domingo, 25 de novembro de 2012

Almeida Prado

(Santos/SP, 1943 ******* São Paulo/SP, 21/11/2010)

José Antonio de Almeida Prado começou a compor aos sete anos de idade, segundo ele mesmo, imitando Villa Lobos. Pouco depois, começou a estudar piano com uma professora de Santos, chamada Lourdes Jopper, que o fazia tocar Czerny, Diabelli, Bach etc.

Paralelamente, continuava compondo de maneira intuitiva. Foi quando Dinorah de Carvalho, grande compositora e pioneira no Brasil, o ouviu tocar e quis que ele estudasse piano com ela em São Paulo. Assim tornou-se um pianista de recitais e chegou a tocar desde Bach e Händel até Guarnieri, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, além de seus próprios trabalhos.

Quando estava com 14 anos, Camargo Guarnieri o ouviu e gostou muito. Ele decidiu que Almeida Prado estudaria tudo desde o zero, harmonia, contraponto e o seu método de composição: o estudo do folclore em variações, fugas e invenções, para que adquirisse os cacoetes do folclore sem usar melodias folclóricas. Assim, tornaria-se um nacionalista “inconsciente”. Então começou a trabalhar com Guarnieri e fez muita coisa interessante.

Aluno de Camargo Guarnieri e Osvaldo Lacerda, no Brasil, e de Olivier Messiaen e Nadia Boulanger, na França, José Antonio de Almeida Prado é dono de uma vasta obra, que soma mais de 400 composições e inclui desde formações camerísticas e solistas até grandes formações sinfônicas.

Um dos primeiros compositores brasileiros a enveredar pelas trilhas da então “música de vanguarda”, Almeida Prado não se limitou a esta estética, abordando com maestria desde o modalismo com base no folclore -herdado de Villa-Lobos e ideologicamente apoiado em Mário de Andrade- até o atonalismo pós-serial, desenvolvido à sua própria maneira a partir de técnicas de Olivier Messiaen e outros importantes compositores europeus.

Ao longo de sua carreira, teve várias de suas obras executadas por importantes nomes da música brasileira, como Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri e, mais recentemente, John Neschling (à frente da Osesp) e Antônio Menezes, que estreou sua “Sonata para Cello e Piano”. Vale destacar ainda sua constante atuação ao piano, interpretando suas próprias obras.

Suas composições apresentavam também uma grande religiosidade, influência herdada do compositor Olivier Messiaen, seu professor na França. Escreveu obras como "Missa de São Nicolau".

Em 1969, no Rio, venceu o I Festival de Música da Guanabara com "Pequenos Funerais Cantantes".

Foi um ecologista antes que isso fosse moda. Uma outra obra importante foi "Cartas Celestes nº 8", para violino e orquestra.

Paralelamente às suas atividades de compositor, integrou durante anos o departamento de música da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e, mesmo aposentado, continuou lecionando composição em sua própria casa.

Com embolia pulmonar, passou dez dias na UTI até o falecimento. Seu corpo foi enterrado no cemitério da Consolação.

Fonte: Uol / Jornal O Globo.

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