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domingo, 4 de maio de 2014

Márcio José

(Belo Horizonte/MG, 18/11/1942  ******  Rio de Janeiro/RJ, 31/8/2002)

Márcio José
José Marcio Loreno de Assumpção, ou Márcio José, ainda menino de oito anos de idade, já cantava em todas as festas de seu colégio. Estudou piano e fez parte do Bando dos Cariúnas, juntamente com Helvius Vilela. No início dos anos de 1960, participou dos movimentos da música popular brasileira, ainda em Belo Horizonte (MG), onde conheceu Milton Nascimento, Paulinho Paiva, Nivaldo Ornelas, Paschoal Meirelles e Marcio Borges, entre outros.

Iniciou sua carreira profissional apresentando-se em casas noturnas, na Rádio Guarani, na Rádio Inconfidência e na TV Itacolomi, onde conheceu Clara Nunes e Rosana Toledo. Integrou a Banda Bacana, com Aécio Flávio, Chiquinho Braga e Waltinho, e o grupo Gemini 7, com o qual gravou um LP com Eduardo Prates e Paulinho Horta. Em 1969, participou do Festival Internacional da Canção, interpretando uma composição de Toninho Horta e Marcio Borges. No ano seguinte, transferiu residência para o Rio de Janeiro, como convidado da Orquestra de Ed Maciel. 

Márcio José
Entre 1975 e 1977, atuou em várias casas noturnas cariocas como 706 (com Djavan, Emílio Santiago, Áurea Martins e Leila Rocha), Vivará, Monsieur Pujol (com Miéle e Bôscoli) e Number One (com Alcione, Djavan, Áurea Martins e Osmar Milito). Em 1980, trabalhou no Teclado Piano Bar, com Luiz Eça, e mais tarde no Biblo's Bar, onde atuou durante quatro anos. Em 1985, viajou para os Estados Unidos, divulgando a música popular brasileira nas universidades norte-americanas, ao lado de Eduardo Prates, Romero Lubambo, Raul de Souza, Lúcio Nascimento e Pery Ribeiro. Apresentou-se, ainda, em casas noturnas de Washington e Nova York. 

Márcio José
Seu grande sucesso nas paradas musicais ocorreu na década de 70, com a música "O Telefone Chora". Na canção aparecia a voz de uma menina, sem citação nenhuma no encarte do disco. Tempos depois corrijimos essa omissão. A voz da menina é da atriz e dubladora Aliomar de Matos, dubladora da atriz Sally Field, no seriado "Noviça Voadora".

Márcio José
De volta ao Brasil, passou a atuar em orquestras como Cuba Libre, Ed Maciel e Estudantina, e como vocalista de vários discos gravados no Studio Level da Globo. Interrompeu sua carreira artística em 1996, devido a problemas de saúde.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

                                                Márcio José - "O Telefone Chora"


                                            Márcio José - "Pra Que Não Me Esqueças"




terça-feira, 27 de novembro de 2012

Leny Eversong

(Santos/SP, 1/9/1920 ****** São Paulo/SP, 29/4/1984)

Natural de Santos (SP), Leny Eversong foi contratada pela Rádio Clube de Santos depois de participar de um programa de calouros infantil, quando tinha 12 anos. Especializou-se em foxes norte-americanos, e, em meados da década de 30, quando foi contratada pela Rádio Atlântica, adotou o nome artístico Leny Eversong, passando a cantar apenas em inglês.

Por volta de 1937, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como crooner em boates e cassinos. Teve passagens por diversas emissoras de rádio paulistas e excursionou pela Argentina. Nos anos 50 voltou a cantar músicas brasileiras, e gravou LPs, cantando em vários idiomas. Seu maior sucesso foi o fox "Jezebel" (Shanklin), gravado pela primeira vez em 1952. No final da década excursionou pelos Estados Unidos, onde gravou "Leny Eversong na América do Norte", acompanhada pela Orquestra de Neal Heafti.

Até o final dos anos 60, realizou oito temporadas só em Las Vegas. Gravou em 78 rpm na Continental e na era do LP na Copacabana ("A Voz de Leny Eversong", "Em Foco" e "Ritmo Fascinante") e na RGE ("A Fabulosa", "A Internacional" etc). Nos anos 60, participou de uma montagem da "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht, e depois de um show no Canecão, no Rio.

Muito gorda, com os cabelos oxigenados e uma voz potente de contralto mas com bom alcance nos agudos, ela nunca chegou a ter, no Brasil, a popularidade de uma Dalva de Oliveira ou Ângela Maria. No entanto, Leny impactava as platéias com suas interpretações em vários idiomas.

Foi na segunda metade dos anos 50 que Leny viveu o auge de sua carreira. Foi capa das principais publicações brasileiras e trazia a tiracolo uma invejável agenda internacional – incluindo Las Vegas, Nova York e Paris –, cantando em grandes teatros e cassinos. "Leny foi a primeira brasileira a cantar em Las Vegas apenas por suas qualidades de cantora. A Carmen Miranda foi um caso extraordinário, porque foi para lá depois de fazer cinema. A Leny não. Foi sem filme, sem nada, cantando em inglês", compara a cantora Carminha Mascarenhas.

O maestro Daniel Salinas, que a acompanhou em turnês por Las Vegas e Nova York, é testemunha do estrondoso sucesso que a cantora fez ao redor do mundo, onde quer que se apresentasse. "Ela fez temporadas em Las Vegas, Nova York e Paris, no México e em países das Américas Central e do Sul. Mesmo em lugares em que não era tão conhecida, como a Venezuela, ela tinha um potencial tão fabuloso que, quando cantava, arrasava. Era aplaudida de pé. Naquela época, quase não tinha brasileiro de sucesso fora do país. Pena que ninguém lembre mais dela", lamenta o maestro. Ele afirma que Leny teve a chance de gravar com os melhores músicos, nos melhores estúdios e com arranjos de grandes maestros. "Ela fez tudo que um artista sonharia fazer". De fato, ela gravou nos anos 50 um LP na Coral com a orquestra de Neal Hefti e, na Vogue francesa, um com a de Pierre Dorsey.

Embora os letreiros dos cassinos de Las Vegas a enfocassem como cantora brasileira, muitas vezes ela era vendida como cantora americana, pois apesar de até o final dos anos 50 não falar uma palavra de inglês, cantava sem sotaque graças a seu ótimo ouvido. O cantor Luiz Vieira lembra-se de ouvi-la falar dessas armações, às gargalhadas. "A Leny era maravilhosa, de uma humildade e uma simplicidade incríveis. Ela me contava os seus micos do modo mais natural. Ela podia não ter um nível de cultura dos mais lisonjeiros, mas era inteligente demais. Quando ela ia para a Argentina, por exemplo, o empresário dela dizia: ‘Não abra a boca com a imprensa’. Então, só falavam com o empresário. E ela só falava yes, ok, all right. Ela contava isso com muita graça".

Até o final dos anos 60, sua carreira ia bem. Leny participou da primeira montagem brasileira da Ópera dos Três Vinténs, de Brecht, em São Paulo, e de alguns festivais da canção, além de continuar com suas turnês americanas. Mas no início dos 70, começaram as dores de cabeça. Seu marido saiu para comprar cigarros (literalmente) e nunca mais voltou. Foi seqüestrado e desapareceu. Isso marcou tanto a sua vida que todos os artistas entrevistados para essa reportagem fizeram menção ao fato. "Ela ficou quase louca quando o marido sumiu", lembra Luiz Vieira. A cantora Adelaide Chiozzo diz que chegou a consolá-la. Mas o maior apoio à cantora foi dado pelo amigo Agnaldo Rayol. "Quando o marido dela sumiu, ela ficou dias hospedada no meu sítio, em Itapecerica da Serra. Estava muito nervosa. Ela estava meio desencontrada, perdida e eu disse: Venha passar uns dias comigo. Batíamos muito papo. Já nessa época, ela se sentia meio injustiçada, esquecida".

Em 1970, afastou-se da vida artística, aparecendo esporadicamente em programas de televisão e eventos.

Mesmo sendo uma figura tão interessante e única no estilo, ela morreu em 1984, no total ostracismo, aos 64 anos, vítima de diabetes.

Fontes: Site Cliquemusic, Rodrigo Faour.

Linda Batista

(São Paulo/SP, 14/6/1919 ****** Rio de Janeiro/RJ, 17/4/1988)

Florinda Grandino de Oliveira, a cantora Linda Batista, nasceu em 14 de junho de 1919, em São Paulo, SP.

Filha do humorista e ventríloquo João Batista Júnior e de Emília Grandino de Oliveira, de tradicional família paulista, nasceu no bairro paulistano de Higienópolis. Na verdade, seus pais já moravam no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, mas a avó materna, Dona Florinda fazia questão que todos os seus netos nascessem em sua casa. Foi lá que nasceram Odete (sua irmã mais velha), ela (que recebeu o nome da avó) e Dircinha (a caçula), que também se tornou cantora. O pai, que era capaz de imitar 22 vozes sem abrir os lábios, resolveu ir para o Rio de Janeiro, já que na capital federal encontraria mais perspectivas de trabalho. Tratou de educar as filhas nos melhores colégios. A pequena Florinda, fez seu curso primário no tradicional Colégio Sion. Aos 10 anos, já estudava violão com o violonista e cantor Patrício Teixeira e, nessa época, compôs sua primeira música intitulada "Tão sozinha". Ainda menina, costumava ser levada pela empregada da família à gafieira "Corbeille de Flores", que ficava perto de sua casa. Concluiu o ginásio no Colégio São Marcelo e, em seguida, iniciou cursos de contabilidade e de corte e costura.

Começou sua carreira artística muito cedo, assim como a irmã, Dircinha Batista, três anos mais nova que ela. Na adolescência, Linda, como passou a ser chamada, acompanhava Dircinha com seu violão, apresentando-se em programas de rádio. Já eram conhecidas como as "Irmãs Batista", pois resolveram adotar o sobrenome do pai.

Em 1936, por causa de um atraso da irmã, teve que substituí-la cantando no programa de Francisco Alves, na Rádio Cajuti. Na ocasião interpretou "Malandro", de Claudionor Cruz, iniciando uma carreira de muito sucesso. Soube depois que o "atraso" havia sido combinado entre seu pai e Francisco Alves, pois este a queria cantando em seu programa e Linda era muito tímida para cantar. Logo depois, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Na mesma época, fez uma excursão de grande repercussão ao Nordeste.

Em 1937, casou-se com Paulo Bandeira, mas separou-se poucos meses depois.

Participou do filme "Maridinho de luxo", de Luís de Barros e foi eleita a primeira Rainha do Rádio, título que manteve por 11 anos, até 1948. O concurso foi realizado no Iate dos Laranjas, um barco carnavalesco atracado na Esplanada do Castelo, no centro do Rio de Janeiro.

Gravou, pela Odeon, o primeiro disco em dupla com Fernando Alvarez, interpretando duas rumbas: "Churrasco" e "Chimarrão", a primeira de Djalma Esteves e Augusto Garcez e a segunda de Djalma Esteves. Seu nome, no entanto, não consta no selo do disco e nem na discografia em 78 rpm.

Em 1938, participou de "Banana da terra", filme escrito por João de Barro com produção de Wallace Downey. Nesse mesmo ano transformou-se na principal "crooner" da Orquestra de Kolman, no Cassino da Urca, permanecendo como artista daquela casa até 1946, quando essa fechou. Na época, lançou vários sucessos compostos pelo compositor Chiquinho Sales, contratado pelo cassino especialmente para criar músicas para ela cantar. Ainda em 1938, Linda Batista inaugurou o Cassino da Ilha Porchat, em São Vicente, no litoral de São Paulo, com o maior salário pago até então a uma cantora brasileira. Quando retornou ao Rio, recebeu o slogan de "A Maioral do Samba".

Seu estilo de estrela, provocava cenas antológicas. Costumava chegar na Rádio Nacional em um sofisticado carro importado, vestida com casacos de pele e ostentando jóias caras, o que causava grande repercussão na imprensa. Em 1939, em dupla com Fernando Alvarez, gravou uma marchinha de sua autoria, intitulada "Oitava maravilha". Em 1940, transferiu-se para a RCA Victor, onde o primeiro disco gravado foi "Passei na ponte", de Ary Barroso. Em 1941, excursionou à Argentina e lançou com sucesso "Tudo é Brasil" (V. Paiva/ Sá Róris) e "Batuque no morro", ( Russo do Pandeiro e Sá Róris). Seu sucesso no rádio e no disco, acabou por levá-la à presença do Presidente Vargas, nos anos 40. A partir de então, iniciou-se uma admiração mútua entre os dois, sempre citada com orgulho pela cantora. Seu pai faleceu em 1943, o que provocou um pequeno interrompimento em sua carreira. Ainda em 1943, assinou contrato com a Rádio Tupi do Rio e gravou "Da Central a Belém" (Chiaquinho Sales).

Em 1944, para o carnaval, Linda Batista lançou a marcha "Clube dos barrigudos", de Cristóvão de Alencar e Haroldo Lobo. Em 1945, fez muito sucesso no carnaval com o samba "Coitado do Edgard" (Haroldo Lobo - Benedito Lacerda). Em 1946, depois de excursão pelo Brasil, Linda Batista gravou "No boteco do José" (Wilson Batista e Augusto Garcez). Nesse mesmo ano participou do filme "Caídos do céu", de Luís de Barros. Em 1947, assinou contrato com a Boate Vogue, tornando-se atração da casa até 1952. Em 1948 gravou "Enlouqueci" (Luís Soberano, Valdomiro Pereira e João Sales). Em 1950 gravou o samba carnavalesco "Nega maluca" (Fernando Lobo/ Evaldo Rui) e em 1951 o samba-canção "Vingança" (Lupicínio Rodrigues), dois de seus maiores sucessos. Também de 1951 foi o samba "Madalena" (Ari Macedo - Airton Amorim). Ainda em 1951, Linda Batista viajou à Europa, apresentando-se em Portugal, na boate Vogue, em Paris, França, na televisão, e na boate Open Gate, em Roma, Itália.

Em 1952, Linda Batista fez imenso sucesso com o samba "Me deixa em paz" (Monsueto Menezes - Airton Amorim). Nos anos 50, apresentou na Rádio Nacional o seu próprio programa, intitulado, "Coisinha Linda". Em 1953, fez sucesso com "Risque" (Ary Barroso), samba canção lançado por Aurora Miranda, mas que gravação de Linda eclipsou totalmente.

Linda Batista atuou, ainda, nos seguintes filmes nacionais: "Tudo Azul", de Moacir Fenelon; "Está com Tudo", de Luís de Barros; "É Fogo na Roupa", de Watson Macedo; "Carnaval em Caxias", de Paulo Wanderley, "O Petróleo é Nosso", de Watson Macedo; "Carnaval em Marte", de Watson Macedo; "Tira a Mão Daí", de J. Rui; "Depois eu Conto", de José Carlos Bule; "Metido a Bacana", de J. B. Tanko; "É de Chuá", de Vítor Lima e "Mulheres à Vista".

Em 1959, após uma viagem à Argentina, Linda Batista recebeu da UBC e da Sbacem o troféu Noel Rosa.

Na década de 1960, ainda gravou, principalmente, marchinhas de carnaval, algumas de sua autoria.

Linda Batista participou de programas de televisão, mas foi aos poucos se afastando da vida artística, entrando em depressão, enquanto a fortuna pessoal acumulada se esvaía. Nos anos 80, parou de trabalhar, recolhendo-se à companhia das irmãs, em seu apartamento no bairro carioca de Copacabana, o último bem imóvel que lhes restou.

No fim da vida, as irmãs passaram por dificuldades financeiras, tendo sido auxiliadas pelo cantor e fã José Ricardo. Foi, depois de Carmen Miranda, uma das primeiras estrelas de grande popularidade em todo o Brasil. Ao fim da chamada Época de Ouro era difícil encontrar quem não ouvisse seus programas de rádio.

Linda Batista recebeu vários títulos (Rainha do Rádio, Estrela do Brasil, Nosso Patrimônio Nacional, Sambista nº 1 da Belacap, entre outros). Foi amiga de Presidentes (Vargas, Juscelino e Jango) e admirada por personalidades internacionais (Sablon, Orson Welles, a estilista Schiaparelli, entre outros).

Linda Batista faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 17 de abril de 1988.

Em 1998, o musical intitulado "Somos Irmãs", de Sandra Werneck, foi encenado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, revivendo a vida, o sucesso e a decadência das "irmãs Batista". A montagem, dirigida por Ney Matogrosso e estrelada por Sueli Franco e Nicete Bruno, ainda percorreu o Brasil em várias apresentações, sempre com êxito de público e de crítica. 

Luiz Gonzaga


(Exu/PE, 13 de dezembro de 1912 — Recife/PE, 2 de agosto de 1989)

O compositor e cantor Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Tornou-se conhecido como o "Rei do Baião".

Nasceu em uma fazenda chamada Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, na zona rural de Exu, no sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de Serra", uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-la. Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Aos dezoito anos, ele se apaixonou por Nazarena, uma moça da região e, repelido pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, ameaçou-o de morte. Januário e Santana lhe deram uma surra por isso, revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como sanfoneiro. Dele, recebeu importantes lições musicais.

Em 1939, deu baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, Luiz Gonzaga começou por tocar na zona do meretrício. No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendo choros, sambas, fox e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Até que, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando Vira e Mexe (A primeira música que gravou em 78 rpm; disco de 78 rotações por minuto), um tema de sabor regional, de sua autoria. Veio daí a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional.

Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga tinha um caso com a moça - iniciado provavelmente quando ela já estava grávida - e assumiu a paternidade do filho dela, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Gonzaguinha foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista.

Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de "Lua". Não teve filhos, já que ele era estéril.

Gonzaga sofria de osteoporose. Morreu, em 02 de agosto de 1989, aos 76 anos, vítima de parada cárdio-respiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana, seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte e posteriormente sepultado em seu município natal. Sua música mais famosa é "Asa Branca".

Fontes: Wikipédia; Site Rei do Baião.

Lourdinha Bittencourt

(São Paulo/SP, 30/10/1923 ****** Rio de Janeiro/RJ, 19/08/1979)

Era cantora e atriz de cinema.

Logo recém-nascida, ela é abandonada no Asilo Melo Matos. Ainda com quatro meses ela é adotada pela professora de música, Maria Bittencourt.

Desde pequena, Lourdinha teve boa desenvoltura na música e na dança, o que fez com que a professora investisse em sua carreira com cursos voltados a essas artes. Logo, a futura atriz e cantora já estava trabalhando profissionalmente no Cassino da Urca, como menina prodígio.

Em 1935, atua no filme Noites Cariocas; em 1936, nos filmes Maria Bonita e Cidade Mulher; É Proibido Sonhar (1943); Moleque Tião (1943); Asas do Brasil (1947); Obrigada Doutor e Poeira de Estrelas (1948); O Homem Que Passa e Não Me Digas Adeus (1949); Guerra ao Samba (1955); Pirata do Outro Mundo (1957); Samba na Vila (1957); e Com a Mão na Massa (1958).

Em 1952 se integra ao Trio de Ouro, nessa época formado pelo compositor Herivelto Martins e Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—). Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria do morro, na Victor.

O trio assina contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permanecem por dois anos. Excursionam pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Faz temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

Atuaram também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravaram ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido por problemas de saúde da cantora, que viria a falecer aos 55 anos no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 1979, vítima de derrame cerebral. .

Em 1970 Lourdinha atuou na telenovela Irmãos Coragem (como Manuela). Foi a segunda esposa do cantor Nelson Gonçalves.

Fontes: Site Oficial de Emilinha Borba (fotos), Cine Claquete - atores - Lurdinha Bittencourt; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Lupcínio Rodrigues

(Porto Alegre/RS, 16 de setembro de 1914 — Porto Alegre/RS, 27 de agosto de 1974)

Nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em 16.9.1914, na Travessa Batista nº 97, na Ilhota, bairro pobre da Cidade Baixa. Chovia muito e, com a inundação, a parteira teve de ir atender D. Abigail de barco. Foi o quarto, e primeiro homem, de 21 filhos, de uma família extremamente musical. Seu pai, Francisco Rodrigues (seu Chico), era porteiro da escola de Comércio. Por coincidência, faleceria em outro dia chuvoso, em 27.8.1974, na mesma cidade de sua eterna ternura, Porto Alegre.

Com 6 anos de idade, seria matriculado na Escola Complementar, estudando a seguir nas escolas Ganzo e Dom Sebastião. Era um aluno de atenção muito distraída para a música e para o futebol.

Depois do primário, faz o curso de mecânica na Escola Técnica Parobé, sendo admitido como aprendiz na companhia de bondes e, depois como menino de recados na fábrica Micheletto. Em 1928, com 14 anos, compõe a marchinha Carnaval para o Cordão Prediletos. Na esperança de afastá-lo de uma vida boêmia que precocemente já adota - bebida, mulheres e música - seu Chico o obriga a se alistar "voluntariamente" no Exército, com 16 anos incompletos. De fato entraria na linha, mas quando marchava com seus camaradas de farda.

Quando é transferido, em 1933, para Santa Maria, interior rio-grandense, conhece sua musa inspiradora, Inah, uma paixão que deixaria em seu coração cicatrizes pelo resto da vida, uma dor de cotovelo que definiria como "federal". Para ela ou por causa dela, compôe Felicidade, Zé Ponte e Nervos de Aço, esta em 1938, já na volta para Porto Alegre, onde o noivado teria fim.

Vem conhecer, em 1932, ainda em Porto Alegre, Noel Rosa, que fazia uma excursão pelo Sul com Francisco Alves e Mário Reis. Depois de ouvir-lhe algumas músicas, Noel Rosa não hesita em dar sua opinião sobre aquele rapaz de apenas 17 anos. Profetiza: "Este garoto é bom! Este garoto vai longe!"

Mais ou menos nessa ocasião, chegava ao 7º Batalhão de Caçadores, unidade de elite, onde Lupicínio estava engajado, um catarinense de boa voz, Nuno Roland. Lupicínio, que tinha em Mário Reis seu espelho de cantor, e era o "crooner" do Jazz do batalhão, com alívio passa a missão ao novo soldado, imediatamente seu amigo nas madrugadas. Quando estoura a Revolução Paulista de 1932, o 7º B.C. é mandado para São Paulo, onde desembarca com Lupicínio e Nuno. Durante a longa viagem de trem, foram eles disparando muitos sambas. Nuno faria brilhante carreira no rádio e no disco.

Deixa a caserna em 1935. Nesse ano, em parceria com Alvides Gonçalves, compõe e inscreve Triste História no concurso que se realizava em Porto Alegre, dentro das comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha. Conquistam o primeiro prêmio de 2 contos de réis.

Mesmo já tenho inúmeras músicas prontas, Lupicínio não se empenhava em divulgá-las, só realizando sua primeira gravação em 1936, e sem que precisasse sair de Porto Alegre, porque Alcides viaja para o Rio de Janeiro e, na R.C.A. Victor, grava dois sambas de ambos: Pergunta a Meus Tamancos e o Triste História. Só depois de dois anos, em 1938, estabelece uma ponte com Felisberto Martins, compositor, pianista e funcionário de gravadora no Rio, que ainda não conhecia pessoalmente, para que se encarregasse da divulgação de suas músicas em troca de parceria. Foi bom para os dois.

De 1935 a 1947, por interferência do pai, trabalha como bedel da Faculdade de Direito. De Porto Alegre nunca se afastaria, a não ser por uns meses em 1939, mais para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo. Mesmo assim pôde ser cumprida a predição de Noel: "foi longe". Suas músicas, "qual ponta-de-lança", foram bater em todos os pontos do Brasil e até no exterior. Era procurado por cantores em busca de sucesso e de Porto Alegre fez a Capital do Samba Canção.

A imagem do boêmio teve o contraponto do proprietário, que foi, de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, como o Jardim da Saudade, o Clube dos Cozinheiros e, o mais célebre de todos, o Batelão, que elevou a ponto turístico da cidade. Tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos. Gabava-se de ser mais cozinheiro que compositor, especializado no trivial caprichado.

Exerceria, por muitos anos, o corgo de procurador do SDDA (Serviço de Defesa do Direito Autoral) e de representante da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Músicas). Alma boa e caridosa, manteve, em propriedade sua, um abrigo para desprotegidos da sorte, nenhum alarde fazendo.

Sua rotina dividia-se entre a boemia e o lar, onde primava em ser um perfeito chefe de família. No seu casamento com D. Cerenita, apesar dessa inusitada combinação, reinava o amor. Seu samba Exemplo, é de um profundo afeto: "Quando eu chego cansado/teus braços estão me esperando..."

Suas músicas nasciam de fatos reais, observados ou vivenciados. "Cada uma que me faz uma sujeira, me deixa inspiração para compor algo. Meu primeiro automóvel foi comprado com o dinheiro de um samba, feito para uma mulher... Minha casa foi adquirida com o dinheiro de um samba que fiz para outra, também por causa de uma traição..."

"Temperamento calmo, pessoa modesta, meio desligado, passo lento, voz macia, ombro caindo para a direita, sem a barbicha que o caracterizava, Lupicínio parece não ver o tempo passar. Ele, sim, vai passando pelo tempo, indiferente, olhando a vida à sua moda..."

Foi o inventor do termo "dor-de-cotovelo". Este termo, ao contrário do que se propagou como inveja - se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um Whisky duplo, faz bolinhas com o fundo do copo e chora o amor que perdeu.

Lupe, como era chamado desde pequeno, tinha três grandes paixões em sua vida: a música, o bar e as mulheres. A música poderia ter convivido com tranqüilidade com as outras duas, mas as mulheres em sua vida jamais entenderam ou conviveram com sua paixão pela boemia.

Constantemente abandonado, Lupicínio buscava em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam abraçados, afogando as mágoas na mesa de um bar - onde, finalmente, conseguia unir suas paixões: amor, música e boemia. Com versos profundos, conseguia tocar todos os corações que paravam para ouvi-lo, dando, a cada um, a sua própria história.

Ninguém soube, como ele, cantar a dor e a desilusão de forma tão genial, sem cair em clichês e lugares comuns. Todas as pessoas que um dia choraram um amor, ergueram sem dúvida um brinde a Lupicínio.

De 1935 a 1947, trabalhou como bedel da Faculdade de Direito da UFRGS. Nunca saiu de Porto Alegre, a não ser por uns meses em 1939, para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo.

Boêmio, foi proprietário de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos.

Torcedor do Grêmio, compôs o hino do tricolor, em 1953: "Até a pé nós iremos / para que der e vier / Mas o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver". Seu retrato está na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube.

Mas o tempo implacável cedo o veio buscar do convívio familiar, dos amigos e admiradores, ficando porém sua obra como um legado para os que sentem que, apesar dos riscos, vale a pena amar demais, venham as dores de cotovelo que vierem. Enquanto houver paixão, Lupicínio viverá e será amado.

Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas; outras centenas que compôs foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate.

OBRAS:

Aves daninhas
Cadeira vazia
Cevando o amrgo
Ela disse-me assim
Esses moços, pobres moços
Exemplo
Felicidade
Foi assim
Judiaria
Loucura
Maria Rosa
Nervos de Aço
Nunca
Quem há de dizer
Se acaso você chegasse
Se é verdade
Sozinha
Torre de Babel
Um favor
Vingança
Volta
Zé Ponte 

Leandro

(Goianápolis/GO, 15 de Outubro de 1961 - São Paulo/SP, 23 de junho de 1998)

O cantor e compositor Leandro, nome artistico de Luis José Costa nasceu em Goianápolis, Goiás, em 15 de Outubro de 1961.

Formou com seu irmão, Leonardo, a dupla sertaneja "Leandro e Leonardo". A dupla fez sucesso com as músicas "Eu Juro", "Um Sonhador", "Não Aprendi a Dizer Adeus", dentre muitos outros.

No início dos anos 80, quando dois de seus oito filhos decidiram abandonar a rotina dura do roçado, no interior de Goiás, para virar artistas na capital, dona Carminha, mãe de Leandro e Leonardo, na falta de vida melhor a oferecer, sentou-se com o marido, Seu Avelino, na mureta da horta, pegou nas mãos dos rapazes e recomendou: "Vai, se não der certo, volta."

Emival Eterno (Leonardo) e José Luiz da Costa, pouco mais de 20 anos de idade, partiram para Goiânia. Haviam aprendido a cantar como passa-tempo, nos breves intervalos entre as horas intermináveis que passavam acocorados no plantio de jiló, tomate e pepino.

Controlando a respiração com o cheiro do veneno que aplicavam na plantação, os dois jovens cantavam acompanhados pelo som que saia da viola do pai.

Podiam não estar tão certos que eram bons intérpretes, mas não havia dúvidas de que não queriam mais acordar às quatro horas da madrugada para encher 600 caixas de tomates e antes do almoço seguir para o colégio.

Desceram do ônibus em Goiânia com uma sacola de plástico e um violão à mão e todo o repertório de Chitãozinho e Xororó na ponta da língua.

Fizeram teste logo no primeiro dia numa boate chamada Canta Viola. Cantaram "Sessenta Dias Apaixonado", de Chitãozinho e Xororó. O dono do lugar mandou voltar à noite e contratou os rapazes por quatro salários mínimos todo fim de mês.

A primeira providência da dupla foi trocar os nomes. José Luiz Costa, o mais velho, passaria a chamar-se Leandro. Emival, de 25 de julho de 1963, atenderia por Leonardo. Os nomes homenageavam os filhos gêmeos recém-nascidos de um casal de amigos.

Nunca mais, nem entre eles ou os familiares, se tratariam pelo nome de batismo.

"O único incômodo da boate eram as facadas e tapas que rolavam algumas noites", recordou certa vez Leandro. Na cidade nova moraram em um quarto cuja mobília não ia muito além de duas beliches. A dupla dormia numa e um tio e um primo se ajeitavam noutra. Foi assim por três anos.

A dupla Leandro & Leonardo tocou pela primeira vez na cidade de São Paulo em outubro de 1990.

O sucesso aconteceu para a dupla apenas no início dos anos 90, quando gravaram "Entre Tapas e Beijos". A consagração definitiva veio em 1992, com "Pense em Mim" e "Desculpe, Mas Eu Vou Chorar". As duas canções fizeram com que os goianos vendessem 2,5 milhões de discos e entrassem para o seleto grupo das celebridades sertanejas, que já incluía Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó.

Leandro fez parte dos apresentadores do programa "Amigos" da Rede Globo, juntamente com Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, e seu irmão, Leonardo.

A dupla seguiu em ascensão, com um sucesso atrás do outro, até que, em 8 de maio de 1998, foi diagnosticado no Hospital John Hopkins, em Baltimore (EUA), que Leandro, então com 36 anos de idade, tinha um câncer raro no pulmão direito. O tumor, chamado Neuroectodérmico Primitivo ou Tumor de Askin, bastante agressivo, obrigou Leonardo a cumprir a agenda de shows sem o irmão. O tratamento, feito no Brasil, combinou quimioterapia e radioterapia, mas não surtiu o efeito esperado. Apesar das orações de todo o País e do otimismo demonstrado pelo cantor e sua família, a doença acabou por vencê-lo 45 dias depois de descoberta.

No dia 23 de junho de 2998, Leandro morreu de complicações decorrentes do câncer.

O velório, em Goiânia, reuniu milhares de fãs no Estádio Olímpico. A imprensa nacional cobriu a despedida ao cantor. Leonardo sofreu publicamente e pediu ajuda aos fãs. Garantiu que o irmão era insubstituível e que seguiria carreira solo. À época, chegou-se a especular que Leonardo faria dupla com Daniel, que havia perdido o parceiro João Paulo, morto no ano anterior. Dona Carmem, mãe de Leandro, optou por cumprir o desejo do filho morto e auxiliar os doentes de câncer. Mal havia sepultado Leandro, ela deu início às atividades da Casa de Apoio São Luiz.

O cantor Leandro casou-se duas vezes e dos dois casamentos deixou três filhos: Thiago, de 18 anos, Lyandra, e Leandro. Mesmo assim, ele sonhava em ter mais filhos. No dia 12 de maio de 1998, antes de iniciar o seu tratamento de quimioterapia, Leandro foi à clínica de reprodução humana do médico Roger Abdelmassih em São Paulo para retirada sêmen, pois um dos efeitos colaterais da quimioterapia é a perda da fertilidade. Ele pretendia ainda ter mais um ou dois filhos. A familia de Leandro decidiu pela eliminação do material depois da sua morte.

Leonardo está hoje em carreira solo. A Rede Globo exibiu, em 2007, um programa especial sobre a vida de Leandro.



Fontes: Sites Wikipédia; Jornal Vale Paraibano; Portal Pense em Mim

Lúcio Alves

(Cataguazes/MG, 28/1/1927 ****** Rio de Janeiro/RJ, 3/8/1993

Lúcio Ciribelli Alves, mais conhecido por Lúcio Alves, era mineiro de Cataguases, filho de um maestro de banda. Começou a tocar violão na infância.

Aos sete anos de idade, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde começou a participar de programas de rádio, como cantor e radio-ator. Lúcio Alves começara a aprender violão um ano antes, estimulado pelo pai. Atraído pelo repertório de Orlando Silva, interpretou, aos nove anos de idade, no programa radiofônico de Barbosa Júnior, a música "Juramento Falso", de Pedro Caetano. Participou, pouco depois, do programa da Rádio Mayrink Veiga "Picolino", apresentado pelo mesmo Barbosa Júnior.

Ainda garoto, Lúcio Alves integrou o elenco da radionovela "Aladim e a Lâmpada Maravilhosa", da Rádio Nacional, onde interpretava o personagem principal. O radialista Silvino Neto o apelidou de "Cantor das Multidinhas", em comparação a Orlando Silva, conhecido como "Cantor das Multidões".

Nos anos 40, criou o grupo "Namorados da Lua", em que era cantor, violonista e arranjador. O conjunto gravou alguns discos e foi popular até sua dissolução, em 1947, quando Lúcio Alves partiu para carreira solo.

Ainda adolescente, Lúcio Alves começou também a compor, tendo feito em parceria com Haroldo Barbosa a obra-prima "De Conversa em Conversa". Mais tarde, com o mesmo parceiro, emplacou "Baião de Copacabana".

Lançou o primeiro disco individual em 1948, com um bolero ("Solidão", versão de Aloysio de Oliveira para "Tres Palabras", de O. Ferrez).

No início dos anos 50, Lúcio Alves tornou-se um dos cantores mais populares do rádio, ao lado de Dick Farney, com quem gravou em dupla uma das primeiras composições de Tom Jobim e Billy Blanco, "Teresa da Praia".

Outros sucessos de Lúcio Alves foram "Sábado em Copacabana" (Dorival Caymmi/ Carlos Guinle), "Valsa de uma Cidade" (Ismael Neto/ Antônio Maria), "Xodó" (Jair Amorim/ J.M. de Abreu).

Em 1960, lançou o disco "Lúcio Alves Interpreta Dolores Duran", em homenagem à cantora e compositora falecida no ano anterior. Ainda na década de 60 gravou diversos discos de bossa nova, como "A Bossa É Nossa" e "Balançamba" (relançado em CD). Dessa fase bossa novas destacam-se suas interpretações para "Dindi" (Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira), "O Samba da Minha Terra" (Caymmi), "Ah, Se Eu Pudesse" e "O Barquinho" (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli).

Em 1970, João Gilberto regravou "De Conversa em Conversa" em disco produzido no México. No início da mesma década, tornou-se produtor musical da TV Educativa, no Rio de Janeiro. Em 1974, participou da série radiofônica "MPB 100, ao vivo", escrita e locutada por R. C. Albin para o Projeto Minerva na Rádio MEC, que viraria oito elepês com o mesmo título, edição Tapecar. Coube a ele o período da bossa nova, em que aparece ao lado de Dóris Monteiro, Johnny Alf e Alaíde Costa. Em 1975, pouco depois de gravar a canção "Helena, Helena, Helena", de Alberto Land, vencedora de um festival da canção onde foi defendida por Taiguara, lançou pela RCA o LP "Lúcio Alves", com composições com nomes de mulher cantando músicas, entre outros, de Chico Buarque, "Januária" e "Carolina", Tom Jobim, "Lígia" e Pixinguinha, "Rosa".

Em 1978 participou, com Dóris Monteiro, do Projeto Pixinguinha do qual resultou um LP, onde os dois interpretaram, entre outras, as músicas "Pra Dizer Adeus", de Edu Lobo e Torquato Neto, "Conversa de Botequim", de Vadico e Noel Rosa, "Mocinho Bonito", de Billy Blanco e "Razão de Viver", de Paulo Sergio Valle e Eumir Deodato.

Em 1988, participou do disco "Há Sempre um Nome de Mulher", volume duplo criado por R. C. Albin para campanha de aleitamento materno, patrocinado pelo Banco do Brasil e do qual se venderam 600 mil cópias apenas nas mil agências do Banco do Brasil.

Lúcio Alves faleceu em 03 de Agosto de 1993, de infarto, no Rio de Janeiro, aos 68 anos de idade.

Fontes: Sites Cliquemusic Uol; Wikipédia, Cifra Antiga, Adoro Cinema Brasileiro; Dicionário MPB. 

Lenita Bruno

(Rio de Janeiro/RJ 08/12/1926 ****** Rio de Janeiro/RJ, 24/08/1987)

Lenita Bruno iniciou sua carreira aos 14 anos.Participou de diversos programas de calouros nas rádios Nacional e Cruzeiro. Saia-se sempre muito bem e foi a vencedora de vários deles.

Sua primeira participação em gravações foi em 1942, interpretando o samba “Confesso” para o conjunto Chiquinho e seu Ritmo.

Em 1946 assinou seu primeiro contrato com a Rádio Mayrink Veiga, para uma temporada de seis meses. Em 1949, venceu o concurso Chiquinho a procura de uma Lady crooner, promovido pela Rádio Clube do Brasil. Em 1950, retornou à Mayrink Veiga, onde se apresentou com o cantor Dick Farney, em um programa dedicado ao jazz.

A cantora participou de vários dos mais conceituados programas musicais da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, entre eles: Operetas famosas; Um milhão de melodias; Festivais GE; Canção da lembrança; Quando os maestros se encontram e Mestres da música.

Gravou seu primeiro disco em 1952, pela Sinter, interpretando duas músicas de Lírio Panicali e Evaldo Rui: Um domingo no Jardim de Alahe Enquanto houver. Em 1958, gravou duas versões feitas por Aloysio de Oliveira, pela Odeon: Sayonara e Love me again. Conheceu Tom Jobim através de seu marido, o maestro Leo Peracchi, que orquestrou Orfeu da Conceição, em 1957.
Dessa nova amizade surgiu o convite pra gravar o álbum “Por Toda a Minha Vida”, com composições de Tom e Vinicius de Moraes.

Era treinada no canto lírico e intérprete de canções do universo musical norte americano durante as décadas de 40 e 50. Abraçou com fervor a bossa-nova.

Depois de deixar dois LPs clássicos como “Por Toda a Minha Vida” e “Modinhas Fora de Moda” [do selo Festa], Lenita partiu em 1964 para Nova Iorque e gravou com nomes como Laurindo de Almeida, Bud Shank, Claire Fisher e outros.
Devido à desenvoltura com que cantava músicas em inglês, gravou os discos “Lenita Bruno em Hollywood”, interpretando somente canções brasileiras e “Work of Love”.

Fez também um especial na TV ao lado de José Feliciano. Ao retornar ao Brasil, participou de um show na Sala Funarte, em homenagem a Mário de Andrade.

Realizou o show Tom Jobim, popular ou clássico? em 1985, no Projeto Seis e Meia da A. B. I. , no Rio de Janeiro. Fez sua última apresentação em 1986, no Restaurante Botanic, no Rio de Janeiro, no show Para amar e sofrer.

Lamartine Babo

(Rio de Janeiro/RJ, 10 de janeiro de 1904 — Rio de Janeiro/RJ, 16 de junho de 1963) 

Lamartine de Azeredo Babo, conhecido como Lamartine Babo, nasceu na Rua Teófílo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904.

Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D.Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre freqüentavam sua casa.

Por isso, o pequeno e magro Lamartine muito cedo posou de compositor para seus colegas de escola. Para provar que conseguia compor uma música usando apenas as notas sol, dó e mi, acabou fazendo o fox-trot "Pandorama", um ritmo norte-americano muito em alta na época. Lamartine era um menino muito criativo e acabou vencendo um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola". Sua primeira valsa, "Torturas de amor", foi composta quando tinha apenas treze anos de idade.

Em 1917, morreu o pai de Lamartine Babo. Em 1919 Lamartine compôs, sob influência da educação beneditina, "Ave Maria", que foi tocada em seu casamento e que até hoje é cantada nas igrejas católicas.Concluído o ginásio, Lamartine foi para o Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras, equivalente ao colegial de hoje.

Lamartine Babo queria, em 1920, cursar a Escola Politécnica, mas a situação financeira da família, que vinha se tornando precária desde a morte do pai, o obrigou a trabalhar como office-boy na Light, ganhando 50 mil réis por mês. Do seu magro salário, Lamartine conseguia economizar uns trocados para, de vez em quando, freqüentar o Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântara, hoje João Caetano, onde deliciava-se com alegres operetas vienenses. Nesse mesmo ano Lamartine compôs sua primeira opereta: "Cibele".

O bom-humor e a facilidade de fazer piadas e trocadilhos levaram Lamartine, em 1923, a colaborar na revista 'Dom Quixote', dirigida por Bastos Tigre e especializada em humor, sátiras e críticas à época. Demitido da Light em 1924, Lamartine conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, onde ficou por pouco tempo, passando, em seguida, a escrever e compor para o teatro de revista. Ainda nesse ano, sob os pseudônimos de Frei Caneca, Poeta Cinzento, T. Misto, Janeiro Ramos, Luxurious e N. N., Lamartine escreveu artigos e poesias simples para as revistas "Paratodos" e "Shimmy".

Orientado por seu amigo Eduardo Souto, Lamartine Babo descobriu o fértil campo das marchinhas carnavalescas e, em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores" "Africanos", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", fazendo sucesso com a marchinha "Foi você". Em 1926, Lamartine compôs, anonimamente, para as revistas "Prestes a chegar" e "A mascote" e, em 1927, para "Paulista de Macaé" e "É da pontinha".

Como revistógrafo e compositor, o nome de Lamartine apareceu com sucesso em novembro de 1927, na revista "Os calças-largas", cuja música título, composta em parceria com Gonçalves de Oliveira e que satirizava a moda das calças boca-de-sino, foi gravada por Frederico Rocha, na Odeon, para o Carnaval de 1928; esta foi a primeira composição gravada de Lamartine Babo. A revista "Ouro à beça", de Lamartine com colaboração de Djalma Nunes, J. Castilho e Henrique Vogeler, foi uma das maiores atrações de 1928. Autor da comédia musicada "Este mundo vai mal", que estreou com sucesso em outubro de 1928, Lamartine colaborou também, no mesmo ano, na revista "Vai haver o diabo", que estreou em novembro.
Ainda nesse ano, para ajudar no orçamento, Lamartine deu aulas de dança no Clube Tuna Comercial e no Ginásio Português. Também de 1928 são suas composições "Nunca, jamais" e "Raios de um olhar" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Ary Barroso; "Cai n'água", com Lírio Panicali; "Cariocadas", com Hekel Tavares; "O ciúme é que te mata", com Osvaldo Cardoso de Menezes; "Cresça e apareça", com L. N. Menezes; "Cuidado com ela", "Essa velha tem malícia" e "Foi você", com Pedro Cabral; "Elza", com A F. Conceição e Xavier Pinheiro; "Eu não sei por que é", com F. Fonseca Costa; "Noite de amor", com J. Ramen; e "Seu Voronoff", em parceria com João Rossi.

Lamartine Babo iniciou sua carreira no rádio em 1929, na Rádio Educadora, onde cantava com sua voz de falsete, contava piadas e fazia esquetes. De 1929 são suas composições "Dona boa", "Gemer no violão", "Uma tarde em New York" e "Zeca Ivo" e, também, "Amor na Penha", em parceria com João Rossi; "O campeão de xadrez", em parceria com J. Machado; "A capixaba", "Didi", "Em Santa Catarina tudo é flor", "Fruta do Pará", "Guanabara", "Maranhão, terra poética", "Meu Ceará", "Mineirinha", "Na terra do bom tempero", "Oh! Linda praia de amor", "Paraíba", "Perfil de gaúcha", "Sergipe, apelido do amor", "Seu Goiás", "Sonhos de Natal" e "Vou pro Piauí", em parceria com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Helena de Azambuja", em parceria com A. R. de Jesus; "Lágrimas ocultas", em parceria com A. Miniutti; "O meu penar", em parceria com Pedro Cabral; "Tem gente olhando", em parceria com Tuiú; e "A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios", em parceria com Zeca Ivo.

Em 1930, na Rádio Educadora, Lamartine começou a fazer o programa "Horas Lamartinescas", onde divulgava suas músicas, contava piadas e improvisava trocadilhos e onde também se apresentaram Noel Rosa e Marília Batista, entre outros. Nesse mesmo ano Lamartine venceu um concurso promovido pela revista "O Cruzeiro", com a marchinha "Bota o feijão no fogo". Desse ano também são as composições "Altofalante", "Chora", "A descoberta da América", "Eu quero casar" e "Rosinha" e, ainda, "Cutuca, Maroca", em parceria com D. Guimarães; "Diga", com Gonçalves de Oliveira; "Amazonas", "A Bandeirante", "Terra fluminense" e "Toada alagoana", com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Como é gostoso amar", com Glauco Viana; "Devaneios", com Carlos Rodrigues; "Mulher sublime", com Donga; "Sonhos de Rinetti", com Jonas Aragão; "Teus olhos castanhos", com Bonfiglio de Oliveira; e "Tristeza havaiana", com Furinha.

Em 1931, Lamartine Babo compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver", cuja letra revela a grande originalidade de Lamartine, uma das principais características de sua obra. Ainda nesse ano Lamartine passou a colaborar nos jornais "Correio da Manhã", "Gazeta de Notícias" e "Diário de Notícias" e venceu um concurso da Casa Edison com "Bonde errado", além de ter alcançado grande sucesso com "Lua Cor de Prata" e "Minha cabrocha". Nesse ano Lamartine também compôs "Gegê - Seu Getúlio"; com Noel Rosa, compôs "A.b.surdo"e "Nega"; com Sátiro de Almeida , "Gandaia"; com Vantuil de Carvalho e Domingos Carvalho,"Juraci"; com Josué de Barros, "Olha a cara dela"; com A. Demerval, "Onde você está morando?"; com Bonfiglio de Oliveira, "Sonho Brasileiro"; e, entusiasmado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema "Na grota funda", de J. Carlos, Lamartine resolveu fazer outra letra, mudando o título da composição para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do trabalho de Lalá que a partir daí compuseram juntos uma série de sucessos.

Com os Irmãos Valença, Lamartine compôs a marcha que foi um dos maiores sucessos carnavalescos de 1932 e de todos os tempos: "O teu cabelo não nega". Inicialmente, essa marcha era uma música dos Irmãos Valença, de Pernambuco, que a enviaram à Victor com o título de "Mulata". Como a linguagem dos versos era muito regional, a gravadora pediu a Lamartine que adaptasse a composição ao gosto carioca. Ele mudou radicalmente o original: alterou o ritmo, modificou a letra e acrescentou a famosa introdução. A marchinha acabou sendo gravada como "motivo do Norte com arranjos de Lamartine Babo" e editada como de exclusiva autoria de Lamartine. Os Irmãos Valença levaram o caso à justiça, que lhes deu ganho de causa, passando à legítima condição de parceiros de Lamartine.

Em 1932, Lamartine compôs, com Noel Rosa, "AEIOU"; com Francisco Alves e Ismael Silva, "Ao romper da aurora"; com Antonio Viana, "Eterna prontidão"; com Bonfiglio de Oliveira, Lamartine compôs "Meu sabiá"; e com Ary Barroso, "Palmeira Triste". Também de 1932 são as composições de Lamartine: "Babo...zeira...", "Uma família radiante", "Marchinha do amor", "Papai não deixa", "Passarinho... passarinho", "Rapsódia em réus maiores", "Só dando com uma pedra nela" e "A tua vida é um segredo", que foi um dos campeões do carnaval de 1933.

Em 1933, Lamartine Babo fez sucesso com "Linda morena" e "Moleque indigesto" e, também, com "Aí, hein! " e "Boa bola", estas compostas em parceria com Paulo Valença. "Linda Morena", muito cantada pelos foliões, foi originalmente gravada por Lamartine, Mário Reis e o Grupo da Guarda Velha, para o carnaval de 1933. Ainda em 1933, em parceria com Alcir Pires Vermelho, Lamartine compôs "Dá cá o pé...loura"; com João de Barro, compôs "Eu queria ser ioiô"; com Noel Rosa, "Eu queria um retratinho de você"; e com Ari Pavão, compôs "Infelizmente". Nesse mesmo ano Lamartine compôs, sem parceria, "Bem-te-vi", "As cinco estações do ano", "Lola", "Paisagens de São Lourenço", "Tarde na serra" e "Chegou a hora da fogueira", que revela Lamartine num gênero, hoje, quase esquecido: as marchinhas juninas.

Em 1934, em parceria com João de Barro, Lamartine compôs "Uma andorinha não faz verão"; com Moacir Araújo, compôs "Baiana do meu coração"; com Assis Valente, "Bis " com Alcir Pires Vermelho, "E... foi assim..."; e com Hervé Cordovil, "Menina Oxygené". Também de 1934 são as composições "Deixa a velhinha", "Dois a dois", "Eu também", "História do Brasil", " "Isto é lá com Santo Antônio", "Marchinha nupcial", "Paisagem de minha terra", "Parei contigo", "Ride palhaço", "O sol nasceu pra todos" e "Rasguei a minha fantasia", que foi composta para o carnaval de 1935 e gravada por Mário Reis, transformando-se num dos grandes êxitos daquele ano.

Em 1935, Lamartine venceu novamente o carnaval com "Grau dez", composta em parceria com Ary Barroso. Desse ano são também as composições "Chora... chora..." "Pistolões", "Rapsódia Lamartinesca nº 2", "Senhorita Carnaval", feita para promover o sabonete marca Carnaval, e "Verbo amar". E, ainda, "Antônio, por favor", feita em parceria com José Maria de Abreu; "Canção apaixonada", "A melhor das três" e "Roda de fogo", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "E o samba continua" e "Na virada da montanha", com Ary Barroso; "Mariana", com Bonfiglio de Oliveira; e "Moreninha sweepstake" e "Seu Abóbora", com Hervé Cordovil.

O ano de 1936 trouxe "Marchinha do grande galo", composta por Lamartine em parceria com Paulo Barbosa e lembrada até hoje: "O galo tem saudades da galinha carijó". Nesse mesmo ano Lamartine compôs "Cinqüenta por cento" e "A tal". Em parceria com Hervé Cordovil, compôs "Alô, alô Carnaval" e "Rio"; com Nássara, "Cadência"; com Alberto Ribeiro, "Comprei uma fantasia de pierrô"; com Assis Valente, "Jeanette"; com Noel Rosa, "Menina dos meus olhos"; e com Alberto Ribeiro e João de Barro, "Cantores de Rádio", que, originalmente gravada pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda, pertencia ao filme "Alô, Alô, Carnaval". Depois foi gravada por Chico Buarque, junto com Nara Leão e Maria Bethânia, como parte da trilha sonora do filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diegues.

Em 1935, Lamartine havia recebido, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais, uma carta poética e apaixonada, assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Lamartine e Nair se corresponderam por cerca de um ano, até que veio o adeus, numa última carta de Nair. Meses mais tarde Lamartine recebeu uma correspondência do dentista Carlos Alves Neto, da mesma cidade de Nair, convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical. Sonhando encontrar-se com Nair, Lamartine foi para Minas e teve uma incrível surpresa: Nair era uma garotinha, sobrinha do dentista, o qual era o autor das cartas. Carlos colecionava fotos de artistas e se valeu das correspondências com Lamartine para aumentar sua coleção. Essa história foi a responsável pelo surgimento de uma famosa canção de Lamartine, "Serra da Boa Esperança", gravada por Francisco Alves em 1937 e depois, em 1952, três dias antes de morrer em acidente automobilístico.

De 1937 também são as composições de Lamartine "Ganga", "Gauchinha", "Já tirei meu chapéu", "Menina das lojas", "Só nós dois no salão e esta valsa" e, ainda, "Mais uma valsa, mais uma saudade ", composta em parceria com José Maria de Abreu e "Pensão do Catete", em parceria com Milton Amaral. A partir de 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo, as composições carnavalescas de Lamartine Babo tornaram-se esporádicas, mas ele continuou seu trabalho de radialista. As "Horas Lamartinescas" da Rádio Educadora foram substituídas pelo programa "Canção do Dia", na Rádio Mayrink Veiga, onde Lamartine apresentava uma música inédita por programa; na Mayrink Veiga, Lamartine produziu também o "Clube da Meia-Noite". Em 1937 Lamartine foi para a Rádio Nacional, levando o "Clube da Meia-Noite", que passou a se chamar "Clube dos Fantasmas" e onde produziu também a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular".

Em 1938, com Hervé Cordovil, Lamartine compôs "Esquina da sorte"; com Carlos Neto, compôs "Vaca amarela", e, sem parceria, compôs "Hino do Carnaval Brasileiro", uma de suas últimas criações carnavalescas. Em 1939, para o show "Joujoux e balangandans", que foi apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e do qual era diretor musical, Lamartine compôs a marcha "Jou jou balagandans". Ainda em 1939 Lamartine compôs "Voltei a cantar"; em parceria com Celso Macedo, compôs "Cessa tudo"; e com Enéias, compôs "Tamanho não é documento".

De 1940 é a composição de Lamartine "De... cadência de pierrô", feita em parceria com Alcir Pires Vermelho. Em 1941 Lamartine compôs o fox-blue "Perdão, amor"; com Moacir Araújo, compôs a marcha "Minha companhia é a Colombina"; e com Francisco Matoso, a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda ", imortalizada na voz de Carlos Galhardo.

Em 1942, Lamartine criou, na Rádio Nacional, o programa "Trem da Alegria", onde apresentou o Trio de Osso, integrado por Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo. O programa tornou-se um dos mais famosos do Brasil e passou por diversas emissoras de Rádio, mantendo-se no ar até 1955, ano em que, com a morte de Heber de Bôscoli, Lamartine deixou o rádio e passou a dedicar-se à União Brasileira de Compositores - UBC, como diretor. De 1942 também são suas composições "O V da vitória", "Alma dos violinos", esta em parceria com Alcir Pires Vermelho, e "La Canga", em parceria do Heber de Boscoli.

Apaixonado por futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine Babo escreveu hinos para todos os clubes cariocas, lançando-os, em 1943, no "Trem da Alegria".

Em 1944, Lamartine compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Uma valsa azul". Em 1945, em parceria com Moacir Araújo, compôs "En avant". Em 1949 compôs "Noites de junho". O eclético compositor Lamartine Babo também produziu programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou dois livros humorísticos: "Lamartiníadas" e "Pindaíbas".
Somente em 1951, aos 47 anos, Lamartine optou pelo casamento e já não era mais o Lalá magrinho, tão caricaturado, quando se casou com Maria José Barroso. Havia parado de fumar, engordara, perdera os dentes e gostava de receber os amigos com uísque escocês, em sua ampla residência na Tijuca. Também de 1951 são as composições "Adeus, ano velho", "É... elas voltaram", esta em parceria com Roberto Roberti e "Volta", feIta em parceria com Roberto Martins.

Em 1952, Lalá compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Valsa da formatura". Em 1954, em parceria com Roberto Martins, compôs "Valsa do calendário". Em 1955 compôs os sambas "Estranha coincidência" e "Três de abril". O ano de 1957 trouxe as composições "Marcha pro Oriente", em parceria com Ataulfo Alves; "O rapaz de minha rua", em parceria com Roberto Martins; e "Sonhei com Noel", em parceria com Marques Junior e Roberto Roberti. Vez ou outra Lamartine voltava a animar o carnaval com alguma composição. Em fins de 1958, a pedido do rancho Rouxinóis, da Ilha de Paquetá, compôs a marcha-rancho "Os Rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", que estreou em janeiro de 1959.

Em 1959, Lalá compôs o samba "Maria dos Anjos". Em 1960, compôs "Meu carnaval do passado" e "Ontem à tarde". Em 1961, a marcha-rancho ""Ressurreição dos Velhos Carnavais". De 1963 são as composições "Noites de gala", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "Qual delas?", em parceria com Carlos de La Riestra; e "Seja lá o que Deus quiser", só de Lamartine. Nesse mesmo ano Carlos Machado produziu, na boate do Copacabana Palace Hotel, o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine Babo. Lalá freqüentou os ensaios, mas não chegou a assistir ao show: morreu de enfarte, provocado pela emoção da homenagem, no dia 16 de junho de 1963, poucos dias antes da estréia do show, mas consagrado pelos foliões de ontem e de hoje, que nunca deixaram de cantar "O teu cabelo não nega".


Fontes: Cifrantiga, Samba-choro, Artistas, Memórias da MPB (Samira Prioli Jaime). 

Luiz Carlos da Vila

(Rio de Janeiro/RJ, 21/7/1949 ******** Rio de Janeiro/RJ, 20/10/2008)

Nascido no bairro carioca de Ramos, berço de sambistas e do tradicional bloco "Cacique de Ramos". O bloco inclusive ganhou dele um de seus mais belos sambas, "Doce Refúgio": "Sim, é o Cacique de Ramos / Planta onde todos os ramos / cantam os passarinhos nas manhãs."

Em 1985 gravou o primeiro disco, que levava seu nome, com sambas de sua autoria e de Martinho da Vila, Manacéa e Zé Catimba. Dois anos depois gravou "Pra Esfriar a Cabeça", em que estreou uma parceria com Martinho em "Vila Isabel Anos 30".

Em 1995 gravou "Raças Brasil", disco em que regravou "Além da Razão", "Kizomba" e apresentou sambas como "Carvão e Giz", parceria com Paulo César Feital; "Sem Endereço", com Arlindo Cruz; e "Samba Que Nem Rita Adora", parceria com a mulher, Jane.

Produzido por Martinho da Vila, ele gravou em 1997 "Uma Festa No Samba", com sambas de Nei Lopes, Wilson Moreira , Zé Luiz , Noca da Portela e Cl´´audio Jorge. No ano seguinte, gravou um tributo ao mestre do partido alto, Candeia. Na época disse que nunca foi um partideiro, mas sim um compositor de partidos, já que não era bom de improvisar versos. A música que dá nome ao disco, "A Luz de um Vencedor", era um samba inacabado do portelense, que lee terminou. No repertório impecável se destacam, "Casa Amarela", de Candeia e Casquinha, e "Não Tem Veneno", de Wilson Moreira e Candeia.

Em 2004, ele lançou "Benza Deus" e, em 2006, o disco ao vivo "Um Cantar à Vontade", gravado no Teatro Rival, em que fazia um balanço de sua carreira.

Quando de sua morte a cantora Beth Carvalho declarou: "Morreu um dos maiores poetas brasileiros". Beth gravou 13 músicas do sambista.

Luiz Carlos da Vila era considerado no meio do samba como um grande criador de letras e melodias.

Autor de sambas clássicos como "Além da Razão", que lhe valeu o Prêmio Sharp de 1988, com a gravação de Beth Carvalho, "Kizomba, A Festa da Raça", que deu o primeiro título do carnaval carioca à Vila Isabel no mesmo ano; "Por Um Dia de Graça", "O Show Tem Que Continuar", "O Sonho Não Acabou", "Doce Refúgio" e "Chorando de Saudade", ele é um dos maiores representantes da geração que surgiu sob a tamarineira da quadra do Cacique de Ramos.

Mais velho que a turma que frequentava as rodas das quartas-feiras, formada por Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal e Sombrinha, Luiz Carlos desde o começo chamava atenção pelo lirismo de seus versos.

Seu nome artístico na verdade, dado por Nei Lopes, era Luiz Carlos das Vilas (Vila Kennedy, Vila Isabel, Vila de Penha...). Trata-se de um sambista que, em suas músicas, encarna o verdadeiro espírito das vilas e bairros do subúrbio carioca: músicas alegres, espirituosas e, ao mesmo tempo, preocupadas com diferentes aspectos da realidade política e social de nosso povo.

Luiz Carlos da Vila ficou internado por 40 dias no Hospital do Andaraí, onde morreu aos 59 anos de idade, vítima de um câncer no intestino. Ele era casado com Jane e deixou uma filha, Malana.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Luis Barbosa

(Rio de Janeiro/RJ, 7-7-1910 ******** Rio de Janeiro/RJ, 8-10-1938)

Batizado Luís dos Santos Barbosa, era cantor e compositor. Irmão do compositor Paulo Barbosa, do humorista e cantor Barbosa Júnior e do radialista Henrique Barbosa, começou sua carreira na Radio Mayrink Veiga, no Esplêndido Programa, de Valdo Abreu, em 1931, logo se destacando por sua personalidade na interpretação de sambas, reforçada pela novidade da utilização de “breques”.

Foi também o introdutor do chapéu de palha como acompanhamento rítmico, nos programas de rádio e em gravações. Seus primeiros sucessos foram as interpretações de "Caixa Econômica" (Nássara e Orestes Barbosa) e "Seu Libório" (João de Barro e Alberto Ribeiro).

Em 1931 gravou na Odeon seus primeiros discos: os sambas "Meu santo" (Pedro Brito), "Silêncio" (Vadico), "Não gostei de seus modos" (Amor) e "Sou jogador" (de sua autoria), e as marchas "Vem, meu amor"(Pedro Brito e Milton Amaral) e "Pega", esta também de sua autoria.

Na Victor, em 1933, gravou o primeiro samba de Wilson Batista, "Na estrada da vida", e em seguida o samba "Adeus, vida de solteiro", além do samba-canção "Jamais em tua vida", ambos do compositor e pianista Mano Travassos de Araújo, que o acompanhou ao piano. No mesmo ano, a convite de Jardel Jércolis, passou a se apresentar todas as noites no Teatro Carlos Gomes, cantando juntamente com Deo Maia o samba "No tabuleiro da baiana" (Ary Barroso), que seria gravado por ele em dupla com Carmen Miranda, na Odeon, em 1937.

Em seguida gravou, na Victor, a marcha "Quem nunca comeu melado" (com Jorge Murad), o samba "Bebida, mulher e orgia" (Luis Pimentel, Anis Murad e Manuel Rabaça), o samba "Cadê o toucinho" e a marcha "Eu peço e você nao dá" (ambos de Nássara e Antônio Almeida), e os sambas "Lalá e Lelé" (Jaime Brito e Manezinho Araújo), "Risoleta" (Raul Marques e Moacir Bernardino), "Perdi a confiança" (Rubens Soares e Ataulfo Alves) e "Já paguei meus pecados" (Leonel Azevedo e Germano Augusto).

Entre 1935 e 1937 gravou uma série de sambas de breque de Antônio Almeida e Ciro de Sousa, com acompanhamento ao piano de Mário Travassos de Araújo. No Carnaval de 1936, fez sucesso com a gravação da marchinha de Antônio Almeida e A. Godinho "Ó! ó! não", que inicialmente era um anúncio da Drogaria Sul-Americana, do Rio de Janeiro.

A vida de boêmio interrompeu o sucesso de sua curta mas extraordinariamente marcante carreira, tendo morrido tuberculoso em casa de sua família, na Tijuca, em 1938.

Fonte: Cifrantiga

Laura Suarez

(Rio de Janeiro/RJ, 21 de novembro de 1909 ------- Rio de Janeiro/RJ,1990)

Laura Suarez foi eleita Miss Ipanema em 1929. O acontecimento foi filmado e ainda existe o registro. Apesar de ser uma das mulheres mais bonitas de seu tempo, Laura buscou outros caminhos e também abraçou as carreiras de atriz, cantora e compositora. Foi feliz em todas elas.

Seu primeiro disco foi gravado em 1930 pela Brunswick, com as músicas "Moreno meu bem" e "Coco de Pagu", ambas de autores desconhecidos, passando então a gravar com regularidade, inclusive músicas de sua própria autoria, como "Meu gaúcho", "Felicidade que passa", "Serenata", "Embala rede", "Moreno bamba", "Você... você...", "Velha canção" e "Os olhos de você", as duas últimas em parceria com o compositor Henrique Vogeler.

Ao todo gravou 13 discos, todos pela gravadora Brunswick.

Em 1933 casou-se com Willian Melniker, diretor geral da Metro-Goldwyn-Mayer na América do Sul. Neste mesmo ano a revista Vida Moderna assim descrevia Laura: “Uma voz branda e quente, com qualquer coisa de preguiçoso, voz que parece provocar lassidões, que tem a virtude de perturbar e que desperta a vontade de sonhar.”.

Em 1941, já afastada das gravações, atuou na peça "Trio em Lá Menor", ao lado dos atores Cacilda Becker e Raul Roulien. Apareceu também em filmes como "Tudo azul", de Moacyr Fenelon, de 1954, e "Mulheres, cheguei", de Victor Lima, em 1961. Participou ainda das novelas globais "Te Contei?" (Magda - 1978) e "Carinhoso" (Marieta - 1973).

Fonte: Cantoras do Brasil.

Lauro Maia

(Fortaleza/CE, 6 de novembro de 1912 ****** Rio de Janeiro/RJ, 5 de janeiro de 1950)

Lauro Maia (Lauro Maia Teles) foi compositor, instrumentista e arranjador. A mãe era professora de teoria musical e lhe ensinou as primeiras noções de música. Ainda ginasiano, frequentemente apresentava-se tocando piano no Cine-Teatro Majestic, sendo depois convidado a substituir o pianista que adoecera.

Em 1938, Lauro Maia formou o Quinteto Lupar, com Paulo Pamplona, Ubiraci de Carvalho, Roberto e Antônio Fiuza, estreando no ano seguinte na Ceará Rádio Clube. Na época, era diretor artístico da emissora, além de ocasionalmente integrar a orquestra da casa como pianista ou acordeonista. Além disso, liderava a Escola de Samba Lauro Maia, fazia pesquisas sobre o folclore cearense e arranjos de músicas para gravações.

Casado com Djanira Teixeira, irmã do compositor Humberto Teixeira, transferiu-se para o Rio de Janeiro, sendo contratado pelos editores Irmãos Vitale.

Passou também a trabalhar em cassinos, e em 1942 sua composição "Eu vi um leão" foi gravada na Odeon pelos Quatro Ases e Um Curinga, mesmo conjunto que lançou em 1944 a marcha de sua autoria "Trem de ferro" (Trenzinho), um de seus maiores sucessos.

Em parceria com Humberto Teixeira compôs outros grandes êxitos, como "Só uma louca não vê", gravado por Orlando Silva na Odeon em 1945, e, no ano seguinte, "Deus me perdoe", lançada em disco por Ciro Monteiro na Victor, obtendo muito sucesso no Carnaval.

Criou um novo ritmo, o balanceio, que fazia prever o baião urbanizado, como nas músicas "Marcha do balanceio", gravada por Joel e Gaúcho, e "Tão fácil, tão bom", interpretada pelos Vocalistas Tropicais, ambas na Odeon, também em 1946.

Adoecendo, Lauro Maia regressou a Fortaleza no ano seguinte, retornando ao Rio de Janeiro em 1948, onde faleceu dois anos depois.

Duas músicas de sua autoria foram lançadas postumamente: "Trem ô lá lá" (com Humberto Teixeira), em 1950, por Carmélia Alves, e o choro "Faísca", gravado por Raul de Barros, na Odeon, um ano depois, obtendo êxito.

Sua música "Trem de ferro" foi regravada por João Gilberto em 1961, com sucesso, constando do terceiro LP desse cantor na Odeon.

Lauro Maia faleceu em 1950 vitimado por uma tuberculose pulmonar.

Fonte: MPB Cifrantiga.

Lila

(Rio de Janeiro/1921 ***** 2009)

Margarida Oliveira, conhecida artisticamente primeiramente como Lila Margarida e depois apenas como Lila, era irmã de Dalva de Oliveira.

Em 1946 fez parte do Trio Madrigal porém por apenas seis meses, já que saiu do trio para se casar. Foi também uma das pastoras de Ataulfo Alves.

Com o nome de Lila Margarida, gravou alguns 78's em companhia da irmã Dalva de Oliveira, como em “Doce mentira” (Odeon – 1959).

Lila foi"crooner" da boate Drink (ao lado de Sandra), nos anos 60, onde participou do conjunto de Djalma Ferreira, os “Milionários do Ritmo”, fazendo parte no coro feminino.

O primeiro disco da cantora chamou-se “A madrugada na voz” (Columbia/1961). O disco é sambalanço em estado bruto, com acompanhamento do conjunto do maestro, arranjador e trombonista Astor Silva, residente da gravadora Columbia. Samba de gafieira, samba de boate, samba de “teleco-teco”, sambolero... Os arranjos eram jazzísticos, com solos de guitarra, metais e um piano rítmico, bem percussivo. O côro formado pelas vozes dos músicos suingava com o restante do conjunto. Da mistura de todos esses sub-gêneros do samba, tidos como popularescos, surgiria o cultuado e refinado “samba-jazz”, ápice da originalidade à brasileira.

Ainda não vertidos para o “samba-jazz”, do primeiro disco de Lila, dois temas se tornaram clássicos do estilo: “Nunca mais”, de letra melancólica, mas com ritmo contagiante, um “lamento” na voz de Lila, e “Olhou pra mim”, com introdução explosiva, levada adiante pela guitarra, ambos compostos por Ed Lincoln e Sílvio César.

“Vai com deus”, de Luís Bandeira e Sílvio César é um autêntico sambolero. “Saudade intrusa”, de Vadico, parceiro de Noel Rosa, usa da tentativa de urbanização das favelas para tratar da decepção amorosa: “Apesar do seu desejo, não há ordem de despejo que me arranque daqui”.

No seu segundo disco, “Gosto da noite” (CBS/1963), Lila contou com acompanhamento do conjunto da casa, já acrescido de um balançante órgão, instrumento que tão bem se adaptou à sonoridade do LP, cujo repertório teve metade das faixas ocupada por composições de Sílvio César.

“É um estouro”, de Jayme Silva e Neuza Teixeira (os mesmos autores de “O pato”, que se transformou em “standard” na interpretação de João Gilberto) abre o disco, e Lila nos conta a história da mulata dançarina de boate, que deveria ser efetivamente “um estouro”.

A faixa-título, a única balada do álbum, de Newton Pereira e Ivan Paulo da Silva, o maestro Carioca, é chorosa, matéria-prima para a boemia do início dos 1960: “Somente a noite é companheira, fiel à minha dor, somente a noite sabe onde está o meu amor”. Com swingue irrestível, “Conselho a quem quiser voltar” e “Pra quê?”, do quase onipresente Sílvio César, foram “música de fundo” de muitas reconciliações amorosas, apesar do ritmo cadenciado e da irreverência da letra desta última, na voz doce de Lila: “Pra que fazer comédia assim? Se eu gosto de você, e você gosta de mim”.

Lilá gravou apenas dois discos e posteriormente abandonou a carreira musical.

Fonte: Revistazingu.net e Toque-musical blogspot.

Luiz Bonfá

(Rio de Janeiro/RJ, 17 de outubro de 1922 ******* Rio de Janeiro/RJ, 12 de janeiro de 2001)

Luiz Bonfá aprendeu sozinho, quando criança, a tocar violão. Quando completou 13 anos passou a ter aulas com o Uruguaio Isaías Sávio. Tais aulas se tornaram muitos cansativas para Bonfá, que tinha de sair de sua casa na periferia do Rio, andar uma grande porção do caminho a pé e depois pegar um bonde para Santa Teresa, onde morava o professor. Devido à extraordinária dedicação de Bonfá, Isaías não lhe cobrava as aulas.

Foi um dos integrantes do primeiro grupo de músicos da bossa nova, compositor de clássicos como "Manhã de Carnaval" e "Samba do Orfeu" (ambas com Antônio Maria).

Na década de 40 tocou na Rádio Nacional, ao lado de Garoto. Participou de alguns conjuntos, como o Quitandinha Serenaders, até começar a carreira solo, como violonista.

Teve atuação destacada como compositor, e seus primeiros sucessos foram gravados por Dick Farney, em 1953. A peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, foi um marco em sua carreira. Tocou violão na gravação do disco da peça em 1956 e, três anos depois, compôs algumas das faixas que compunham a trilha sonora do filme de Marcel Camus ("Orfeu do Carnaval") inspirado na peça.

Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova York, 1962, sempre respeitado como compositor refinado e exímio violonista. Uma de suas características era tocar fazendo amplo uso do recurso das cordas soltas, o que conferia uma sonoridade ampla e grandiosa.

Gravou diversos discos nos EUA que não foram lançados no Brasil. Voltou a gravar no Brasil no fim dos anos 80 e anos 90, lançando discos bem-sucedidos também nos Estados Unidos. "Almost In Love", composição de Bonfá, foi a única música brasileira gravada por Elvis Presley. Frank Sinatra, Sarah Vaughan, George Benson, Tony Bennett, Julio Iglesias, Diana Krall e Luciano Pavarotti são outros intérpretes que já cantaram músicas de Bonfá.

Outros sucessos são "De Cigarro em Cigarro", "Correnteza" (em parceria com Tom Jobim), "The Gentle Rain", "Menina Flor", "Mania de Maria" e "Sem Esse Céu".

Fonte: Wikipédia.

domingo, 25 de novembro de 2012

Luiz Fabiano

(Tupã/SP, 6/5/1942 -------- São Paulo/SP, 18-12-2009)

O cantor e apresentador Luiz Fabiano, pseudônimo de Jair Campos Rodrigues, nasceu na cidade de Tupã, SP, em 1942.

Sua carreira começou em 1966, quando participou do II Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior.

Com seu verdadeiro nome - Jair Rodrigues, não poderia aparecer artisticamente: afinal Jair Rodrigues já era um sambista conhecido e, assim, ele trocou o Rodrigues por Campos e foi ser crooner da orquestra de Silvio Mazzuca.

Em 1967, o ex-cantor jovem Tony Campello lhe deu a chance de fazer um compacto na Odeon, com as músicas "Não Adianta Brigar" e "25 horas por Dia". Foi rebatizado, então, como Luíz Fabiano e seu segundo compacto vendeu algumas cópias.

Luiz Fabiano transferiu-se para a Beverley, onde teve um compacto de êxito: "Só me Interessa Você".

Compositor e cantor em busca do mercado jovem, Luiz Fabiano conseguiu ter músicas gravadas por Roberto e Erasmo Carlos, Martinha e Wanderley Cardoso - entre outros artistas de apelo popular.

Contratado pela Continental, Luiz Fabiano fez um compacto que permaneceu durante várias semanas nas paradas.

Em 1973, lançou o seu primeiro LP.

Sua música de maior sucesso foi “Meu Bem ao Menos Telefone”, gravada em 1969. Ele lançou 6 LPs e 48 compactos.

Por ser muito charmoso, esteve presente em programas de várias emissoras e integrou o elenco do programa “OsGalãs Cantam e Dançam”.

Em 1972, Luiz Fabiano vivia o auge da era hippie no Brasil, e inspirado neste ambiente da juventude "paz & amor", ele lançou um belíssimo álbum pela gravadora Continental, intitulado "Luiz Fabiano", cujo repertório mesclava romantismo e pop rock.

1973 foi o ano do grande sucesso: "Quando Anoiteceu", versão da cantora Lilian Knapp para o sucesso francês "Le Lundi Au Soleil". Esta canção estourou em todo o Brasil e marcou a carreira de Luiz fabiano como o seu último sucesso radiofônico.

Luiz Fabiano comandou o programa "Fascinação-São Paulo de Todos os Tempos", na Rádio Cidade AM 1.370 khz(SP) nas manhãs de domingo com a direção do Neno(ex The Jordans).

Lançou um CD (seu último trabalho) intitulado de "Todos os Tempos". "Meu Bem ao Menos Telefone", "Você me Pediu" e "Tributo ao Rei", são os destaques desse trabalho.

No ano de 2006 apresentou-se no Programa Rei Majestade, do apresentador Sílvio Santos.

Em 2007, ele foi trabalhar no gabinete do vereador e cantor Agnaldo Timóteo (PR). No final de 2008 Luiz Fabiano afastou-se do trabalho por conta da doença. A partir de então, passou a viver hospitalizado.

Luiz Fabiano faleceu aos 67 anos, vítima de câncer. Luiz estava internado no Hospital Heliópolis, na zona sul de São Paulo, onde faleceu às 17 horas. O sepultamento ocorreu no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da ciade de São Paulo..

Fontes: Sites Millarch; Blog DNStudio.

Laís Marival

(Taquaritinga/SP, 5/9/1911)

Laís Marival, cujo verdadeiro nome era Maria Neomezia Negreiros, estreou em disco em 1936, gravando pela Columbia os sambas "Condenada", de João Pacífico e Correia Leite e "Cada um dá o que tem", de Raul Torres com acompanhamento do Conjunto Regional Bandeirantes. No ano seguinte, gravou os maracatus "Onde o sol descamba", de Ascenco Ferreira e Capiba, e "Eu sou do forte", de José Gonçalves, também conhecido como Zé da Zilda, com acompanhamento de Nicolini e sua orquestra, e o samba "Amanhã tem mais", de Silvino Neto e Lírio Panicali, e a marcha "Gorro de meia", de Silvino Neto, com acompanhamento de Otto Wey e sua orquestra. No mesmo ano, gravou com conjunto regional o samba "É de virada" e a marcha "A quem queremos", ambas de Miguel Sandini e J. P. Camargo e, com Gaó e sua Orquestra, o maracatu "Meu ganzá e o samba-canção "Saudades do morro", ambas de H. Celso e A . Santos.

Em 1938, gravou com a Orquestra Columbia o samba "Apanhar não é prazer", de Elpídio de Faria e a marcha "Você gosta de brincar", de Lina Pesce. Essas duas músicas foram classificadas em primeiro lugar nos gêneros samba e marcha do concurso Oficial da Divisão de Turismo e Divertimento Público da Prefeitura de São Paulo para o carnaval daquele ano.

Teve curta carreira fonográfica e gravou seis discos na Columbia além de se apresentar em programas de rádios paulistanas.

Em 2002, no volume 5 da série "Carnaval - Sua História, sua glória", do selo revivendo, foi relançada sua interpretação para a marcha "Você gosta de brincar", de Lina Pesce. No volume "Capiba - O poeta do frevo - 100 Anos", da mesma série, foi relançada sua interpretação para o frevo "Onde o sol descamba", de Ascenso Ferreira e Capiba.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Leopoldo Rassier

(Pelotas/RS, 7/10/1936 ---------- Porto Algre/RS, 6/2/2000)

Leopoldo Souza Soares Rassier foi um cantor nativista, compositor e poeta.

Pertencia a uma família abastada, com grande posse de terras. Era bisneto do Barão de Sousa Soares, da nobreza portuguesa.

Rassier nasceu e se educou em Pelotas, querência de tradições aristocráticas. Nascido e criado em estância, era campeiro sem bravatas, mas homem de pé no estribo. Não por acaso, era um dos Cavaleiros da Paz, e os companheiros recordam sempre suas façanhas e causos na 1ª Cavalgada Internacional da Paz, cabresteando três ou quatro cavalos, desafiando a feroz enchente no braço e na raça para salvar o chapéu novo de um companheiro.

Leopoldo Rassier foi pretor peregrinus, juiz do trabalho aprovado em curso mas não empossado, professor, comunista militante, consultor da Assembléia Legislativa do Estado, fazendeiro, poliglota, viajante incansável (morou em Moscou por dois anos), um dos cinco filhos do velho Gaston e de dona Olenka Rassier (os outros eram o Daniel, o Nelson, o Heitor e o Gastonzinho). Depois de se aposentar do serviço público, Leopoldo advogava e cuidava da fazenda que herdara aos pais. E cantava. Isso sim, não parava. Seus cachês de espetáculos e dinheiro de premiação em festivais eram distribuídos entre seus músicos, todos seus grandes amigos, como Carlitos Magallanes e Pedro Guerra.

Não se lembrava de quantos prêmios ganhou como cantor, quantos troféus recebeu. Mas eram muitos e valiosos. Suas interpretações estão em incontáveis discos de festival e em um álbum que gravou com o repertório conhecido. E amou muito. Não se cansava de amar. Foi pai de dois filhos (o Pierre, que reside em Porto Alegre, e o Rasmus, na Dinamarca). Casou com Beatriz, a primeira vez. Divorciou-se e continuaram amigos, tanto que ela esteve presente ao seu segundo casamento, com Tatiane, que foi o seu anjo da guarda, que largou tudo para estar com ele sempre (e ficou até o amargo fim).

Teve atuação também no cinema, como no filme "O Grande Rodeio"(1975), juntamente com Alberto Ruschel, e o irmão de José Mendes, Roberto Mendes,e grande elenco

O músico e advogado Leopoldo Rassier, aos 63 anos, morreu, vítima de câncer generalizado, às 4h30min da madrugada do dia 06/02/2000 no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, onde estava internado já havia alguns dias. O cantor foi enterrado, no final da tarde, no Cemitério Jardim da Paz.

Principais sucessos:

* Não Podemo se Entregá Pros Home
* Sabe Moço
* Veterano

Fonte: Wikipédia.

Lolita França

Estreou em disco em 1939 na Victor, gravando o samba "Olha lá um balão", de Murilo Caldas e a marcha "O que é da chave?", de Murilo Caldas e Luiz Bittencourt. No mesmo ano, gravou com Murilo Caldas o samba "Nega", de Heitor dos Prazeres e ainda a marcha "Praia de Copacabana", de Antônio Caldas, o samba "Darei um prêmio", de Raul Marques e César Brasil e a marcha "Vale mais", de Wilson Batista e Marino Pinto.

São de 1940 as gravações das marchas "Casinha pequenina", de Wilson Batista e Murilo Caldas e "Namoro no portão", de André Filho e dos sambas "Nego bamba", de Raul Marques, V. Silva e S. Rodrigues e "Mulher exigente", de Murilo Caldas, em dueto com o próprio autor. Ainda em 1940, gravou com Murilo Caldas as marchas "Torcidas renitentes", de Murilo Caldas e "O papai e a filhinha", de Caldas e Miguel Lima.

Em 1942, gravou pela Colúmbia a marcha "Passarinho piupiu", de Murilo Caldas. Suas gravações obtiveram algum sucesso na Argentina.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.