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domingo, 28 de junho de 2020

Eliane de Grammont

(São Paulo/SP, 10 de agosto de 1955 ******* São Paulo/SP, 30 de março de 1981)

Eliane Aparecida de Grammont  foi uma cantora e compositora brasileira, tornada célebre por ter sido vítima de feminicíio por parte de seu ex-marido Lindomar Castilho, crime este que marcou a história do país como parte da campanha de combate à violência contra a mulher.
Era filha da compositora Elena de Grammont e seus irmãos, na maioria, seguiram a carreira jornalística e no rádio - caso de sua irmã Helena de Grammont, jornalista da rede Globo. Seu pai morrera de miocardiopatia, doença que também vitimou dois de seus irmãos.

Eliane de Grammont

Em 1977 Eliane conhecera na gravador RCA o cantor de boleros Lindomar Castilho, que então experimentava um grande sucesso popular, havendo vendido em um de seus LPs mais de 800 mil cópias - número bastante expressivo para a época. Após dois anos de namoro se casaram em 1979.
Sua família foi contra a união, mas ela contrariou os parentes para unir-se ao cantor. Também insistiu em que o casamento se desse pela separação de bens, para deixar claro que não estava com ele em razão de seu sucesso e fortuna. O cantor exigiu que ela parasse de cantar.
Durante o breve relacionamento o casal teve uma filha e, diante do abuso de álcool pelo cantor, dado a crises violentas de ciúme, episódios de agressão, separações e reconciliações, culminou com o desquite, após pouco mais de um ano de casamento, em 1980.

Eliane e Lindomar Castilho

Seis meses depois do casamento ela ainda tentou uma reconciliação, mas Lindomar exigira que ela assinasse um documento contendo dez compromissos, entre os quais pedir perdão à empregada que há anos trabalhava para ele e que fora motivo de brigas do casal.
Eliane havia descoberto que também era portadora a miocardiopatia que matara seus familiares, e ainda assim, tentou retomar a carreira como cantora. Foi então que recebeu o convite de Carlos Randall para se apresentar no café "Belle Époque", e com ele passou a ter um romance.
Eliane, que interrompera a carreira com o nascimento da filha, estava há cerca de um ano separada de Castilho e se apresentava num bar da capital paulista quando o cantor a alvejou com vários tiros, atingindo ainda o músico que a acompanhava, o violonista Carlos Roberto da Silva, ferido no abdome. Conhecido com o nome artístico de  Carlos Randall, o músico era primo do próprio Lindomar, que o levara para São Paulo em 1974. Lindomar desconfiava do envolvimento amoroso dele com sua ex-mulher, situação que foi agravada quando este também se separou da esposa. Após o crime, Lindomar tentou fugir mas foi detido e espancado por populares, que o amarraram até a chegada da polícia. Ferida mortalmente, Eliane chegou a ser levada a um pronto-socorro, mas ali chegou já sem vida.

Eliane de Grammont

Durante o julgamento a defesa de Lindomar explorou alegações de que a vítima era uma mãe que não cumpria com as suas obrigações, além de ser uma mulher infiel e de conduta reprovável. Durante o tempo em que durou o julgamento, mulheres protestavam diante do tribunal pelo direito à vida, e aos poucos homens foram se juntando para provocá-las, sob o argumento de um "direito" de matar em casos de "defesa da honra" masculina. Através de eufemismos então em voga, seu advogado Waldir Troncoso Perez arguiu que o réu agira tomado por "violenta emoção". Cinco dos sete jurados votaram pela condenação.









terça-feira, 27 de novembro de 2012

Elizeth Cardoso

(Rio de Janeiro/RJ -16-07-1920 --- Rio de Janeiro/RJ - 07-05-1990)

Elizeth Cardoso Valdez nasceu no Rio de Janeiro de 16 de julho de 1920.

Nasceu na Rua Ceará nº 5, na Estação de São Francisco Xavier, próxima ao morro de Mangueira. Seu pai, Jaime Moreira Cardoso, era seresteiro e tocava violão. Sua mãe, Maria José Pilar, gostava de cantar. A família em geral, principalmente seu Tio Pedro, participava da vida musical da cidade, freqüentando as sociedades dançantes da época, convivendo com grandes músicos em reuniões na casa de Tia Ciata. De uma família de 6 irmãos (além dela, Jaimira, Enedina, Nininha, Diva e Antônio), costumava organizar teatrinhos para a criançada, onde podia cantar o repertório de Vicente Celestino. Nessa época, morou no bairro carioca de Jacarepaguá.

Ainda menina, costumava freqüentar a famosa casa de Tia Ciata. Com apenas 5 anos, subiu no palco da antológica Sociedade Familiar Dançante Kananga do Japão e pediu para o pianista acompanhá-la na marchinha "Zizinha". Em 1930, aos dez anos, começou a trabalhar para ajudar a família. Foi balconista, peleteira, saponeteira e cabeleireira. No aniversário de seus 16 anos, a família se reuniu na casa de sua tia Ivone. Nessa época, sua família morava numa casa de cômodos na Rua do rezende 87, no centro do Rio, onde morava a tia Ivone com seu marido. Para a festa, foram convidados vários amigos músicos: Pixinguinha, Dilermando Reis, Jacob do Bandolim (com apenas 18 anos), entre outros. Tio Pedro (marido de Ivone) falou então para Jacob: "Olha aí, Jacob, a minha sobrinha aí, a Elizeth, sabe cantar algumas coisas. Que tal vocês ouvirem e organizarem um acompanhamento para ela?" Meio sem graça, a jovem Elizeth encantou a todos com sua voz. Jacob então convidou Elizeth para um teste na Rádio Guanabara, que foi o trampolim para sua carreira. Declarada namoradeira, Elizeth, em depoimento ao MIS, contou suas proezas amorosas. Mesmo tendo a vigilância constante de Seu Jaime, pai extremamente zeloso com a honra de sua filha, namorou muito, mesmo contra a sua vontade, inclusive o famoso craque de futebol Leônidas da Silva. Por volta de 1938, adotou uma menina, Tereza Carmela a quem criou como filha por toda a vida. Em 1939, casou-se com Ari Valdez, o Tatuzinho, comediante e músico (cavaquinho), com quem teve seu único filho legítimo, Paulo César Valdez. O casamento durou pouco, pois Tatuzinho, segundo a própria Elizeth, tinha problemas mentais. Era uma ótima pessoa, mas tinha "um parafuso a menos", segundo o amigo e violonista Luís Bittencourt.

Entre seus grandes romances destacam-se os nomes do maestro Dedé, Evaldo Rui e Paulo Rosa.

Costumava fazer suas viagens de trem, pois tinha medo de avião. Em 1954, a cantora sofreu duro golpe: Evaldo Rui suicidou-se. A imprensa explorou o envolvimento amoroso de Elizeth com o compositor, apesar dos familiares de Evaldo insistirem que ela nada teve a ver com o fim inusitado do namorado. No final de 1954, sofreu intervenção cirúrgica, por causa de uma crise de apendicite aguda. Em 1966, viveu uma polêmica com o cantor Ciro Monteiro, que, depois de gravar um LP a seu lado, programou alguns shows que Elizeth não aceitou, por causa dos baixos cachês. O cantor ficou mais magoado quando, na capa do LP, viu que sua foto era menor que a de Elizeth. Esse incidente ainda atiçou a rivalidade entre Elizeth e Elis, iniciada com sua participação no programa Bossaudade da Record. Elis acabou recebendo um carão da cantora, quando interveio em favor de Ciro: "Se você não quer me respeitar como cantora, não precisa respeitar. Mas exijo que me respeite como mulher. Tenho idade para ser sua mãe." Em 1969, por causa do sepultamento de sua mãe, não pode receber das mãos do então governador Negrão de Lima, o prêmio Estácio de Sá, em cerimônia na Sala Cecília Meirelles. Recebeu a estatueta oito dias depois, num jantar promovido pelo MIS em uma churrascaria carioca. Em 1987, quando estava em uma excursão no Japão, os médicos japoneses diagnosticaram um câncer no estômago, que obrigou a cantora a uma cirurgia. Apesar disso, a doença ainda a acompanharia durante os três últimos anos de vida. A cantora faleceu às 12h28 do dia 7 de maio de 1990, na Clínica Bambina, no bairro carioca de Botafogo. Foi velada no Teatro João Caetano, onde compareceram milhares de fãs. Foi sepultada, ao som de um surdo portelense, no Cemitério da Ordem do Carmo, no bairro carioca do Cajú.

Fonte: Site Alma Carioca.

Elza Laranjeira

(Bauru/SP,16/06/1925 ******* São Paulo/SP, 22/07/1986)

Aos dez anos já se apresentava cantando na Rádio Clube de Bauru. Professora pela escola normal de Bauru, foi mais tarde para São Paulo SP, onde começou a cantar na Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga). Numa falta da cantora Leny Eversong no programa Blota Junior, Elza foi solicitada a enfrentar o microfone e obteve grande êxito, já que, assim como a colega, cantava bem em inglês. Acabou sendo contratada.

Em 1945 transferiu-se, com Blota Júnior, para a Rádio Record (atuando mais tarde em programas da TV do mesmo grupo). Suas primeiras gravações, na antiga Star (depois Copacabana), foram as dos sambas "Foi sem querer" (Simonetti e Maragliano) e "Quando eu era pequenina" (Simonetti e Donato), e das canções "Dia das mães" e "Poema das duas mãozinhas", passando depois a lançar vários sucessos.

Teve êxito em países latino-americanos, principalmente no Uruguai. Em 1951 conquistou o prêmio Roquete Pinto de melhor cantora. Durante longo período atuou em shows das boates paulistanas, sendo considerada uma das maiores intérpretes de Dolores Duran.

Entre suas principais gravações estão "A noite do meu bem" (Dolores Duran) e "Eu sei que vou te amar" (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), em 1959, ambas pela RGE. Elza chegou mesmo a dedicar um LP inteiro à referida dupla de compositores – "A Música de Jobim e Vinicius" (RGE), com várias inéditas. Gravou outros LPs na mesma etiqueta, porém sempre ficou mais restrita ao ambiente paulista, ao contrário de seu marido, o cantor Agostinho dos Santos.

O sucesso da gravação de "Eu Sei Que Vou Te Amar" foi tão grande que a música tornou-se seu prefixo musical. Elza chegou a ser considerada por Vinícius de Moraes como "a voz mais feminina do Brasil".

Em 1954 gravou música alusiva ao futebol, uma vez que a seleção brasileira de futebol, em junho daquele ano, participava da Copa do Mundo da Suiça, o samba "Gol do Brasil", de Alfredo Borba.

Em 1955 excursionou pelo Norte e Nordeste do país, fazendo parte de um intercâmbio de artistas denominado Rede Brasileira de Radiodifusão. A "Revista do Rádio" de 13/04/1957 publicou sua foto acompanhada do seguinte comentário: "Elza é presença de sucesso garantido nos espetáculos da TV Record. Fotografa muito bem e, com a televisão, viu aumentar o número de seus fãs."

No início da década de 1960 deixou a Rádio Record, transferindo-se para o Rio de Janeiro e passando a se apresentar na Rádio Nacional. Mais tarde, afastou-se da vida artística, só retornando em 1975, quando voltou a cantar na boate Samba Enredo, de São Paulo.

Recebeu o Prêmio Roquete Pinto (melhor cantora paulista de música internacional), o Prêmio Cidade de São Sebastião (RJ) e o Troféu Chico Viola (SP).

Elisa Coelho

(Uruguaiana/RS, 1/03/1909 ********* Volta Redonda/RJ, 2001)

Seu pai foi tenente do Exército e sua mãe, Acy Carvalho, escritora e jornalista, responsável pela seção feminina de O Jornal, do Rio de Janeiro/RJ.

Elisinha(Elisa Carvalho Coelho), como era conhecida, costumava cantar acompanhando-se ao piano em reuniões na casa da família, no Rio de Janeiro. Em 1929, um coronel amigo de seu pai e diretor da Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial) convidou-a para cantar na emissora.

Em 1930, levada por Josué de Barros, gravou seu primeiro disco na Victor, com A minha viola é de primeira e Capelinha de melão, sambas de Tia Amélia. Seu segundo disco continha os sambas Escrita errada (Joubert de Carvalho) e Iaiazinha (Plinio Brito). Em fins de 1930, convidada por Hekel Tavares, interpretou canções do compositor numa série de recitais na Bahia e outros Estados do Nordeste.

Em 1931, Ary Barroso convidou-a para gravar seu samba-canção No Rancho Fundo. Essa gravação, realizada nos estúdios da RCA Victor com o próprio Ary Barroso ao piano e Rogério Guimarães no violão, projetou nacionalmente a intérprete. Gravou mais músicas de Ary Barroso: em 1931, Terra de iaiá e Batuque, em dueto com Sílvio Caldas, e Tenho saudade e É bamba; em 1932, a canção Primeiro amor e o samba-canção Palmeira triste, entre outras.

Atuando em diversas emissoras, para o Carnaval de 1933 gravou as marchas Coração de picolé (Paulo Neto de Freitas) e Fon-fon (Heitor dos Prazeres). Em 1934 fez suas últimas gravações, com destaque para um disco na RCA Victor em que, acompanhada dos Irmãos Tapajós. interpretou Dança negra (Hekel Tavares e Sodré Viana) e, do outro lado, Humaitá, folclore recolhido por Hekel Tavares, e Biá-tá-tá (Hekel Tavares e Jaime D’Altavilla), e para outro clássico: o samba-canção Caco velho (Ary Barroso), seu único disco na Odeon.

Sua discografia compõe-se de 15 discos com 30 músicas, sendo 11 de autoria de Ary Barroso. Em 1935 e 1936, apresentou-se no Uruguai e na Argentina. Em 1938 foi atriz e cantora na peça Malibu, de Henrique Pongetti, encenada pela Companhia de Raul Roulien.

Apresentou-se no Cassino da Urca, onde também fez duetos com astros internacionais como Pedro Vargas e Jean Sablon e onde, em 1939, ensinou Josephine Baker a cantar em português o samba O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi). Logo depois, deixou a carreira artística.

Em 1989, a gravadora Revivendo lançou o LP No rancho fundo, com interpretações de Elisa Coelho, Jesy Barbosa, Sílvio Caldas e Breno Ferreira.

Elisa Coelho era mãe do jornalista Goulart de Andrade.

Elino Julião

( Timbaúba dos Batistas, RN, 13-11-1936 ****** Natal/RN 20-5-2006)

Seu pai era tocador de cavaquinho e concertina. Em criança trabalhou como carregador de água e alegrava os moradores da fazenda onde morava cantando e batendo em latas as músicas que aprendia nas festas de Sant'Ana em Caicó.

Aos doze anos, saiu do Seridó e veio para Natal de carona no caminhão de Artur Dias, comerciante da região. Na capital, foi morar com uma tia no bairro das Quintas. Imediatamente, procurou espaço para sua música. Na Rádio Poti, Genar Wanderlei, finalmente lhe ofereceu uma oportunidade de se apresentar no famoso programa de auditório Domingo Alegre, lá pelos idos da década de 50. Conseguiu espaço e reconhecimento. Na rádio, cantava músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros. Sob a bêncão do padre Eymard Lérecat Monteiro, amigo da família, retomou os estudos a noite no colégio Marista.

Julião ficou em Natal por dezoito anos. Durante esse período, serviu o exército, mas logo que se libertou das forças armadas voltou para a Rádio Poti, onde conheceu Jackson do Pandeiro. O já famoso Jackson o convidou para o Rio de Janeiro, onde foi morar e trabalhar como cantor, iniciando uma parceria que rendeu grandes frutos musicais e selou uma longa amizade. Como ritmista de Jackson, se apresentou nas rádios, tvs e viajou o Brasil inteiro. Elino confessa que não foi fácil gravar no Rio de Janeiro nos anos 50. "Passei muito tempo para gravar. Naquela época dos auditórios de rádio, a gente cantava mas não gravava. Só gravava quem tinha muita sorte e cantava mais que Vicente Celestino", lembra saudoso do amigo.

Foi na casa de Jackson, que Elino começou a compor suas primeiras músicas. Gravou seu primeiro disco em 1961, na gravadora Chantecler, que além dele, lançava simultaneamente : Noca do Acordeon, João Silva, Geraldo Nunes, Mineiro e Teixeirinha. Do grupo só Teixeirinha fez um grande sucesso com “Coração de luto”.- O sucesso do colega o desanimou e pensou em desistir da carreira, porém Jackson o estimulou e o levou para a gravadora Phillips, por onde lançava seus discos.

Foi na Philips/Polygram, que gravou seus primeiros sucessos: “Puxando Fogo” e “Xodó do Motorista”, que logo se transformaram em verdadeiros hits. Mas antes disso, suas composições já faziam sucesso. Entre elas “Rela Bucho”, na voz do pernambucano Sebastião do rojão. Em função do sucesso, foi convidado para uma gravadora maior, a CBS, hoje Sony Music, onde permaneceu por 23 anos.

Ainda no Rio, foi contratado da extinta Rádio Tupi e da rádio Nacional. Nesta última como convidado especial, já que só se apresentavam os cantores contratados pelo governo. Em meio ao sucesso saiu da "cidade maravilhosa" e foi para São Paulo trabalhar com Pedro Sertanejo (pai de Osvaldinho do Acordeon), ficando na terra da garoa por seis anos.

Luiz Gonzaga estreou na TV Cultura o show "Chapéu de couro" e o convidou para trabalhar como ritmista, permanecendo aí por mais três anos. Vale lembrar também que o seridoense morou com o Rei do Baião e seu irmão Zé Gonzaga, conhecido como o príncipe do forró, a quem Julião não se negava a dar uma força. Elino, Jackson, Trio Nordestino e outros do gênero saíram da CBS em 86, quando a gravadora, preferindo apostar nos internacionais Michael Jackson e Júlio Iglesias, alegou que estava em dificuldades.

Teve composições gravadas por importantes nomes da música brasileira. Jackson do Pandeiro gravou o forró "Xodó do motorista", o arrasta-pé "Puxando fogo", pelo Trio Elétrico de Dodô e Osmar e "Meu saudoso Ceará", por Luiz Gonzaga. Foi gravado também por Dominguinhos e por Jorge de Altinho. Teve composições gravadas na Bélgica, Portugal e Zâmbia. É considerado a mais forte referência da música regional do Rio Grande do Norte.

Em 1999, por ocasião das comemorações dos 400 anos da cidade de Natal, teve as composições "Xodó do motorista", feita em parceria com Dilson Dória, "Puxando fogo", com J. Machado, e "Rabo do jumento", com Dilson Dória, gravadas no CD "Nação Potiguar".

O trabalho de Elino Julião tinha um perfil regionalista muito transparente, que o caracterizava como um "autêntico cantor do nordeste". Ele tinha extrema facilidade em compor a respeito das particularidades do seu povo, dos fatos do cotidiano. Um prático. Fazia música de ouvido, letra e melodia. O seu forró é considerado genuinamente "Pé -de- Serra" dos melhores. Ele é conhecido como um dos artistas que mais participa das populares coletâneas de música junina, os "Pau- de- sebo".

Nos mais diversificados locais que se acenda uma fogueira, seja no sertão ou nas vilas suburbanas das grandes cidades, o repertório obrigatório ainda é o de Julião, como é demonstrado no São João em Natal e interiores. Elino, era um homem, simples. Não é exagero mencionar que carregava na fala e no gesto a pureza e espontaneidade do verdadeiro sertanejo. O falar doce e manso traduzia um romantismo que tocava o coração, sem usar de maiores prolixidades.

Entre seus grandes sucessos estão "O relabucho", "A festa do Senhor São João", "Puxando fogo", "Na sombra de Juazeiro", "Filho de gaiamum", "Cajueiro de Pirangi", "Maria home", "O rabo do jumento" e "Forró da Coréia".

Suas letras revelam também a irreverência e humor do nordestino. O artista não perdeu sua naturalidade, ainda que tenha sido presença constante das famosas rodas do histórico Hotel Glória/ RJ, e muitas vezes escolhido o artista do mês pelas rádios. Produziu 700 músicas, com mais de 40 discos em vinil e quatro CDS.

De acordo com a esposa do músico, Verana Araújo, ao ser entrevistada, depois do jantar Elino foi para cama e caiu. Apesar de ficar se contorcendo ele disse que estava bem, mas a forte dor de cabeça e a falta de ar persistiram, levando-o a óbito. Ele foi vítima de um aneurisma cerebral no último sábado e não resistiu.

Evaldo Braga

(Campos dos Goytacazes/RJ, 26 de maio de 1945 — Três Rios/RJ, 31 de janeiro de 1973)

Teve infância muito pobre, vivendo parte dela nas ruas. Não conheceu os pais e chegou a ser interno no extinto SAM (Serviço de Amparo ao Menor), depois FEBEM, ao lado de Dario José dos Santos, mais conhecido como Dada Maravilha, terceiro maior artilheiro da história do futebol brasileiro. Sobre o cantor, assim se manifesta: “Evaldo Braga foi meu amigo de infância no Colégio interno (SAM), depois FUNABEM.. Na verdade era Instituto Profissional XV de Novembro em Quintino, Rio de Janeiro. E um dia ele falou assim pra mim: um dia, você vai ouvir falar em Evaldo Braga, eu vou ser o cantor da multidão porque eu tenho um vozeirão, eu sou o bom”.

Declarou em entrevistas sua grande tristeza por não conhecer os pais. Passou a ter uma grande depressão ao saber que sua mãe teria sido uma prostituta e que o abandonara no lixo, em um cesto. Essa tristeza o levou a se entregar à bebida, fato inclusive, que provocou o acidente que o matou na BR 3, antiga Rio- BH, em um choque entre seu carro e um caminhão.

Um dos grandes ídolos da "música brega", travou os primeiros contatos artísticos quando trabalhou como engraxate na porta da rádio Mairink Veiga, na rua homônima, perto da famosa Praça Mauá. Ali acabou por fazer contato com os artistas daquela Rádio e pouco a pouco foi acalentando o desejo de se tornar cantor.

Em 1969, conheceu o produtor e compositor Osmar Navarro, que o levou para gravar o primeiro disco. Navarro gostou de sua voz e da maneira dele pronunciar bem cada palavra e o apresentou ao produtor Jairo Pires da gravadora Polydor, que andava procurando um cantor que fizesse frente à Nilton César contratado de outra gravadora.

É autor do clássico "Sorria, sorria", que conheceu diversas gravações, entre as quais, a de Agnaldo Timóteo.

Em 1971, lançou o disco "O ídolo negro", título que lhe valeu o apelido pelo qual ficou popularmente conhecido. Nele, gravou, entre outras, "A cruz que carrego", de Isaías Souza, "Meu delicado drama", de Isaías Souza, "Meu Deus", de sua autoria, Dante e Alcides de Oliveira, "Quantas vezes", de sua autoria e Carmen Lúcia, "Eu nunca pensava", de Eustáquio Sena e "Eu amo sua filha, meu senhor", de Osmar Navarro.

Em 1972, lançou "O ídolo negro-Vol.2”, que trazia seu grande sucesso "Sorria, sorria", parceria com Carmen Lúcia que o consagrou, tornando-se hit popular. O mesmo disco trazia um outro grande sucesso, "Eu não sou lixo", de sua autoria com Pantera, de caráter autobiográfico e, ainda, "Mentira", de Osmar Navarro, "Tudo fizeram para me derrotar", com Isaías de Souza, "Já entendi", de Edson Mello e Carlos Odilon, e "A vida passando por mim", de Jovenil Santos e Paulo de Souza.

Teve uma careira meteórica, durante a qual, fez inúmeras apresentações em vários estados e em diversos programas de TV, em especial, o programa “A Discoteca do Chacrinha”.

Morreu no auge do sucesso, aos 25 anos, num acidente automobilístico, em 1973, depois de ter lançado apenas três LPs, suficientes para consagrá-lo junto ao público.Suas músicas traziam as marcas de sua infância pobre e tiveram grande repercussão popular.

Em 1982, recebeu homenagem do cantor Carlos Alexandre que gravou pela RGE o LP "Revelação de um sonho" incluindo doze sucessos na voz do "Ídolo negro": "Revelação de um sonho", de Maurílio Costa, "Sorria sorria", com Carmen Lúcia, "Eu me arrependo", com Carmen Lúcia, "Meu delicado drama", de Isaias Souza, "Alguém que é de alguém", com Carmen Lúcia, "Tudo fizeram para me derrotar", com Isaias Souza, "Mentira", de Osmar Navarro, "Eu não sou lixo", com Carmen Lúcia, "Quisera eu", com Tuneca, "Eu nunca pensava", de Eustáquio Sena, "Só quero", com Carmen Lúcia, e "A vida passando por mim", de Jovenil Santos e Paulo Debétio.

Em 1987, foi homenageado no LP "Eu ainda amo vocês" da gravadora Polydor que incluiu gravações originais suas remixadas e com o acréscimo de vozes de artistas convidados em "duetos" póstumos. Estão presentes nesse disco, as músicas "Esconda o pranto num sorriso", de Jacy Inspiração e Marcos Lourenço, com interpretação de Carlos Alberto, "A vida passando por mim", de Jovenil Santos e Paulo Debétio, com Matogrosso e Mathias, "Te amo demais (Heart over mind)", de M. Tillis, e versão de Sebastião Ferreira da Silva, na voz de Jerry Adriani, "Sorria sorria", de Evaldo Braga e Carmen Lúcia, na interpretação de Adilson Ramos, "Só quero", de Evaldo Braga e Carmen Lúcia, na interpretação de Diana, "Meu Deus", de Evaldo Braga e César Saraiva, com Ismael Carlos, "A cruz que carrego", de Isaias Souza, com interpretação do Coro Infantil da Funabem, "Tudo fizeram para me derrotar", de Evaldo Braga e Isaias Souza, na voz de Carlos Alexandre, "Eu não sou lixo", de Evaldo Braga, Pantera e Carmen Lúcia, na voz de Waldick Soriano, "Noite cheia de estrelas", de Cândido das Neves, com os Canarinhos de Petrópolis, "Já entendi", de Édson Mello e Carlos Odilon, na interpretação de Fernando Lelis, e "Mentira", de Osmar Navarro, na interpretação de Sol.

No ano de 1993, a Polydor lançou a coletânea "O Melhor do Ídolo Negro", com sucessos do cantor.

Após décadas de sua morte, seu túmulo, no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, é um dos mais visitados no dia de finados, quando milhares de fãs a ele rendem homenagens, levando flores e cantando seus sucessos.

Em levantamento recente feito no site dicionariompb.com.br chegou-se a conclusão que seu nome era o mais pesquisado entre todos os quase sete mil verbetes ali catalogados.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eliana Macedo

(Itaocara/RJ, 21-9-1926 ********* Rio de Janeiro/RJ, 17-6-1990)

Eliana Macedo, nome artístico de Ely Macedo de Sousa, nasceu em Portela, terceiro distrito do município de Itaocara. Seu avô incentivou filhos e netos a tocarem algum instrumento musical, formando a banda XV de novembro, tendo Eliana como intérprete da banda.

Sua primeira atuação em filmes foi em "E o mundo se diverte", em 1948, sendo dirigida por Watson Macedo (seu tio) ao lado de Carlos Manga, que foi responsável pela época áurea da Atlântida Cinematográfica. Watson Macedo dirigiu Eliana por quase toda a sua vida artística. Nos filmes, em vários números musicais, imitou por diversas vezes os trejeitos de Carmen Miranda.

Seu grande momento como atriz foi no filme "Carnaval de fogo", de 1949, em que ela fez dois papéis (de duas mulheres). Watson Macedo tinha preferência pelas atrizes Maria Della Costa e Cacilda Becker, mas os diretores da Atlântida impuseram Eliana e foi um sucesso.

Estrela das chanchada da Atlântida fez cerca de 26 filmes. Contracenou com artistas que marcaram época tais como Oscarito, Anselmo Duarte, Cyll Farney, Trio Irakitã, José Lewgoy, Grande Otelo, entre muitos outros.

Cantou, gravou e interpretou seus filmes com Adelaide Chiozzo e seu acordeão, sobressaindo os sucessos "Pedalando", de Anselmo Duarte/Bené Nunes, "Bate o bombo, Sinfrônio", "Encosta sua cabecinha" e "Vem cá sabiá".

Casou-se com o pioneiro do rádio no Brasil, o radialista da rádio Nacional, do Rio de Janeiro,atual CBN, Renato Murce, em 1950, causando muitos comentários devido a grande diferença de idade.

Em 1954 foi agraciada com o Prêmio Saci - de melhor atriz, com o filme A outra face do homem.

Em1979 fez uma participação especial na telenovela da Rede Globo "Feijão Maravilha", ao lado da companheira de sempre Adelaide Chiozzo.

Morreu devido a um infarto.

DISCOGRAFIA:

* "Queria ser patrona/"Com pandeiro na mão" - 1953 - gravadora Copacabana = 78rpm
* "Beijinho Doce/Cabeça inchada" - 1954 - gravadora Copacabana - 78rpm
* "Ele...ela...e o outro/Procura do samba" - 1955 - gravadora Continental - 78rpm. 

Elsie Houston

(Rio de Janeiro/RJ, 22 de abril de 1902 ******* Nova Iorque, EUA, 20 de fevereiro de 1943)

Soprano de formação clássica, estudou com Stella Parodi. Em 1922 conheceu Luciano Gallet, com quem passou a interessar-se pelas canções folclóricas harmonizadas, de quem gravou diversas composições.

Em 1923 foi estudar na Alemanha com Lilli Lehmann. Em 1924 gravou de Luciano Gallet as composições "Ai, que coração", "A perdiz piou no campo" e "Fotorototó". Em 1925 gravou do mesmo compositor "Bambalelê", "Traieiras" e "Arrazoar". No mesmo ano, estudou com Ninon Vallin em Buenos Aires na Argentina. Em 1927 conheceu Mário de Andrade, aumentando seu interesse pelo folclore brasileiro, tendo na mesma ocasião recolhido temas do folclore nordestino para interpretar. No mesmo ano, participou do primeiro concerto de Heitor Villa-Lobos na Maison Gaveaux, em Paris, juntamente com Tomás Terán, Artur Rubinstein e Alina Van Barentzen. Na mesma ocasião recomeçou na capital francesa os estudos com Ninon Vallin.

Em 1928 participou do I Congresso Internacional das Artes Populares, em Praga na então Thecoslováquia. Em 1930 gravou o samba "Macumbagelê" de J. da Paulicéia e Lilico Leal. No mesmo ano gravou o batuque "Cadê minha pomba rola", a canção "Puxa o melão, sabiá!" e os cocos "Coco dendê trapiá", "Eh! Jurupanã", "Aribu" e "Ai sabiá da mata", todas de motivo popular com arranjos de sua própria autoria. Na mesma ocasião publicou em Paris, com prefácio de Phillipe Stern, o livro "Chants populaires du Brésil".

No ano de 1931 escreveu o ensaio "La musique, la danse et les cérémonies populaires du Brésil", publicado em "Art populaire, travaux artistiques et scientifiques". Em 1932 gravou de Pedro da Conceição o samba "Capote do Mangô é teu" e a marcha "Vejo a Lua no céu".

Excursionou pela América e pela Europa. Uma das primeiras responsáveis pela descoberta das canções folclóricas nacionais, vertente que iria prosseguir posteriormente em trabalhos como os de Stefana de Macedo, Dilu Mello, Eli Camargo e Marlui Miranda. Foi casada com o poeta francês Benjamin Péret.

DISCOGRAFIA

1924 - 78 RPM
Ai, que coração (Luciano Gallet)
1924 - 78 RPM
A perdiz piou no campo (Luciano Gallet)
1924 - 78 RPM
Fotorototó (Luciano Gallet)
1925 - 78 RPM
Bambalelê (Luciano Gallet)
1925 - 78 RPM
Traieiras (Luciano Gallet)
1925 - 78 RPM
Arrazoar (Luciano Gallet)
MAR/1930 - 78 RPM
2. Macumbagelê (J. da Paulicéia / Lilico Leal)
JUN/1930 - 78 RPM
1. Se Eu Tivesse Um Filme Falado De Você (De Sylva / Brown / Henderson / Décio Abramo)
2. Sonhador (aren't We All) (De Sylva / Brown / Décio Abramo / Henderson)
JUN/1930 - 78 RPM
1. Morena Cor De Canela (Adpt. Ary Kerner Veiga de Castro)
2. Saudades Da Bahia (Jorge Pereira Nóbrega / Nelson Silveira De Souza)
JUN/1930 - 78 RPM
1. Não Dou (Ary Kerner Veiga de Castro) - com Januário de Oliveira
2. Que Queres Mais (Aldeziro Santos "manhoso") - com Januário de Oliveira
JUL/1930 - 78 RPM
1. Por Teu Amor Por Ti (Raul C. Morais)
JUL/1930 - 78 RPM
1. Estás Zangadinha? (Raul C. Morais) - com Januário de Oliveira
JUL/1930 - 78 RPM
1. Miss Fortaleza (Mozart Ribeiro / Pierre Luz)
2. A Sombra Do Nosso Amor (José Francisco de Freitas)
JUL/1930 - 78 RPM
1. Vou Pra Bahia (Pedro de Sá Pereira / Correia da Silva)
1930 - 78 RPM
2. Coração Das Muié (Plínio Brito / Domingos Magarinos)
SET/1930 - 78 RPM
1. Tea For Two (Vicent Youmans / I. Caesar)
2. I Want To Be Happy (I. Caesar / V. Youmanns)
SET/1930 - 78 RPM
1. O Barão Da Bahia (Maria Amélia Barros)
2. Cadê Minha Pomba Rola (Popular / Adpt. Elsie Houston)
SET/1930 - 78 RPM
1. Should (Arthur Freed / Hacio Herb Brown)
2. You Do Something To Me (Cole Porter)
OUT/1930 - 78 RPM
1. Aluga-se Um Coração (Ary Kerner Veiga de Castro)
2. Cheguei (Tia Amélia)
1930 - 78 RPM
1. Puxa O Melão Sabiá (Popular / Adpt. Elsie Houston)
2. Coco Dendê Trapiá (Tradicional / Adpt. Elsie Houston)
Ai Sabiá da Mata (Tradicional / Adpt. Elsie Houston)
1930 - 78 RPM
1. Eh Jurupanã (Popular / Adpt. Elsie Houston)
2. Aribu (Popular / Adpt. Elsie Houston)
FEV/1932 - 78 RPM
1. Capote Do Mangô É Teu (Faustino Pedro Da Conceição)
2. Vejo A Lua No Céu (Faustino Pedro Da Conceição)
SD - 78 RPM
1. Três pontos de santo (1- Charolo, 2- Aruanda, 3- Estrela do mar) (Jaime Ovalle)
2. Tayeras (Luciano Gallet)
Babalelê (Luciano Gallet)

Fonte: Site Cantoras do Brasil 

Elvira Pagã

(Itararé/SP, 6 de setembro de 1920 --------- Rio de Janeiro/RJ, 8 de maio de 2003).

Elvira Pagã (Elvira Cozzolino) era cantora, atriz, vedete e compositora.

Sua família mudou para o Rio de Janeiro quando ela ainda era criança. Estudou com a irmã, Rosina Pagã, no colégio Imaculada Conceição em Botafogo.

Realizava com sua irmã inúmeras festas das quais participavam inúmeros artistas entre os quais os integrantes do Bando da Lua. Em 1935 cantaram com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, sendo apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs.

Atuaram na Rádio Mayrink Veiga. Ao todo Elvira gravou 13 discos com a irmã. Em 1935, atuaram no filme "Alô, alô, carnaval", de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, interpretando "Não Beba Tanto". Em 1936, no filme "Cidade mulher", de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Ainda com a irmã, excursionou por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile. Em 1940, casou-se e encerrou a dupla com a irmã.

Em 1944, gravou seu primeiro disco solo, pela Continental, com acompanhamento do Conjunto Tocantins, interpretando os sambas "Arrastando o pé", de Peterpan e Afonso Teixeira e "Samburá", de Valfrido Silva e Gadé. No ano seguinte, gravou um disco com quatro músicas, fato raro na época, com as marchas "E o mundo se distrai" e "Meu amor és tu", de Amado Régis, Gadé e Almanir Grego e "Cabelo azul" e "Briga de peru", de Roberto Martins e Herivelto Martins. No mesmo ano, gravou os sambas "Na feira do cais dourado", de Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro e "Um ranchinho na lua", de Babi de Oliveira com acompanhamento de Claudionor Cruz e seu regional.

Em 1949, transferiu-se para o selo Star e estreou com a "Marcha do ré" e o samba "Sangue e areia", da dupla Sebastião Gomes e Nelson Teixeira com acompanhamento de Sílvio César e sua orquestra. Em 1950, gravou o samba jongo "Batuca daqui, batuca de lá", primeira composição de sua autoria, parceria com Antônio Valentim. No mesmo ano, gravou os baiões "Vamos pescar", de sua parceria com Antônio Valentim e "Sururu de capote", de Ramiro Guará e José Cunha com acompanhamento do Quarteto Copacabana com Abel Ferreira no clarinete.

Em 1951, gravou mais duas composições de sua autoria, o baião "Saudade que vive em mim", parceria com Antônio Valentim e o samba "Cassetete, não! ", com acompanhamento do Conjunto Star. No mesmo ano, gravou no selo Carnaval a marcha "A rainha da mata", de sua parceria com Antônio Valentim e a batucada "Pau rolou", de Sátiro de Melo e Manoel Moreira.

Em 1953, foi para a gravadora Todamérica e lançou os sambas "Reticências", de sua autoria e "Sou feliz", parceria com M. Zamorano. Gravou ainda pelo selo Marajoara o samba "Vela acesa", de sua autoria, Antônio Valentim e Orlando Gazzaneo e a marcha "Viva los toros", parceria com Orlando Gazzaneo. Seu último disco foi pelo pequeno selo Ritmos onde registrou a marcha "Marreta o bombo" e o samba "Condenada", de sua autoria.

Seguiu carreira como vedete em teatros de revista na década de 50, tornando-se um dos mitos sexuais do Rio de Janeiro. Foi das primeiras brasileiras a explorar o impacto do nudismo, nos anos 50 e 60, disputando com Luz del Fuego o espaço nos noticiários da época.

Com seu corpo perfeito para os padrões da época, Elvira Pagã mexeu com a cidade, promoveu Copacabana internacionalmente e foi a primeira Rainha do Carnaval Carioca. Elvira Olivieri Cozzolino expunha o corpo e idéias bastante avançadas para os anos 50 e veio a ser a primeira mulher a usar biquíni no Brasil.

Era uma figura muito divertida, como se pode ver ainda hoje nas chanchadas de que ela participou, algumas bem conhecidas como "Carnaval no fogo", e, principalmente, ousadíssima pra época. Um dia, na praia de Copacabana, ela rasgou o maiô (pelo que consta, feito de um tecido de penugem dourada) e o adaptou ao modelo de duas peças, que só se usava no teatro rebolado, chegando a ficar conhecida fora do Brasil por causa disso.

Excursionando por todo o Brasil e conhecida no exterior como The Original Bikini Girl e The Brazilian Buzz Bomb, Elvira não desistia de afrontar a moral, provocando verdadeiras enchentes nos cabarés e teatros de rebolado. Depois de operar os seios, posou nua e distribuiu a fotografia como cartão de Natal, reafirmando-se como sinônimo de escândalo, atentado ao pudor, imoralidade.

Por seus atributos físicos e audácia provocou incontáveis e devastadoras paixões, confessando numa de suas últimas entrevistas: “Foi uma orgia só”. O perigoso bandido Carne Seca forrou a sua cela com fotos dela, e numa em que a vedete encosta-se numa pele de onça, lia-se a dedicatória: “Para Carne Seca, um consolo de Elvira Pagã”. Desesperado, o marginal tentou fugir da prisão inúmeras vezes.

Nos anos 60 ela se recolheu, como faria Odete Lara na década seguinte. Saiu da vida artística e da vida social. Dizia não precisar de amantes e se intitulava sacerdotisa, ligada a discos voadores e à Atlântida, criando uma seita, Doutrina da Verdade. Elvira faleceu aos 80 anos, em 8 de maio de 2003. Rita Lee fez, com Roberto de Carvalho, uma canção chamada Elvira Pagã:

Elvira Pagã
De: Rita Lee e Roberto de Carvalho

Todos os homens desse nosso planeta
Pensam que mulher é tal e qual um capeta
Conta a história que Eva inventou a maçã
Moça bonita, só de boca fechada,
Menina feia, um travesseiro na cara,
Dona de casa só é bom no café da manhã
Então eu digo:
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
É canja-canja,
O resto põe na sopa pra temperar!
Dama da noite não dá pra confiar,
Cinderela quer um sapatão pra calçar,
Noiva neurótica sonha com o noivo galã (um lixo!)
Amiga do peito fala mal pelas costas,
Namorada sempre dá a mesma resposta
Foi-se o tempo em que nua era Elvira Pagã
Então eu digo:
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
É canja-canja,
O resto põe na sopa pra temperar!

Fonte: Cifrantiga.

Elis Regina

(Porto Alegre, 17 de março de 1945 — São Paulo, 19 de janeiro de 1982)

Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945.

Começou a carreira como cantora, aos onze anos de idade, em um programa de rádio para crianças chamado "O Clube do Guri", na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego.

Em 1959, foi contratada pela Rádio Gaúcha, e, em 1961, viajou ao Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco, "Viva a Brotolândia". Lançou ainda mais três discos enquanto morava em Porto Alegre.

Em 1964, um ano com a agenda lotada de espetáculos no eixo Rio-São Paulo, assinou um contrato com a TV Rio para participar do programa "Noites de Gala"; é levada por Dom Um Romão para o Beco das Garrafas sob a direção da dupla Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, com os quais ainda realizaria diversas parcerias, e um casamento com Bôscoli em 1967. Acompanhada agora pelo grupo Copa trio, de Dom Um, canta no Beco das Garrafas, o reduto onde nasceu a Bossa Nova. Conhece o coreógrafo americano Lennie Dale, que a ensinou a mexer o corpo para cantar, tirando aquele nado que ela tinha com os braços.

Participa do espetáculo "Fino da Bossa", organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, que ficou conhecido também como Primeiro Demti-Samba, dirigido por Walter Silva, no Teatro Paramount, atual Teatro Abril (São Paulo). Ao final do mesmo ano (1964) conhece o produtor Solano Ribeiro, idealizador e executor dos festivais de MPB da Tv Record. Um ano glorioso, que ainda traria a proposta de apresentar o programa "O Fino da Bossa", ao lado de Jair Rodrigues. O programa, gravado a partir dos espetáculos e dirigido por Walter Silva, ficou no ar até 1967 (TV Record, Canal 7, SP) e originou três discos de grande sucesso: um deles, "Dois na Bossa", foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias.

O estilo musical interpretado ao longo da carreira percorria assim o "fino da bossa nova", firmando-se como uma das maiores referências vocais deste gênero. Aos poucos, o estilo MPB, pautado por um hibridismo ainda mais urbano e 'popularesco' que a bossa nova, distanciando-se das raízes do jazz americano, seria mais um estilo explorado.

A antológica interpretação de "Arrastão" (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), no Festival de Música Popular Brasileira, escreveu um novo capítulo na história da música brasileira, inaugurando a MPB e apresentando uma Elis ousada. Uma interpretação inesquecível, encenada pouco depois de completar apenas 20 anos de idade e brindada com o reconhecimento do Prêmio "Berimbau de Ouro". O prêmio "Roquette Pinto" veio na sequência elegendo-a a Melhor cantora do ano.

Já no samba consagrou "Tiro ao Álvaro" e "Iracema" (Adoniran Barbosa), entre outros. Ainda que o ecletismo fosse um marco do repertório, não pode ser definida, em termos vocálicos, como uma cantora versátil porque o registro vocálico pouco ou nada variava. Elis seria antes um talento que transcende estilos: as canções se adaptavam a ela e não ela às canções. E nisso consisitiu o ineditismo, a originalidade, que tanto arrebatou o público: independentemente do estilo interpretado notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia técnica e uma afinação a toda prova. Seu registro vocálico pode ser definido como de um mezzo-soprano característico com um fundo levemente metálico e vagamente rouco.

Fã incondicional de Carmen Miranda, a quem prestou várias homenagens, Elis impulsionava uma carreira não menos gloriosa, possibilitando o lançamento do primeiro LP individual, "Samba Eu Canto Assim" (Cbd, selo Philips). Pioneira, em 1966 lançou o selo Artistas, regsitrando o primeiro disco independente produzido no Brasil, intitulado "Viva o Festival da Música Popular Brasileira", gravado durante o festival. Mais uma vitoriosa participação no III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), a canção "O Cantador" (Dori Caymmi e Nelson Motta), classificando-se para a finalíssima e reconhecida com o prêmio de Melhor Intérprete.

Em 1968, uma viagem à Europa a lança no eixo musical internacional, conquistando grande sucesso, principalmente no Olympia de Paris, onde se tornou a primeira artista a se apresentar lá duas vezes no mesmo ano.

Durante os anos 70, aprimorou constantemente a técnica e domínio vocal, registrando em discos de grande qualidade técnica parte do melhor da sua geração de músicos.

Patrocinada pela Philips na mostra "Phono 73", com vários outros artistas, deparou-se com uma platéia fria e indiferente, distância quebrada com a calorosa apresentação de Caetano Veloso: "Respeitem a maior cantora desta terra". Em julho lançou Elis.

Em 1975, com o espetáculo "Falso Brilhante", que mais tarde originou um disco homônimo, atinge enorme sucesso, ficando mais de um ano em cartaz e realizando quase 300 apresentações. Um dos mais bem sucedidos espetáculos na história da MPB, tornou-se um marco definitivo da carreira. Ainda teve grande êxito com o espetáculo "Transversal do Tempo", em 1978, de um clima extremamente político e tenso; o "Saudades do Brasil", em 1980, sucesso de crítica e público pela originalidade, tanto nas canções quanto nos números com dançarinos amadores e, finalmente o último espetáculo, "Trem Azul", em 1981.

Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), até o final da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos; apresentando os novos talentos da MPB, registravam índices recordes de audiência. Elis Regina participou do especial Mulher 80 (Rede Globo), um desses momentos marcantes da televisão. O programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a Mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então, abordando esta temática no contexto da música nacional e da inegável preponderância das vozes femininas na MPB; com Maria Bethânia, Fafá de Belém, Zezé Motta, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Elis Regina, Gal Costa e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.

Foi Elis quem também lançou boa parte dos compositores até então desconhecidos, como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, entre outros. Seu grande admirador, Milton Nascimento, a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições.

Dentre as dezenas de sucessos consagrados, estão: Arrastão, Canção do Sal, Casa no Campo, Fascinação, Maria Maria, Cartomante, Corcovado, O Bêbado e o Equilibrista, Aquarela do Brasil, Águas de Março, Retrato em Preto e Branco, Alô, Alô, Marciano, Chega de Saudade, Carolina, Dinorah, Dinorah, Canção da América, Travessia, Saudosa Maloca, Me deixas Louca, Garota de Ipanema, Aviso aos Navegantes, Folhas Secas, Tiro ao Álvaro, Iracema, Aquele Abraço, Como Nossos Pais, Doente Morena, Ensaio Geral, Fechado pra Balanço, Ladeira da Preguiça, Louvação, No Dia Em Que Eu Vim Me Embora, Meio de Campo, O Compositor Me Disse, Gracias a la Vida, Oriente, Rebento, Roda, Se Eu Quiser Falar Com Deus, Viramundo, dentre muitos outros.
Elis Regina criticou muitas vezes a ditadura brasileira, os difíceis Anos de Chumbo que perseguiu e exilou muitos músicos em sua época, seja por meio de declarações públicas ou pelas canções que interpretava.

Sua popularidade a manteve fora da prisão, mas foi obrigada pelas autoridades a cantar o Hino Nacional durante um espetáculo em um estádio, fato que despertou a ira da esquerda brasileira.

Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, destacando a Marcha contra as Guitarras, ainda nos anos 60, ao lado de artistas como Gilberto Gil e outros. Ainda participou ativamente da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), a qual vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na música, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro.

Outra questão importante se refere ao direito dos músicos brasileiros, polêmica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos.

Em meio a uma grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982, devido a complicações decorrentes de uma overdose de drogas, tranquilizantes e bebida alcoólica. Foi sepultada no Cemitério do Morumbi.

Elis é mãe de João Marcelo Bôscoli, filho do casamento com o músico Ronaldo Bôscoli, e de Pedro Camargo Mariano e Maria Rita, filhos do pianista César Camargo Mariano. Os três também têm carreira musical.

Fontes : Sites Wikipédia, Ovadia Saadia

Emilinha Borba

(Rio de Janeiro/RJ, 31 de agosto de 1922 — Rio de Janeiro/RJ, 3 de outubro de 2005)

Emília Savana da Silva Borba, conhecida como Emilinha Borba, nasceu no Rio de Janeiro, em 31 de agosto de 1922.

Emilinha Borba nasceu na Vila Savana, de seu avô, situada na Rua Visconde de Niteroi, no Bairro da Mangueira, na cidade do Rio de Janeiro / RJ. Filha de Eugênio Jordão Borba e Edith da Silva Borba.

Ainda menina e contrariando um pouco a vontade de sua mãe, apresentava-se em diversos programas de auditório e de calouros, dentre eles, "A Hora Juvenil", na Rádio Cruzeiro do Sul, e "Calouros do Ari Barroso", onde conquistou nota máxima interpretando o samba "O X do Problema" de Noel Rosa.

Cantando de emissora em emissora de rádio daquela época, Emilinha Borba formou com Bidú Reis, e por um curto período, a dupla "As Moreninhas", quando então, gravaram em Discoteca Infantil - 78 RPM, "A História da Baratinha", numa adaptação de João de Barro.

Dupla desfeita, Emilinha Borba passou a cantar sozinha, sendo de imediato contratada pela Rádio Mayrink Veiga e recebendo de Cesar Ladeira o slogan "Garota Grau Dez".

Em seguida foi convidada por João de Barro (Braguinha) a participar com destaque, em 1939, da gravação da marcha "Pirulito" cantada por Nilton Paz, sendo que no disco não constou seu nome, só o do referido interpréte.

No mesmo ano, na Columbia Discos e com o nome de Emília Borba, grava seu primeiro disco 78 RPM "Ninguém Escapa" de Erastostenes Frazão e "Faça o Mesmo" de Frazão e Nássara.

Levada por Carmen Miranda, "A Pequena Notável" e sua madrinha artística, fez um teste no Cássino Balneário da Urca, no Rio de Janeiro. Por ser menor de idade e na ânsia de conseguir o emprego, Emilinha Borba alterou sua idade para alguns anos a mais. Ajudada por Carmen, que também emprestou-lhe vestido apropriado e sapatos de plataforma, foi aprovada por Joaquim Rollas, diretor artístico do Cassino e ali passou a se apresentar como "crooner", tornando-se logo em seguida uma das principais atrações daquela casa de espetáculos.

Transferiu-se da Columbia Discos para a gravadora Odeon, de onde já era contratada sua irmã e também cantora, Nena Robledo, casada com o compositor Perterpan. Lá, em fins de 1941 e já com o nome de Emilinha Borba, gravou "O Fim da Festa" de Nelson Trigueiro e Nelson Teixeira e "Eu Tenho um Cachorrinho" de Oswaldo Santiago e Georges Moran. Em 1944 retorna à Columbia Discos, com a etiqueta de Continental Discos, permanecendo naquela gravadora até fins de 1958, quando, então, transferiu-se para a CBS (hoje Sony Music) e ali ficando contratada por 18 anos consecutivos.

Em 1942, Emilinha Borba foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se meses depois. Em Setembro de 1943 retornou ao "cast" daquela Emissora, firmando-se a partir de então, e durante os 27 anos que lá permaneceu contratada, como a "Estrela Maior" da emissora PRE-8, a líder de audiência.

Enquanto naquela emissora, Emilinha atingiu o ápice de sua carreira artística, tornando-se uma das cantoras mais queridas e populares do país. Teve participação efetiva em todos os seus programas musicais, bem como, foi a "campeã absoluta em correspondência" por 19 anos consecutivos (até quando durou a pesquisa naquela emissora) de 1946 à 1964.

Os concursos populares, que servem como termômetro de popularidade do artista, sempre foram constantes, e, das pesquisas realizadas, na fase aurea do rádio, 99,9% deram vitória a Emilinha Borba, tornando-a a artista brasileira que possivelmente possui mais títulos, troféus, faixas e coroas.

Principais Títulos Outorgados à Emilinha:

Favorita da Marinha (1947)
Favorita dos Marinheiros (1948)
Favorita Permanente da Marinha (1949)
Melhor Cantora de 1950 (1951) - Revista do Rádio
Melhor Cantora de 1951 (1952) - Revista do Rádio
Melhor Cantora de 1952 (1953) - Revista do Rádio
Rainha do Rádio (1953) - Associação Brasileira do Rádio ABR - Emilinha foi eleita apenas com o voto popular (sem patrocínio comercial) e o somatório dos votos das demais candidatas não atingiu o total de votos de Emilinha, que alcançou patricamente o triplo de Angela Maria, a segunda colocada.
Rainha dos Músicos (1957) - Ordem dos Músicos (pela primeira vez os próprios músicos elegeram sua Rainha)
Rainha da Rádio Nacional (1958)
Rainha do Jubileu de Prata da Rádio Nacional (1961)
Rainha do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro (1965)
Primeiro Lugar por 13 Anos Consecutivos no Concurso "Os mais queridos do Rádio e da Televisão" - Revista do Rádio - a pesquisa foi realizada de 1956 à 1968
Rainha do Jubileu de Ouro da Rádio Nacional (1986)
Cidadã Benemérita da Cidade do Rio de Janeiro (1991)
Cidadã Paulistana (1995)
Troféu Imprensa (1996)
A Cantora do Brasil Mais Popular do Século XX (1999)
A Maior Intérprete da Música Carnavalesca do MILÊNIO - Socimpro
50 Anos de Rainha do Rádio (1953 / 2003)

Nas edições da "Revista do Rádio", "Radiolândia" e do jornal "A Noite", Emilinha se comunicava com seus fãs, amigos e leitores desses orgãos da imprensa, através das colunas:

Diário da Emilinha
Álbum da Emilinha
Emilinha Responde
Coluna da Emilinha

O simples anúncio de sua presença em qualquer cidade ou lugarejo do país, era feriado local e Emilinha simbolicamente recebia as chaves da cidade e desfilava em carro aberto pelas principais ruas e avenidas.

Devido ao enorme sucesso após o seu terceiro espetáculo realizado no teatro Santa Rosa em João Pessoa (Paraíba) Emilinha teve que cantar em praça pública junto ao Casssiano Lagoa, para um incalculável público, só comparado aos dos comícios de Luiz Carlos Prestes ou Getúlio Vargas.

Emilinha Borba foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo. O laboratório Leite de Rosas até então investia em artistas internacionais (como a orquestra de Tommy Dorsey) e contratou e patrocinou Emilinha por três meses consecutivos em excursão pelo Norte e Nordeste.

Sua foto era obrigatória nas capas de todas as revistas e jornais do país. Na "Revista do Rádio" semana era ela, na seguinte outro artista e na posterior ela novamente. Até que, na Semana Santa que seria a vez de Emilinha, foi criado um impasse, pois o diretor da revista queria homenagear a Igreja Católica. Como resolver? Solução: colocar um crucifixo em seu colo, o que foi o bastante para um crítico (José Fernandes) dizer: "Que até Cristo para ser capa de revista teve que sentar no colo de Emilinha".

Até Agosto de 1995 Emilinha Borba foi a personalidade brasileira que maior número de vezes foi capa de revistas no Brasil, calcula-se aproximadamente umas 350 capas nas mais diversas revistas.

Emilinha Borba fo a primeira a:

- gravar, comercialmente, um samba de enredo de escola de samba. "Brasil Fontes das Artes" do GRES do Salgueiro (1957).
- gravar, comercialmente, uma música tema "trilha sonora" de Novela. "Jerônimo, O Herói do Sertão" (1955). Novela transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro / RJ e anos depois adaptada pela TV Tupi do Rio de Janeiro / RJ.
- cantar à distância da orquestra. Quando em 1955, excursionando pelo Sul do País, esteve no Estúdio da Rádio Gaúcha de Porto Alegre / RS e de lá por telefone, cantou o bolero "Em Nome de Deus", defendendo o primeiro lugar da "Parada dos Maiorais - Plastilhas Valda" do Programa César de Alencar, sendo devidamente acompanhada pela Orquestra do Maestro Ercolli Vareto, que se encontrava no palco / auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro / RJ.
- gravar um disco com o sistema de posterior colocação da voz sobre a parte orquestrada, já previamente gravada. Foi quando gravou "Catito", em 1958, pela CBS.
- usar o marketing de divulgação oficial e simultânea em todas as emissoras de rádio do país. Quando do lançamento de "Catito" pela CBS em 1958.
- "reger" a platéia do Maracanãzinho literalmente lotado. Quando defendeu o primeiro lugar na festa de apresentação das músicas campeãs do carnaval de 1957. Interpretou a marcha "Vai com Jeito" de João de Barro (o Braguinha).

De 1968 a 1972, Emilinha esteve inativa por problemas de saúde. Teve edema nas cordas vocais e, após três cirurgias e longo estudo para reeducar a voz, voltou a cantar. Seu retorno ocorreu em grandioso espetáculo realizado pelo Sistema Globo de Rádio, diretamente do campo de futebol do Clube de Regatas Vasco da Gama / RJ, exatamente no Dia dos Marinheiros de 1972.

No início de 1973, com transmissão direta pela TV Tupi / RJ, apresentou-se no Canecão / RJ, no festival de MPB, quando, com a marcha de João Roberto Kelly "Israel", venceu, mais uma vez, a "guerra" do carnaval.

Após 22 anos sem gravar um trabalho só seu, a "Favorita da Marinha" lançou, em 2003, o CD "Emilinha Pinta e Borba", com participações de diversos cantores como Cauby Peixoto, Marlene, Ney Matogrosso, Luís Airão, Emílio Santiago, entre outros, e, no início de 2005, o CD "Na Banca da Folia", para o carnaval do mesmo ano, com a participação do cantor Luís Henrique na primeira faixa - Carnaval Naval da Favorita - e de MC Serginho na Marcha-Funk da Egüinha Pocotó.

Emilinha Borba continuou fazendo espetáculos pelo Brasil inteiro, tendo marcado presença, nos seus três últimos anos de vida, em vários estados brasileiros como Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia.

Seus maiores sucessos, entre centenas de outros, são: o bolero "Dez Anos", de Rafael Hernández com versão de Lourival Faissal e a marcha "Chiquita Bacana", de João de Barro e Alberto Ribeiro.

Por falta de gravadora, Emilinha Borba, a mais popular cantora brasileira de todos os tempos, teve que vender seus CDs em praça pública.

Emilinha Borba morreu de infarto, aos 82 anos, no dia 03 de outubro de 2005 em seu apartamento, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

O estado de saúde da artista era frágil. Em junho de 2005, ela esteve internada após cair de uma escada e sofrer traumatismo craniano e hemorragia intra-cerebral. Em fevereiro de 2004, chegou a ser hospitalizada após cair da cama e fraturar o braço direito.

Em 2011 foi montado o musical "Marlene e Emilinha".

Fontes: Site Oficial Emilinha Borba, Sites Wikipédia, Folha On Line, Uol.

Ester de Abreu

(Lisboa/Portugal. 25 de outubro de 1921 ****** Rio de Janeiro/RJ, 24 de fevereiro de 1997)

Ester de Abreu Pereira era irmã da também cantora Gilda Valença.

Iniciou a carreira cantando em programas radiofônicos dedicados ao público infantil, em Portugal.

Em 1940 começou a cantar profissionalmente na Rádio Nacional de Lisboa.
Em 1946 venceu um concurso na mesma rádio, da qual passou a fazer parte do "cast" de artistas. Excursionou diversas vezes por Portugal.

No ano de 1948 recebeu convite para vir ao Brasil fazer uma temporada de dois meses no Copacabana Palace Hotel, no espetáculo "Sonho nas Berlengas". Acabou ficando no Rio de Janeiro definitivamente, sendo contratada pela Rádio Nacional.

Estreou em discos no Brasil em 1950, gravando na Continental o fado canção "Já não sei", de Antônio Mestre e o fado "Pomar da vida", de Renê Bittencourt e Antônio Mestre. No ano seguinte gravou o fado baião "Ai, ai Portugal", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga e o baião "Carro de boi", de Humberto Teixeira e Caribé da Rocha.

Em 1952, gravou pela Sinter seu maior sucesso, o fado-canção "Coimbra (É uma lição de amor)", de José Galhardo e Raul Ferrão. No ano seguinte gravou para o carnaval a marcha "Cabral no carnaval", de Blackout. Entre 1952 e 1953, teve um romance com o então prefeito do Distrito Federal, Coronel Dulcídio do Espírito Santo Cardoso, relacionamento que mereceu fortes reportagens na imprensa e em revistas especializadas. Em 1954 gravou de Paulo Tapajós e Jorge Henrique a canção "Quero-te outra vez". No mesmo ano lançou seu primeiro LP, pela RCA Victor.

Tanto por sua beleza pessoal, quanto por sua ligação sentimental com o então prefeito do Distrito Federal, Cel. Dulcidio do Espírito Santo Cardoso, obteve grande popularidade, na década de 1950, tendo por inúmeras vezes merecido a capa das revistas Radiolândia e Revista do Rádio.

Em 1955 gravou o fox "Gosto milhões", de Cole Porter, com versão de Haroldo Barbosa e o "Samba no Havaí", de Bruno Marnet e Irani de Oliveira. No ano seguinte gravou com Ivon Curi o samba "Pequena do contra", de Renê Bittencourt. Em 1957 gravou de Fernando César e Dolores Duran, a toada "Só ficou a saudade" e de Irani de Oliveira e Lourival Faissal o fado "Canção do imigrante".

Já na década de 60, em 1962, lançou pela Continental o bolero "Que Deus me dê", da dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia.

Até a década de 1970, quando encerrou a carreira artística, a cantora não gravou apenas fados e canções, mas também vários gêneros populares brasileiros como sambas-canções, baiões e marchinhas de carnaval.

Também destacou-se no cinema, atuando nos filmes:

1976 - As Aventuras de Um detetive Português
1973 - Como Evitar o Desquite
1957 - Pirata do Outro Mundo
1956 - Vamos Com Calma

Fonte: Cantoras do Brasil.

domingo, 25 de novembro de 2012

Eduardo Conde

(Recife/PE, 9/4/1946 ------------ Petrópolis/RJ, 16/1/2003)

Ator e cantor, Eduardo Conde tinha 37 anos de carreira e atuou em diversos espetáculos teatrais e novelas globais.

Estreou na carreira artística como cantor em 1967, aos 19 anos, influenciado pela cantora Beth Carvalho, que lhe ensinou os primeiros acordes num violão. Seu primeiro disco, gravado em 1969, foi ''Minha chegada''. Foi membro do Conjunto 3D. Na década de 60 também se apresentou em festivais de música popular brasileira.

Resolveu dedicar-se à carreira de modelo e, em seguida, de ator. Em 1974, no Festival Internacional de Teatro, participou de um espetáculo com 12 horas de duração. Entre 75 e 78, atuou na peça ''Jesus Cristo Superstar'', na qual interpretava o personagem principal.

No cinema fez vários filmes com Os Trapalhões (Os Saltimbancos Trapalhões, O Incrível Monstro Trapalhão, Os Trapalhões na Serra Pelada), entre outros.

Em 1995 retomou a carreira de cantor e lançou o disco ''Pra falar de amor''.

Na TV trabalhou nas novelas ''Sinal de alerta'' (1978) –sua primeira novela- e ''Plumas e Paetês'', da Rede Globo, e ''A Idade da Loba'', da Rede Bandeirantes. Participou também da minissérie "O Quinto dos Infernos". Seu último trabalho foi uma participação especial no primeiro capítulo da novela “O Beijo do Vampiro”, da Rede Globo, como o Rei Dagoberto.

Conde teve um filho, Bernardo, de seu casamento com a atriz e modelo Betty Lago. Foi casado também com a modelo e atriz Mila Moreira.

No teatro teve um grande momento ao lado da atriz Irene Ravache na peça "Intimidades Indecentes" com a qual viajou o País por mais de um ano.

Faleceu aos 56 anos, em decorrência de um câncer no pulmão, no Hospital Beneficência Portuguesa, em Petrópolis, região serrana do Rio.

Fonte: Dramaturgia Brasileira.

Eduardo das Neves

(Rio de Janeiro/RJ, 1874 -------- Rio de Janeiro/RJ, 11/11/1919)

Eduardo Sebastião das Neves foi um palhaço, poeta, cantor, compositor e violonista brasileiro. Era pai do músico Cândido das Neves.

Frequentava círculos de chorões e boêmios no final do século XIX. Após sua expulsão do Corpo de Bombeiros, passou a trabalhar como palhaço, cantor e violonista de circo no Rio de Janeiro, viajando para vários estados.

Ao lado de figuras como Mário Pinheiro, Cadete e Bahiano, foi um dos pioneiros da indústria fonográfica. Deixou extensa discografia e alguns livros de poesia. Alguns grandes êxitos foram "Estela" (A. Lira/ A. Tavares), "O Aquidabã", "Isto É Bom" (Xisto Bahia), "O Meu Boi Morreu" e "A Conquista do Ar", marcha de 1902 que homenageia os feitos de Santos Dumont.

Foi Eduardo das Neves quem aproveitou a canção napolitana "Vieni sul mare" e fez a adaptação para glorificar a chegada do encouraçado Minas Gerais, que se juntaria à esquadra brasileira. Mais tarde, modificada pelo povo, passou a celebrar tão somente o estado brasileiro e não mais o navio, na conhecida música "Oh! Minas Gerais".

Fonte: Wikipédia.

Edu da Gaita

(Jaguarão/RS, 13/10/1916 ******* Rio de Janeiro/RJ, 23/8/1982)

Edu da Gaita (Eduardo Nadruz), de ascendência síria, nasceu em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai.

Era o primogênito de 3 filhos. Seu pai desfrutava de boa posição na cidade como arrendatário de um cinema.

Em 1925, foi estudar em colégio interno de padres, na cidade de Pelotas, o São Luiz Gonzaga. Nesse ano , o representante local das famosas gaitas Hohner, da Alemanha, promoveu entre a criançada um concurso e o menino Eduardo, dentre os mais de 300 concorrentes, ganhou o primeiro prêmio, sem que a vitória significasse para ele algum interesse particular pelo instrumento ou pela música.

Continuou seus estudos ginasianos em Porto Alegre e, como tantos brasileiros, seu pai não conseguiu escapar da crise mundial. Eduardo pouco colaborava, a ponto de abandonar os estudos e levar uma vida sem definição. Seu pai entendeu que era chegada a hora dele trilhar um rumo mais responsável e esse rumo apontava para São Paulo: "São Paulo é uma grande cidade. Lá ele vai aprender a ser gente!"

Deu 300 mil-réis ao filho, que embarcou para Santos num Ita, o Itassucê. Como tocasse razoavelmente plano de ouvido, ganhou do comandante as passagens com a condição de tocar durante a viagem. Em Santos permaneceria poucos dias sem conseguir emprego. Em São Paulo, para onde foi em seguida, pretendia trabalhar na rua Vinte e Cinco de Março em alguma loja de comerciante árabe, mas também nada arranjou.

O ano era de 1933, logo depois da Revolução Constitucionalista, e o fato de ser gaúcho precisava ser escondido para não prejudicá-lo, pois os paulistas ainda estavam muito ressentidos com a derrota.

Na pensão, por falta de pagamento, foi avisado de que, se não acertasse as contas, seria despejado em 15 dias. Andando pelas ruas em busca de uma saída, na ladeira da avenida São João, viu alguém tocar gaita e passar o pires. Lembrou-se então dos seus tempos de Pelotas e do concurso de gaitas. Sentiu que esse podia ser um meio para minorar sua situação. Não tinha porém o instrumento, ou melhor não tinha a gaita e nem a "gaita" para comprá-la.

Perto ficava a Casa Manon, loja de músicas e instrumentos. O gerente queixou-se a ele de que as gaitas não atraíam compradores e o estoque estava encalhado. Eduardo teve a idéia de propor-lhe um trato: ganharia uma porcentagem por gaita que conseguisse vender. Foi então para a porta da loja e começou a tocar. Resultado: não demorou a vender aos passantes 24 gaitas, com direito à porcentagem e uma gaita para si.


E assim Eduardo foi levando a vida na capital paulista, a tocar gaita e a fazer o que aparecesse, inclusive sendo camelô. Chegou a tocar na Rádio Cruzeiro do Sul. Aí resolveu partir para o Rio de Janeiro, onde chegou no Sábado do carnaval de 1934. Sem revelar que era gaúcho, foi à Rádio Mayrink Veiga em busca de uma oportunidade junto a César Ladeira, diretor-artístico da mesma, que se notabilizara em São Paulo como o "speaker" da Revolução Paulista ao microfone da Rádio Record.

César o aceitou e o escalou para tocar no programa Desenhos Animados. Só que não gostou do seu nome Eduardo Nadruz, nada artístico, e o apresentou como Edu e Sua Gaita. O "da Gaita" viria bem depois. Pouco duraria esse seu início radiofônico, porquanto seu repertório não passava de 2 tangos e 1 rancheira.

Eis Eduardo der volta às mesmas dificuldades, com a diferença de que passou a levar a gaita a sério, estudando sem parar, embora sem nunca ter aprendido a ler música, que compensava com o ouvido absoluto de que era possuidor. O grande empecilho é que as gaitas encontradas no Brasil não dispunham de recursos e ele pressentia que, em algum lugar, devia haver modelos mais avançados.

Então, em 1939, dar-se-ia o verdadeiro início de sua carreira. Conversava com o pianista Nonô, no Café Nice, quando chegou o cantor e violonista Fernando (de Albuquerque), que havia chegado há pouco de Nova Iorque, onde estivera com a Orquestra de Romeu Silva na feira Mundial. Fernando tinha começado na casa Edison (Odeon) nos anos 20. Pois fernando contou aos presentes que havia trazido de Nova iorque uma gaita diferente, com uma "chave". Edu, vivamente interessado, não sossegou enquanto Fernando não foi buscar a tal gaita. A "chave cromática" era tudo o que ele vinha imaginando e correspondia às teclas pretas do piano. Emocionadíssimo, levou-a aos lábios e tocou como se a conhecesse há anos. Era a solução definitiva.


Ainda como músico de rua e bares, foi ouvido por Sílvio Caldas e por ele levado à Rádio Mayrink Veiga, onde permaneceria sob contrato por 10 anos, transferindo-se a seguir para a Rádio Nacional. Nesse mesmo ano de 1939, faz seu primeiro disco, na Colúmbia, neste CD., com Canção da Índia e Violino Cigano. Em Canção da Índia teve o acompanhamento dos Swing-Maníacos, ou seja, os irmãos Dick e Cyll Farney e Hélio Beltrão, futuro ministro no governo Figueiredo.

Sua carreira, a partir daí, foi se solidificando cada vez mais no rádio, cassinos e através de excursões. No seu instrumento, era o maior do Brasil, O Mago da Gaita. Por ser muito magro não escapava dos brincalhões: O Magro da Gaita.

O fim do jogo, em 1946, e fechamento dos cassinos, também não o pouparia. Uma excursão à Argentina, que deveria durar o tempo normal de 4 semanas, estender-se-ia por quase dois anos. Já estava casado com Hercília, com a qual teve um único filho, Eduardo como ele, médico.

Nessa ocasião, começou a cultivar o sonho de gravar o Moto Perpétuo, do célebre violinista e compositor italiano Niccolo Paganini (1782-1840), obra tida como impossível de ser executada em instrumento de sopro. Seu interesse em ser o primeiro no mundo a realizar a proeza foi despertado quando ouviu, na Mayrink veiga, o violinista João Correia de Mesquita fazer uns exercícios com a música durante um ensaio.

Não foi difícil para Edu aprender os 150 compassos sem pausa do Moto Perpétuo, mesmo não lendo música, mas se passariam 11 longos anos de obsessivos estudos até que se sentisse pronto para gravá-lo. O público sempre teve, desde o início, conhecimento desse seu objetivo. Assim, em 1956, quando chegou ao estúdio da Continental, havia jornalistas para acompanhar o grande acontecimento e observar se não haveria alguma montagem indevida.

O primeiro registro, com Leo Peracchi ao piano, saía sem qualquer falha até que alguém deixou cair ao chão uma máquina de escrever. Só na 39ª tentativa, já à noite, foi que o Moto Perpétuo resultou perfeito.

Sua façanha de tocar pela primeira vez, em todo o mundo, o Moto Perpétuo em instrumento de sopro seria mais tarde repetida, entre outros, por Paulo Moura ao saxofone e pelo trumpetista mexicano Rafael Mendez.

O perfeccionismo era o traço predominante do artista Edu, que se autodefinia como uma "pilha de nervos". Mas sempre foi bem e cordial amigo, capaz de frases como "Edu e sua gaita e o Láfer (ministro da Fazenda de Getúlio) com a "nossa".

Em 1960, participou da 3ª Caravana Oficial da Música Popular Brasileira, organizada por Humberto Teixeira e capitaneada por Joraci Camargo, da qual; fazia parte o Sexteto de Radamés Gnattali com Chiquinho do Acordeom. Apresentaram-se em Portugal, França, Itália, Inglaterra e Alemanha. Na Alemanha, aproveitou para conhecer a fábrica da Hohner em Trossingen. Ao examinar os modelos, tocou uma parte do Moto Perpétuo. Foi o bastante para a direção presenteá-lo com uma coleção de gaitas.

Nunca quis se radicar e fazer carreira no exterior. Nacionalista, entendia que no Brasil podia fazer mais por sua cultura. A própria gravação do Moto Perpétuo continha o desejo de mostrar ao mundo que os brasileiros eram gente de talento. Seu sonho era também provar que a gaita merecia uma cátedra nas escolas de música por ser um instrumento completo, definido.

Não há dúvida de que, mais do que qualquer outro, conseguiu demonstrá-lo, tanto que a história da gaita, no Brasil, pode ser dividida em antes e depois dele (Texto de Abel Cardoso Júnior).

Fonte: MPB Cifrantiga.

Ed Wilson

(Rio de Janeiro/RJ, 29/7/1945 ******** Rio de Janeiro/RJ, 3/10/2010.

Edson Vieira de Barros, conhecido artisticamente como Ed Wilson, nasceu no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro/RJ.

Conviveu com a música desde menino, inclusive aos 14 anos cantava os sucessos de Nélson Gonçalves, Anísio Silva e outros ídolos que eram sucessos na época.

A “Família Barros” sempre dedicada a arte, principalmente a música. Sua mãe Elair Silva, foi cantora da Rádio Nacional, chegou a ganhar concurso como melhor cantora, porém seu pai, o velho “Barros”, evidentemente com ciúmes, nunca permitiu que seguisse carreira. Seu “Barros” foi ator, teve participações em vários filmes nacionais. Todos os domingos a família se reunia para o famoso almoço dominical e a música rolava solta.

Edinho (como é carinhosamente chamado pelos amigos), junto com os irmãos Renato Barros e Paulo César Barros, dois monstros sagrados na guitarra e contra-baixo, respectivamente, resolvem formar um grupo, após assistirem ao show de Bill Halley, em abril de 1958, no programa “Noite de Gala” na TV-Rio, que futuramente seria o mais querido da jovem guarda, os BLUE CAPS (o nome inicial dado por Renato foi: Bacaninha do Rock da Piedade) A influência do rock´n´roll tomava conta do mundo, a juventude acompanhou a febre do rock, um rumo diferente, uma loucura. Renato por ser o mais velho, e seguindo orientação do pai, foi nomeado o líder, porém Ed Wilson era o cantor, todo estilo Elvis Presley, ou seja, se sentido o próprio, deixando o topetão crescer, usando gola alta e jaqueta de couro. O mais novo deles, Paulo César, em seu contrabaixo acústico (afinava em dó maior), cantava menos. Iniciaram fazendo mímica,haja vista, que era a coqueluche da época, só depois partiram para tocar e cantar ao vivo, onde todo o talento dos irmãos “Barros” começaram a despontar.

Depois de sofrer um pouco, como acontece sempre, o grupo BLUE CAPS, começou a ser reconhecido por todos, principalmente nos programas dedicados aos jovens, e então, Carlos Imperial, no faro que lhe era peculiar, sentiu o talento do menino e então falou que ele deveria se destacar e ter seu próprio espaço, com isso deu corda no velho Barros, para Edinho fazer carreira solo. Ficou no grupo até o final de maio de 1962, quando o próprio Imperial, lhe deu o nome artístico de Ed Wilson, porém é bom destacar, que Ed sempre participava das gravações dos BLUE CAPS e também em alguns shows, nunca esquecendo suas origens e em alguns depoimentos, achou sua saída do grupo, um pouco prematura.

Foi contratado pela gravadora Odeon, e no dia 06 de julho de 1962, entrava em estúdio para gravação de seu 1º. Disco, 78 rpm, com as músicas “Nunca Mais” – de Carlos Imperial e Paulo Brunner e “Juro Meu Amor” – versão de Imperial, com acompanhamento dos BLUE CAPS. O lançamento aconteceu em agosto com o número 14.813, obtendo relativo sucesso, inclusive sendo destaque da Revista do Rádio, a mais famosa da época, na edição 678 de 1962, onde é chamado de “Elvis Brasileiro”.

Em 1963, no dia 15 de abril, entrou em estúdio novamente e gravou seu 2º. Disco, um compacto duplo, com as músicas: "Telefonema" – de Renato Barros; "Quando" – Versão de Romeo Nunes; "Eu e Elas" – Versão de Mário Albanese e "Doidinha por Mim" – de Ricardo Galeno, lançamento feito em maio, número 7BD-1059.

Já no fim do ano de 1963, deixou a gravadora Odeon e foi contratado pela RCA VICTOR, porém não ficou muito contente, pois foi obrigado a gravar logo no seu 1º. Disco versões italianas: “Sabor de Sal” e “Bronzeadíssima”, feitas por Hélio Justo e lançado em março de 1964, com o número 6020. Em junho do mesmo ano, lançou um novo compacto simples, de número 6071, com as músicas: “Carro do Papai” e “Patrulha da Cidade”, composições de seu irmão Renato Barros. Seu último trabalho na RCA,aconteceu em abril de 1965, com o compacto simples de número 6136, com as músicas: “Doce Esperança” e “Como Te Adoro Menina”, composições também de Renato, sendo a última versão, e é considerada uma das mais bonitas interpretações de Ed Wilson.

No dia 22 de agosto de 1965, a TV Record, em São Paulo, lançou o programa que marcaria definitivamente a música da juventude: “JOVEM GUARDA”, sob o comando de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, seus amigos de luta no Rio de Janeiro. Com o sucesso do programa, os cantores jovens começaram a aparecer, principalmente em São Paulo, Ed Wilson, foi um deles, e então a gravadora CBS, logo levou para seu Cast, inclusive Pedro Paulo, Luis Carlos Clay, Luis Keller e outros também foram contratados.

Em março de 1966 foi lançado seu único LP, do período Jovem Guarda, de número 37.448, título “Verdadeiro Amor”, acompanhamento de Renato e seus blue caps, onde se destacaram as faixas: “Sandra” – Versão de Gileno; “Se Você Quer” – Versão de Lílian; “Vou Partir” – Versão de Renato Barros, é nesse álbum que gravou uma composição sua “Não Sei Porque”. Depois disso, só conseguiu lançar compactos e participações na coletânea “14 Mais” e segundo o próprio Ed Wilson, faltou-lhe agressividade em termos de álbuns, como fazia muitos shows e pelo próprio traço de sua personalidade, de não ser ambicioso, aquilo lhe bastava.

A morte de seu pai no final de 1967 lhe afetou muito, porque era ele quem cuidava pessoalmente de sua carreira. Porém, há quem garanta que foi sabotado na gravadora CBS. Em termos de compactos e participações nas “14 Mais”, despontaram muitas músicas como: 1967 – “Saudade” – Versão de Lisna Dantas; “Sem seu Amor” e “Amigo da Onça” – ambas de Renato Barros; 1968 – “E Morro de Saudade de Você” – de Luiz Ayrão e Marcos Torraca; 1969 – “Se ela não Serve pra Você, Também não Serve pra mim” – de Raulzito; 1970 – “Mas que Frio Faz” – Versão de Leno e 1971 – “Ela é Minha” – Versão de Rossini Pinto.

Gravou dois duetos com a cantora Diana, inseridos nas “14 Mais” – 1971 – “Carinhoso” – de João de Barro e Pixinguinha e em 1972 – “Quero Saber” – Versão de Rossini Pinto, ambas com produção de Raul Seixas.

Antes de deixar a CBS no final dos anos 70, gravou em inglês com o pseudônimo de Barry Dean, para trilhas das novelas da Rede Globo, onde obteve destaque para a música "Love Me More", trilha sonora de “Sem Lenço Sem Documento Internacional” em 1978, drama de Mario Prata e direção de Regis Cardoso e Denis Carvalho. Fez muitos shows cantando sucessos internacionais, era a fase dos Pholhas, Christian, Morris Albert, Michael Sullivan e tantos outros brasileiros que cantavam em inglês.

Teve sua investida na carreira de produtor, onde trabalhou muito com Jerry Adriani, Sidney Magal, Peninha, Lílian, César Sampaio, principalmente na gravadora Polydor, a convite de Roberto Livi, onde produziu discos em Los Angeles e Miami.

Em 1981 gravou um compacto simples Gêmini RR- 1719 com as músicas: “Com que Direito” e “Quem é Você” de sua autoria em parceria com Cury, com produção de Livi. Nesse período fez memoráveis composições, é bom esclarecer, que no período da Jovem Guarda fez várias composições para Renato e seus blue caps, Wanderléa, Cleide Alves, Pedro Paulo, José Roberto, Leno e outros. É de sua autoria canções extraordinárias como: “Chuva de Prata” – Gal Costa; “Aguenta Coração” – José Augusto; “Pede a Ela” – Tim Maia; “Aparências” – Márcio Greyck; “O Pensamento Vai Mais Longe” – The Fevers e muitas outras. É grande a relação de ídolos que gravaram suas composições.

Ainda nos anos 80, enveredou para o universo da música gospel, quando em 1985, pela gravadora Copacabana lançou seu 1º. Álbum religioso, título “Chuva de Bênçãos”. Em 1988, produziu o álbum da cantora Kátia Cilene, gravadora RGE, onde fez dueto na música “Quero Seu Amor Pra Mim” – versão de Carlos Colla, original de Neil Sedaka. Depois foi contratado pela Line Records em 1992, onde gravou os álbuns: “Te Amo Tanto”; “Minha Estrada”, “Uma Força no Ar”,um dos quais em espanhol “Mi Ruta”, versionado do álbum “Minha Estrada” para o mercado latino. Lançou ainda outros trabalhos na linha gospel.

Foi um dos mais importantes integrantes do grupo “THE ORIGINALS”. Em 2005, Miguel teve a idéia de juntar ex-integrantes das três maiores bandas do período Jovem Guarda, ou seja, The Fevers, Renato e seus blue caps e Os Incríveis e formar um grupo para reviver os grandes sucessos da época. A formação inicial contou com: Miguel, Pedrinho, Cleudir e Almir (Fevers) – Ed Wilson (Blue Caps) e Netinho e Nenê (Incríveis). O sucesso foi imediato, alcançando os objetivos desejados pelos componentes. Como acontece em todos os grupos é difícil manter sempre os mesmos integrantes, e ocorreram algumas mudanças.

O cantor e compositor estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, ele lutava contra um câncer que o abateu em apenas seis meses, segundo familiares. De acordo com nota divulgada pelo hospital, ele era portador de cardiopatia e doença neoplásica e faleceu com choque séptico.

O corpo foi velado na capela 6 do cemitério São João Batista, em Botafogo. E a cremação está marcado para ser na tarde desta terça-feira (4) no crematório do Caju, na Zona Portuária do Rio. Ed Wilson morava no Leblon e deixou viúva e filhos.

Fonte: Túnel do Tempo / O Globo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Esther Tarcitano

(São Paulo/SP, 10/10/1928 ******* Rio de Janeiro/RJ, 9/5/2011)

Esther Tarcitano, também grafada como Ester Tarcitano, nasceu no bairro da Mooca. Depois da separação dos pais, mudou-de para o Rio de Janeiro com sua mãe, Flora Tarcitano, e estudou num colégio de freiras, com a ideia de ingressar na vida religiosa. No entanto, seu projeto de vida tomou outro rumo depois de se apaixonar pelo sapateado e começar aulas com o coreógrafo Mr. Brown. Em uma de suas apresentações com seu grupo de sapateado, chamou a atenção de Walter Pinto, que a contratou junto com seu grupo para o Teatro Recreio. Três anos depois, ela era a única a ficar na companhia e estreia, em 1944, como girl na burleta "Maria Gasogênio", estrelada por Dercy Gonçalves. Em seguida, esteve no elenco das revistas "Momo na Fila" (1944) e "Bonde da Laite" (1945).

Em 1950, na Companhia Bibi Ferreira, estreiou na primeira fila de girls, na revista "Escândalos". Ao mesmo tempo, fez parte dos shows de Caribé da Rocha, no Copacabana Palace, onde apresentou um solo de rumba.

Em 1957, ao substituir a vedete Siwa na revista "Agora a Coisa Vai", deixou o coro para se tornar estrela. Em 1957, já como primeira vedete, no espetáculo "Rumo a Brasília", apresentado no Teatro Paramount, em São Paulo, recebeu o Troféu Índio, conferido por jornalistas.

Nesse mesmo ano, passou a ser empresária teatral e montou dois espetáculos que se transformaram em sucesso imediato, no Rio de Janeiro: "Mulher Só de Lambreta" e "Folias no Catete".

Em 1958, fez sua estreia no famoso desfile de fantasias do Teatro Municipal, com a fantasia "Sereia". No ano seguinte, lançou-se como cantora de carnaval e gravou o sucesso "O Palhaço que é Ladrão de Mulher".

Nos anos 70, com o fim do teatro de revista, investiu na carreira de empresária e montou espetáculos em boates e casas noturnas cariocas, fazendo números de strip-tease, sendo que o mais famoso deles foi "Quanto mais pu...ra melhor". Nesse período, participou como jurada do programa do Chacrinha, nas Tv Globo e Tupi.

Em 1989, casou-se com o americano William Bender, em Las Vegas. Viveu durante alguns anos nos Estados Unidos, onde fez programas de rádio em português e espanhol.

De volta ao Rio de Janeiro, atuou durante cinco anos no comandando do programa Sábado Gigante é o Show, na Rádio Carioca, e como apresentadora de TV, na TV Comunitária do RJ.

A artista morava no bairro do Leme, no Rio de Janeiro e sofria de problemas cardíacos. Faleceu de causas naturais, deixando uma filha e três netos.

Fonte: Enciclopédia do Teatro.

Erlon Chaves

(São Paulo/SP, 9/12/1933 ****** Rio de Janeiro/RJ, 14/11/1974)

Regente, arranjador, pianista, vibrafonista, compositor, disc-jóquei., tele-ator e cantor.

Ainda bem pequeno, demonstrou gosto pela música, chegando a apresentar-se na Rádio Difusora de São Paulo, em um programa infantil. Foi ator mirim no filme "Quase no céu".

Começou a estudar música aos sete anos de idade, matriculando-se no Conservatório Musical Carlos Gomes, onde se formou em piano em 1950. Estudou também canto com a professora Tercina Saracceni. Ainda na década de 1950, estudou harmonia, tendo sido orientado pelos maestros Luís Arruda Pais, Renato de Oliveira e Rafael Pugliese.

Ingressou na carreira artística, como pianista de casas noturnas, na década de 1950, quando teve a oportunidade de conhecer muitos músicos e a desenvolver técnica jazzística.

Como cantor, fez sucesso, com a versão de "Matilda", calipso criado por Harry Belafonte, no final dos anos 1950.

Trabalhou até meados dos anos 1960 na TV Excelsior de São Paulo, compondo uma sinfonia que tornou-se prefixo da emissora por muitos anos.

Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na TV Tupi e na TV Rio. Nesta emissora, chegou a exercer a função de diretor musical, sendo um dos responsáveis pela realização do I Festival Internacional da Canção em 1966, evento para o qual compôs um prefixo até hoje utilizado em versões mais atuais dos festivais da TV Globo.

No V FIC, realizado pela TV Globo em 1970, regeu um coro de 40 vozes que posteriormente passou a atuar com o nome de Banda Veneno, acompanhando o cantor Jorge Ben (Benjor atualmente). Fez sucesso com a música "Eu também quero mocotó" (Jorge Ben) e seguiu carreira solo com grande êxito.

Teve intensa atuação como arranjador, trabalhando em discos e shows de grandes nomes da música brasileira e internacional.

Em 1968, acompanhou Elis Regina em sua excursão a Paris, quando a cantora se apresentou no Olympia. Gravou com Paul Mauriat um LP contendo músicas brasileiras: "Águas de março" (Tom e Paulo César Pinheiro); "Como dois e dois" (Caetano Veloso); "Construção" (Chico Buarque); "Dona Chica" (Dorival Caymmi) e "Testamento" (Toquinho e Vinícius).

Em 1973, gravou pela Phillips o LP "As dez canções medalha de ouro", com destaque para "Casa no campo" (Zé Rodrix e Tavito) e "Amada amante" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos).

Faleceu no ano seguinte.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Ederaldo Gentil

(Salvador/BA, 7/9/1947 ******* Salvador/BA, 30/3/2012)

Nascido Ederaldo Gentil Pereira foi. além de cantor, um grande compositor.

Aos 11 anos já participava da bateria da Escola de Samba Filhos do Tororó, começando a compor para a escola ainda muito jovem.

Nasceu no Largo Dois de Julho, um dos tradicionais bairros do centro de Salvador. Seus pais foram D. Maria José de Souza (D. Zezé) e Sr. Carlos Gentil Peres, antigo relojoeiro da capital baiana. Foi no Largo Dois de Julho que o menino Ederaldo Gentil passou parte da sua infância, brincando, estudando e trabalhando na modesta oficina do pai. Foi desta forma que aprendeu o ofício de relojoeiro o que ajudava nas rendas financeiras da família bastante numerosa.

Ainda adolescente mudou-se para o bairro do Tororó, também na área central da cidade, que era nessa época, o mais forte reduto do carnaval baiano. Ali podiam ser encontradas diversas agremiações carnavalescas, como o bloco Os Apaches do Tororó, a Escola de Samba Filhos do Tororó, entre outras. O menino Ederaldo começou bem cedo o gosto pelo carnaval, acompanhando o pai nos bailes à fantasia que eram realizados nos clubes tradicionais da cidade.

Por residir perto do QG do samba baiano, Ederaldo passou a freqüentar os ensaios da bateria da escola Filhos do Tororó. A sua facilidade em tocar instrumentos rítmicos logo despertaria a curiosidade e atenção dos mais velhos e compenetrados sambistas. Desses, em especial Arnaldo Silva (o Sêu Arnaldo), então presidente da Escola, foi quem lhe deu primeiro incentivo para o entrosamento no mundo do samba. Ainda adolescente, Ederaldo começa a elaborar as suas primeiras composições, participando ativamente da ala dos compositores da escola de samba Filhos do Tororó. Os seus sambas passaram a ser cantados nos ensaios da escola.

As dificuldades da vida obrigavam o jovem Ederaldo a procurar outras atividades profissionais para sobreviver. Por esse período, chegou a ter uma rápida passagem pelo mundo do futebol, onde atuou como meia-esquerda no Esporte Clube Guarany. Fazia uma dupla imbatível com o ex-jogador André Catimba, este que seria, mais tarde, um dos maiores nomes da história do Esporte Clube Vitória. Consta que Ederaldo Gentil chegou também a treinar no Vitória, porém a sua vocação maior não era o futebol, e sim, a música popular, e em especial, o samba. Contam os que o viram jogar que, comparado a muitos dos "craques" de hoje, o Ederaldo teria, com certeza, espaço em qualquer grande clube do Brasil ou do exterior, entretanto a música falaria mais alto em sua opção de vida.

Ao lado Batatinha, Riachão, Panela, Nélson Rufino, Edil Pacheco, Walter Queirós, Tião Motorista, Chocolate, Roque Ferreira, Nélson Balalô, Paulinho Boca de Cantor e Walmir Lima, é considerado a representação do samba de raiz na Bahia.

Com 20 anos, compôs "Rio de lágrimas". A música venceu o "Festival de Música da Prefeitura de Salvador", em 1967. No mesmo ano, compôs para a Escola de Samba Filhos do Tororó seu primeiro samba-enredo, "Dois de fevereiro". No ano seguinte ganhou outra vez o "Festival de Música da Prefeitura de Salvador", dessa vez com o samba "Silêncio". Este festival reinaugurou o Teatro Castro Alves, o principal da cidade, tendo sido o júri presidido por Dorival Caymmi e Jorge Amado e para o qual foram convidadas personalidades do Rio de Janeiro, como Sérgio Porto, Osacar Castro Neves, Quarteto em Cy e o crítico Ricardo Cravo Albin. No mesmo ano, classificou um samba-enredo de sua autoria, "História dos carnavais", em concurso promovido pela Prefeitura.

Tião Motorista foi responsável pela gravação de sua primeira música, "Esquece a tristeza". No ano seguinte, em 1969, Jair Rodrigues gravou pela Philips dois sambas seus em parceria com Edil Pacheco, "Alô, madrugada" e "Berequetê".

No ano de 1969 houve um fato, inusitado até hoje, na história do carnaval baiano, quiçá do país. Indisposto com as dissenções internas da sua escola, Ederaldo resolveu se afastar. Imediatamente seria assediado pelas escolas concorrentes que o convidaram para compor seus sambas-enredos. O resultado foi que, no carnaval de 1970, todas as outras nove escolas de samba de Salvador saíram no desfile principal da cidade com sambas-enredos assinados pelo mesmo compositor, Ederaldo Gentil. A única que não trazia essa autoria era, simplesmente, a sua escola - Filhos do Tororó. Esse fato por si só já seria digno de registro no livro de recordes - O Guinness Book.

Em 1970, com "O samba chama", venceu o "1º Festival de Samba de Salvador". Integrou o conjunto Função, com o qual fez diversos shows pela cidade de Salvador. Por essa época, Maria Bethânia e Eliana Pittman gravaram composições suas.

No ano de 1973, mudou-se para São Paulo e assinou contrato com a gravadora paulista Chanteclair, lançando seu primeiro disco, um compacto simples contendo duas composições suas, "Triste samba" e "O ouro e a madeira". Ainda neste ano, com a música "O ouro e madeira", venceu o "1º Concurso de Sambas" realizado no Pelourinho. Em 1975, o conjunto Nosso Samba regravou pela Odeon "O ouro e a madeira", tornando a música um grande sucesso e projetando o nome do compositor nacionalmente. Ainda nesse ano, retornou a Salvador e participou no Teatro Vila Velha do show "Improviso". Obteve também o primeiro lugar, no mesmo ano, no concurso de sambas-enredos de Salvador. Neste mesmo ano de 1975, gravou seu primeiro LP pela Chanteclair, "Samba, canto livre de um povo", interpretando "O ouro e a madeira", "Pam pam pam" (c/ Batatinha), "Rose" (c/ Nélson Rufino), "Fevereiro eu volto" (c/ Eustáquio de Olivieira) e "Samba, canto livre de um povo", em parceria com Edil Pacheco, entre outras. No mesmo ano, Alcione, no disco "A voz do samba", pela gravadora Philips, interpretou uma composição sua em parceria com Batatinha, "Espera".

Em 1976, lançou seu segundo disco, "Ederaldo Gentil - pequenino", também pela Chanteclair, no qual interpretou diversas composições de sua autoria, como "O rei" (c/ Paulo Diniz), "In-lê-in-lá" (c/ Anísio Félix), "Vento forte" (c/ Eustáquio Oliveira) e "A Bahia vem", em parceria com Batatinha. Ainda nesse ano, Alcione gravou "Agolonã" (c/ Batatinha). No ano seguinte, no LP "Pra que chorar", a cantora interpretou de sua autoria "Feira do rolo" e, em 1978, "A volta ao mundo".

No ano de 1983, pela gravadora Nosso Som Gravações e Produções, lançou o disco "Identidade". Nesse LP, incluiu "Luandê" (c/ Capinam), "Provinciano" (c/ Roque Ferreira), "Ternos da Lapinha" (c/ Gereba) e "Choro - dor".

Em 1998, a EMI lançou o disco "Diplomacia", de Batatinha. Nesse CD, juntamente com Batatinha, Nélson Rufino, Walmir Lima, Edil Pacheco e Riachão, participou da faixa "De revólver não". Constou ainda, neste mesmo disco, uma de suas parcerias com Batatinha, "Ironia", interpretada por Jussara Silveira. No ano seguinte, foi lançado o CD "Pérolas finas", em sua homenagem. Produzido por seu parceiro e amigo Edil Pacheco, o disco contou com diversas participações especiais, como as de Gilberto Gil e Felipe de Angola em "Luandê", composta após uma viagem do compositor a Angola; Luiz Melodia interpretando "Espera", parceria do compositor com Batatinha; Beth Carvalho em "Eu e a viola"; Elza Soares em "A saudade me mata" e Jair Rodrigues, recriando um sucesso de 1975 do grupo Nosso Samba, em "O ouro e a madeira". Ainda no disco aparecem o compositor e cantor Lazzo interpretando "Rose" (c/ Nélson Rufino) e Carlinhos Brown e Cézar Mendes em "Barraco". O poeta Paulo César Pinheiro prestou homenagem ao amigo interpretando "De menor" e a dupla Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes cantou "In-lê-in-lá", composta em homenagem à Mãe Menininha do Gantois. Outras participações se fizeram presentes nas vozes de cantoras novas, como Jussara Pinheiro em "Impressão digital" e Vânia Bárbara em "Oceano de paz". O disco trouxe ainda Edil Pacheco, parceiro e amigo, cantando "Maria da Graça", e a participação do cantor João Nogueira. Na linha de frente dos músicos, constam Maurício Carrillo (violão), Pedro Amorim (bandolim), Cristóvão Bastos (piano), Jorge Simas e Marco 7 Cordas (violões) e Luciana Rabello (cavaquinho).

Em 2004 sua composição "Passarela da vida" (c/ Dalmo Castello) foi incluída no CD "Passeador de palavras", de Dalmo Castello.

Entre seus principais intérpretes constam Agepê, Alcione, Miltinho, Eliana Pittman, Leny Andrade, Maria Bethânia, Jair Rodrigues e Roberto Ribeiro.

Entre seus maiores sucessos estão "O ouro e a madeira", "A Bahia vai bem", "Eu e a viola", "Rose", "Impressão digital", "A volta ao mundo" e "Feira do rolo".

Ederaldo Gentil morreu de infecção generalizada após complicações intestinais, aos 68 anos. Segundo amigos, ele começou a sentir dores na região do abdômen na véspera de seu falecimento quando, por recomendação de familiares, foi levado ao médico. Morreu no Hospital Ernesto Simões e foi sepultado no Cemitério Campo Santo, na Federação. Ele já vinha sofrendo problemas de depressão.

Ederaldo deixou mais de 200 músicas gravadas.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB e O Nordeste.