terça-feira, 27 de novembro de 2012

Elino Julião

( Timbaúba dos Batistas, RN, 13-11-1936 ****** Natal/RN 20-5-2006)

Seu pai era tocador de cavaquinho e concertina. Em criança trabalhou como carregador de água e alegrava os moradores da fazenda onde morava cantando e batendo em latas as músicas que aprendia nas festas de Sant'Ana em Caicó.

Aos doze anos, saiu do Seridó e veio para Natal de carona no caminhão de Artur Dias, comerciante da região. Na capital, foi morar com uma tia no bairro das Quintas. Imediatamente, procurou espaço para sua música. Na Rádio Poti, Genar Wanderlei, finalmente lhe ofereceu uma oportunidade de se apresentar no famoso programa de auditório Domingo Alegre, lá pelos idos da década de 50. Conseguiu espaço e reconhecimento. Na rádio, cantava músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros. Sob a bêncão do padre Eymard Lérecat Monteiro, amigo da família, retomou os estudos a noite no colégio Marista.

Julião ficou em Natal por dezoito anos. Durante esse período, serviu o exército, mas logo que se libertou das forças armadas voltou para a Rádio Poti, onde conheceu Jackson do Pandeiro. O já famoso Jackson o convidou para o Rio de Janeiro, onde foi morar e trabalhar como cantor, iniciando uma parceria que rendeu grandes frutos musicais e selou uma longa amizade. Como ritmista de Jackson, se apresentou nas rádios, tvs e viajou o Brasil inteiro. Elino confessa que não foi fácil gravar no Rio de Janeiro nos anos 50. "Passei muito tempo para gravar. Naquela época dos auditórios de rádio, a gente cantava mas não gravava. Só gravava quem tinha muita sorte e cantava mais que Vicente Celestino", lembra saudoso do amigo.

Foi na casa de Jackson, que Elino começou a compor suas primeiras músicas. Gravou seu primeiro disco em 1961, na gravadora Chantecler, que além dele, lançava simultaneamente : Noca do Acordeon, João Silva, Geraldo Nunes, Mineiro e Teixeirinha. Do grupo só Teixeirinha fez um grande sucesso com “Coração de luto”.- O sucesso do colega o desanimou e pensou em desistir da carreira, porém Jackson o estimulou e o levou para a gravadora Phillips, por onde lançava seus discos.

Foi na Philips/Polygram, que gravou seus primeiros sucessos: “Puxando Fogo” e “Xodó do Motorista”, que logo se transformaram em verdadeiros hits. Mas antes disso, suas composições já faziam sucesso. Entre elas “Rela Bucho”, na voz do pernambucano Sebastião do rojão. Em função do sucesso, foi convidado para uma gravadora maior, a CBS, hoje Sony Music, onde permaneceu por 23 anos.

Ainda no Rio, foi contratado da extinta Rádio Tupi e da rádio Nacional. Nesta última como convidado especial, já que só se apresentavam os cantores contratados pelo governo. Em meio ao sucesso saiu da "cidade maravilhosa" e foi para São Paulo trabalhar com Pedro Sertanejo (pai de Osvaldinho do Acordeon), ficando na terra da garoa por seis anos.

Luiz Gonzaga estreou na TV Cultura o show "Chapéu de couro" e o convidou para trabalhar como ritmista, permanecendo aí por mais três anos. Vale lembrar também que o seridoense morou com o Rei do Baião e seu irmão Zé Gonzaga, conhecido como o príncipe do forró, a quem Julião não se negava a dar uma força. Elino, Jackson, Trio Nordestino e outros do gênero saíram da CBS em 86, quando a gravadora, preferindo apostar nos internacionais Michael Jackson e Júlio Iglesias, alegou que estava em dificuldades.

Teve composições gravadas por importantes nomes da música brasileira. Jackson do Pandeiro gravou o forró "Xodó do motorista", o arrasta-pé "Puxando fogo", pelo Trio Elétrico de Dodô e Osmar e "Meu saudoso Ceará", por Luiz Gonzaga. Foi gravado também por Dominguinhos e por Jorge de Altinho. Teve composições gravadas na Bélgica, Portugal e Zâmbia. É considerado a mais forte referência da música regional do Rio Grande do Norte.

Em 1999, por ocasião das comemorações dos 400 anos da cidade de Natal, teve as composições "Xodó do motorista", feita em parceria com Dilson Dória, "Puxando fogo", com J. Machado, e "Rabo do jumento", com Dilson Dória, gravadas no CD "Nação Potiguar".

O trabalho de Elino Julião tinha um perfil regionalista muito transparente, que o caracterizava como um "autêntico cantor do nordeste". Ele tinha extrema facilidade em compor a respeito das particularidades do seu povo, dos fatos do cotidiano. Um prático. Fazia música de ouvido, letra e melodia. O seu forró é considerado genuinamente "Pé -de- Serra" dos melhores. Ele é conhecido como um dos artistas que mais participa das populares coletâneas de música junina, os "Pau- de- sebo".

Nos mais diversificados locais que se acenda uma fogueira, seja no sertão ou nas vilas suburbanas das grandes cidades, o repertório obrigatório ainda é o de Julião, como é demonstrado no São João em Natal e interiores. Elino, era um homem, simples. Não é exagero mencionar que carregava na fala e no gesto a pureza e espontaneidade do verdadeiro sertanejo. O falar doce e manso traduzia um romantismo que tocava o coração, sem usar de maiores prolixidades.

Entre seus grandes sucessos estão "O relabucho", "A festa do Senhor São João", "Puxando fogo", "Na sombra de Juazeiro", "Filho de gaiamum", "Cajueiro de Pirangi", "Maria home", "O rabo do jumento" e "Forró da Coréia".

Suas letras revelam também a irreverência e humor do nordestino. O artista não perdeu sua naturalidade, ainda que tenha sido presença constante das famosas rodas do histórico Hotel Glória/ RJ, e muitas vezes escolhido o artista do mês pelas rádios. Produziu 700 músicas, com mais de 40 discos em vinil e quatro CDS.

De acordo com a esposa do músico, Verana Araújo, ao ser entrevistada, depois do jantar Elino foi para cama e caiu. Apesar de ficar se contorcendo ele disse que estava bem, mas a forte dor de cabeça e a falta de ar persistiram, levando-o a óbito. Ele foi vítima de um aneurisma cerebral no último sábado e não resistiu.

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