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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Vicente Celestino




(Rio de Janeiro/RJ, 12 de setembro de 1894 — São Paulo/SP, 23 de agosto de 1968)

Vicente Celestino representa, em toda a história de nossa música, a mais longa e ininterrupta carreira de intérprete sem jamais ver diminuída a popularidade.

Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, que seria gravado para um programa de televisão.

Foram 54 anos de vida artística, se contados a partir de 1914, ano de sua estréia na Companhia do Teatro São José. A valsa "Flor do Mal" foi nessa ocasião seu primeiro grande sucesso e também entrou no seu primeiro disco, em 1916, na Odeon (Casa Edison).

Antônio Vicente Filipe Celestino nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Tereza, filho de italianos da Calábria. Dos 6 homens (eram 11 irmãos), 5 dedicaram-se ao canto e 1 ao teatro. Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.

Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção.

Na fase mecânica de gravação, fez cerca de 28 discos com 52 músicas. Com a gravação elétrica, em 1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento técnico, logo superada. Aí recomeçaria os sucessos cantados em todo o Brasil. Em 1935 foi contratado pela RCA VICTOR, praticamente daí sua única gravadora até falecer. No total, gravou em 78 rpm cerca de 137 discos com 265 músicas, mais 10 compactos e 31 Lp's, nestes também incluídas reedições dos 78 rpm.

Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: "O Ébrio" (1946) e "Coração Materno" (1951). Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904 - 1979), cantora, escritora, atriz e cineasta.

O incrível Vicente Celestino passaria incólume e imperturbável por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou "Conceição", "Creio em Ti" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como "A Voz Orgulho do Brasil".

Alguns de seus maiores sucessos foram:

MEU BRASIL
CORAÇÃO MATERNO
PORTA ABERTA
NOITE CHEIA DE ESTRELAS
SANTA
O ÉBRIO
O CIGANO
RASGUEI O TEU RETRATO
PATATIVA
SANGUE E AREIA
GILKA
BOCA DE ROSA
FALANDO AO CORAÇÃO
ABISMO DE AMOR
ILUSÃO DE GAROTO
NOSSO AMOR
LÁGRIMAS DE AMOR
MALANDRAGEM
AS MANHÃS DO GALEÃO
HISTÓRIA COMPLICADA
...E HÁ MUITA GENTE QUE SABE
ESQUECE
À LUZ DO LUAR
EM DELÍRIO
CABOCLA SERRANA
VOLTASTE
...E NADA MAIS!...
FIDELIDADE
MARTÍRIOS
ADEUS, Ó TERRA ONDE NASCI

Fonte: Site www.swi.com.br

Wilson Miranda

(Itápolis/SP, 27/03/1940 ******* São Paulo/SP, 20/06/1986

Wilson Antonio Chaves de Miranda começou sua carreira no final dos anos 50, como crooner de um conjunto de jazz. Junto com Carlos Gonzaga, foi um dos intérpretes que introduziram gêneros como o calipso e o twist no Brasil no fim dos anos 1950, além das versões de baladas de rock.

Surgiu em 1958, mesmo ano em que assinou com o selo Chantecler, no qual permaneceria até 1964. Em 1958 estreou na Chantecler com o calipso "Picolissima Serenata", de Ferrio, Amurry e Sidney Morais e o samba canção "Fui Procurar Distração". No ano seguinte o rock balada "Twilight Time", de Nevins e Dunn, com versão de Fred Jorge e o beguine "Veneno", de Poly e Henrique Lobo.

Em 1960 assinou contrato com a Rádio Tupi e passou a cantar rock-balada. Apesar de não ter sido bem recebido pela crítica, Wilson conseguiu sucesso comercial com músicas como "Alguém É Sempre Bobo de Alguém" e "Bata Baby". Gravou neste ano o rock "Bata Baby", de Johnson, com versão de Toni Chaves e D. Fulgêncio, o samba "Olhos Verdes", de Aldacir Louro e Linda Rodrigues, o bolero "Abismo de Amor", de Waldick Soriano e a guarânia "Teu Amor é Minha Vida", de Lucio Cardim e Alberto Roy. No ano seguinte gravou a primeira composição de sua autoria, a marcha "Vamos Namorar", parceria com Conde.

Participou do filme “Conceição” (1960). Ele aparece cantando “Bata Baby” ao lado do conjunto “The Rebels”.

Em 1962 gravou o rock "Eu Quero Dançar Com Você", de Doc Pomus e Mart Schuman, com versão de Fred Jorge. No ano seguinte gravou de Toni Chaves e Pierre, o calipso cha-cha-cha "Meu Sonho".

Em 1964 gravou a toada "Recado de Saudade", de Luiz Vieira

Em 1965 gravou "Tempo Novo", disco que lhe rendeu muitos prêmios. Mesmo assim, nos anos seguintes deixou a carreira de cantor em segundo plano, atuando como produtor em discos de Nelson Gonçalves, Bendegó, Banda de Pífanos de Caruaru, Originais do Samba, Célia, Vanusa, Marília Medalha, entre outros.

Com o declínio do rock e congêneres, no início dos anos 1970, seu repertório passou a tender mais para a música romântica. Nessa época já atuava pela Continental, pela qual lançou entre outros, o LP "Relevo".

Em 1978 voltou a gravar, dessa vez com um repertório mais voltado para a música popular brasileira, afastando-se definitivamente da imagem de roqueiro do início de sua carreira.

Wilson Miranda faleceu vítima de uma parada cardíaca, quando dirigia seu carro, e estava parado em um sinal de trânsito em São Paulo. 

Vinícius de Moraes

(Rio de Janeiro/RJ, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro/RJ, 9 de julho de 1980)

Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes, conhecido como Vinicius de Moraes, foi diplomata, jornalista, poeta, compositor e cantor.

Vinicius de Moraes nasceu na madrugada de 19 de outubro de 1913, em meio a um forte temporal, no antigo nº 114 (casa já demolida) da rua Lopes Quintas, na Gávea, ao lado da chácara de seu avô materno, Antônio Burlamaqui dos Santos Cruz. Era filho de d. Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, este, sobrinho do poeta, cronista e folclorista Mello Moraes Filho e neto do historiador Alexandre José de Mello Moraes.

Em 1916, a família mudou-se para a rua Voluntários da Pátria, nº 192, em Botafogo, passando a residir com o aos avós paternos, d. Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.

No ano seguinte, nova mudança para a rua da Passagem, nº 100, ainda em Botafogo, onde nasceu seu irmão Helius. Vinicius e sua irmã Lygia entram para a escola primária Afrânio Peixoto, na rua da Matriz. Em 1919, a família transfere-se para a rua 19 de fevereiro, nº 127.No ano seguinte, mudam-se se novamente: para a rua Real Grandeza, nº130. Vinicius de Moraes tem as primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto. É batizado na maçonaria, por disposição de seu avô materno, cerimônia que lhe causaria grande impressão.

Em 1922, a família teve a última residência em Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, nº 195. Sua família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, nº 109-A, onde o poeta passa suas férias.

No ano seguinte, Vinicius de Moraes faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria.

Vinicius de Moraes inicia, em 1924, o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente. Começa a cantar no coro do colégio, durante a missa de domingo. Liga-se de grande amizade a seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este, sobrinho de Raul Pompéia, com os quais escreve o "épico" escolar, em dez cantos, de inspiração camoniana: "Os Acadêmicos".
A partir daí, Vinicius participa sempre das festividades escolares de encerramento do ano letivo, seja cantando, seja atuando nas peças infantis.

Em 1927, Vinicius conhece e torna-se amigos dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajoz, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do Colégio Santo Inácio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casa de famílias conhecidas.

Já no ano seguinte, compõe, com os irmãos Tapajoz, "Loura ou Morena" e "Canção da Noite", que têm grande sucesso popular. Por essa época, namorava invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

Em 1929, bacharela-se em Letras, no Santo Inácio. Sua família muda-se da Ilha do Governador para a casa contígua àquela onde nasceu, na rua Lopes Quintas, também já demolida.

No ano seguinte, Vinicius de Moraes etra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais" (CAJU), onde faz amizade com Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.

Em 1931, entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

Forma-se em Direito em 1933 e termina o Curso de Oficial de Reserva. Estimulado por Otávio de Faria, Vinicius de Moraes publica seu primeiro livro, "O Caminho para a Distância", na Schimidt Editora.

Em 1935, publica "Forma e Exegese", livro com o qual ganha o prêmio Felipe d’Oliveira. No ano seguinte, publica, em separata, o poema "Ariana, A Mulher".
No mesmo ano, substitui Prudente de Morais Neto, como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica, e conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.

Publica novos poemas 1938 e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford (Magdalen College), para onde parte em agosto do mesmo ano. Funciona como assistente do programa brasileiro da BBC.
Conhece, em casa de Augusto Frederico Schimidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se torna um dos maiores amigos.

No ano de 1939, casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello. Regressa da Inglaterra em fins desse mesmo ano, devido à eclosão da II Grande Guerra. Em Lisboa, encontra seu amigo Oswald de Andrade com quem viaja para o Brasil.

Em 1940, nasce sua primeira filha, Susana. Passa longa temporada em São Paulo, onde se liga de amizade com Mário de Andrade.

No ano seguinte, Vinicius de Moraes começa a fazer jornalismo em "A Manhã", como crítico cinematográfico e a colaborar no Suplemento Literário ao lado de Rineiro Couto, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo.

Inicia, em 1942, seu debate sobre cinema silencioso e cinema sonoro, a favor do primeiro, com Ribeiro Couto, e em seguida com a maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti. Nesse ano, nasce seu filho Pedro.

A convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros a Belo Horizonte, onde faz amizade com Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Hélio Pelegrino e Paulo Mendes Campos.
Inicia, com seus amigos Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, a roda literária do Café Vermelhinho, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira, Bruno Giorgi.
Freqüenta, nessa época, as domingueiras em casa de Aníbal Machado. Conhece e se torna amigo da escritora argentina Maria Rosa Oliver, através da qual conhece Gabriela Mistral.

Faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank. Essa viagem muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.

Em 1943, publica suas "Cinco Elegias", em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria. Nesse mesmo ano, ingressa, por concurso, na carreira diplomática.

No ano seguinte, dirige o Suplemento Literário de "O Jornal", onde lança, entre outros, Oscar Niemeyer, Pedro Nava, Marcelo Garcia, francisco de Sá Pires, Carlos Leão e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Carlos Scliar, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Eros (Martim) Gonçalves, Arpad Czenes e Maria Helena Vieira da Silva.

Em 1945, colabora em vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema. Nesse mesmo ano, faz amizade com o poeta Pablo Neruda.

Sofre um grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro Leonel de Marnier, perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacir Werneck de Castro. Ainda em 1945, faz crônicas diárias para o jornal "Diretrizes".

Parte para Los Angeles, em 1946, como vice-cônsul, em seu primeiro posto diplomático. Ali permanece por cinco anos sem voltar ao Brasil. Publica em edição de luxo, ilustrada por Carlos Leão, seu livro, "Poemas, Sonetos e Baladas".

Em Los Angeles, em 1947, estuda cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista "Film".

Em 1950, Vinicius de Moraes viaja para o México para visitar seu amigo Pablo Neruda, gravemente enfermo. Ali conhece o pintor David Siqueiros e reencontra seu grande amigo, o pintor Di Cavalcanti. Nesse mesmo ano, morre o pai de Vinicius de Moraes e ele retorna ao Brasil.

No ano de 1951, casa-se pela segunda vez com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli.
Começa a colaborar no jornal "Última Hora", a convite de Samuel Wainer, como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.

Em 1952, visita, fotografa e filma, com seus primos, Humberto e José Francheschi, as cidades mineiras que compõe o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor que lhe for a encomendado pelo diretor Alberto Cavalcanti. Nesse mesmo ano, é nomeado delegado junto ao festival de Punta Del Leste, fazendo paralelamente sua cobertura para o "Última Hora". Parte, logo depois, para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização dos Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade.

Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas "Cinco Elegias".

Em 1953, nasce sua filha Georgiana. No mesmo ano, colabora no tablóide semanário Flan, de Última Hora, sob direção de Joel Silveira e aparece a edição francesa das "Cinq Élégies", em edição de Pierre Seghers. Nessa época, torna-se amigo do poeta cubano Nicolás Guillén.

Ainda nesse ano, compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando Tú Passas por Mim" e faz crônicas diárias para o jornal "A Vanguarda", a convite de Joel Silveira.

Ainda em 1953, parte para Paris como segundo secretário de Embaixada.

Sai, em 1954, a primeira edição de sua "Antologia Poética". A revista Anhembi publica sua peça "Orfeu da Conceição", premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo.

Em 1955, compõe, em Paris, uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme "Orfeu Negro". No final daquele ano, vem com ele ao Brasil, por uma curta estada, para conseguir financiamento para a produção da película, o que não consegue, regressando em fins de dezembro a Paris.

Volta ao Brasil, em 1956. em gozo de licença-prêmio e nasce sua terceira filha, Luciana.

Vinicius de Moraes colabora no quinzenário "Para Todos", a convite de seu amigo Jorge amado, em cujo primeiro número publica o poema "O Operário em Construção".

Paralelamente aos trabalhos da produção do filme "Orfeu Negro", tem a oportunidade de encenar sua peça "Orfeu da Conceição", no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar.
Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de "bossa nova".

Retorna ao seu posto, em Paris, no fim do ano de 1956.

É, em 1957, transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No fim do ano é removido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil. Publica a primeira edição de seu "Livro de Sonetos", em edição de Livros de Portugal.

Em 1958, Vinicius de Moraes sofre um grave acidente de automóvel. No mesmo ano, casa-se, pela terceira vez, com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. No mesmo ano, sai o LP "Canção do Amor Demais", de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa novas, no violão de João Gilberto, que acompanha acantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de Saudade", considerado o marco inicial do movimento.

No ano seguinte, sai o Lp "Por Toda Minha Vida", de canções suas com Jobim, com a cantora Lenita Bruno.

O filme "Orfeu Negro" ganha a Palme d’Or do Festival de Cannes e o Oscar, de Hollywood, como melhor filme estrangeiro do ano. É lançado no mesmo ano, o seu livro "Novos poemas II" e casa-se sua filha Susana.

Em 1960, Vinicius de Moraes retorna à Secretaria do Estado das Relações Exteriores.Em novembro de 1960, nasce seu neto, Paulo.

Sai a segunda edição de sua "Antologia Poética", pela Editora de Autor; a edição popular da peça "Orfeu da Conceição", pela livraria São José e Recette de Femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff, em edição Seghers, na coleção Autour du Monde.

Em 1961, Vinicius começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha. No ano seguinte, começa a compor com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, "Berimbau" e "Canto de Ossanha".
Compõe, com música de Carlos Lyra, as canções de sua comédia-musicada "Pobre Menina Rica".
Em agosto, faz seu primeiroshow, de larga repercussão, com Antônio Carlos Jobim e João Gilberto, na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e o "Samba da bênção"
Faz show com Carlos Lyra,na mesma boate, para apresentar "Pobre Menina Rica", onde é lançada a cantora Nara Leão.

Compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as quais "Rancho das namoradas".

Vinicius grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara.

Em 1963, Vinicius começa a compor com Edu Lobo. Nesse mesmo ano, casa-se com Nelita Abreu Rocha e parte em posto para Paris, na delegação do Brasil junto a UNESCO. No ano seguinte, regressa de Paris e colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos, assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca e começa a compor com Francis Hime.

Vinicius de Moraes faz show de grande sucesso com o compositor e cantor Dorival Caymmi, na boate "Zum-Zum", onde lança o "Quarteto em Cy". Do show é feito um LP.

Em 1965, Vinicius de Moraes ganha o primeiro e o segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell. No mesmo ano, parte para Paris e St.Maxime para escrever o roteiro do filme "Arrastão", indispondo-se, subseqüentemente, com seu diretor, e retirando suas músicas do filme. De Paris, voa para Los Angeles a fim de encontrar-se com seu parceiro Antônio Carlos Jobim.

Naquele mesmo ano, muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, na rua Diamantina, nº 20. Começa a trabalhar com o diretor Leon Hirszman, do Cinema Novo, no roteiro do filme "Garota de Ipanema". Volta, também ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.

Em 1966, são feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa, sendo que os dois últimos realizados pelos diretores Gianni Amico e Pierre Kast.

Seu "Samba da bênção", de parceria com Baden Powell, é incluída, em versão de compositor e ator Pierre Barouh, no filme "Un Homme… Une Femme", vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano. Vinicius participa do jurí do mesmo festival.

A mãe de Vinicius de Moraes falece no dia 25 de fevereiro de 1968. No ano seguinte, Vinicius de Moraes é exonerado do Itamaraty e casa-se com Cristina Gurjão.

Em 1970, Vinicius casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy e nasce Maria, sua quarta filha. Nesse mesmo ano, inicia parceria com Toquinho.

Em 1971, Vinicius de Moraes muda-se para a Bahia. Em 1975, excursiona pela Europa e grava, com Toquinho, dois discos na Itália. Em 1976, escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo. Nesse mesmo ano, casa-se com Marta Rodrigues Santamaria.

Em 1977, grava um LP em Paris, com Toquinho e faz Show com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão. No ano seguinte, excursiona pela Europa com Toquinho.
No mesmo ano, casa-se com Gilda de Queirós Mattoso, que conhecera em Paris.

Em 1979, voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de "Roteiro Lírico e Sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro".

Em 17 de abril de 1980, é operado para a instalação de um dreno cerebral.

Vinicius de Moraes morre, na manhã de 9 de julho de 1980, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher.

Fonte: Biografia e fotos Site Oficial Vinicius de Moraes.

Wander Taffo

(São Paulo/SP, 17 de maio de 1954 — São Paulo/SP, 14 de maio de 2008)

Wanderley Taffo Júnior, mais conhecido como Wander Taffo nasceu em São Paulo, em 17 de maio de 1954.

Foi um guitarrista brasileiro e diretor geral da EM&T (Escola de Música e Tecnologia).

Wander Taffo tocou com Rita Lee e nas bandas Memphis, Made in Brazil, Secos & Molhados, Gang 90 e as Absurdettes, Joelho de Porco, Rádio Táxi e Banda Taffo.

Com carreira iniciada com a banda Memphis em 1973, Wander fundou a banda Rádio Táxi, que fez muito sucesso com a música "Eva" em 1983. No final dessa década, Wander Taffo deixou o grupo e passou a fazer carreira solo, junto com os irmãos Andria e Ivan Busic, lançando o disco Wander Taffo, produzido pelo produtor musical Liminha. Recebeu o prêmio Sharp de Música na categoria "Revelação Pop Rock Masculino" por um solo gravado em Los Angeles, em 1989. No ano seguinte, foi eleito melhor guitarrista do Brasil pela crítica especializada.

Com Marcelo Souss nos teclados, formou-se a Banda Taffo, que teve sucesso com o disco Rosa Branca.

Wander Taffo participou, ainda, de diversos discos: Marina Lima, de 1991, Cássia Eller, de 1994, Clássicos, de Guilherme Arantes, de 1994, entre outros. Em 1996, lançou seu terceiro disco solo, Lola, que teve a música "Sempre Junto de Você" na trilha sonora da novela O Amor Está no Ar, da Rede Globo.

Em julho de 1997, Taffo abriu o IG&T (Instituto de Guitarra e Tecnologia). Paralisou seus projetos musicais, dedicando-se exclusivamente ao projeto. A escola, hoje conhecida como Escola de Música & Tecnologia (EM&T), une alta tecnologia a um centro de conveniência nos moldes do GIT de Los Angeles (Estados Unidos), algo inédito na América Latina, de onde é considerada a melhor escola musical.

Em 2006, Wander Taffo voltou com a sua ex-banda Rádio Táxi, que lançou um DVD marcando a volta da banda. Ele planejava ainda a volta da banda Taffo para julho de 2008.

Wander Taffo faleceu na manhã de 14 de maio de 2008 em decorrência de parada cardiorrespiratória.Taffo não tinha histórico de problemas de saúde, segundo sua assessoria de imprensa. Ele tinha trabalhado normalmente no dia anterior e morreu enquanto tomava o café da manhã. Deixou esposa e dois filhos.

Fontes: Site Wikipédia, Folha Uol, Terra.

Waldick Soriano

(Caetité/BA, 13/05/1933 ******** Rio de Janeiro, 04/09/2008)

Eurípedes Waldick Soriano era filho de Manuel Sebastião Soriano, comerciante de ametistas no distrito de Brejinho das Ametistas,em Caetité. Um fato que muito marcou a infância de Waldick foi o abandono do lar pela mãe, já que ele era muito apegado à genitora.

Nascido na cidade de Caetité, viveu na mesma cidade até o final de uma juventude boêmia. Aos 27 anos, uma grave briga em um clube local o fez sair de sua cidade natal com destino a São Paulo.

Até chegar em São Paulo, Waldick Soriano trabalhou como lavrador, engraxate, motorista de caminhão e garimpeiro. Este último, nas palavras do próprio Waldick, foi o trabalho mais arriscado que enfrentou, já que foram dois anos trabalhando em buracos de até 30 metros de profundidade, acompanhado apenas de homens e sem muitas opções de comida.

Já na capital paulista, iniciou-se profissionalmente na carreira artística, e nos anos 60 fez sucesso com a música “Quem és Tu”. Sua grande visibilidade não deveu-se somente às letras de suas músicas, sempre falando de decepções amorosas, mas também ao seu visual inusitado para a época: roupas e óculos sempre escuros. Este visual era inspirado nos filmes de faroeste que o cantor assistia quando era jovem na sua cidade natal.

Seu maior sucesso foi "Eu não sou cachorro não", que foi regravada em inglês macarrônico por Falcão. Também se tornaram conhecidas outras músicas suas, tais como "Paixão de um Homem", "A Carta", "A Dama de Vermelho" e "Se Eu Morresse Amanhã".

Quanto às críticas feitas à sua música, Waldick Soriano dizia que quem a chamava de brega não sabia do que estava falando. Para ele, suas músicas eram românticas, falava dos sofrimentos do amor de uma maneira bonita. Brega, em sua cidade, era “cabaré”, casa de prostituição. Para Waldick, suas roupas, sim, eram cafonas, mas sua música era romântica, e não brega.

A posição quase marginal que o ritmo "cafona" ocupou mereceu uma análise mais acurada e científica, já na 5ª edição, pelo historiador e jornalista Paulo César de Araújo. Intitulado "Eu não sou cachorro, não - Música popular cafona e ditadura militar" (Rio de Janeiro, Record, 2005), a obra traz, já em seu título, uma referência a este cantor e sua música de maior sucesso. Ali o autor contesta, de forma veemente, o papel de adesista ao regime de exceção implantado a ferro e fogo no Brasil pelos militares, por parte dos músicos "bregas". Waldick, segundo ele, é um dos exemplos, tendo sua música "Tortura de Amor" censurada em 1974, quando foi por ele reeditada. Apesar de ser uma composição de 1962, o regime não tolerava que se falasse a palavra "tortura"...

A revista "Nossa História", de dezembro de 2005, refere-se ao cantor como "o mais folclórico dos cafonas" (ano 3, nº26, ed. Vera Cruz).

Num dos programas do apresentador Jô Soares, o músico Ubirajara Penacho dos Reis - Bira - declarou que nos anos 60 tocava apenas os sucessos de Waldick.

Durante muitos anos, Waldick Soriano não foi reconhecido nem mesmo em sua cidade natal. Mesmo assim, seus dois filhos gêmeos nasceram em Caetité, em 1966. Apenas 30 anos depois a cidade fez um reconhecimento público ao cantor, ao nomear uma de suas principais avenidas com o nome do artista. Pouco tempo depois, o SBT realizava ali um documentário, encenado por moradores locais, retratando a juventude de Waldick, sua paixão pela professora Zilmar Moura e a mudança para o sul.

Sílvio Santos aliás, protagonizou com Waldick uma das mais inusitadas cenas da televisão brasileira: no abraço que deram, foram perdendo o equilíbrio até ambos caírem, abraçados, no chão. Ali, então, simularam um affair, provocando hilaridade.

Além de cantor, Waldick Soriano também era compositor de muitas de suas canções. Era presença marcante nas décadas de 70 e 80 em programas de auditório, como os do Chacrinha ou do Edson “Bolinha" Cury.

Em 2006, aos 73 anos, foi diagnosticado um tumor maligno na próstata de Waldick Soriano. O cantor se mudou de Fortaleza, onde morava, e passou a fazer tratamento no INCA, no Rio de Janeiro. Entretanto a doença continuou evoluindo, de modo que já em julho de 2008 a saúde do artista era bastante fraca. Em 04 de setembro de 2008, aos 75 anos de idade e com mais de 500 músicas compostas, o cantor faleceu vítima do câncer de próstata.

A atriz Patrícia Pillar, grande admiradora do cantor e, principalmente do homem, Waldick Soriano, assinou a direção de seu primeiro CD/DVD ao vivo (Waldick Soriano ao vivo - 2007) e do documentário “Waldick Soriano – sempre no meu coração”

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Wilson Simonal

(Rio de Janeiro/RJ, 26 de fevereiro de 1939 - São Paulo/SP, 25 de junho de 2000)

O cantor Wilson Simonal de Castro, conhecido como Wilson Simonal, nasceu em 26 de fevereiro de 1939, em Água Santa, subúrbio do Rio de Janeiro.

Sua mãe era lavadeira. O nome Simonal foi uma homenagem ao médico que a ajudava a manter a casa pobre: seu sobrenome era francês, Simonard. O tabelião grafou Simonal. Começou a cantar no fim dos anos 50. Simonal descobriu sua vocação artística enquanto prestava o serviço militar obrigatório. Começou a carreira cantando em bailes do 8º grupo de Artilharia da Costa, cantando em inglês, rock e calipsos. Ouvido por Sérgio Mendes, Luís Carlos Mile e Ronaldo Bôscoli, foi levado por eles ao Beco das Garrafas, em 1961.

Mas o inquieto cantor, de voz afinadíssima, aveludada, e dono de um balanço infernal, único, nunca ouvido antes nos palcos da zona sul carioca, não ficaria preso às amarras formais da contida bossa nova. Simonal criaria seu próprio estilo ­ ainda que seu primeiro grande sucesso houvesse sido "Balanço Zona Sul", samba de Tito Madi, um dos precursores da bossa. Simonal uniu-se artisticamente ao pianista Luís Carlos Vinhas e viajou com o trio dele, o "Bossa Três", pelo mundo. Lançou, em 1962, um disco formidável, "A Nova Dimensão do Samba", que trazia a antítese dos postulados estéticos da bossa. Era um trabalho vigoroso, extrovertido e trazia, pioneiramente, a mistura do samba com a música pop negra norte-americana e intenções jazzísticas. Nesse disco, Wilson Simonal gravou e tornou populares as músicas "Nanã", de Moacir Santos, e "Lobo Bobo", de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. Eram interpretações sofisticadas, obra de um grande, inovador intérprete.

No entanto, Wilson Simonal abandonaria, logo, a linha sofisticada apontada por esse trabalho. Em 1966, estava no comando do programa "Show em Si.. Monal", da TV Record, e começava a estabelecer o feitio de seu sucesso popular, gravando "Meu Limão, Meu Limoeiro", uma adaptação feita por seu amigo Carlos Imperial de uma cantiga tradicional norte-americana, e cortando as palavras do País Tropical, de Jorge Ben (antes de vira Ben Jor): não cantava "Moro num país tropical/ Abençoado por Deus...", mas "Mo... num pa tro pi", e assim por diante. A expressão "patropi" entrou na fala cotidiana. Era uma maneira simpática e debochada de referir-se ao Brasil sem liberdades do regime militar.

Em 1970, acompanhou a seleção brasileira de futebol à Copa do Mundo, realizada no México.

No fim dos anos 60, foi um dos maiores pop stars que o Brasil conheceu, chegando a reger um Maracanãzinho lotado.

No entanto, em 1972, em plena ditadura militar, Simonal foi acusado de ser um delator a serviço dos órgãos de repressão, e, no auge do sucesso, banido do cenário musical e da mídia. Seus discos sumiram das lojas e rádios, foram quebrados e destruídos, shows e contratos foram cancelados, outros artistas recusavam-se a trabalhar a seu lado, e o cantor amargou ostracismo até o fim da vida. Poucas foram as pessoas que compareceram ao seu velório, entre elas os cantores Ronnie Von e Jair Rodrigues. Quando da primeira internação, Simonal chegou a receber a visita do cantor e compositor Geraldo Vandré – artista símbolo do outro extremo ideológico, a esquerda vítima da repressão e tortura militar.

A sina de Simonal teve início quando foi acusado de encomendar uma surra a ser dada em seu contador Rafael Viviani. Segundo o cantor, um segurança que trabalhava para ele descobriu que Viviani o roubava e tomou a iniciativa de seqüestrar e torturar o contador, sem que Simonal soubesse. Durante o inquérito, um agente do DOPS teria afirmado que o cantor era informante do serviço de informação. A fama de delator perdurou por toda sua vida, embora nenhum artista afirmasse ter sido prejudicado politicamente pelo cantor.

A indisposição contra Wilson Simonal vinha de antes. Em julho de 1969, o semanário de esquerda "O Pasquim" publicou entrevista de capa sob o título "Não sou racista", em que acuava Simonal sob perguntas sobre racismo e o fato de ele comer caviar e ter mordomo.

"Acho absurdo e hipócrita dizerem agora que ele foi inocentado. Ele nunca foi criminoso. Seu crime foi ser negro, famoso, rico e dono de um talento monstruoso", afirma o músico João Parahyba, 54, do Trio Mocotó, que acompanhava Jorge Ben Jor, autor de "País Tropical" (69) e outros sucessos de Simonal.

"Ele não tinha conhecimento sobre a situação política real do país. Cometeu o erro de achar que ser amigo dos 'home' era legal", emenda o maestro Cesar Camargo Mariano, 60, ex-líder do grupo musical de Simonal.

Em 1971, dias antes do episódio no DOPS, um anúncio no "Pasquim" ilustrava um dedo negro apontado para a direita, sob legenda de que era "o magnífico e ereto dedo" de Simonal.

Só nos anos 90 voltou-se a falar de Wilson Simonal. Depois de "Os Sambas da Minha Terra", de 1991, em 1994 foi lançada a coletânea "A Bossa e o Balanço de Wilson Simonal", e no ano seguinte o CD de inéditas Brasil, seu 36º e último disco. Em 1999, a segunda mulher do cantor, a advogada Sandra Manzini Cerqueira, chegou a levantar na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, no Centro de Inteligência do Exército e na Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça documentos, confirmando a ausência de registros de que Wilson Simonal tivesse colaborado com a repressão.

Wilson Simonal voltou à cena em 2000 ano por causa de seus dois filhos, Wilson Simoninha e Max (Maximiliano) de Castro, que lançaram seus primeiros discos pela gravadora Trama.

Em 2002, após sua morte, a família do cantor requisitou abertura de processo para verificar a acusação de informante do regime. Foram reunidos depoimentos de diversos artistas, além de um documento datado de 1999 em que o então secretário de Direitos Humanos, José Gregori, atestava que não havia evidências - fosse nos arquivos do Serviço Nacional de Informações (SNI) ou no Centro de Inteligência do Exército - de que Simonal houvesse agido como delator. Como resultado, o nome do músico foi reabilitado publicamente pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2003.

Wilson Simonal morreu no dia 15 de junho de 2000, aos 61 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos provocada por disfunção hepática. Ele estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com a saúde debilitada há algum tempo.

Discografia

1961 - Teresinha (Carlos Imperial)
1963 - Tem algo mais
1964 - A nova dimensão do samba
1965 - Wilson Simonal
1966 - Vou deixar cair...
1967 - Wilson Simonal ao vivo
1967 - Alegria, alegria !!!
1968 - Alegria, alegria - volume 2
1968 - Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga
1969 - Alegria, alegria - volume 3
1969 - Cada um tem o disco que merece
1969 - Homenagem à graça, à beleza, ao charme e ao veneno da mulher brasileira
1970 - Jóia
1972 - Se dependesse de mim
1975 - Ninguém proíbe o amor
1977 - A vida é só cantar
1979 - Se todo mundo cantasse seria bem mais fácil viver
1981 - Wilson Simonal
1985 - Alegria tropical
1991 - Os sambas da minha terra
1995 - Brasil
1997 - Meus momentos: Wilson Simonal
1998 - Bem Brasil - Estilo Simonal
2002 - De A a Z : Wilson Simonal
2003 - Alegria, alegria
2003 - Relançamento de Se todo mundo cantasse seria bem mais fácil viver
2004 - Rewind - Simonal Remix
2004 - Wilson Simonal na Odeon (1961-1971)
2004 - Série Retratos: Wilson Simonal

Em 2008, é lançado o documentário o que o documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", de Claudio Manoel, Micael Langer com imagens históricas de suas apresentações.

Fontes: Dicionário da Música Popular Brasileira; Wikipédia, Cliquemusic.

Waldir Azevedo

(Rio de Janeiro/RJ, 27 de janeiro de 1923 ******* São Paulo/SP, 20 de setembro de 1980)

Criado nos subúrbios do Rio de Janeiro, o compositor e instrumentista Waldir Azevedo aprendeu flauta, violão e cavaquinho.

Na infância, passada no bairro do Engenho Novo, costumava apanhar passarinhos que depois vendia. Foi assim que conseguiu dinheiro para comprar seu primeiro instrumento, uma flauta, quando tinha sete anos de idade. Pouco depois, trocou a flauta por um bandolim e começou a se reunir com amigos para tocar música, aos sábados. Do bandolim foi para o cavaquinho, instrumento com o qual se tornaria conhecido nacionalmente anos mais tarde.

Na década de 1930, quando o violão elétrico entrou na moda, Waldir Azevedo abandonou o cavaquinho por algum tempo. Já que a flauta havia sido seu primeiro instrumento, não é de se estranhar que sua primeira apresentação em público tenha sido exatamente como flautista. Aconteceu no Carnaval de 1933, quando tocou "Trem Blindado", de João de Barro, no Jardim do Meyer.

Sonhava ser aviador, mas como sofria de problemas cardíacos pôs de lado os planos de aviação e conseguiu um emprego na Light, casando-se em 1945. Até meados da década de 1940, a música era para Waldir Azevedo uma atividade de amador.

Iniciou a carreira artística em 1940 quando montou um conjunto regional e passou a se apresentar em diversos programas de calouros. Em 1942, foi vencedor de dois concursos de calouros, um na Rádio Cruzeiro do Sul e outro na Rádio Guanabara. Na ocasião, recebeu nota máxima pela interpretação do choro "Camburá", de Pascoal de Barros ao violão. Foi contratado em seguida pela Rádio Guanabara.

Em 1943, Waldir Azevedo passou a atuar profissionalmente no conjunto regional de César Moreno. Logo depois do casamento, ainda durante a lua-de-mel em Miguel Pereira (RJ), em 1945, que soube de uma vaga para cavaquinista no regional de Dilermando Reis, em um programa da Rádio Clube do Brasil. Acabou sendo aceito por Dilermando que lhe passou a liderança do conjunto, dois anos mais tarde.

No final da década de 1940, compôs o choro "Brasileirinho", quase que por acaso, que seria gravado com bastante sucesso tanto por ele quanto por Ademilde Fonseca.

Em 1949, trabalhando na Rádio Clube, que ficava no mesmo prédio da gravadora Continental, Waldir Azevedo foi ouvido pelo diretor artístico, o compositor Braguinha, que o convidou a gravar. No mesmo ano, gravou com seu regional seu primeiro disco na Continental interpretando de sua autoria os choros "Carioquinha" e "Brasileirinho", este, por sinal tornaria-se um clássico da música popular brasileira com diversas regravações.

Em 1950, gravou seu primeiro disco solo na Continental interpretando ao cavaquinho os choros "Cinco Malucos", de sua autoria e "O que é que há", de Dilermano Reis. Em seguida, gravou, também solando ao cavaquinho, os choros "Quitandinha", parceria com Salvador Miceli e "Vai por mim", de Francisco Sá e Risadinha do Pandeiro. No mesmo período, registrou com seu regional o baião "Delicado", outra de suas composições que se tornou não apenas um grande sucesso, como também um clássico da música popular, tornando-se um recordista de vendagens em 78 rpm e entrando para o hit parade da revista americana Cash box como uma das mais vendidas em todos os tempos. Acompanhou também na mesma época, com seu conjunto, a cantora Ademilde Fonseca na gravação do choro "Brasileirinho", que recebeu letra de Pereira Costa.

Em 1951, Waldir Azevedo gravou os choros "Pedacinho do céu", de sua autoria e "Camundongo", parceria com Risadinha do Pandeiro. Nessa época, formou um conjunto e gravou no mesmo ano o choro "Paulistinha" e o frevo "Cachopa no Frevo", de sua autoria. No ano seguinte, gravou solando ao cavaquinho o choro "Mágoas de um Cavaquinho", parceria com Fernando Ribeiro e a valsa "Chiquita", de sua autoria. Também em 1952, gravou com seu conjunto o choro "Vai Levando", de Risadinha do Pandeiro e Jorge Santos e o baião "Mengo", parceria com Edinho.

Em 1953, gravou "Ave Maria com prelúdio", de Gounod e Bach, "Brincando com o cavaquinho" e "Vôo do marimbondo", as duas de sua autoria. Em 1954, gravou com seu conjunto, com vocal de Albertinho Fortuna, o samba "Já é Demais", parceria com Jorge Santos e a marcha "Amigo do Rei", de Alberto Rego e Norival Reis. No mesmo ano, gravou na Todamérica com o Trio Madrigal o choro "Madrigal", de sua autoria. Ainda na Continental acompanhou com seu conjunto gravações de Aracy de Almeida e Dilermano Reis.

Em 1955, gravou os sambas "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso e "Amigos do Samba", de sua autoria e, com seu conjunto, os choros "Meu Sonho", de Risadinha do Pandeiro e "Conversa Fiada", parceria com Jorge Santos.

Excursionou pela América do Sul e pela Europa, algumas vezes a convite do Itamarati, na Caravana da Música Brasileira, criada pela Lei Humberto Teixeira. Excursionou ao Oriente Médio com o multiinstrumentista Poly. Teve músicas gravadas no exterior, principalmente em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos. Nesse último, o baião "Delicado" foi gravado por Percy Faith e sua orquestra vendendo mais de um milhão de cópias.

Participou, ainda, de um programa na B.B.C. de Londres, Inglaterra, transmitido para 52 países. Em 1956, gravou com seu conjunto o samba "Para Dançar" e o choro "Nosso Amor", ambos de sua autoria. Em 1957, gravou o frevo "Evocação", do pernambucano Nelson Ferreira e o baião "Vai com Jeito", de João de Barro. No ano seguinte, gravou em forma de baião a modinha "Luar de Paquetá", de Freire Jr. e Hermes Fontes. Em 1960, Waldir Azevedo gravou os choros "Contando Tempo", de sua autoria e "Catete", de Humberto Teixeira. No ano seguinte registrou com seu Quarteto, de sua autoria, o choro "Jogadinho" e a valsa "Você, Carinho e Amor". No mesmo ano, lançou o LP "Waldirizando", no qual interpretou, entre outras composições, a música título, "Balada Oriental" e "A Voz do Cavaquinho", todas de sua autoria.

Em 1962, Waldir Azevedo lançou com o multiinstrumentista Poly o LP "Dois Bicudos Não Se Beijam", no qual os dois interpretaram "Boogie Woogie na Favela", de Denis Brean, "A Voz do Violão", de Horácio Campos e Francisco Alves, "De papo pro ar", de Joubert de Carvalho e a música título, de sua autoria, entre outras.

Em 1963, lançou "Longe de Você", seu terceiro LP na Continental, interpretando músicas como "Só Danço Samba", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, "A Lua é Camarada", de Armando Cavalcânti e Klécius Caldas e "Pois Não", de sua autoria. Na Continental gravou um total de 38 discos em 78 rpm.

Em 1964, Waldir Azevedo sofreu um grande revés com a morte de uma das filhas e com isso diminuiu suas atividades artísticas.

Em 1967, retornou aos estúdios e lançou o LP "Delicado" pela London/Odeon interpretando uma série de clássicos da música brasileira, entre os quais, a música título, de sua autoria, "Prelúdio para ninar gente grande", de Luiz Vieira, "Kalu", de Humberto Teixeira, "Asa branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e "A saudade mata a gente", de Antônio Almeida e João de Barro. Este é considerado por muitos, como seu último grande trabalho como instrumentista.

Em 1970, Waldir Azevedo aposentou-se como diretor artísitico da Rádio Clube do Brasil.

Em 1971, mudou-se para a cidade de Brasília. No mesmo ano, sofeu um grave acidente com um cortador de grama, no qual quase perdeu um dedo, ficando afastado durante alguns anos das atividades artísticas. Em 1975, após cirugias corretivas e longas sessões de fisioterapia conseguiu voltar às atividades artísitcas e gravou o LP "Melodia do Céu" pela Replay/Continental, interpretando diversas composições de sua autoria tais como "Turinha", "Guarânia sSrtaneja", "Melodia do Céu" e "Chorando Escondido".

Gravou o LP "Minhas Mãos, Meu cavaquinho", em 1976, título dado em homenagem à pintora Cléa Maria Novelino que pintou um quadro a ele dedicado com o mesmo título e que foi premiado em um salão de belas artes. Ao final da música título, incluiu trechos da "Ave Maria", de Gonoud, num agradecimento ao seu restabelecimento e retorno à vida artística após o grave acidente em que quase perdeu o dedo anelar. Em Brasília teve contato com chorões da cidade e tornou-se um dos fundadores do Clube do choro da cidade.

Em 1977, lançou mais um LP pela Continental interpretando "Flor do Cerrado", de sua autoria e uma homenagem à capital brasileira. No mesmo disco, interpretou "Brejeiro", de Ernesto Nazareth e "Chão de Estrelas", de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa.

Em 1978 gravou o LP "Lamento de um cavaquinho", registrando entre outras composições o "Choro Doido", de sua autoria, a "Valsa para uma Rosa", de Avena de Castro, "Naquele Tempo", de Benedito Lacerda e Pixinguinha e "Viagem", de Paulo César Pinheiro e João de Aquino. Em 1979, foi homenageado com um show comemorativo aos seus 30 anos de carreira numa grande roda de choro que contou com a presença de Paulinho da Viola; César Farias; Raphael Rabelo; Ademilde Fonseca; Arthur Moreira Lima; Copinha; Carlos Poyares; Isaías e seus chorões; Paulo Moura; Osmar Macedo e Celso Machado, além de João de Barro, o Braguinha. No mesmo ano, realizou show no Teatro Municipal de São Paulo do qual resultou um LP gravado ao vivo no qual interpretou obras de sua autoria como "Mágoas de um cavaquinho" e "Pedacinho do céu", e de outros compositores como "Vassourinhas", de Capiba e "Carinhoso", de Pixinguinha.

Em 1980, começou a preparar a gravação de um novo disco, e como era muito meticuloso em seu trabalho, gravou instruções em uma fita cassete tanto para os músicos que o acompanhariam como para o maestro Messias. Faleceu entretanto, em 20 de setembro de 1980, poucos dias antes de iniciar as gravações do novo trabalho. O disco foi gravado postumamente com a presença do músico Canhotinho, que ficou encarregado de substituí-lo. O LP recebeu o nome de "Luzes e Sombras", título de uma composição de sua autoria e teve incluídas as falas gravadas por ele como instrução para a realização do trabalho.

Waldir Azevedo deixou mais de 70 obras de sua autoria e gravou mais de 200 músicas, sendo considerado um marco na história da execução do cavaquinho.

Em 1999, foi homenageado por ocasião dos 50 anos de seu choro "Brasileirinho" com o lançamento de um songbook com sua obra lançado pela Todamérica e com um show na Cobal do Humaitá, RJ, com Henrique Cazes, Omar Cavalheiro, Marcelo Gonçalves e Beto Cazes.

Em 2000, foi lançada sua biografia assinada pelos jornalistas Sérgio Cabral e Eulícia Esteves. Em 2003 e 2004, o choro "Brasileirinho" voltou ao cartaz ao ser executado durante as apresentações solo da ginasta Daiane dos Santos inclusive na Olimpíada de Atenas, Grécia.


Fontes: Site Pedacinho do Céu; Dicionário Cravo Albin de MPB.

Wilson Batista

(Campos dos Goytacazes,RJ, 3 de julho de 1913 ---------- Rio de Janeiro, RJ, 7 de julho de 1968).

Wilson Batista de Oliveira, compositor, era filho de um guarda municipal de Campos, ainda menino participou, tocando triângulo, na Lira de Apolo, banda organizada por seu tio, o maestro Ovídio Batista. Ainda na cidade natal, fez parte do Bando , para o qual compunha algumas músicas e, pretendendo aprender o ofício de marceneiro, frequentou o Instituto de Artes e Ofícios.

No final da década de 1920, transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro. Passou então a frequentar os cabarés da Lapa e o Bar Esquina do Pecado, na Praça Tiradentes, pontos de encontro de marginais e compositores, tornando-se amigo dos irmãos Meira, malandros famosos da época, cuja amizade lhe valeu várias prisões. A seguir, começou a trabalhar como eletricista e ajudante de contra-regra no Teatro Recreio.

Com 16 anos, fez seu primeiro samba, "Na estrada da vida", lançado por Araci Cortes no Teatro Recreio e gravado em 1933 por Luís Barbosa. Seu primeiro samba gravado foi "Por favor, vai embora" (com Benedito Lacerda e Osvaldo Silva), pela Victor, na interpretação de Patrício Teixeira, em 1932. A partir de então, passou a fazer parte da Orquestra de Romeu Malagueta, como crooner e ritmista (tocava pandeiro).

Em 1933, Almirante gravou sua batucada "Barulho no beco" (com Osvaldo Silva) e três intérpretes (Francisco Alves, Castro Barbosa e Murilo Caldas) divulgaram seu samba "Desacato" (com Paulo Vieira e Murilo Caldas), que fez muito sucesso. Sempre frequentando o mesmo ambiente de boêmia, fez a apologia do malandro no seu samba "Lenço no pescoço", já gravado em 1933 por Sílvio Caldas, que deu início à famosa polêmica com Noel Rosa, o qual respondeu no mesmo ano com "Rapaz folgado", contestando a identificação do sambista com o malandro. Sua réplica a Noel veio no samba "Mocinho da Vila", recebendo então como resposta, em 1934, "Feitiço da Vila" (de Noel Rosa e Vadico). Continuando a polêmica, compôs "Conversa fiada", ao qual Noel contrapôs, em 1935, o samba "Palpite infeliz"
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O caso terminou com dois sambas seus, "Frankenstein da Vila" e "Terra de cego", que não tiveram resposta. Os dois polemistas conheceram-se entre um e outro desafio e tornaram-se amigos. As músicas dessa polêmica foram reunidas, em 1956, num LP de dez polegadas da Odeon, cantadas por Roberto Paiva e Francisco Egídio - "Polêmica".

Continuando sua vida de boêmio-compositor, vendendo sambas e fazendo parcerias "comerciais", conheceu, no Café Nice, na Avenida Rio Branco, o cantor e compositor Erasmo Silva, com quem formou um conjunto, com Lauro Paiva ao piano e Roberto Moreno na percussão. Com o conjunto, realizou apresentações em Campos,RJ e, de volta ao Rio de Janeiro, formou, em 1936, uma dupla com Erasmo Silva - a Dupla Verde e Amarelo - que participou da vocalização da orquestra argentina Almirante Jonas, que estava de passagem no Rio de Janeiro, seguindo com ela para Buenos Aires, Argentina, onde ficaram por três meses, ainda em 1936.

De volta ao Brasil, trabalharam durante mais de um ano na Rádio Atlântica, de Santos SP, e, depois, na Record, da capital paulista, onde também gravaram, com as Irmãs Vidal, pela Columbia, seu primeiro disco, com "Adeus, adeus" (Francisco Malfitano e Frazão) e "Ela não voltou" (dos mesmos compositores e mais Aluísio Silva Araújo). Obtendo certo sucesso, seguiram para uma temporada em Porto Alegre RS, voltando a São Paulo para trabalhar na Rádio Tupi.

A fama viria em 1938, quando a dupla foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, mas já no ano seguinte, com a ida de Erasmo Silva para Buenos Aires, a dupla se desfez.

Em 1939 foi apresentado por Germano Augusto ao bicheiro e malandro conhecido por China, a quem venderia muitas músicas. Nessa época, sua temática sofreu modificações, ditadas não só pela associação a novos parceiros, mas principalmente pela influência direta de uma portaria governamental que proibia a exaltação da malandragem.

Ainda em 1939, fez com Ataulfo Alves "Mania da falecida" e "Ò seu Oscar", samba que se destacou no Carnaval de 1940, vencendo o concurso de músicas carnavalescas do Departamento de Imprensa e Propaganda do governo federal, tendo sido gravado por Ciro Monteiro, intérprete que lançou em disco, também no mesmo ano, os seus sambas "Tá maluca" (com Germano Augusto) e "O bonde de São Januário" (com Ataulfo Alves), este último grande sucesso no Carnaval de 1941.

Consagrado desde então, iniciou, com diversos parceiros famosos, uma série de composições, retratando tipos cariocas, que conseguiram êxito na maioria dos Carnavais dos vinte anos seguintes. Ainda em 1940, Moreira da Silva gravou "Acertei no milhar" (com Geraldo Pereira), que se tornou um dos clássicos do samba de breque; em 1941, Vassourinha lançou em disco outra música sua que se destacou no Carnaval de 1942, "Emília", feita com Haroldo Lobo, seu parceiro ainda em "Rosalina", destaque carnavalesco de 1945.

Brincando com a torcida do Vasco da Gama, compôs com Augusto Garcez "No boteco do José", que, na gravação de Linda Batista, fez sucesso no Carnaval de 1946. Três anos depois se destacaria com "Pedreiro Waldemar", feito com Roberto Martins e gravado por Blecaute, e, em 1950, obteria enorme êxito com "Balzaquiana" (com Nássara), lançado em disco por Jorge Goulart. Sua marcha "Sereia de Copacabana" e o seu samba "Mundo de zinco" (ambos com Nássara), este gravado por Jorge Goulart, foram muito cantados nos Carnavais de 1951 e 1952, respectivamente.

Para o Carnaval de 1956 compôs com Jorge de Castro a marcha "Todo vedete", que teve problemas com a censura por suas referências ao baile dos travestis do Teatro João Caetano; com o mesmo parceiro fez, para o Carnaval dos dois anos seguintes, "Vagabundo" e "Marcha da fofoca", sendo esta última gravada pelo radialista César de Alencar.

O Carnaval de 1962 foi um dos últimos de que participou, lançando, em gravação de César de Alencar, "Cara boa", marcha feita com Jorge de Castro e Alberto Jesus. Boêmio até o fim da vida, nos seus últimos anos trabalhou como fiscal da UBC, entidade que ajudou a criar.

Fonte: Site Cifrantiga.

Villa Lobos

(Rio de Janeiro/RJ, 5 de março de 1887 ******* Rio de Janeiro/RJ, 17 de novembro de 1959)

Filho da dona-de-casa Noêmia Villa-Lobos e do funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador Raul Villa-Lobos, Heitor Villa-Lobos nasceu no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro.

Além da cidade do Rio de Janeiro, Villa-Lobos residiu com a família em cidades do interior do estado do Rio de Janeiro (Sapucaia) e de Minas Gerais (Cataguazes e Bicas) durante os anos de 1892-1893. Nessas viagens, conheceu as modas caipiras e os tocadores de viola, que formam parte do folclore musical brasileiro e que, mais tarde, vieram a universalizar-se em suas obras.

Ao retornarem ao Rio de Janeiro, os Villa-Lobos transformaram sua casa num ponto de encontro de nomes respeitados da época, que ali se reuniam, todos os sábados, para tocar até altas horas da madrugada. Esse hábito, que durou anos, influiu decisivamente na formação musical de Villa-Lobos que, logo cedo, iniciou-se na música.

A partir dos seis anos de idade, aprendeu, com o pai, a tocar clarinete e violoncelo (este último em uma viola especialmente adaptada). Raul Villa-Lobos ainda lhe obrigou a exigentes exercícios de percepção musical que incluíam o reconhecimento de gênero, estilo, caráter e origem de músicas, de notas musicais e ruídos.

Foi também nessa época, e graças à sua tia Fifina (que lhe apresentou os prelúdios e fugas do "Cravo Bem Temperado"), que Tuhú (seu apelido de infância) fascinou-se pela obra de Johann Sebastian Bach, compositor que acabou por servir-lhe de fonte de inspiração para a criação de um de seus mais importantes ciclos, o das nove "Bachianas Brasileiras".

Ao voltar ao Rio de Janeiro, a música praticada nas ruas e praças da cidade também passou a exercer sobre ele um atrativo especial. É o "choro", composto e executado pelos "chorões", músicos que se reuniam regularmente para tocar por prazer e, ainda, em festas e durante o carnaval. Tal interesse levou-o a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovavam sua aproximação com os autores daquele gênero, considerados marginais.

No início dos anos 20, como consequência desse envolvimento com o choro, começou a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros"; nasceu aí uma nova forma musical, onde aquela música urbana se mescla a modernas técnicas de composição.

Com a morte de Raul Villa-Lobos, em 1899, Noêmia não conseguiu mais conter o filho. Em 1905, Villa-Lobos partiu em viagens pelo Brasil. Visitou os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, passando temporadas em engenhos e fazendas do interior, em busca do folclore local.

Em 1908, chegou à cidade de Paranaguá, estado do Paraná, lá permanecendo por dois anos, tocando violoncelo para a alta sociedade local e violão para os jovens.

Entre os anos de 1911 e 1912 fez parte de uma excursão pelo interior dos estados do Norte e do Nordeste. Foi nesse momento que conheceu a Amazônia - fato ainda não comprovado - o que marcou, segundo ele, profundamente sua obra.

De volta ao Rio de Janeiro, conheceu aquela com quem se casou em 1913: Lucília Guimarães.

O ano de 1915 marcou o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganhava a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escrevia suas obras. Os jornais publicavam críticas contra a modernidade de sua música. Anos mais tarde, o compositor fez questão de explicar:
"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é consequência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, guiado pelo meu próprio instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra. Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Prossegui, confrontando esses meus estudos com obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a inalterabilidade das minhas idéias".

No Brasil do início do século XX, a influência européia (mais especificamente, francesa) e a permanência do espírito conservador do fim do século XIX incomodavam a juventude, que começou a reagir a tudo isso. Surgiu, então, um movimento chamado Modernista que, em fevereiro de 1922, foi oficializado em São Paulo, através da Semana de Arte Moderna. Atividades de vários campos da arte são apresentadas no Theatro Municipal daquela cidade.
Convidado por Graça Aranha, Villa-Lobos aceitou participar dos três espetáculos da "Semana", apresentando, dentre outras obras, as "Danças Características Africanas".

Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, alguns de seus amigos começaram a incentivá-lo a ir à Europa, e apresentaram à Câmara dos Deputados um projeto para financiar sua ida a Paris. Em meio a protestos que condenavam a iniciativa, a proposta foi aprovada e Villa-Lobos partiu, em 1923, para o que seria sua primeira viagem ao Velho Continente. Ao chegar, Debussy - uma de suas grandes inspirações - já não era mais vanguarda, e artistas e intelectuais da efervescente capital francesa voltaram seus olhos e ouvidos para os compositores russos, como Igor Stravinsky, que faziam música original, moderna e de caráter nacionalista.

Desconhecido, Villa-Lobos começou a entrar no ambiente artístico parisiense através de Tarsila do Amaral e de outros artistas plásticos brasileiros; Arthur Rubinstein - que já o conhecia do Brasil - e o soprano Vera Janacópulos divulgavam suas obras em recitais por vários países.

Em função de um drástico corte no orçamento inicial solicitado, e apesar do apoio financeiro de um grupo de amigos e mecenas, Villa-Lobos se viu, em 1924, forçado a voltar ao Rio de Janeiro. Em sua chegada ao Brasil, foi assim saudado pelo poeta Manuel Bandeira:

"Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos. Todavia uma coisa o abalou perigosamente: a 'Sagração da Primavera', de Stravinsky. Foi, confessou-me ele, a maior emoção musical da sua vida.(...)".

Em 1927, o compositor retornou a Paris para uma temporada de três anos, desta vez em companhia de Lucília Villa-Lobos, para organizar concertos e publicar várias obras pela editora Max-Eschig, à qual foi apresentado quando de sua primeira ida à França. Fez mais amigos, e artistas como Magda Tagliaferro, Leopold Stokowski, Maurice Raskin, Edgar Varèse, Florent Schmitt e Arthur Honneger frequentavam sua casa e participavam das feijoadas dos domingos.

A partir dessa segunda temporada na capital francesa, ganhou prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias. Causou forte impressão no público e na crítica, ao mesmo tempo em que provocou reações por suas ousadias musicais.

No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retornou ao Brasil, provisoriamente, para a realização de um concerto em São Paulo. Contudo, não previu que, neste seu retorno, estava inaugurando um novo capítulo em sua biografia.

Villa-Lobos preocupava-se com o descaso com que a música era tratada nas escolas brasileiras e acabou por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto levou-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.

Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organizou uma concentração orfeônica chamada "Exortação Cívica", com a participação de cerca de 12 mil vozes.

Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente por Anísio Teixeira, então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduziu o ensino da música e do canto coral nas escolas.

Como consequência do seu trabalho educativo, embarcou para a Europa, em 1936, como representante do Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga. De retorno ao Brasil, ainda em 1936, uniu-se à sua secretária, Arminda Neves d'Almeida.

Com o apoio do então presidente da República, Getúlio Vargas, organizou concentrações orfeônicas grandiosas que chegaram a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares, e, em 1942, criou o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujos objetivos eram: formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias; estudar e elaborar diretrizes para o ensino do canto orfeônico no Brasil; promover trabalhos de musicologia brasileira; realizar gravações de discos etc.

"Irei aos Estados Unidos somente quando os americanos quiserem me receber como eles recebem a um artista europeu, isto é, em razão das minhas próprias qualidades e não por considerações políticas...". Apesar dessa resistência inicial - era o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos EUA com aliados na 2ª Guerra Mundial -, Villa-Lobos, convencido pelo maestro Leopold Stokowski, aceitou o convite do maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, em 1944.

A partir daí, retornou àquele país várias vezes, onde regeu e gravou suas obras, recebeu homenagens e encomendas de novas partituras, além de estabelecer contato com grandes nomes da música norte-americana, fechando, assim, o ciclo de sua consagração internacional.

Dentre as composições de Villa Lobos destacam-se Tocata (O Trenzinho Caipira), Uirapuru e A Maré Encheu.

Villa-Lobos morreu de câncer, 1959, no Rio de Janeiro.

Fonte: Museu Villa Lobos.

Wilson Vianna (Capitão Aza)

(Rio de Janeiro/RJ, 27 de fevereiro de 1928 ******* Bonito/MS, 3 de maio de 2003)

A história de Wilson Vianna é repleta de surpresas. Antes de chegar à televisão e viver o herói que amava as crianças mas era um exemplo de sujeito durão, pertenceu à temida Polícia Especial de Getúlio Vargas. Em um livro em que narra sua trajetória, Wilson conta que chegou a salvar o presidente em um atentado. Trabalhou em chanchadas da Atlântida, e logo foi descoberto pelo cinema americano, atuando em duas produções da Universal Pictures rodadas no Brasil.

Em 1957 representou o cinema nacional no Festival Internacional de Cinema da República Dominicana, o que lhe abriu as portas do mercado mexicano. De volta ao Brasil após três anos no México, foi um pioneiro em dublagens. Vianna faria ainda figuração em uma produção americana com Charlton Heston, John Wayne e Sidney Poitier, entre outros astros, mas foi com o Capitão Aza - que ficou 14 anos no ar e revelou a ajudante Martinha - que se identificou plenamente.

O Clube do Capitão Aza chegou a ser exibido no horário matutino, mas na maior parte das vezes, encaixava-se no meio da tarde, das 16 às 18h30min, de segunda a sexta.

Ele iniciava com a canção tema, e aparecia dentro de sua nave espacial, onde havia um efeito de estrelas passando ao fundo, o que dava a impressão de que estava viajando pelo espaço. Com voz firme e enérgica ele fazia então a abertura com a contagem regressiva, e bradava o seguinte refrão:

"... Alô, alô Sumaré! Alô, alô Embratel! Alô,alô Intelsat 4! Alô, alô criançada do meu Brasil! Aqui fala o Capitão Aza, comandante-em-chefe das forças armadas infantis desse Brasil! "

Criança que ouvisse essa frase não tinha jeito, batia continência e corria para a frente da televisão a espera dos desenhos e seriados.
É também interessante notar como muitas idéias deste programa acabariam por influenciar muitos outros que estariam por vir, como por exemplo o Xou da Xuxa, que também faria a entrada da apresentadora em uma nave espacial e também adotaria música de abertura com contagem regressiva.

O programa do Capitão, ao contrário de muitos infantis de utilidade duvidosa que vemos por aí, ainda possuía um alto teor educativo, com Wilson sempre preocupado em ensinar às crianças sobre ética, senso de responsabilidade, respeito e liderança. E é bem verdade que isso contribuía bastante para o resgate e a valorização do espírito cívico de cada um - mesmo depois que a TV fosse desligada - afinal as crianças sempre gostam de imitar os seus heróis. Complementando esse trabalho televisivo, o Capitão ainda se dedicava às aparições ao vivo: comparecia a shows beneficentes, visitava escolas, e também desfilava durante a Semana da Pátria em meio aos alunos, o que tornava a data ainda mais especial para as crianças, que nestes dias alinhavam o uniforme do colégio, prendiam a fitinha verde-amarela no bolso da camisa, e torciam para que o ¨super-herói comandante-em-chefe das forças infantis¨ desse as caras em seu colégio.

Revirando o baú das lembranças é interessante notar como algumas manias dos apresentadores de televisão ficam gravadas na memória da gente. Pois aqui vão algumas do Capitão. Uma engraçada, e no bom estilo super-herói, era a mania que ele tinha de mostrar o bíceps diante das câmeras, dizendo que o Capitão não ficava doente porque se tratava ou tomava remédio antes da doença chegar. Obviamente isso nos encorajava a visitar o médico ou aceitar das nossas mães aqueles xaropes difíceis de engolir. Uma outra era o modo como ele fazia questão de mostrar os guardas como sendo os grandes amigos das crianças.

O Capitão Aza também chegou a gravar alguns discos, algumas das canções entoadas ao lado da ajudante Martinha. Uma das mais conhecidas e que fazia a abertura do programa era "Sideral", recentemente regravada pelo cantor Leoni.

Wilson foi responsável pela primeira chance dada ao comediante e apresentador Jô Soares, conforme revela o diálogo mantido entre eles:

"... Em 1954, Wilson Vianna costumava se encontrar com amigos, entre eles Wilson Grey, Alexandre Amorim, Angela Maria, Ivon Curi, Carlos Cotrim, Roberto Bataglin, Julie Bardô e Milton Moraes - no Clube do Cinema, no Vogue, na Av. Princesa Isabel, ou no Jirau, na Rodolfo Dantas, perto do Copacabana Palace, onde ouviam Tito Madi e o pianista Ribamar.
Certo dia, ele estava parado na esquina perto do Jirau, quando aparece um rapaz gordinho e pergunta:
- Você é o Wilson Vianna ?
- Sou.
- Muito prazer, eu sou o José Soares. Eu tenho muita vontade de trabalhar no cinema e na televisão, mas não conheço ninguém. Acabo de chegar da Europa, onde estava estudando, e estou hospedado aqui no Copacabana Palace...
- O que você sabe fazer?
- Eu sei fazer algumas imitações.
O rapaz imitou um balé com os dedos, usando flash-light na boca, e depois fez algumas brincadeiras que Wilson achou muito engraçadas. O rapaz gordinho era o Jô Soares. "Eu disse que o levaria até a TV TUPI e, alguns dias depois fomos falar com o Mário Provenzano, que na época era o diretor da emissora...."

Sabe-se que nem mesmo o Capitão Aza que sempre fez questão de promover os valores da pátria e da educação em seu programa, escapou de ser incomodado pelos exageros do regime militar que governou o Brasil nos anos 70. E tudo por causa da letra de Sideral. Parece que algumas autoridades simplesmente implicaram com a parte da música que fala que as turbinas de sua nave iam "colorindo de vermelho esse céu azul" achando que poderia ser mensagem comunista para a garotada. Graças a Deus que não mexeram na letra.

Foi no programa do Capitão Aza, onde apareceram pela primeira vez na TV, personagens do porte de Homem-Aranha, Hulk, Thor, Capitão América (os primeiros desenhos "desanimados" da Marvel), o seriado clássico de Batman e Robin e os primeiros animes (desenhos japoneses) como Speed Racer, Super Dínamo, A Princesa e o Caveleiro e tantos outros, além das séries clássicas como A Feiticeira, Jeanne é um gênio, as séries com marionetes do tipo de Thunderbirds e tanta coisa boa.
O personagem usava uma roupa inspirada no uniforme da Aeronáutica e se auto-proclamava o "comandante-em-chefe das forças infantis desse Brasil". O nome Capitão Aza foi adotado por Vianna para homenagear um piloto da Força Aérea Brasileira chamado Capitão Azambuja, daí a origem do nome Aza com "z".

Nos últimos anos de vida, Wilson Vianna passou a morar em Penedo, cidade da região serrana do Rio de Janeiro, onde era proprietário de um hotel que ele mesmo administrava.

O ator teve um enfarte na madrugada do dia 03/05/03 em Mato Grosso do Sul. Ele passava uma temporada com a mulher, o filho e a nora naquele Estado. O corpo de Wilson Vianna foi enterrado no Rio de Janeiro.

Valentino Guzzo

(São Paulo/SP, 26 de março de 1936 ******** São Paulo/SP, 9 de dezembro de 1998)

Como ator Valentino Guzzo teve uma pequena participação nos filmes "Absolutamente certo", de 1957, e em "Ninguém segura essas mulheres", de 1976. Na TV estreou na série "Vigilante Rodoviário" e depois fez alguns homorísticos, até virar diretor e produtor.

Tornou-se nacionalmente famoso por interpretar a personagem "Vovó Mafalda", no extinto programa Bozo.

Produziu os programas de Bibi Ferreira, Silvio Santos e Ratinho. Como Vovó Mafalda participou ainda do Novo Show de Calouros e apresentou além deste o Dó Ré Mi e Sessão Desenho. Valentino Guzzo também trabalhou no Programa do Ratinho. Por mais de 15 anos deu vida à Vovó Mafalda. Com a maquiagem colorida, o morango no nariz e o chapéu na cabeça apresentou programas infantis no SBT e na Record.

Foi também compositor. Dentre suas canções, podemos citar "Domingo no Parque", gravada por Ricardo Coração de Leão e que foi tema de abertura do quadro homônimo dentro do Programa Sílvio Santos. Dentre as músicas que gravou nos anos 80 como Vovó Mafalda, o destaque foi "Tumbalacatumba".

Sua última aparição foi no programa "Desenhos da Vovó", apresentado na Rede Record em 1998.

Valentino era o pai da cantora Bete Guzzo a da diretora Vanessa Guzzo. Seu falecimento deveu-se a um ataque cardíaco fulminante.

Waldir Calmon

(Rio Novo/MG, 30 de janeiro de 1919 — Rio de Janeiro, 11 abril de 1982)

Waldir Calmon Gomes foi um pianista e compositor brasileiro de grande sucesso nos anos 50.

Primeiro dos quatro filhos de Helena e Waldemar, Waldir teve uma infância pobre. Sua mãe ensinou música a todos os filhos, mas só Waldir demonstrou real interesse pela arte. Helena Calmon era uma menina rica que foi deserdada quando fugiu para se casar com Waldemar - um rapaz muito pobre. A partir daí, teve uma vida de privações até sua morte, com 42 anos. Porém, conseguiu transmitir aos filhos a educação requintada que teve.

Aos catorze anos, Waldir formou um pequeno conjunto com baixo, piano, bateria, trompete e sax. O grupo apresentava-se em bailes por Rio Novo e Waldir, além de tocar piano, cantava no estilo de Orlando Silva.

Seu pai não aprovou a iniciativa, mas os rapazes continuaram assim mesmo, pois o conjunto era um sucesso. "Éramos os únicos da cidade. Tinha que dar certo!", divertia-se Waldir.

Pouco tempo depois, foi estudar na Academia de Comércio de Juiz de Fora, Minas Gerais. Em 1936, com 17 anos, veio para o Rio de Janeiro, trazendo uma carta de apresentação para o compositor e flautista Benedito Lacerda. Graças a essa amizade, conseguiu um pequeno trabalho como cantor e pianista na rádio Guanabara e apresentou-se em programas de grande audiência, como O Nosso Programa, de Ataulfo Alves e Raul Longras, e Samba e Outras Coisas, de Marília e Henrique Batista - ambos na rádio Cruzeiro do Sul. A convite de Eva Todor, começou a tocar também nos intervalos de seu espetáculo no teatro Rival.

Nesta fase, lançou o solovox - um pequeno sintetizador de três oitavas, monofônico e importado que era acoplado ao piano acústico, fazendo um som diferente. O solovox, fabricado pela Hammond Organ Co norte-americana entre 1940 e 1950, foi o precursor dos teclados eletrônicos em geral e era conectado a um gabinete com um amplificador valvulado e alto-falantes de 8" que geravam o som. O solovox, o gabinete e o piano Steinway & Sons (que, no fim da década de 60, foi aposentado profissionalmente) eram guardados por Waldir, com muito carinho, em sua própria casa.

Waldir, então com algum prestígio, foi convidado a fazer uma temporada na Argentina. Alguns meses depois, em 1940, a morte de sua mãe obrigou-o a voltar para o Brasil. Decidiu abandonar a música e, numa entrevista ao Jornal do Brasil em 1975, explicou que Helena Calmon foi a grande responsável por sua carreira. "Foi minha mãe que me ensinou a tocar piano, ajeitando com paciência os meus dedos no teclado. Quando ela morreu, tive raiva de tudo e resolvi abandonar a música", justificou. Foi trabalhar então no banco Moreira Salles, mas, como ele próprio dizia, "era um péssimo bancário".

Durante a Segunda Guerra, Waldir foi convocado e serviu no Batalhão de Guardas da Presidência da República, no Palácio do Catete, e um de seus companheiros de pelotão foi o compositor e pianista Dick Farney. Aos poucos, Waldir voltou à música e acumulou o trabalho diurno com apresentações noturnas. Neste período, trabalhou no teatro Serrador, na rádio Globo e na boate Meia-Noite, do Copacabana Palace. Para conciliar tudo isso, dormia apenas 30 minutos por noite. "Eu tinha que acordar cedo por causa do exército. Colocava três despertadores em uma panela e a vizinha fazia o café para mim. Saía, agarrado ao balaústre do bonde, dormindo", lembrava Waldir Calmon. Colocava o único terno que possuía entre o colchão e o estrado da cama para ficar sempre esticado. Foram tempos difíceis, mas ele sempre lembrava de seu passado com o habitual bom-humor.

Em 1944, Waldir Calmon formou seu primeiro conjunto, Gentleman da Melodia, e com ele fez uma série de apresentações na rádio Globo. Logo depois, desligou-se do exército e foi para São Paulo trabalhar no Cassino Atlântico. Foi convidado então para tocar na recém-fundada boate Night and Day, no Rio de Janeiro, sendo obrigado a desfazer o Gentlemen da Melodia e deixou São Paulo.

O primeiro registro do piano de Waldir em vinil, ainda com o nome artístico Waldir Gomes, é de 1941, na gravação original de "Leva Meu Samba" - acompanhando o autor, Ataulfo Alves (Odeon). Apesar disso, só conseguiu gravar seu primeiro disco-solo em 1951 (Star), com os boleros "Como Eras Linda", de Theo Mackben, e "Por Quanto Tempo", de Marino Pinto e Don Al Bibi.

Em 1952, começou a apresentar o programa semanal Ritmos S. Simon, pela TV Tupi, e posteriormente pela TV Rio. O programa permaneceu dez anos no ar e transformou-se em um disco-brinde que o patrocinador, as lojas S. Simon, oferecia a seus clientes.

Ao mesmo tempo, a Rádio Serviço e Propaganda contratou Waldir Calmon e seu conjunto para uma série de apresentações transmitida em cadeia nacional diariamente pelas Associadas. O programa fez tanto sucesso que a Rádio Serviços montou uma fábrica de discos e lançou o seu primeiro LP com o pianista. O vinil chamava-se "Ritmos Melódicos" e possuía oito das músicas mais solicitadas pelo programa diário transmitido pelas Associadas. Waldir entrava para a história fonográfica como o primeiro músico a gravar um long-play de dez polegadas na América do Sul.

Waldir também gravava muitos jingles, como "duas gotas, dois minutos, dois olhos claros e bonitos" (Miguel Gustavo), do colírio Moura Brasil. Nesta fase, um de seus 78 rotações (Copacabana Discos) com as músicas "Mambo en España" (Ramon Marquez) e "Cao Cao Mani Mani Picao" (Carbô Menendez) foi um grande sucesso em vendas e execução. O pianista tornou-se famoso e passou a ser solicitado para bailes em todo o Brasil.

As gravações continuavam: em 56, lançou o LP "Samba, Alegria do Brasil" (Rádio). Neste álbum, encontramos "Na Cadência do Samba" (Que Bonito É), de Luís Bandeira, que se transformou em hino do futebol brasileiro, graças à veiculação maciça, em todos os cinemas do país, no noticiário Canal 100. Apesar disso, Waldir Calmon nunca recebeu os direitos de execução.

"Ritmos Melódicos" (Rádio) teve um segundo volume e outras séries de LPs surgiram, como "Chá Dançante", "Mambos", "Para Ouvir Amando" e, a mais famosa de todas, "Feito Para Dançar" (doze volumes). Com ela, Waldir atingiu a marca de 100.000 exemplares vendidos em 1957 - fenômeno para a época. A série "Feito Para Dançar" foi lançada em 1953 e foi o primeiro disco popular editado em 12 polegadas no Brasil, além de ser o único LP, na época, especialmente para dançar, sem interrupção de faixas.

A gravação de Waldir Calmon de "Rock Around the Clock", em ritmo de samba, causou grande impacto na época. Segundo o site Senhor F, "(...) em 1957, uma versão instrumental com o pianista Waldir Calmon, incluída em seu disco "Chá Dançante n°3", faria grande sucesso junto ao público adulto. Nos anos setenta, o próprio Bill Haley, em mais uma de suas turnês pelo Brasil - a primeira foi em abril de 1958 - regravou a música com arranjo misturando samba e rock'n'roll, acompanhado do conjunto paulista Lee Jackson (...)".

Waldir inovou e lançou o LP com um lado ininterrupto de música, sem intervalo entre as faixas, ideal para festinhas em casas de família. Criou um estilo próprio de tocar piano, com seus solos em oitavas, que tornava o seu som inconfundível. Chegou a lançar seis LPs por ano e era comum ter três ou quatro de seus discos simultaneamente nas paradas de sucesso. Entre reedições, lançamentos e compactos extraídos de LPs são cerca de 130 títulos.

Foi também surpreendente a longa carreira do long-play "Ama-me ou Esquece-me" que se manteve há alguns meses nas primeiras colocações." A pesquisa foi feita nas lojas: Brasileiras e Barbosa Freitas (ambas em Copacabana), Ramos Elétrica (Ramos), Mesbla da rua do Passeio, Casa Palermo (13 de maio) e Rei da Voz (as três no Centro do Rio de Janeiro).

Nesta época, gravou com a cantora Ângela Maria o LP "Quando os Astros Se Encontram" (Copacabana Discos). Sempre atento às novidades, sugeriu à Ângela que interpretasse uma canção mexicana desconhecida no Brasil. Nascia um dos maiores sucessos da "sapoti": "Babalu" (Margarita Lecuona).

Seu repertório era composto basicamente por ritmos dançantes e sucessos da época, nacionais e internacionais. "Qualquer música capaz de fazer com que um casal se levante e comece a rodopiar pelo salão me interessa", respondia sempre a quem perguntasse o critério para a escolha de suas canções.

Em 1956, saiu da Night and Day, após oito anos, e abriu sua própria boate no Leme, Rio de Janeiro - a Arpége. O sucesso foi tanto que outra série de discos, "Uma Noite no Arpége", surgiu. Nomes como Tom Jobim, Chico Buarque e Ary Barroso, entre outros, apresentaram-se em sua boate. Historiadores contam que Vinícius de Moraes foi à boate Arpège assistir a um show de seu amigo Tom Jobim quando conheceu um jovem e talentoso violonista, Baden Powell de Aquino, que também estava tocando na boate nesta mesma noite. Nessa época, Baden já tinha sido gravado por Lúcio Alves ("Samba Triste", parceria com Billy Blanco). O conjunto vocal MPB-4, no começo de sua carreira, também fez o show "Meu Refrão", ao lado de Chico Buarque, na boate Arpège (1965) - dois anos depois, estariam juntos novamente no Festival da Record, cantando "Roda-Viva" (segunda colocada no concurso). Edson Machado, baterista que influenciou muito a bossa-nova, também começou na Arpége.

Normalmente, Waldir trabalhava com o conjunto pequeno, porém, quando solicitado, o grupo crescia e dava lugar à Orquestra Waldir Calmon. Cantores eram pouco utilizados em discos, mas estavam sempre presentes nas apresentações ao vivo. O guitarrista Paulo Nunes, que trabalhou com Waldir vários anos, conta que, quando Mílton Banana fez parte do grupo, era um dos percussionistas. Certo dia, Waldir os reuniu e disse que um deles deveria aprender a tocar bateria, pois, naquele momento, estava precisando mais de um baterista do que de vários percussionistas. Mílton então resolveu aceitar o desafio e se tornou um dos bateristas mais importantes do cenário musical brasileiro.

Em 1959, formou a Waldir Calmon Produções Artísticas e fundou o selo Arpége que teriam, como primeiro disco, a reedição do vinil "Uma Noite no Arpége 3" - já lançado pelo selo Rádio (1956) e Copacabana (1959).

Waldir Calmon ganhou vários troféus, prêmios e apareceu também em filmes nacionais: "É Pra Casar" (1953), "Com a Mão na Massa" (1953), "Hoje, o Galo Sou Eu" (1958) e no documentário "Rio à Noite"(1962). Em outros filmes, como em "Depois Eu Conto" (1956), seu piano fez fundo musical para várias cenas.

A vida tinha se transformado para aquele menino pobre: o bonde deu lugar aos novíssimos carros importados; o único terno foi substituído por camisas inglesas, paletós e calças de linho e a velha casa alugada na Tijuca, que dividia com seus irmãos, foi trocada pelos luxuosos quartos de hotéis. Apesar de sua vida basicamente noturna (em boates, teatros e casas de show), Waldir não bebia uma gota de álcool sequer - apenas água e refrigerantes. Fumava muito, mas largou o hábito quando sua primeira filha, Márcia, nasceu.

Waldir Calmon tinha uma agenda cheia, dividindo-se entre as gravações, a produtora, os bailes (às vezes, dois por dia) e a sua boate. No entanto, os frequentadores da Arpége reclamavam quando ele viajava e era substituído por outro conjunto, gerando grande insatisfação. Essa rotina desgastante durou até o começo da década de 60, quando Brasília foi inaugurada. A mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília foi um divisor de águas na noite carioca. Políticos, empresários e pessoas influentes deixaram o Rio, levando boa parte do dinheiro que circulava na noite.

A música também passou por uma grande transformação. No Brasil, a bossa-nova surgia e, no mundo, o rock. A ditadura brasileira trouxe uma reformulação musical mais profunda: as letras tinham papel mais importante e deixaram de ser um mero entretenimento para se transformar em veículo de conscientização das massas. Melodia e ritmo eram relegados a segundo plano - dois dos maiores trunfos do instrumentista Waldir Calmon. Mesmo assim, continuou gravando, mas a vendagem de seus discos começou a cair progressivamente.

Em 1962, casou-se com a cantora Marta Kelly e teve seus dois filhos: Márcia e Marcus. O selo Arpége e a produtora acabaram e, em 1968, a boate fechou. Waldir começou a fazer temporadas pelo Brasil até que, em 1969, o diretor artístico do Canecão, Wilton Franco, convidou-o para animar a casa de shows em Botafogo, Rio de Janeiro. Nessa época, trocou o piano acústico por um órgão Hammond B-3, seguindo a tendência mundial.

Em 1970, gravou o último LP desta fase, "Waldir Calmon e seus Multisons" (Copacabana Discos). Em janeiro de 77, após sete anos no Canecão, voltou às viagens. Mas, em abril do mesmo ano, estreou na Churrascaria Roda-Viva, na Urca, Rio. Em dezembro de 78, recebeu uma proposta "irrecusável", como ele mesmo definia, da cervejaria e restaurante Bierklause, no Lido, Rio. Ficou até maio de 79, quando a direção da Churrascaria Roda-Viva pediu para que voltasse a tocar na casa, fazendo uma contraproposta também "irrecusável".

Voltou a gravar em 78 e lançou o disco "Discoteque - Feito Para Dançar". Em 1980, gravou seu último LP: "Feito Para Dançar". Este álbum pareceu um retorno às origens: deixou o órgão e voltou ao piano acústico (que, aliás, preferia tocar). Seu piano era valorizado pelo ritmo e acompanhamento claros - assim como nas primeiras gravações.

Certo dia, disse que jamais deixara de tocar um só dia e que gostaria de morrer trabalhando. "Não conheço nada no mundo tão agradável quanto tocar", explicou. Waldir trabalhou até a madrugada do dia 11 de abril de 1982. Pela manhã, reclamou de "umas dores estranhas no peito". Não as levou a sério, pois detestava ir a médicos, e no meio de um passeio com a família teve um enfarte fulminante.

Fonte: Site oficial.

Vassourinha

(São Paulo/SP, 16/5/1923 -------- São Paulo/SP, 31/7/1942)

Vassourinha nasceu Mário Ramos de Oliveira em São Paulo, filho de Mauro Almeida Ramos e Teresa Dias de Assunção, dados colhidos de sua carteira profissional, único registro encontrado.

Jaime Faria da Rocha, redator de textos comerciais da Rádio Record, vivia dizendo que na pensão onde morava havia um garoto com muito ritmo, cantor e tocador de pandeiro. No dia 10 de novembro de 1936, aos 12 anos de idade, foi admitido na rádio como contínuo, com salário de cem mil réis, no horário das 8 às 18 horas. À noite apresentava-se nos programas da emissora. Antes, em 1935, havia participado do filme "Fazendo Fita", último trabalho do diretor italiano Vittorio Capellaro, no qual se destacavam Alzirinha Camargo e a dupla Alvarenga e Ranchinho.

Começou cantando com o nome de Juracy, nome que servia tanto para homem como para mulher, já que sua voz tendia para timbres agudos, infantis. Em 1938, começou a intensificar suas atividades de cantor. O salário passou a ser de 300 mil réis e fazia muito sucesso cantando em dupla com Haidê Marcondes.

Houve um momento em que o nome Juracy já não lhe cabia bem, sendo necessário um apelido artístico mais convincente. Na Record, lembraram-se de um motorista de táxi (naquela época, chofer de praça) que havia em São Paulo, no Largo do Paissandu, cujo apelido era “Vassoura”. Negro muito alegre (“de risada escandalosa”, dizem os que o conheceram), ele havia conquistado essa alcunha pelo fato de, altas horas da noite, levar para casa os últimos frequentadores do Ponto Chic, que, na ocasião, era o reduto da grã-finagem de São Paulo. Ou seja, este motorista “varria” os retardatários do Ponto Chic. Figura muito popular na capital paulista, “Vassoura” seria imediatamente lembrado ao se precisar de um nome artístico eficiente para o jovem Mário Ramos de Oliveira. Passaram então a inventar que Mário era filho do “Vassoura” – e assim ficou Vassourinha.

Foi nesse período que se tornou grande amigo de Isaura Garcia, também começando na Record, e apresentaram-se juntos em programas de rádio, em espetáculos de teatro e excursões pelo interior do Estado. Eles costumavam apresentar em dupla os números que Carmen Miranda cantava em dueto com Almirante e Luís Barbosa. Carmen Miranda tinha tanta admiração por ele, que quando vinha a São Paulo apresentar-se com sua irmã Aurora e o cantor Silvio Caldas, fazia questão de que Vassourinha participasse desses espetáculos.

Seu repertório nessa época era calcado quase todo no de Silvio Caldas, João Petra de Barros e Luís Barbosa. Este último, por sinal, havia sido o ponto de partida de Vassourinha. Luís Barbosa foi o introdutor do samba de breque, reconhecido como grande sambista, seja por sua bossa inigualável, seja pelas inflexões originalíssimas que imprimia ao que interpretava. Morreu de tuberculose em 1938, aos 28 anos de idade. Falou-se, na ocasião, que não haveria mais substituo para ele, pois do jeito que ele cantava ninguém mais seria capaz de fazer. Vassourinha demonstrava em tudo ser o sucessor natural de Luís Barbosa. Eles tinham a voz mais ou menos parecida, tendiam para as mesmas inflexões maliciosas do samba e gostavam de cantar acompanhando-se com pandeiro ou chapéu de palha. Foi, de fato, o que aconteceu. A partir de 1938, com o desaparecimento de Luís Barbosa, Vassourinha começou a ocupar-lhe o lugar. Nesse momento, seu único obstáculo para a projeção nacional era o fato de ser paulista e atuar em São Paulo. Mas, com todos os empecilhos que lhe foram colocados pelas segregações do bairrismo nacional, ainda assim se faz notado e comentado em todo o país, a ponto de ter aparecido na capa da importante revista Carioca.

Pouco se sabe de sua vida particular já que sempre se mostrou muito reservado. Seus amigos mais próximos diziam que sempre que a conversa descambava para esse lado ele acabava mudando de assunto. O que se sabe é que morava na Barra Funda e não tinha irmãos.

Em 1940, enfim, surge a primeira oportunidade de gravação. Nessa ocasião, já ganhava 600 mil réis na Record e em sua carteira profissional constava que era “cantor e auxiliar de escritório”. O compositor Antônio Almeida tinha ido à rádio para acertar com a direção uma temporada com os Anjos do Inferno, de quem era uma espécie de empresário. Enquanto conversava com Raul Duarte e Blota Júnior, ouviu bem próximo alguém cantando seus sambas e descobriu ser um garoto do elenco da rádio a quem chamavam de Vassourinha. Raul Duarte pediu-lhe que usasse de sua influência no Rio de Janeiro para conseguir-lhe uma gravação. Vassourinha interpretava um choro de João de Barro e Alberto Ribeiro, “Seu Libório”, que havia sido lançado muito tempo antes por Luís Barbosa. Luís inclusive havia cantado “Seu Libório” no filme “Alo, alô, Carnaval”, de Wallace Downey e Ademar Gonzaga, lançado em 1936, mas como pertencia a outra gravadora, João de Barro – nesta época ligado a Columbia – não autorizou o registro, aguardando outra oportunidade. Essa era a oportunidade e Almeida usou esse argumento para convencer Braguinha a aceitar Vassourinha na Columbia. Do outro lado dessa gravação, colocariam outro choro – “Juracy” – este do próprio Almeida e de Ciro de Souza.

Em meados de 1941, Vassourinha gravou seu primeiro 78 rpm. Tinha cinco anos de rádio e dezessete de idade. “Seu Libório” e “Juracy”, desse disco lançado em 23 de julho de 1941, conquistaram extraordinário sucesso em todo o Brasil. Tinham no acompanhamento Chiquinho e seu ritmo. Na mesma sessão de gravação, Vassourinha gravou mais duas músicas, ao que tudo indica, “Emília” (de Haroldo Lobo e Wilson Batista) e “Ela vai à feira” (de Roberto Roberti e Almanyr Greco), que seriam lançadas em um 78 rpm dois meses depois, em 19 de setembro. Nem bem as duas primeiras músicas haviam se projetado como sucesso nacional, “Emília” também estourava, aumentando ainda mais o prestígio de Vassourinha e tornando-se o número mais característico de seu repertório. Em novembro, o cantor foi chamado novamente ao Rio para gravar mais quatro músicas, ou como se dizia na época “quatro faces”. Registrou quatro músicas para o Carnaval de 1942: “Chik, chik, bum” (marcha de Antônio Almeida), “Apaga a vela” (marcha de João de Barro), “Olga” (samba de Alberto Ribeiro e Satyro de Mello) e “Tá gostoso” (marcha de Alberto Ribeiro e Antônio Almeida) que foram lançadas simultaneamente em dois discos em 3 de dezembro de 1941.

Com o sucesso no Rio, a Record começou a perdê-lo. Apesar do enorme sucesso, não chegou a ter um bom resultado financeiro já que se ganhava muito pouco com discos e shows. Costumava frequentar o Café Nice, onde tomava chope e se encontrava com os maiores cantores e compositores da época. As duas derradeiras gravações de Vassourinha foram feitas em março de 1942, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu regional. Os quatro sambas – “...E o juiz apitou” (de Antônio Almeida e J. Batista), “Amanhã eu volto” (de Antônio Almeida e Roberto Martins), “Amanhã tem baile” (de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e “Volta pra casa, Emília” (de Antônio Almeida e J. Batista) – saíram em discos respectivamente lançados em 25 de abril e 12 de maio, conquistando novo sucesso. Uma curiosidade: o J. Batista, parceiro de Almeida, não é outro senão o grande Wilson Batista, que, na ocasião, havia mudado para outra sociedade e por isso aparecia com outro nome. Autor de uma sociedade não podia fazer parceria com autor de outra, daí que Wilson se escondeu sob o nome do pai, José Batista, assinando como J. Batista.

Nessa época, começou a sentir os sintomas da doença que viria a vitimá-lo. Costumava agarrar-se aos cotovelos alegando dores estranhas nos ossos. Em julho de 1942, ao chegar de trem de São Paulo, Vassourinha telefonou ao compositor Ciro de Souza, marcando um encontro para tratar de detalhes da gravação que iria fazer de um novo samba dele chamado “Mademoiselle Joujoux”. Combinaram de se encontrar na Galeria Cruzeiro, na avenida Rio Branco. Ao ver Vassourinha, Ciro ficou espantado com sua aparência. Ele estava abatido, com febre alta e confessou não estar se sentindo bem. Ciro levou-o ao consultório de um amigo, Dr. Mário Braune, na rua São José, que o examinou durante 40 minutos e concluiu que o caso era muito sério e que era tarde demais. Ciro não entendeu direito a explicação do médico, mas parecia tratar-se de uma doença muito rara, onde entrava tuberculose, reumatismo e outras moléstias e que já havia atingido o coração, havendo necessidade de socorro urgente. Antes de aplicar-lhe uma injeção, o médico recomendou que o rapaz voltasse para São Paulo em passagem sem leito. Segundo ele, “se esse moço se deitar, não levanta mais”. Ciro comprou passagens para o trem das 21 horas, mas não pode acompanhá-lo na viagem pois era funcionário do Arsenal de Guerra e não podia faltar ao serviço. Ele explicou a situação ao chefe do trem, que vinha a ser um grande admirador de Vassourinha, e este prometeu que cuidaria dele durante toda a viagem e ajudaria na chegada a São Paulo. Pediu a Vassourinha que telefonasse ao Rio informando seu estado de saúde. Passados oito dias sem notícias, Ciro de Souza foi para São Paulo e encontrou-o em casa – descrita por Ciro como “muito limpinha, apesar de pobre” – com uma péssima aparência. Falava mal e mostrava-se muito ofegante. Isaura Garcia visitou Vassourinha durante essa fase e na sua opinião faltou-lhe assistência médica adequada. Sua mãe estava certa que a causa de todo o mal tinha sido a viagem ao Rio, onde deveria ter tomado algum golpe forte de ar e o tratava com benzeduras e arruda. Quando o médico chegou, já era tarde demais. Segundo Isaurinha, o médico lhe calcava o dedo na testa e os ossos afundavam, como se virassem pó.

A causa da morte de Vassourinha é até hoje desconhecida. Na baixa de sua ficha na Rádio Record, consta como tendo sido 31 de julho de 1942 a data de seu falecimento. Raul Duarte, porém, dizia ser 3 de agosto a data correta. O certo, enfim, é que desaparecia, aos 19 anos de idade, uma das maiores revelações de todos os tempos da música popular brasileira.

Suas 12 gravações – reunidas em um LP da Continental em 1976 - foram relançadas recentemente em CD na coleção "Arquivos Warner".

Fonte: Site samba choro.