terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sérgio Sampaio

(Cachoeiro de Itapemirim/ES, 13 de Abril de 1947 ******* Rio de Janeiro/RJ, 15 de Maio de 1994)

O cantor Sérgio Moraes Sampaio, conhecido como Sérgio Sampaio, nasceu em 13 de abril de 1947, em Cachoeiro de Itapemirim, ES, filho de Raul Gonçalves Sampaio, fabricante de tamancos e maestro de banda e Maria de Lourdes Moraes, professora primária.

Em 1956, Sérgio Sampaio começou a ajudar o pai na tamancaria. Na escola foi aluno aplicado, eventualmente o melhor da classe: Dona Maria de Lourdes o colocava para estudar em casa todos os dias.

Em 1963, Sérgio Sampaio ficou impressionado com o samba "Cala a boca, Zebedeu", de autoria de Seu Raul, inspirado numa vizinha da Rua Moreira que espinafrava o marido diariamente. O apelido do sujeito era "Fulica".

Em 1964, Sérgio Sampaio começou a trabalhar como locutor na XYL-9, Rádio Cachoeiro. Tornou-se um fã do samba-canção de Orlando Silva, Nélson Gonçalves e Sílvio Caldas.

Em 1965, passou três meses de experiência como locutor da Rádio Relógio Federal, no Rio de Janeiro. Retornou a Cachoeiro para servir no "Tiro de Guerra" local. Sérgio Sampaio era detido freqüentemente por trocar os pernoites por incursões aos bares e bordéis cachoeirenses.

Sérgio Sampaio mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1967 para tentar a vida como locutor ou cantor-compositor.

Durante o ano de 1969, Sérgio Sampaio passa pelas rádios Rio de Janeiro, Mauá e Carioca. Ingressou na rádio Continental, onde conheceu Erivaldo Santos, parceiro no primeiro samba feito no Rio, "Chorinho Inconseqüente", mais tarde incluído no LP "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez".

Em novembro de 1970, Sérgio Sampaio acompanhou ao violão o compositor Odibar, parceiro de Paulo Diniz em "Quero voltar para a Bahia", num teste na gravadora CBS com o então produtor Raulzito. As músicas de Odibar não agradaram e Sérgio Sampaio cantou composições suas como "Coco verde" e "Chorinho Inconseqüente". Na saída, Raul Seixas lhe diss ao pé do ouvido: "Volte amanhã".

Em janeiro de 1971, Sérgio Sampaio assinou contrato com a CBS. Nesa ocasi"ao, tornou-se amigo de Raul Seixas. Com Raulzito, Sérgio Sampaio conheceu o rock e o pop internacional em geral. Em abril do mesmo, "Sol 40 graus", gravada pelo Trio Ternura, foi a primeira letra de Sérgio Sampaio a ganhar as rádios. Ele assinou a música como "Sérgio Augusto" e seu parceiro Ian Guest, como "Átila".

O LP "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez", com Raul Seixas, Míriam Batucada e Edy Star, é lançado em setembro de 1971 e causa muita polêmica: tratava-se de uma coleção de pastiches de rock, samba e ritmos nordestinos, com letras sarcásticas, entremeadas por piadas e sátiras ao cotidiano em forma de vinhetas malucas.

Sérgio Sampaio participou do VI FIC, em 1971, com a música "No ano 83", de sua autoria. A seu lado, nos vocais, Jane Vaquer, futuramente conhecida como Jane Duboc.

Em setembro de 1972, pelas mãos de Raul Seixas, que já estava na gravadora, Sérgio Sampaio ingressou na Phillips, dirigida por André Midani, para trabalhar com o produtor Roberto Menescal. Gravou "Eu quero é botar meu bloco na rua", inscrita no VII FIC, com presença de Piau no violão, Ivan Machado no baixo, os "Cream Crackers" na percussão, Raul Seixas e membros dos Golden Boys no coro.

No mês seguinte, a música o "Bloco" faz enorme sucesso no FIC e invade as rádios de todo o Brasil. Em poucos meses, foram vendidos de mais de 300 mil compactos.

Em dezembro de 1972, Sérgio Sampaio contraiu tuberculose, mas ainda assim começou as gravações de um LP para a Phillips, com produção de Raul Seixas, e na banda de apoio Renato Piau, o tecladista José Roberto Bertrami, o baixista Alexandre Malheiros e Ivan "Mamão" Conti na bateria. Também participam os "Cream Crackers" e o baterista Wilson das Neves.

O LP "Eu quero é botar meu bloco na rua" foi lançado em março de 1973. Mesmo contendo a música de grande sucesso, tornou-se um fracasso comercial e de crítica. No entanto, permanece até hoje como o disco preferido da maioria dos fãs de Sérgio Sampaio. Apesar da boa execução nas rádios de músicas como "Viajei de Trem", uma toada-rock de alta lisergia, a valsa pop "Leros & Leros & Boleros" e os sambas "Odete" e "Cala a boca, Zebedeu", a vendagem não ultrapassou as 5 mil cópias.

Em maio de 1972, Sérgio Sampaio apresentou uma série de shows "Phono 73", em São Paulo.

Sérgio Sampaio recebeu o "Troféu Imprensa" em outubro de 1972, o "Oscar brasileiro", do programa "Sílvio Santos", na TV Globo, como "Revelação de 72".

Em abril de 1973, Sérgio Sampaio casou-se com Maria Verônica Martins (Ponka), numa cerimônia hippie em Cachoeiro do Itapemirim.

Em junho de 1978, Sérgio Sampaio foi internado no Hospital Miguel Couto, do Rio de Janeiro, com uma crise de pancreatite. Em novembro do mesmo ano, Sérgio Sampaio lotou por uma semana o Teatro Opinião, do Rio, com o show "Agora".

Em 1982, lançou o LP independente "Sinceramente". Um trabalho denso e confessional, enfocando ao mesmo tempo as diversas facetas pessoais e artisticas de Sampaio, mas o disco passa despercebido.

Em fevereiro de 1983, nasceu João Sampaio, filho de Sérgio Sampaio da união com Angela. O compositor Xangai (Eugênio Avelino) é o padrinho.

Entre 1986e 1987, mesmo os mais atentos fãs acham que Sampaio abandonou a carreira. Raramente se ouvia falar nele. Seus discos viraram peças de colecionador, disputados nos sebos de todo o país. Letras como as de "Meu pobre Blues" ou "Ninguém vive por mim", músicas lançadas apenas em compacto, são cultuadas e reconstituídas verso a verso pelos fãs de Sérgio Sampaio. Os anos 80 foram ingratos com Sérgio Sampaio: nenhuma música no rádio, magros direitos autorais e escassos shows, quase sempre em bares e sem nenhuma cobertura da mídia. Na vida pessoal, o alcoolismo minava dia a dia suas forças. Ainda assim, o artista continuava compondo regularmente e apresentando-se em shows.

Em outubro de 1988, fez uma temporada de 10 dias na Sala Funarte, do Rio de Janeiro, com Jards Macalé.

Em 1990, Sérgio Sampaio começou a namorar a produtora de shows Regina Pedreira e resolveu mudar-se para a Bahia.

Entre os anos de 1991 e 1992, Sérgio Sampaio vivencia uma espécie de renascimento artístico e pessoal. Compôs várias canções e fez diversos shows em bares da periferia de Salvador e em outros estados nordestinos.

Em outubro de 1992, participou no show "Baú do Raul", na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, na Bahia, cantando músicas do LP "Sociedade Kavernista...".

Em fevereiro de 1993, no aniversário do filho João, Sérgio Sampaio anunciou que deixara a bebida. Ao longo do ano, fez shows em Brasília, Goiânia, Vitória e Rio de Janeiro.

Em janeiro de 1994 Janeiro, a convite do selo paulista "Baratos Afins", Sérgio Sampaio gravou um CD canções inéditas. Em abril do mesmo ano, comemorou seu aniversário no Rio com presença de amigos como Sérgio Natureza, Chico Caruso e Luiz Melodia.

Em maio de 1994, Sérgio Sampaio foi internado no CTI do Hospital IV Centenário com crise aguda de pancreatite. Faleceu às 5 da manhã do dia 15 de maio de 1994.

Fontes: Site Sampaio Tributo, Wikipédia

Renato Russo

(Rio de Janeiro/RJ, 27 de março de 1960 — Rio de Janeiro/RJ, 11 de outubro de 1996)

Renato Russo, nome artístico de Renato Manfredini Júnior, nasceu no Rio de Janeiro em 27 de março de 1960, filho do economista Renato Manfredini, funcionário do Banco do Brasil e de Dona Maria do Carmo, professora de inglês.

Renaato aprendeu inglês ainda pequeno quando morou, dos 7 aos 10 anos, em Nova York. Uma nova transferêcia do pai levou o menino, já com 13 anos, a Brasília que tanto marcou sua música.

Renato Russo teve uma infância e adolescência de classe média alta, típica do pessoal de Brasília. Entre os 15 e os 17 anos de idade, enfrentou várias operações e viveu entre a cama e a cadeira de rodas, combatendo uma doença óssea rara chamada epifisiólise.

Em 1978, inspirado pelo Sex Pistols, Renato formou o grupo "Aborto Elétrico", que, no vai e vem de integrantes, contou com participações de Fê e Flavio Lemos (depois do "Capital Inicial"), Ico Ouro Preto e André Pretorius.

Em 1982, Renato Russo abandonou o "Aborto Elétrico" e passou a fazer trabalhos solos. Nesse período, ficou conhecido como "O Trovador Solitário". Quando a lendária "cena de Brasília" já era uma força underground reconhecida, Renato Russo formou a "Legião Urbana" com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Paulista. Um ano depois, Paraná e Paulista deixaram a banda e entrou Dado Villa-Lobos.

Quando Renato Rocha se juntou a banda em 1984, a "Legião Urbana" já havia se apresentado diversas vezes em Brasília e nos célebres shows no "Circo Voador", no Rio de Janeiro e no Napalm, em São Paulo. O sucesso dos shows do "Legião Urbana", levou-os, rapidamente, a um contrato com a EMI-Odeon. No primeiro dia do ano seguinte saiu o primeiro álbum, "Legião Urbana", que emplacou os hits "Geração Coca-Cola", "Ainda é Cedo" e "Será".

Com seus refrões poderosos e letras que falavam de inseguranças emocionais e do niilismo da geração crescida durante o regime militar, o "Legião Urbana" agradou os jovens brasileiros. A receita foi aperfeiçoada no álbum seguinte, "Dois", melhor tocado, melhor gravado e mais elaborado. Sucessos como "Eduardo e Mônica" e "Quase Sem Querer" falavam uma língua que qualquer jovem urbano brasileiro dos anos 80 podia entender e se identificar.

"Dois" consolidou Renato Russo como um dos maiores popstars do país. Já na turnê desse segundo disco, começou a aparecer o Renato Russo estrela: seus shows incluíam discursos pregadores (o adjetivo "messiânico" aparecia em nove entre dez matérias sobre o grupo) e um alto consumo de drogas e álcool.

Em 1987, foi lançado terceiro álbum, "Que País É Esse", gerando hits, como "Faroeste Caboclo", e mais uma turnê nacional de sucesso. Em 1989, sai o álbum "As Quatro Estações" que inaugurou a fase mais madura da banda, tanto no som, menos pop, como nas letras, abordando assuntos como AIDS e homossexualismo. Em "Meninos e Meninas", Renato sugere bissexualidade. Logo depois, numa história entrevista à revista Bizz, Renato confirmava o fato.

O álbum "V", lançado em 1991, veio carregado de uma tristeza que refletia a instabilidade emocional-psicológica vivida por Renato. A turnê que se seguiu teve que ser interrompida devido ao seu precário estado de saúde.

O "Descobrimento do Brasil", de 1993, acabou sendo o último disco da banda (A Tempestade, é um disco solo de Renato com participações de Dado e Bonfá). A partir de "Descobrimento", Renato Russo deu vazão a seus projetos solo e lançou "The Stonewall Celebration Concer"t e "Equilíbrio Distante".

O primeiro, cantado em inglês, foi homenagem ao grande amor de sua vida que morreu de overdose. Renato Russo fez, então, seu disco mais militante ao o orgulho de ser gay, ao som de covers da Broadway e Madonna. Stonewall é o nome de um bar nova-iorquino onde, num célebre acontecimento em 1969, gays se rebelaram contra a ação política. "Equilíbrio Distante" traz Renato Russo interpretando canções italianas, uma das manias do cantor.

Renato Russo era HIV positivo desde 1990, mas nunca assumiu publicamente a doença. Desde a época de "Descobrimento do Brasil", Renato andava recluso e arredio e evitava a imprensa. As suspeitas se comprovaram em 11 de outubro de 1996 com sua morte por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária -consequências da AIDS -, pesando só 45 quilos.

Seu corpo foi cremado e suas cinzas lançadas sobre o jardim do sítio de Roberto Burle Marx.

Durante sua carreira, Renato Russo teve quatro livros publicados e, após sua morte, três livros foram lançados sobre ele, sendo um deles "Conversações com Renato Russo", que contém trechos de entrevistas mostrando o seu ponto de vista sobre o rock, a homossexualidade (incluindo a sua própria), o mundo, as drogas e a política. "Depois do Fim", de Angélica Castilho e Erica Schlude (ambas da UERJ), "Poesia em Renato Russo - Análise e Interpretação", de Eziel Percino (bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de Literatura Brasileira, bacharel em Teologia pelo STBI). Vale ser citado como bibliografia referencial os livros "O Trovador Solitário" e "BRock - O Rock Brasileiro nos Anos Oitenta", ambos de Arthur Dapieve.

Discografia

Discos solo

The Stonewall Celebration Concert (1994)
Equilíbrio Distante (1995)
O Último Solo (1997) (póstumo)
Série Identidade: Renato Russo (2002) (coletânea)
Para Sempre (2002) (coletânea)
Presente (2003) (póstumo)
O Talento de Renato Russo (2004) (coletânea)
Série Bis: Renato Russo - Duplo (2005) (coletânea)

Discografia com a "Legião Urbana"

Álbuns de estúdio

Legião Urbana (1985)
Dois (1986)
Que País É Este 1978/1987 (1987)
As Quatro Estações (1989)
V (1991)
O Descobrimento do Brasil (1993)
A Tempestade (ou O Livro dos Dias) (1996)
Uma Outra Estação (1997) (póstumo)

Coletâneas

Música para Acampamentos (1992) (coletânea de gravações ao vivo)
Mais do Mesmo (1998) (póstumo)

Trilhas

A Era Dos Halley (2007) (especial de tv gravado originalmente no ano de 1985-vários artistas-Legião Urbana participa com a faixa "O Senhor Da Guerra") (póstumo)

Álbuns ao vivo

Acústico MTV Legião Urbana (1999) (gravado ao vivo em 1992) (póstumo)
Como É que Se Diz Eu Te Amo (2001) (gravado ao vivo em 1994 na turnê de "O Descobrimento do Brasil") (póstumo)
As Quatro Estações ao Vivo (2004) (gravado ao vivo em 1990 na turnê de "As Quatro Estações") (póstumo)

Videografia
Acústico MTV (1999) (gravado ao vivo em 1992) (póstumo)
Renato Russo Entrevistas (2006) (DVD lançado pela MTV com entrevistas guardadas durante 10 anos) (póstumo)
Acústico MTV Série Bis DVD+CD (2007) (gravado ao vivo em 1992) (póstumo)

Fontes: Sites Casa do Bruxo, Wikipédia, Site Oficial Renato Russo. 

Dolores Duran

(Rio de Janeiro;RJ, 7 de junho de 1930 — Rio de Janeiro/RJ, 24 de outubro de 1959)

A atriz e compositora Dolores Duran, cujo verdadeiro nome é Adiléia Silva da Rocha, nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de junho de 1930.

Terceira dos quatro filhos do Sargento da Marinha Armindo José da Rocha e de Josefa Silva da Rocha, morou nos subúrbios de Irajá e de Pilares. Cantava desde os 3 anos de idade. Aos 5 já participava das tradicionais festas do Rio de Janeiro, com reisados desfile das pastorinhas Adiléia ia vestida de anjo: era o anjo cantor. Aos seis anos, durante uma festa de Natal promovida por uma fábrica de louças no subúrbio de Pilares, Adiléia venceu um concurso de calouros e ganhou o prêmio revelação.

Aos dez anos apresentou-se no programa "Calouros em Desfile", comandado por Ary Barroso, aos domingos, na Rádio Tupi, onde, interpretando "Vereda Tropical", de Gonzalo Curiel, não só conseguiu a nota máxima, dividindo o primeiro lugar com o conjunto "Nativos da Lua", como também recebeu elogios do temido animador. Em seguida, Adiléia apresentou-se no programa "Escada de Jacó", comandado pelo Professor Bacurau e passou a integrar a equipe, cantando todos os domingos em shows de bairro, cinemas, teatros e circos.

Aos doze anos, a morte do pai agravou a situação financeira da família, que já era precária. Nessa época Adiléia participava de radiotetatro, na Rádio Tupi, num programa de histórias infantis chamado "Teatro da Tia Chiquinha". Apoiada pela mãe, passou também a integrar o elenco, que apresentava peças infantis no Teatro Carlos Gomes, onde trabalhou nas peças 'Mãe d'água' , 'Aladim e a Lâmpada Maravilhosa', 'O Gaúcho' e 'O Príncipe do Limo verde', na qual cantava a valsa Primavera de Afonso Henriques.

Autodidata, muito cedo também começou seu processo de aprender línguas: ouvia discos em inglês, francês, castelhano e italiano e praticamente dominava esses idiomas. Ella Fitzgerald a lhe dizer, mais tarde, que foi em sua voz a melhor interpretação que ela já havia ouvido de "My Funny Valentine", um clássico da música norte-americana.

Em virtude do domínio desses idiomas, inscreveu-se no concurso 'À Procura de uma cantora de boleros', organizado por Renato Murce, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em que a vencedora foi Rosita González. Esse episódio não desanimou Adiléia que continuou freqüentando a Rádio Nacional, conhecendo e sendo conhecida pelos artistas e participando de alguns programas.

Numa dessas apresentações, aos 16 anos de idade, estava presente o Barão Von Stuckart, proprietário da Boate Vogue, freqüentada pelos colunáveis da época. O Barão fez um teste com Adiléia, que cantou em inglês, francês e espanhol e resolveu contratá-la para a boate. Começando uma prematura carreira profissional de crooner de casa noturna, desaparecia o anjo Adiléia. Em seu lugar, surgia a cantora Dolores Duran.

Logo que começou a cantar na Vogue, Dolores Duran foi ouvida pelo radialista César Alencar, que a contratou para o seu programa na Rádio Nacional, onde Dolores cantava músicas internacionais. Já com um bom salário, Dolores deixou a casa materna e foi dividir um apartamento com uma amiga, a cantora Julie Joy, no mesmo bairro de Ipanema, onde morava sua mãe.
Com um vasto repertório internacional, Dolores cantou nas mais famosas boates do Rio de Janeiro, conquistando vários amigos, como Sérgio Porto, Antônio Maria, Nestor de Holanda e Mister Eco, famosos cronistas da noite carioca.
A estréia de Dolores Duran, em disco, aconteceu em 1952, quando gravou dois sambas para o Carnaval de 1953: "Que Bom Será" de Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marques e 'Já Não Interessa" de Domício Costa e Roberto Faissal.

Em 1953, Dolores gravou ´´Outono´´, de Billy Blanco e Lama, de Paulo Marques e Alice Chaves. Mas, só começou a se tornar conhecida do grande público em 1954, quando gravou ´´Tradição´´, de Ismael Silva; "Bom é Querer Bem", de Fernando Lobo; ´´O Amor Acontece´´, de Celso Cavalcanti e Flávio Cavalcanti; e, principalmente, ´´Canção da Volta´´, de Antonio Maria e Ismael Neto, música que deu uma maior dimensão à nova cantora.

Em 1955, Dolores Duran apresentou-se em Punta Del Este, no Uruguai. Nesse mesmo ano gravou ´´Praça Mauá´´, de Billy Blanco; ´´Carioca 1954´´, de Antonio Maria e Ismael Neto; ´´Manias´´, dos irmãos Celso e Flávio Cavalcanti; e ´´Prá que Falar de Mim´´, de Ismael e Macedo Neto, cuja gravação acabou aproximando Dolores Duran de Macedo Neto. Após um rápido namoro, casaram-se no dia 8 de julho de 1955. Ainda de 1955 é a primeira composição de Dolores, feita em parceria com Tom Jobim: "Se É por Falta de Adeus", que foi gravada por Dóris Monteiro.

De 1956 é um dos maiores sucessos de Dolores Duran como intérprete: ´´Filha de Chico Brito´´, de Chico Anísio. Mesmo fazendo sucesso, Dolores parecia insatisfeita e resolveu dar novo rumo à sua carreira, trocando a boate pelo circo. Assim, passou a integrar a Caravana Paulo Gracindo, que atuava nos pavilhões armados nos subúrbios cariocas e onde atuou junto com Adelaide Chiozzo, Blecaute, Rui Rei, Carmen Costa e Carlos Matos, entre outros. Nesse mesmo ano Dolores viajou para a Argentina, com o violonista Bola Sete e seu Conjunto e para o Uruguai, onde se apresentou na Rádio Carve e na Boate Club de Paris.

Em 1957, Tom Jobim, que ainda era praticamente desconhecido do grande público, mostrou a Dolores Duran uma composição feita em parceria com Vinícius de Moraes. Entusiasmada com a melodia, Dolores fez uma letra, à qual Vinícius se rendeu, rasgando, humildemente, a própria letra. Assim surgiu "Por Causa de Você".

Ainda em 1957, Dolores compôs, em parceria com Fernando César, a toada ´´Só Ficou a Saudade´´ e, em parceria com Tom Jobim, o samba-canção ´´Estrada do Sol´´, a composição mais original da dupla, principalmente pela música de Tom Jobim, que prenunciava o que ele faria na bossa nova. "Estrada do Sol" pode ser considerada um dos primeiros impulsos em direção a esse movimento.

Em 1958, Dolores separou-se de Macedo Neto. Nesse mesmo ano, junto com Jorge Goulart, Nora Ney, Conjunto Farroupilha e outros artistas, excursionou pela União Soviética. O sucesso foi tão grande que eles foram convidados a ir à China. Mas, em virtude de desentendimentos, Dolores separou-se do grupo e foi para Paris, onde permaneceu um mês, apresentando-se num barzinho freqüentado por brasileiros. De volta ao Rio de Janeiro, Dolores pediu ao pianista Ribamar que musicasse ´´Quem Sou Eu?´´ que Dolores havia escrito durante a viagem Moscou-Paris.

Também de 1958 é a composição de Dolores, ´´Castigo´´, uma de suas músicas de maior destaque do chamado "estilo fossa" e que foi um dos maiores sucessos da década de 50, transformando-se em clássico da música romântica.

Em 1959, em parceria com Edson Borges, Dolores Duran compôs ´´Canção da Tristeza´´, ´´Deus me perdoe´´, ´´Tome Continha de Você´´ e ´´Olha o Tempo Passando´´. O samba-canção ´´Pela Rua´´ foi gravado por Marisa Gata Mansa e incluído em seu primeiro e histórico LP.

Muitas vezes, Dolores Duran escrevia os versos e guardava a melodia na memória, para depois cantarolá-la para um eventual parceiro. Assim foram feitas algumas de suas melhores obras, como é o caso do samba-canção ´´Solidão´´. Embora seja uma das composições mais famosas de Dolores Duran e tenha sido gravado por muitos intérpretes que o transformaram em sucesso, o samba-canção abolerado ´´Fim de Caso´´ passou praticamente despercebido quando da sua primeira gravação, feita pela própria Dolores, em setembro de 1959. A letra é de um sentido poético notável e a música acompanha com perfeição o crescente desconsolo dos versos.
Outra composição de Dolores, que só veio a fazer sucesso mais tarde, foi o samba-canção ´´A Noite do Meu Bem´´, também gravado por Dolores em setembro de 1959, não obtendo, na época, grande repercussão.

Desde menina Dolores apresentava problemas de saúde, provocados por reumatismo infeccioso. Dolores Duran morreu dormindo, no dia 23 de outubro de 1959, depois de ter cantado na boate Little Club e de ter dado um "esticada", junto com amigos, no Clube da Aeronáutica e no Kilt Club.

Nesse dia, chegou em casa às 7:00 da manhã e disse a sua empregada: "Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer".

Não se sabe se sua morte foi provocada por distúrbios cardíacos ou por dose excessiva de barbitúricos.

Naquela mesma noite de 23 de outubro, Marisa Gata Mansa, amiga íntima de Dolores, tinha estréia marcada no Bom Gourmet, onde iria mostrar a mais recente composição de Dolores: ´´Noite de Paz´´. Com Marisa Gata Mansa haviam ficado alguns versos de Dolores, que foram musicados por Ribamar após a morte da compositora, como é o caso de ´´Ternura Antiga´´ e ´´Quem Foi?´´.

Depois de sua morte precoce, sua fama cresceu muito, e vários artistas como Lúcio Alves e Nana Caymmi consagraram discos à sua obra.

Em 1999/2000 a peça teatral "Dolores", que conta a história de sua vida, se apresentou com enorme êxito em grandes cidades brasileiras.


Fontes: Sites MPB Cifra Antiga; MPB Net.

João Nogueira

(Rio de Janeiro/RJ, 12 de novembro de 1941 — Rio de Janeiro/RJ, 5 de junho de 2000)

O compositor e cantor João Batista Nogueira Júnior, conhecido como João Nogueira, nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de novembro de 1941.

Filho do advogado e músico João Batista Nogueira e irmão da também compositora, Gisa Nogueira, João Nogueira cedo tomou contato com o mundo musical. Logo aprendeu a tocar violão com o pai e a compor em parceria com a irmã.

Com apenas 17 anos, João Nogueira já era diretor de um bloco carnavalesco no bairro carioca do Méier. Naquela época, a gravadora Copacabana gravou sua composição "Espera, Ó Nega", que João cantou acompanhado pelo conjunto depois chamado "Nosso Samba".

Sua estréia profissional foi em 1970, quando Elizeth Cardoso gravou sua música "Corrente de Aço", inserindo João Nogueira definitivamente no meio musical.

Em 1971, João Nogueira teve obras suas gravadas por Clara Nunes ("Meu Lema") e Eliana Pittman ("Das Duzentas pra Lá").

Ainda em 1971, João Nogueira passou a integrar a ala de compositores da Portela, sua escola de coração, onde venceu um concurso interno com o samba "Sonho de Bamba". Mais tarde, fez parte do grupo dissidente que saiu da Portela para fundar a Tradição. Fundou também o bloco "Clube do Samba" que ajudou a revitalizar o carnaval de rua carioca.

Em mais de quatro décadas de atividade, João Nogueira gravou 18 discos. Teve vários parceiros, mas o mais constante foi Paulo César Pinheiro.

Quando morreu, vitimado por um enfarte, em 2000, João Nogueira organizava um espetáculo numa grande casa noturna de São Paulo e que resultaria no lançamento de uma gravação ao vivo.

Presidente do Clube do Samba, fundado, em 1979, por ele e outros sambistas famosos, como Alcione, Martinho da Vila e Beth Carvalho, João Nogueira faleceu aos 58 anos de idade de enfarte em sua casa, no dia 05 de junho de 2000. Portelense e flamenguista, o sambista apresentava debilitado estado de saúde nos últimos tempos: havia sofrido cinco derrames, uma isquemia cerebral e um acidente vascular cerebral. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio.

Com sua morte, vários colegas se juntaram para apresentar, nas mesmas datas e no mesmo local, um espetáculo em sua homenagem. Participaram Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e Sombrinha, Emílio Santiago, Carlinhos Vergueiro e a família de João: o sobrinho Didu, o filho Diogo e a irmã e parceira Gisa. O show foi gravado para o disco "João Nogueira, Através do Espelho".

Discografia

João de Todos os Sambas (1998)
Chico Buarque, Letra & Música - João Nogueira e Marinho Boffa (1996)
Parceria - João Nogueira e Paulo César Pinheiro - Ao Vivo (1994)
Além do Espelho (1992)
João (1988)
João Nogueira (1986)
De Amor é Bom (1985)
Pelas Terras do Brasil (1984)
Bem Transado (1983)
O Homem dos Quarenta (1982)
Wilson, Geraldo, Noel (1981)
Boca do Povo (1980)
Clube do Samba (1979)
Vida Boêmia (1978)
Espelho (1977)
Vem que Tem (1975)
E Lá Vou Eu (1974)
João Nogueira (1972)


Fontes: Sites Wikipédia; MPBNet; Cliquemusic.

Isaurinha Garcia

(São Paulo/SP, 26.02.1919 ***** São Paulo/SP, 30.08.1993)

Isaura Garcia, mais conhecida como Isaurinha Garcia, era paulistana do bairro do Brás, nasceu na Rua Alegria. Sobrinha do famoso pintor José Pancetti, sua mãe chamava-se Amélia. Ainda menina, ajudava na loja da família, engarrafando vinho. Foi lá que começou a demonstrar o seu talento musical, pois, enquanto enchia as garrafas, ia cantando. A mãe resolveu então levá-la a um programa de calouros, quando ela tinha 13 anos. Era o programa "A Hora da Peneira Rhodine", da Rádio Cultura, onde ela foi eliminada. Fez nova tentativa um ano depois, em 1937, na Rádio Record, no programa de Otávio Gabus Mendes, onde interpretou "Camisa Listrada", obtendo o primeiro lugar.

Iniciou sua carreira profissional, ainda em 1937, depois do concurso na Rádio Record, que lhe valeu o convite para participar de um programa de calouros especiais.

No ano seguinte, foi contratada pela Rádio Record, permanecendo como uma das principais cantoras de seu cast ao longo de toda a sua carreira. No início, formou dupla com o cantor Vassourinha, apresentando-se na Record, em shows e circos. No começo da carreira, inspirou-se em Carmen Miranda e Araci de Almeida, das quais era fã. Estreou na gravação com um "jingle" publicitário do sapólio Radium.


Em 1941, gravou seu primeiro disco, pela Colúmbia, com "Chega de Tanto Amor", de Mário Lago, e "Pode Ser", de Geraldo Pereira e Marino Pinto. Ainda em 1941, gravou "A Baratinha", de Antônio Almeida; "Eu Não Sou Pano de Prato", de Mário Lago, e Roberto Martins; "Aproveita o Beleléu", de Marino Pinto e Murilo Caldas, e "O Telefone Está Chamando", de Benedito Lacerda e Popeye do Pandeiro.

Seu primeiro sucesso aconteceu em 1943, com "Aperto de Mão", de Horondino Silva (Dino), Jaime Florence (Meira) e Augusto Mesquita, gravados pela Victor. No mesmo ano, ainda gravou "Sorriso de Paulinho", de Gastão Viana e Mário Rossi, e "Duas Mulheres e Um Homem", de Ciro de Sousa e Jorge de Castro. Nessa época, participava de vários programas consagrados do rádio e apresentava shows em boates.

Em 1945, gravou o samba "Mensagem", de Aldo Cabral e Cícero Nunes, que se tornou um clássico de seu repertório.


Em 1947, veio novo sucesso com o samba "De Conversa em Conversa", de Lúcio Alves e Haroldo Barbosa, gravado ao lado do grupo "Os Namorados da Lua".

No fim da década de 1940, Isaurinha Garcia já era uma cantora de expressão nacional, que recebia convites para se apresentar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro (programa César de Alencar) e na boate do Hotel Copacabana Palace. Nesse período, fez várias excursões pelo país.

No início da década de 50, lançou outros sucessos: "Marrequinha", toada de Denis Brean e Raul Duarte; "Velho Enferrujado", de Gadé e Valfrido Silva, e o baião "Pé de Manacá", de Hervê Cordovil e Marisa Pinto Coelho.

Foi eleita a primeira Rainha do Rádio Paulista em 1953.


Em 1956, transferiu-se da gravadora Victor para a Odeon. Nessa gravadora estreou com "Mocinho Bonito", de Billy Blanco.

No ano seguinte, gravou o primeiro LP (10 polegadas), com o título "A Personalíssima", que teve arranjos de Luís Arruda Pais. Conheceu seu futuro marido, Walter Wanderley, numa excursão a Recife, PE. Depois de casada, lançou com ele alguns LPs: "Sempre Personalíssima" (1959); "Atualíssima" (1963) e "Sambas da Madrugada" (1963). Ainda em 1963, gravou com sucesso "Tem Bobo Pra Tudo", samba de Manuel Brigadeiro e João Correia da Silva.

Em 1969, gravou dois LPs pela Continental: "Martinho da Vila e Dolores Duran na voz de Isaura Garcia" e "Ary Barroso e Billy Blanco na voz de Isaura Garcia". No mesmo ano, participou do V Festival de MPB na TV Record, de São Paulo, interpretando "Primavera" de Lupicínio Rodrigues e Hamilton Chaves.

Lançou novo LP com músicas de Noel Rosa e Chico Buarque, em 1970. No mesmo ano, aposentou-se na Rádio Record. Nessa época, fez várias apresentações nas boates paulistas Igrejinha, Casa da Badalação e Tédio.

Em 1973, gravou o LP "Isaura Garcia", pela Continental.

Em 1987, A gravadora Eldorado lançou "Isaura Garcia - Documento Inédito", incluindo, entre outras, músicas de Dorival Caymmi e Roberto e Erasmo Carlos.

Gravou mais de 90 discos em 78 rpm e mais de 10 LPs, ao longo da carreira.

Recebeu de Blota Júnior o slogan: "Isaurinha, A Personalíssima", que acabou batizando o seu primeiro LP. Morou por toda a vida na capital paulista, onde faleceu em agosto de 1993, aos 74 anos.

Em 2003, foi montado o musical "Isaurinha Garcia --Personalíssima", estrelado por Rosamaria Murtinho e produzido por Rick Garcia, neto da cantora.

Dirigido por Jaqueline Laurence, o espetáculo conta a história de Isaurinha, considerada a Rainha do Rádio Paulista nas décadas de 40 e 50. No palco, 15 atores, entre eles Rosamaria Murtinho, Taís Araújo e Rick Garcia, contam a história e carreira de Isaurinha, desde a adolescência até sua morte, aos 70 anos. Os atores interpretam 76 personagens.

O espetáculo traz 15 números musicais, tocados ao vivo por uma banda de 4 músicos. Os personagens transitam pelo bairro paulistano do Brás, com riqueza de detalhes, onde Isaurinha viveu, levam o espectador a uma visão geral do universo da época.


Fontes: CollectorsS Studio; Folha Online. 

Antônio Marcos

(São Paulo/SP, 8 de novembro de 1945 — São Paulo/SP, 5 de abril de 1992)

O cantor, ator, compositor e violinista Antônio Marcos Pensamento da Silva, ou Antônio Marcos nasceu em São Paulo, em 8 de novembro de 1945.

Trabalhou como office-boy, vendedor de varejo e balconista de loja de calçados, passando pelos programas de calouros, para chegar ao rádio e, finalmente, à televisão. De 1960 a 1962, destacou-se no programa de Estevam Sangirardi, cantando, tocando violão e fazendo humorismo.

Em 1967, integrou o coral "Golden Gate" e atuou nas peças "Pé Coxinho" e "Samba Contra 00 Dólar", de Moraci do Val, no Teatro de Arena.

Convidado por Ramalho Neto, gravou seu primeiro disco pela RCA, como integrante do conjunto "Os Iguais", tornando-se logo solista e fazendo sucesso com a música "Tenho Um Amor Melhor Que O Seu" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), que reapareceu em seu primeiro LP e vendeu mais de 300 mil exemplares.

A partir daí, seguiram-se outros sucessos, como "Oração De Um Jovem Triste" (Alberto Luís) e "Como Vai Você?" (com Mário Marcos).

Foi lançado no cinema por J. B. Tanko, no filme "Pais Quadrados... Filhos Avançados" (1970), participando também de "Som, Amor e Curtição" (1972) e de outros, além de atuar em peças teatrais, como Arena Conta Zumbi (Teatro de Arena, direção de Augusto Boal, 1969) e Hair (Teatro Aquarius, direção de Altair Lima, 1970).

Como cantor, atingiu seu maior sucesso em 1973, com "O Homem De Nazaré" (Cláudio Fontana). Um de seus últimos sucessos foi a canção-tema de O Profeta, telenovela da TV Tupi na qual participava sua futura esposa Débora Duarte. Já casado com a atriz, participaria com ela da telenovela da TV Bandeirantes, "Cara a Cara", na qual também interpretava a canção-tema.

Tem oito LPs em português e quatro em castelhano, além de gravações feitas no exterior.

Em 1991, pretendia lançar um LP contendo uma versão de Imagine, de John Lennon, mas Yoko Ono, viúva de John, vetou a versão, o que, aliado à falência da gravadora (Esfinge), impediu o lançamento do disco.

Antônio Marcos morreu vítima de complicações resultantes do alcoolismo. Após sua morte, foram lançados os CDs Acervo (1994, coletânea RCA/BMG) e Aplauso (1996, coletânea RCA/BMG). A música "Como Vai Você?" foi regravada pela intérprete Daniela Mercury.

Foi casado com a cantora Vanusa — com quem teve as filhas Amanda e Aretha — e com a atriz Débora Duarte, com quem teve uma filha, a atriz Paloma Duarte.
Álbuns

Antônio Marcos (196S)
Antônio Marcos (1970)
08-11-1945 (1971)
Sempre (1972)
Antônio Marcos (1973)
Cicatrizes (1974)
Ele... Antônio Marcos (1975)
Felicidade (1976)
Antônio Marcos (1978)
O Tempo Conta Dobrado (1982)
O Sonho Não Acabou (1984)
Antônio Marcos (1987)
Todos Os Caminhos (1988)
Acervo (1994, coletânea)
Aplauso (1996, coletânea)

Filmografia

Cinema
Pais Quadrados... Filhos Avançados (1970)
Som, Amor E Curtição (1972)
Geração Em Fuga (1972)
Com A Cama Na Cabeça (1972)
Salve-se Quem Puder (1973)


Televisão

Toninho on the rocks (1970)
Cara a Cara (1979)


Fontes: Sites Wikipédia, Cliquemusic, Jovem Guarda.

Leny Eversong

(Santos/SP, 1/9/1920 ****** São Paulo/SP, 29/4/1984)

Natural de Santos (SP), Leny Eversong foi contratada pela Rádio Clube de Santos depois de participar de um programa de calouros infantil, quando tinha 12 anos. Especializou-se em foxes norte-americanos, e, em meados da década de 30, quando foi contratada pela Rádio Atlântica, adotou o nome artístico Leny Eversong, passando a cantar apenas em inglês.

Por volta de 1937, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como crooner em boates e cassinos. Teve passagens por diversas emissoras de rádio paulistas e excursionou pela Argentina. Nos anos 50 voltou a cantar músicas brasileiras, e gravou LPs, cantando em vários idiomas. Seu maior sucesso foi o fox "Jezebel" (Shanklin), gravado pela primeira vez em 1952. No final da década excursionou pelos Estados Unidos, onde gravou "Leny Eversong na América do Norte", acompanhada pela Orquestra de Neal Heafti.

Até o final dos anos 60, realizou oito temporadas só em Las Vegas. Gravou em 78 rpm na Continental e na era do LP na Copacabana ("A Voz de Leny Eversong", "Em Foco" e "Ritmo Fascinante") e na RGE ("A Fabulosa", "A Internacional" etc). Nos anos 60, participou de uma montagem da "Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht, e depois de um show no Canecão, no Rio.

Muito gorda, com os cabelos oxigenados e uma voz potente de contralto mas com bom alcance nos agudos, ela nunca chegou a ter, no Brasil, a popularidade de uma Dalva de Oliveira ou Ângela Maria. No entanto, Leny impactava as platéias com suas interpretações em vários idiomas.

Foi na segunda metade dos anos 50 que Leny viveu o auge de sua carreira. Foi capa das principais publicações brasileiras e trazia a tiracolo uma invejável agenda internacional – incluindo Las Vegas, Nova York e Paris –, cantando em grandes teatros e cassinos. "Leny foi a primeira brasileira a cantar em Las Vegas apenas por suas qualidades de cantora. A Carmen Miranda foi um caso extraordinário, porque foi para lá depois de fazer cinema. A Leny não. Foi sem filme, sem nada, cantando em inglês", compara a cantora Carminha Mascarenhas.

O maestro Daniel Salinas, que a acompanhou em turnês por Las Vegas e Nova York, é testemunha do estrondoso sucesso que a cantora fez ao redor do mundo, onde quer que se apresentasse. "Ela fez temporadas em Las Vegas, Nova York e Paris, no México e em países das Américas Central e do Sul. Mesmo em lugares em que não era tão conhecida, como a Venezuela, ela tinha um potencial tão fabuloso que, quando cantava, arrasava. Era aplaudida de pé. Naquela época, quase não tinha brasileiro de sucesso fora do país. Pena que ninguém lembre mais dela", lamenta o maestro. Ele afirma que Leny teve a chance de gravar com os melhores músicos, nos melhores estúdios e com arranjos de grandes maestros. "Ela fez tudo que um artista sonharia fazer". De fato, ela gravou nos anos 50 um LP na Coral com a orquestra de Neal Hefti e, na Vogue francesa, um com a de Pierre Dorsey.

Embora os letreiros dos cassinos de Las Vegas a enfocassem como cantora brasileira, muitas vezes ela era vendida como cantora americana, pois apesar de até o final dos anos 50 não falar uma palavra de inglês, cantava sem sotaque graças a seu ótimo ouvido. O cantor Luiz Vieira lembra-se de ouvi-la falar dessas armações, às gargalhadas. "A Leny era maravilhosa, de uma humildade e uma simplicidade incríveis. Ela me contava os seus micos do modo mais natural. Ela podia não ter um nível de cultura dos mais lisonjeiros, mas era inteligente demais. Quando ela ia para a Argentina, por exemplo, o empresário dela dizia: ‘Não abra a boca com a imprensa’. Então, só falavam com o empresário. E ela só falava yes, ok, all right. Ela contava isso com muita graça".

Até o final dos anos 60, sua carreira ia bem. Leny participou da primeira montagem brasileira da Ópera dos Três Vinténs, de Brecht, em São Paulo, e de alguns festivais da canção, além de continuar com suas turnês americanas. Mas no início dos 70, começaram as dores de cabeça. Seu marido saiu para comprar cigarros (literalmente) e nunca mais voltou. Foi seqüestrado e desapareceu. Isso marcou tanto a sua vida que todos os artistas entrevistados para essa reportagem fizeram menção ao fato. "Ela ficou quase louca quando o marido sumiu", lembra Luiz Vieira. A cantora Adelaide Chiozzo diz que chegou a consolá-la. Mas o maior apoio à cantora foi dado pelo amigo Agnaldo Rayol. "Quando o marido dela sumiu, ela ficou dias hospedada no meu sítio, em Itapecerica da Serra. Estava muito nervosa. Ela estava meio desencontrada, perdida e eu disse: Venha passar uns dias comigo. Batíamos muito papo. Já nessa época, ela se sentia meio injustiçada, esquecida".

Em 1970, afastou-se da vida artística, aparecendo esporadicamente em programas de televisão e eventos.

Mesmo sendo uma figura tão interessante e única no estilo, ela morreu em 1984, no total ostracismo, aos 64 anos, vítima de diabetes.

Fontes: Site Cliquemusic, Rodrigo Faour.