele, sua companheira pelo resto da vida. Morreu na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, vítima de um enfisema pulmonar.

Neusa Maria

(Itália, 1923 ********* Rio de Janeiro/RJ, 13/2/2011).

Neusa Maria era o nome artístico da italiana Vasilíki Purchio. Filha de imigrantes italianos que se instalaram em São Paulo, começou a cantar muito cedo em apresentações que fazia para a vizinhança a partir dos doze anos de idade.

Já cantando como profissional ganhou os títulos de "Rainha do Jingle" e de "A Voz Doçura do Brasil". Adotou o nome artístico de Neusa Maria, por sugestão de Abílio Caldas, pois seu nome de batismo, Vasilíki, era de difícil pronúncia.

Destacou-se nas décadas de 1940 e 1950 através da interpretação de boleros, sambas e de jingles. Sua voz era sucesso garantido em jingles nesse período e essa vocação estendeu-se para os anos subsequentes.

Começou cantando em programas de calouros de rádio, incentivada pelos amigos. Estreou em meados de 1942, no programa de Gabus Mendes da Rádio Record paulista, recebendo na ocasião o primeiro lugar.

Ainda no início da década de 40 teve o primeiro contato com Abílio Caldas. Abílio era representante comercial da loja que trabalhava e também era radialista. Ele encantou-se com a voz de Neusa e levou-a para cantar na rádio Cruzeiro do Sul, devido a insistência dos colegas de trabalho. O sucesso foi estrondoso e Neusa acabou sendo contratada para trabalhar na rádio Tupi paulista.

Em 1943 recebeu o título de "A Estrela do Ano" num concurso que reuniu vários artistas do cenário musical de São Paulo. Em 1945 foi ao Rio de Janeiro para fazer sua primeira gravação na Continental. Nessa ocasião conheceu César de Alencar que a levou a Renato Murce para um teste, o que lhe garantiu um contrato com a Rádio Clube do Rio de Janeiro. Quando César transferiu-se para a Rádio Nacional, Neusa o acompanhou, permanecendo nos quadros da emissora por longos anos.

Seu primeiro sucesso foi "Eu sei que ele chora", baião de Nestor de Holanda e Ismael Neto. Depois gravou "Arrivederci Roma", "Nunca jamais", "Siga", 'Molambo", "Murmúrios", "Gondoleiro" e "Picolísima serenata".

Foi eleita "A melhor cantora do rádio de 1956", em pesquisa feita pelo Clube do Disco e "A melhor cantora do rádio de 1957", em pesquisa realizada pela célebre "Revista do Rádio", quando seus discos entravam com freqüência em todas as paradas de sucesso da época.

Recebeu o troféu Disco de Ouro de "O Globo" em 1956. Gravou dois discos pela Continental, 23 pela Sinter entre 1950 e 1957, 10 pela RCA Victor entre 1958 e 1960. Gravou ainda pela CBS e pela Star.

Seus maiores sucesso foram: "Caixa postal zero zero", "Quisera", "Olhos traidores", "O tempo marcou", "Siga", "Nos teus lábios", "Eu não sei o que será" e "Murmúrios". Lançou pela Sinter os LPs "As favoritas de Haroldo Eiras" e "Neusa canta para os que amam".

Fez participação em alguns filmes da antiga Companhia Atlântida Cinematográfica, atuando em filmes como: "Barnabé, Tu és Meu" e "Fogo na Roupa".

Na década de 60, por "questões emocionais", segundo a família, começou a achar que não tinha mais voz e encerrou a carreira.

Abriu uma confecção de moda praia, que durou até os anos 80. Depois, para passar o tempo, ficava à máquina de costura, fazendo roupas que doava á crianças carentes.

Falava pouco sobre os tempos de cantora e perdera as próprias gravações, depois de um vazamento de água em casa. O pesquisador musical Rodrigo Faour copiou os discos para ela em cd.

Apesar do desapego com o passado, continuava fã de música (e de Roberto Carlos).

Neusa morreu aos 87 anos, após uma parada cárdiorespiratória. Teve duas filhas, três netos e bisneto. O enterro aconteceu na cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: mpbcifrantiga2.blogspot.com

Orlando Dias

(Recife/PE, 1 de agosto de 1923 - Rio de Janeiro/RJ, 11 de agosto de 2001)

O cantor e compositor José Adauto Michiles, conhecido como Orlando Dias nasceu em Recife, PE, em 1 de agosto de 1923.

Orlando Dias era neto de um violonista e também poeta, de quem herdou a veia artística e se iniciou na música.

Em meados da década de 1940, Orlando Dias casou-se e pouco depois ficou viúvo. Deixou Recife definitivamente em 1950.

Sua marca registrada eram suas interpretações cheias de estilo, exageradas, que se constituíam em verdadeiros "happenings" (o lenço branco acenado, gestual teatral, inclusive a mania de se ajoelhar no palco, declamação de versos emocionados e roupas desalinhadas), sendo portanto um dos precurssores do que hoje se chama estilo "brega-romântico".

Em 1938, deu início à carreira, participando de um programa de calouros sem sucesso. Logo depois, em outra tentativa na Rádio Clube de Pernambuco, foi mais feliz. Nessa época, costumava imitar o ídolo Orlando Silva. Na década de 1940, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde conseguiu contrato na Rádio Mayrink Veiga. Voltou ao Recife, por volta de 1946, mas depois da perda da esposa, decidiu voltar ao Rio de Janeiro. Gravou seu primeiro disco pela Todamérica em 1952, com "Tive ciúme", um samba de Almeida Freire e "Ainda não sei", um bolero de Peterpan. No ano seguinte lançou o samba "Não te quero bem nem mal", de J. Cascata e Leonel Azevedo.

Em 1954, gravou o fox-trot "Façamos as Pazes", de Luiz de França, Ubirajara Nesdan e Nelson Bastos. Em 1955 gravou na Mocambo o baião "Perigo de Morte", de Gordurinha e Wilson de Morais.

No fim da década de 1950, passou a cantar com o estilo que lhe deu fama. Em 1959 estreou na Odeon com os boleros "Se Eu Pudesse", de Valdir Machado e "Nas Tuas Horas de Tristeza", de Cid Magalhães.

Orlando Dias atingiu o auge de sua carreira no início dos anos 1960. Nessa época lançou da dupla Arsênio de Carvalho e Lourival Faissal a guarânia "Minha Serás Eternamente". Em 1961, lançou com sucesso o bolero "Tenho Ciúmes de Tudo", de Valdir Rocha. No ano seguinte, Orlando Dias gravou mais dois boleros de Valdir Machado, compositor do qual gravava composições frequentemente. Em 1963, gravou com êxito o LP "Se a Vida Fosse um Sonho Bom", trazendo, além da faixa-título, "Beija-me", ambas de autoria de Valdir Machado. Em 1965, lançou para o carnaval o samba "Saravá", de Zilda Gonçalves e Jorge Silva. Em 1966, lançou novo LP pela Odeon intitulado "O Ator da Canção", onde se destacaram as músicas "Sonho de Amor", de Arsênio de Carvalho, e "Uma esmola", de Ramirez, com versão de Pedro Lopes. Em 1968, lançou o LP "O Atual", também pela Odeon, com destaque para "Amor Desesperado", de Dino Ramos, com versão de Romeu Nunes, e "Perdoa-me", de Manzareno, com versão de Rubem Carneiro.

Em 1973, gravou novo LP Odeon com o título "O Cantor Mais Popular do Brasil", com destaques para "Leva-me Contigo", de sua própria autoria, e "Tu Partiste", de Pedrinho.

Nos anos 1980, Orlando Dias passou a viajar pelo interior para divulgar seus discos, apresentando-se em rádios locais. Fez excursão à Europa e, em 1997, regravou vários sucessos em CD intitulado "Vinte Supersucessos".

Ao longo da carreira, Orlando Dias vendeu cerca de 6 milhões de discos.

O cantor Orlando Dias em uma tarde sábado, em 11 de agosto de 2001, no Rio de Janeiro, aos 78 anos.

Seu corpo foi velado no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador. Orlando Dias sofria de mal de Parkinson, mas morreu vítima de infarto.

Ele estava em casa, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, quando começou a passar mal, por volta das 14 horas. A irmã, a também cantora Maria Creuza, ainda tentou levá-lo ao hospital, mas o cantor não resistiu. Orlando Dias era viúvo, não tinha filhos e morava com Maria Creuza.

''Fomos pegos de surpresa porque ele estava bem, apesar de ter ficado internado no hospital por causa de uma queda que sofreu quando caminhava pela rua'', contou o sobrinho José Carlos Eugênio de Peixoto.

O acidente havia acontecido há dois meses. Dias bateu com a cabeça e ficou 17 dias internado numa Unidade Intensiva de Tratamento (UTI).

Em 2000, o cantor teve dois discos relançados pela EMI Music dentro da Série BIS.

Fontes: Sites Dicionário Cravo Albin, Wikipédia; Cifra Antiga; Jornal O Povo.

Norma Suely

Ponte Nova/MG, 26/6/1933 ****** Rio de Janeiro/RJ, 14/6/2005)

Norma Suely nasceu Nita, seu nome de batismo, na cidade de Ponte Nova, Minas, no dia 26 de junho de 1933.

Filha de Jamil Lopes dos Santos e Esther de Araújo Santos, tinha dois irmãos: Edmundo e Adalberto. Seu pai era jornalista, editor do jornal da cidade, e sua mãe, exímia pianista, foi cantora profissional e professora de música. Com ela, iniciou seus estudos musicais ainda menina, em Belo Horizonte, onde a família passou a residir. Estudou no católico Colégio Santa Maria e no Colégio Batista Mineiro, mas a música clássica tornou-se desde então a principal motivação da precoce e sensível menina, tendo d.Esther como principal incentivadora e primeira professora.

Enquanto estudava piano e canto, acompanhava a mãe nos programas da Rádio Inconfidência, e vibrava com o prestígio que ela desfrutava como folclorista e atração da emissora mineira. Aos 11 anos, interpretou a modinha “Quem Sabe” de Carlos Gomes no auditório da rádio e recebeu sua primeira lufada de aplausos, acompanhada de rasgados elogios da direção. Cantar e tocar acordeão em festinhas e eventos da cidade, passou a ser constante em sua vida de adolescente.

Quando a família mudou-se para o Rio de Janeiro, frequentou os inevitáveis programas de calouros. No “Pescando Estrelas”, em 1951, comandado por Arnaldo Amaral na Rádio Club do Brasil, conquistou o primeiro lugar e um contrato com a rádio , recebendo salário mensal de 1.500 réis. Foi o bastante para ser notada por Renato Murce, que na época lançava o programa “PRE-Neno” na Rádio Nacional. Foi lá que conheceu o tenor Paulo Fortes, que a aconselhou lapidar seu potencial vocal de soprano-ligeiro.

À essas alturas adotou o nome artístico de Norma Suely, por sugestão de um colega de rádio, que achava Nita um nome sem apelo comercial. Ela gostava de Norma por causa da ópera “Norma” de Vicenzo Bellini, e Suely, achou um complemento sonoro e popular.

No programa de Murce, um concurso de canto lírico que tinha o compositor erudito Cláudio Santoro como presidente do júri, lhe concedeu como prêmio ao primeiro lugar conquistado, uma bolsa de estudos no Conservatório de Santa Cecília, na Itália Em 1953, afivelou as malas e seguiu viagem sozinha. Seu aproveitamento no curso foi de Excelência, a ponto de ser espontaneamente recomendada pelos professores do Conservatório para a renovação da bolsa por mais um ano. Durante sua estada em Roma, excursionou e apresentou-se em espetáculos ao lado de grandes nomes do cinema, como Silvana Pampanini, Renato Rascel, Eleonora Rossi Drago e outros.

De volta ao Brasil, assinou contrato com a Rádio Nacional, onde permaneceu contratada até 1967. Soltando seus trinados em trechos de óperas no famoso auditório, era aplaudida de pé, constantemente escalada para os populares programas de Manoel Barcelos, César de Alencar e Paulo Gracindo. Sua participação em “Festivais GE”, acompanhada por orquestra sob regência de Lirio Panicalli, cantando “Alelluiah” de Mozart, empolgou não só a platéia, mas também os músicos que levantaram-se para aplaudi-la no final da apresentação.

Em 1957 recebeu convite da Polydor para gravar música popular, sonho que acalentava e o mercado lhe acenava. Gravou “Fascinação”, “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Olhe-me, Diga-me” e “Odeio-te, meu Amor” em compacto-duplo. Saiu-se muito bem como cantora romântica, e passou a gravar mpb sem abandonar o canto lírico.

(leia mais em A Cantora)

Paralelo à vida artística, em 1958, fez concurso para o Instituto Brasileiro do Café (IBC), onde foi admitida como escrituraria. Logo estava na seção de relações públicas ao lado de jornalistas, o que a levou fazer curso de jornalismo, tornando-se redatora, e subindo para nível universitário com vencimentos.

A carreira como cantora prosseguiu com prestígio e popularidade , até que em 1965, estimulada pelo amigo Walter Mattesco, fez teste para o musical americano “Música, Divina Música”, versão teatral de “A Noviça Rebelde”, que o produtor Oscar Ornstein apresentou no Teatro Carlos Gomes. Foi aprovada como substituta da protagonista, deixando surpresos os americanos com seu alcance vocal. A atriz começava assim a despontar. Aceitou o convite para trabalhar no musical “Os Fantastikos” que o diretor Antonio de Cabo começava a montar no pequeno Teatro Carioca do Flamengo. Perto da estréia, recebeu um telefonema de Ornenstein para que assumisse o papel de Maria em “Música, Divina Música” imediatamente. Assim, protagonizou dois espetáculos em uma mesma temporada, já que em “Os Fantastikos” alternava com Suely Franco a personagem feminina principal.
A guinada que esse fato causou em sua vida profissional foi avassaladora.
Atuava como cantora e atriz, especialmente de musicais, com brilho e ascensão. A cantora foi parar nas paradas de sucesso com a versão de “Juanita Banana”, ao lado do cantor Kleber, uma idéia do grande amigo Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Gravou os LPs “A Voz e o Violão” ao lado de Luiz Bonfá e “Festival San-Remo 65”, com as célebres canções do festival.

(ouça os discos em A Cantora)

A atriz experimentou o cinema em “Cangerê”, e posteriormente fez “Adorável Trapalhão”, “Rally da Juventude” e “Esquadrão da Morte”.
Nos palcos atuou também em “Onde Canta o Sabiá”, “Sabiá 67”, “Tem Banana na Banda”, “As Garotas da Banda”, “Bordel da Salvação”, “Tem Piranha na Lagoa”, “Missa Leiga”, “Independência ou Morte”, “Gota D’Água”, “O Homem de La Mancha”, “O Ministro e a Vedete”, “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá”, “Seqüestro na Sauna” e “A Dama de Copas e o Rei de Cuba” em Portugal. Suas últimas aparições em teatro foram nas leituras das peças “O Telescópio” e “Revolução dos Beatos”, produzidas pela Funarte.
Na televisão ganhou papel escrito especialmente por Gilberto Braga: a cantora de sarau Norma Santiago na novela “Senhora” da TV Globo, onde cantava a mesma modinha “Quem Sabe” de Carlos Gomes, dos primeiros tempos. Seguiram-se “Nina”, também na Globo e “Helena” na TV Manchete.

(leia mais em A Atriz)

Sempre ávida por se reciclar e antenada com tudo à sua volta, voltou a estudar, fazendo Faculdade de Filosofia na UFRJ, e formando-se em 1982.

Dedicada à família durante toda vida, viveu cercada da tia, Ilka Drummond, irmãos, sobrinhos e primos, demonstrando a mais pura solidariedade e companheirismo. Residindo com a mãe em seu apartamento no Lido, Copacabana, apartamento esse que comprou pela Caixa Econômica, pagando anos a fio até quitá-lo, sofreu a perda de D. Esther no final de 1969, acometida de doença incurável. Muito abalada, afastou-se das atividades profissionais por um ano, até voltar ao teatro em “Tem Banana na Banda”, a convite do amigo Nestor Montemar.

Da vida sentimental, foi noiva do italiano Eufêmio Maurizio del Buono enquanto estudou no período de dois anos no Conservatório de Santa Cecília. Mas a relação não resistiu o aeroporto. No inicio de 1969 conheceu o comerciante Natal Luiz Prosdocimi nas cercanias da praça do Lido, onde também residia, apresentado pelo amigo André Tambourini. Ao assisti-la cantando “Amendoim Torradinho” em uma boate no Flamengo, foi impossível para Natal Luiz resistir. Apaixonaram-se e viveram juntos por quase quarenta anos.

(veja mais em Natal Feliz)

Faleceu em 14 de junho de 2005 no Hospital Pan-Americano da Tijuca.


Fonte: Memorial Norma Suely

Neide Fraga

(São Paulo/SP, 17/12/1924 ********* Rio de Janeiro/RJ, 14/12/1987)

Nascida Neide Hor-Meyll Fraga, assumiu o nome artístico de Neide Fraga.

Iniciou sua atividade artística em 1942 apresentando-se no programa de calouros "Hora da peneira", da Rádio Cultura de São Paulo. Apresentava-se também nos programas matinais da Rádio Cruzeiro do Sul.

Nos dois anos seguintes atuou na Rádio Bandeirantes e posteriormente na Record.

Em 1950, fez sua primeira gravação para o selo Elite-Special registrando a toada "Triste adeus", de Rômulo Pais e o baião "Eh! Boi", de Hervé Cordovil. Lançou em seguida o samba "Meu romance", de Sereno; o samba canção "Quando alguém vai embora", de Cyro Monteiro e Dias da Cruz e com o conjunto vocal paulista Demônios da Garoa a marcha "Quando chega o natal", de Sereno. Neste mesmo ano, recebeu o Prêmio Roquette Pinto.

Em 1951 gravou o baião "Tá moiado, tá", de Rômulo Paes, Adoniran Barbosa e Delê. No ano seguinte, gravou a toada baião "Esta noite serenou", de Hervê Cordovil, o samba ""Perdão amor" e o samba canção "Revelação", os dois de Ivon Curi.

Lançou grandes sucessos pela gravadora Odeon. Seu primeiro registro nesse selo foi a música "Baião de Ana", de R. Vatro e J. C. Rocha realizado em 1953, incluída no filme italiano do mesmo nome e que obteve repercussão internacional. No mesmo ano, gravou o fox trot "Jambalaya", de Williams, com versão de Edair Badaró.

Entre 1953 e 1958, gravou na Odeon um total de 13 discos (26 músicas). Em 1954, voltando de uma excursão à Argentina, foi mais uma vez agraciada com o Prêmio Roquette Pinto. No mesmo ano, gravou o baião "Xodó, xodó", de Humberto Teixeira. Em 1956 gravou o baião "Pé de jambo", de Mário Vieira e Luiz Alexandre. Em 1959, passou a gravar na Continental onde realizou quatro discos. Sua primeira gravação na nova gravadora incluiu o rock balada "Estúpido cupido", de Greenfield e Neil Sedaka, com versão de Fred Jorge e o samba "Dorme, neném!", de Sereno.

Em 1960, gravou o samba canção "Leva-me contigo", de Dolores Dura. Dentre seus maiores sucessos, destacam-se "Quando alguém vai embora", de Cyro Monteiro e Dias da Cruz e "Minha infância", de Hervé Cordovil e Marisa Pinto Coelho.

Em 1963, gravou um disco na Phillips sem maior repercussão. A partir de então, praticamente não aparecia na mídia, apresentando-se esporadicamente, em ocasiões especiais.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nara Leão

(Vitória/ES, 19 de janeiro de 1942 ___ Rio de Janeiro/RJ, 07 de junho de 1989)

Nara Lofego Leão nasceu em Vitória, ES, mas, com apenas um ano de idade mudou-se para o Rio de Janeiro, com seus pais e sua irmã Danuza Leão e lá foi criada. O cantor Patrício Teixeira foi contratado para dar aulas de violão à filha caçula do casal capixaba Jairo e Altina Leão, aderindo posteriormente a um repertório de bossa nova.

A Bossa nova nasceu em reuniões no apartamento da cantora em Copacabana, das quais participavam nomes consagrados do gênero, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Sérgio Mendes, Ronaldo Bôscoli, dentre outros.

Nara Leão recebeu o título de "Musa da Bossa Nova".

Dentre suas interpretações, destacam-se O barquinho, As Curvas da Estrada de Santos, Com Açúcar e com Afeto -- feita a seu pedido, por Chico Buarque, cantor que homenagearia nesse disco homônimo lançado em 1980.

Sua estréia profissional se deu em 1963, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica. Sua consagração dá-se, de modo efetivo, após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Valle e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará que foi seu primeiro grande sucesso radiofônico, já que Nara precisou se afastar por problemas de saúde.

Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, que ganhou o festival e público brasileiro.

Já casada com o cineasta Cacá Diegues, na época da ditadura militar, morou por três anos em Paris onde nasceu a filha Isabel que, posteriormente, ganharia um irmão --Francisco.

Nessa época, Nara quis largar a música para estudar psicologia, porém seu plano não obteve êxito. Nara não chegou a largar a música, apenas diminuiu o ritmo e modificou o estilo dos espetáculos. A execução das canções pelas rádios se deu num dueto com Chico Buarque em João e Maria.

Morreu na manhã de 7 de junho de 1989 vítima de um câncer cerebral aos 47 anos de idade.

Seu último disco foi "My Foolish Heart", lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.

Em 2002, seus discos, lançados originalmente em LPs, foram relançados em duas caixas separadas, uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989, trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre sua biografia.


Fontes: Wikipedia. Fotos: Sites diversos.

Oswaldo Nunes

Rio de Janeio/RJ, 2-12-1930 ******* Rio de Janeiro/RJ, 18-6-1991)

O cantor e compositor Oswaldo Nunes ficou conhecido nacionalmente por ter sido, durante anos a fio, a voz do Bloco Carnavalesco Bafo da Onça. Quando criança não chegou a conhecer os pais e foi criado em instituições de caridade. Foi baleiro, engraxate e camelô, além de artista ambulante. Já maior de idade, enveredou pela marginalidade até que, frequentando escolas de sambas e blocos de carnaval, acabou por enveredar pela carreira artística.

Começou compondo sambas na década de 1950, para cantoras como Leny Eversong e Dalva de Andrade. Em 1962, gravou seu primeiro disco, pelo selo pernambucano Mocambo. Ainda nesse ano, juntamente com o Bafo da Onça gravou aquele que seria seu maior sucesso, a batucada “Oba” (Nessa onda que eu vou/ nessa onda, iaiá/ é o Bafo da Onça/ que acabou de chegar), que continuou a embalar os desfiles do bloco nas décadas seguintes e que se tornou o hino oficial da agremiação.

O bloco carnavalesco Bafo da Onça foi fundado em 1956, por Sebastião Maria, um carpinteiro que era da polícia. Segundo a história oficial, Tião era figura notória naquela época, por sair no carnaval de rua fantasiado de onça e bebia muito. Durante um desses porres, num boteco no bairro do Catumbi, é que surgiu o nome do bloco.

Na década de 60, o Bafo da Onça reunia cerca de 1,5 mil pessoas na Avenida Rio Branco, por onde passa até hoje. No final da festa, havia a apresentação das mulatas, oportunidade em que o empresário Oswaldo Sargentelli ia buscar as moças para fazer shows. E a voz (e a alma) do Bafo era Oswaldo Nunes.

O sambista gravou pra o carnaval de 1965, o do quarto centenário do Rio de Janeiro, as marchas “A dança da pulga”, de sua autoria e Pernambuco, e “Saudações ao Rei Momo”, de sua autoria. Nesse ano, fez grande sucesso com a marcha “Na onda do berimbau”, de sua autoria, cujos versos diziam: ("Na onda do berimbau, berimbau, quero brincar o carnaval, o carnaval/Bate com a mão, bate com o pé/Que o samba virou candomblé"), que alcançaram grande aceitação popular.

No carnaval de 1968, destacou-se com a marcha “Voltei”. Na segunda metade da década de 1960, apresentou-se em shows acompanhado do grupo The Pop's, com o qual gravou em 1969 o LP "Tá tudo aí". Em 1970, obteve o segundo lugar no IV Festival de Músicas de Carnaval com o samba “Não me deixes”, de sua autoria em parceria com Milton de Oliveira e Helton Menezes.

Em 1971, sagrou-se tricampeão do Concurso Oficial de músicas de carnaval da Guanabara promovido pela Secretaria de Turismo da Guanabara, TV Tupi e jornais O Dia e A Notícia, com o samba “Saberás”, parceria com R. Gerardi.

Oswaldo Nunes foi o autor da maioria dos sucessos do Bafo da Onda entre o início dos anos 60 até meados da década de 70. Numa ocasião, Nunes brigou com a diretoria da agremiação e acabou sendo substituído pelo jovem puxador Dominguinhos do Estácio, – oriundo da escola de samba Unidos de São Carlos – que cantou por dez anos no bloco. Numa dessas brigas, Oswaldo Nunes gravou e defendeu o samba “Recordar é viver”, da Independentes de Cordovil no carnaval de 1976. Em 1978, lançou o LP “Ai, que vontade”, no qual interpretou os sucessos “Dança do bole bole” (João Roberto Kelly) e “Ai, que vontade” (Dão e Beto Sem Braço).

O cantor foi assassinado misteriosamente em seu apartamento no Rio de Janeiro em 1991. Onze anos depois, a Justiça deu a sentença do espólio do cantor. Em testamento, o sambista deixou um apartamento e todos os seus direitos autorais para o Retiro dos Artistas, no Rio.

DISCOGRAFIA:

• Ôba! (1962)
• Tá tudo aí! (1969), com The Pop's
• Você me chamou (1971)
• Ai, que vontade (1978)
• Aquele abraço – O melhor de Oswaldo Nunes (coletânea)

Sambas de sua autoria: "Ôba"; "Virou bagunça"; "Samba do saci"; "Chorei chorei"; "Ziriguidum do pirata"; "Alô meu bem"; "Lar vazio"; "Nunca mais"; "Catumbi agradece" e "Na onda do berimbau".

Fonte: Sambariocarnaval.com.

Odete Amaral

(Niterói/RJ, 28 de abril de 1917 ***** Rio de Janeiro/RJ, 11 de outubro de 1984)

Odete Amaral era filha do lavrador e, posteriormente, chofer de caminhão Alfredo Amaral e Albertina Ferreira do Amaral.

Nasceu na cidade de Niterói porém com 1ano de idade sua família mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Uruguai e em 1929 empregou-se como bordadeira na América Fabril. Por ser dotada de uma belíssima voz, os convites para que cantasse em festas do colégio e em festas de aniversário eram constantes.

Incentivada pela irmã, sua maior admiradora, foi à Rádio Guanabara (dirigida por Alberto Manes) fazer um teste. Fez a prova acompanhada pelo pianista Felisberto Martins, cantando "Minha embaixada chegou", de Assis Valente. Com o sucesso do teste, foi logo escalada para participar do programa "Suburbano", onde também se apresentavam Sílvio Caldas, Marília Batista, Noel Rosa, Almirante, Aurora e Carmen Miranda, entre outros. Recebeu de César Ladeira o apelido de "A Voz Tropical".

Dentre seus trabalhos podem ser destacados a Rádio Clube do Brasil, a Rádio Ipanema e várias outras emissoras, entre as quais a Sociedade, Philips e a Cruzeiro do Sul. Por essa época, atuou no teatro cantando "Ganhou, Mas Não Leva" (Milton Amaral), numa revista encenada no Teatro João Caetano.

Em 1936, gravou o primeiro disco pela Odeon, cantando os sambas "Palhaço" (Milton Amaral e Roberto Cunha) e "Dengoso" (Amaral). Depois, foi levada por Ari Barroso para a Victor, pela qual lançou um disco com duas músicas de Barroso, a marcha "Colibri" e a batucada "Foi de Madrugada". Paralelamente, começou a cantar em coro, atuando em discos de colegas como Francisco Alves, Mário Reis e Almirante, o que fez até a década de 60. No mesmo ano, assinou seu primeiro contrato, com a Rádio Mayrink Veiga, e participou do filme "Bonequinha de Seda", produzido pela Cinédia, com direção de Oduvaldo Viana. Foi nessa época que recebeu de César Ladeira o slogan de "A Voz Tropical". Participou também da inauguração da Radio Nacional, em 1937.

No ano de 1938 casou-se com Cyro Monteiro. O casal teve um filho (Cyro Monteiro Jr.) e era considerado um dos casais mais queridos e populares. Após 11 anos de união separaram-se.

Em 1939, ao lado de seu esposo, fez inúmeros shows pelo país e gravou os sambas "Sinhá, Sinhô" e "Bem Querer" (Aloísio Silva Araújo). Dois anos depois, retornou à Mayrink Veiga, onde permaneceu por seis anos, e voltou a gravar pela Odeon, até 1945. Foi nesse período que gravou seu maior sucesso: o choro "Murmurando" (Fon-Fon e Mário Rossi), em 1944.

Passou por um período em que fez poucas gravações, realizando alguns registros pela Victor e pelo pequeno selo Star, até que em 1951, mais uma vez, retornou à Odeon. No mesmo ano, assinou com a Rádio Tupi. Em 1957, agora pela Todamérica, lançou seu primeiro elepê, "Tudo Me Lembra Você", com arranjo de Guio de Morais. Em 1961, participou do filme "Samba em Brasília", produzido pela Cinedistri e dirigido por Watson Macedo.

Um de seus trabalhos mais interessantes foi seu segundo elepê, gravado com seu filho Ciro Monteiro Jr.: "Do Outro Lado da Vida — Os Que Perderam a Liberdade Contam Assim Sua História", no qual interpretou composições de presidiários do então estado da Guanabara e de São Paulo, com destaque para "Luar de Vila Sônia" (Paulo Miranda), "Nos Braços de Alguém" (Quintiliano de Melo) e "Silêncio! É Madrugada" (Wilson Silva). Lançou também, pela Mastersound, com Sílvio Viana e seu conjunto, o elepê "Sua Majestade Odete Amaral, a Rainha dos Disc-Jóqueis".

Em 1968, gravou o elepê "Fala, Mangueira!", com Carlos Cachaça, Cartola, Nelson Cavaquinho e Clementina de Jesus. Em 1975, participou da série "MPB 100 ao Vivo" irradiada pelo projeto Minerva, Rádio MEC, em cadeia nacional de emissoras. Ao lado de Paulo Marques, cantava os grandes sucessos dos anos 30. A série de 30 programas deu origem a oito elepês criados por seu produtor Ricardo Cravo Albin.

Em 1977 estreou um show no Café Nice, com Paulo Marques e Altamiro Carrilho, sob a direção de Ricardo Cravo Albin.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, as 67 anos.