domingo, 25 de novembro de 2012

Mário Pinheiro

(Campos dos Goytacazes/RJ, 1880 ---------- Rio de Janeiro/RJ, 10/1/1923)

Era provavelmente filho de uma enfermeira cearense. Ao que parece, fugiu de casa aos oito anos de idade, vindo para o Rio de Janeiro.

Mário Pinheiro começou sua carreira de artista num circo da Piedade, onde foi muito vaiado. Apresentou-se como cantor, com sua voz de barítono, no Passeio Público, sempre acompanhando-se ao violão. Foi então contratado por Fred Figner, gravando modinhas, cançonetas e lundus para a Casa Edison.

Fez sua primeira gravação para a Odeon em 1904 registrando as modinhas "Carmen" e "Gentil Formosa", de autores desconhecidos. Nesse mesmo ano, gravou as cançonetas "Saudades do ninho", "O que nasceu primeiro" e "Lágrimas do passado", todas de autores desconhecidos além da modinha "Ave Maria", com letra o poeta romântico Fagundes Varela e da "Canção do índio", de Carlos Gomes. Provavelmente em 1905, gravou as clássicas modinhas "Na casa branca da serra", de Guimarães Passos e Miguel Emídio Pestana, "O talento e a formosura", de Catulo da Paixão Cearense e Edmuno Otávio Ferreira e "O Fadário", de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense e o tango "O sertanejo enamorado", de Catulo da Paixão Cearense e Ernesto Nazareth, além da cançoneta "A vacina obrigatória", de autor desconhecido e alusiva à campanha de vacinação levada à cabo na cidade do Rio de Janeiro no ano anterior e que serviu de estopim para uma grande revolta popular. Por volta de 1906, gravou em dueto com Pepa Delgado o tango "O gaúcho", de Chiquinha Gonzaga, constando no selo do disco o título "Corta-jaca" e a modinha "Vem cá mulata", de Arquimedes de Oliveira. Gravou também o tango cançoneta "O boêmio (Os boêmios)", de Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros e a modinha "Ao desfraldar da vela (Clélia)", de Catulo da Paixão Cearense e Luiz de Souza.

Por volta de 1907, gravou novas composições de Catulo da Paixão Cearense: a polca "O teu mistério", com Juca Kalut, a modinha "Perdoa", com Anacleto de Medeiros e a canção "O meu ideal", com Irineu de Almeida. Gravou ainda as modinhas "Pálida morena" e "Eugênia" com letra do poeta Castro Alves. Por essa época gravou oito composições do poeta e pintor cearense Ramos Cotoco: as cançonetas "O diabo da feia", "Pela porta de detrás", "Só angu", "Não faz mal", "A cozinheira", "Rosa e eu" e "A engomadeira", além do lundu "A sogra e o genro". Gravou ainda a cançoneta "Dona Adelaide", de Chiquinha Gonzaga e a barcarola "O gandoleiro do amor", com melodia de Salvador Fábregas sobre versos do poeta Castro Alves. Gravou com Isaura Lopes, Eduardo das Neves e Nozinho a cançoneta "Ai Joaquina" e o cômico "Em um café concerto". Ainda por volta de 1908, gravou diversas músicas na Victor Record entre as quais a modinha "Casinha pequenina", de motivo popular. Em 1909 participou do espetáculo que inaugurou o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, fazendo o papel de Tapir na ópera Moema, de Delgado de Carvalho. Ainda nessa época, gravou a canção "Quis debalde varrer-te da memória", de Xisto Bahia e Plínio de Lima e a serenata "Estela", de Abdon Lira e Adelmar Tavares. Na mesma época, gravou na Victor Record a serenata "Os namorados da lua" e o tango "Menina faceira", de Chiquinha Gonzaga.

Em torno de 1910, registrou na Odeon diversas canções de Catulo da Paixão Cearense com diferentes parceiros: "Adeus da manhã", com Emile Pessard, "O pé", com Saint-Saens, "Rasga coração (Iara)", com Anacleto de Medeiros e "A tuas mão", com Francisco Braga, além do tango "Favorito", com Ernesto Nazareth. Gravou ainda a canção "O bem-te-vi", de Melo Morais Filho e Miguel Emídio Pestana e, com Eduardo das Neves, gravou em dueto o lundu "O malandro" e o cômico "Os dois bêbados", de autores desconhecidos.

Em 14 de julho de 1909, participou do espetáculo de inauguração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, fazendo a parte do Tapir, na ópera "Moema", de Delgado de Carvalho. Por volta de 1910, gravou discos na Colúmbia norte-americana. Provavelmente nessa época é que foi contratado pela Victor, viajando para os Estados Unidos e gravando, em Camden, mais de cem discos de dez e doze polegadas. Aí deve ter ficado até 1912, quando viajou para a Itália, a fim de aperfeiçoar sua voz, lá permanecendo até 1917.

Casou-se com uma harpista do Teatro Scalla de Milão chamada Aída.

Em 1917, regressou ao Brasil e recomeçou a gravar na Odeon. Em 1918, já de volta ao Brasil, apresentou-se no Teatro São Pedro (hoje Teatro João Caetano), numa grande festa em homenagem a Catulo da Paixão Cearense, onde cantou diversas músicas com letras de Catulo. Consta que tenha retornado ao Brasil como baixo-cantante de uma companhia lírica italiana, após ter atuado no Scala de Milão. Teria por diversas vezes representado os papéis de Sparafucile no Rigoletto, de Verdi e o de Coline em La Bohème, de Puccini. Nesse mesmo ano, gravou o cateretê "O matuto", de Marcelo Tupinambá e Claudino Costa e o tanguinho "Pierrô", de Marcelo Tupinambá. Também nessa época, gravou oito modinhas de Catulo da Paixão Cearense: "Não partas", "Cabocla bonita", "No sertão", "Como tem amo", "Lágrimas sonoras", "Improviso", "Arrufos" e "Sobre uma campa". Gravou ainda em dueto com o cantor Bahiano os desafios "Chico Mironga no casamento do seu Zé Pinho" e "Os dois violeiros", também de Catulo da Paixão Cearense.

Gravou discos para a Casa Edison até 1920. Com o aparecimento de novos cantores, Mário começou a viver dias difíceis, que culminaram com a separação de Aída. A partir de então, sua condição financeira foi se agravando até que, por fim, foi internado com volvo na Casa de Saúde Afonso Dias, na rua Aristides Lobo, no Rio Comprido. A 10 de janeiro de 1923, morreu, na mais completa miséria.

Mário Pinheiro foi um dos artistas mais populares do Brasil, nas duas primeiras décadas do século XX, e, na sua época, foi também o cantor que mais gravou. Entre suas grandes interpretações, salientam-se: "Talento e Formosura". de Catulo, "Gondoleiro do Amor", de Castro Alves e Fabregas e "Casinha Pequenina", de autor desconhecido.

Fonte: Site Luiz Américo e Dicionário Cravo Albin da MPB.

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