domingo, 25 de novembro de 2012

Custódio Mesquita

(Rio de Janeiro/RJ, 25/4/1910 -------- Rio de Janeiro/RJ, 13/3/1945)

Custódio Mesquita de Pinheiro foi compositor, pianista, regente e ator.

Tio do produtor cultural carioca Albino Pinheiro, nasceu no bairro das Laranjeiras. De família de classe média alta, aprendeu as primeiras noções de música com a mãe. Seu pai, Raul Cândido de Pinheiro, tocava piano, e lhe ensinou os primeiros acordes. Estudou com o professor Luciano Gallet, que lhe ministrou aulas durante pouco tempo, pois o menino só gostava de tocar de ouvido. Estudou depois com o professor Otaviano Gonçalves. Muito indisciplinado foi colocado pela mãe para ser escoteiro no Fluminense Futebol Clube, onde se tornou tocador de tambor. Ficou pouco tempo como escoteiro, mas dessa experiência passou a se interessar pela bateria a qual aprendeu a tocar tanto quanto o piano.

Estudou no Liceu Francês, no Flamengo chegando apenas até a terceira série do antigo curso ginasial. Ainda estudante, começou a tocar bateria no conjunto que se apresentava no cinema Central.

Iniciou a carreira artística por volta dos 18 anos atuando como baterista em conjuntos musicais. Por volta de 1931 começou a atuar no rádio, inicialmente no "Esplêndido Programa" apresentado por Waldo Abreu na Rádio Mayrink Veiga. Passou em seguida a atuar na Rádio Philips, no Programa Casé. Por essa época começou também a atuar como pianista. Em 1932, teve suas primeiras composições gravadas, os fox-canção "Dormindo na rua" e "Tenho um segredo". Nesse ano, foi parceiro de Noel Rosa no samba "Prazer em conhecê-lo", gravado por Mário Reis na Odeon. Em 1933, o mesmo cantor lançou o samba "Os homens são uns anjinhos"; João Petra de Barros gravou os sambas-canção "Palacete de malandro" e "Conto da carochinha" e, Carmen Miranda, o samba "Por amor a esse branco". Nesse ano, fez com o radialista Paulo Roberto os fox-canção "Canção ao microfone" e "Cantor do rádio" gravados por João Petra de Barros na Odeon. Também no mesmo ano, teve seu primeiro grande sucesso gravado, a marcha "Se a lua contasse", lançada na voz de Aurora Miranda na gravadora Odeon. Fez sucesso também com o samba "Doutor em samba", com letra e melodia suas gravado por Mário Reis na Victor e que era, veladamente, uma homenagem ao cantor, formado em direito e da alta sociedade carioca.

Em 1934, voltou a ter composições gravadas por Aurora Miranda, os sambas "Câmbio de amor", com Paulo Roberto e "Moreno jogador"; o samba-canção "Moreno cor de bronze" e as marchas "Eu sou pobre... Pobre...", "Juntei os meus trapinhos", "Sobe balão" e "A lua fez feriado".

Em 1935, atuou em cinco filmes, todos com músicas suas, "Alô, alô Brasil", com direção de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, no qual aparecem as músicas "Ladrãozinho", cantada por Aurora Miranda e "Fique sabendo", com Elisa Coelho ; "Estudantes", de Adhemar Gonzaga, com a música "Onde está o carneirinho", com Aurora Miranda; "Carioca maravilhosa", de Luiz de Barros, com a música "Moreno cor de bronze", interpretada por Carmen Miranda; "Noites cariocas", do argentino Henrique Cadicamo, com as músicas "Jardineiro do amor", cantada por Lourdinha Bittencourt, "Conheço um lugar onde se sonha, "Hospedaria internacional" e "Tabuleiro" e, "Favela dos meus amores", de Humberto Mauro. Nesse ano, Aurora Miranda gravou as marchas "Coração camarada", com J. Cortez e J. Milton, "Cansei de sofrer" e "Noites cariocas"; Silvinha Melo a canção "Negra velha" e, João Petra de Barros, o fox-trot "O que o teu piano revelou", com Orestes Barbosa e a canção "Tapera", com Alberto Ribeiro.

Em 1936, teve gravados os sambas "Sambista da Cinelânia", com Mário Lago e "Cuíca, pandeiro, tamborim...", por Carmen Miranda; a marcha "É noite", com Mário Lago, por Aurora Miranda; o samba "Exaltação da favela", com Dan Málio e a marcha "Fruto proibido", com Orestes Barbosa, pelas Irmãs Pagãs, e a marcha "Menina eu sei de uma coisa", com Mário Lago, por Mário Reis. A revista "O Sambista da Cinelândia", encenada no Teatro Fênix, marcou sua estréia como compositor para teatro. No ano seguinte, fez com Joracy Camargo o choro "Quem é?", sucesso na voz de Carmen Miranda e Barbosa Júnior que o gravaram em dueto na Odeon.

Atuou ao lado de Dircinha Batista, e outros no filme "Bombonzinho", dirigido por Joraci Camargo em 1938. Nesse ano, teve a valsa "Enquanto houver saudade", com Mário Lago, gravada por Orlando Silva na Victor no mesmo disco que tinha o grande sucesso "Nada além", fox-canção também feito em parceria com Mário Lago. Em 1939, sua marcha "Faça de conta", com Mário Lago, foi gravada na Columbia por Emilinha Borba. Em 1940, seu fox "Céu e mar", com Geysa Bóscoli, a valsa-canção "Larãozinho", com David Nasser, e a marcha "No meu tempo de criança", foram gravadas por Francisco Alves na Columbia. Nesse ano, teve lançado por Sílvio Caldas um de seus maiores sucessos, o fox-canção "Mulher", parceria com Sadi Cabral, com quem assinou também a valsa "Velho realejo", lançada com sucesso no mesmo disco. Também nesse ano, Sílvio Caldas gravou com sucesso o samba "Preto velho", parceria com Jorge Faraj

Teve três valsas gravadas em 1941, "O pião", com Sai Cabral e "Caixinha de música", por Sílvio Caldas e "Bonequinha", com Sadi Cabral por Carlos Galhardo. Por essa época, atuou na peça "Carlota Joaquina", de Magalhães Junior, fazendo o papel de D. Pedro I, tendo saído em excursão pelo país com a companhia Jaime Costa, chegando a Belém do Pará onde foi por algum tempo diretor da Rádio Clube do Pará. Em 1942, Carlos Galhardo gravou a marcha "Espera Maria", com versos de René Bittencourt.

Em 1943, assumiu o cargo de diretor artístico da gravadora RCA Victor, que exerceu até sua morte. Esse ano, por sinal, foi um dos mais férteis de sua carreira. Teve onze composições gravadas, entre as quais, "O samba da Beatriz", com Evaldo Rui, gravado por Sílvio Caldas; "Olhos negros", fox-canção composto com Ari Monteiro e gravado por Nelson Gonçalves; "Os produtos da minha terra", samba registrado por Isaura Garcia e "Antigamente era assim", com Ari Monteiro e "O homem da valsa", com David Nasser, valsas gravadas por Carlos Galhardo. Gravou nesse ano com sua orquestra cinco disco com obras de Ernesto Nazareth, os choros "Brejeiro", "Bambino", "Escovado", "Apanhei-te cavaquinho" e "Escorregando" e as valsas "Eponina", "Gotas de ouro", "Expansiva", "Faceira" e "Coração que sente". Também com sua orquestra acompanhou gravações de Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, João Petra de Barros e Sílvio Caldas. Atuou ainda ao lado de Grande Otelo no filme "Moleque Tião", de José Carlos Burle, sendo bastante elogiado. Nesse filme foram incluídas suas músicas "Promessa", "Mãe Maria" e "Pretinho". Ainda em 1943, iniciou fecunda parceria com Evaldo Rui, com o qual compôs trinta músicas, entre as quais o bolero "Pra que viver?", gravado por Carlos Roberto e os sambas "Pretinho", gravado por Isaura Garcia e "Promessa", por Sílvio Caldas.

Em 1944, fez com Evaldo Rui os sambas "Como os rios que correm pro mar", dedicado aos olhos verdes da vedete Iracema Vitória e "Noturno em tempo de samba", gravados por Sílvio Caldas; "Eu fico" e "Não faças caso coração", por Isaura Garcia; "Olha o jeito desse negro", na voz de Linda Batista; o fox "Nossa comédia", gravado por Nélson Gonçalves, que fez bastante sucesso e a valsa "Gato escondido", lançada por Carlos Galhardo. Uma das melhores composições desse ano foi o samba "Algodão", parceria com David Nasser e gravado por Sílvio Caldas. Também nesse ano, teve registradas por Carlos Galhardo a valsa "Gira...gira...gira..." e o fox "Rosa de maio", parcerias com Evaldo Rui.

Em 1945, teve sete música gravadas, todas nos dois primeiros meses daquele ano: os sambas "Eu fico" e "Não faças caso coração", lançados por Isaura Garcia, o samba "Feitiçaria" e o fox "Sim ou não", por Sílvio Caldas; o fox "Voltarás" e a "Valsa de quem não tem amor", por Nélson Gonçalves, todas em parceria com Evaldo Rui e o samba-choro "Flauta, cavaquinho e violão", com Orestes Barbosa, gravado por Aracy de Almeida. Sua última composição, que teve letra de Freire Júnior, chamava-se "Despedida".

Entre 1935 e 1937, foi subsecretário a Sbat e em 1945, foi eleito conselheiro dessa entidade, a que estava filiado desde 1933. Não chegou, porém, a tomar posse do cargo porque morreria de crise hepática. Considerado pela imprensa e pelos fans um galã, sempre perfeitamente vestido e penteado, foi uma das principais figuras românticas da era de ouro da radiofonia e dos discos.

Foi considerado um compositor de melodias elaboradas e que em muitas delas antecipou arranjos que somente seriam vistos durante a bossa nova como serão possivelmente os casos de "Promessa" e "Noturno em tempo de samba". A sua principal composição, o samba-canção "Saia do caminho", com Evaldo Rui, somente foi gravada mais de um ano depois de sua morte, por Aracy de Almeida na Odeon. No mesmo ano, o samba "Viva o samba”, também com Evaldo Rui e até então inédito, foi lançado por Linda Batista na Victor. Em 1949, o samba-canção "Adeus", com Evaldo Rui foi gravado por Dircinha Batista e a valsa "Beduína", com Davi Nasser, foi gravada por Francsico Alves. Em 1952, Carlos Galhardo regravou o fox "Mulher", parceria com Sadi Cabral.

Em 1954, Orlando Silva regravou o samba "Feitiçaria", com Evaldo Rui. Dois anos depois, Cauby Peixoto regravou na Victor o fox-canção "Nada além", Roberto Paiva na Odeon o samba "Preto velho" e Dalva de Oliveira na Odeon o samba-canção "Saia do caminho", com Evaldo Rui. Em 1957, a marcha "Se a lua contasse" foi gravada de forma instrumental por Lindolfo Gaya e seu conjunto, e o fox-canção "Nada além" foi regravado por Cauby Peixoto no LP "Ouvindo Cauby" da RCA Victor. Em 1958, Ângela Maria regravou o samba "Promessa" e o samba-canção "Saia do caminho".

Em 1961, Dalva de Oliveira regravou o samba "Não faças coração", com Evaldo Rui. Em 1963, Lindolfo Gaya regravou com sua orquestra a valsa "Velho realejo", que foi regravada dois anos depois por Jair Rodrigues na Philips. Em 1968, o choro "Quem é?", com Joracy Camargo foi regravado na Philips pela musa da bossa nova Nara Leão.

Em 1974, Gal Costa regravou "Saia do caminho", em disco Philips. A mesma música seria regravada três anos depois por Nana Caymmi na CID e por Miúcha e Tom Jobim na RCA Victor. No mesmo ano, Maria Bethânia regravou o samba "Promessa" na Philips. Em 1983, Cauby Peixoto regravou o fox-canção "Mulher". Em 1986, o pesquisador Bruno Ferreira Gomes lançou pela Funarte o livro "Custódio Mesquita - Prazer em conhecê-lo".

Em 2000, teve as músicas "Se a lua contasse", na voz e Aurora Miranda e "Saia do caminho", na voz de Aracy de Almeida relançadas pela EMI/Odeon na série "Ídolos do Rádio - volume 1". Em 2002, o professor Orlando de Barros da Universidade do Estado do Rio de Janeiro lançou nova biografia do compositor, "Custódio Mesquita - Um compositor romântico no tempo de Vargas". Em 2004, sua composição "Doutor em samba" foi incluída na caixa de três CDs "Um cantor moderno", lançada pela BMG com a obra do cantor Mário Reis.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

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