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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Carmélia Alves









                                                                                                           (Rio de Janeiro/RJ,  14 de fevereiro de 1923  *******  Rio de Janeiro/RJ, 3 de novembro de 2012)

Carmélia Alves Curvello era a terceira filha do casal Raimundo, nascido no Ceará e Adelina, nascida na Bahia. Carmélia nasceu no bairro carioca de Bangu numa quarta-feira de cinzas. Ainda bem pequena, seus pais mudaram-se para a localidade de Areal, em Petrópolis, onde foi criada. Seu pai, funcionário do escritório do Departamento de Estradas de Rodagem era muito festeiro, tendo formado conjuntos de baile e organizado blocos carnavalescos e festas juninas. Costumava adormecer embalada pelas cantigas nordestinas cantadas pelo pai.

Com 17 anos voltou ao Rio para estudar , indo morar na casa de parentes. Por essa época, começou a interessar-se por música, encantando-se ao ouvir no rádio as músicas cantadas por Carmen Miranda, da qual tornou-se fã, acompanhando seus programas na Rádio Tupi e recortando suas fotografias de revistas. Recebeu muito incentivo do irmão mais velho, Manoel, que também gostava de cantar e achava que a irmã cantava bem.

Durante o período do ginásio, tomou parte em diversos programas de calouros, tendo sido aprovada em todos eles, inclusive, no mais temido de todos, o de Ary Barroso, onde o assistente Macalé fazia soar o gongo eliminando seguidamente os concorrentes. Convidada por Manoel da Nóbrega, outro grande incentivador, participou de seu programa de calouros na Rádio Ipanema. Fez parte do programa "Estrada do Jacó", comandado por Ary Barroso, onde ele apresentava seus melhores calouros.

Terminado o curso ginasial, optou por seguir a carreira artística. Foi casada por 54 anos com o cantor Jimmy Lester, casamento pautado pela harmonia e compreensão.

Sua carreira artística teve início nos anos 1940, quando foi contratada por Barbosa Júnior para apresentar-se com cachê fixo no programa "Picolino", cantando músicas do repertório de Carmen Miranda. Em meados dos anos 1940, obteve chance no conhecido programa "Casé", substituindo uma cantora que havia faltado. Cantou músicas de Carmen Miranda, que nesta época havia viajado definitivamente para os Estados Unidos. Ouvida por César Ladeira, diretor da Rádio Mayrink Veiga, é contratada por essa rádio, que buscava uma substituta para a estrela Carmen Miranda. Ganhou um programa semanal, recebendo 800 mil-réis por mês, uma verdadeira fortuna para a época.

Em 1941, foi contratada como crooner pelo Copacabana Palace, recebendo 100 mil-réis por dia, apresentando-se no programa "Ritmos da Panair", apresentado ao vivo por Murilo Neri, sendo transmitido para todo o Brasil pela Rádio Nacional. Nesse mesmo ano, foi considerada pela crítica especializada do Rio de Janeiro a melhor crooner. Por essa época, conheceu no Copacabana Palace, o paulista de Franca, José Andrade Nascimento Ramos, que apresentava-se cantando músicas americanas, com o nome artístico de Jimmy Lester, e com quem se casou em apenas três meses. Sua carreira ganhou espaço nesse momento, sendo freqüentemente convidada para apresentar-se em outros locais, entre os quais, o programa do "Chacrinha", na Rádio Fluminense.

Participou no coral de várias gravações de outros artistas, entre os quais na gravação de "Aurora", feita por Joel de Almeida e Gaúcho. Participou, também, de inúmeras gravações de Benedito Lacerda na RCA Victor, sempre participando do coro.

Em 1943, gravou seu primeiro disco, financiado com 400 mil-réis de suas economias. Contou com a ajuda do amigo Benedito Lacerda, que acompanhou a gravação com os músicos de seu regional, que nada cobraram pelo trabalho. Participaram do coro inúmeros artistas, que depois se tornariam famosos, Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro e Nélson Gonçalves. Nesse disco pioneiro foram registrados, de Assis Valente, a batucada "Quem dorme no ponto é chofer" e de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro, o samba "Deixei de sofrer". Apesar do sucesso obtido com a gravação, teve que afastar-se um tempo dos discos, pois sendo novata, criara involuntariamente uma situação constrangedora, já que naquele momento de guerra, muitos artistas consagrados não conseguiram gravar. Preferiu, então, excursionar pelo Brasil com o marido. Durante quatro anos apresentou-se em diversas cidades brasileiras. Retornou ao Rio de Janeiro em 1948, retomando seu lugar na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1949, gravou com Ivon Curi a toada "Me leva", de Hervé Cordovil e Rochinha, com orquestração e regência do maestro Radamés Gnattali, que tornou-se seu primeiro grande sucesso e a rancheira "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. No mesmo ano, gravou com o Quarteto de Bronze, o samba "Diga que sim", de Roberto Martins e Ari Monteiro e o choro "Tic-tac do meu relógio", de Dunga. Ainda em 1949, gravou de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, a marcha "Mimoso jacaré" e de Roberto Martins, o samba "Coração magoado". No mesmo ano, gravou de Lauro Maia e Humberto Teixeira o baião "Trem o lá lá" e de Ari Kerner, o balanceio "Trepa no coqueiro", com a orquestra de Severino Araújo, um de seus grandes sucessos.

No ano de 1950, gravou de Hervé Cordovil e Mário Vieira, o baião "Sabiá na gaiola", que estourou como outro grande sucesso, de Luís Bandeira, o cateretê "Dança do pinote" e o samba "Coração magoado", com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo. No mesmo ano, passou a atuar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1951, gravou, de Capiba o frevo-canção "É frevo meu bem", que teve grande êxito em Recife, começando, a partir de então, a ter nos anos seguintes grandes sucessos com frevos. No mesmo ano, gravou de Salvador Miceli e Luiz Antônio, a batucada "Maria pouca roupa", de Humberto Teixeira, o baião "O baião em Paris" e de Luiz Bandeira e Ernâni Seve, o samba "Samba de emergência", entre outras. Ainda neste ano, ela e o marido Jimmy Lester, em viagem ao Nordeste, descobriram o acordeonista Sivuca, atuando na Rádio Comércio do Recife e o levaram para o Rio de Janeiro. Gravou na mesma época, com Jimmy Lester, os baiões "Adeus Maria Fulô", de Humberto Teixeira e Sivuca e "Saudade é de matar", de Hervé Cordovil e Manezinho Araújo. Com Sivuca gravou o pot-pourri "No mundo do baião", com baiões de diferentes autores.

Em 1952, gravou a marcha baião "Dança da mulesta", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. No mesmo ano, gravou de Humberto Teixeira, o baião "Eu sou o baião". Ainda em 1952, gravou com o Trio Melodia, dois pout-pourris, um de sambas e outro de baiões. Gravou com Sivuca ao acordeon os baiões "Maria Joana", de Luís Bandeira e "O vôo do mangangá", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. Na mesma época, reforçou o direcionamento de sua carreira em direção aos ritmos regionais, embora continuasse a gravar sambas. Ingressou no cinema cantando números avulsos e ganhou o título de Rainha do baião, integrando uma verdadeira corte, sendo Luiz Gonzaga, o Rei, Luiz Vieira, o príncipe e Claudette Soares, a princesa, cantando repertório de Carmélia, já conhecida como a Rainha do Baião. Recebeu inúmeros convites para apresentar-se em diversos lugares, inclusive na Argentina, onde viu lançado seu grande sucesso "Sabiá na gaiola". Gravou de Humberto Teixeira e Lauro Maia, o balanceio "O balanceio tem açúcar" e o baião "Baião vai, baião vem", de Hervé Cordovil.

Em 1953, gravou de Humberto Teixeira e Felícia Godoy o samba "Um verdadeiro amor" e de Hervé Cordovil, a marcha-rancho "Que bela rosa". No mesmo ano, gravou as polcas "A viola do Zé", de José Meneses e Luiz Bittencourt. Ainda em 1953, gravou com o Trio Melodia a chula "Pau de arara" de Luiz Bittencourt e José Meneses e a clássica toada "Tristeza do Jeca", de Angelino de Oliveira. Em 1954, gravou de Capiba, o frevo-canção "Vamos pra casa de Noca?", em disco que trazia na outra face, a Orquestra Tabajara de Severino Araújo com o frevo "Camisa velha", de Herman Barbosa. No mesmo ano, gravou as marchas "Carnaval em Caxias", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy e "Marcha dos barbadinhos", de Roberto Martins. Também gravou com Sivuca os pout-pourris "No mundo do baião" III e IV, com diversos compositores.

De 1950 a 1954, manteve-se na gravadora Continental, na Rádio Nacional e no topo das paradas como a Rainha do Baião. Depois de apresentar-se com enorme sucesso na Argentina, viajou com a caravana de Humberto Teixeira indo apresentar-se na Alemanha, onde fez sucesso, sendo convidada a gravar um LP pela Telefunken. O mesmo aconteceu em outros países onde se apresentou. Em Portugal, seu repertório passou a ser utilizado por ranchos regionais. Na então União Soviética, fez um show para 150 mil pessoas. Em 1955, gravou o samba "Falando de amor", de Edu Rocha, João de Oliveira e Pernambuco, a marcha "Disco voador" de Hervé Cordovil e os baiões "Voando prá Paris", de Humberto Teixeira e "Pau-de-arara", de Guio de Morais . Em 1956, gravou os baiões "Baião de Santa Luzia", de Luiz Bandeira e "Vapô de Carangola", de Manezinho Araújo e Fernando Lobo. No mesmo ano, já de viagem marcada para a Europa gravou de Luiz Bandeira o frevo "Quarta-feira ingrata" que se tornou o hino do carnaval pernambucano.

Em 1957, gravou os frevos-canção "É de fazer chorar", de Luiz Bandeira e "Nem que chova canivete", de Capiba. Em 1959, gravou os sambas "Maldade", de Valdemar Gomes e "Recado", de Djalma Ferreira e Luiz Antônio e os baiões "Serenata dos gatos" e "Carreteiro", ambos de Antônio Almeida. Gravou, também, o clássico samba "Gente da noite", do compositor gaúcho Túlio Piva. Por essa época, o casal Carmélia Alves e Jimmy Lester pouco tempo ficou no Brasil, fazendo tournês internacionais nas três Améicas e na Europa. Em 1962, gravou pela Mocambo os sambas "Tem que ter", de Túlio Piva e o clássico "Chiclete com banana", de Almira e Gordurinha. No mesmo ano realizou com enorme sucesso uma série de shows em boates chilenas durante a Copa do Mundo. Em 1963, gravou o frevo-canção "É de Maroca", de Capiba e o samba "O malhador", de Donga, Pixinguinha e Valfrido Silva. Durante a Jovem Guarda, chegou a apresentar-se com o grupo vocal Golden Boys, no programa Silvio Santos na televisão.

Em 1974, gravou pela RGE o LP "Ritmos do Brasil", onde interpretou uma variedade de ritmos musicais brasileiros, entre os quais, o baião "Paraíba feminina", de Hervé Cordovil, o carimbó "Eu vou girar", de B. Lobo e Agnaldo Alencar, o arrasta-pé "Chora viola, chora", de Venâncio e Corumba e o maxixe "Feitiço da Bahia", de Nelson Sampaio. Em 1976, a Continental lançou pela série "Ídolos MPB", o LP "Carmélia Alves", fazendo um histórico da carreira da cantora, com a apresentação de 12 composições, que foram sucesso em sua voz, entre as quais, o balanceio "Trepa no coqueiro", de Ari Kerner, o samba "Coração magoado", de Roberto Martins, os baiões "Sabiá na gaiola", de Hervé Cordovil e Mário Vieira e "Adeus, morena, adeus", de Manezinho Araújo e Hervé Cordovil e a toada baião "Essa noite serenô", de Hervé Cordovil, do filme "Meu destino é pecar".

Em 1977, após 15 anos sem se apresentar para o público carioca, fez antológico show ao lado de Luiz Gonzaga no Teatro João Caetano reabrindo a série "Seis e Meia". Na ocasião interpretou interpretou "Qui nem jiló", "Trepa no coqueiro", "Sabiá lá na gaiola" e "Cabeça inchada", além dos duetos com Gonzaga em "Reis do baião", "Lorota boa" e "Forró do Mané Vito". Na década de 1990, integrou o conjunto "Cantoras do rádio" ao lado de Nora Ney, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales, Ellen de Lima e Violeta Cavalcanti. Em 1993 teve relançado em CD o seu show realizado no teatro João Caetano ao lado de Luiz Gonzaga.

Em 1998, com a morte de Jimmy Lester, entrou em depressão, permanecendo isolada em sua residência de Teresópolis, mas em dois anos já estava de volta às lides, participando de vários shows em São Paulo, inclusive, no Projeto "O Botequim do Cabral" ao lado do crítico Sérgio Cabral.

Em 1999, lançou pelo selo CPC-UMES o CD "Carmélia Alves abraça Jackson do Pandeiro e Gordurinha" no qual interpretou clássicos como "Chiclete com banana", de Gordurinha e José Gomes, "Um a um", de Edgard Ferreira e "Sebastiana", de Rosil Cavalcanti. Em 2000, lançou pelo selo paulista CPC da Umes, com produção de Marcus Vinícius, um CD dedicado a Jackson do Pandeiro e Gordurinha, contando com a participação de Inezita Barroso, Luiz Vieira e Elymar Santos. O lançamento do CD aconteceu através de uma série de shows por todo o Brasil.

Em 2001, apresentou-se no Teatro de Arena ao lado das cantoras Ellen de Lima, Violeta Cavalcanti e Carminha Mascarenhas, no show "Cantoras do rádio -Estão voltando as flores", com apresentação, roteiro e direção de R. C. Albin e que foi gravado em CD pela Som Livre. O espetáculo que teve excelente aceitação, atingindo um público de mais de dez mil pessoas, que aplaudiam de pé, tornou presente diversas memórias da era do rádio, revivendo, por exemplo, logo no início, o prefixo do programa de César de Alencar, apresentado, nos anos 50 na Rádio Nacional.

Em 2002 foi lançado o CD "Estão voltando as flores", com Violeta Cavalcanti, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima, onde ela canta, entre outras, as músicas "Ninguém me ama", "Feitiço da Vila" e "Kalu". Como programação do lançamento do CD, o mesmo espetáculo voltou à cena no Teatro Rival BR em agosto de 2002, com grande sucesso de crítica e público.

Em 2004, apresentou, em temporada no Teatro Ipanema, (RJ), o espetáculo "Tra-lá-lá- Lalá é cem",com direção, roteiro e apresentação de R. C. Albin. O espetáculo fez parte das comemorações do centenário do nascimento do compositor Lamartine Babo. Neste show, Carmélia dividiu o palco com Ellen de Lima, Carminha Mascarenhas e O jovem cantor Márcio Gomes, interpretando canções consagradas, em coro e em solo, do renomado compositor . Ainda no mesmo ano, o mesmo espetáculo ganhou temporada no palco do Teatro João Caetano, no projeto 6 e meia, entusiasmando a platéia.


Nos últimos anos de vida Carmélia sofria com o Mal de Alzheimer. Foi internada e ficou 20 dias no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá. Carmélia faleceu aos 89 anos vitima de complicações cardíacas e teve falência múltipla dos órgãos. O velório da cantora foi realizado no Retiro dos Artistas, zona oeste do Rio de Janeiro. O sepultamento ocorreu no cemitério do Pechincha, próximo ao Retiro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB / IG 




                                          Carmélia Alves interpretando "Isto é Baião" no filme "Tudo Azul" / 1952




                          Luiz Gonzaga e Carmélia Alves em pout-pourri de baiões - Projeto Seis e Meia / 1977



                                                                       Carmélia Alves no Retiro dos Artistas 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Carmen Costa

(Rio de Janeiro/RJ,  5/1/1920 --- Rio de Janeiro/RJ, 25/04/2007)

Carmelita Madriaga nasceu em Trajano de Moraes, interior do estado do Rio de Janeiro.

Seus pais eram meeiros na Fazenda Agulha, onde ainda pequena, começou a trabalhar como doméstica em casa de uma família de protestantes. Foi lá que aprendeu hinos religiosos e demonstrou seu talento de cantora.

Foi para a capital aos 15 anos e se empregou como doméstica na casa de Francisco Alves. Começou a fazer coros em gravações de nomes famosos da MPB e a freqüentar os programas de calouros.

Em 1937, adotou o nome Carmen Costa por sugestão do compositor Henricão, com quem formou uma dupla que passou a se apresentar em feiras pelo país. A carreira solo começou em 1942, quando lançou pela Victor a valsa "Está Chegando a Hora", versão feita por Henricão e Rubens Campos de uma música mexicana ("Cielito Lindo"), que se tornou um sucesso no carnaval daquele ano e de todos os carnavais seguintes. Logo a seguir, gravou "Xamego", de Luiz Gonzaga, sendo uma das primeiras a gravar o compositor.

Em novembro de 1945, casou-se com o norte-americano Hans Van Koehler. Depois de viajar pelo exterior, fixou residência em Nova Jersey, por dois anos.

Como compositora, adotou o pseudônimo de Dom Madrid.

A partir de 1954, baixou os tons de suas músicas e adotou um estilo coloquial de interpretação.

Participou de filmes brasileiros e lançou outro sucesso carnavalesco que se tornou eterno: "Cachaça" (Mirabeau/ H. Lobato/ L. Castro/ Marinósio Filho). Além desse, teve outros êxitos com "Marambaia (Só Vendo que Beleza)" (Henricão/Rubens Campos), "Jarro da Saudade" (Mirabeau/ G. Blota/ D. Barbosa), "Quase" (Mirabeau/ Jorge Gonçcalves) e "Eu Sou a Outra" (Ricardo Galeno). Em 1962, participou do lendário concerto de bossa nova no Carneggie Hall, em Los Angeles. Nessa época, dividiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos. Depois que voltou definitivamente ao Brasil, gravou outros discos e fez shows por todo o país. Em 1996 lançou o CD "Tantos Caminhos".

Por iniciativa do Museu da República (RJ) e da Câmara Municipal da Cidade do Rio de Janeiro, em 2003, a cantora Carmen Costa tornou-se patrimônio cultural do Brasil - com direito a "tombamento" simbólico, como o dedicado a monumentos públicos.

Faleceu de insuficiência renal em 25 de abril de 2007, aos 87 anos de idade, no Hospital Lourenço Jorge no Rio de Janeiro, onde estava internada, tendo seu corpo sido velado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, CliqueMusic.

Celly Campello

(Taubaté/SP, 18 de junho de 1942 ****** Campinas/SP, 4 de março de 2003).

Célia Benelli Campello, nome artísitico de Celly Campello, nasceu em Taubaté, em 18 de junho de 1942.

Foi cantora e precursora do rock no Brasil, surgindo bem antes que a Jovem Guarda. Também trabalhou como atriz e compositora.

Dançou "Tico-Tico no Fubá" aos cinco anos numa apresentação infantil. Com seis anos cantou na Rádio Cacique de sua cidade natal e se tornou uma das participantes do “Clube do Guri” (Rádio Difusora). Estudou piano, violão e balé durante a infância.

Aos doze anos, já tinha seu próprio programa de rádio, também na Rádio Cacique. Com quinze anos(1958), foi para São Paulo junto com o irmão Tony Campello que a acompanhou em boa parte de sua carreira como cantora e atriz, e grava o primeiro disco.

Estreou na televisão no programa "Campeões do Disco", da TV Tupi, em 1958.

Em 1959, ganhou programa próprio junto com seu irmão Tony Campello, chamado "Celly e Tony em Hi-Fi", na Rede Record, o qual apresentou por dois anos.

Sua carreira explodiu em 1959 com a versão brasileira de "Stupid Cupid", que, no Brasil, virou "Estúpido Cupido". A música foi lançada no programa do Chacrinha e se tornou um sucesso em todo país no ano de 1959. Nesse mesmo ano filma com Mazzaropi “Jeca Tatu”.

Gravou vários outros sucessos como: "Lacinhos Cor-de-Rosa", "Billy", "Banho de Lua" entre muitos que lhe renderam vários prêmios e troféus, inclusive no exterior, e lhe deram o título de "Rainha do Rock Brasileiro".

Para tristeza de toda uma geração que se espelhou no seu trabalho, Celly largou a carreira no auge, para se casar. Foi em 1962, com José Eduardo Gomes Chacon.

Nos anos 70, foi trazida de novo ao sucesso graças a telenovela "Estúpido Cupido" da TV Globo, na qual também aparece em algumas cenas. Tentaria retomar a carreira, mas, com o término da novela, voltou para o ostracismo.

Faleceu de câncer em 04 de março de 2003, na cidade de Campinas, SP.

Fonte: Wikipédia
Fotos obtidas no Site Não Oficial Celly Campello - Terra

Cazuza

(Rio de Janeiro/RJ, 4 de abril de 1958 - Rio de Janeiro/RJ, 7 de julho de 1990)

Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido como Cazuza, nasceu no Rio de Janeiro, em 4 de abril de 1958.

Seu pai, João Araújo, de ascendência nordestina, certo de que sua mulher Lúcia teria um menino, começou a chamá-lo de Cazuza, mesmo antes de seu nascimento. Batizado como Agenor de Miranda Araújo Neto, desde cedo o menino preferiu o apelido. O nome ele só viria a aceitar mais tarde, ao saber que Cartola, um dos seus compositores prediletos, também se chamava Agenor.

Cazuza foi criado em Ipanema, habituado à praia. Os pais - ele, divulgador da gravadora Odeon; ela, costureira - não eram ricos mas o matricularam numa escola cara, o colégio Santo Inácio, dos padres jesuítas. Como às vezes tinham que sair à noite, o filho único se apegou à companhia da avó materna, Alice. Quieto e solitário, foi um menino bem-comportado na infância.

Na adolescência, porém, o gênio rebelde do futuro roqueiro se manifestaria. Cazuza terminou o ginásio e o segundo grau a duras penas, e, depois de prestar vestibular para Comunicação, só porque o pai lhe prometera um carro, desistiu do curso em menos de um mês de aula. Já vivia então a boemia no Baixo Leblon e o trinômio sexo, drogas e rock 'n' roll. Que ele amasse Jimi Hendrix, Janis Joplin e os Rolling Stones, tudo bem. Mas vir a saber que se drogava e que era bissexual, isso, para a supermãe Lucinha, não foi nada fácil. Assim como não foi, para o pai, ter que livrá-lo de prisões e fichas na polícia, por porte e uso de drogas.

João Araújo não queria o filho na vagabundagem e, em 1976, arrumou emprego para ele na gravadora Som Livre, onde já era presidente. Lá, Cazuza trabalhou no departamento artístico, fazendo a primeira triagem de fitas de cantores novos, e na assessoria de imprensa. Depois foi divulgador de artistas na gravadora RGE, e, após sete meses de um curso de fotografia na Universidade de Berkeley, deu alguns passos como fotógrafo. Mas nada disso o satisfazia.

Graças, contudo, a um outro curso - de teatro, dado pelo ator Perfeito Fortuna (grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone) - Cazuza acharia o seu papel. Não seria representar, mas cantar. É que na montagem da peça "Pára-quedas do coração", conclusão do curso, tudo o que ele fez foi soltar a voz, vindo a gostar muito da experiência. Afinal, música ele já respirava desde criança. Em casa mesmo, se acostumara a conviver com a presença de estrelas da MPB que seu pai produzia.
Roberto Frejat, guitarrista; Dé, baixista; Maurício Barros, teclados; Guto Goffi, baterista. Era 1981 e esses garotos precisavam de um vocalista para completar sua banda. Os ensaios aconteciam na casa de um deles no bairro de Rio Comprido, onde um dia apareceu Cazuza, enviado pelo cantor Léo Jaime. Sua voz, era adequadamente berrada para os rocks de garagem que os quatro faziam, agradou muito. Animado, o novo integrante resolveu então mostrar as letras que, na surdina, vinha fazendo havia tempos. Rapidamente o grupo, que se chamava Barão Vermelho e só tocava covers, começou a compor e aprontou um repertório próprio.

Dos primeiros shows, em pequenos teatros da cidade, ao disco de estréia foi um pulo. No início de 1982, uma fita demo chegou aos ouvidos do produtor Ezequiel Neves, que, entusiasmado, a mostrou a Guto Graça Mello, diretor artístico da Som Livre. Juntos, eles convenceram João Araújo - de início, relutante, na condição de pai do cantor - a lançar a banda. Com uma produção baratíssima, "Barão Vermelho", gravado em dois dias, obteve boa recepção da parte de artistas. Entre estes, um dos maiores ídolos de Cazuza, Caetano Veloso, que incluiu "Todo amor que houver nessa vida" no repertório de seu show e criticou as rádios por não tocarem as músicas do grupo.

"Todo amor que houver nessa vida" (registrada também, mais tarde, por Gal Costa, Caetano Veloso e outros intérpretes) foi um dos destaques de um disco que revelou ainda "Down em mim", "Billy Negão" e "Bilhetinho azul". No repertório predominavam rocks básicos, dançantes e juvenis, mas havia também blues, um gênero com o qual Cazuza se identificava desde que descobrira Janis Joplin. Sobre essas músicas o rouco cantor desfilava letras falando despudorada, escancaradamente de amor, prazer e dor. Ao sair o segundo disco, a reiteração dessas qualidades de estilo repercutiu na imprensa. Alguns críticos não tardaram a identificar ali a influência de mestres da dor-de-cotovelo, como Lupicínio Rodrigues, e da fossa, como Dolores Duran e Maysa - o outro lado da formação musical de Cazuza.

Bem melhor gravado, "Barão Vermelho 2" foi lançado em julho de 1983. O álbum ainda não seria um sucesso comercial (vendeu cerca de 15 mil cópias, quase o dobro do primeiro), mas manteve o alto nível do repertório anterior, e arregimentou um público maior para a banda com músicas como "Vem comigo", "Carne de pescoço", "Carente profissional" e "Pro dia nascer feliz". Esta última consolidaria a dupla Frejat-Cazuza, tornando-se um grande sucesso no registro feito por Ney Matogrosso, a primeira estrela da MPB a gravá-los. A escalada do grupo nas paradas, contudo, estava prestes a acontecer.

Se com "Bete Balanço", filme de Lael Rodrigues, o rock brasileiro dos anos 80 chegou às telas de cinema, com a música-título, feita de encomenda para a trilha, o Barão Vermelho chegou ao grande público. Registrada num compacto do início de 1984, a canção estourou, virando um marco no trajeto da banda, que também contracenava no filme. A música acabou incluída no terceiro LP, lançado em setembro daquele ano, para ajudar a sua comercialização. O que talvez nem tivesse sido necessário, pois "Maior abandonado", impulsionado pela faixa homônima, atingiu em dois meses a marca das 60 mil cópias vendidas, e em seis, das 100 mil.

Suas atitudes irreverentes e declarações espalhafatosas, fizeram com que aparecesse cada vez mais como artista e personalidade. A princípio, tudo isso só contribuía para chamar a atenção para o grupo todo.

Com o sucesso, e , conseqüentemente, com a maior exigência de profissionalismo, as diferenças se ressaltaram. O temperamento irriquieto de Cazuza pouco se adequava a uma agenda cada vez mais sobrecarregada de ensaios e entrevistas. Os desentendimentos foram crescendo. Em janeiro de 1985, o Barão fez uma bem-sucedida participação no festival Rock 'n Rio, abrindo shows para grandes atrações do rock internacional. A continuidade do sucesso, porém, não conseguiu evitar a separação do grupo. Em julho, quando o material para o próximo disco já estava selecionado, a notícia chegou aos jornais: enquanto os outros seguiriam com a banda, sua estrela partiria para uma brilhante carreira solo.

Poucos dias depois, Cazuza voltava a ser notícia. Tinha sido internado num hospital do Rio com 42 graus de febre. Diagnóstico: infecção bacteriana. O resultado do teste HIV, que ele exigiu fazer, dera negativo. Mas naquela época os exames ainda não eram muito precisos.

Gravado com outros músicos, o álbum "Cazuza" apresentou uma sonoridade mais limpa que a do Barão. Lançado em novembro de 1985, o disco inaugurou a fase individual do cantor e uma série de parcerias. Entre os co-autores das músicas figuraram dois antigos colaboradores: Frejat, que continuou parceiro e amigo de Cazuza, e Ezequiel Neves, outro velho e grande amigo, co-produtor, desde os tempos do Barão, de todos os seus discos.

Cazuza assinou os maiores hits do novo álbum: em parceria com Ezequiel e Leoni, o rock "Exagerado", emblemático da sua persona romantico-poética, e a balada "Codinome Beija-flor", com Ezequiel e Reinaldo Arias. Mais dois rocks ficaram notórios. "Medieval II" e "Só as mães são felizes", que teve sua execução pública proibida pela censura. Escandalosa, a letra homenageou artistas malditos, como o escritor beat Jack Kerouac, citado no verso-título.

Lançado em março de 1987, "Só se for a dois" foi o primeiro álbum de Cazuza fora da Som Livre, que resolvera dissolver o seu cast. Disputado por várias gravadoras, ele se transferiu para a Polygram, a conselho do pai. A essa altura, apesar da imagem de artista "louco", sua postura profissional já era outra. O rompimento com o Barão, junto com a liberdade artística que almejara, trouxera também a exigência de mais seriedade.

"Só se for a dois" acrescentou novos sucessos à sua carreira, a começar pela canção-título, mas a música que estourou mesmo foi o pop-rock "O nosso amor a gente inventa (estória romântica)". Em seguida ao lançamento, uma turnê nacional mostrou um show mais elaborado que os anteriores, em termos de cenário e iluminação. Cazuza se aprimorava e decolava: seus espetáculos lotavam, suas músicas tocavam e a crítica elogiava seu trabalho.

A essa época, contudo, ele já sabia que estava com Aids. Antes de estrear o show "Só se for a dois", tinha adoecido e feito um novo exame. A confirmação da presença do vírus iria transformar sua vida e sua carreira.

Em outubro de 1987, após uma internação numa clínica do Rio, Cazuza foi levado pelos pais para Boston, nos Estados Unidos. Lá, passou quase dois meses críticos, submetendo-se a um tratamento com AZT. Ao voltar, gravou "Ideologia" no início de 1988, um ano marcado pela estabilização de seu estado de saúde e pela sua definitiva consagração artística. O disco vendeu meio milhão de cópias. Na contracapa, mostrou um Cazuza mais magro por causa da doença, com um lenço disfarçando a perda de cabelo em função dos remédios. No seu conteúdo, um conjunto denso de canções expressou o processo de maturação do artista.

"O meu prazer agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll", confessava ele, em "Ideologia". E: "Eu vi a cara da morte/ E ela estava viva", em "Boas novas". Rico e diverso, o repertório trouxe ainda um blues, o "Blues da piedade", uma canção "meio bossa nova e rock 'n' roll", "Faz parte do meu show", grande sucesso, e o rock-sambão "Brasil", que faria um sucesso ainda maior com Gal Costa. Tema de abertura da novela "Vale tudo", da Rede Globo, "Brasil" fez um comentário social forte sobre o país, com versos como "meu cartão de crédito é uma navalha". No disco, a temática social apareceu também em "Um trem para as estrelas", feita com Gilberto Gil para o filme homônimo de Carlos Diegues.

Ainda em 1988, Cazuza recebeu o Prêmio Sharp de Música como "melhor cantor pop-rock" e "melhor música pop-rock", com "Preciso dizer que te amo", composta com Dé e Bebel Gilberto, e lançada por Marina. E apresentou no segundo semestre seu espetáculo mais profissional e bem-sucedido, "Ideologia". Dirigido por Ney Matogrosso, Cazuza buscou valorizar o texto no show, pontuado pela palavra "vida". Substituiu a catarse das performances anteriores por uma postura mais contida no palco. Tal contenção, porém, não o impediu de exprimir sua verve agressiva e escandalosa num episódio que causou polêmica. Cantando no Canecão, no Rio, cuspiu na bandeira nacional que lhe fora atirada por uma fã.

O show viajou o Brasil de norte a sul, virou programa especial da Globo e disco. Lançado no início de 1989, "Cazuza ao vivo - o tempo não pára" chegou ao índice de 560 mil cópias vendidas. Reunindo os maiores sucessos do artista, trouxe também duas músicas novas que estouraram: "Vida louca vida", de Lobão e Bernardo Vilhena, e "O tempo não pára", de Cazuza e Arnaldo Brandão. Esta - título do trabalho - condensou, numa das letras mais expressivas de Cazuza, a sua condição individual, de quem lutava para se manter vivo, com a do povo brasileiro.

Foi pouco depois do lançamento do álbum que ele reconheceu publicamente que estava com Aids, sendo a primeira personalidade brasileira a fazê-lo. Era então notória -e notável - a sua afirmação de vida. À medida que seu estado piorava, ao contrário de se deixar esmorecer ante a perspectiva do inevitável, Cazuza, ciente do pouco tempo que lhe restava, passou a trabalhar o mais que podia. Entrou num processo compulsivo de composição e gravou, de fevereiro a junho de 1989, numa cadeira de rodas, o álbum duplo "Burguesia", que seria seu derradeiro registro discográfico em vida.

O trabalho seguiu um conceito dual - num dos discos, de embalagem azul, prevalecia o gênero rock; no outro, de capa amarela, MPB. Entre as suas últimas novidades, com a voz nitidamente enfraquecida, Cazuza apresentou clássicos de outros autores (como Antonio Maria, Caetano Veloso e Rita Lee) e duas músicas feitas com novas parceiras, Rita Lee e Ângela Rô Rô. A canção-título, com uma letra extensa atacando os valores da classe burguesa, chegou a ser tocada nas rádios, mas o álbum não obteve sucesso comercial e foi recebido discretamente pela crítica.

Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi assim que ele morreu, pouco depois - a 7 de julho de 1990. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sua sepultura está localizada próxima às de astros da música brasileira como Carmen Miranda, Ary Barroso, Francisco Alves e Clara Nunes.

Fonte: Site Cazuza 

Clementina de Jesus

(Valença/RJ, 7 de fevereiro de 1901 ******* Rio de Janeiro/RJ. 19 de julho de 1987)

A cantora Clementina de Jesus da Silva, conhecida como Tina ou Quelé, nasceu em 7 de fevereiro de 1901, na cidade Valença, RJ.

Ainda menina, costumava acompanhar a mãe, uma lavadeira que gostava de cantar corimas, jongos, lundus, incelenças e modas, enquanto trabalhava. Foi provavelmente nessa época que aprendeu os cantos de escravos que, anos mais tarde, fariam a sua fama.

Com apenas dez anos, foi morar com a família em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Um vizinho, que sempre escutava a menina Clementina de Jesus cantando dentro de casa, ofereceu para a garota o papel de solista em procissões e festas religiosas. Após a morte do pai, a situação financeira da família ficou muito complicada e Clementina de Jesus não teve alternativa a não ser trabalhar como empregada doméstica, lavadeira e passadeira. Durante mais de 20 anos, essas foram as atividades que a sustentaram.

Pouco tempo antes de morrer, em um depoimento, Clementina de Jesus disse que todos os integrantes da casa onde trabalhou como empregada doméstica gostavam de ouvi-la cantar, com exceção da proprietária, que dizia que a sua voz era irritante, por parecer um miado de gato. No final dos anos 20, passou a freqüentar blocos de Carnaval que, depois, seriam transformados em escolas-de-samba.

Em 1940, Clementina de Jeseus casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho, em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro". Esse show viajou para algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê".

Devota de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, Clementina de Jesus participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando músicas de romaria.

Considerada rainha do partido-alto, com seu timbre de voz inconfundível, Clementina de Jesus foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?".

Além daquele gênero, Clementina de Jesus gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc., recuperando a memória da conexão afro-brasileira.

Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.

Clementina de Jesus gravou quatro discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos" e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó".

Em 1983, Clementina de Jesus foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do samba.

O compositor Paulinho da Viola, que teve duas músicas de sua autoria, "Essa Nega Pede Mais" e "Na Linha do Mar" incluídas no disco "Marinheiro Só", um dos maiores sucessos de Clementina de Jesus, contou em diversas entrevistas que a cantora era fascinante. "Tudo o que se fala de Clementina de Jesus não tem a dimensão da presença dela. Ouvi-la cantando, sentada, com o seu vestido de renda, era algo absolutamente fascinante, difícil de transmitir, de traduzir em palavras."

Pobre, Clementina de Jesus morreu aos 85 anos, no dia 19 de julho de 1987.


Fontes: Sites Cifra Antiga; Samba e Choro

Carmen Miranda

(Marco de Canaveses/Portugal , 9 de Fevereiro de 1909 — Los Angeles/EUA, 5 de Agosto de 1955)

Maria do Carmo Miranda da Cunha, conhecida como Carmen Miranda, nasceu em 9 de fevereiro de 1909, na Freguesia de Várzea da Ovelha, pertencente ao Conselho de Marco de Canavezes, antiga São Martinho da Aliviada, no Distrito do Porto, em Portugal. Recebeu o nome Maria do Carmo em homenagem à sua madrinha Da. Maria do Carmo Pinto Monteiro. Foi batizada na Igreja de São Martinho da Aliviada. Era filha de José Maria Pinto da Cunha e de Maria Emilia Miranda da Cunha.

Os filhos do casal, pela ordem são: Olinda, Maria do Carmo (Carmen), Amaro, Cecilia, Aurora, Oscar.

Carmen nasceu numa casa assobradada de pedra, no ponto hoje chamado de Obras Novas, na citada freguesia.

O nome "Carmen" trata-se de abreviação de Maria del Carmen, que é o mesmo que Maria do Carmo. De origem espanhola, foi muito difundido em razão da ópera "Carmen" de Bizet, a partir de 1875. Comumente, quem tem por nome Maria do Carmo é chamada de Carmen ou Carminha. Não foi Carmen um nome artístico, mas, primeiramente, familiar.

Em 1910, aconteceu a vinda de Carmen com a mãe e Olinda para o Brasil. O pai já se tinha antecipado, estabelecendo-se com um salão de barbeiro — mais tarde denominado "Salão Sacadura" — à Rua da Misericórdia nº 70, no Rio.

Carmen Miranda é matriculada, em 1919, na Escola Santa Tereza, na Rua da Lapa nº 24, no Rio.

A família Miranda da Cunha, então residindo à Rua Joaquim Silva nº 53, casa 4, na Lapa, em 1925, muda-se para um sobrado da Travessa do Comércio nº 13, no centro comercial do Rio, entre a Praça 15 (Arco do Teles) e a Rua do Ouvidor, nele instalando uma pensão, para fazer face às despesas com o tratamento pulmonar de Olinda em Portugal, num sanatório do Caramulo. Carmen, aos 14 anos, deixa a escola e emprega-se numa loja de gravatas como balconista. A pensão, dirigida por Dona Maria, com o auxílio dos filhos, servia refeições aos rapazes do comércio. Olinda morreu em 1931, com 23 anos. Tinha linda voz. Chegou a cantar música popular no Teatro Lírico. A vocação artística — todos cantaram e bem — provém do lado materno. Olinda morreu em Portugal acompanhando, por cartas e discos, a carreira já vitoriosa de Carmen.

Em 26 de setembro de 1926, a revista "Selecta" publica o retrato de Carmen, na seção de cinema do jornalista Pedro Lima, sem citação de seu nome.

Em 1929, Carmen Miranda canta num festival, organizado pelo baiano Aníbal Duarte, no Instituto Nacional de Música no centro do Rio. Josué de Barros, compositor e violonista baiano, passa a se interessar por sua carreira — promove-a junto às estações de rádio, clubes e gravadoras.

Na condição de aluna do professor Josué de Barros, em 5 de março de 1929, com outras mocinhas, Carmen canta modinhas na Rádio Educadora. No dia 10 de março de 1929, apresenta-se na Rádio Sociedade.

No mesmo ano, grava, provavelmente em setembro, seu primeiro disco na Brunswick (Lado A: "Não Vá Sim'bora", samba, Lado B: "Se O Samba É Moda", chôro), lançado no fim do ano. Nesse ínterim, à espera do lançamento, continuava cantando onde pudesse.

Em 12 de outubro de 1929, Carmen Miranda canta na Rádio Educadora, com Zaira de Oliveira e Elisa Coelho.

Grava seu primeiro disco na Víctor, em 4 dezembro de 1929, com "Triste Jandaia" e "Dona Balbina", depois que Josué conseguiu um teste com Rogério Guimarães, diretor da gravadora.

Em 13 de dezembro de 1929, canta na Mayrink Veiga, acompanhada por Rogério Guimarães.

Em fevereiro de 1930, é lançada a música "Tá hi", consagrando-a nacionalmente durante o ano. No carnaval, é muito cantada a marcha "YáYá YôYô".

No mês seguinte, Carmen Miranda participa no "Praia Clube" de uma festinha em homenagem às misses candidatas ao título de "Miss Rio de Janeiro" e, em abril, participa da "Noite Brasileira de Francisco Alves", do concurso dos cigarros "Monroe", no Teatro República.

Nos meses seguintes Carmen Miranda participa da "Tarde da Alma Brasileira", no Teatro Lírico, do programa lítero-musical, no Palácio Teatro, em homenagem à Senhorita Marina Torre, "Miss Rio de Janeiro", da "Tarde do Folclore Brasileiro", no Teatro Lírico, organizada por Pixinguinha.

No mês de junho de 1930, promove o seu próprio festival, o "Festival Carmen Miranda", no Teatro Lírico.Em seguida, o jornal "O País" publica uma entrevista com Carmen, já a considerando a maior cantora popular brasileira.

Em agosto de 1930, assina em São Paulo um contrato para gravações na Victor. No mesmo mês, comparece à festa de "O Melhor Escoteiro do Brasil",promovida pelo "Diário Carioca", como simples espectadora. "Carmen Miranda!" é o que se ouve nos quatro cantos do teatro. É que a querida cantora estava na platéia e o público que a festeja, como artista de mérito que é, reclama sua presença no palco, não sendo, porém, satisfeito." (Diário Carioca, 29 de agosto de 1930).

Em 1º de outubro de 1931, Carmen Miranda embarca com Francisco Alves e Mário Reis, e outros artistas, para Buenos Aires, com contrato de um mês no Cine Broadway.

Em 28 de janeiro de 1932, apresenta-se no Cine Eldorado, com Almirante, "Grupo da Guarda Velha", Lamartine, Trio T.B.T., para promover as músicas de carnaval da Victor.

Em 6 de março de 1933, aconteceu a estréia de seu primeiro filme, "A Voz do Carnaval", no Cine Odeon.

Em agosto de 1933, Carmen Miranda assinou contrato de 2 anos com a Rádio Mayrink Veiga, para ganhar 2 contos de réis mensais. Em caso de rescisão, 10 contos de multa. Era a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando todos recebiam cachê. Nesse mês, para assumir a direção artistica da Mayrink, chegava César Ladeira, famoso "speaker". Procedia da Rádio Record. Carmen era chamada de "Cantora do It". César batizou-a de "Ditadora Risonha do Samba" e, em 1934 ou 1935, de "Pequena Notável".

Em 30 de outubro de 1933, foi a vencedora do concurso "A Nação-Untisal", embarca para Buenos Aires com outros artistas, para cantar na L.R.-5. Volta em 5 de dezembro de 1933. Começa a ser chamada de "Embaixatriz do Samba".

Em julho de 1934, veio ao Brasil o astro de cinema Ramon Novarro, para promoção do filme "Voando para o Rio" — Carmen cantou numa recepção ao artista. Comentavam-se já suas possibilidades em Hollywood.

Em 4 de fevereiro de 1935, estréia do filme "Alô, Alô Brasil" no Cine Alhambra o primeiro filme brasileiro com som direto na película.

Em 1º de dezembro de 1936, estréia na Rádio Tupi, que a tirou da rádio Mayrink Veiga à custa de um fabuloso contrato de 5 contos de réis por mês, para 4 horas mensais, isto é, dois programas semanais de meia hora.

Tyrone Power e sua noiva Annabella visitam o Rio, em dezembro de 1938, e tornam-se amigos de Carmen. Tyrone vê possibilidades de Carmen vencer em Hollywood. Carmen recebia 30 contos de réis por mês no Cassino da Urca.

No mês seguinte, Carmen Miranda canta para 200 mil pessoas na "Feira de Amostras", no concurso oficial de músicas carnavalescas é a mais ovacionada.

Em 3 de maio de 1939, de partida para os Estados Unidos, Carmen Miranda despede-se do público num espetáculo no "grill" do Cassino da Urca. No dia seguinte, embarca pelo vapor "Uruguai" com o "Bando da Lua" para os Estados Unidos. A bordo ganha o primeiro prêmio num baile à fantasia.

Em 17 de maio de 1939, chega a Nova York e declara à imprensa: "Vocês verão principalmente que sou cantora e tenho ritmo". Dias depois, estréia na revista "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso. Já popular, é homenageada no Jockey Club da cidade com um páreo que leva seu nome. Dizia a imprensa: "sua graça pode ser comparada a dos ídolos de um antigo templo asteca (sic)".

No mês seguinte, Carmen Miranda estréia em Nova York com o "Bando da Lua", revolucionando a Broadway, a "Feira Mundial" e toda Nova York. Dias depois, participa em Nova York, com o "Bando da Lua", de programa na NBC para o Brasil, apresentado por César Ladeira.

Em 26 de dezembro de 1939, grava seus primeiros discos na Decca

Participa, em fevereiro de 1940, apenas cantando, das filmagens de "Serenata Tropical". É filmada em Nova York, sem interromper a revista e shows em clubes noturnos, hotéis e "Feira Mundial".

No mês seguinte, exibe-se durante banquete ao Presidente Roosevelt na Casa Branca, por motivo de seu 7º ano de ascensão à presidência.

Em 10 de julho de 1940. retorna ao Brasil pelo navio "Argentina" e tem triunfal acolhida do povo no cais e nas ruas do Rio. Cinco dias depois, tem fria recepção no espetáculo de caridade no Cassino da Urca, acusada de se ter americanizado Em 12 de setembro de 1940, voltou à Urca para receber nova consagração.

Entre 2 e 27 de setembro de 1940, grava suas últimas músicas no Brasil, quase todas repelindo as críticas de sua americanização e retorna, em 3 de outubro de 1940, aos Estados Unidos.

Em 25 de março de 1941, imprime suas mãos e sapatos no cimento da calçada do Teatro Chinês de Los Angeles, primeira e única sul-americana a receber tal honraria.

De 1941 a 1953, atua em mais 13 filmes em Hollywood sua presença também é constante nos mais importantes programas de rádio, televisão, "night-clubs", cassinos e teatros. Em 1946, é a mulher que mais paga imposto de renda nos E.U.A.

Em 17 de março de 1947, casa-se com o americano David Sebastian, nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908.

No mês seguinte, estréia em sua temporada no Teatro Palladium de Londres. Contratada para 4 semanas, teve de ficar 6. Ganhou 100.000 dólares.

Em agosto de 1948, perdeu o filho que esperava.

Em 1951, é a artista de show que mais dinheiro ganha nos E.U.A. Nesse ano visita o Havai. Em março de 1953, começa uma excursão a vários países da Europa.

Depois de 14 anos de ausência, volta ao Brasil em dezembro de 1954 — faz breve escala em São Paulo. Estava com profundo esgotamento nervoso. Matou as saudades, compareceu a teatros e festas, foi muito homenageada. Restabelecida, volta aos E.U.A, em 4 de abril de 1955.

De Maio a Agosto de 1955, trabalhou em Las Vegas, Havana em Cuba e na televisão.

No dia 5 de agosto de 1955, Carmen Miranda morre em sua casa de Beverly Hills (Bedford Drive 616), Los Angeles, com 46 anos de idade, vítima de um colapso cardíaco, após filmar com Jimmy Durante um programa para a televisão.

Em 12 de agosto de 1955, chega o corpo de Carmen Miranda embalsamado, realizando-se o velório na antiga Câmara de Vereadores do Rio. Das 13 horas desse dia até às 13 horas do dia 13, mais de 60.000 pessoas desfilaram perante seu corpo.

Seu corpo é sepultado em 13 de agosto de 1955, no Cemitério de São João Batista, em lote cedido pela Santa Casa de Misericórdia. O acompanhamento —entre 500.000 a um milhão de pessoas — foi o mais concorrido de toda a história do Rio, debaixo de profunda comoção popular, apesar dos 15 anos sem nenhuma apresentação pessoal de Carmen no Brasil e já transcorridos 8 dias de seu falecimento. O Hospital Souza Aguiar atendeu a 182 casos de crise emocional. Uma das dezenas de missas rezadas pela sua alma foi na Catedral da Sé de São Paulo, por Frei José de Guadalupe Mojica.

Em 5 de dezembro de 1956, o prefeito Negrão de Lima assina a Lei nº 886, que cria o Museu Carmen Miranda, para guarda, conservação e exposição do acervo da artista, doado pelo marido, constante de sapatos, roupas, jóias e troféus.

Em 7 de novembro de 1960, é inaugurado o busto de Carmen Miranda, esculpido por Matheus Fernandes e do busto de Francisco Alves, no Largo da Carioca. Posteriormente, em virtude de obras no local, foi recolhido a um depósito.

Fontes: Cronologia elaborada pelo jornalista e historiador Abel Cardoso Junior (1938-2003), no site Carmen Miranda.Nom

Chico Sciense

(Olinda/PE, 13 de março de 1966 — Recife/PE, 2 de fevereiro de 1997)

Nascido em Olinda/PE, Francisco de Assis França tornou-se conhecido como Chico Science.

Iniciou-se nas artes em um grupo de hip-hop pernambucano, ainda no início dos anos 80, no qual grafiteiros, músicos e dançarinos curtiam o melhor da música negra norte-americana. Ainda nessa década (no final), participou de algumas bandas, como Orla Orbe e Loustal (Chico, Lúcio Maia e Alexandre Dengue), bandas que seguiam a tendência do hip hop, do soul e do funk.Ao entrar para o bloco afro 'Lamentos"(trabalhava com educação popular no centro comunitário Daruê Malungo), do subúrbio de Peixinhos, em Olinda, em 1991, fundiu sua música com ritmos nordestinos, particularmente o Maracatu. Ao fazer tal mistura resolveu formar seu grupo, o Nação Zumbi(Chico (voz), Lúcio (guitarra) e Dengue (baixo) juntaram-se Toca Ogam (percussão/efeitos), Canhoto (caixa), Gira (tambor), Gilmar Bola 8 (tambor) e Jorge du Peixe (tambor). Canhoto não ficou muito tempo, sendo substituído por Pupilo. A partir dessa formação o grupo começou a se apresentar em Recife e Olinda, iniciando, junto com a banda Mundo Livre S/A, o movimento "mangue beat". No ano de 1991, em Olinda (Espaço Oásis), aconteceu o primeiro show da banda, com o nome provisório de "Loustal & Lamento Negro", numa festa chamada "Black Planet". Neste mesmo ano, Chico Science e Fred Zero Quatro (do grupo Mundo Livre S/A) escreveram um Release, que acabou virando um manifesto do movimento Manguebeat, o Manifesto dos Caranguejos com cérebro, que tem como símbolo, uma antena parabólica colocada na lama.

Em 1993 fez uma rápida turnê por São Paulo e Belo Horizonte, onde chamou a atenção da mídia. Logo depois o grupo gravou o primeiro disco no estúdio Nas Nuvens (Sony Music), 'Da Lama ao Caos", projetando-o nacionalmente. No segundo disco, "Afrociberdelia", o grupo buscou um caminho mais pop e eletrônico, contando com diversas participações especiais, entre elas Gilberto Gil, Fred 04 (mundo livre s/a) e Marcelo D2 (Planet Hemp). O sucesso foi estrondoso e levou Chio Science e a Nação Zumbi (CSNZ) a uma carreira internacional, com grande aprovação de público e crítica. O grupo excursionou pela Europa e Estados Unidos.

O Nação Zumbi, após a morte do fundador do grupo, lançou um cd duplo, em 1998, com músicas novas e versões ao vivo remixadas por DJs.

Muitas bandas e cantores foram influenciados por seu trabalho, como as conterrâneas Mundo Livre S/A, Bonsucesso Samba Clube, as mais recentes Cordel do Fogo Encantado, Mombojó e Otto, passando por Sepultura (mais especificamente o álbum Roots), Cássia Eller (intérprete de músicas como Corpo de Lama e Quando a Maré Encher), Fernanda Abreu (álbum Raio X) e Arnaldo Antunes (álbum O Silêncio), além da antiga parceira e ainda em atividade: Nação Zumbi.

Em fevereiro de 1997, aos 33 anos, um acidente de carro, na rodovia entre Olinda e Recife, provocou a morte do cantor. A família de Chico Science recebeu indenização de cerca de 10 milhões de reais da montadora Fiat.

Chico gravou dois discos (já citados acima). Em 200, recebeu homenagem do prêmio Multishow, do canal da Globosat.

Cyro Monteiro

(Rio de Janeiro/RJ, 28/05/1913 ******* Rio de Janeiro/RJ, 13/07/1973)

O cantor e compositor Cyro Monteiro nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de maio de 1913, na Estação do Rocha, sendo o quarto de nove irmãos, todos com nomes começados com "C".

Era sobrinho do grande pianista de samba Nonô (Romualdo Peixoto) e tio de Cauby Peixoto.

Cyro Monteiro passou a infância e a juventude em Niterói. Cantava em festas e rodas de amigos. Fazia dueto com seu irmão Careno, inspirados na dupla Sylvio Caldas-Luiz Barbosa.

Numa emergência, em 1933, já que conhecia todo o repertório deles, a pedido do próprio Sylvio, foi substituir Luiz Barbosa num programa da Rádio Educadora. Preferiu, porém, voltar a Niterói, e não desfazer a dupla com o irmão.

No ano seguinte, foi levado para um teste na Rádio Mayrink Veiga. Aprovado, Cyro Monteiro foi escalado para um programa diurno, mas logo subiria para os noturnos, com Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Gastão Formenti e outros cartazes. Se Luiz Barbosa marcava o ritmo no chapéu de palha e Joel de Almeida foi seu seguidor, Cyro Monteiro descobriu na caixa de fósforo sua característica "instrumental".

Gravou seu primeiro disco na Odeon, para o carnaval de 1936, com sambas "Vê Se Desguia" e "Perdoa", sem maior repercussão, mesmo porque o ano foi concorridíssimo.

Em 1937, por encomenda, para promoção da festa da Uva de Jundiaí, gravou dois discos particulares na R.C.A. Victor. Finalmente, em meados de 1938, gravou o samba "Se Acaso Você Chegasse", de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, que abriu o caminho para ele e Lupicínio. Era seu primeiro disco na R.C.A. Victor.

Depois de um curto período de afastamento, lançou pela CBS o LP "Senhor samba". Na ocasião foi incentivado por Paulo Marques e Roberto Corte Real, daquela gravadora. Voltou para a Rádio Mayrink Veiga na mesma época e começou a participar de programas de televisão. Em seguida gravou outro LP pela CBS, "Senhor samba", volume 2.

Em 1965, passou a atuar no programa "Bossaudade", da TV Record, apresentado pela cantora Elizeth Cardoso. Desse programa resultou um LP gravado pela Copacabana ao vivo, com o Regional de Caçulinha. No mesmo ano, participou em São Paulo, juntamente com Dilermando Pinheiro, do espetáculo "Telecoteco Opus nº 1", produzido por Sérgio Cabral. O espetáculo fez grande sucesso e acabou virando LP pela Phillips, do qual constavam as músicas: Alô, João, em parceria com Baden Powell; Minha palhoça, de J. Cascata; Emília, de Wilson Batista e Haroldo Lobo; Florisbela, de Nássara e Eratóstenes Frazão; e o samba Formosa, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, que ele havia lançado no programa "O fino da bossa", em 1965. Nesse programa, sua presença era constante, participando, ao lado de Elis Regina, de vários números que fizeram história.

Ciro Monteiro marcou época com sua voz, seu ritmo e sua capacidade de modular e improvisar. Ficou conhecido por sua grande simpatia, bondade e capacidade de fazer amigos. Sobre ele, Vinícius de Moraes escreveria: "Uma criatura de qualidades tão raras que eu acho improvável qualquer de seus amigos não se haver dito, num dia de humildade, que gostaria de ser Ciro Monteiro. Pois Ciro, pra lá do cantor e do homem excepcional, é um grande abraço em toda a humanidade."

Foi casado com a cantora Odete Amaral. Chamado de "Formigão" pelos amigos (recebeu o apelido do compositor Frazão) e de "O cantor das mil e uma fãs" por todos os seus admiradores. Era torcedor do Flamengo, mas um flamenguista de quem até mesmo os "adversários" gostavam.

Faleceu dia 13 de julho de 1973, no Rio de Janeiro, com apenas 60 anos. Foi sepultado, com grande acompanhamento, no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ao som da marcha do Flamengo, cantada por integrantes da torcida jovem e coberto com as bandeiras rubro-negra, de seu clube, e por verde-e-rosa, da Estação Primeira de Mangueira.


Fontes: Sites Selo Revivendo; Samba-Choro; Cifra Antiga.

Cartola

(Rio de Janeiro;RJ, 11 de outubro de 1908 — Rio de Janeiro/RJ, 30 de novembro de 1980)

Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1908. Foi cantor, compositor e poeta.

Por erro do escrivão, Agenor de Oliveira acabou registrado como Angenor de Oliveira, com um "n" indesejado.

Com esse nome, Angenor de Oliveira se tornaria conhecido e respeitado como um dos grandes da MPB. Seria o mestre Cartola.

Dono de uma obra ímpar na música popular brasileira e tendo sido gravado por gente de peso, ele teve que exercer outros ofícios para sobreviver. Foi tipógrafo, contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, gráfico e pedreiro. O hábito de usar chapéu para proteger a cabeça do cimento lhe rendeu o apelido: Cartola.

Nascido no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, Angenor foi o terceiro filho de Sebastião de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira.

Tomou gosto pela música e pelo samba ainda moleque. Aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão.

Aos 8 anos, Angenor foi morar em Laranjeiras, zona sul carioca. Já nessa época, saía nos desfiles do Dia de Reis e no rancho do Arrepiado, um tipo de grupo carnavalesco posterior ao bloco e anterior a escola de samba.

Com 11 anos, devido a problemas financeiros, sua família mudou-se para o morro da Mangueira —na época com cerca de 50 barracos. Com 15 anos, após a morte de sua mãe, Cartola abandonou os estudos, tendo terminado apenas o primário. Junto com seu amigo e principal parceiro de composições, Carlos Cachaça, criou o bloco dos Arengueiros.

Em 28 de abril de 1928, fundou, ao lado de Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi, entre outros, o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, segunda escola de samba do Rio de Janeiro. Foi Cartola quem compôs o primeiro samba da escola, "Chega de Demanda", lançado em 1974, no disco "História das Escolas de Samba: Mangueira".

Em 1931, o compositor se tornou conhecido fora do morro por intermédio do cantor e compositor carioca Mário Reis, quando este foi à Mangueira para comprar músicas e voltou com os direitos de gravação do samba "Que Infeliz Sorte", lançado em 1932, por Francisco Alves, que mais tarde se tornaria um de seus maiores intérpretes.

Nos anos 30, suas composições ganharam fama na interpretação de gente como Carmem Miranda que gravou, em 1932, "Tenho um Novo Amor", e Araci de Almeida com o samba "Não Quero Mais", de 1937. Esse último, feito em parceria com Carlos Cachaça e Zé da Zilda, foi premiado no desfile da Mangueira de 1936 e regravado por Paulinho da Viola, em 1973, com o título de "Não Quero Mais Amar Ninguém". Seu maior sucesso dessa fase, porém, foi o samba "Divina Dama", gravado por Francisco Alves, e que, segundo o próprio Cartola, foi composto numa Quarta-feira de Cinzas em homenagem a uma mulher por quem ele tinha se apaixonado.

Em 1940, criou ao lado de Paulo da Portela o programa "A Voz do Morro" na Rádio Cruzeiro do Sul, no qual apresentavam composições ainda sem título para que o público pudesse nomeá-las.

Também com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres formou, em 1941, o Conjunto Carioca que apesar da vida curta chegou a se apresentar em São Paulo, na Rádio Cosmos, durante um mês. Com o samba "Vale do São Francisco", último criado por ele para a Mangueira, a escola sagrou-se campeã em 1948.

Músicas que falavam de amor sempre foram as preferidas do compositor, "gosto de fazer samba de dor de cotovelo, falando de mulher, de amor, de Deus, porque é isso que acho importante e acaba se tornando uma coisa importante", declarou certa vez.

Com essa simplicidade Cartola agradava não só ao gosto popular como também à elite cultural do Rio de Janeiro. Era admirado por intelectuais, como o maestro Villa Lobos que, em 1942, o apresentou a Leopoldo Stokowsky —famoso maestro norte-americano interessado em conhecer música popular brasileira. Nesse encontro foi gravada a música "Quem me vê Sorrindo", feita em parceria com Carlos Cachaça. Mas a simplicidade não implicava em composições fáceis. Músico que praticamente aprendera a tocar de ouvido, Cartola não era óbvio em suas criações. Letras que falavam de amor sem, no entanto, ser vulgares ou melodramáticas e melodias que fugiam ao lugar comum, rendiam elogios e admiração de sambistas como Nelson Sargento, que declarou nunca ter se atrevido a sugerir uma parceria com o amigo por considerá-lo "um compositor finíssimo".

Cartola teve vários parceiros em suas composições. Gente como Silvio Caldas, em "Na Floresta", e Noel Rosa, com quem compôs "Não Faz Amor". Mas foi com seu compadre, Carlos Cachaça, que Cartola dividiu o maior número de criações. Da primeira parceria entre eles saiu o samba "Pudesse Meu Ideal", de 1932.

Aos 38 anos, após a morte de sua primeira mulher, e acometido de uma grave doença, provavelmente meningite, Cartola deixou o morro por alguns anos e foi morar em Caxias. Chegou a ser dado como morto e sumiu do cenário musical.

Em 1956, foi encontrado por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, lavando carros em Ipanema. Graças a ele, Cartola voltou a cantar, agora na Rádio Mayrink Veiga. A partir daí, o compositor é redescoberto por uma nova safra de intérpretes.

Em 1964, casou-se com Eusébia Silva do Nascimento, a Dona Zica da Mangueira. No mesmo ano, eles abriram o restaurante Zicartola, na Rua da Carioca, no centro do Rio.

O local logo se tornaria ponto de encontro de sambistas tradicionais e músicos da geração bossa nova como Paulinho da Viola -apontado pelo próprio Cartola como seu sucessor.

Dessa nova geração de músicos, Nara Leão foi uma das primeiras a gravá-lo quando incluiu em seu primeiro LP a música "O Sol Nascerá", composta por ele e Elton Medeiros. Mas o primeiro registro da voz de Cartola só seria feito em 1966 com uma participação sua no disco de Elizeth Cardoso, no qual canta a música "A Enluarada Elizeth". No disco "Fala Mangueira" produzido em 1968 por Hermínio Belo de Carvalho, Cartola volta a aparecer ao lado de Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus e Odete Amaral.

Só em 1974, aos 65 anos, o compositor gravaria, numa iniciativa do pesquisador musical, produtor de discos e publicitário Marcus Pereira, um disco inteiro com suas composições sob o título "Cartola".

Em 1976, lança o seu segundo disco também com o titulo de "Cartola". É nele que podemos encontrar uma de suas mais famosas composições: "As Rosas não Falam".

Em 1977, sai "Cartola - Verde que te Quero Verde" e, encerrando sua curta discografia, em 1979, chega às lojas seu LP "Cartola - 70 Anos". "Acontece", seu primeiro show individual, foi realizado em 1978. Antes, já tinha participado ao lado de João Nogueira do projeto Pixinguinha. O sucesso do espetáculo rendeu a eles uma turnê por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Neste mesmo ano, Cartola mudou-se para Jacarepaguá (zona oeste do Rio), por considerar o bairro mais tranquilo.

Um ano depois, descobre que está com câncer. Cartola sabia que sua doença era grave mas manteve segredo sobre ela todo o tempo. Para todos dizia que tinha uma úlcera.

Uma semana antes de sua morte, manifestou à sua família um desejo: "quando for enterrado quero que Waldemiro toque o bumbo". Mestre Cartola morreu em 30 de novembro de 1980. Atendendo a seu pedido, no dia 1º de dezembro, data de seu funeral, Waldemiro, ritmista da Mangueira, que havia aprendido com ele a encourar seu instrumento, marcou o ritmo para o coro de "As Rosas não Falam", cantada por uma pequena multidão de sambistas, amigos, políticos e intelectuais, presentes em sua despedida. Em seu caixão a bandeira do Fluminense, time do seu coração.


Fontes: Sites Almanaque Folha Uol - Douglas Cometti; Wikipédia.

Catulo da Paixão Cearense

(São Luís do Maranhão/MA, 8 de outubro de 1863 — Rio de Janeiro/RJ, 10 de maio de 1946)

Filho do ourives Amâncio José da Paixão Cearense e de Maria Celestina Braga, o menino Catullo nasceu em um sobrado de frente azulejada na antiga rua Grande, número 66, hoje rua Oswaldo Cruz. Correu pelas ruas e casarões da sua cidade natal (São Luis) com os irmãos Gil e Gerson até os dez anos, quando se mudou com os pais, para a fazenda dos avós paternos, no sertão cearense.

No contato com a gente simples, bebendo desta sabedoria e se fartando deste imaginário matuto, o futuro violeiro soube coletar os mais puros motivos e recria-los, além de registrar as peculiaridades lingüísticas do caboclo da caatinga. Suas modinhas, que a tantos agradaram no ocaso da monarquia e nas primeiras décadas da república, refletiam também o estado de espírito do boêmio, sempre a declamar apaixonado e muitas vezes desprezado pela sua amada.

Sua presença cultural é tão grande na história da música brasileira deste período, que o escritor Lima Barreto chegou a criar o personagem Ricardo Coração dos Outros, um violonista compositor de modinhas e que é um dos coadjuvantes do clássico pré-modernista "Triste Fim de Policarpo Quaresma".

Por citar o Rio de Janeiro, uma das mudanças mais marcantes na vida do artista aconteceria em 1880, quando a família se muda para a sede do império deslumbrada com Paris e tentando imitar os ares progressivistas da belle èpoque francesa. Uma vez lá, o violonista iria presenciar importantes fatos políticos como a Proclamação da República, e as subsequentes crises políticas dos presidentes Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

Lá, em companhia dos flautistas Joaquim Callado, do violonista Anacleto de Medeiros e do cantor Cadete, o poeta trocou a flauta -até chegar no Rio ele só tocava este instrumento - pelo violão, instrumento ao qual foi iniciado por um estudante de medicina.

Mas o começo não foi de glamour. Assim que chegaram, morreu a mãe, vindo o pai a falecer três anos depois.

O boêmio teve que trabalhar. De dia pegava no pesado no cais, onde era estivador e à noite embaixo das sacadas, entoando suas canções.

Convidado para uma festa na casa do senador Gaspar de Silveira Martins, ele agradou e, a mulher de Silveira Martins, em retribuição, quis ajudá-lo. Catulo arriscou um pedido de emprego. Ganhou um convite para ser professor dos filhos do casal. Aceitou o emprego e mudou-se para a casa do senador, na Gávea.

Enfim, uma vida melhor. De dia, aulas; à noite, seresta. Tudo ia bem, até que Catulo, que já tinha fama de mulherengo, encontra em seu quarto uma moça semi-despida que faz um verdadeiro escândalo se dizendo violentada pelo poeta. Depois de uma passagem na delegacia e outra na igreja, Catulo casa. Só depois fica sabendo que tudo não havia passado de brincadeira de amigos. Era uma farsa, sendo que seu casamento nem constava nos assentamentos da igreja paroquial.

A partir de então, é a vez das musas. "Coleira", único amor de sua vida, cujo nome não se conhece, era segundo o próprio poeta, linda, de olhos angelicais, filha de um senador de Goiás. Para ela, Catulo escreveu entre outras "Ave Maria Humana" e I"mortalidade". Mas houve outras musas. E outras poesias. Para a atriz Apolônia Pinto, sua conterrânea, ele escreveu "Os olhos dela", que por azar teve que dedicar a mulher de um amigo, pois este seu amigo chegou em casa junto com Catulo de madrugada e a mulher começou a dar a bronca. Catulo para aliviar a situação, cantou a canção "Os olhos dela". Isso serviu de carta de alforria para o amigo, pois o poeta, após ter cantado, falou que havia feito a música para ela.

Todos os cronistas e contemporâneos dizem que "Coleira" foi de fato o grande amor do poeta mas nada conseguindo, ele acabou por isolar-se no subúrbio de Piedade, onde passou a lecionar num colégio que fundou.

O casamento de Catullo com o violão que o imortalizou, se deu aos 19 anos, quando largou os estudos para se dedicar ao instrumento tido como propício das "rodas de capadócio". Quem fosse de boa família jamais andaria com um desclassificado que ostentasse um pinho!

No dia 5 de julho de 1908, Catullo revolucionou os padrões musico-culturais da época, quando a convite do Maestro Alberto Nepomuceno, fez um recital de violão no templo da música erudita de tradição européia ( Instituto Nacional de Música ): o sucesso foi geral e a platéia o aclamou.

Houve protestos, principalmente do crítico Oscar Guanabarino, um dos mais respeitados de então. Ele considerava uma profanação a presença de um violão num salão de música erudita. No prefácio do seu livro Modinhas (Livraria do Império, 1945) o poeta conta, com sua peculiar vaidade, como foi aquela sessão: "Músicos, literatos, médicos, jornalistas, advogados, engenheiros, professores, pintores, o escol de nossa sociedade, diplomatas como o conde Prozoor, então ministro plenipotenciário da Rússia, tudo se encontrava ali no meio da massa popular. Inúmeras pessoas ficaram de pé, por não haver mais lugar. Os aplausos eram tão retumbantes que se ouvia da rua. O crítico musical Oscar Guanabarino, que havia escrito um artigo atacando o maestro Nepomuceno, por haver permitido que eu introduzisse o violão naquele templo onde só pisavam celebridades, depois do meu triunfo, confessou sua falta, saudando-me com palmas delirantes". E a estrela do poeta continuava a brilhar.

Neste momento a modinha ganhou ares de civilidade, e suas riquezas melodico-harmônicas conquistaram, o gosto da classe dominante.

Em 1910, o maranhense extrairia da melodia do côco "É de Humaitá" a sua "Luar do Sertão", que se tornou imediatamente um clássico da nossa música. A polêmica foi instaurada porque o violonista João Pernambuco reclamou autoria da música o que ainda hoje é discutido entre os seus historiadores.

Nas décadas seguintes, o tempo só fez coroar aquele que tirou o violão dos ambientes sórdidos e ajudou na consolidação da modinha que, ao lado do lundu, foram os primeiros gêneros musicais surgidos no Brasil.

Autodidata, aprendeu português e matemática, depois francês, língua que conhecia bem, a ponto de fazer traduções de poetas que estavam em moda na mudança do século. Entretanto, o gosto pela literatura francesa não fez com que ele se transformasse em um parnasiano a mais, Catulo havia guardado a influência da adolescência passada no Nordeste e, ao contrário do que então se cantava, compôs modinhas bem brasileiras.

Quando cantou e declamou pela primeira vez para um chefe de Estado, Nilo Peçanha, seus críticos espalharam que Catulo havia entrado no Catete pelos fundos. Mas em 1914 ele dá o "cala boca". Convidado pelo então presidente da República, Marechal Hermes, o poeta sobe, de violão em punho, as escadarias do Catete para um novo momento de glória.

Anos depois, a mulher do presidente, Nair de Tefé (que se tornou conhecida como caricaturista sob o pseudônimo de Rian) deporia sobre os momentos passados em Palácio pelo poeta: "Essa audição de Catulo, no Palácio do Catete, constituiu o maior sucesso a que um verdadeiro artista poderia aspirar em toda sua vida. Catulo, ao término de cada canção que interpretava, recebia da culta assistência uma ovação delirante. Todos o aplaudiram de pé". Essa audição valeu-lhe um emprego na Imprensa Nacional.

Dentre os seus divulgadores principais está o cantor carioca Vicente Celestino, que fez sucesso entre os anos de 37 e 42, interpretando Catullo, além de Paulo Tapajós, Orlando Silva e Carlos José.

Apesar de todo o sucesso obtido - não significando retorno finaceiro - houve também os inevitáveis desafetos, como foi o caso do violonista João Pernambuco, que também reivindicou autoria de "Cabôca de Caxangá".

A última homenagem digna de registro que se tem notícia foi a regravação de Luar do Sertão, feita pela dupla Luiz Gonzaga e Milton Nascimento em 1986 para um dos últimos discos do rei do baião.

Ainda assim, publicou dez livros de canções com modinhas em estrutura semelhante aos cordéis com letras retratando o falar matuto.

O registro de "Talento e Formosura" - sua e de Edmundo Otávio Ferreira- feito pelo cantor Mário Pinheiro em 1906, constitui-se num dos itens mais raros da discografia nacional. Verdadeiro marco na afirmação de uma identidade regional na embrionária indústria cultural brasileira, a gravação deste acetato de 78 rpm se deu graças à instalação do primeiro selo de música no Brasil: a Casa Edison.

Mas a primeira música de tonalidades rítmicas regionalistas, lembrando os folguedos do "Norte" foi Caboca de Caxangá, gravado no mesmo selo em 1913 com a denominação de batuque sertanejo. O registro, feito pela dupla Baiano e Júlia Martins, constitui-se portanto no momento zero em que a incipiente indústria fonográfica categorizou um segmento musical com referência nítida à região de onde teria vindo.

Em algumas composições teve a colaboração de alguns parceiros: Anacleto Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha da Silva, Francisco Braga e outros. Como interprete, o maior tenor do Brasil, Vicente Celestino .

Suas mais famosas composições são Luar do Sertão, de 1908, que na opinião de Pedro Lessa é o hino nacional do sertanejo brasileiro, e Flor amorosa (sem data).

O cancioneiro de Catulo, com letras que exprimem a ingenuidade e pureza do caboclo, cativou a sensibilidade do povo e levou Mário de Andrade a classificar o autor como "o maior criador de imagens da poesia brasileira".

Catulo da Paixão Cearense, homem de muitos inimigos e adorado pelo povo. Inimigos porque desfiavam dele um rosário de mal versão que ia do vaidoso, passando pelo mulherengo, até chegar ao cabotino. Adorado por ter sido um dos poucos, talvez o único, poeta popular no Brasil que, em vida, recebeu todas as glórias, todas as honras e uma adoração popular tão grande.

Isso porque Catulo usou e abusou de toda a sonoridade que o sotaque nordestino lhe proporcionou, soube colocar em versos simples onde era o lugar de por versos simples. Tinha faro. Sabia ouvir, como ninguém mais, o rumor da terra.

Alguns de seus biógrafos dão como data do seu nascimento 31 de janeiro de 1866, mas por equívoco: essa data foi arranjada para uma nomeação no serviço público, pois ele precisava remoçar três anos para conseguir a nomeação.

Como sempre acontece com a maioria dos grandes artistas, Catullo da Paixão Cearense morreu pobre em 10 de maio de 1946. Seus direitos autorais, possível e única fonte de renda, fora vendida a um amigo por preço irrisório. Findou seus dias morando numa casa de madeira no subúrbio carioca de Engenho de Dentro.

Nos últimos dias de vida, Catulo morou num barracão na rua Francisco Méier, hoje rua Catulo da Paixão Cearense, no Engenho de Dentro, subúrbio do Rio de Janeiro. Ao barracão deu o nome de "Palácio Choupanal" e nele o poeta recebia velhos amigos, antigos companheiros da estiva e visitantes ilustres, entre eles, Monteiro Lobato, o poeta espanhol Salvador Rueda, o tenor e médico mexicano Alfonso Ortiz Tirado. Grande conversador, bom bebedor de cerveja, Catulo vivia sempre com a mesa cheia, e recebia as visitas de pijama e chinelos. Aliás, ele só conhecia dois trajes: ou o pijama ou o terno e gravata, nada de meios termos. 

Carlos Galhardo

(Buenos Aires/Argentina, 24 de abril de 1913 — Rio de Janeiro/RJ, 25 de julho de 1985)

Castelo Carlos Guagliardi era o seu nome verdadeiro. Nasceu em Buenos Aires, veio cedo para São Paulo e pouco depois, com um ano de idade, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Filho de italianos, Pedro Galhardi e Savéria Novelli, teve três irmãos. Dois nascidos na Itália, uma nascida no Rio de Janeiro.

Em 1921, ingressou em uma escola pública onde cursou o primário e aos 8 anos, com a morte da mãe, o pai deixou-o com um parente no bairro do Estácio, para aprender o ofício de alfaiate. Apesar de não gostar do ofício, aos 15 anos já era um profissional.

Aos 16 anos de idade, empregou-se em uma charutaria, voltando pouco depois a seu ofício de alfaiate. Embora não gostasse do ramo, passou por várias alfaiatarias do Rio e, numa delas, trabalhou com Salvador Grimaldi, alfaiate e barítono com quem costumava ensaiar duetos de ópera.

Galhardo cantava, em casa, outras melodias, principalmente canções napolitanas. O início de sua carreira profissional, entretanto, só se deu por volta de 1933 quando, em casa de um irmão, conheceu Francisco Alves, Mário Reis e Lamartine. Galhardo cantou uma melodia do repertório de Francisco Alves, a música Deusa, de Freire Junior. Chico gostou e aconselhou-o a tentar o rádio.

Galhardo trabalhava, na época, numa barbearia e a manicure da casa tinha conhecimento com pessoas da Rádio Educadora (hoje Tamoio) e conseguiu para Galhardo uma oportunidade. Lá ele cantou Destino de Nonô e Luiz Iglézias.

No dia seguinte a esta apresentação foi procurado por um representante da Victor para um teste cantando o samba Até amanhã, de Noel Rosa, e foi contratado pela gravadora Victor, inicialmente fazendo parte do coro que acompanhava as gravações.

Em 1933 gravou então o seu primeiro disco com "Você não gosta de mim" de um lado e "Que é que há ?", do outro. A primeira dos Irmãos Valença e a segunda de Nelson Ferreira, ambos compositores pernambucanos, onde o disco fez sucesso.

Por essa época foi procurado pelo compositor Assis Valente, que tinha um samba aceito na Victor e estava à procura de um intérprete. Ofereceu a música a Galhardo que gravou então "Pra onde irá o Brasil ?" e "É duro de se crer", passando a interpretar diversos sambas, principalmente de Assis Valente.

Ainda em 1933, gravou "Samba nupcial"(José Luis e Jaime Silva), "Elogio da raça", em dupla com Carmen Miranda, "Prá quem sabe dar valor" e "Boas festas", todas de Assis Valente. "Boas festas", composta no Natal de 1932 por um solitário Assis, no quarto onde morava na Praia de Icaraí (Niterói), se tornaria a canção natalina extremamente conhecida dos brasileiros e uma das poucas do gênero que conseguiu sobreviver. Seu sucesso foi de extrema importância para Assis e também Galhardo, ambos em início de carreira à época do lançamento

No carnaval de 1934 o cantor obteve enorme sucesso com "Carolina", marcha de Bonfiglio de Oliveira e Hervê Cordovil. No ano seguinte, fez várias gravações para a Colúmbia dentre as quais "Boneca de pano" e "Mariana", marcha de Bonfiglio de Oliveira e Lamartine Babo, e estréia como cantor romântico com "Cortina de veludo", valsa-canção de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago, música que marcou época no Rio de Janeiro. Trabalhou ganhando caché em várias emissoras de rádio como Mayrink, Rádio Club, Rádio Philips e Radio Sociedade.

Nesse ano, assina seu primeiro contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul.

Não tinha contrato com a Victor e por isso, quando Francisco Alves foi prá lá, achou que não teria mais chances de gravar e por isso assinou contrato com a Columbia, onde gravou 19 músicas, no período de 1934 e 1935.

Em 1935, gravou seu último disco na Colúmbia, registrando "Morena", marcha de Roberto Martins, e "Rei vagabundo", samba de Ataulfo Alves. Ataulfo, aliás era companheiro habitual, juntamente com Roberto Martins, nas noitadas cariocas.

Voltando à Victor, gravou "Madalena" marcha de Bonfiglio de Oliveira e "Você não sabe amor", samba de Ataulfo Alves e Alcebíades Barcelos, e alcança grande sucesso com a gravação de "Italiana", valsa de Paulo Barbosa, José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago. A partir dessa gravação, a carreira do cantor foi repleta de grandes sucessos, tornando-se um dos quatro grandes cantores da era do rádio, ao lado de Orlando Silva, Sílvio Caldas e Francisco Alves.

Foi convidado a trabalhar na Rádio Cajuti e na Rádio Tupi e assinou contrato com a gravadora Odeon onde registrou "Dou-te um adeus", samba de Alcebíades Barcelos e Armando Marçal e "Apenas tu", valsa de Roberto Martins e Jorge Faraj.

Na Odeon gravou 25 composições no período de 1936 a 1937.

Gravou "A você", valsa de Ataulfo Alves e Aldo Cabral e "Quanta tristeza", samba-canção de Ataulfo Alves e André Filho, entre outros sucessos.

Transferiu-se para a Rádio Mayrink Veiga onde permaneceu por um período de 11 anos. Quando Francisco Alves deixou a Victor, em 1937, Galhardo voltou e conseguiu alí registrar os seus maiores sucessos não deixando mais a gravadora até o final de sua carreira.

Durante o período em que esteve na Odeon fez algumas gravações esporádicas na Victor, mas sua volta definitiva ocorreu em 19 de abril de 1937 quando foi relançado "Italiana", gravada por ele mesmo em 6.05.36 mas que não havia sido trabalhada adequadamente.

Depois de "Italiana" vieram, ainda em 1937, "Vela branca sobre o mar", "Mais uma valsa mais uma saudade", "Madame Pompadour", "Lenda Árabe", "Olá seu Nicolau" (Carnaval de 38).

Em 1938 participou do filme musical "Banana da terra" dirigido por J. Rui. Seus principais sucessos neste ano foram "Noite sem luar", "Alguém", "Vinte e quatro horas sem amor", "Junto de ti estou no céu", "Torre de marfim", "Quem vê partir um grande amor", "Mares da China", "Mulher", "Linda Borboleta" e outras.

"Sei que é covardia... mas", "Linda Butterfly" e "Perfume de mulher bonita" foram seus principais sucessos em 1939.

Em 1940 participou do filme "Vamos cantar", de Leo Martin e no ano seguinte do "Entra na farra", de Luís de Barros.

Para o carnaval de 1941 gravou a marcha "Ala-la-ô", de Haroldo Lobo e Nássara e a valsa "Nós queremos uma valsa", de Nássara e Frazão. A cada ano, novos sucessos.

No ano de 1945 Galhardo brilhou com "Será?", valsa de Mário Lago, "Bodas de prata", valsa de Roberto Martins e Mário Rossi, entre outros. Neste mesmo ano, lançou pela Continental, atuando ao lado de Dalva de Oliveira e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história infantil "Branca de Neve e os sete anões", com músicas de Radamés Gnattali.

Transferiu-se para a Rádio Nacional em 1948, onde permaneceu por quatro anos. Neste mesmo ano, gravou "23 de abril", samba de Roberto Martins e Ary Monteiro, e "Saudade do Maranhão", valsa de Roberto Martins e Dilu Melo.

Em 1952 passou a trabalhar na Rádio Mayrink Veiga e na Rádio Mundial. Nessa época foi a Portugal, apresentando-se neste país pelo período de um ano.

No ano de 1953 foi eleito "Rei do disco" pela revista do disco.

Em 1955 participou do filme "Carnaval em lá maior", de Ademar Gonzaga, e em 1957 atuou no filme "Metido a bacana", de J.B. Tanko.

Foi um dos cantores que mais vendeu discos no Brasil; sua vendagem de discos de 78 rpm só foi menor do que a de Francisco Alves.

Nos anos subsequentes, entre seus sucessos, muitos deles regravações de clássicos da MPB, destacam-se: "Guacira", de Hekel Tavares e Joraci Camargo, "Fascinação", versão de Armando Louzada para a valsa de Marchetti, "Chão de estrelas", de Sívio Caldas e Orestes Barbosa, entre tantos outros.

Ao final da vida, atuava com frequência em shows por todo o Brasil.

Em 1983 participou de seu último espetáculo montado, o show "Ala-la-ô", em homenagem a Nássara, que também atuava, apresentado na Sala Funarte - Sidney Miller.

Havia certa preferência pelas valsas e por isso chegou a ser conhecido como "O Rei da valsa"(dado por Blota Junior) no disco e "O cantor que dispensa adjetivos" no rádio.

Seus fãs são fiéis e até hoje cultuam com carinho sua memória. Galhardo era um gentleman tratando a todos com delicadeza e carinho sendo por isso muito apreciado, também, pelos colegas.

Ultimamente vinha exercendo funções administrativas na SOCIMPRO da qual havia sido um dos fundadores e presidente.

Galhardo faleceu no Rio de Janeiro em 25 de julho de 1985, aos 72 anos de idade deixando uma obra com mais de 550 interpretações em discos de 78 rpm agora totalmente recuperada pelo Collector's Studios. Seu corpo foi sepultado no cemitério de São João Batista, Rio de Janeiro, RJ.

Carlos Imperial

(Cachoeiro do Itapemirim/ES , 24/11/1935 ***** Rio de Janeiro, 4/11/1992)

Carlos Eduardo Corte Imperial, conhecido como Carlos Imperial, desde cedo se interessou por música, colecionando discos importados. Mais tarde, já no Rio de Janeiro, conheceu Johnny Alf, de quem se tornou aluno de piano. Participou de clubes de jazz com sessões aos domingos à tarde.

Logo no início da década de 50, Carlos Imperial fez sua primeira composição: "Menina". Nesta mesma época estreou como ator no programa "Câmara Um", de Jaci Cmpos, na TV Tupi do Rio de Janeiro. Mais tarde ganhou a confiança e o respeito de Jaci Campos, tornando-se seu assistente. Foi responsável por quadros de rock no programa "Meio Dia".

Em 1958, comandando o programa Clube do Rock, na TV Continental, do Rio de Janeiro, Carlos Imperial "descobriu" o cantor Roberto Carlos. Roberto estreou em disco no ano de 1959 pela Philips com duas composições de Carlos Imperial: "João e Maria" e "Fora do Tom". No ano seguinte, Roberto inclui mais duas músicas de Imperial em seu disco: "Brotinho Sem Juízo" e "Canção do Amor Nenhum".

Nessa época, Carlos Imperial apresentava os programas "Festa de Brotos", na TV Tupi, e "Os Brotos Comandam", na TV Continental e Radio Guanabara, onde surgiram diversos ídolos da jovem guarda, como Eduardo Araújo, e Renato e seus Blue Caps. A partir da afirmação do movimento da jovem guarda, compôs músicas de sucesso, como "Goiabão" e "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo" (ambas com Eduardo Araújo), gravadas respectivamente por Eduardo Araújo e Erasmo Carlos.

Esse período levou várias músicas de Carlos Imperial aos primeiros lugares das paradas de sucesso. "Mamãe Passou Açúcar Em Mim", gravada por Wilson Simonal e "A Praça", gravada tanto por Ronnie Von quanto por Simonal são alguns destaques desse período. "A Praça" tornou-se inclusive um de seus maiores sucessos como compositor.

Compôs também em parceria com Ataulfo Alves, pouco antes da morte deste, três sambas, dos quais "Você Passa Eu Acho Graça", foi o de maior popularidade. Esse samba tornou-se imortalizado pela voz de Clara Nunes.

A partir da década de 1970, Carlos Imperial dedicou-se ao jornalismo, à produção de filmes e à política, sendo o vereador mais votado do Rio de Janeiro em 1982.

Nos anos 70, Carlos Imperial apresentava pela TV Tupi uma atração aos sábados à noite que levava seu nome, posteriormente migrando para a TVS - Canal 11 do Rio de Janeiro. Nesta mesma década, Imperial tornou-se um polêmico jurado do programa de calouros apresentado por Chacrinha.

Em seus programas de TV tornaram-se famosas as dançarinas de palco, que recebiam o título de "as lebres do Imperial".

Imperial também foi colunista da revista Amiga, publicada pela Bloch Editores e vereador na cidade do Rio de Janeiro, eleito em 1982, pela legenda do PDT. Foi candidato a prefeito do Rio em 1985, mas perdeu a eleição. Foi também vice-presidente do Botafogo, do Rio de Janeiro.

Na década de 1980, Imperial se notabilizou por divulgar as notas dos jurados nas apurações dos desfiles das escolas de samba cariocas. A cada nota máxima ele exclamava em alto e bom som a frase: "Dez, nota Dez". Tal frase caiu no gosto popular, se transformando em um verdadeiro bordão. Também fez muito cinema, tanto como ator como diretor e pequenas participações em telenovelas.

Entre os filmes que dirigiu estão “O Esquadrão da Morte” (75) e “Delícias do Sexo” (81). Entre os diversos papéis no cinema, destacam-se “Independência ou Morte” (72) e “E o Bicho Não Deu” (58).

Sempre foi considerado uma figura polêmica no meio artístico, envolvendo-se em inúmeros episódios que sempre repercutiram amplamente nos jornais. Imperial foi preso na fase da ditadura militar por causa de um cartão de Natal, onde aparecia sentado num vaso sanitário.

Em sua última aparição pública, apresentou para toda a nação a sua nova namorada, a linda Amazonense Jana, de apenas 14 anos. Na época Imperial tinha 42 anos a mais que a moça.

Carlos Imperial ganhará um livro que irá retratar a sua grande obra. “Dez! Nota Dez!” será escrito por Nelson Motta, escreveu a biografia de Tim Maia. O título fará menção ao modo que Imperial lia as notas das escolas de samba na apuração do carnaval carioca. O livro conta com a pesquisa de Denilson Monteiro.

Imperial foi vítima de uma doença rara: a miastenia gravis. Após operaração para retirada do timo, não resistiu e faleceu, em 04 de novembro de 1992, no Rio de Janeiro, aos 56 anos de idade.

Fontes: Sites "Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro", Blog Malditos Filmes Brasileiros; Wikipédia

Carlinhos de Pilares

(1942 ***** Rio de Janeiro, 07/07/2005)

Carlos Miguel Marques estreou como compositor e cantor de escola samba em 1982, com “Moça Bonita não Paga”, enredo que trouxe a Caprichosos de Pilares para o Grupo Especial. Em 1985, era um dos autores de “E por Falar em Saudade”, que ficou conhecida pelo refrão “Tem bumbum de fora pra chuchu/ Qualquer dia é todo mundo nu"), que levou a agremiação ao rebaixamento. Depois disso, ele passou pela Portela, Unidos da Tijuca, Unidos do Jacarezinho e as paulistas X9 e Tom Maior.

Carlinhos teve participação importante por firmar a imagem da Caprichosos como uma escola querida dos foliões, mesmo sem levantar campeonatos. Uma das conseqüências da imagem positiva da Caprichosos foi a preferência da cantora Simone em incluir sempre um samba da escola em seus discos nos anos 1980. Por duas vezes o samba gravado tinha assinatura de Carlinhos: no LP Cristal (CBS, 1985), "Amor no coração" (parceria com Balinha, Almir de Araújo, Marquinho Lessa e Hércules Corrêa), que Simone convidou Carlinhos para gravar com ela, e em “Amor e Paixão” (CBS, 1986), "Rei por um Dia" (com os mesmos parceiros), que conta com Carlinhos fazendo os breques. Provavelmente sejam uns de seus únicos registros de estúdio fora dos discos de samba-enredo. Ele lançou um Lp solo chamado “Formas e Maneiras”.

Em seus últimos anos de vida Carlinhos passou por grandes necessidades financeiras, sendo necessário inclusive que sua família tentasse mobilizar o mundo do samba e os apaixonados pelo carnaval carioca pedindo ajuda para o sambista. A família do compositor estava com ordem de despejo do terreno onde moravam: uma casa de três cômodos, no tijolo, sem porta ou saneamento básico.

Carlinhos morreu no dia 7 de julho de 2005 às 13h no hospital D. Pedro II, zona oeste do Rio, onde estava internado devido a um câncer no pulmão. Ele tinha 63 anos e estava doente desde de 2004, mas ainda saiu cantando o samba da Acadêmicos da Rocinha, que ainda estava no Grupo de Acesso A naquele ano ("O Mago do Novo, João do Povo”, uma homenagem a Joãozinho Trinta que deu o 3º lugar no grupo A à Acadêmicos da Rocinha ). De lá para cá, passou temporadas internado em vários hospitais da cidade, para tratamento de quimioterapia e radioterapia. O corpo foi enterrado no cemitério de Inhaúma.

Carlinhos de Pilares era casado com Idalina e tinha quatro filhos de dois casamentos, Carlos Eduardo, Carlos Henrique, Antônio Carlos e Carmen Verônica.

Início: Caprichosos de Pilares, nos anos 70.
Entre 1975 e 1988 – Caprichosos de Pilares
1979 – Lins Imperial (Grupo 2-A)
1989 – Unidos do Jacarezinho
1990 – Santa Cruz
1991 e 1992 – Caprichosos de Pilares
1994 - Unidos da Tijuca
1995 – Portela (junto com Rixxa)
1996 – Caprichosos de Pilares e Praiana (Porto Alegre)
1997 – Acadêmicos do Dendê (Grupo A)
1998 a 2000 – Santa Cruz (Grupo A)
2002 – Lins Imperial (Grupo B)
2003 e 2004 – Rocinha (Grupo A)

GRITO DE GUERRA: "Alô, Brasil! Alegria geral! Vai começar a festa!" (segue depois sua tradicional gargalhada)

GRITOS DE EMPOLGAÇÃO: Seus cacos variavam muito conforme o samba ou o tema apresentado. Sua marca principal era a gargalhada, quando, em determinado momento, os versos do samba mencionavam as palavras “alegria”, “sorriso” ou qualquer outra manifestação de animação. Também apareciam muito os cacos "é muita coisa junta", “gira, baiana”, “ah, minha escola querida”.

Sambas de sua autoria: “Uruçumirim, paraíso tupinambá” (79, com Delso e Ferreira); “E por falar em saudade” (85, com Almir de Araújo, Balinha, Hércules e Marquinho Lessa); “Brazil com z não seremos mais... ou será que seremos?” (86, com Almir de Araújo, Balinha, Hércules e Marquinho Lessa); “Os heróis da resistência” (90, com Carlos Henri, Doda, Luís Sérgio, Mocinho e Zé Carlos); “Entre Festas e Fitas”, (Acadêmicos do Engenho da Rainha/1994, em parceria com De Minas, Hércules Corrêa e JB) .

Estandarte de Ouro: 1988. Também conquistou um prêmio Sambanet de melhor intérprete do Grupo B de 2002, quando defendeu a Lins Imperial.