domingo, 4 de maio de 2014

Márcio José

(Belo Horizonte/MG, 18/11/1942  ******  Rio de Janeiro/RJ, 31/8/2002)

Márcio José
José Marcio Loreno de Assumpção, ou Márcio José, ainda menino de oito anos de idade, já cantava em todas as festas de seu colégio. Estudou piano e fez parte do Bando dos Cariúnas, juntamente com Helvius Vilela. No início dos anos de 1960, participou dos movimentos da música popular brasileira, ainda em Belo Horizonte (MG), onde conheceu Milton Nascimento, Paulinho Paiva, Nivaldo Ornelas, Paschoal Meirelles e Marcio Borges, entre outros.

Iniciou sua carreira profissional apresentando-se em casas noturnas, na Rádio Guarani, na Rádio Inconfidência e na TV Itacolomi, onde conheceu Clara Nunes e Rosana Toledo. Integrou a Banda Bacana, com Aécio Flávio, Chiquinho Braga e Waltinho, e o grupo Gemini 7, com o qual gravou um LP com Eduardo Prates e Paulinho Horta. Em 1969, participou do Festival Internacional da Canção, interpretando uma composição de Toninho Horta e Marcio Borges. No ano seguinte, transferiu residência para o Rio de Janeiro, como convidado da Orquestra de Ed Maciel. 

Márcio José
Entre 1975 e 1977, atuou em várias casas noturnas cariocas como 706 (com Djavan, Emílio Santiago, Áurea Martins e Leila Rocha), Vivará, Monsieur Pujol (com Miéle e Bôscoli) e Number One (com Alcione, Djavan, Áurea Martins e Osmar Milito). Em 1980, trabalhou no Teclado Piano Bar, com Luiz Eça, e mais tarde no Biblo's Bar, onde atuou durante quatro anos. Em 1985, viajou para os Estados Unidos, divulgando a música popular brasileira nas universidades norte-americanas, ao lado de Eduardo Prates, Romero Lubambo, Raul de Souza, Lúcio Nascimento e Pery Ribeiro. Apresentou-se, ainda, em casas noturnas de Washington e Nova York. 

Márcio José
Seu grande sucesso nas paradas musicais ocorreu na década de 70, com a música "O Telefone Chora". Na canção aparecia a voz de uma menina, sem citação nenhuma no encarte do disco. Tempos depois corrijimos essa omissão. A voz da menina é da atriz e dubladora Aliomar de Matos, dubladora da atriz Sally Field, no seriado "Noviça Voadora".

Márcio José
De volta ao Brasil, passou a atuar em orquestras como Cuba Libre, Ed Maciel e Estudantina, e como vocalista de vários discos gravados no Studio Level da Globo. Interrompeu sua carreira artística em 1996, devido a problemas de saúde.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

                                                Márcio José - "O Telefone Chora"


                                            Márcio José - "Pra Que Não Me Esqueças"




domingo, 27 de abril de 2014

Nelson Ned

( Ubá/MG, 2 de março de 1947  ******  Cotia/SP, 5 de janeiro de 2014)

O cantor e compositor Nelson Ned d'Ávila Pinto, mais conhecido como Nelson Ned, nasceu em Ubá, estado de Minas Gerais.


Nelson Ned
Nos anos 60, Nelson Ned começou a se apresentar e gravar discos, inclusive nos países da América Latina, onde é extremamente popular.

Com repertório voltado para a música romântica, seus shows atraem multidões em estádios e teatros.

Como compositor, já teve músicas gravadas por Moacyr Franco, Antônio Marcos, Agnaldo Timóteo e outros.


Nelson Ned
Ganhou Discos de Ouro no Brasil e já se apresentou algumas vezes no Carnegie Hall, em Nova York.

A partir de 1993, Nelson Ned passou a cantar músicas evangélicas, após ter-se convertido.
Lançou em 1996 a biografia "O Pequeno Gigante da Canção", uma referência à sua condição de anão.


Nelson Ned
Internacionalmente, foi o primeiro artista da América Latina a vender um milhão de discos nos Estados Unidos com o sucesso "Happy Birthday My Darling" (Feliz aniversário meu amor) em 1974.

Em 2008, apresentou sérios problemas de saúde e financeiros.
Com apenas 1,12 de altura e 92 quilos, o cantor lutou para emagrecer e controlar o diabetes e o colesterol. Porém, o que agravou sua saúde foram a obesidade e o inchaço, difíceis de serem tratados por falta de recursos financeiros.


Nelson Ned
Conhecido como O Pequeno Gigante da Canção, Nelson Ned foi o único artista da América Latina a lotar quatro vezes o Carnegie Hall. 

Com sucessos um atrás do outro, entre eles a música "Tudo Passará", veio também a dependência pelas drogas e o fundo do poço, com a conseqüente perda de toda a sua fortuna. Na década de 90, ele tentou dar a volta por cima, tornando-se evangélico e gravando músicas Gospel, mas as dificuldades de locomoção (freqüentemente precisava da ajuda de uma cadeira de rodas) e as fortes dores o impediram de permanecer no palcos.


Nelson Ned
Apesar de Nelson Ned não gostar de falar de seu drama, o amigo cantor e vereador Agnaldo Timóteo, que ele conhecia desde a década de 60, fez uma campanha com o objetivo de angariar pelo menos R$ 50 mil para ajudar no seu tratamento médico.
“Toda sua fortuna foi perdida com as drogas. Mesmo recuperado desse vício, hoje ele não consegue voltar a fazer shows, porque a falta de saúde o impede. O Nelson precisa ser internado em uma clínica para emagrecer, fazer as cirurgias necessárias, controlar o colesterol e voltar a cantar. E sua permanência lá deve ser de pelo menos seis meses”, explicou Timóteo ao site OFuxico.


Nelson Ned - 2008
Agnaldo Timóteo contou ainda que pediu ajuda a diversos artistas, entre eles Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, Gugu, Hebe, Faustão, Tom Cavalcante e Xuxa. Nenhum deles, porém, respondeu.

“Acredito que eles nem chegaram a saber do assunto, pois são pessoas generosas. Provavelmente, seus assessores barraram minha mensagem”, desabafou Timóteo.
De acordo com Timóteo, Silvio Santos e Sônia Abrão prometeram ajudar. O cantor Daniel, disse ele, também foi procurado e até ofereceu ajuda. Só que o dinheiro oferecido pelo artista gerou polêmica. Agnaldo considerou pífia a importância oferecida.

“Ele deu R$ 2 mil, e eu devolvi. Não aceito só isso, pois ele ganha milhões”, disse Timóteo.

O incidente acabou gerando uma saia justa entre os dois.


Nelson Ned - 2008
“O Daniel respondeu que R$ 2 mil é um valor muito acima do salário mínimo, que sustenta milhões de famílias. Mas cada um vive como pode”, insiste Timóteo.
Até Jô Soares entrou na história. Segundo Timóteo, uma secretária o procurou, para dizer que o apresentador da Globo se solidarizou com o que soube e prometeu colaborar.

O empenho de Timóteo tem uma razão de ser: os dois são conterrâneos (nasceram em Minas Gerais) e começaram a carreira juntos, em Belo Horizonte. “Fomos calouros juntos. Ele cantava músicas do Nelson Gonçalves, e eu do Caubi Peixoto”.

Timóteo disse também que, abandonado pelos filhos, Nelson Ned foi ajudado por ele.

“Não quero revelar valores, mas faço o que posso. De mim, o que ele já recebeu, daria para comprar um carro novo”, finalizou.


Nelson Ned - 2012
No final de 2008, Nelson Ned esteve no programa "Nada Mais do que a Verdade", apresentado por Sílvio Santos.

Após uma discussão com a mulher Maria Aparecida (Cida), Nelson Ned, já doente, foi levado pela irmã.  Passou a morar em uma clínica em São Roque, interior de São Paulo, amparado pela irmã, que cuidou de todos os seus negócios, Nelson Ned sofreu com a idade e as consequências do derrame, sofrido há alguns anos atrás.

Nelson morreu aos 66 anos, em decorrência de complicações derivadas de uma pneumonia, no Hospital regional de Cotia, em São Paulo.

Fontes: Sites Wikipedia; OFuxico.

                                          Nelson Ned - "Tudo Passará"



                                        Nelson Ned - "Domingo à Tarde"



                                  Nelson Ned - "Happy Birthday To You, My Love"



                          Nelson Ned e Moacyr Franco - Esse Meu Coração Sem Juizo" - 1976



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Carmélia Alves









                                                                                                           (Rio de Janeiro/RJ,  14 de fevereiro de 1923  *******  Rio de Janeiro/RJ, 3 de novembro de 2012)

Carmélia Alves Curvello era a terceira filha do casal Raimundo, nascido no Ceará e Adelina, nascida na Bahia. Carmélia nasceu no bairro carioca de Bangu numa quarta-feira de cinzas. Ainda bem pequena, seus pais mudaram-se para a localidade de Areal, em Petrópolis, onde foi criada. Seu pai, funcionário do escritório do Departamento de Estradas de Rodagem era muito festeiro, tendo formado conjuntos de baile e organizado blocos carnavalescos e festas juninas. Costumava adormecer embalada pelas cantigas nordestinas cantadas pelo pai.

Com 17 anos voltou ao Rio para estudar , indo morar na casa de parentes. Por essa época, começou a interessar-se por música, encantando-se ao ouvir no rádio as músicas cantadas por Carmen Miranda, da qual tornou-se fã, acompanhando seus programas na Rádio Tupi e recortando suas fotografias de revistas. Recebeu muito incentivo do irmão mais velho, Manoel, que também gostava de cantar e achava que a irmã cantava bem.

Durante o período do ginásio, tomou parte em diversos programas de calouros, tendo sido aprovada em todos eles, inclusive, no mais temido de todos, o de Ary Barroso, onde o assistente Macalé fazia soar o gongo eliminando seguidamente os concorrentes. Convidada por Manoel da Nóbrega, outro grande incentivador, participou de seu programa de calouros na Rádio Ipanema. Fez parte do programa "Estrada do Jacó", comandado por Ary Barroso, onde ele apresentava seus melhores calouros.

Terminado o curso ginasial, optou por seguir a carreira artística. Foi casada por 54 anos com o cantor Jimmy Lester, casamento pautado pela harmonia e compreensão.

Sua carreira artística teve início nos anos 1940, quando foi contratada por Barbosa Júnior para apresentar-se com cachê fixo no programa "Picolino", cantando músicas do repertório de Carmen Miranda. Em meados dos anos 1940, obteve chance no conhecido programa "Casé", substituindo uma cantora que havia faltado. Cantou músicas de Carmen Miranda, que nesta época havia viajado definitivamente para os Estados Unidos. Ouvida por César Ladeira, diretor da Rádio Mayrink Veiga, é contratada por essa rádio, que buscava uma substituta para a estrela Carmen Miranda. Ganhou um programa semanal, recebendo 800 mil-réis por mês, uma verdadeira fortuna para a época.

Em 1941, foi contratada como crooner pelo Copacabana Palace, recebendo 100 mil-réis por dia, apresentando-se no programa "Ritmos da Panair", apresentado ao vivo por Murilo Neri, sendo transmitido para todo o Brasil pela Rádio Nacional. Nesse mesmo ano, foi considerada pela crítica especializada do Rio de Janeiro a melhor crooner. Por essa época, conheceu no Copacabana Palace, o paulista de Franca, José Andrade Nascimento Ramos, que apresentava-se cantando músicas americanas, com o nome artístico de Jimmy Lester, e com quem se casou em apenas três meses. Sua carreira ganhou espaço nesse momento, sendo freqüentemente convidada para apresentar-se em outros locais, entre os quais, o programa do "Chacrinha", na Rádio Fluminense.

Participou no coral de várias gravações de outros artistas, entre os quais na gravação de "Aurora", feita por Joel de Almeida e Gaúcho. Participou, também, de inúmeras gravações de Benedito Lacerda na RCA Victor, sempre participando do coro.

Em 1943, gravou seu primeiro disco, financiado com 400 mil-réis de suas economias. Contou com a ajuda do amigo Benedito Lacerda, que acompanhou a gravação com os músicos de seu regional, que nada cobraram pelo trabalho. Participaram do coro inúmeros artistas, que depois se tornariam famosos, Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro e Nélson Gonçalves. Nesse disco pioneiro foram registrados, de Assis Valente, a batucada "Quem dorme no ponto é chofer" e de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro, o samba "Deixei de sofrer". Apesar do sucesso obtido com a gravação, teve que afastar-se um tempo dos discos, pois sendo novata, criara involuntariamente uma situação constrangedora, já que naquele momento de guerra, muitos artistas consagrados não conseguiram gravar. Preferiu, então, excursionar pelo Brasil com o marido. Durante quatro anos apresentou-se em diversas cidades brasileiras. Retornou ao Rio de Janeiro em 1948, retomando seu lugar na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1949, gravou com Ivon Curi a toada "Me leva", de Hervé Cordovil e Rochinha, com orquestração e regência do maestro Radamés Gnattali, que tornou-se seu primeiro grande sucesso e a rancheira "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. No mesmo ano, gravou com o Quarteto de Bronze, o samba "Diga que sim", de Roberto Martins e Ari Monteiro e o choro "Tic-tac do meu relógio", de Dunga. Ainda em 1949, gravou de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, a marcha "Mimoso jacaré" e de Roberto Martins, o samba "Coração magoado". No mesmo ano, gravou de Lauro Maia e Humberto Teixeira o baião "Trem o lá lá" e de Ari Kerner, o balanceio "Trepa no coqueiro", com a orquestra de Severino Araújo, um de seus grandes sucessos.

No ano de 1950, gravou de Hervé Cordovil e Mário Vieira, o baião "Sabiá na gaiola", que estourou como outro grande sucesso, de Luís Bandeira, o cateretê "Dança do pinote" e o samba "Coração magoado", com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo. No mesmo ano, passou a atuar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1951, gravou, de Capiba o frevo-canção "É frevo meu bem", que teve grande êxito em Recife, começando, a partir de então, a ter nos anos seguintes grandes sucessos com frevos. No mesmo ano, gravou de Salvador Miceli e Luiz Antônio, a batucada "Maria pouca roupa", de Humberto Teixeira, o baião "O baião em Paris" e de Luiz Bandeira e Ernâni Seve, o samba "Samba de emergência", entre outras. Ainda neste ano, ela e o marido Jimmy Lester, em viagem ao Nordeste, descobriram o acordeonista Sivuca, atuando na Rádio Comércio do Recife e o levaram para o Rio de Janeiro. Gravou na mesma época, com Jimmy Lester, os baiões "Adeus Maria Fulô", de Humberto Teixeira e Sivuca e "Saudade é de matar", de Hervé Cordovil e Manezinho Araújo. Com Sivuca gravou o pot-pourri "No mundo do baião", com baiões de diferentes autores.

Em 1952, gravou a marcha baião "Dança da mulesta", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. No mesmo ano, gravou de Humberto Teixeira, o baião "Eu sou o baião". Ainda em 1952, gravou com o Trio Melodia, dois pout-pourris, um de sambas e outro de baiões. Gravou com Sivuca ao acordeon os baiões "Maria Joana", de Luís Bandeira e "O vôo do mangangá", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. Na mesma época, reforçou o direcionamento de sua carreira em direção aos ritmos regionais, embora continuasse a gravar sambas. Ingressou no cinema cantando números avulsos e ganhou o título de Rainha do baião, integrando uma verdadeira corte, sendo Luiz Gonzaga, o Rei, Luiz Vieira, o príncipe e Claudette Soares, a princesa, cantando repertório de Carmélia, já conhecida como a Rainha do Baião. Recebeu inúmeros convites para apresentar-se em diversos lugares, inclusive na Argentina, onde viu lançado seu grande sucesso "Sabiá na gaiola". Gravou de Humberto Teixeira e Lauro Maia, o balanceio "O balanceio tem açúcar" e o baião "Baião vai, baião vem", de Hervé Cordovil.

Em 1953, gravou de Humberto Teixeira e Felícia Godoy o samba "Um verdadeiro amor" e de Hervé Cordovil, a marcha-rancho "Que bela rosa". No mesmo ano, gravou as polcas "A viola do Zé", de José Meneses e Luiz Bittencourt. Ainda em 1953, gravou com o Trio Melodia a chula "Pau de arara" de Luiz Bittencourt e José Meneses e a clássica toada "Tristeza do Jeca", de Angelino de Oliveira. Em 1954, gravou de Capiba, o frevo-canção "Vamos pra casa de Noca?", em disco que trazia na outra face, a Orquestra Tabajara de Severino Araújo com o frevo "Camisa velha", de Herman Barbosa. No mesmo ano, gravou as marchas "Carnaval em Caxias", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy e "Marcha dos barbadinhos", de Roberto Martins. Também gravou com Sivuca os pout-pourris "No mundo do baião" III e IV, com diversos compositores.

De 1950 a 1954, manteve-se na gravadora Continental, na Rádio Nacional e no topo das paradas como a Rainha do Baião. Depois de apresentar-se com enorme sucesso na Argentina, viajou com a caravana de Humberto Teixeira indo apresentar-se na Alemanha, onde fez sucesso, sendo convidada a gravar um LP pela Telefunken. O mesmo aconteceu em outros países onde se apresentou. Em Portugal, seu repertório passou a ser utilizado por ranchos regionais. Na então União Soviética, fez um show para 150 mil pessoas. Em 1955, gravou o samba "Falando de amor", de Edu Rocha, João de Oliveira e Pernambuco, a marcha "Disco voador" de Hervé Cordovil e os baiões "Voando prá Paris", de Humberto Teixeira e "Pau-de-arara", de Guio de Morais . Em 1956, gravou os baiões "Baião de Santa Luzia", de Luiz Bandeira e "Vapô de Carangola", de Manezinho Araújo e Fernando Lobo. No mesmo ano, já de viagem marcada para a Europa gravou de Luiz Bandeira o frevo "Quarta-feira ingrata" que se tornou o hino do carnaval pernambucano.

Em 1957, gravou os frevos-canção "É de fazer chorar", de Luiz Bandeira e "Nem que chova canivete", de Capiba. Em 1959, gravou os sambas "Maldade", de Valdemar Gomes e "Recado", de Djalma Ferreira e Luiz Antônio e os baiões "Serenata dos gatos" e "Carreteiro", ambos de Antônio Almeida. Gravou, também, o clássico samba "Gente da noite", do compositor gaúcho Túlio Piva. Por essa época, o casal Carmélia Alves e Jimmy Lester pouco tempo ficou no Brasil, fazendo tournês internacionais nas três Améicas e na Europa. Em 1962, gravou pela Mocambo os sambas "Tem que ter", de Túlio Piva e o clássico "Chiclete com banana", de Almira e Gordurinha. No mesmo ano realizou com enorme sucesso uma série de shows em boates chilenas durante a Copa do Mundo. Em 1963, gravou o frevo-canção "É de Maroca", de Capiba e o samba "O malhador", de Donga, Pixinguinha e Valfrido Silva. Durante a Jovem Guarda, chegou a apresentar-se com o grupo vocal Golden Boys, no programa Silvio Santos na televisão.

Em 1974, gravou pela RGE o LP "Ritmos do Brasil", onde interpretou uma variedade de ritmos musicais brasileiros, entre os quais, o baião "Paraíba feminina", de Hervé Cordovil, o carimbó "Eu vou girar", de B. Lobo e Agnaldo Alencar, o arrasta-pé "Chora viola, chora", de Venâncio e Corumba e o maxixe "Feitiço da Bahia", de Nelson Sampaio. Em 1976, a Continental lançou pela série "Ídolos MPB", o LP "Carmélia Alves", fazendo um histórico da carreira da cantora, com a apresentação de 12 composições, que foram sucesso em sua voz, entre as quais, o balanceio "Trepa no coqueiro", de Ari Kerner, o samba "Coração magoado", de Roberto Martins, os baiões "Sabiá na gaiola", de Hervé Cordovil e Mário Vieira e "Adeus, morena, adeus", de Manezinho Araújo e Hervé Cordovil e a toada baião "Essa noite serenô", de Hervé Cordovil, do filme "Meu destino é pecar".

Em 1977, após 15 anos sem se apresentar para o público carioca, fez antológico show ao lado de Luiz Gonzaga no Teatro João Caetano reabrindo a série "Seis e Meia". Na ocasião interpretou interpretou "Qui nem jiló", "Trepa no coqueiro", "Sabiá lá na gaiola" e "Cabeça inchada", além dos duetos com Gonzaga em "Reis do baião", "Lorota boa" e "Forró do Mané Vito". Na década de 1990, integrou o conjunto "Cantoras do rádio" ao lado de Nora Ney, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales, Ellen de Lima e Violeta Cavalcanti. Em 1993 teve relançado em CD o seu show realizado no teatro João Caetano ao lado de Luiz Gonzaga.

Em 1998, com a morte de Jimmy Lester, entrou em depressão, permanecendo isolada em sua residência de Teresópolis, mas em dois anos já estava de volta às lides, participando de vários shows em São Paulo, inclusive, no Projeto "O Botequim do Cabral" ao lado do crítico Sérgio Cabral.

Em 1999, lançou pelo selo CPC-UMES o CD "Carmélia Alves abraça Jackson do Pandeiro e Gordurinha" no qual interpretou clássicos como "Chiclete com banana", de Gordurinha e José Gomes, "Um a um", de Edgard Ferreira e "Sebastiana", de Rosil Cavalcanti. Em 2000, lançou pelo selo paulista CPC da Umes, com produção de Marcus Vinícius, um CD dedicado a Jackson do Pandeiro e Gordurinha, contando com a participação de Inezita Barroso, Luiz Vieira e Elymar Santos. O lançamento do CD aconteceu através de uma série de shows por todo o Brasil.

Em 2001, apresentou-se no Teatro de Arena ao lado das cantoras Ellen de Lima, Violeta Cavalcanti e Carminha Mascarenhas, no show "Cantoras do rádio -Estão voltando as flores", com apresentação, roteiro e direção de R. C. Albin e que foi gravado em CD pela Som Livre. O espetáculo que teve excelente aceitação, atingindo um público de mais de dez mil pessoas, que aplaudiam de pé, tornou presente diversas memórias da era do rádio, revivendo, por exemplo, logo no início, o prefixo do programa de César de Alencar, apresentado, nos anos 50 na Rádio Nacional.

Em 2002 foi lançado o CD "Estão voltando as flores", com Violeta Cavalcanti, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima, onde ela canta, entre outras, as músicas "Ninguém me ama", "Feitiço da Vila" e "Kalu". Como programação do lançamento do CD, o mesmo espetáculo voltou à cena no Teatro Rival BR em agosto de 2002, com grande sucesso de crítica e público.

Em 2004, apresentou, em temporada no Teatro Ipanema, (RJ), o espetáculo "Tra-lá-lá- Lalá é cem",com direção, roteiro e apresentação de R. C. Albin. O espetáculo fez parte das comemorações do centenário do nascimento do compositor Lamartine Babo. Neste show, Carmélia dividiu o palco com Ellen de Lima, Carminha Mascarenhas e O jovem cantor Márcio Gomes, interpretando canções consagradas, em coro e em solo, do renomado compositor . Ainda no mesmo ano, o mesmo espetáculo ganhou temporada no palco do Teatro João Caetano, no projeto 6 e meia, entusiasmando a platéia.


Nos últimos anos de vida Carmélia sofria com o Mal de Alzheimer. Foi internada e ficou 20 dias no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá. Carmélia faleceu aos 89 anos vitima de complicações cardíacas e teve falência múltipla dos órgãos. O velório da cantora foi realizado no Retiro dos Artistas, zona oeste do Rio de Janeiro. O sepultamento ocorreu no cemitério do Pechincha, próximo ao Retiro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB / IG 




                                          Carmélia Alves interpretando "Isto é Baião" no filme "Tudo Azul" / 1952




                          Luiz Gonzaga e Carmélia Alves em pout-pourri de baiões - Projeto Seis e Meia / 1977



                                                                       Carmélia Alves no Retiro dos Artistas 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Vicente Celestino




(Rio de Janeiro/RJ, 12 de setembro de 1894 — São Paulo/SP, 23 de agosto de 1968)

Vicente Celestino representa, em toda a história de nossa música, a mais longa e ininterrupta carreira de intérprete sem jamais ver diminuída a popularidade.

Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, que seria gravado para um programa de televisão.

Foram 54 anos de vida artística, se contados a partir de 1914, ano de sua estréia na Companhia do Teatro São José. A valsa "Flor do Mal" foi nessa ocasião seu primeiro grande sucesso e também entrou no seu primeiro disco, em 1916, na Odeon (Casa Edison).

Antônio Vicente Filipe Celestino nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Tereza, filho de italianos da Calábria. Dos 6 homens (eram 11 irmãos), 5 dedicaram-se ao canto e 1 ao teatro. Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.

Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção.

Na fase mecânica de gravação, fez cerca de 28 discos com 52 músicas. Com a gravação elétrica, em 1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento técnico, logo superada. Aí recomeçaria os sucessos cantados em todo o Brasil. Em 1935 foi contratado pela RCA VICTOR, praticamente daí sua única gravadora até falecer. No total, gravou em 78 rpm cerca de 137 discos com 265 músicas, mais 10 compactos e 31 Lp's, nestes também incluídas reedições dos 78 rpm.

Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: "O Ébrio" (1946) e "Coração Materno" (1951). Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904 - 1979), cantora, escritora, atriz e cineasta.

O incrível Vicente Celestino passaria incólume e imperturbável por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou "Conceição", "Creio em Ti" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como "A Voz Orgulho do Brasil".

Alguns de seus maiores sucessos foram:

MEU BRASIL
CORAÇÃO MATERNO
PORTA ABERTA
NOITE CHEIA DE ESTRELAS
SANTA
O ÉBRIO
O CIGANO
RASGUEI O TEU RETRATO
PATATIVA
SANGUE E AREIA
GILKA
BOCA DE ROSA
FALANDO AO CORAÇÃO
ABISMO DE AMOR
ILUSÃO DE GAROTO
NOSSO AMOR
LÁGRIMAS DE AMOR
MALANDRAGEM
AS MANHÃS DO GALEÃO
HISTÓRIA COMPLICADA
...E HÁ MUITA GENTE QUE SABE
ESQUECE
À LUZ DO LUAR
EM DELÍRIO
CABOCLA SERRANA
VOLTASTE
...E NADA MAIS!...
FIDELIDADE
MARTÍRIOS
ADEUS, Ó TERRA ONDE NASCI

Fonte: Site www.swi.com.br

Elizeth Cardoso

(Rio de Janeiro/RJ -16-07-1920 --- Rio de Janeiro/RJ - 07-05-1990)

Elizeth Cardoso Valdez nasceu no Rio de Janeiro de 16 de julho de 1920.

Nasceu na Rua Ceará nº 5, na Estação de São Francisco Xavier, próxima ao morro de Mangueira. Seu pai, Jaime Moreira Cardoso, era seresteiro e tocava violão. Sua mãe, Maria José Pilar, gostava de cantar. A família em geral, principalmente seu Tio Pedro, participava da vida musical da cidade, freqüentando as sociedades dançantes da época, convivendo com grandes músicos em reuniões na casa de Tia Ciata. De uma família de 6 irmãos (além dela, Jaimira, Enedina, Nininha, Diva e Antônio), costumava organizar teatrinhos para a criançada, onde podia cantar o repertório de Vicente Celestino. Nessa época, morou no bairro carioca de Jacarepaguá.

Ainda menina, costumava freqüentar a famosa casa de Tia Ciata. Com apenas 5 anos, subiu no palco da antológica Sociedade Familiar Dançante Kananga do Japão e pediu para o pianista acompanhá-la na marchinha "Zizinha". Em 1930, aos dez anos, começou a trabalhar para ajudar a família. Foi balconista, peleteira, saponeteira e cabeleireira. No aniversário de seus 16 anos, a família se reuniu na casa de sua tia Ivone. Nessa época, sua família morava numa casa de cômodos na Rua do rezende 87, no centro do Rio, onde morava a tia Ivone com seu marido. Para a festa, foram convidados vários amigos músicos: Pixinguinha, Dilermando Reis, Jacob do Bandolim (com apenas 18 anos), entre outros. Tio Pedro (marido de Ivone) falou então para Jacob: "Olha aí, Jacob, a minha sobrinha aí, a Elizeth, sabe cantar algumas coisas. Que tal vocês ouvirem e organizarem um acompanhamento para ela?" Meio sem graça, a jovem Elizeth encantou a todos com sua voz. Jacob então convidou Elizeth para um teste na Rádio Guanabara, que foi o trampolim para sua carreira. Declarada namoradeira, Elizeth, em depoimento ao MIS, contou suas proezas amorosas. Mesmo tendo a vigilância constante de Seu Jaime, pai extremamente zeloso com a honra de sua filha, namorou muito, mesmo contra a sua vontade, inclusive o famoso craque de futebol Leônidas da Silva. Por volta de 1938, adotou uma menina, Tereza Carmela a quem criou como filha por toda a vida. Em 1939, casou-se com Ari Valdez, o Tatuzinho, comediante e músico (cavaquinho), com quem teve seu único filho legítimo, Paulo César Valdez. O casamento durou pouco, pois Tatuzinho, segundo a própria Elizeth, tinha problemas mentais. Era uma ótima pessoa, mas tinha "um parafuso a menos", segundo o amigo e violonista Luís Bittencourt.

Entre seus grandes romances destacam-se os nomes do maestro Dedé, Evaldo Rui e Paulo Rosa.

Costumava fazer suas viagens de trem, pois tinha medo de avião. Em 1954, a cantora sofreu duro golpe: Evaldo Rui suicidou-se. A imprensa explorou o envolvimento amoroso de Elizeth com o compositor, apesar dos familiares de Evaldo insistirem que ela nada teve a ver com o fim inusitado do namorado. No final de 1954, sofreu intervenção cirúrgica, por causa de uma crise de apendicite aguda. Em 1966, viveu uma polêmica com o cantor Ciro Monteiro, que, depois de gravar um LP a seu lado, programou alguns shows que Elizeth não aceitou, por causa dos baixos cachês. O cantor ficou mais magoado quando, na capa do LP, viu que sua foto era menor que a de Elizeth. Esse incidente ainda atiçou a rivalidade entre Elizeth e Elis, iniciada com sua participação no programa Bossaudade da Record. Elis acabou recebendo um carão da cantora, quando interveio em favor de Ciro: "Se você não quer me respeitar como cantora, não precisa respeitar. Mas exijo que me respeite como mulher. Tenho idade para ser sua mãe." Em 1969, por causa do sepultamento de sua mãe, não pode receber das mãos do então governador Negrão de Lima, o prêmio Estácio de Sá, em cerimônia na Sala Cecília Meirelles. Recebeu a estatueta oito dias depois, num jantar promovido pelo MIS em uma churrascaria carioca. Em 1987, quando estava em uma excursão no Japão, os médicos japoneses diagnosticaram um câncer no estômago, que obrigou a cantora a uma cirurgia. Apesar disso, a doença ainda a acompanharia durante os três últimos anos de vida. A cantora faleceu às 12h28 do dia 7 de maio de 1990, na Clínica Bambina, no bairro carioca de Botafogo. Foi velada no Teatro João Caetano, onde compareceram milhares de fãs. Foi sepultada, ao som de um surdo portelense, no Cemitério da Ordem do Carmo, no bairro carioca do Cajú.

Fonte: Site Alma Carioca.

Gilda de Abreu

(Paris, 23 de setembro de 1904 — Rio de Janeiro/RJ, 4 de junho de 1979)

Gilda de Abreu, cantora, compositora, escritora, cineasta e atriz nasceu em Paris, França, em 23 de setembro de 1904.

Filha da cantora Nícia Silva de Abreu, veio para o Brasil com quatro anos para ser batizada. Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, a mãe, que cumpria periodicamente contratos na Europa, instalou-se definitivamente no Rio de Janeiro. Aos 18 anos começou a estudar canto com a própria mãe, que se havia dedicado ao ensino, revelando-se excelente soprano ligeiro.

Principiou a cantar em festas de caridade e concertos, chegando a interpretar em 1920 (ano em que conheceu Vicente Celestino), no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, as óperas Les Contes d'Hoffmann, de Jacques Offenbach (1819-1880), Il Barbiere di Siviglia, de Gioacchino Rossini (1792-1868) e Lakmé, de Léo Delibes (1836-1891).

Em 1933, iniciou suas atividades no teatro musicado, participando da opereta "A Canção Brasileira", de Luís Iglésias, Miguel Santos e Henrique Vogeler, trabalhando ao lado de Vicente Celestino, no Teatro Recreio, do Rio de Janeiro, com quem casou cinco meses após a estréia e passou a trabalhar em estreita colaboração. Ainda em 1933, escreveu todo um ato da opereta "A Princesa Maltrapilha", levada à cena no mesmo ano.

Em 1935, estrelou o filme de Oduvaldo Viana "Bonequinha de Seda", baseado na valsa de mesmo nome, de sua autoria, um dos sucessos de Vicente Celestino. Nesse ano, compôs a opereta "Aleluia", estreada em 1939, no Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro.

Em 1937, fez o filme "Alegria", que não teve grande repercussão. Em 1942, escreveu a letra das canções "Mestiça" (música de Ary Barroso) e "Ouvindo-te" (música de Vicente Celestino). Até 1944, esteve ligada a uma companhia de operetas, da qual Vicente também fazia parte, que realizou excursões por todo o Brasil. Em 1946, escreveu o roteiro e dirigiu o filme "O Ébrio", também inspirado em outra composição de sucesso do marido que atuava no papel-título.

Em 1949, escreveu o roteiro e dirigiu o filme "Pinguinho de Gente" e, em 1951, escreveu o roteiro, dirigiu e interpretou o papel principal do filme "Coração Materno", título de outro grande sucesso de Vicente Celestino. Em 1950, compôs com Vicente Celestino e Ercole Varetto a opereta "A Patativa", e escreveu com Luís Iglésias o libreto da opereta "Olhos de Veludo" (música de Vicente Celestino). Autora de vários livros infantis e romances, publicou também "A vida de Vicente Celestino", São Paulo, 1946.

Em 1955, encerrou sua carreira cinematográfica escrevendo o roteiro de "Chico Viola Não Morreu", baseado na vida de Francisco Alves.

Com a morte do marido em 1968, ela passou a viver no anonimato em seu apartamento no Morro da Viúva, Rio de Janeiro.

Em 1977, surpreendia a opinião pública com um novo casamento, desta vez com o cantor lírico José Spinto, 39 anos mais novo que ela.

Gilda faleceu aos 74 anos, em 4 de junho de 1979.

Fontes: Cifra Antiga e Cine TV Brasil.

Dalva de Oliveira

(Rio Claro/SP, 5 de maio de 1917 - Rio de Janeiro/RJ, 31 de agosto de 1972)

Vicentina Paula de Oliveira ou Dalva de Oliveira nasceu na cidade de Rio Claro, SP, em 5 de maio de 1917.

Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo. Além dela, os pais tiveram mais três meninas, Nair, Margarida e Lila e um menino que nasceu com problemas de saúde e morreu ainda criança. Seu pai, que era conhecido na cidade pelo apelido de Mário Carioca, era marceneiro e músico nas horas vagas, tocava clarinete e costumava realizar serenatas com seus amigos músicos, chegando a organizar um conjunto para tocar em festas. A pequena Vicentina gostava de acompanhá-lo nessas serenatas. Viviam de forma bastante modesta e quando ela tinha apenas oito anos, sofreram um duro golpe familiar: Mário faleceu, deixando a esposa com quatro filhos para criar. Dona Alice resolveu, então, tentar a vida na capital paulista, onde arrumou emprego de governanta. Conseguiu vaga para as três filhas em um internato de irmãs de caridade, o Internato Tamandaré, onde Vicentina chegou a ter aulas de piano, órgão e canto. A menina ficou lá por três anos, até ser obrigada a sair, devido uma séria infecção nos olhos. Nessa ocasião, a mãe perdeu o emprego, pois os patrões não aceitaram a presença da menina. Dona Alice conseguiu emprego de copeira em um hotel e Vicentina passou a ajudá-la. Trabalhou então como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Depois, conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano.

Transferiram-se para o Rio de Janeiro em 1934, onde foram morar à Rua Senador Pompeu, numa "cabeça-de-porco", segundo a própria cantora. Nessa época, a família já estava novamente reunida pois as irmãs voltaram a morar com a mãe.

Casou-se com Herivelto Martins em 1937, com quem teve seus dois filhos, Pery e Ubiratã :o primeiro tornou-se cantor, sendo conhecido como Pery Ribeiro e o segundo trabalhou em televisão como "camera man" e depois produtor de programas televisivos, como o "Fantástico", da TV Globo.

Uma das grandes estrelas dos anos 1940, 1950 e 1960, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil. Dona de uma poderosa voz, cuja extensão ia do contralto ao soprano.

Um dia, foi ouvida pelo maestro pianista, que a convidou para cantar numa "troupe", chefiada por Antônio Zovetti. "Era um cirquinho de tablado", segundo depoimento da cantora, que correu várias cidades de São Paulo, até chegar a Belo Horizonte, MG. Sua participação acontecia nos intervalos dos espetáculos, quando era anunciada como "A menina prodígio da voz de ouro". Sua mãe foi junto, a convite do próprio empresário. Foi nessa época que passou a usar o nome de Dalva, sugerido pela mãe, pois Zovetti achava que seu nome não era bom para uma cantora. Assim, passaram a anunciá-la como a "doçura de voz da menina prodígio: a estrela Dalva!" Em Belo Horizonte aconselharam-na a fazer um teste na Rádio Mineira. Foi aprovada, mas, com a dissolução do Circo Damasco, voltaram a São Paulo. O maestro aconselhou sua mãe a ir para o Rio de Janeiro, dizendo que a menina tinha futuro e que na Capital Federal teria mais chances.

No Rio de Janeiro, empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual um dos proprietários, Milton Guita, conhecido como Milonguita era diretor da Rádio Ipanema. Gostava de cantar enquanto trabalhava e Milonguita um dia a ouviu. Convidou-a, então, para um teste na Rádio Ipanema. Foi aprovada e logo depois transferiu-se para as Rádios Sociedade e Cruzeiro do Sul, onde cantou ao lado de Noel Rosa. Depois, passou pela Rádio Philips e finalmente conseguiu trabalho na Rádio Mayrink Veiga. Na época, Adhemar, diretor da rádio, levou-a para conhecer o maestro Gambardella, que apesar de achar que ela possuía potencial para tornar-se uma cantora lírica, aconselhou-a a manter-se como cantora popular. O maestro sabia que uma moça pobre dificilmente poderia seguir uma carreira que carecia de recursos e não tinha muito futuro no Brasil. Era carreira para quem havia nascido rica. Assim, sugeriu que ela utilizasse sua voz para o canto popular. Nessa época, foi chamada para trabalhar no teatro com Jayme Costa, fazendo pontas em operetas no Teatro Glória. Trabalhou na temporada popular da Casa de Caboclo, do Teatro Fênix, onde atuou ao lado de Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema D'Ávila, Diamantina Gomes e Antônio Marzullo. No mesmo período, trabalhou na Cancela, em São Cristóvão, num teatro regional onde ela apresentava números imitando a atriz Dorothy Lamour. Foi lá que conheceu Herivelto Martins,que atuava com o parceiro Nilo Chagas, formando a Dupla Preto e Branco. Ali, fez os primeiros números com a dupla. Logo depois, Herivelto Martins foi contratado para trabalhar no Teatro Fênix, de Pascoal Segreto, e propôs a ela que viesse cantar com ele e Nilo, formando então um trio. Começaram então um namoro. No início o trio chamava-se Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. Foi César Ladeira que sugeriu que trocassem o nome para Trio de Ouro. Foram então contratados pela Rádio Mayrink Veiga e gravaram o primeiro disco em 1937, na Victor, com a batucada "Itaguaí" e a marcha "Ceci e Peri", ambas de autoria de Príncipe Pretinho. Na época em que gravaram o disco, estava esperando seu primeiro filho, e o público escrevia pedindo que, se fosse um menino, eles o batizassem de Pery, e, se fosse menina, Ceci. Foi o que aconteceu quando deu à luz ao futuro cantor Pery Ribeiro.

Em 1938, transferiram-se para a Rádio Tupi e para a gravadora Odeon lançando o samba-toada "Iaiá baianinha", de Humberto Porto e o "Batuque no morro", de Herivelto Martins, Humberto Porto e Ozon. No mesmo ano, o trio formado com a Dupla Preto e Branco passou a chamar-se Trio de Ouro. Em 1939, gravou na Columbia em dueto com Francisco Alves os sambas "Brasil!", de Benedito Lacerda e Aldo Cabral e "Acorda Estela!", de Benedito Lacerda e Herivelto Martins.

Em 1940, gravou seu primeiro disco solo, na Columbia, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto regional interpretando a marcha "Mesma história", de Benedito Lacerda e Herivelto Martins e a mazurca "Menina do vestido branco", de Príncipe Pretinho. Nesse ano, gravou em dueto com Castro Barbosa o samba "Tudo tem o Brasil", de Castro Barbosa, Dilermando Reis e Pedro Caetano. Em 1941, gravou em dueto com Francisco Alves a "Valsa da despedida", de R. Burns, em versão de João de Barro e Alberto Ribeiro. Na década de 1940 atuaram no Cassino da Urca e no Cassino Icaraí, onde conheceram Orson Wells de quem Herivelto Martins seria assistente de produção do filme inacabada "It's all true", de 1942. O cineasta muitas vezes dormiu, por estar bêbado, na casa do casal, que ficava na Av. São Sebastião, atrás do Cassino da Urca,conforme testemunhou Herivelto Martins ao crítico R. C. Albin.

Seus maiores sucessos com o Trio de Ouro foram os sambas "Praça Onze", de Herivelto Martins e Grande Otelo e "Ave-Maria no morro", de Herivelto, gravados em 1942, o primeiro com o Trio acompanhando Castro Barbosa. Em 1943, o Trio de Ouro gravou com sucesso "Laurindo", um samba de Herivelto Martins. Nesse ano, gravou sozinha na Odeon as marchas-rancho "Grande desilusão", de Jaime Florence e J. Morais e "Coração de mulher", de Humberto Porto e Mário Rossi com acompanhamento de Fon-Fon e sua orquestra.

Em 1944, participou do filme "Berlim na batucada", de Luís de Barros. Em 1945, gravou na Continental, com Carlos Galhardo e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história Branca de Neve e os Sete Anões, com músicas de Radamés Gnattali.

Em 1947, obteve grande sucesso com o samba "Segredo", de Herivelto Martins e Marino Pinto, que de certa forma retratava as brigas com Herivelto Martins e que fariam seu casamento desmoronar. Lançou com acompanhamento de Chuca-Chuca e seu conjunto, em 1948, os sambas "Quarto vazio" e "Nossas vidas", de Herivelto Martins. Em 1949, separou-se de Herivelto Martins durante uma excursão à Venezuela com a Companhia de Derci Gonçalves e o Trio de Ouro se desfez. Ficou ainda naquele país, apresentando-se com o maestro Vicente Paiva, por mais um ano. Retornou ao Brasil em 1950, quando a gravadora Odeon a rejeitou, pois os produtores não acreditavam em sua carreira solo. Foi Vicente Paiva, na época um dos diretores artísticos da gravadora, que lhe deu seu aval, dizendo que se o samba "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins não estourasse, ele se demitiria. O samba, de fato, foi um grande sucesso na voz dela, inaugurando uma duradoura batalha musical com Herivelto Martins, com os dois usando a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Nessa polêmica musical destacaram-se, ainda o bolero "Que será", de Marino Pinto e Mário Rossi e o samba "Errei sim", de Ataulfo Alves, ambas gravadas em 1950 e que se constituiram em grandes sucessos. Ainda nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Ave Maria", de Vicente Paiva e Jaime Redondo, com acompanhamento de Osvaldo Borba e sua orquestra. Ainda na década de 1950 atuou nos filmes "Maria da praia", de Paulo Wanderley; "Milagre de amor" e "Tudo azul", ambos de Moacir Fenelon.

Em 1951, novamente com acompanhamento da orquestra de Osvaldo Borba, gravou os sambas "Rio de Janeiro", de Ary Barroso e "Calúnia", de Marino Pinto e Paulo Soledade. Nesse ano, fez sucesso com a marcha "Zum-zum", de Paulo Soledade e Fernando Lobo e com o samba "Palhaço", de Osvaldo Martins, Washington e Nelson Cavaquinho, que aparece no selo do disco apenas como Nelson. Nessa época, fez várias excursões ao exterior, apresentando-se no Uruguai, Argentina, Chile e na Inglaterra. Em Londres, cantou na festa de coroação da Rainha Elizabeth II, no Hotel Savoy, acompanhada pelo maestro Robert Inglis. No ano seguinte, esse repertório foi gravado em Londres, nos estúdios da Parlophone, com o maestro Inglis e sua orquestra. O nome de Inglis foi aportuguesado para Inglês, a fim de facilitar sua comercialização no Brasil. No elepê, eles recriaram clássicos brasileiros como: "Tico-tico no fubá", "Aquarela do Brasil", "Bem-te-vi atrevido" e "Na Baixa do Sapateiro", além de vários outros sucessos.

Em 1952, fez sucesso com a marcha "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e gravou também o samba "Vai na paz de Deus", de Ataulfo Alves e Antônio Domingues e a marcha-rancho "Mulher", e Marino Pinto e Paulo Soledade. Ainda nesse ano, lançou novos sucessos, "Kalu", um baião de Humberto Teixeira e "Fim de comédia", samba de Ataulfo Alves e foi eleita Rainha do Rádio, além de excursionar pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa ocasião que conheceu o empresário Tito Clemente, seu futuro marido.

Em 1955, gravou sem muito sucesso os sambas-canção "Eterna saudade", de Genival Melo e Luiz Dantas e "Não pode ser", de Marino Pinto e Mário Rossi; o tango "Fumando espero", de Villadomat e Garson, com versão de Eugênio Paes; a valsa "Quinze primaveras", de Solovera e Ghiaroni; a marcha "Carnaval, carnaval", de Kléscius Caldas e Armando Cavalcânti e o samba "Foi bom", de Marino Pinto e Haroldo Lobo.

No ano seguinte, lançou os sambas-canção "Teu castigo", dos ainda iniciantes Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça e "Neste mesmo lugar", da já então consagrada dupla Kléscius Caldas e Armando Cavalcanti. Nesse mesmo ano, gravou os tangos "Lencinho querido", de Filiberto, Peña Losa e Maugéri Neto e "Confesion", de Discepolo e Amadori, com versão de Lourival Faissal, reforçando sua imagem de cantora de músicas românticas, especialmente o tango, gênero em que se saiu excepcionalmente bem.

Em 1957, gravou com acompanhamento de Léo Perachi e sua orquestra o bolero "Nada", de Marino Pinto e David Raw e o samba-canção "Prece de amor", de René Bittencourt. Nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Há um deus", de Lupicínio Rodrigues com orquestração e piano de Antônio Carlos Jobim e acompanhamento de sua orquestra. Gravou na mesma época o samba "Eu errei, confesso", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti que de certa forma retomava as querelas de sua separação de Herivelto Martins. Do então marido Tito Clement gravou o samba-canção "Intriga", parceria com o sambista Sinval Silva e a toada "Sonho de pobre".

Em 1958, gravou do filho Pery Ribeiro o samba-canção "Não devo insistir", parceria com Dora Lopes. Nesse ano, lançou o LP "Dalva de Oliveira", no qual interpretou músicas de dos mais diferenciados compositores, incluindo "Copacabana beach", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti; "Não tem mais fim", de Hervê Cordovil e Renné Cordovil; "Folha caída", de Humberto Teixeira; "Intriga", de Sinval Silva e Tito Clement e "Testamento", de Dias da Cruz e Cyro Monteiro. No ano seguinte, gravou dois discos destinados às festividades do Dia das mães, as valsas "Minha mãe, minha estrela", de Rubem Gomes e Luiz Dantas e em dueto com Anísio Silva, "Amor de mãe", de Raul Sampaio e "Minha mãe", de Lindolfo Gaya sobre poema de Casemiro de Abreu. Gravou no mesmo ano a canção "Velhos tempos", do iniciante compositor Carlinhos Lyra, parceria com Marino Pinto. Lançou também o LP "Dalva de Oliveira canta boleros", com canções como "Lembra", de Tito Clement; "Sábias palavras", de Mário Rossi e Marino Pinto; "Vida da minha vida", de Antônio Almeida e "Finalmente", de Marino Pinto e Jota Pereira.

Em seguida, gravou as músicas "Quando ele passa", Oswaldo Teixeira, "Enquanto eu souber", de Esdras Silva e Ribamar; "Dorme", de Ricardo Galeno e Pernambuco e "Meu Rio", de Tito Clement, entre outras, incluídas no LP "Em tudo você", lançado pela Odeon em 1960. No ano seguinte, lançou outro LP apenas com tangos, entre os quais, "El dia em que me quieras", de Ghiaroni, Le Pera e Carlos Gardel e "Fumando espero", de Eugênio Paes, Garzô e Villadomat. Lançou também outro LP, com apenas seu nome como título, e que incluiu seus grandes sucessos "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins, "Segredo", de Marino Pinto e Herivelto Martins, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Que será", de Mário Rossi e Marino Pinto.

Em 1962, gravou os boleros "Nem Deus, nem ninguém", de Roberto Faissal e "Sabor a mim", de Alvaro Carrillo e versão de Nazareno de Brito. Também nesse ano, gravou no pequeno selo Orion os sambas-canção "Arco-íris", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Amor próprio", de Marino Pinto e Carlos Washington. Gravou também o LP "O encantamento do bolero" do qual fazem parte "Minha oração", uma versão de Cauby de Brito; "Nem Deus nem ninguém", de Roberto Faissal; "Tu me acstumaste", de F. Domingues e "E a vida continua", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia.

Em meados dos anos 1950, fixou residência em Buenos Aires, só retornando em 1963, mas onde gravaria, com sucesso, alguns tangos, logo editados no Brasil, entre os quais "Lencinho Branco", que foi muitíssimo executado, sendo um campeão de venda de discos. A cantora vinha sempre ao Rio de Janeiro, para temporadas artísticas em rádios e teatros.

No ano de seu regresso ao Brasil, lançou o LP "Tangos volume II", e que trazia tangos como "Estou enamorada", de José Marquez e Oscar Zito, com versão de Romeu Nunes e "Vida minha", com versão de Cauby Peixoto.

Em 1965, lançou o LP "Rancho da Praça Onze", cuja música título, de Chico Anysio e João Roberto Kelly foi um dos destaques do ano. No mesmo disco estavam "Hino ao amor", versão da música de Edith Piaf; "Junto de mim", de Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu, "Fracasso", de Fernando César e Nazareno de Brito e "Ser carioca", de Fernando César. Dois nos depois lançou o LP "A cantora do Brasil"que marcou seu retorno ao disco após o afastamento provocado pelo acidente. Nesse disco, gravou a marcha "Máscara negra", de Pereira Matos e Zé Kéti, um dos maiores sucessos de sua carreira e que foi uma das mais executadas no carnaval daquele ano, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval criado naquele ano pelo MIS do Rio.

Em 1968, lançou o LP "É tempo de amar", com destaque para "Andorinha", de Sílvio Caldas, "Pela décima vez", de Nole Rosa, "Tudo foi surpresa", de Peterpan e Valzinho, "Tem mais samba", de Chico Buarque de Holanda , "Aves daninhas", de Lupicínio Rodrigues e "Marcha da quarta-feira de cinzas", de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. Lançou em 1970 aquele que acabaria sendo seu último LP e cuja música título, de autoria de Laércio Alves e Max Nunes, constituiu-se em enorme sucesso, "Bandeira branca", um marco em sua carreira. Do LP faziam parte ainda "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade; "Primavera no Rio", de João de Barro, "Pequena marcha para um grande amor", de Juca Chaves e "Meu último luar", de Waldemar Henrique. Ao final deste mesmo ano, prestou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som, cujos trechos podem ser ouvidos no LP-homenagem editado logo depois de sua morte pela Odeon. Em 1971, apresentou-se no Teatro Tereza Raquel no Rio de Janeiro. No fim da carreira, apresentou-se em vários programas de televisão. Em 1972, apresentou-se no antigo Teatro Casa Grande, ao lado de Leila Diniz e do comediante baiano Silvio Lamenha, que a imitava, peteticamente, em cena, exibindo seus conhecidos trinados agudos.

Em 1987, teve sua vida interpretada pela atriz Marília Pera na peça "A Estrela Dalva", de João Elísio e Renato Borghi.

Em 1988, o selo Revivendo relançou o LP gravado em Londres com Roberto Inglês. Em 1997, Roberto Menescal produziu o álbum "Tributo à Dalva de Oliveira", reunindo vários artistas, tais como Elba Ramalho, Sidney Magal, Joanna, Cauby Peixoto, Lucho Gatica e Eduardo Dusek. Ainda em 1997, a EMI lançou o álbum "A Rainha da Voz", com quatro CDs, contendo suas gravações mais expressivas, num total de 80 músicas.

Em 2000, o LP gravado com Roberto Inglês foi lançado em CD pelo selo Revivendo e mereceu na época as seguintes considerações do crítico Tárik de Souza: ""a difusão planetária da MPB ensaiava seus (com) passos uma década antes da bossa nova". Apesar de estilizar os sambas e choros num ritmo que está mais para o mambo, ou outros ritmos latinos, o elepê de Dalva de Oliveira com Roberto Inglês pode ser visto como um difusor da MPB no mundo. No mesmo ano, a EMI dentro da série "Bis", lançou o Cd duplo "Dalva de Oliveira", com 28 interpretações marcantes da cantora. Em 2001, seu filho Pery Ribeiro colocou a voz na música "Que sabes tu" gravada por ela em 1965, raças a recursos tecnológicos fazendo assim um histórico e inédito dueto entre mãe e filho. Em 2002, Pery apresentou um tributo à mãe no teatro Estácio de Sá, campus Antônio Carlos Jobim, na Barra da Tijuca. O espetáculo obteve sucesso e ficou várias semanas em cartaz.

Em 2003, a EMI/Odeon relançou na série "10 polegadas Odeon" seus LPs "A voz sentimental do Brasil", de 1953 e "Dalva de Oliveira com Roberto Inglez e sua orquestra", de 1955, colocados em um único CD. Considerada por Maria Betânia como a melhor cantora do Brasil. Em 2006, foi lançado pelo selo Revivendo o CD duplo "Canta Dalva" contendo 42 gravações originais da cantora incluindo sucessos como "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade, "Marcha da quarta-feira de cinzas", de Carlos Lyra e Vinicíus de Moraes, "Chuva de prata", de Zé Ketti, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade, "Maria escandalosa", de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, "Porta estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona, "Zum zum", de Fernando Lobo e Paulo Soledade, e "Pequena marcha para um grande amor", de Juca Chaves, entre outras, além das clássicas marchas-rancho "Rancho da Praça Onze", de João Roberto Kelly e Chico Anísio, "Máscara negra", de Zé Ketti e H. Pereira Mattos, e "Bandeira branca", de Max Nunes e Laércio Alves.


Separou-se de Herivelto Martins em 1947, iniciando uma batalha de ofensas mútuas muito explorada pela imprensa da época. No início da década de1950, casou-se com o argentino Tito Clement, adotando uma menina, Dalva Lúcia. Foi morar com ele em Buenos Aires. Separaram-se em 1963, ano em que retornou ao Brasil. Casou-se depois com Manuel Nuno Carpinteiro, modesto rapaz muito mais moço que ela. Sofreu, ao lado de Nuno, grave acidente automobilístico em 1965, sendo obrigada a abandonar a carreira por alguns anos.

No início dos anos 1970, foi morar em uma confortável casa no bairro carioca de Jacarepaguá.

Faleceu em 1972, vítima de hemorragia no esôfago.

Em 2010 a TV Globo exibiu uma minisérie contando a vida de Dalva e Herivelto baseado em um livro de memórias do filho do casal, Peri Ribeiro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.